As forças do GAN retomaram o controlo sobre o aeroporto de Tripoli. Foto: Getty Images
Líbia
viveu hoje o dia de virada total da situação. As tropas do Governo de Acordo
Nacional (GAN) avançaram 200 km ao longo da costa, a cidade de Sirte se rendeu
sem oferecer nenhuma resistência. As tropas de Khalifa Haftar se entregam ao governo
e os municípios locais anunciam à sua lealdade ao GAN.
O
GAN está começando a dominar áreas da Cirenaica e ainda não está claro se eles oferecerão
qualquer resistência. A desintegração da estrutura militar de Haftar é muito
ampla. Se o GAN conseguir tomar as cidades de Ras Lanuf e Brega no mesmo ritmo,
Tripoli realmente assumirá o controlo da bacia de petróleo de Sirte, o que
significa que cortarão Haftar de seu único recurso interno, o colocando na
total dependência do exterior.
O
Egito descartou a solução militar e pediu negociações gerais, de fa(c)to, sem condições
prévias. O destino das 50 aeronaves estacionadas na base aérea de Al Jufrah
ainda é desconhecido. Entre eles, podem estar cerca de seis MIG's russos,
escreve o blogueiro militarista russo el-murid.
As
tropas do GAN exibem enormes troféus. Entre eles os 4 mercenários russos. Estão
em andamento as negociações sobre as condições da sua entrega ao Moscovo.
A
Turquia não receberá nenhum navio com proveniência de qualquer porto da
Crimeia, independentemente da bandeira do registo da embarcação. A decisão foi
anunciada nesta sexta-feira pela Câmara de Transporte Marítimo da Turquia e
tomada pelo Ministério dos Transportes, Navegação Marítima e Comunicações da
Turquia.
A
porta-voz do Ministério Público da Ucrânia, Larisa Sargan, publicou na sua
página de Facebook a cópia do documento, que frisa: “os navios provenientes da
região da Crimeia e dos seus portos não podem entrar no nosso país (Turquia) e a
permissão para navegar aos portos daquela região não será concedida”.
O
presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, na sua visita à Kyiv em 9 de outubro,
disse que Ancara continuará a apoiar a integridade territorial da Ucrânia e que
nunca aceitará a anexação ilegal da Crimeia pela Rússia, embora deixou por
responder à questão se Turquia pretende impor as sanções contra a Rússia.
Guarda
Costeira da Líbia afunda petroleiro da Crimeia
foto @Coast Guard and Port Security
A
Guarda Costeira e Segurança Portuária da Líbia publicou na sua página de Facebook
o momento de abordagem do petroleiro russo Goeast, pertencente à uma empresa da
Crimeia e que era suspeito de contrabando de petróleo e combustível.
Como
informa a publicação World Maritime News, citando a Guarda Costeira Líbia, a
tripulação não acatou as ordens repetidas das autoridades marítimas líbias,
após o que o petroleiro foi alvejado pelo canhão de 30 mm. Em resultado foram danificados
os tanques de combustível e casa de máquinas. Como escreve Libyan Express, algum
tempo depois o navio afundou, o destino da sua tripulação é desconhecido.
Pelos
dados da publicação belarusa By24.org, o petroleiro Goeast era registado sob o número
internacional IMO 7526924 e usava a bandeira das Comores. Mas na realidade
pertencia à empresa russa «Uvas-Trans», registada e com escritório principal na
Crimeia ocupada, informa a página ucraniana Zik.ua
De projeto no Facebook à protesto real: a comunidade ucraniana da Grande
Lisboa já está a par da manifestação neste sábado, dia 22.02.2014, às 12h00 e
haverá pelo menos uma centena de pessoas no Cais do Sodré. A manif foi
anunciada na rádio ucraniana de Portugal e agência Lusa emitiu uma nota sobre a
convocatória para a manif amanhã ao meio-dia no Cais do Sodré:
Francamente, fiquei surpreendido com a quantidade de pessoas, seguramente bem intencionados, que lamentaram publicamente a morte do ditador Gaddafi.
Muitos deles, que até se intitulam da gente de esquerda, escolheram as palavras pouco simpáticas para com os seus captores e alegadamente, carrascos. Mas o que eles esperavam? Que os militantes da Brigada do Sirte, que resistiram ao cerco das tropas do ditador durante 70 dias iriam o prender, lendo lhe os seus direitos constitucionais, como acontece nos filmes americanos? Mas a Líbia nem possui uma constituição formal, esta foi substituída pelo Livro Verde, assinado pelo mesmo coronel, cuja morte é tão fortemente criticada pelos pacifistas de esquerda.
A forma como morreu Gaddafi não difere em absolutamente nada da forma como todos os dias do ano são mortos centenas de milhares de pessoas em diversos cantos do 3° mundo, do Vladivostok à Joanesburgo, de Mumbai à Maputo. Assaltados, assassinados, estuprados entre as paragens do transporte colectivo e as suas pacatas casas, muitas vezes por um punhado dos randes, rublos, rupees, meticais ou um celular de 2ª mão. Mas ninguém os conta e ninguém os chama de heróis, aparentemente, em vez de resistir aos “avanços da NATO” estas pessoas trabalham de sol à sol, tentando sobreviver nos países muitos vezes comandados pelos outros ditadores e até amigos do Gaddafi, que drenam as riquezas nacionais para as suas tendas de luxo, concertos familiares privados com estrelas “ingénuas” ocidentais, MBA’s no Ocidente para os filhos e claro, a compra do armamento ocidental para a luta ferozmente de faz de conta contra Ocidente.
A forma como morreu Gaddafi é apenas uma variante cultural (e esquerda nós ensina que devemos respeitar as diferenças culturais de cada povo), da maneira como morreram Ceauşescu e Saddam, um fuzilado e outro enforcado, praticamente, pelos seus próprias guardas.
A forma como morreu Gaddafi seguramente irá nos parecer demasiadamente branda, quando milhões dos autistas actuais da Correia do Norte acordarem do seu sono profundo e apresentarão as contas à dinastia vermelha dos Kim’s pelo mais do meio século do seu atraso gratuitamente colossal, que mais parece com vários séculos, se os comparamos com os seus irmãos na vizinha Correia do Sul.
A forma como morreu Gaddafi, deve, em teoria, oferecer uma pequena demonstração grátis aos outros ditadores ainda em activo, daquilo que irá acontecer com os indivíduos que brutalizam os seus povos, acreditando que o mesmo povo os ama.
A forma como morreu Gaddafi foi absolutamente proporcionalmente digna à forma como ele viveu e como comandou os destinos do seu país durante últimos 42 anos. É hora de entender, que os próprios dirigentes escolhem a maneira como eles morrem e quem mata pelo ferro, pelo ferro morre. E as possíveis excepções só podem reforçar a regra geral.
Bónus
Aconselho ver o filme documental da autoria do jornalista do canal Aljazeera English, Imran Garda, chamado “India’s Silent War” sobre a vida quotidiana do povos indígenas Adivasi (84 milhões de pessoas), encurralado entre o estado indiano e os rebeldes maoistas na sua luta armada pela utopia totalitária.
Como qualquer ditador que se preze, coronel Gaddafi vivia no mundo da profunda ilusão, acreditando ser amado pelo seu povo. Os exemplos do Ceauşescu ou Saddam Hussein não o ensinaram absolutamente nada. Perdendo primeiro Bengazi, depois Tripoli e mais tarde o resto do país, em vez de se render e se entregar ao Conselho Nacional de Transição (CNT), Gaddafi pretendia crer nos seus últimos discursos de ser capaz de retomar o poder no país. Tal como Hussein, Gaddafi, que prometeu lutar até o fim, foi achado escondido num tubo de esgoto, mais próprio para um rato ou uma barata, tal como ele chegou a chamar os moradores da Bengazi, antes de prometer os exterminar e punir “sem nenhuma piedade”.
Creio que nos próximos dias iremos ouvir vozes que vão lamentar a morte do ditador (já se começou a lamentar a “forma” da sua morte) e emitir inúmeras sugestões daquilo que CNT deveria ou não deve fazer. Tal, como no passado recente fez a União Africana, na voz do seu representante Jean Ping. Não dá para perceber onde é que estava este e outros “pacifistas” durante os 42 anos da vigência ditatorial do Gaddafi, que praticava os assassinatos dos dissidentes no exterior, desaparecimentos e assassinatos extra – judiciais dos opositores do seu regime dentro do país, apoiava as organizações terroristas internacionais, se preparava para invadir Bengazi, ordenou as violações em massa ou apaticamente assistia a violação brutal da Iman al-Obeydi...
Será que os restantes ditadores ainda em activo, Bashar al-Assad, Chávez, Lukashenka ou Mugabe saberão tirar as ilações do fim inglório do Gaddafi? “They love me all”, — disse ele numa das suas raras entrevistas já após o início da revolução, referindo-se ao povo líbio. O que dirão no seu fim os restantes ditadores? “Еstoy libre del cáncer”, porventura...