quarta-feira, dezembro 09, 2020

A real escravatura kolkhoziana soviética

Durante décadas, aos camponeses soviéticos não eram atribuídos os passaportes internos, para garantir que sem o documento de identificação eles não abandonassem o campo. Mas além disso, os camponeses reformados recebiam como reforma os valores absolutamente baixos, impossíveis de alimentar uma pessoa adulta. 

Por exemplo, o blogueiro ucraniano Mykola Myts mostra o certificado da reforma da sua mãe, Agrepyna Myts, que em 1964 se reformou, após uma vida inteira trabalhando para uma fazenda agrícola estatal, recebendo a reforma de 6 rublos e 45 copeque (10,93 dólares ao câmbio oficial). Aos preços soviéticos da época, Agrepyna podia comprar 4,03 kg da mortadela mais barata, conhecida na Ucrânia como “felicidade de cão”, que os reformados mais abastados, moradores das cidades, compravam para alimentar os seus gatos e cães (os pets).

No entender do estado soviético, os camponeses poderiam ter a sua própria horta/roça/machamba e poderiam criar os animais domésticos (galinhas, cabritos, vacas), como tal, poderiam sobreviver com uma pensão absolutamente miserável, num país, onde na década de 1960 o salário mínimo era de 60 (e mais tarde de 70) rublos…

terça-feira, dezembro 08, 2020

O extermínio físico da fina flor da elite intelectual da Ucrânia


Nos dias 8-10 de dezembro de 1937 na região russa de Solovki foi fuzilada a 2ª etapa inteira de prisioneiros políticos – no total 510 pessoas. Entre eles a fina flor da elite intelectual da Ucrânia. 

Entre as vítimas estava a médica dermatologista ucraniana Volodymyra (Woldemira) Krushelnytska. No início da década de 1930 com toda a sua família ela se mudou de Lviv, sob ocupação polaca a cidade de Kharkiv, de momento, a capital da Ucrânia soviética. Em Kharkiv, em 1934 ela foi presa e enviada ao campo de concentração de Solovki, no mesmo ano foram presos e fuzilados dois dos seus irmãos, poeta, dramaturgo e pintor Ivan (29) e escritor e tradutor – Taras (26). Um ano depois, do desgosto morreu a mãe deles – atriz e escritora Maria Krushelnytska. No outono de 1937 na mata de Sandermokh na região russa de Karélia, inseridos na 1ª etapa de Solovki foi fuzilado o pai da Volodymyra — escritor Anton Krushelnytskiy (59) e seus dois irmãos economista Bohdan (31) e jornalista Ostap (26). 

Os seus assassinos foram condecorados, no total o grupo de carrascos recebeu 10 pistolas, 4 prendas valiosas, 1 relógio, 1 jogo de chávenas de chá e 150 rublos de prémio. Após o fuzilamento da 1ª e 2ª etapas de Solovki (mais de 1.000 prisioneiros), todos os membros do NKVD de Leninegrado, responsáveis pelo fuzilamento em massa foram condecorados “pelo trabalho altruísta na combate à contrarrevolução” (ordem do NKVD da região de Leninegrado do 20 de dezembro de 1937). 

Oficiais Derevyanko, Larioshin, Tverdohleb, Chigintsev, Vasiliev, Yershov, Kuznetsov e até motorista Fedotos receberam as armas pessoais. 2º tenente Alafer, capitão Matveev, 1º tenente Polikarpov e 2º tenente Shalygin receberam “prendas valiosas”. Motorista Voskresenskiy recebeu relógio. 

Capitão Matveev recebeu um rádio, em 1939 ele próprio foi preso. Três dias depois tenente Polikarpov se suicidou, na eminência também ser detido. O chefe local do NKVD Ivan Dobrovolskiy chegou ao posto do coronel, recebendo uma boa reforma, até que em 1957 foi considerado “despedido, pelas ações que desacreditam a patente do oficial”. 

Tenente Podgorniy, comandante do 225º pelotão de fuzilamento, recebeu em dezembro de 1937 a condecoração e 100 rublos de prémio pelo «bom desempenho dos serviços especiais e garantia da preparação combativa». Alferes Polikarpov recebeu a mesma condecoração e 50 rublos de prémio pelo «bom desempenho dos serviços especiais e garantia da preparação combativa». Oficial Antonov-Gritsiuk levou um jogo de chá (2ª etapa de Solovki). 

Na foto inicial: a família Krushelnytski antes do início do Grande Terror soviético: sentados (da esquerda à direita): Volodymyra (fuzilada), Taras (fuzilado), Maria (mãe), Larisa, pai Anton (fuzilado). De pé: Ostap (fuzilado), Halyna (esposa do Ivan), Ivan (fuzilado), Natália (esposa do Bohdan), Bohdan (fuzilado).

domingo, dezembro 06, 2020

«Ucrânia: História, Cultura e Identidades». O primeiro curso online sobre Ucrânia em inglês

O Instituto Ucraniano, a Universidade Nacional «Academia Kyiv-Mohyla» e o estúdio de educação online EdEra desenvolveram o primeiro curso online sobre Ucrânia em inglês – «Ucrânia: História, Cultura e Identidades». O curso guiará os ouvintes através dos mil anos de história ucraniana, desde Rus de Kyiv até a declaração de independência em 1991.

O curso ajudará a adquirir conhecimentos básicos sobre a história e a cultura ucraniana, além de quebrar os estereótipos de que a Ucrânia está associada apenas à guerra e à catástrofe de Chornobyl. É o maior país da Europa, berço de Kazymyr Malevych, Alla Horska, Oleksandr Dovzhenko e de muitos artistas talentosos e figuras públicas conhecidas em todo o mundo. Ucrânia sempre teve influência na história global.

O curso online «Ucrânia: História, Cultura e Identidades» será lançado como um MOOC. Consiste em 5 módulos:

·         Ucrânia independente;

·         Rus de Kyiv e a Idade Média;

·         Território ucraniano no início da era moderna;

·         Ucrânia no século XIX;

·         Ucrânia no século XX.

Os leitores do curso são os investigadores ucranianos e os professores da Academia Kyiv-Mohyla. O curso será gratuito. A data de lançamento do curso será anunciada em breve. Acompanhe as novidades do projeto nas nossas redes sociais.

Saber mais:

https://ui.org.ua/onlinecourse_en

https://web.facebook.com/UkrainianInstitute

domingo, novembro 29, 2020

Holodomor na demografia soviética

Milhões de ucranianos morreram durante o Holodomor de 1932-33. Mas as autoridades soviéticas não queriam reconhecer nem mesmo o menor indício do genocídio que haviam criado. Isso é evidenciado pelos arquivos atualmente tornados públicos.

Por exemplo, o Censo geral soviético de 1937 demostrou uma verdadeira crise demográfica. Os demógrafos soviéticos esperavam que na Ucrânia vivesse cerca de 35 milhões de habitantes naquela época. Em vez disso, o Censo mostrou apenas 29 milhões, quase no nível de 1926.

Esse relatório final não foi apreciado pela liderança do partido comunista. Portanto, os responsáveis pelo Censo, incluindo Olympiy Kvitkin, foram acusados ​​de “obter figuras artificialmente subestimadas e pervertidas" e e de seguida fuzilados.

Embora o pouco conhecido Kvitkin [russo étnico, social-democrata e depois membro do PC soviético] não tivesse medo de escrever a verdade: que a coletivização levou à extinção do povo, que os camponeses mais ativos e saudáveis ​​fugiam dos kolkhozes (fazendas coletivas e) e estes se desintegraram, que o socialismo “não melhora, mas sufoca o bem-estar das massas”.

Ver e ler outros sobre este caso, coletados pelo Arquivo Estatal do Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU): http://avr.org.ua/?idUpCat=1847

segunda-feira, novembro 23, 2020

Os americanos escutam e apreciam a música moderna ucraniana

Dois casais americanos escutam e reagem à música moderna ucraniana: Jinjer – “Pisces”, Verka Serduchka “Dancing Lasha Tumbai” (Eurovisão 2007), Khrystyna Soloviy “Fortepiano” e Onuka “Time”.

Seguramente você também poderá descobrir aqui a sua banda ucraniana preferida!

Bónus

As discotecas na URSS na era das proibições (20 fotos)


domingo, novembro 22, 2020

As bandas e cantores proibidos na União Soviética

Os comunistas soviéticos estavam convencidos de que a música, a moda, os filmes e, em geral, toda a cultura de massa e a contracultura do Ocidente eram armas da Guerra Fria – não menos perigosas do que as bombas. Hoje iremos recordar as bandas e cantores que foram proibidos na URSS e como essa proibição era justificada.

Bónus


quinta-feira, novembro 19, 2020

Revista “New Eastern Europe”

Está disponível a nova, 6ª edição da revista New Eastern Europe, que ajuda à compreender os valores em tempos incertos: Europa, Europa Central, Ucrânia, Belarus e muito, muito mais.

Obter aa sua cópia aqui https://bit.ly/32P2ngb   

segunda-feira, setembro 21, 2020

De nazi soviético ao separatista “antifascista”


Em abril de 1985 na cidade ucraniana de Voroshylovohrad foi descoberto um grupo de jovens que imitava as práticas do Gestapo, 30 anos depois, o seu líder, jovem comunista outrora, aderiu com corpo e alma à causa terrorista e separatista do leste da Ucrânia.

Em abril de 1985, em Voroshilovgrad, foi descoberto e desmantelado um grupo antissocial (composto por 12 pessoas de 15 à 20 anos), que, imitando às práticas de Gestapo, sadicamente humilhava de seus pares, encenava o enforcamento e estuprava as meninas que aderiram ao bando. O lídee e organizador deste bando foi Konoplitsky S.S., nascido em 1966, membro da juventude comunista Komsomol, o motorista do 2º Departamento de reparação e construção de estradas de Voroshilovgrad, forçava os seus cúmplices a chamá-lo de “Standartenführer SS”. Konoplitsky e sete outros membros do grupo foram presos por cometer crimes nos termos dos artigos 117 e 206 do Código Penal da RSS da Ucrânia (estupro, vandalismo).

Arquivo do KGB da Ucrânia Soviética, cortesia Eduard Andryushchenko

30 anos depois, Konoplitsky Sergey Sergeevich, nascido aos 06/08/1966, é conhecido terrorista e membro de grupos armados ilegais da dita “lnr”. Nom de guerre “Maníaco”.

Combatente ilegal do bando ilegal armado “ batalhão Batman”, contra o qual, em 30 de dezembro de 2014, o “ministério público” dos separatistas de Luhansk abriu um processo criminal sob acusação de “prisão ilegal de duas ou mais pessoas”, “tortura, assassinato, sequestro de civis, extorsão e roubos”.

Base de dados Myrotvorets/Pacificador

Como ele próprio admitiu publicamente entre os métodos de impacto físico costumava utilizar contra as vítimas os golpes de martelo e de canos plásticos:

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sexta-feira, setembro 11, 2020

Caso Ihor Homenyuk. Diplomacia ucraniana questiona Governo português sobre investigação

[Ministro] Augusto Santos Silva garante que o processo decorre “dentro da lei”. Ministério Público [português] negou acesso da viúva aos autos alegando que o processo está em segredo de justiça, escreve Observador.pt 

O ministro dos Negócios Estrangieors da Ucrânia, Dmytro Kuleba esteve em Portugal na quarta-feira para se reunir com o homólogo Santos Silva e com um tema quente na agenda: a investigação e processo judicial sobre a morte de Ihor Homenyuk ocorrida a 12 de março, no Centro de Instalação Temporário do SEF no Aeroporto de Lisboa.

De Portugal, Kuleba levou a garantia de que tudo estava a correr “dentro da lei”, segundo o cônsul Volodymyr Kamarchuk que confirmou ao Publico qual o teor do encontro entre os dois governantes. “A embaixada não quer que este caso seja esquecido, por isso foi mencionado em reuniões de altas instâncias”, detalhou o cônsul, citado no diário.

Sobre a morte do compatriota, Kamarchuk diz não conseguir “encontrar palavras em inglês” que permitam expressar a sua opinião. “Podia ter acontecido a qualquer um. Ele só queria entrar em Portugal. Tento que a comunidade não se esqueça deste caso”, afirmou. 

Já o gabinete de Augusto Santos Silva, disse ao Público que o ministro “transmitiu, de novo, o quanto lamentava o acontecimento e informou que o processo judicial está em curso”. 

A viúva de Ihor, Oksana Homenyuk, constitui-se como assistente no processo, mas o pedido de acesso aos autos foi indeferido pelo Ministério Público, alegando que o processo está em segredo de justiça, o que preocupa a embaixada ucraniana. 

O advogado da família, José Gaspar Schwalbach, argumenta que a alegação de que o processo está em segredo de justiça não encontra base legal uma vez que o Código de Processo Penal Português estipula que “o processo penal é público, sob pena de nulidade, acrescentado o n.º 2 do mesmo preceito que o segredo de justiça existirá quando se entenda que ‘a publicidade prejudica os direitos daqueles sujeitos ou participantes processuais’”.

quinta-feira, setembro 10, 2020

Protocolos dos Sábios de Sião: nascimento dos fake news

Edição da emigração russa em Nova Iorque nos EUA de 1921
No dia 10 de setembro de 1903 em São Petersburgo na Rússia começou ser publicada a mais famosa falsificação antissemita – “Programa de conquista do mundo pelos judeus”, mais conhecida como “Protocolos dos Sábios de Sião”.

A falsificação teve a sua primeira edição no jornal de extrema direita populista russa “Znamya” (Bandeira), editado e publicado pelo deputado da Duma Estatal russa, notável racista, antissemita e anti ucraniano, Pavel Krushevan.

Poucos panfletos antissemitas podem igualar a popularidade aos “Protocolos dos Sábios de Sião”. Publicados no início do século passado na Rússia, o livro ganhou a popularidade internacional a partir de outubro de 1917. A falsificação usada pelos regimes mais odiosos do século passado parecia perder todo o seu apelo. Mas não. O livro ainda é referenciado e citado. E o mais popular permanece em seu país natal – na Rússia.
Embora em 2011, o órgão oficial do partido comunista português (PCP), o Avante!, citou e se baseou na famosa falsificação, acusando o “sionismo global” de atacar os direitos da “classe operária e camponesa”.