Possivelmente, o nosso MCB, como muita boa gente nessa Europa fora, tinha dormido na última década, e por isso não se lembra, que a guerra russa contra Ucrânia começou na primavera de 2014, com a ocupação militar e anexação da Crimeia. Na altura, o futuro presidente Volodymyr Zelensky era um mero ator de cinema, exercendo também a gestão da revista à ucraniana, o «KVN».
Na altura da invasão russa, a Ucrânia foi abandonada por todos, quer pelos EUA, quer pela Europa, mesmo pelos assinantes do Memorando de Budapeste, que deveriam garantir a inviolabilidade das suas fronteiras. Ucrânia optou por não resistir aos invasores, o resultado já conhecemos, os ocupantes russos não ficaram satisfeitos com o anschluss da Crimeia, partindo para a ocupação híbrida do leste da Ucrânia.
MCB, com uma satisfação bastante doentia, escreve que presidente ucraniano volta dos EUA “cabisbaixo”. Livremente podemos imaginar, que algum parente do Castelo Branco, descreveu, em termos semelhantes em 1939-40, os líderes da Polónia ou dos Estados Bálticos, que viram as suas pátrias nacionais esmagadas e ocupadas pelas forças nazis e/ou comunistas.
É de recordar, neste sentido, que o presidente da Letónia independente, Kārlis Ulmanis foi detido pelos ocupantes soviéticos em 1940 e deportado ao seu exílio forçado na Rússia soviética. Após o início da guerra nazi-soviética, foi preso em julho de 1941, e em 1942 levado para uma prisão no Turcomenistão. No caminho, contraiu disenteria e faleceu em 20 de setembro de 1942. O seu local de sepultamento permanece desconhecido.
Presidente da Estónia, Konstantin Päts, foi destituído dos seus poderes pelos ocupantes soviéticos em 1940 e deportado à Rússia soviética. Preso e encarcerado em junho de 1941 na cidade russa de Ufa, os seus netos menores foram levados para um orfanato. Päts, juntamente com o filho Viktor foi enviado para a prisão moscovita de Butyrka. Passou por tratamento psiquiátrico forçado, faleceu no hospital psiquiátrico de Burashevo, na região russa de Kalinin (atual de Tver), em janeiro de 1956. O local exato de sepultamento foi achado somente em 1990.
Apenas o presidente da Lituania, Antanas Smetona, conseguiu sair do país, chegando à Alemanha, onde solicitou oficialmente à Embaixada dos Estados Unidos em Berlim vistos americanos. O pedido foi concedido, ele morreu no seu exílio nos EUA em 1944.
Muito possivelmente, o nosso MCB também acha que Estónia, Letónia e Lituânia proclamaram as suas independências nacionais, na sequência de desmoronamento do império russo, não pelo imperativo moral de serem nações independentes e soberanas, mas somente por se “deixaarem sugestionar pelas promessas dos americanos e europeus”.
Não se duvida, que a humilhação de alguns, faz a alegria dos outros. Também não se duvida que a necessidade de humilhar e a alegria que se sente em ver alguém humilhado, diz muito sobre o caráter e a saúde mental dos indivíduos envolvidos. O caso do Miguel Castelo Branco não foge a essa regra.
Miguel Castelo Branco escreve sobre “todas as oportunidades que se-lhe [ao Presidente Zelensky] ofereceram para evitar que Ucrânia se desmoronesse…” Se calhar o nosso bibliotecário nunca consultou o Memorando de Budapeste, senão saberia que este documento garantia a segurança da Ucrânia e obrigava os seus signatários (EUA, Grã-Bretanha e rússia) a não usar os meios de coerção, militares ou económicos para tentar colocar em questão a sua independência, soberania ou as fronteiras nacionais.
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| A cidade ucraniana de Kupyansk, dezembro de 2025, Fotos: TG @kazansky2017 |
É muito claro, que o avanço militar russo no leste da Ucrânia resulta em destruição total ou parcial da infraestrutura e do tecido económico e social da região, resultando também na morte e extermínio dos ucranianos, uma espécie do etnocídio, intercalado com vários crimes de guerra praticamente diários.
Apenas nos últimos días a sociedade ucraniana ficou chocada com duas notícias graves. No dia 21 de dezembro, na cidade ucraniana de Pokrovsk, dois militares russos executaram,a sangue frio, sete civis ucranianos, cuja única “culpa” residia no facto de não possuírem nenhum álcool, exigido pelos militares russos. Após o massacre, os ocupantes incendiaram a casa, onde aconteceu o crime e informaram o seu comando de que “liquidaram um grupo ucraniano de sabotagem”.
O segundo caso, ainda mais chocante, se deu no dia seguinte, na mesma Pokrovsk. Um casal ucraniano foi espancado, maltratado e torturado por um grupo de três ocupantes russos. Apesar de, aparentemente, o casal ser favorável ou neutro perante as forças russas de ocupação (não é possível saber mais, dado que depoimento da Viktoria Shvayko, a esposa sobrevivente, foi dado à polícia militar russa em situação de clara coação). Os ocupantes russos, acabaram por executar o marido à sangue-frio e violar/estuprar a sua esposa. De uma forma repetida, de maneiras diversas, sempre muito divertidos, sozinhos e em grupo.
Exatamente este tipo de tratamento aos ucranianos, é endossado, tacitamente e de facto, por Miguel Castelo Branco. Principalmente, quando fala das bandeiras do exército russo, içadas sob os escombros das cidades ucranianas ocupadas, ou seja “libertadas”, na sua visão, objetivamente doentia. Onde a bota dos ocupantes russos está pisando as vidas e a dignidade dos ucranianos. Mortos e presos nos campos de «triagem». Das crianças ucranianas deportadas, violadas, sodomizadas. Tudo isso ao gosto particular do nosso livreiro de Lisboa. Que não se envergonha de evocar o nome de Deus perante todas essas atrocidades russas. O que faz nós recordar o slogan dos actuais neofascistas russos “somos russos, Deus está connosco”, uma reles cópia do famoso slogan nazi: “Gott mit uns”.
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| A cidade ucraniana de Kostiantynivka após receber a «ajuda russa». Fotos: TG @kazansky2017 |
Num outro trecho, MCB diz: “que triste destino da Ucrânia serve de lição para outros estados da região que se deixem sugerir…” Mas mais uma vez, podemos usar nossa imaginação e visualizar um Castelo Branco qualquer se dirigir à vítima, de um assalto ou de violência do gênero, desfeita física e emocionalmente: «que seu triste destino serva de lição para as outras que se deixem sugerir». Sugerir a trabalhar, a estudar, a ter uma vida própria...
No fim, proponho recordar, embora muito rapidamente, o destino dos propagandistas nazis/tas e fascistas, que estes tiveram no fim da II G.M.
Julius Streicher, o publicitário, político e criminoso da guerra alemão, foi enforcado pelos aliados em outubro de 1946.
William Joyce, conhecido como “Lorde Haw-Haw”, um propagandista radiofônico nazista/sta anglo-americano foi enforcado pelos britânicos em janeiro de 1946.
Ezra Pound, considerado por muitos o poeta mais influente do século XX e um radialista fascista e antissemita, passou 12 anos internado num hospital psiquiátrico, não sendo executado apenas graças ao controverso diagnóstico de “esquizofrenia paranóica com depressão”.
Louis-Ferdinand Céline, um genial escritor francês, propagandista antissemita e pró-nazista, que costumava incentivar o ódio racial e a caça aos judeus. Passou anos fugindo pela Europa fora, cumpriu um ano e meio prisão na Dinamarca e um ano na França.
Será que podemos esperar que o destino tocará o nosso querido MCB? Que o seu ódio xenófobo e mal disfarçado à Ucrânia e aos ucranianos seja apreciado e condenado pela justiça portuguesa ou ucraniana? Não temos a certeza que isso acontecerá num futuro próximo, mas como diz o ditado popular: “sonhar não custa”. Vários criminosos de guerra nazis/tas sempre foram encontrados pela Mossad. Vários criminosos de guerra russos já foram encontrados e sancionados pela SBU.
Vivendo numa sociedade democrática do cunho liberal, podemos apenas desejar, que a própria sociedade portuguesa condene o MCB. Que o nosso bibliotecário de Lisboa e apoiante firme do neofascismo russo se torne «o não cumprimentável», aquele à quem a sociedade se recuse cumprimentar ou apertar a mão. Ao menos que seja isso.






1 comentário:
MCB passa os dias a regurgitar ódio e a papaguear propaganda de regimes ditatoriais.
Mas isso não é recente.
MCB é um remoinho de ressentimentos, ódios e frustrações.
Ainda muito jovem veio de Moçambique durante o processo de descolonização.
Passou as agruras que todos os retornados passaram.
E como consequência sempre destilou ódio aos países africanos, e as países europeus que tinham alguma proximidade com os africanos.
Na sua juventude, mostrava-se ressentido com todos os partidos políticos, proclamava-se monárquico e pavoneava-se em vários grupelhos de extrema-direita.
MCB sempre odiou a democracia, e dizia que se a democracia se impunha ao povo, então era tão má como uma ditadura.
Tinha dificuldade em esconder a sua admiração por Hitler, e lamentava que ele se tivesse precipitado ao invadir a União Soviética.
Não teve vergonha em afirmar que os Direitos Humanos são ninharias sem importância.
MCB nunca percebeu o mundo de estados-nações em que vivemos.
Sempre achou que a glória e o prestígio de um país está nas suas conquistas militares, no seu expansionismo, no seu domínio e repressão de outros povos e nações.
Não admira, portanto, o que ele diz sobre a Ucrânia e sobre Putin.
Porque MCB sempre teve um fascínio especial por ditadores e sempre foi um admirador confesso de todos os políticos com tiques autoritários.
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