A cidade de Kyiv vista por este artista parece ter sido alvo de jogos com a iluminação: luz amarela nas entradas, elétricos/bondes ao entardecer, neve molhada e pátios
onde sempre há um pouco de cinema, e não apenas bairros «dormitórios». Não há glamour nessas paisagens urbanas, mas elas estão repletas de detalhes familiares: pistas de patinação infantil, filas numa cidade à escurecer, carros antigos
atolados na neve e luzes de iluminaçõ eternas que transformam até mesmo os prédios soviéticos em algo aconchegante.
A história do próprio artista é ainda mais interessante. Kaplan nasceu em Baku, mudou-se com a família para Kyiv em 1937, viveu lá por mais de quarenta anos,
formou-se em escola e instituto de arte e, em 1991, emigrou para Nova York, tornando-se um artista ucraniano-americano. Lá, continuou a pintar cidades e pessoas, mas Kyiv permaneceu o seu tema principal, por isso é
fácil reconhecer as ruas da cidade em suas obras, mesmo que a assinatura já tenha sido escrita há muito tempo: Samuel Kaplan, EUA.
O artista faleceu em maio de 2021, aos 93 anos, um dia após a apresentação pública do seu quadro «Requiem», dedicado ao 11 de setembro de 2001. Kaplan residia no Brooklyn no dia 11 de setembro, época em que trabalhava há vários anos em uma pintura que capturava o espírito vibrante da região sul de Manhattan, tendo as Torres Gêmeas como ponto central.
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| Requiem, 2004, Óleo sobre a tela |










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