sábado, março 07, 2015

Espanha detêm os terroristas pró-russos

A Espanha deteve oito cidadãos seus por pertencerem aos bandos separatistas que aterrorizam o leste da Ucrânia. O estado espanhol os acusa de participação nos delitos de assassinato, porte ilegal de armas e explosivos e actos contra os interesses nacionais da Espanha. É a parte visível da “Operação Danko”.

por: Jorge A. Rodríguez, Madrid, 27.02.2015

O Comissariado-geral de Informação do Corpo Nacional de Polícia prendeu oito cidadãos espanhóis, que faziam parte dos bandos armados pró-russos na guerra de Ucrânia. As detenções ocorreram em Astúrias, Catalunha, Estremadura, Múrcia, Navarra e Madrid. Três dos detidos são ex-militares espanhóis com experiência em uso de armas de guerra, sobre um outro existe a total certeza de que estava envolvido nas operações militares, segundo as fontes de serviços anti-terroristas. As idades dos detidos na chamada “Operación Danko” variam entre os 20 e os 30 anos. Fontes policiais dizem que todos os detidos foram liberados na pendência do juiz convocado para prestar depoimento.
Héctor Arroyo Payero, onde estão os donos do apartamento? Estarão vivos?
Os detidos são: R.M.P. (Rafael Muñoz Pérez), A.A.M. (Ángel Arribas Mateo), A.I.B. (Adria Irigoyen Bretones), S.B.V. (Sergio Becerra), A.R.S. (Andrés Ram Sal), B.L.M., H.A.P. (Héctor Arroyo Payero) e D.S.A. As detenções decorreram em Gijón, Cartagena, Barcelona, Cáceres, Pamplona, Alcorcón (arredores de Madrid) e dois em Madrid. As fontes asseguram que entre os detidos se encontram Rafael Muñoz Pérez (R.M.P, de 27 anos) e Ángel Arribas Mateo (A.A.M., de 22), dois jovens espanhóis que afirmaram publicamente através das redes sociais que se alistaram no grupo terrorista “batalhão Vostok” (Leste). O primeiro é natural de Madrid e ex-trabalhador social, com domicílio em Gijón (Astúrias), onde desde 2010 milita em “Juventudes de Izquierda Unida”; outro, nascido em Múrcia, é seguidor dos “Colectivos de Jóvenes Comunistas de Cartagena”, o ramo juvenil do “Partido Comunista de los Pueblos de España” (o grupo fundado em 1984 por dissidentes pró-soviéticos do PC espanhol, recebeu 0,8% dos votos nas legislativas de 2008).

Os oito detidos pertencem às diversas formações comunistas e haviam recebido apoio de uma espécie da rede europeia pró-russa. A operação foi acelerada após o retorno de três deles ao longo do mês de fevereiro; o último voltou à Espanha nas vésperas da sua detenção. Os detidos, que de acordo com os relatos do Ministério do Interior viajaram em 2014 para combater nas regiões ucranianas de Luhansk e Donetsk, agora são acusados de participação em crimes de homicídio, posse de armas e explosivos e actos contra os interesses nacionais da Espanha.
Madrileno Sergio Becerra matava os ucranianos inserido no bando "Prizrak" (Fantasma)

A identificação dos detidos foi facilitada pela sua tendência (narcisista) de serem fotografados com equipamento militar (espingardas de assalto, artefactos e dispositivos explosivos), colocando estas fotos nas redes sociais. As fontes policiais indicam que um outro grupo de jovens espanhóis, igualmente com tendências pró-russas e vinculados aos movimentos comunistas, estava se preparando para viajar à Ucrânia.

A nota divulgada pelo Ministério do Interior da Espanha informa: “Durante a sua estadia no território ucraniano, além da alegada participação nos crimes ou na cumplicidade nos assassinatos e homicídios perpetrados por grupos e batalhões aos quais se juntaram, se adicione a posse e depósito de armas e explosivos, os actos que tenham igualmente divulgados através das redes sociais e com o impacto em atrair e recrutar futuros combatentes”.
O terrorista Andrés Ram Sal
A operação é semelhante às que estão sendo desenvolvidas em outros países da Europa para evitar o envio e desmobilizar os combatentes que pretendiam se unir aos terroristas. No entanto, o Ministério do Interior diz: “Esta é a primeira operação policial realizada na Europa contra as atividades de combatentes estrangeiros no conflito ucraniano”.

As fontes dizem que os agora detidos estão inseridos na ramificação internacional com os filiais na Alemanha, Itália e França, entre outros países. Dos terroristas que viajaram à Ucrânia, alguns fizeram isso através dos ditos “comités de apoio à Ucrânia anti-fascista”. Astúrias é a região espanhola mais envolvida no apoio aos terroristas pró-russos na Ucrânia.
Esta operação, que culmina após uma série de investigações do Comissariado-geral de Informações dirigidas pela Fiscalia da Audiência Nacional, está a ser desenvolvida no âmbito do processo do Tribunal Central de Instrução № 1 da Audiência Nacional. A operação ainda está em aberto.

Fonte:

Versão curta em inglês:

A ideologia dos terroristas espanhóis

Sintonizando a “salada russa” na cabeça dos jovens, é possível identificar alguns pontos de doutrinação neo-comunista que os levaram à cometer os crimes de sangue na Ucrânia.

Os terroristas não reconhecem a Revolução de Dignidade (Maydan); acham-se “anti-fascistas” (embora odeiam os ucranianos como uma entidade abstrata e principalmente “anti-russa”); crêem na luta de classes (acreditam que nos territórios temporariamente ocupados de Donetsk e Luhansk “não há lugar para a oligarquia parasitária”) e finalmente consideram-se “anti-imperialistas” (são contra o alegado neo-colonialismo Ocidental (EUA e UE) e são à favor do colonialismo russo em relação aos países da Europa Oriental).
A mesma mixórdia ideológica faz com que, por exemplo, Adria Irigoyen Bretones (catalão natural de Sant Andreu e esquerdista, na foto à direita), pousou na foto conjunta com um militante russo do grupo neo-nazi Unidade Nacional Russa (RNE). Andria foi alvo das duras críticas dos camaradas esquerdistas, optando por censurar a sua face na foto.

Os perigos do terrorismo pró-russo

Analisando os perfis dos terroristas espanhóis, assim como os seus seguidores, é possível constatar que eles não diferem muito dos militantes europeus do Estado Islâmico. São europeus pobres, pouco instruídos e pouco cultos, militantes nos grupos marginais da extrema-esquerda, que se radicalizaram à ponto de irem combater na Ucrânia. Provavelmente alguns dos seus colegas, conhecidos ou vizinhos se radicalizaram na base de islamismo extremista e partiram para a mesma viagem de terror e assassinatos, mas no Iraque ou na Síria.

A mistura do misticismo bacoco pró-russo, estalinismo (ou seus variantes) e ódio aberto contra os valores da Europa, contra a civilização ocidental e contra Ucrânia e ucranianos, torna essa gente bastante perigosa. Aprendendo e gostando matar os ucranianos na Ucrânia, o que poderão fazer eles nos seus respetivos países, principalmente no ambiente da crise, inseridos nos grupos e organizações intolerantes que dificilmente chegarão ao poder por via pacífica?..

Os terroristas espanhóis à solta

À  espera da detenção e da acusação estão três outros integrantes do mesmo grupo de terroristas: Alexis Castillo Idodeai, Ángel Arribas Mateo, Brian Rodriguez Perez, este último que tem a simpática alcunha de Panzer e gosta das cruzes celtas.
Alexis Castillo Idodeai no aeroporto de Donetsk

Brian Rodriguez, o Panzer com o slogan hitleriano na fivela do seu AK...
Um artigo sobre os terroristas espanhóis e alguns outros ocidentais ao serviço do terror russo, que se desdobram em entrevistas, propalando as suas façanhas guerreiras, saiu também no jornal russo Novaya Gazeta.

O que fazer?

Os nossos leitores que possuem o tempo e vontade de ajudar à conter a ameaça terrorista, devem reportar todas as atividades terroristas aos respetivos serviços de inteligência, no caso do Brasil é o ABIN

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