sexta-feira, agosto 14, 2026

Peru regista mortes e desaparecimentos dos peruanos que lutaram pela rússia

O governo do Peru divulgou oficialmente dados sobre o número de baixas entre os seus cidadãos, recrutados para o exército russo para combater na guerra neocolonial russa contra Ucrânia. Constam-se 11 mortos, 114 desaparecidos e 3 capturados. 

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru, dos 459 peruanos que assinaram contratos com as forças armadas russas, 11 foram mortos, 114 constam como desaparecidos e três foram capturados. Além disso o MNE do Peru informa que a secção consular da Embaixada do Peru na federação russa auxiliou e coordenou o repatriamento de dois jovens peruanos em situação de vulnerabilidade, que escaparam ao recrutamento forçado a que foram sujeitos para servir na guerra contra Ucrânia. Até a data (9 de agosto de 2026) as autoridades peruanas já evacuaram da rússia 31 peruanos (28 regressaram ao Peru e 3 permanecem na Europa por opção própria).

Familiares de peruanos recrutados pela rússia para combater na guerra contra Ucrânia foram fotografados no dia 4 de agosto de 2026 durante uma manifestação que exigia o regresso dos seus entes queridos, especialmente os feridos, em frente à Embaixada da rússia em Lima, no Peru.
Foto: Paula Bayarte/EFE

Portanto, pelo menos 128 cidadãos peruanos — quase 28% do total de recrutados — na realidade já foram mortos, estão desaparecidos ou foram capturados. 

O número de desaparecidos é particularmente alarmante. Este número é mais de dez vezes superior ao de mortos oficialmente confirmados. Esta é uma prática comum do exército russo, especialmente no caso dos estrangeiros, cuja busca, evacuação e repatriamento dos corpos não são realizadas. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru enfatizou que os dados publicados foram oficialmente confirmados. Ao mesmo tempo, familiares dos peruanos recrutados afirmam que o número de mortos pode ser significativamente maior. É também importante compreender que o número de vítimas está a aumentar constantemente e que o governo peruano não está claramente a conseguir acompanhar esta contagem. Por exemplo, já há mais peruanos em cativeiro do que à data desta publicação. 

As autoridades peruanas alertaram ainda os cidadãos para os perigos dos esquemas de recrutamento disfarçados de ofertas de emprego bem remunerado na rússia. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, alguns cidadãos peruanos afirmaram que, depois de chegarem à rússia, foram obrigados a assinar contratos e a participar na guerra contra Ucrânia. 

Com base nos nomes que Ucrânia dispõe, hoje são conhecidos mais de 28.000 cidadãos estrangeiros recrutados pela rússia. Todos eles servem um único propósito: servirem de «carne para canhão», comprados e importados do estrangeiro, uma vez que as suas mortes não acarretam consequências negativas para a sociedade russa.

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