O esquema é muito simples. Os jovens são recrutados em países mais pobres com a promessa de não serem usados em combates, mas apenas em tarefas da retaguarda, subordinados ao Ministério da Defesa russo, com salários mensais de 2.000 à 2.500 dólares e um bônus único de 5.000 a 6.000 dólares. No Uganda, os recrutadores russos usam a empresa «Meteorinvestproekt», LLC; apresentada como a provedora dos serviços: pela assistência na assinatura do contrato, pelo custeio da viagem, obtenção do visto, comunicação com a família, etc., o mercenário concorda em pagar até 83% do valor do bônus e até 30% dos seu salário mensal ao recrutador. A cobrança pode variar consoante a ganância do recrutador, por exemplo, uma outra empresa russa de recrutamento cobrou aos mercenários nigerianos apenas a metade do valor do bônus de assinatura do contrato.
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| Mercenário nigeriano Chukwuebuka Joseph (25.10.1994), que pagou aos recrutadores russos 50% do seu bônus do exército russo, morreu na Ucrânia |
A «Meteorinvestproekt», LLC é prática e cínica e sabe que pode explorar estrangeiros mensalmente até o dia da sua morte. Inclui uma cláusula nos seus contratos de «prestação de serviços», exigindo que a vítima lhe pague 30% do seu salário mensal. Assim, a empresa russa recebe 1.150 dólares mensais sem fazer absolutamente nada.
Para os russos, os mercenários africanos ou asiáticos são verdadeiramente descartáveis. O Ministério da Defesa russo utiliza-os para satisfazer a sua necessidade de tropa de ataque, e os recrutadores russos ganham milhões com cada soldado contratado que trazem. Ao soldado recrutado são prometidas apenas algumas migalhas, que provavelmente nunca receberá de qualquer forma, uma vez que morrerá em mais um ataque russo inútil.
Como foi o caso da esposa do cidadão zimbabweano Wheda Joseph, que gravou a mensagem em vídeo na qual explica que o marido, de 51 anos, foi para a rússia à procura de trabalho remunerado, mas acabou por se ver enviado à guerra. Um recrutador prometeu emprego legal na construção civil, mas, como acontece frequentemente, tratou-se de um golpe clássico contra os estrangeiros. Wheda recebeu um contrato para assinar em russo, sem qualquer tradução, com a garantia de que se tratava de um simples contrato de trabalho. A 8 de junho de 2026, Wheda assinou o documento e, na prática, caiu num regime de servidão mortal nas mãos do Ministério da Defesa russo. Foi então enviado para Ucrânia. O seu último contacto com a família foi em 17 de julho de 2026. Não se sabe o seu destino e desconfia-se que esteja morto algures nas estepes da Ucrânia.
Mais um lembrete para os cidadãos estrangeiros de que as viagens à rússia «em trabalho» terminam, geralmente, em clima da coersão e assinatura do contrato para servirem numa guerra neocolonial e injusta.
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