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quarta-feira, setembro 09, 2026

Mercenário peruando torturado pelos russos: batalha pelo acesso à conta bancária

O peruano Óscar Alberto Huallpa Maquera, de 26 anos, assinou um contrato com exército russo e lutou contra Ucrânia. Quando foi ferido ao pisar uma mina, foi severamente torturado pelo seu comandante, de nome de código «Angel», que exigiu-lhe o pagamento, que Óscar tinha recebido pelos ferimentos.

O peruano recusou e assim foi sujeito à tortura: foi espancado, teve o polegar direito cortado pelo próprio comandante e a sua morte foi planeada, sendo simulada como um desaparecimento em combate. Tudo para que entregasse o acesso ao seu cartão bancário e o seu comandante pudesse levantar dinheiro da sua conta. 

Óscar ficou marcado para sempre pelos seus torturadores russos

Óscar relatou ainda que outros mercenários estrangeiros sucumbiram à tortura dos russos, entregando as senhas das suas contas bancárias aos comandantes, morrendo, de seguida, «em combates».

Tortura e extorsão são práticas muito comuns do exército russo. Assim, os comandantes russos extorquem dinheiro não só aos mercenários estrangeiros, mas também aos soldados russos. O problema atingiu proporções tão graves que alguns comandantes estão a ser processados. Têm centenas de vítimas. Caso semelhante foi do russo Pavel Gudochkin e do seu 272º Regimento de Fuzileiros Motorizados, onde, segundo informações disponíveis, foi estabelecido um grupo de crime organizado, que extorquia dinheiro aos russos e, posteriormente, matava os soldados e zerava as suas contas bancárias. 

Em contacto com o Projeto Sota, Óscar confirmou a informação e afirmou que permanece em Luhansk a aguardar repatriamento ao Peru, tendo enviado os seus documentos à família, que apresentou queixa ao Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru. Enviou também um vídeo mostrando a ausência do polegar da mão direita. 

O exército russo está a recrutar activamente estrangeiros para combater na guerra contra Ucrânia, prometendo-lhes muito dinheiro e cidadania russa. Mas, uma vez assinando o contrato com o exército russo, o mercenário enfrenta sozinho o seu próprio comando militar, que controla a sua vida, saúde e até o seu dinheiro. 

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sexta-feira, agosto 14, 2026

Peru regista mortes e desaparecimentos dos peruanos que lutaram pela rússia

O governo do Peru divulgou oficialmente dados sobre o número de baixas entre os seus cidadãos, recrutados para o exército russo para combater na guerra neocolonial russa contra Ucrânia. Constam-se 11 mortos, 114 desaparecidos e 3 capturados. 

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru, dos 459 peruanos que assinaram contratos com as forças armadas russas, 11 foram mortos, 114 constam como desaparecidos e três foram capturados. Além disso o MNE do Peru informa que a secção consular da Embaixada do Peru na federação russa auxiliou e coordenou o repatriamento de dois jovens peruanos em situação de vulnerabilidade, que escaparam ao recrutamento forçado a que foram sujeitos para servir na guerra contra Ucrânia. Até a data (9 de agosto de 2026) as autoridades peruanas já evacuaram da rússia 31 peruanos (28 regressaram ao Peru e 3 permanecem na Europa por opção própria).

Familiares de peruanos recrutados pela rússia para combater na guerra contra Ucrânia foram fotografados no dia 4 de agosto de 2026 durante uma manifestação que exigia o regresso dos seus entes queridos, especialmente os feridos, em frente à Embaixada da rússia em Lima, no Peru.
Foto: Paula Bayarte/EFE

Portanto, pelo menos 128 cidadãos peruanos — quase 28% do total de recrutados — na realidade já foram mortos, estão desaparecidos ou foram capturados. 

O número de desaparecidos é particularmente alarmante. Este número é mais de dez vezes superior ao de mortos oficialmente confirmados. Esta é uma prática comum do exército russo, especialmente no caso dos estrangeiros, cuja busca, evacuação e repatriamento dos corpos não são realizadas. 

O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Peru enfatizou que os dados publicados foram oficialmente confirmados. Ao mesmo tempo, familiares dos peruanos recrutados afirmam que o número de mortos pode ser significativamente maior. É também importante compreender que o número de vítimas está a aumentar constantemente e que o governo peruano não está claramente a conseguir acompanhar esta contagem. Por exemplo, já há mais peruanos em cativeiro do que à data desta publicação. 

As autoridades peruanas alertaram ainda os cidadãos para os perigos dos esquemas de recrutamento disfarçados de ofertas de emprego bem remunerado na rússia. Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, alguns cidadãos peruanos afirmaram que, depois de chegarem à rússia, foram obrigados a assinar contratos e a participar na guerra contra Ucrânia. 

Com base nos nomes que Ucrânia dispõe, hoje são conhecidos mais de 28.000 cidadãos estrangeiros recrutados pela rússia. Todos eles servem um único propósito: servirem de «carne para canhão», comprados e importados do estrangeiro, uma vez que as suas mortes não acarretam consequências negativas para a sociedade russa.

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segunda-feira, junho 29, 2026

Mercenários peruanos arrependidos procuram fugir da guerra neocolonial russa

Entre 600 à 800 peruanos, quase todos sem nenhuma experiência militar, foram atraídos para a guerra neocolonial russa contra Ucrania. Sabe-se que 13 deles ja morreram, 120 outros são desaparecidos / incontactáveis pelos seus familiares por mais de 5 semanas. 

O Ministério Público do Peru abriu uma investigação preliminar após denúncias de familiares de cidadãos peruanos aliciados pela rússia e enviados para lutar na sua guerra neocolonial contra Ucrânia. O anúncio foi feito em 1 de maio de 2026, após reportagens na imprensa/mídia peruana no final de abril sobre centenas de cidadãos que se encontravam nessa situação. A investigação está sendo conduzida por uma unidade especializada em crimes de tráfico de pessoas.

Dados de alguns dos peruanos do exército russo

Um total de aproximadamente 600 peruanos deixaram o Peru rumo à rússia desde outubro de 2025, disse, aos jornalistas, o advogado Percy Salinas, que representa alguns dos cidadãos desaparecidos. Outro advogado, Marcelo Tataje, que assessora as famílias dos que foram para a rússia, afirmou que 135 boletins de ocorrência de pessoas desaparecidas já foram registados e que há informações sobre outros 250 casos possíveis.

Pelo menos 13 cidadãos peruanos morreram, informa o Dr. Salinas. Um deles é Ronald Rojas Alcantra, de 25 anos, que foi para a rússia trabalhar como segurança, morreu após ser ferido em 29 de abril de 2026, sem receber atendimento médico adequado, relatou sua irmã à rádio RPP. Sabe-se que vários peruanos ficaram feridos, incluindo um cozinheiro de 63 anos.

A familiar de um mercenário peruano chora durante uma manifestação em Lima,
em maio de 2026. Foto: Klebher Vasquez/Anadolu/Getty Images

Segundo advogados e familiares, os peruanos foram atraídos para a rússia com promessas de trabalho em diversos setores, incluindo relacionados às forças armadas, mas supostamente longe da linha de frente (por exemplo, foi lhes prometido trabalho como seguranças em bases militares ou em serviços de alimentação do exército). De acordo com o jornal peruano Le República, aos peruanos prometiam empregos de guardas de embaixadas e hospitais, e para trabalhar como engenheiros, cozinheiros e motoristas de táxi. Segundo a publicação, os salários prometidos variavam de US$ 2.600 a US$ 4.000 por mês, além de um bônus de «boas-vindas» de 20.000 dolares, algo que os mercenarios simplesmente nunca receberam. De acordo com um advogado, o recrutamento foi feito por uma organização registada na Colômbia.

Segundo Dr. Salinas, antes de embarcarem para a rússia, os peruanos receberam documentação para assinar em russo. Já na rússia, os seus pasaportes, os telemóveis e até os cartões de identidade foram confiscados. Os russos diziam: “Agora devem-nos 20 mil dólares, porque foi o que custou trazê-los até aquí”. Depois os peruanos são enviados para um curto treino/amento militar e, em seguida, diretamente para a guerra, relata a Le República.

A irmã de um dos mercenarios relatou que ele conseguiu fugir da frente de batalha e tentar procurar ajuda no consulado peruano em Moscovo/ou, mas foi aconselhado, pelos funcionarios do Consulado, a retornar à sua unidade militar russa, tentar rescindir o contrato e solicitar a devolução do passaporte. Mercenario seguiu este conselho e, após isso, perdeu-se quaisquer contato com ele, segundo a RPP.

O Dr. Salinas também mencionou um grupo de 13 peruanos presos numa trincheira sob ação constante de drones, implorando pela sua evacuação. Os advogados também falaram de dez peruanos que se refugiaram na embaixada de Peru em Moscvo/ou. Salinas contou que a missão diplomática teria se recusado a abrigar os cidadãos, recomendando que tentassem deixar a rússia por conta própria. O Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores do Peru negou a recusa de asilo.

Um grupo de familiares de mercenários peruanos realiza uma vigília à luz das velas em frente ao Ministério dos Negócios Estrangeiros em Lima. Foto: Klebher Vasquez/Anadolu/Getty Images

Familiares de 130 peruanos solicitaram ao Ministério dos NE / das RE do Peru a prestação do auxílio na repatriação de seus parentes. Por sua vez, o Ministério peruano anunciou que convocou o encarregado de negócios da embaixada russa em Lima para uma reunião sobre a situação e solicitou informações às autoridades russas relativamente ao paradeiro e ao estado de saúde dos cidadãos peruanos. O ministério enfatizou que os cidadãos peruanos precisam de autorização governamental para servir nas forças armadas estrangeiras.

A 30 de abril corrente, a embaixada russa no Peru emitiu um comunicado em resposta às preocupações das famílias peruanas em relação aos seus familiares, que assinaram contratos de serviço militar com o exército russo. O comunicado afirmava que, no caso for formalmente solicitada, a embaixada está pronta para fazer tudo o que for necessário para obter informações sobre estes cidadãos.

Nesse mesmo dia, familiares de peruanos envolvidos na guerra realizaram um protesto em frente à embaixada russa em Lima. Uma das manifestantes contou ao jornal La República que o seu pai e outros 25 peruanos foram atraídos para a rússia sob o pretexto de uma viagem turística.

Familiares de mercenários peruanos exigem o seu regresso a casa, mas as autoridades peruanas respondem que retirar alguém de uma zona de guerra não é tarefa fácil.
Foto: Klebher Vasquez/Anadolu/Getty Images

Segundo ela, durante a última comunicação, o seu pai relatou que ele e os seus companheiros estavam a ser preparados para serem enviados para a frente de batalha no dia 15 de maio. Disse ainda que estavam fisicamente exaustos e a viver em condições precárias, por exemplo, nos locais onde recebiam a comida, estavam empilhados os cadáveres dos militares russos mortos.

Em 1 de maio, o projeto russo de direitos humanos “Go by the Forest, que ajuda as pessoas a fugir do alistamento militar russo, relatou o caso de um grupo de peruanos em Lipetsk que estava a ser preparado para ser enviado para a frente de batalha num futuro próximo. Um advogado familiarizado com a situação informou os ativistas de direitos humanos sobre o sucedido através de um amigo no Peru. 

O advogado esclareceu que o grupo incluía o pai de um conhecido, que tinha ido à rússia em meados de abril de 2026 para ganhar dinheiro. Prometeram-lhe trabalhos de limpeza, manutenção de cozinhas e guarda de depósitos do exército russo; o motivo legal da viagem era supostamente assistir um evento desportivo em Moscovo. Após chegar à rússia, foi enviado para Lipetsk, onde recebeu um registo temporário e foi submetido a um exame médico. Em seguida, assinou um contrato de serviço militar e foi enviado para formação.

Em algum momento o homem conseguiu contactar brevemente a sua família no final de abril e pediu para ser socorrido. Segundo os familiares do homem, na noite de 1 de maio, este grupo de peruanos já se encontrava no território ucraniano temporariamente ocupado, na região de Luhansk, escreve a publicação russa Meduza.io.

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