segunda-feira, março 21, 2016

A obra literária do ciborgue-poeta

O músico ucraniano Martin Nebog e amigos, decidiram gravar a canção “Tuman” (Nevoeiro), com a letra escrita pelo ciborgue Stanislav “Papik” Paplynsky, militar ucraniano que participou na defesa do aeroporto de Donetsk e passou 197 (!) dias no cativeiro russo-terrorista.

Stanislav Paplynsky é pára-quedista da cidade de Zhytomyr, ele foi chamado ao Exército da Ucrânia na 2ª onda de mobilização, servindo como condutor mecânico do blindado ligeiro MTLB na 81ª Brigada das FAU. Stanislav caiu no cativeiro terrorista no dia 20 de janeiro de 2015, após a explosão do 2º terminal do aeroporto, quando dirigia um dos três blindados ucranianos que iam ao aeroporto para socorrer os seus camaradas feridos. No dia 6 de agosto de 2015 ele voltou para casa, mudando-se de Zhytomyr para Ivano-Frankivsk na Ucrânia Ocidental. Não gosta quando o chamam de cigorgue...   
Stanislav no cativeiro terrorista, no meio da foto com a cabeça ligada
Gravação e mastering @FAUST RECORDS
Escutar a música: Tuman – Nevoeiro

No cativeiro terrorista Stanislav começou compor a poesia, até agora ele já escreveu mais de 100 versos. Um dos mais populares Stanislav Paplynsky explica assim: «permanecendo no cativeiro, eu permanentemente ouvia sempre a mesma pergunta. Até que escrevi o verso sobre essa questão».

PORQUE VIESTE MINHA TERRA?

Por que veio à minha terra?
O combatente russo me pergunta
Dizia que é voluntário
Insatisfeito com o salário

Por que minha terra vieste?
Se mete na alma checheno nervoso,
Saca a faca afiada
Cortar ameaça como cão raivoso

Por que ao meu terra veio?
Pergunta iacuta bem aparvalhado
Na tropa serve muito bem
Em casa o espera um veado

Por que vieste meu terra?
Uzbeque interessado fica
De tanto rir que seus olhos
Se ficaram bem em bico

Uzbeque! Iacuta! Checheno e russo!
Sou um homem e não a alimária
Donbas é a minha terra natal
Donbas para sempre UCRÂNIA!

Original | tradução @Ucrânia em África

A entrevista com o herói da Ucrânia:
https://www.youtube.com/watch?v=UUPKi0lTprg
Bónus

Ucrânia já é o segundo país do mundo em número proporcional de gatos por 1000 habitantes. Na Ucrânia vivem 7,7 milhões de felinos, ou seja 169 Murchyk por cada mil cidadãos, atrás apenas dos EUA com 76,5 milhões e 237 gatos por 1000 pessoas.

domingo, março 20, 2016

A bandeira da Ucrânia como objeto do “extremismo e terrorismo”

O cidadão russo e morador da cidade de Briansk, Andrei Makhanenkov, no passado dia 18 de março colocou a bandeira da Ucrânia na varanda do seu apartamento. Em resultado, o apartamento foi visitado por dois polícias russos fardados que “pediram veementemente, por bem, retirar a bandeira”, se a família não quiser “ser tratada pelo departamento de combate ao terrorismo e ao extremismo”.

Como explica o próprio Andrey Makhanenkov, algumas horas após colocar a bandeira, o seu apartamento recebeu a visita dos polícias que exigiram retirar a bandeira da varanda, sob pena, caso contrário, a família “ser tratada pelo departamento de combate ao terrorismo e ao extremismo”. Perguntados sobre a base legal da exigência e sobre a lei que foi violada, os polícias explicaram o seguinte: “hoje é um feriado, não é preciso estraga-lo às pessoas, se vocês não querem ter problemas ... vocês entendem tudo”.

Dado que nem Andrei Makhanenkov, nem a sua esposa entendiam que feriado eles estavam estragar [18 de março é a data em que Rússia anexou a Crimeia] e à que tipo das pessoas, os polícias, terminando a sua visita mais uma vez frisaram: se a família não desejar ser tratada pelo departamento do combate ao terrorismo e extremismo, deve imediatamente retirar a bandeira da Ucrânia da sua varanda.

Como cidadão cumpridor da lei, Andrei Makhanenkov, retirou a bandeira ucraniana da varanda do seu apartamento e escreveu um pedido de esclarecimentos à Procuradoria-geral da Rússia e ao Comissário dos Direitos Humanos na federação russa, em que pediu explicar duas situações:
— será considerado o delito a colocação da bandeira nacional ucraniana e / ou de outros países com os quais a Federação Russa possui as relações diplomáticas, na varanda do seu próprio apartamento? Será isso considerado como um ato de extremismo? Se for, então quais as normas do direito que proíbem de fazê-lo?
— são legais as exigências ou “pedidos veementes por bem, se não querem por mal” dos funcionários da polícia para retirar a bandeira nacional da Ucrânia da varanda de um apartamento privado?

Juntamente com Andrei Makhanenkov e a Rússia Aberta estaremos com muito interesse aguardar as respostas da Procuradoria-geral da Rússia e do Comissário dos Direitos Humanos na federação russa.

Mas será que a estratégia de desumanização da Ucrânia e dos ucranianos faz parte dos “excessos locais” ou estamos perante a política do estado russo em relação ao “país irmão”?

Os crimes russos na batalha de Ilovaisk (7/08 – 2/09 de 2014)
“... Cinco soldados [ucranianos] feridos que sofriam de contusões tentaram responder com o fogo das espingardas automáticas, mas eles foram alvejados com balas e minas. Os feridos foram forçados a se render. No lado do inimigo foi exigido que eles deixem as suas armas e se deitem no chão. Quando os militares cumpriram as exigência e saíram até a estrada, contra eles foi lançada uma granada – os rapazes foram mesmo mutilados pelos estilhaços...”

“... Após o acidente ficaram [vivos] 10 ou 11 combatentes – feridos e em estado de contusão. Um dos soldados começou a acenar com um pano branco, gritando para que não atirassem. Na resposta, o militar vestindo o fardamento do tenente das Forças Armadas da federação russa, ordenou em voz alta para que os rapazes se levantassem e saíssem. No momento em que eles se levantaram – foram alvejados com fogo das armas automáticas.

Dois morreram no local, outros receberam mais ferimentos. Aos soldados ucranianos sobreviventes, o 1º tenente russo ordenou à rastejar na sua direção. Depois deu o comando para despir rapidamente. O soldado Klevchuk foi ferido em ambas as mãos e não poderia se despir rapidamente: o oficial russo atirou nas suas costas e na cabeça. Um outro jovem soldado, também, não conseguia se despir rapidamente  ele também foi morto pelo oficial russo. O sargento mais idoso entre os prisioneiros [ucranianos] censurou o oficial [russo] por esse ato, mas em troca também recebeu um tiro nas costas e na cabeça. Da mesma forma rude foram assassinados mais um ou dois militares [ucranianos]...”

“Under the Sun”: o país da falsidade total

O realizador russo, nascido na Ucrânia, Vitaly Mansky, é conhecido pelas suas obras documentalistas de grande qualidade. Mas o seu último filme,Under the Sun”, pode se tornar a verdadeira obra-prima: é a história da Zin Mi, a estudante de 8 anos da Coreia do Norte, filmada em 2014 na última ditadura comunista do mundo.

No fim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do RPDC não gostou do resultado e emitiu uma nota à sua congénere russa, exigindo a proibição de exibição do filme. Por sua vez, Vitaly Mansky sempre se interessou pela Coreia do Norte, pois “sempre ficava inquieto com a questão de como era possível rebaixar um homem, como era possível destruir os seus princípios básicos, porque a pessoa está disposta a obedecer”.
Em 2013 o realizador teve a primeira viagem ao país, durante a qual escolheu uma menina ao papel principal: foi levado à uma escola-modelo, onde no gabinete do diretor foram lhe apresentadas cinco meninas e lhe disseram: “você tem 5 minutos, pode as conhecer e escolher de quem gosta”. O guião do filme era sobre a menina, que entra na União das crianças (pioneiros / continuadores), onde recebe a tarefa muitíssimo importante – participar na maior festa do mundo. Ela e os seus camaradinhas se preparam e no fim se transformam numa dos milhares de pessoas que formam o maior quadro vivo do mundo [dos queridos líderes] que personifica a felicidade suprema. 

As personagens da feira estalinista

O realizador escolheu Zin Mi, pois a menina lhe disse que o seu pai é jornalista (Mansky pensou: “ótimo, através dele posso chegar algures”); e a mãe era funcionária de cantina numa fábrica (realizador: “melhor ainda, as pessoas comem, haverá alguma fatura humana”). A menina também contou que a família vivia no apartamento T0 com avôs e avós...
Quando a equipa veio às filmagens, “descobriu-se” que “afinal”, o pai é em engenheiro numa fábrica-modelo de ramo têxtil; a mãe “se transformou” numa funcionária de uma fábrica-modelo de fabricação de leite de soja; família vivia num dos mais luxuosos prédios da cidade. Embora o linóleo, com imitação de parqué, estava estendido por cima de chão de cimento, com as pontas que não chegavam à parede; as mobílias eram recém-trazidas; os quadros nas paredes recém-colocados; o guarda-fato estava vazio; o banheiro nunca foi usado, nem tinha água; a energia elétrica fornecida durante as filmagens: em geral, parecia que apartamento estava num prédio inabitável, onde elevador foi ligado apenas para as filmagens. Mas pelo menos, as três entradas do prédio estavam abertas. O edifício em frente, que o realizador consegui rodear, quando iludiu os seus “acompanhantes” norte-coreanos – não tinha a entrada! Embora todas as tardes lá se iluminavam as janelas, todas com as lâmpadas iguais. Ou seja, o prédio de habitação era um fake, apenas a caixa de betão, sem entradas, sem moradores...    
Os "acompanhantes" estavam acompanhar as filmagens de perto...
O pai e a mãe da Zin Mi pareciam serem os seus pais reais, pelo menos tinham o álbum de família. Mas as fotos eram feitas num fundo falso, propositadamente, estas imagens foram mostradas no início do filme.
Mansky classifica Pyongyang como: “uma feira absolutamente estalinista e todos os seus moradores fazem parte da exposição”. Por exemplo, nos gramados / relvados às 6h00 de manha ou às tardes, as pessoas, com as pinças nas mãos e dobrados até o chão apanham uns lixos minúsculos. Durante as filmagens na fábrica-modelo, onde alegadamente trabalha o pai, o realizador foi até casa de banho e errou na porta. Quando a abriu, viu umas 150 mulheres nuas à tomarem o duche. Numa outra ocasião espreitou da janela e viu que dentro da fábrica existiam as barracas de habitação, ou seja, os trabalhadores viviam dentro da fábrica e então, a imagem deles [mostrada ao realizador], à entrarem na fábrica de manha era outro fake monumental.

O “1984” real

O pior de tudo, é que nem se percebe o significado prático de falsificar a realidade. Em Pyongyang praticamente não há estrangeiros e os que há, andam nos itinerários pré-defenidos. Desde o fim de outubro até o início de abril o país se fecha aos estrangeiros: os prédios são aquecidos com o carvão mineral ou com a lenha e a imagem das chaminés à saírem das janelas não é considerada agradável [pelo regime]. 

Embora o realizador tinha o direito de visitar o país por três vezes, filmando durante 75 dias, após os primeiros 45 dias de filmagens, a sua equipa nunca mais recebeu a permissão de lá voltar. Os camaradas norte-coreanos não gostaram que o realizador filmava os exteriores do seu hotel, através das cortinas no quarto. Acordado pelo barulho às 6h00 de manha, ele ficou estupefacto com a imagem de uma praça absolutamente cheia de gente, sentada de cócoras, no chão, à comer algo, à dormir – usados para ensaiar um comício popular qualquer. Três ou quatro minutos após o início desta filmagem clandestina, na porta do realizador bateram os seus “acompanhantes”, que viviam nos quartos de ambos os lados, com aviso: “saia da janela, será que você quer nunca mais cá voltar?”  
Tudo o que foi filmado não oficialmente – as pessoas à empurrar o autocarro, as crianças junto aos caixotes de lixo, a fila para “comprar” algo, “pagando” com os talões de racionamento – tudo isso foi filmado através de alguma abertura, por detrás das cortinas...

Para que os estrangeiros não andem livremente em Pyongyang, são retirados os seus passaportes. Nos supermercados tudo é muito barato, mas aos estrangeiros não é permitido possuírem a moeda local. Quando o realizador arranjou algum dinheiro norte-coreano e queria comprar uns cadernos engraçados, foi lhe dito: “você não os pode comprar”. Numa outra ocasião, na companhia dos “acompanhantes”, entrando numa mercearia, Mansky viu as prateleiras cheias de pacotes de sumo de tomate. Ele perguntou: “quanto custa o sumo de tomate”. O “acompanhante” deu a resposta habitual: “Depois lhe contaremos”. Mansky: “Não, perguntem agora”. A vendedora responde, o “acompanhante” traduz algo como: “Os preços ainda não foram afixados”. Mansky: “Muito bem. Quanto custou este sumo na semana passada?”. Tradução: “O sumo de tomate não se vende”. Mansky: “Depois eu percebi: vendedores, visitantes, bens – não é uma loja real, é um salão de exposições”.  
No filme há imagens quando toda a família: mãe, pai e menina se juntam em redor de uma mesa baixinha, totalmente preenchida com os pratos de comida. Na presença da equipa de filmagens essa comida foi trazida, embalada em plástico, era despacotada e colocada na mesa. A família tinha um medo real de a tocar. Os “acompanhantes” diziam: vocês comem, comem. Família apenas olhava: podemos mesmo?
O homem na imagem é pai do Zin Mi, alegadamente o engenheiro. No filme este episódio foi filmado 2 vezes: da primeira vez a operária informa o “engenheiro” que o plano é ultrapassado em 150%. De seguida o “acompanhante” ordena à moderar o discurso.
Em Pyongyang [até 2014] o estrangeiro não poderia entrar no metro sem os “acompanhantes” e só poderia visitar duas estações [Yŏnggwang e Puhŭng]. A equipa do Mansky não conseguiu terminar as filmagens e pediu visitar outras estações. Em resposta recebe um “não” categórico. Mas oferecem aos cineastas a possibilidade de voltarem ao ponto de partida e filmar novamente. O realizador explica: desta maneira as pessoas na carruagem serão diferentes. Os “acompanhantes” dizem que isso não é um problema e comandam os passageiros: “Levantem-se e passem para outro lado”. E toda a carruagem se levanta, passa para outro lado e entra na carruagem que vai no sentido inverso. Em silêncio e sem a menor discussão...

A imprensa norte-coreana  

Na Correia do Norte é proibido gravar os programas televisivos, mas a equipa de Mansky trouxe um disco duro e gravava estes programas 24/24 horas. O país possui dois canais, sem nenhuma publicidade, no seu lugar está a informação sobre os grandes líderes; o conteúdo dos programas da TV são ou os programas que exortam os líderes ou as leituras do juche

No país são publicados três jornais diários. São proibidos de serem levados fora do país ou serem usados como papel. Os três são feitos ao mesmo padrão: 1ª página  — imagem do líder do tamanho da página inteira e um pequeno texto. página 4 fotos do líder com algo à acompanhar e pequenos textos. 3ª página 8 imagens do líder nas fotos conjuntas. 4ª página são fotos das façanhas do regime e num cantinho, os acontecimentos mundiais —  pequenos textos com as pequenas fotos à preto-e-branco das greves, catástrofes, quedas dos aviões. Todos os dias se formam as filas nos quiosques para comprar estes jornais.

Amor apenas platónico

Em nenhum filme de toda a história cinematográfica da Coreia do Norte ouve sequer um beijo. Os heróis do Mansky, pai e mãe da Zin Mi, também nunca mostraram os afetos. Eles estavam concentrados numa importante tarefa estatal: participavam no filme.

Quem é culpado?
Os norte-coreanos sabem que vivem mal, mas são seguros que isso acontece apenas porque os EUA são contra eles... Quando a equipa do Mansky filmava o episódio da filiação das crianças nos pioneiros, os “acompanhantes” lhes mostravam as crianças de 7-8 anos em fardamento militar e diziam: «Os seus pais morreram na guerra, são filhos da guerra». Embora a última guerra em que participou o país acabou 60 anos atrás! Mas os coreanos estão absolutamente convencidos: algures, decorre a guerra, os militares norte-coreanos lutam nela, existe a linha da frente, os militares morrem, o líder toma conta dos seus filhos...

Agentes secretos quase...

Todos os dias, a equipa do Mansky era obrigada entregar todo o material filmado aos “acompanhantes” norte-coreanos [para verificação]. O cameraman do Mansky, todos os dias se queixava das dores de estômago, ia à casa de banho, onde copiava o material filmado à carta de memória adicional. 24/24 horas a equipa estava sendo vigiada. Tinham que se comunicar aos sinais ou falando fora dos quartos, barricar a entrada dos quartos para impedir o acesso indesejado dos “acompanhantes”.
Durante muito tempo os norte-coreanos não deixavam Mansky regressar ao país, até que perceberam que o filme será demonstrado no festival “Noites Negras” de Tallinn (Estónia). Naquele momento propuseram voltar e terminar as filmagens. O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, após receber a nota dos norte-coreanos pediu ser retirado como um dos patrocinadores do filme. O que não mudará absolutamente nada, pois o filme já recebeu os convites aos cerca de 30 principais festivais do cinema mundiais. Alguns países já o compraram para exibição, o filme irá se estrear nos cinemas da Europa. De momento decorrem as negociações para a exibição do “Under the Sun” nos EUA...   

O grande final
No final do filme a Zin Mi chora, depois pode-se ouvir a voz de Mansky e a menina começa declamar o juramento de fidelidade ao líder. Mansky explica que Zin Mi chorou porque sentiu uma grande responsabilidade e pensou que não correspondeu às expetativas. Ela foi escolhida. Escolhida para mostrar a grandeza, o poder e a devoção ao país, e quando lhe fazem uma pergunta, que ela responde, de uma maneira que ela própria julga insuficientemente boa, chora, atrapalhada. Ela diz: “Eu não consigo perceber se fiz tudo para ser grata ao grande líder”. E da sensação de que não fez tudo, começa a chorar...
Fonte e fotos (YouTube; arquivo pessoal do realizador):
http://newtimes.ru/articles/detail/105543

sábado, março 19, 2016

Made in Ucrânia: blindado ligeiro “Tryton”

O serviço de guarda-fronteira da Ucrânia recebeu o primeiro exemplar do novo blindado anfíbio “Tryton”, fabricado em Kyiv e desenhado pelos engenheiros nacionais especialmente para uso pela guarda-fronteira na defesa da fronteira comum ucraniana com a federação russa.
O veículo possui a blindagem que corresponde ao 2º nível STANAG-4569. “Tryton” consegue proteger a sua tripulação contra o impacto da mina antitanque de até 6 kg de TNT.
Para o controlo efetivo da situação na fronteira o veículo também possui a estação de rádio locação e um sistema de termovisão. A tripulação do blindado é de 3 pessoas, “Tryton” também leva até 8 militares, possui a autonomia de até 700 km ou 7 dias do serviço. Para garantir autonomia necessária “Tryton” possui gerador à gasóleo, ar-condicionado e um sistema de aquecimento. Para a transmissão de dados o veículo usa o sistema de comunicações por satélite (fonte).
O veículo atinge a velocidade de 110 km/h na estrada e 10 km/h na água. “Tryton” é armado com a metralhadora de 12,7 mm; o morteiro ucraniano UAG-40 de 40 mm; possui os sistemas de lançamento de granadas de fumo e de gestão de fogo equipado com medidor de distâncias. O blindado usa motor Volvo TAD620VE à diesel de 6 cilindros; 5,7 Litros e 211 cavalos; a sua caixa de 5 velocidades é Allison 1000 CP e pneus tubeless Michelin XZL MPTTL 365/80 R20.

RIP Les Tanyuk
Morreu Leonid (Les) Tanyuk (1938 – 18 de março de 2016), o realizador ucraniano, teatral e do cinema, dissidente da época soviética e fundador do Clube da Juventude Criativa, um dos pólos de resistência intelectual contra o regime soviético na década de 1960. Les Tanyuk foi membro do parlamento ucraniano entre 1990 e 2007.

sexta-feira, março 18, 2016

Crimeia dois anos depois

O meu vizinho voltou da Crimeia à onde fui no ano passado e antepassado, ia antes. Consegue comparar as realidades. Diz que as praias estão vazias. Diversos hotéis, principalmente aqueles onde os donos eram ucranianos se fecharam.

por: Sergei Loiko (fotógrafo e jornalista russo)

O seu amigo possui um pequeno hotel privado na praia. Três anos atrás investiu lá todo o seu dinheiro, até pediu emprestado, o construiu, de vários pisos, com 40 quartos. No verão conseguiu alugar três quartos. Queria o vender para pagar a divida. Mas não tem à quem vender...
Os militares russos de ascendência asiática com um camião blindado russo
nas ruas da Crimeia em março de 2014, fonte@Facebook
O meu interlocutor é uma pessoa especial, é à favor da anexação, mas ao mesmo tempo é direto e honesto. Opera com as realidades simples e compreensíveis. Todos os alimentos, nos mercados e nas lojas viram os seus preços, no mínimo, triplicados. Por exemplo, diz, em 2013 a saborosa cerveja Lvivske custava o equivalente dos 30 rublos a garrafa. Agora a cerveja mais barata custa não menos que 100 rublos. Não encontras a vodca mais barata do que 400 rublos por garrafa (6 dólares).

Naquele momento na TV Putin contava sobre a vitória na Síria. Quando o chefe falou sobre o número dos biliões de rublos que custaram os “exercícios”, ao máximo aproximados aos combates reais, o meu interlocutor cuspiu, abanou a cabeça e disse: “Dá os alojamentos às pessoas, cabrão. Já f.deu todos, a sua guerra”. 
Os militares russos à bloquear a base ucraniana na Crimeia em março de 2014
fonte@Facebook
Disse assim, abanou a cabeça e foi às escadas para fumar...

A primeira foto, da autoria do Sergei Loiko, publicada no jornal Los Angeles Times em 17 de março de 2014, mostra a cena típica numa rua de Simferopol nas vésperas do referendo livre do Putin (fonte).

SL lol: Sim, eles voltaram “para casa”. Naquela mesma casa que “se acalmou, imersa na escuridão ... e o povinho – cada terceiro é inimigo...” (Vladimir Vysotsky).