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domingo, junho 29, 2025

Os agentes e colaboradores cipriotas da secreta checoslovaca StB

Os nomes de nove cipriotas que eram agentes e «contatos confidenciais» do StB, o serviço secreto da Checoslováquia comunista em Chipre, no auge da Guerra Fria, nas décadas de 1970 e 1980, foram revelados numa reportagem publicada no «Journal of Balkan and Near Eastern Studies». 

Os agentes, também chamados de «colaboradores», incluíam um ex-ministro da Educação, um secretário de longa data de dois presidentes, um deputado do partido Akel e um polícia de alta patente, entre outros. 

A reportagem de Jan Koura, baseia-se em documentos confidenciais do antigo Ministério do Interior da Checoslováquia, que estão disponíveis nos Arquivos dos Serviços de Segurança em Praga (ABS). A República Checa decidiu desclassificar documentos altamente confidenciais como parte de seu esforço para desvendar a história da Checoslováquia comunista. 

A inteligência checoslovaca StB tinha como alvo três grupos para o recrutamento de agentes: membros e apoiadores do Partido Progressista do Povo Trabalhador (Akel), pessoas que haviam estudado em universidades na Checoslováquia e funcionários públicos cipriotas. Os arquivos também listam os valores pagos a alguns deles, embora nem todos tenham sido pagos. 

Os indivíduos de maior destaque que trabalharam para o serviço secreto checoslovaco foram Harris Vovides, secretário dos presidentes Makarios e Spyros Kyprianou, Chrysostomos Sophianos (Sofianos) ministro da Educação de 1976 a 1980 e, posteriormente, líder do partido; o deputado de Akel, Dinos Constantinos, e o jornalista Stavros Angelides. Seus nomes de código / codinomes também foram divulgados. 

Harris Vovides colaborou sob o codinome «DOPAL», mas, de acordo com Koura, «o dossier referente à sua colaboração permanece confidencial e ainda não foi liberado ao arquivo». Apenas fragmentos de outros materiais sobreviveram para dar uma ideia da extensão de sua colaboração. 

“De acordo com esses fragmentos, ele foi recrutado para cooperar como ‘contato confidencial’ logo após a Guerra do Yom Kippur. Durante esse conflito, ele repassou informações sobre as atividades dos países da NATO/OTAN no Chipre e até participou de uma das ações ativas da inteligência checoslovaca contra Israel. Ele também forneceu ao StB materiais provenientes de reuniões do governo e do gabinete presidencial.” 

Curiosamente, o relatório apontou que Vovides, que mantinha relações estreitas com [presidente] Makarios, “aparentemente se comunicou com o serviço de inteligência com a aprovação de Makarios”. O Chipre havia comprado armas da Checoslováquia em 1966 e 1972, e repassar informações pode ter sido uma forma de manter boas relações com seu fornecedor. 

A colheita de informações ganhou impulso em 1976, quando a Checoslováquia estabeleceu uma embaixada em Nicósia, embora o trabalho preliminar já tivesse sido feito anteriormente pelo Encarregado de Negócios, Josef Gregr. O primeiro embaixador da Checoslováquia, Miroslav Chytry, codinome «CHLADEK», utilizou contatos pré-estabelecidos. 

Em 1981, a rede de agências estava no auge, com «nove agentes colaborando ativamente», e era considerada uma das mais bem-sucedidas, dada a dimensão da população cipriota. Seu trabalho era facilitado, escreveu Koura, pela ausência de qualquer contrainteligência [nacional] e pela disposição amigável para com os países do Bloco do Leste, decorrente da filiação cipriota no Movimento dos Países Não Alinhados. 

O primeiro colaborador ligado a Akel foi o deputado Dinos Constantinos, que havia estudado economia na Universidade de Economia de Praga e desenvolvido relações com Gregr. O embaixador Chytry desenvolveu laços amigáveis ​​com Constantinos, cuja esposa grega, nascida na Checoslováquia, trabalhava como secretária na embaixada da Checoslováquia e o promoveu o «contato confidencial» em 1977, com o codinome «CANDA». 

«Os registros de inteligência destacam o valor dos detalhes das discussões no gabinete do presidente e das reuniões parlamentares discretas das quais Constantinos participou», afirmava o relatório. No entanto, a colaboração terminou em 1981, logo após sua supervisão ter sido entregue a (o novo embaixador) Jan Kilmes, com quem ele não se deu bem e «se absteve de compartilhar informações». 

Havia outros dois agentes ligados a Akel – Angelides e Christoforos Ioannides, que era vice-chefe do departamento internacional do Comité Central do partido. Christoforos Ioannides, que também havia estudado na Checoslováquia, foi alistado como «contato confidencial» em 1981, sob o codinome «FAHRI», e, de acordo com os registros, «cooperou com o serviço de inteligência de forma consciente e voluntária» até novembro de 1989. 

Angelides Ioannides, que havia trabalhado como jornalista para o jornal Haravghi, de Akel, e posteriormente para o Phileleftheros, também foi correspondente da Agência de Imprensa Checoslovaca (CTK) na década de 1960. Ele foi alistado em 1978 na categoria de «contato confidencial», sob o codinome «AKRIS», fazendo «contribuições principalmente nas áreas de inteligência informacional e na execução de medidas ativas, continuando nessa função até 1989». No início de 1989, Praga decidiu reduzir gradualmente a cooperação com agentes, pois, no final do ano anterior, um oficial de inteligência, Vlastimil Ludvik, que havia supervisionado a operação em Nicósia a partir de Praga, desertou à Grã-Bretanha. Ludvik «possuía informações confidenciais, incluindo as identidades de seus colaboradores secretos», e havia o risco de suas identidades serem comprometidas. 

Chrysostomos Sofianos (Sophianos) foi oficialmente recrutado em 1982, sob o codinome «SUKRAN», na categoria de agente, dois anos após deixar o cargo de ministro da Educação no governo de Spryos Kyprianou. Nesses dois anos, ele fundou seu partido político, PAME (1980-83) e o jornal «Kyprianou». Ele também desenvolveu relações amigáveis ​​com o Embaixador Chytry, que lhe deu uma pistola de serviço de fabricação checoslovaca ao seu pedido. 

Antes de seu recrutamento, Sophianos «começou a divulgar certas medidas ativas da inteligência checoslovaca em seu semanário «Kypriaki», pelo qual recebia compensação financeira. Esses fundos serviam como a principal fonte de renda de seu jornal». Seu papel como agente «abrangeu predominantemente a execução de medidas ativas e o fornecimento de insights sobre a política cipriota», mas a cooperação terminou em 1983, após a dissolução de seu partido e o fechamento do jornal.  [Por exemplo, no seu jornal, em 1981 foi publicada uma notícia falsa, ou seja, a «medida ativa» criada pelo StB/KGB, do que as forças especiais americanas estavam alegadamente estacionadas nas bases britânicas no Chipre, “em preparação para ações diversionárias na Polónia”.]  

Indiscutivelmente, o agente mais valioso era o subchefe de polícia Pavlos Stokkos, que havia treinado com o FBI nos EUA e no Reino Unido. A pedido dele, ele havia recebido pistolas e munições checoslovacas da Chytry. Quando Stokkos foi suspenso em 1978, a embaixada não apenas manteve contato com ele, como também o apoiou financeiramente. Naquele ano, ele se tornou agente sob o codinome «BELIS». 

O relatório afirmava: «O potencial de inteligência de Stokkos era significativo», pois ele «mantinha conexões com indivíduos dentro do serviço secreto cipriota, tinha um informante na polícia cipriota na base britânica de Dhekelia e tinha acesso a registros policiais e de veículos. Além disso, ele mantinha contato com indivíduos responsáveis ​​pela segurança de embaixadas pertencentes a países de interesse prioritário para a inteligência da Checoslováquia, como Estados Unidos, Grã-Bretanha e Israel. 

O serviço de inteligência ficou tão impressionado com o trabalho de Stokkos que, em setembro de 1981, o levou secretamente a Praga, onde o chefe do serviço de inteligência, Karel Sochor, lhe concedeu a «Medalha do Corpo de Segurança Nacional». A cooperação foi abruptamente encerrada no ano seguinte, quando surgiram relatos da colaboração de Stokkos com o Mossad. 

Os demais colaboradores eram homens que haviam estudado na Checoslováquia. Constantinos Karatsiolis, codinome «KARATS», era um estudante maduro, tendo trabalhado anteriormente em Haravghi, e informou o serviço de inteligência sobre estudantes cipriotas na Checoslováquia e expôs a identidade de um indivíduo que atuava como informante do Ministério das Relações Exteriores do Chipre. Ele foi oficialmente alistado em 1978, quando trabalhava como jornalista na CBC (hoje CyBC). 

«Três anos depois, a residência em Nicósia já o considerava um dos elos mais valiosos da rede da agência». 

O Dr. Euripides Georgiades, codinome «FIDAS», foi alistado ainda em Praga e, ao retornar ao Chipre, recebeu a designação de «agente verbovcik» (literalmente agente recrutador), que é «uma categoria distinta de colaborador encarregado de recrutar indivíduos dispostos a cooperar com a inteligência checoslovaca». 

Outro estudante cipriota foi Pavlos Flourentzos, que foi alistado ao StB sob o codinome «ARCH». Antes de deixar a Checoslováquia, ele recebeu treino/amento em «técnicas de vigilância, interceptação telefônica e escrutínio de correspondência». Sua colaboração foi encerrada em 1985, «devido à baixa qualidade das informações transmitidas». 

Alguns dos agentes realizaram o trabalho devido à sua afinidade ideológica com a Checoslováquia comunista, recebendo presentes esporádicos. Stokkos, segundo registros de inteligência, recebeu CY£ 4.953 e US$ 3.500; Georgiades recebeu CY£ 3.050 e US$ 600. Outros receberam compensações menores, segundo o relatório. 

Explicando o interesse da Checoslováquia em Chipre, os relatórios afirmavam: “Estados socialistas apoiaram por muito tempo a independência da República de Chipre, se opuseram à sua adesão à NATO/OTAN, buscaram remover bases britânicas e usaram a disputa entre Grécia e Turquia sobre Chipre para enfraquecer a unidade ocidental. Ao perseguir essa estratégia, eles também usaram seus serviços secretos.” 

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sexta-feira, junho 27, 2025

O espião sem nome: agente “Gragert” que servia StB e KGB

O tenente coronel do StB Václav “Gragert” Jelínek

Em 1977, Johanna van Haarlem encontrou finalmente o seu filho, Erwin, que tinha abandonado em bebé, 33 anos antes, durante a Segunda Guerra Mundial. Ela viajou imediatamente para Londres para o encontrar. Não sabia que a identidade do seu menino foi roubada e usada por um espião da StB e do KGB, tenente coronel Václav “Gragert” Jelínek. 

Johanna e «Erwin» van Haarlem

Era uma fria manhã de sábado de abril de 1988 quando uma carrinha cheia de detetives chegou a casa de Erwin van Haarlem, no norte de Londres. O negociante de arte por conta própria, de 44 anos, vivia sozinho na pacata Friern Barnet, um conjunto de casas de tijolo à beira da North Circular. 

O edifício do holandês, em Silver Birch Close, tinha-se tornado o centro de uma investigação liderada pela agência de informação britânica MI5. Suspeitava-se que Van Haarlem – que os vizinhos descreviam como um «excêntrico» – não estivesse no ramo da arte, mas antes um sinistro agente estrangeiro. 

Juramento do Serviço, o dossier do «Van Haarlem» no arquivo do StB

Lá dentro, Van Haarlem estava curvado sobre um rádio na sua cozinha. Ainda vestia o pijama, mas o cabelo estava repartido cuidadosamente para o lado. Estava sintonizado, como todas as manhãs, numa misteriosa «estação de rádio numérica». No seu auricular, uma voz feminina recitava números em checo, seguidos do bip-bip do código Morse. 

Às 9h15, os detetives da Divisão Especial, a unidade antiterrorista da Polícia Metropolitana de Londres, invadiram o seu apartamento. Van Haarlem tentou baixar a antena do rádio. Ela emperrou. Quando abriu uma gaveta e pegou numa faca de cozinha, um polícia abordou-o e gritou: «Basta! Acabou! Acabou!» 

Agente «Van Haarlem» se infiltrando no protesto em Southampton à favor dos judeus soviéticos

Escondidos entre os seus cavaletes e pinturas, os detetives descobriram pequenos livros de códigos escondidos numa barra de sabão, produtos químicos estranhos e revistas de automóveis que, mais tarde, descobriram conter mensagens escritas com tinta invisível. Os investigadores suspeitaram que Van Haarlem não era realmente holandês, mas sim um espião da União Soviética, adversária do Reino Unido na Guerra Fria. 

Sob um holofote brilhante numa esquadra de polícia no centro de Londres, Van Haarlem alegou inocência. 10 dias depois, as coisas tornaram-se realmente estranhas: chegou uma visitante afirmando ser a mãe do prisioneiro. Johanna van Haarlem era uma holandesa de pouco mais de sessenta anos que observava os detetives por detrás de uns óculos enormes. O seu filho não era um espião, insistia ela, mas um holandês honesto — a criança que ela abandonara em 1944 e redescoberta 11 anos antes. Os detetives, perplexos, permitiram que ela visitasse o suspeito. 

Em algum momento da conversa Erwin/Václav reparou numa pequena mancha vermelha no antebraço da mãe. Os resultados do exame de ADN do laboratório do Ministério do Interior indicaram, com quase toda a certeza, que não eram parentes. Johanna van Haarlem desabou em lágrimas enquanto o seu mundo desabava. 

No dia 6 de fevereiro de 1989, no Old Bailey, em Londres, o procurador Roy Amlot declarou ao júri que o arguido tinha roubado a identidade do seu filho. 

«Podem pensar que, se ele sabia o tempo todo, foi uma coisa cruel fazer com ela», disse. 

O julgamento cativou a imprensa. O Daily Express descreveu Van Haarlem como «um espião antiquado... de fato elegante que habitava um mundo de caixas de correio mortas e códigos secretos». Beldades exóticas apresentaram-se para se beijarem e contarem os seus casos amorosos com o espião. Mas a vítima mais ferida estava no banco das testemunhas, a trágica holandesa Johanna van Haarlem.

Prisão Parkhurst na ilha de Wight

A 4 de março de 1989, às 11h45, o juiz condenou Erwin van Haarlem a 10 anos de prisão por espionagem. «É provavelmente a primeira pessoa a ser julgada no Old Bailey sob um pseudónimo», disse um alto funcionário da Scotland Yard a um repórter. O «espião sem nome», como lhe chamavam os jornalistas, levava os seus segredos para a sua cela. 

* * *

Após meses de negociação e recomeços frustrados, conheci Erwin van Haarlem num dia de primavera em Praga, em 2016. Embora tenha vivido discretamente como um homem livre nos últimos 23 anos, sabe-se que os espiões não falam. Apresentado a mim pelo jornalista policial checo Jaroslav Kmenta, Van Haarlem chegou a um restaurante perto da Praça da Cidade Velha, vestindo um elegante blazer azul. Depois de verificar cuidadosamente a minha identidade, começou, num inglês com sotaque, a contar-me a sua história.

Tudo começou a 23 de agosto de 1944, quando nasceu Václav Jelínek em Modrany, uma pequena aldeia perto de Praga. O seu pai era dono de uma pequena padaria ali, vendendo bolachas e gelados, até os comunistas tomarem o poder. O jovem Jelínek alistou-se no serviço militar obrigatório e, com a intensificação da Guerra Fria, foi promovido a um cargo no Ministério do Interior da Checoslováquia. Sonhava com bravura e entusiasmo militar. Mas o que conseguiu foram turnos exaustivos e trabalho manual.

Um dia, os seus superiores apanharam-no a estudar vocabulário alemão em vez de guardar um posto de controlo na neve. Levaram-no para um escritório no andar de cima, onde esperavam medidas disciplinares. Em vez disso, foi apresentado a dois membros da Statni bezpecnost – a polícia secreta do Estado checoslovaco. A StB era uma agência de espionagem obscura que reportava diretamente aos soviéticos.

Václav Jelínek com e sem bigode

Os agentes do StB estudaram o seu processo e descobriram que Jelínek era desafiante, mulherengo, muito inteligente, propenso à violência, patriota e aventureiro. Por outras palavras, um perfeito espião. Após um treino cuidadoso, decidiram que estava pronto para iniciar uma missão secreta no estrangeiro, espiando o Ocidente. 

O StB vasculhou os seus ficheiros de pessoas desaparecidas e atribuiu a Jelínek uma identidade falsa: a de um rapaz holandês, abandonado num orfanato em Holesovice, Praga, no final da Segunda Guerra Mundial. A criança nascera apenas um dia antes de Jelínek. 

Passaporte holandês do «Erwin van Haarlem»

«O seu novo nome», disseram-lhe, é «Erwin van Haarlem». 

Solicitou um passaporte holandês e chegou a Londres de comboio em junho de 1975. Para o rapaz de Praga, era uma cidade estranha, fervilhante de trânsito, moda e perigo. Aceitou um emprego no restaurante Roof, no 24º andar do Hotel Hilton, em Park Lane, Mayfair, na esperança de espiar a realeza no Palácio de Buckingham. 

À noite, trocava mensagens codificadas com o seu país natal via rádio. Uma das suas primeiras ideias foi tentar instalar dispositivos de escuta nos móveis da rainha, recorda, embora ele e os seus chefes percebessem que era tecnicamente irrealista. 

A sua carreira secreta correu bem até ao final de 1977, quando recebeu uma mensagem perturbadora de Praga: «A SUA MÃE ESTÁ A TENTAR ENCONTRÁ-LO NA CHECOSLOVÁQUIA COM A AJUDA DA CRUZ VERMELHA. CASO A CRUZ VERMELHA O ENCONTRE, DEVE SER AGENDADO UM ENCONTRO». 

Leu a mensagem várias vezes. Em outubro desse ano, Van Haarlem recebeu uma carta escrita à mão de Johanna van Haarlem. A embaixada holandesa tinha-lhe dado o seu endereço, escreveu ela. Ela ficou emocionada ao encontrá-lo. Tal como tinha sido ordenado, o espião respondeu educadamente em novembro, anexando algumas fotografias. Começou a carta: «Querida mãe». Quando enviou um cordial convite para o visitar em Londres, ela partiu imediatamente. 

* * *

Johanna acordou cedo a 1 de janeiro de 1978, num hotel no oeste de Londres. O seu estômago estava embrulhado de nervosismo. Ela saiu para a rua coberta de detritos da véspera de Ano Novo. O seu plano era chegar cedo e verificar a morada do filho. Mas, do outro lado da rua, passou um jovem de aspeto familiar. 

Johanna e «Erwin» em Londres

«A senhora é a senhora van Haarlem?», disse o espião, parando de repente. 

«Sim», disse ela. 

«Olá mãe, é o seu filho.» 

Abraçaram-se no meio da rua. Johanna deu um passo atrás para olhá-lo. As lágrimas escorriam pelo seu rosto. 

«O seu pai não tinha o cabelo tão escuro», disse Johanna, observando-o. Então, comentou que era mais baixo que o pai. 

Dentro do seu apartamento, uma rolha de champanhe rebentou enquanto Johanna, ofegante, lhe contava a sua história de vida. A garrafa tinha congelado no frigorífico, mas Van Haarlem conseguiu servir algumas taças.

Johanna van Haarlem jovem

Tinha crescido em Haia, na Holanda, e era virgem aos 18 anos quando conheceu o pai dele num comboio, em novembro de 1943. Gregor Kulig era nazi. Tinha olhos azuis, 23 anos e era um bonito polaco. Numa festa, quatro semanas depois, disse que ele a violou.

O nazi polaco/polonês Gregor Kulig

E quando o pai descobriu que ela estava grávida, explodiu. «És uma pecadora!», disse-lhe. Ordenou-lhe que levasse a criança para uma cidade distante e que o entregasse. 

Cheia de tristeza e desespero, no outono de 1944, Johanna viajou para a Checoslováquia de comboio. Após um breve esforço para sobreviver ali como mãe solteira, entrou num orfanato em Holesovice, Praga. Soluçando, despediu-se do bebé Erwin com um beijo e regressou à Holanda sozinha.

O pequeno verdadeiro Erwin 

O seu pai — um judeu que se tinha filiado no Movimento Nacional Socialista para proteger a sua família — destruiu os papéis de adoção e proibiu-a de falar sobre o filho. 

Ao longo dos anos, chegaram dezenas de cartas do orfanato a pedir a Johanna que aceitasse o seu filho de volta. Não foram respondidas. Mas todos os anos, no dia do seu aniversário, Johanna recordava-se silenciosamente do filho desaparecido, cujo nome nem sequer conseguia pronunciar: Erwin van Haarlem. 

Logo após o emocionante «reencontro», Johanna convidou Erwin para conhecer a família Van Haarlem na Holanda. Quando o espião chegou ao seu bungalow, no início de 1978, apertou a mão a toda a família, um a um. Estudaram-no como um espécime em um zoológico. A sobrinha de Johanna aproximou-se de Van Haarlem e pareceu examiná-lo da cabeça aos pés. Será que ela sabia? 

«Tem as belas pernas dos Van Haarlem», disse ela à multidão, em tom de aprovação. 

De regresso a Londres, ter uma mãe holandesa e judia só veio reforçar o disfarce de Van Haarlem. A sua principal tarefa, contou-me o espião, era recolher informações sobre os refuseniks, os judeus impedidos de sair da União Soviética apesar dos seus pedidos de emigração, que se tinham tornado peões políticos nas negociações da Guerra Fria. Obteve também informações valiosas sobre cadeias de sonares subaquáticos, que alertaram a NATO para a deslocação de submarinos soviéticos. 

Avaliação das tarefas de inteligência de Jelínek em 1976

A jornalista de defesa britânica Kim Sengupta descreveu Van Haarlem nesta altura como «um agente de penetração profunda brilhantemente bem-sucedido», que, ao longo dos anos, visitou a base de submarinos Polaris na Unidade de Investigação Subaquática do Almirantado Britânico, bem como «uma série de instalações militares sensíveis». 

Jelínek se infiltrando no meio dos refusenik soviéticos

Por estas fantásticas informações de inteligência, Van Haarlem recebeu uma medalha da União Soviética numa festa privada realizada em sua honra em Praga. 

*** 

Já tinha deixado o emprego no Hilton — depois de passar de humilde empregado de mesa a assistente de gerente de compras. Estabeleceu-se como artista freelancer e negociante de arte e pagou a pronto o modesto apartamento em Friern Barnet. 

Deveria ser o último lugar onde alguém procuraria um espião estrangeiro, mas depressa se tornou um foco de batota. Havia o técnico que vinha «arranjar» o seu telefone, os novos carteiros e os dedicados limpa-vidros que lavavam as suas janelas não semanalmente, mas aparentemente diariamente. 

Van Haarlem não foi o único a reparar em acontecimentos peculiares. 

 A Sra. Saint, de 61 anos, que coordenava o Programa de Vigilância de Bairro local, disse que telefonou à polícia em Novembro de 1987 para relatar ruídos estranhos e uma interferência em «código Morse» que afectava o sinal da sua televisão todas as noites às 21h20. 

Logo a seguir, em abril de 1988, aquela carrinha misteriosa estacionou em frente ao apartamento de Van Haarlem. 

Johanna van Haarlem soube da detenção através da rádio BBC. Então, os investigadores chegaram a sua casa e pediram-lhe que testemunhasse contra o espião no seu julgamento. 

«Quando finalmente nos olhámos, fiquei magoada. Não vi nenhum sinal de remorso, nem um piscar de olhos, nenhum carinho, nada», disse sobre o julgamento. Uma parte dela estava em negação, continuando a procurar em vão o afeto de um filho. «Mostrou-me frieza», disse ela, «e olhou para mim como se fosse o fim.» 

Van Haarlem foi enviado para a prisão de Parkhurst, na Ilha de Wight. Após cinco anos, o fim da Guerra Fria e uma greve de fome, em 1993 foi libertado e deportado para o que então se tornara a República Checa. 

Perguntei-lhe se alguma vez sentiu compaixão por Johanna. 

«Não senti pena nenhuma», disse. 

Johanna van Haarlem morreu em 2004. Václav Jelínek morreu, aos 77, em 2022.

Jeff Maysh é o autor de «The Spy With No Name», do qual este artigo foi adaptado:

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A sua descoberta e prisão, foram, muito provavelmente, ajudadas pelo ex-oficial da StB Vlastimil Ludvík “Pantůček”, um ex-oficial de inteligência e diplomata checo-eslovaco que desertou em 1988, trabalhando para MI6, se tornando o último agente da inteligência comunista checoslovaca que desertou ao Ocidente. 

Do ponto de vista da rivalidade operativa entre a StB e MI6, Vlastimil Ludvík teve uma participação inquestionável no facto de a inteligência da Checoslováquia comunista não ter registado qualquer sucesso operacional significativo em relação à Grã-Bretanha depois de 1968.

A procura do verdadeiro Erwin 

Johanna precisava de encontrar o verdadeiro Erwin e tentar compensar a década perdida nas mentiras do espião. Não seria uma busca curta, mas, através de uma sucessão de pistas, começou a juntá-las. A primeira surgiu em 1991, num dos «Livros do Desespero», os registos meticulosamente escritos das crianças dos orfanatos checos. 

Um dos livros amarelecidos continha uma lista dactilografada de 933 nomes. Erwin van Haarlem era o número 10 da lista. A entrada foi breve, mas definitiva. Nasceu em Amesterdão a 24 de agosto de 1944 e chegou a Olesovice em 1945. Abandonou o lar a 2 de abril de 1949, com quatro anos. 

Juntamente com o repórter Paul Henderson, coautor de «Um Espião na Família», Johanna encontrou as enfermeiras que deram pormenores sobre a infância do seu filho. Com estas informações, somadas a outras pistas de fontes em Praga, Johanna começou a escrever cartas às autoridades, implorando-lhes que lhe contassem o que realmente tinha acontecido ao Erwin. Depois, finalmente, obteve sucesso. Erwin era agora Ivo Radek. E ele estava disposto a conhecê-la. 

O verdadeiro Van Haarlem/Ivo Radek, sua esposa Zdenka e Johanna, Brno, 1991

Johanna regressou à Checoslováquia e, a 27 de novembro de 1991, encontrou-se no meio do esplendor do Grand Hotel Brno, à espera de ver o filho pela primeira vez em quase meio século. Ivo e a sua dedicada esposa, Zdenka, estavam nervosos à última hora. Johanna também estava apreensiva. 

Finalmente, foi conduzida ao encontro do filho, que estava elegantemente vestido com uma camisa branca, gravata castanha e um fato cinzento acabado de passar. Zdenka estava linda num vestido azul. Este era um grande momento em todas as suas vidas atribuladas, e todos estavam vestidos respeitosamente para a ocasião. Mas Johanna não estava a prestar muita atenção ao que cada um vestia. Estava hipnotizada pelos olhos de Ivo – os seus olhos azuis – que a fitavam. 

terça-feira, outubro 05, 2021

A fuga da Checoslováquia comunista: armadilha de StB

A secreta comunista checoslovaca, StB usava os seus agentes para coagir os cidadãos à emigrarem clandestinamente. Depois estes cidadãos eram presos e condenados como “sabotadores” do regime. 

Em outubro de 1951, a atriz checa Jirina Stepnicková recebeu a carta forjada do realizador František Čap, propondo-lhe emigrar a Alemanha Ocidental, para continuar a sua profissão artística. O homem que entregou a carta, Jiří Fiala, era um dos vários agentes-provocadores, ao serviço de StB. 

O grupo, para além da Jirina Stepnicková, era composto por seus amigos e seu filho, Jiří Štěpnička, de apenas 4 anos de idade. Todos foram presos pela guarda-fronteira da Checoslováquia, julgados e condenados às pesadas penas de prisão efectiva. A atriz foi condenada aos 15 anos da cadeia. 

A ficha da atriz na StB após a sua detenção

Libertada em 1961 e reabilitada em 1968, atriz conseguiu voltar à sua carreira artística. No decorrer da sua reabilitação, os investigadores de StB pretenderam perceber melhor o caso, mas alegadamente não conseguiram o desvendar totalmente. O “contrabandista” Jiří Fiala tinha desaparecido, possivelmente era um agente duplo de algum outro serviço secreto. 

@Projecto «Arte repreendida. Cultura nacional aos olhos de KGB/ŠtB: Ucrânia, Chéquia, Geórgia», realizado pelo Centro de estudos dos Movimentos de Libertação (Ucrânia) em conjunto como Gulag.cz (Chéquia) e საბჭოთა წარსულის კვლევის ლაბორატორია / Soviet Past Research Laboratory (Geórgia) com ajuda do programa House of Europe da União Europeia.

sexta-feira, junho 14, 2019

Tomáš Řezáč: agente duplo do StB e do KGB

O caso do jornalista, escritor e informador checo Tomáš Řezáč é um bastante interessante, pois mostra o modo operativo das secretas comunistas da Checoslováquia e da União Soviética, StB e KGB respetivamente.

Em 1968, após a ocupação da Checoslováquia pelo Pacto da Varsóvia e do fim de Primavera de Praga, com a sua esposa, Tomáš Řezáč emigrou para Suíça. Alguns anos mais tarde, para expiar a sua “ilusão”, começou a trabalhar como agente da 1ª Diretoria do Ministério Federal do Interior sob o pseudónimo de Repo. Espiava a elite checoslovaca emigrada, obtinha as informações ao mando do Ministério de Interior da Checoslováquia. Em 1975, ele retornou à Checoslováquia, desempenhando o papel principal em toda uma série de campanhas de desinformação e de propaganda. Como agente, ele estava sob a jurisdição da contra-inteligência do StB.

Por ordem da 5ª Direção do KGB da URSS, escreveu o livro “Espiral da traição do Solzhenitsyn” (depois publicado na Itália e em Cuba), para desacreditar o dissidente e escritor soviético/russo Alexander Solzhenitsyn. Neste âmbito usou o manuscrito de um dos amigos de Solzhenitsin, apreendido pelo KGB e sem a permissão do seu autor.
A edição cubana do livro do Řezáč sobre Solzhenitsyn
Foi uma figura chave na campanha de desinformação dirigida contra Václav Havel e contra Carta 77. Em 9 de março de 1977, Řezáč participou no programa da rádio pública checoslovaca intitulado “Quem é Václav Havel? Em particular, afirmou que Havel havia recebido apoio financeiro dos serviços de inteligência da Alemanha Federal e dos Estados Unidos (na altura Havel estava detido por quatro meses e meio na prisão de Ruzyne, acusado de “ações de desestabilização”). Através do seu advogado, em 13 de março de 1977, Havel escreveu aos conselhos editoriais de todos os jornais que publicaram o texto “Quem é Václav Havel?”, com um pedido de refutar publicamente as declarações falsas. Não houve reações e, em 17 de março de 1978, Havel entrou com um processo contra Řezáč no Tribunal Distrital de Praga-6 por acusações de difamação.

Em cartas datadas de 2 de abril e 2 de junho de 1978, o acusado pediu para adiar a audiência devido à sua alegada doença. Naquela época, as autoridades comunistas checoslovacas decidiram que acusações de difamação contra o seu agente eram indesejáveis, optando por afirmar que os jornais tinham “distorcido o significado daquilo que foi dito no programa”. O que foi feito – em 7 de agosto de 1978, Řezáč enviou uma carta ao tribunal, onde afirmou que a sua acusação contra Václav Havel tinha sido apresentada em uma suposta forma de reserva: “aparentemente, parece que”, etc. Após disso, Havel retirou a sua queixa e, em 3 de agosto de 1981, o departamento financeiro do tribunal distrital de Praga-1 ordenou a restituição, ao futuro presidente da Checoslováquia livre (e depois da República Checa) a quantia de 60 coroas, que este tinha pago como custos judiciais.
O relatório do agente Repo sobre a sua própria estadia na Ucrânia  em 1979 | arquivos
Em 1978 o oficial da 5ª Direcção do KGB soviético, capitão Andrey Blagovidov (aparentemente o curador soviético do Řezáč) escreveu aos seus colegas do StB que agente «Repo aceitou as nossas críticas sobre seu desejo por álcool e na [questão da] gestão financeira».
“Procurados”, a capa da 2ª edição russa de 1988
Novamente ao pedido do KGB, e em co-autoria, Řezáč escreveu o livro “Procurados”, uma obra propagandista, dirigida contra Ucrânia independente e contra os nacionalistas ucranianos, publicada, pela primeira vez em Moscovo em 1981 e traduzida para alemão, inglês,  francês e ucraniano (1989).

sábado, fevereiro 16, 2019

O papel da União Soviética na penetração comunista no Brasil

O papel real da União Soviética na criação dos movimentos comunistas no Brasil, recrutamento de agentes via secreta checoslovaca StB, o treino clandestino dos militantes do PCB na URSS desde a década de 1920 e em Cuba após 1959.

por: Astier Basílio, poeta, jornalista, escritor e dramaturgo (versão curta)

[...] Não é delírio persecutório, nem teoria da conspiração, afirmar que Ancelmo Gois foi à União Soviética e sob os auspícios do serviço secreto, a o KGB, obteve documentação falsa com a qual viajou e que ao chegar em Moscou, veio a estudar “marxismo e leninismo”, na escola de formação de jovens quadros do Partido Comunista. Foi Ancelmo quem contou em detalhes sua ida à Rússia [URSS] em 1968. A entrevista concedida há dez anos, está disponível no site da Associação Brasileira de Imprensa para qualquer um ver [...].

O treinamento do futuro tradutor de Dostoiévski

Ancelmo não foi o único jovem esquerdista a receber treinamento doutrinário na União Soviética. Dentre os relatos conhecidos, destaca-se o do paraibano Paulo Bezerra, célebre por seu trabalho de tradução das obras de Dostoiévski. Quando viajou, outros nove brasileiros o acompanhavam com o igual propósito. Era Bezerra o único operário do grupo.

A aventura aconteceu em finais de 1963 [...]

[...] Sob as bênçãos do curto mandato de Goulart, os soviéticos gozaram de liberdade e ensaiaram aproximação com o Brasil. É o que diz o historiador Rodrigo Patto Sá Motta¹, ao referir-se ao restabelecimento dos laços com Rússia [URSS]. “Com a recém conquistada liberdade de movimentos, a URSS implantou programas para facilitar o aprendizado da língua russa, principalmente através dos Institutos Culturais Brasil-URSS (ICBUS). Além disso, firmaram-se convênios para envio de estudantes brasileiros à União Soviética”.

Patto Sá Motta faz uma ressalva e toca num ponto importante. Para além do acordo formal havia um intercâmbio que ocorria no subterrâneo. “Clandestinamente, a URSS recebia brasileiros para treinamento desde os anos de 1920, mas tratava-se de militantes selecionados pelo PCB” [...]

A guerrilha existiu antes golpe

Denise Rollemberg em seu livro  “O apoio de Cuba à luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro” (Rio de Janeiro: Mauad, 2001) desmonta um dos pontos centrais da narrativa de esquerda armada: a de que  guerrilha só existiu por não haver outro meio de luta, sendo, portanto, uma reação à ditadura militar.
O apoio de Cuba a luta armada no Brasil: o treinamento guerrilheiro
“A relação das Ligas com Cuba evidencia a definição de uma parte da esquerda pela luta armada no Brasil, em pleno governo democrático, bem antes da implantação da ditadura civil-militar”, assevera a escritora.

A discordância da União Soviética com a implantação por Cuba dos focos de guerrilha pela América Latina pode ser emblematizada no encontro, ocorrido em Havana, em 1963 – ainda sob a vigência do governo de João Goulart, repita-se – entre Francisco Julião e Luís Carlos Prestes, este Secretário Geral do Partido Comunista, aquele representante das Ligas Camponesas.

[...] Apesar da posição contrária dos dirigentes soviéticos, Cuba treinou em torno de 200 militantes brasileiros. Para Denise Rollemberg “(…) a própria URSS, evidentemente, sempre esteve a par do fluxo mantido nos anos posteriores de militantes indo a Cuba treinar. As rotas de entrada e saída do país, por exemplo, passavam por Moscou e Praga, onde os guerrilheiros eram recebidos e orientados”.

Brasil nos arquivos soviéticos

Em maio de 1964, o diplomata t/checoslovaco Zdenek Kvita, que ocupava no Brasil o segundo posta na embaixada de seu país, foi preso por agentes do DOPS carioca, “quando tentava obter documentos secretos de suposto informante, na verdade agente policial. O agente da polícia estava fingindo vender a Kvita informações secretas, como a planta da Refinaria Duque de Caxias e os planos brasileiros para monitorar Embaixadas dos países socialistas”.
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A informação está nos arquivos da CIA, recolhidos pelo historiador Rodrigo Patto Sá Motta. Este personagem, Zdenek Kvita, é citado no site “STB, o Brasil nos Arquivos Soviéticos”, como o primeiro integrante da polícia secreta a manter contato com seus colegas cubanos.

O portal disponibiliza documentos, reproduz artigos  da presença do serviço secreto da T/Checoslováquia no Brasil de 1945 a 1990. O trabalho redundou no livro “1964, O Elo Perdido – O Brasil nos arquivos do serviço secreto comunista” (ler mais), do brasileiro Mauro Kraenski e do polaco/polonês Vladimir Petrilák.

O serviço t/checoslovaco era a o verdadeirao KGB no Brasil

Em resenha ao livro 1964 e a atuação da KGB n Brasil, João César de Melo observa que a StB atuava livremente no Brasil pois a Checoslováquia não era vista como inimiga, “o que dava liberdade para seus agentes circularem, se relacionarem com brasileiros e obterem informações sem despertar suspeitas. O resultado foi a infiltração de dezenas de agentes tchecos que recrutaram centenas de brasileiros a partir de 1952. Tudo, absolutamente tudo, registrado metodicamente. Em outras palavras: a StB era, de fato, a o KGB no Brasil, dado que todas as diretrizes da agência tcheca eram definidas em Moscou” [...]

Fundo para organizações de esquerda

Em 1969, o Partido Comunista do Brasil aparece num documento do Politburo [do CC do PCUS], numa lista de envio de dinheiro, para criação de um “Fundo Internacional para ajudar Organizações de Trabalhadores de Esquerda”. Dos 15 primeiros destinatários da verba, o Brasil figurou na oitava colocação, com a quantia de 200 mil dólares.
Brasil e Portugal nos Arquivos Soviéticos
Há pedidos de trein(ament)o, com todas as despesas pagas pelo fundo do Partido Comunista Russo [soviético], para militantes brasileiros. Quem assinou as solicitações foi Luís Carlos Prestes. Em 1974, recepção e despesas para um curso de três meses, ao camarada Leonardo Leal, quadro do Partido, que fez parte das Ligas Camponesas, na Paraíba. Em 1978, curso de treinamento em atividades clandestinas para Marcelo Santos, membro do Comité Executivo do Partido Comunista  do Brasil.

Fontes citadas no texto:
(1) http://www.ufjf.br/locus/files/2010/02/131.pdf
(2) https://www.cia.gov/library/readingroom/docs/esau-22.pdf

Ler o texto integral do Astier Basílio:
Ancelmo Gois, União Soviética e a ditadura militar brasileira

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

1964: O Brasil entre armas e livros

No dia 31 de março de 2019 foi marcada a pré-estreia oficial do maior documentário já produzido no Brasil sobre o período do Regime Militar brasileiro: 1964: O Brasil entre armas e livros.

O documentário reune as maiores autoridades no assunto para chegar a verdade sobre o tema mais controverso de história brasileira.

A equipa/e viajou até ao Leste Europeu para buscar nos documentos, até então, secretos, do StB, serviço de inteligência da extinta Checoslováquia os fa(t)os que até agora foram escondidos. Pela primeira vez eles irão ao público em forma de documentário.

Prepare-se, a sua visão sobre 1964 jamais será a mesma.

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Assista as séries gratuitamente:
. Congresso Brasil Paralelo (6 episódios disponíveis): https://bit.ly/2AfkwWO
. Brasil a Última Cruzada (6 episódios disponíveis): https://bit.ly/2AfISjm
. O Dia Depois da Eleição (5 episódios disponíveis): https://bit.ly/2Ag3A2d
. O Teatro das Tesouras (7 episódios disponíveis): https://bit.ly/2RW5zjd
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sábado, junho 30, 2018

A Cuba e terror brasileiro: a morte do Mário Kozel Filho

No dia 26 de junho de 1968, o grupo terrorista brasileiro VPR atacou o QG do II Exército, o atual Comando Militar do Sudeste, na cidade de São Paulo. Em resultado do ataque perdeu a vida o soldado Mário Kozel Filho (18) e outros 6 militares brasileiros foram feridos.
Sargento (à título póstumo) Mário Kozel Filho, 18 anos para sempre
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O livro 1964: O elo perdido traz ao público a lista de terroristas brasileiros que viajaram para Cuba via Praga na “Ação Manuel” (operação de transporte clandestino para treino em terrorismo urbano). Um dos nomes da lista foi acusado do atentado que ceifou a vida do jovem soldado e marcou para sempre os restantes militares envolvidos.
Therezinha e Mário Kozel seguram foto do filho Mário Kozel Filho, soldado morto em atentado em 1968,
foto: 26.jun.1970 - Folhapress/26.jun.1970 - Folhapress
Militares e civis prestam homenagem a Mário Kozel Filho, no cemitério do Araçá, dois anos após a sua morte,
foto: 26.jun.1970 - Folhapress/26.jun.1970 - Folhapress
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Homenagem do General Villas Boas, 27/06/2018