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segunda-feira, agosto 03, 2026

«Azovstal»: quatro anos após a queda da resistência ucraniana

O estado atual da fábrica de «Azovstal». As ruínas da central estão simplesmente abandonadas. Nem sequer as minas foram removidas, mesmo passados ​​quatro anos. Os ocupantes russos não fizeram nada nem por si, nem pela população, simplesmente destruíram e abandonaram tudo. 





Canal Siversky Donets-Donbas. Estado atual 

Como podem ver, a infra-estrutura física do canal foi completamente destruída pela guerra; reconstruí-la de raiz levará anos de trabalho e bilhões de dólares. 

A mentira russa de que a Ucrânia «bloqueou o canal» é refutada pelos seus próprios vídeos. O canal não pode ser bloqueado — simplesmente já não existe fisicamente. O exército russo destruiu-o, tal como destruiu as cidades ucranianas que alegadamente «libertou». 

Portanto, mesmo a hipotética captura das ruínas de Slovyansk pelo exército russo não melhorará o abastecimento de água da Donbas. 

A cidade morta de Druzhkivka 

Antes da invasão e guerra russas nessa cidade ucraniana viviam cerca de 60.000 habitantes, agora restam apenas 5.000 ou 6.000. O blogueiro militarista russo comenta a destruição e devastação de Druzhkivka, situada na região de Donetsk. Diz que até é bom que somente restaram tão poucos, pois assim «menos gente irá morrer durante o assalto à cidade». O propagandista russo não explica aos seus leitores porque razaão a «libertação russa» e os ataque militares são necessários, já que resultam na morte de toda a população e na destruição da cidade. 

A propaganda estatal e militarista russa chama tudo isto de «ajuda aos moradores/povo de Donbas»...

Fontes: https://t.me/kazansky

domingo, julho 05, 2026

O custo social e humano da «libertação» russa de Donbas ucraniana

A cidade russa de Saratov. Estritamente «de acordo com o plano-mestre do Kremlin», os 200 novos nomes dos russos mortos na Ucrânia foram adicionados ao monumento dos mortos, nas assim chamadas, «guerras locais», os conflitos regionais e internacionais, que foram travadas pela URSS/rússia nos últimos 50 anos. 

  • Afeganistão — 318 pessoas (1979 — 1989)
  • Ucrânia — 3.400 pessoas (24.02.2022 — ?) 



«Aos conterrâneos que morreram nas guerras locais»

A «libertação russa» de Donbas ucraniana



Uma vila ucraniana transformada no monte de entulho partido...

A vila de Druzhkivka. O complexo hoteleiro «MAN», localizado na autoestrada Donetsk-Kharkiv, foi destruído pelos constantes bombardeamentos russos, há um civil morto, apanhado por algum estilhaço perdido e ainda por recolher, prostrado na escadaria do viaduto.

Os turistas e viajantes pela região de Donetsk conheciam «MAN». Fazia parte da paisagem, familiar às pessoas de uma geração inteira de ucranianos. Nem todos sabiam que o nome do complexo deriva das iniciais do antigo proprietário. O vereador de Druzhkivka, arménio étnico Ashot Norikovich Melikbegyan, faleceu em 2023, felizmente o barão político local não viveu para ver a destruição da sua empresa.

A vila de Chasiv Yar (2021-26) Outra localidade de Donbas, «libertada» pelo exército russo de ocupação, mostrada, com auxílio de novas tecnologias no seu antes e depois...


sexta-feira, julho 03, 2026

Ucrânia ataca os alvos estratégicos russos em Belgorod, Penza, Tula e logística nos TOT

Na cidade russa de Penza os drones/mísseis ucranianos atingiram a empresa «NIIFI», cuja produção é usada em aviões, helicópteros e protótipos de armamento, em particular nos mísseis balísticos intercontinentais «Bulava», «Topol-M», «Sineva» e nos complexos de mísseis «Iskander».

NIIFI — o «Instituto de Investigação Científica de Medições Físicas», é uma empresa criadora e desenvolvedora de sensores de pressão absoluta e de excesso, bem como de sensores de deslocamento linear e angular para equipamentos de aviação. Os produtos são utilizados em aviões, helicópteros e protótipos de armamento, em particular nos mísseis balísticos intercontinentais «Bulava», «Topol-M», «Syneva» e nos complexos de mísseis «Iskander». Pertence à corporação estatal russa «Roscosmos». 



A empresa NIIFI em Penza à arder, após o impacto
Fornece sensores de pressão para os motores dos mísseis de cruzeiro Kh-101 e Kh-59M2/Kh-59M2A, bem como sensores e sistemas de medição para os aviões Su-34. Para o Su-57, produz os sensores de pressão absoluta DAV-096, os sistemas de temperatura e refrigeração das rodas SITUOK-01 e os sistemas de controlo dos parâmetros do chassis SKPSh-01. 

NIIFI está sob sanções dos EUA e da Ucrânia. 

Algo está a arder intensamente em Tula, perto do depósito de petróleo junto à estação ferroviária:

Coordenadas: 54.2130916748, 37.63635816243 

Mais uma ponte na autoestrada Mariupol-Donetsk foi às ares: 




Coordenadas: 47,33767258977, 37,53278694875 

Em Belgorod, após o ataque ucraniano, os moradores locais relatam falta de eletricidade e de água. A central termoelétrica de Michurinskaya (50.610917°N, 36.567051°E) foi atingida.


 

Note-se a dimensão real do colapso petrolífero na rússia. Cidade de Chita, cerca de 5.000 km da Ucrânia. Imagens de satélite mostram a fila num posto de abastecimento de combustível nos arredores daquela cidade. 

Coordenadas: 51.906927°113.695212°

Fontes: Grimm IntelExilenova_plus

domingo, abril 19, 2026

O catálogo dos traidores e das traidoras da Ucrânia

O projeto ucraniano Hochu k Svoim é uma plataforma inédita, que permite a troca dos colaboracionistas presos na Ucrânia, pela sua entrega à rússia, na condição de libertação reríproca dos civis ucranianos, detidos nos cativeiros e nas masmorras russas. 

Neste momento a base de dados já conta com 404 perfis de colaboracionistas condenados judicialmente na Ucrânia, que manifestaram, formalmente e por escrito, o seu desejo de serem entregues à rússia numa troca recíproca dos civis entre os dois países. Os perfis dos visados possuem um cronómetro que mostra o tempo que colaboracionista espera para ser trocado e ir para a rússia. 

Neste momento, Rita Kuksa é a que está à espera há menos tempo - 2 meses e 20 dias. Ela forneceu aos ocupantes russos as informações sobre a movimentação, deslocação e localização das tropas ucranianas na cidade de Selidove, na região de Donetsk. Nesta lista Hlib Manakov é um recordista, condenado por transmitir informações aos ocupantes russos sobre a localização de unidades das Forças Armadas da Ucrânia em Lysychansk, ele aguarda para ser deportado para a federação russa já 20 meses e 7 dias. 

As autoridades russas estão perfeitamente cientes do desejo de cada um destes colaboracionistas de ir à rússia. Mas Moscovo não tem pressa em trocar os seus agentes. Agora, descobertos e presos, interessam à rússia meramente como material descartável de propaganda. 

No entanto, este processo não está totalmente parado, até os meados de abril de 2026, os 70 colaboracionistas foram abrangidos pelo programa e foram trocadas com a rússia, no decorrer das habituais trocas dos POW, sob a condição de os civis ucranianos serem libertados do cativeiro russo. Os perfis curtos dos 34 traidores estão disponíveis no site do projeto. 

As culpas dos colaboracionistas obviamente não são iguais. Muitos deles foram detidos pela contrinteligência da secreta ucraniana SBU no decorrer de preparação ou de transporte de explosivos improvisados ou de tentativas, de fogo posto. Outros conseguiram cometer os seus crimes e foram descobertos posteriormente, outros ainda cometeram algum delito menor e se preparavam para algo mais sinistro, algo que envolvia os crimes de sangue. 

Do outro lado estão os ucranianos, que estando na Ucrânia resistiram aos ocupantes russos. Em muitos casos essa resistência era meramente pacífica: colocação de pafletos ou a mera vigilância. Muitos foram mortos nessa atividade, quase todos passaram pelas torturas, humilhações, todos o tipo de tratamento cruel e desumano. Nenhum ucraniano ou ucraniana estivaram presos na rússia ou nos territórios ocupados em condições dignas, iguais aos oferecidas pela Ucrânia, ao abrigo do senso comum e das convenções internacionais. No entanto, Ucrânia faz a questão de cumprir com as suas obrigações, também na esperança de poder salvar ao máximo, daqueles, que arriscaram tudo, para lutar pela Ucrânia livre, nos territórios sob ocupação russa.

Outro elemento importante e também inovador do programa, é a possibilidade, oferecida pela plataforma literalmente chamada «Quero me juntar aos Meus» de aderir à iniciativa no qualquer estágio do seu envolvimento na traição da Ucrânia. 

Por exemplo, uma pessoa está colaborar com serviços secretos russo, mas percebe, pelo meio, que é um caminho ao abismo e que após ser descoberto passará longos períodos da sua vida nas cadeias ucranianas. Pode e deve comunicar AQUI.

O mesmo se aplica aos cidadãos do bem, que não sendo colaboracionistas, simplesmente desconfiam ou sabem de alguém próximo que está a colaborar com o inimigo. Podem e devem escrever AQUI

Mesmo aqueles que não trairam Ucrânia efetivamente, mas que simplesmente não se sentem bem no país, que não possuem as afinidades suficientes com Ucrânia e que sonham de se mover à federação russa também podem aderir ao programa, se mudando para a rússia sem a necessidade de fazer a paragem obrigatória nas cadeias ucranianas. Basta escreverem AQUI. 

Caso contrário, ver-se-ao atrás das grades, condenados pelos demais ucranianos e abandonados pelos seus mentores e curadores russos, que lhes prometem as «montanhas de ouro» pela atividades que objetivamente prejudicam Ucrânia e colocam em perigo as vidas dos ucranianos. 

Visitando os colaboracionistas em casa 

A jornalista ucraniano-afegã, Ramina Eshakzai, visitou a colónia penal ucraniana, onde cumprem as suas pena as colaboracionistas que, no âmbito do projeto «Quero me juntar aos Meus», manifestaram o desejo de regressar à rússia, na condição de combinar com o regresso de cidadãos ucranianos mantidos em masmorras russas. 

Faça click para ver a reportagem no YouTube

A reportagem descreve as condições em que as colaboracionistas cumprem as suas penas, a sua rotina diária, a alimentação e o lazer. A jornalista falou com algumas destas reclusas. 

Quando o mal vence, mesmo que momentaneamente... 

Naturalmente, SBU e GUR MOU não são omnipresentes. O inimigo russo é cruel e engenhoso, os serviços secretos russos, geralmente a GRU, usa não apenas os seus agentes mais ou menos ideologicamente motivados, mas todo o tipo de pessoas vulneráveis: desempregados, toxicodependentes, ludómanos, aqueles que procuram o dinheiro rápido e fácil... 

No dia 18 de abril aconteceu um tirroteio nas ruas de Kyiv. O agressor abriu fogo sobre os transeuntes e, de seguida, entrincheirou-se num supermercado. Seis pessoas morreram e outras 15 ficaram feridas. Entre os feridos está uma criança de 12 anos. O pai e a tia da criança ferida morreram. A sua mãe, inicialmente dada como morta, está viva. Na tarde de 19 de abril, oito vítimas, incluindo uma criança, permaneciam hospitalizadas. As autoridades ucranianas, nomeadamente a secreta SBU, está a investigar o ataque na presunção de se tratar de um atentado terrorista.

Aparentemente o estado da saúde mental do suspeito era claramente instável. Foi relatado que, antes de iniciar o atentado, ele incendiou o seu próprio apartamento.

O terroristo liquidado pela unidade especial KORD


 A arma do terrorista, uma carabina KelTec SUB2000, legal

Após cerca de 40 minutos de negociação, o atirador foi liquidado pela unidade KORD, as forças especiais da polícia nacional da Ucrânia. Os seus motivos ainda são desconhecidos, no decorrer das negociações o terrorista não fez nenhuma exigência. A Procuradoria-Geral da Ucrânia afirmou que o ataque foi cometido por um homem de 58 anos, natural de Moscovo. Segundo apurado pelos meios de comunicação social, o seu nome era Dmitri Vasilchenkov, nasceu em Moscovo, era cidadão da Ucrânia, antes de se mudar para Kyiv, viveu na cidade de Bakhmut, na região de Donetsk.

Neste momento estão sendo apuradas as informações sobre a verdadeira identidade do terrorista abatido. No enntanto os vizinhos dizem que este costumava seguir a retórica pró-russa e evitava comunicar com os moradores do prédio, onde vivia. Sabe-se que atirador mudou-se para Kyiv após o início da guerra na Donbas em 2014. O comportamento que coincide com o perfil de assim chamados agentes/células adormecidos, usados pelos serviços secretos russos desde os tempos da guerra fria. 

Salve a sua vida e entrega-se às FAU: t.me/spasisebyabot

Ligue para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos)

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domingo, abril 12, 2026

As memórias pascoais da Donbas ucraniana por Alexander Chekmenev

O fotógrafo ucraniano Alexander Chekmenev combina as técnicas de encenação e realismo cru, conseguindo uma mensagem emocional penetrante em cada imagem. Realista, ele evita o brilho e os temas modernos, preferindo observar a prosa da vida quotidiana, a vida das pessoas comuns e os vestígios desbotados do passado à nossa volta. 








A minha primeira memória da Páscoa está ligada a algo proibido e à polícia. Estávamos no final da década de 1970 e, talvez, no início dos anos 1980 na minha cidade natal, Luhansk. Desde a noite anterior à Páscoa que a Igreja de São Pedro e São Paulo, no bairro de Kamianobrydsky, estava cercada por um destacamento policial: formavam um círculo fechado e, por alguma razão, só permitiam que os idosos assistissem à missa, mas também ninguém mais se atrevia a ir. Como me explicaram os meus pais, visitar a igreja significava prejudicar a sua carreira profissional: sem nenhuma razão formal era-se imediatamente denunciado ao seu serviço, nalguma comissão sindical. Era o que eu pensava: um homem embriagava-se — o denunciavam-no no serviço; ia à igreja para se arrepender e confessar — também apresentavam queixa contra ele. Então, para onde podia ir um simples trabalhador?









Lembro-me do meu padrinho me dizer: “Perdoa-me, Sasha, nós não fomos à igreja quando foste batizado: a avó Vera, uma vizinha, pegou-te ao colo e levou-te para a Igreja de São Pedro e São Paulo — é a tua madrinha.”

Em meados da década de 1980, já não havia cordões policiais e os casamentos tornaram-se moda — a Perestroika estava em seu pleno vigor. Nessa altura, oito casais casavam ao mesmo tempo, e o padre confundia os nomes e as alianças, e depois da cerimónia, servia champanhe nas taças de casamentos — ali mesmo na igreja, o que me parecia estranho e pouco natural.








Mas eu sinceramente queria confessar-me e fui à mesma Igreja de São Pedro e São Paulo. Enquanto pensava do que exatamente me deveria confessar e se arrepender, o padre acelerou as coisas perguntando: “Estás a assistir a televisão?” — “Estou, claro”, respondi, sem perceber para onde isso me levava, e ouvi então: “Já és um pecador!” Esse foi o fim do meu confessionário.

Já na década de 1990, as garrafas de vodca e as mesas com comidas nos cemitérios pareciam mais naturais e orgânicas — era o domingo de Páscoa, como era costume na nossa Donbas. Lá podia encontrar aqueles que não via um ano inteiro. Todos estavam a fazer os beijos «cruzados» — dando o beijo triplo e oferecendo comida uns aos outros nos túmulos dos seus parentes e antepassados. Alguns embriagavam-se ao ponto de ficarem semi-mortos, para depois, aparentemente, “ressuscitarem” na manhã seguinte.









Fiquei surpreendido quando, ao chegar a Kyiv, decidi tirar fotografias no cemitério no decorrer da Páscoa, tal como fazia na minha terra natal, foi surpreso pela ausência de pessoas naquele dia e naquele local.

Na década de 2000, os padres já se dirigiam às pessoas na televisão com um apelo para que homenageassem os mortos uma semana depois da Páscoa — no decorrer de assim chamado «Monte Vermelho», assim chamavam à semana memorial. As pessoas os ouviram, mas à sua maneira: começaram a ir aos cemitérios tanto na Páscoa, como aos semana seguinte, chamada também de Hrobký, literalmente «os túmulos». Ali, no cemitério, todos se encontravam e ainda se encontram — enquanto ainda estão nesta vida e, talvez, na outra.

Fotos e texto: Alexander ChekmenevLuhansk, 1998.