quinta-feira, maio 19, 2016

A grande fome russa e ajuda anglo-americana

95 anos atrás, em 1921, a Rússia bolchevique foi atingida pela fome de grandes proporções, de maior relevo na região de Volga. O epicentro da fome estava na cidade de Buzuluk que recebeu o grosso modo da ajuda estrangeira – principalmente dos quakers britânicos e americanos. Ao pedido e com a permissão das autirdades soviéticas, eles começaram o programa, de larga escala, de fornecimento dos alimentos às populações carenciadas da cidade e das outras localidades do distrito de Buzuluk.

Entre os funcionários da missão britânica estavam dois irmãos: Richard e Ernest Kilbey. Richard tinha cerca de 20 anos de idade, apesar de os quakers serem pacifistas e recusarem servir no exército, ele participou na I G.M. como paramédico. Além disso, Richard tinha uma queda para o desenho. Nos seus tempos livres ele desenhava a cidade de Buzuluk, os seus moradores e os funcionários da missão anglo-americana que alimentavam os famintos...
O jornal oficial soviético, Izvestiya, na sua edição № 107 de 15 de maio de 1922 citava o discurso do camarada Mikhail Kalinin que este preferiu na III sessão do Comité Central Executivo da Rússia (VTsIK): A ajuda mais notável é ajuda das organizações estrangeiras. Eu tenho os números relativos aos primeiros dias de maio. ARA alimenta 5.643.387 pessoas. Os quakers britânicos alimentam 265.600 pessoas. [...] No total, as organizações estrangeiras alimentam 6.549.282 pessoas”.

Na década de 1930, estes números foram esquecidos, a ajuda dos estrangeiros na luta contra a fome minimizada, diversos cidadãos soviéticos que trabalharam para ARA (120.000 no total) foram chamados de “agentes estrangeiros”, muitos deles passaram pelas cadeias ou morreram no GULAG.
No entanto, a memória das boas ações perdura. Estão vivos aqueles que sobreviveram graças à ajuda anglo-americana (na auge da sua missão ARA alimentava 10,5 milhões de russos diariamente). Estão vivos os seus filhos e netos. Ficaram para a história os desenhos simples do Richard Kilbey. As pessoas não esquecem a bondade, mesmo se essas memórias novamente não estão na moda (por Boris Grebenshikov).

Ver o álbum com 73 pinturas e desenhos do Richard Kilbey:
Blogueiro: a consequência direta das políticas bolcheviques, nomeadamente a política de comunismo de guerra, a fome russa de 1921, estendeu-se às outras regiões recém-ocupadas pela Rússia Socialista (à Ucrânia, ao atual Cazaquistão) e perdurou até 1923. As operações da ARA foram encerradas em 15 de junho de 1923 quando se descobriu que a Rússia Soviética voltou, secretamente, à exportação de cereais, apesar de fome de 1921 ceifar a vida entre 5 à 6 milhões de pessoas.
"AJUDEM NÓS NA DESGRAÇA!"
Como testemunham os documentos de arquivo, por exemplo, os cartões semelhantes ao da fotografia, as pessoas que viviam na Ucrânia Soviética também recebiam a ajuda americana. Bastava preencher o cartão emitido pela ARA em inglês e russo, colocando nele a sua identificação e o endereço. O cartão na imagem que foi comprado recentemente no ebay por cerca de 10 dólares, foi preenchido pelo cidadão ucraniano de origem judaica, Kalman-Wolf Hatskelev Minkes, morador na cidade de Odessa. Não se conhece a sua vida posterior. Não se sabe se ele consegiu escapar a fúria soviética de luta contra os “espiões ocidentais”. Nem tão pouco se sobreviveu a “solução final” nazi...
   
As vitórias quase diárias das “dnr” e “lnr”
A “dnr” celebra a sua vitória contra os mormones. A “jovem república” expropriou o local de culto da comunidade mormon de Donetsk e o transformou, com a pompa e circunstância, em “conservatório de registos civis”. Na “inauguração” estava presente o ex-deputado do parlamento da Ucrânia, eleito pelo partido comunista e a “ministra da justiça” da dita “dnr” que ofereceu ao “conservatório” uma impressora. O edifício também recebeu a benção da igreja ortodoxa russa, na sua versão moderna de “expropriar aos expropriadores com a benção da IOR”. O antigo edifício do Conservatório continua em seu estado de degradação crítica. Mas a jovem repúblicacaminha de vitória à vitória” (fonte).
É de recordar que essa não foi a primeira vitória dos fundamentalistas ortodoxos das ditas “dnr/lnr” sobre os protestantes. Em 2015, na cidade de Krasny Luch (região de Luhansk) os “cossacos” destruíram, vandalizaram e roubaram uma igreja protestante local. Os representantes do “mundo russo” arrancaram tudo que o local tinha de valor: lavabos, portas, janelas, prateleiras dos livros e até os vasos sanitários. Os livros do Novo Testamento foram usadas por eles para fazer a lareira em que preparavam a sua comida (Sic!).

2 comentários:

Anónimo disse...

Nos confirme se a cidade de Dnipropetrovsk mudara mesmo de nome!

Jest nas Wielu disse...

Sim, é oficial, a cidade se chama Dnipro.