segunda-feira, julho 30, 2012

Kyiv pede nova Revolução


Cerca de 5.000 ucranianos cortaram a rua Hrushevsky em frente do Parlamento da Ucrânia, para defender a língua ucraniana.
Os ativistas da oposição cortaram o trânsito em frente do Parlamento, ao lado do murro metálico que separa o Parlamento do seu povo. Do outro lado do murro estão várias unidades da polícia de choque.
Os ativistas seguram as bandeiras da Ucrânia, bandeiras da Oposição Unida e gritam as palavras de ordem: “Fora com os bandidos! Unidos pela língua” e “Revolução!”  

domingo, julho 29, 2012

Kolkhoze dos Animais em ucraniano


A tradução ucraniana do romance “A Revolução dos Bichos” (“A Quinta dos Animais”) foi a primeira tradução estrangeira do clássico do George Orwell, Animal Farm.

por: Bohdan Tsiupyn, serviço ucraniano da BBC

Homem de esquerda, George Orwell, conheceu o estalinismo soviético durante a Guerra civil da Espanha. Desde aquela data, ele se tornou o crítico mais feroz do totalitarismo comunista, conhecido sobretudo pelas suas distopias “1984” e “Quinta dos Animais”.

Em 1947, ao pedido dos refugiados ucranianos, George Orwell deu a sua autorização para a tradução, prescindiu dos honorários e até suportou financeiramente a edição ucraniana. O tradutor ucraniano, Ihor Shevchenko (mais tarde se tornou o professor em Harvard), que na altura usava o pseudónimo Ivan Chernyatynskiy, optou pela palavra kolkhoze, para melhor situar os seus leitores contemporâneos.         

Desta maneira, a tradução ucraniana foi a primeira tradução estrangeira do clássico do George Orwell. Os estudiosos da herança literária do Orwell, consideram que um dos heróis do livro, farmeiro Jones recebeu este nome em memória do jornalista britânico, Gareth Jones, que teve a coragem de denunciar publicamente Holodomor ucraniano e que foi assassinado em circunstâncias que apontam a “mão invisível” do regime soviético.

George Orwell escreveu pessoalmente o prefácio para a edição ucraniana: “… para que as pessoas no Ocidente vejam o regime soviético tal como este é… Em geral, os operários e os intelectuais no país como a Inglaterra não entendem que URSS hoje é completamente diferente do de 1917, parcialmente porquê não querem entender isso (ou seja, porquê querem acreditar, que um país socialista realmente existe algures”)

O escritor também era um crítico frontal do sistema social capitalista, ele criticava os privilégios da elite britânica, mas reconhecia: “é um país onde as pessoas já vivem centenas de anos juntos e não conhecem a guerra civil, onde as leis são razoavelmente justos, onde é possível, em geral, acreditar nas notícias e na estatística, e onde, finalmente, ter as opiniões oposicionistas e os preferir publicamente não está ligado ao perigo”.

Perigos da edição ucraniana

A edição ucraniana de 5.000 exemplares foi publicada em agosto de 1947 pela casa editorial “Prometey” na Alemanha. A administração militar americana tentou confiscar a edição, a considerando como propaganda. Uma parte dos livros apreendidos foi entregue às autoridades militares soviéticas, que presumivelmente destruíram os livros. Outra parte foi salva e usada na leitura das crianças ucranianas na escola no campo de refugiados políticos em Heidenau e outros campos dos DP’s ucranianos. Em breve, os livros, juntamente com os seus donos ucranianos viajaram por este mundo fora…

Hoje, um dos exemplares do livro está guardado na Biblioteca Britânica em Londres, que possui uma das maiores coleções dos livros ucranianos do mundo.

Fonte:

sábado, julho 28, 2012

Fabio Capello: Lobanovskiy é ucraniano!


Na entrevista ao jornal desportivo russo, Sport-express, o novo selecionador nacional da seleção russa de futebol, Fabio Capello, falou sobre a lenda do futebol ucraniano, Valeriy Lobanovskiy.

– Na Rússia, presume-se que você – até um certo ponto é discípulo do Lobanovskiy. Os nossos jornalistas gostam de contar como você, ainda não como técnico, mas como gestor do Milano assistia as suas palestras em Coverciano e cuidadosamente apontava os no caderno. Você realmente considera o nosso treinador como seu professor?
– Mas será que ele é vosso? Ele é ucraniano.

sexta-feira, julho 27, 2012

Viva Belarus livre!


No dia 27 de julho de 1990, o Conselho Supremo da República de Belarus votou favoravelmente a Declaração da Soberania estatal do país. Felicitamos todos os belarusos pelo feriado nacional. Viva Belarus livre!

quinta-feira, julho 26, 2012

Espírito da Belarus livre em Londres


A delegação da Belarus que chegou em Londres transformou os seus fatos em cores da bandeira da Belarus independente, proibida e perseguida pelo regime do presidente Lukashenka.

Os seus fatos foram pensados em cores brancos-vermelhos-verdes. No entanto, a inteira delegação se recusou a colocar as gravatas verdes, se apresentando em cores de oposição, branca e vermelha, escreve Narodna Volya

terça-feira, julho 24, 2012

Morreu Bohdan Stupka


Morreu um dos maiores actores ucranianos de sua geração, Bohdan Stupka, que teve mais de 100 papeis no cinema e 50 no teatro, encarando personagens históricas tão diversas como Ostap Vyshnya, Boris Godunov, Bohdan Khmelnytsky ou Gengis Khan.
No seu primeiro papel no cinema, no clássico ucraniano Pássaro Branco com a Marca Negra, Stupka recriou a personagem do Orest Zvonar, o jovem – guerrilheiro do Exército Insurgente Ucraniano (UPA).
Já bastante doente, estando internado no hospital de Feofánia, Bohdan Stupka assinou a carta dirigida ao presidente ucraniano, Viktor Yanukovych, com a crítica severa da lei № 9073, que divide a Ucrânia na base linguística. Mesmo sabendo que isso poderia prejudicar a sua carreira ou o estatuto do seu teatro.
Actor foi sepultado em Kyiv, no cemitério Baykove.
Ver a versão integral do filme Pássaro Branco com a Marca Negra, 92’50’’

segunda-feira, julho 23, 2012

Ucrânia nos JO de Londres


Nos JO de Londres 2012, Ucrânia será representada pela delegação de 245 atletas, competindo em 28 modalidades diferentes.

A maioria representa o atletismo – 78 desportistas, 24 estão no remo, 14 na natação, 10 no judo e na luta livre. Nos jogos anteriores, Ucrânia enviou 230 desportistas para Atlanta (1996); Sidnei (2000) – 231; Atenas (2004) – 245 e Pequim (2008) – 254.

A lista dos desportistas foi divulgada pelo presidente do Comité Olímpico da Ucrânia, lendário Serhiy Bubka. Ao mesmo tempo, foram apresentados as vestes oficiais da delegação ucraniana. Os blogueiros ucranianos odiaram o estilo e as cores dos fatos não desportivos, pondo em questão a “criatividade”, interrogando-se o que “bebem, fumam ou consomem” os seus autores.

quinta-feira, julho 19, 2012

Estônia: massacre comunista de Pirita – Kose


A ocupação soviética da Estónia deixou várias marcas sangrentas no tecido social do país. Uma delas é o massacre de Pirita-Kose, localidade onde funcionava o Tribunal de Guerra do Distrito Báltico do NKVD. Entre as suas vítimas estavam civis, políticos, funcionários públicos, veteranos da guerra de Independência. Todos eles foram perseguidos ao abrigo do Código Criminal da República Federativa Socialista Soviética da Rússia, de 1926, que interpretava como “atividades contra-revolucionárias” as tarefas dos funcionários públicos no estabelecimento e na proteção do seu próprio país.

O edifício usado pelo NKVD em Pirita-Kose pertencia anteriormente ao banqueiro Klaus Scheel e foi nacionalizado, juntamente com todo o seu património, em 1940. Em 1941, aqui decorreram as seções secretas do Tribunal Militar do NKVD. Após receberem a sentença da morte, as vítimas eram executadas no mesmo local e enterrados na cave do edifício ou no jardim. Os familiares das vítimas não recebiam as informações sobre o local da detenção dos seus parentes, nem do local da sua morte.

As actividades do tribunal do NKVD e o destino dos detidos eram desconhecidos até outubro de 1941, quando uma vala comum com 9 corpos foi descoberta sob o chão no armazém de coches. As mãos dos executados estavam amarradas atrás das costas com uma corda. Em novembro do mesmo ano outra vala comum com 15 corpos foi descoberta no jardim. As suas mãos também estavam amarradas atrás das costas, as bocas tapadas e cobertas por ligaduras amarradas nas nucas. Também em novembro, em um dos edifícios da propriedade foram descobertos mais 16 corpos, cujo estado avançado de decomposição dificultou a sua identificação. Dos 40 corpos achados em 1941, apenas 11 foram identificados, entre eles o do tenente-coronel Oskar Luiga, oficial do exército, que na guerra de independência era comandante de um comboio blindado.

Em maio de 1942, sob o chão cimentado de um dos edifícios da propriedade, foram descobertos 38 corpos das pessoas, que foram executados em abril de 1941, 23 deles foram identificados. No total, em 1941-42, 78 pessoas executadas foram descobertas na propriedade, 34 foram identificadas. A identificação também foi dificultada pelo facto, do que muitos dos parentes dos executados, foram deportados da Estónia e não podiam participar na identificação dos corpos.

Durante o novo período da ocupação soviética de 1944 – 1991, o território da propriedade em Pirita-Kose pertenceu ao exército soviético e todos os dados de arquivo, relativos aos executados permaneciam secretos. A procuradoria da Estónia Soviética não investigou o massacre até a década de 1990. Em 1989 o jornalista Mart Laar publicou no diário “Pilk” o artigo chamado “Massacre em Tallinn-Kose em 1941”. O facto forçou o KGB da Estónia admitir em janeiro de 1990, pela primeira vez, que os massacres tiveram o lugar, que o Tribunal Militar do NKVD e a cadeia de investigação funcionaram na propriedade.

Com ajuda das testemunhas, os nomes da 31 vítima das 38 descobertas foram identificados. Arquivos ajudaram a determinar que eles foram executados em três dias separados, 5, 23 e 24 de abril de 1941. Entre eles os oficiais da polícia da Estónia:

Helmut Veem, Aleksander Läve, Hans Pipar, Heinrich Siirma, Paul Malsvell, Eno Tamar, Hans Koitorg, Julius Palm, Paul Savilind, Märt Maavere, Hugo Pobul e Aleksander Lillimägi.

De acordo com NKVD, o seu principal “crime” foi a detenção do Viktor Kingissepp e Jaan Kreuks – dois líderes da clandestinidade comunista que preparavam o golpe de estado, organizado pelo GRU e derrotado em 1924. Entre os executados pelo NKVD estavam vários agentes dos serviços secretos da Estónia e ex-membro do CC do Partido Comunista, Johannes Linkhorst (Nõmmik), cujo testemunho ajudou a derrotar a junta comunista.

Em maio – junho de 1941 na propriedade foram executados os oficiais do serviço secreto da Estónia, Vello Juurvee, Rudolf Ramla, Andres Puri, Albert Huik e Henn Puusepp. O assistente político da polícia de Narva, Vello Juurvee, oficialmente “estava desaparecido” desde 18 de novembro de 1940, o seu corpo foi encontrado em novembro de 1941. O tribunal continuou a funcionar e os massacres persistiam mesmo após o início da guerra entre Alemanha nazi e a URSS.

O destino exato de muitos oficiais e funcionários dos Serviços Secretos da Estónia é desconhecido até hoje. É bem provável que muitos deles foram executados pelo NKVD em 1941 em Pirita-Kose e sepultados nos locais secretos. Até hoje se desconhecem onde foram sepultados os ex-chefes do Estado, Jaan Tõnisson e Friedrich Akel. Possivelmente, eles também foram executados naquela propriedade.

Os corpos descobertos em Pirita-Kose foram sepultados no cemitério Liiv em Tallinn. Hoje, o cemitério abriga o memorial das vítimas do Terror Vermelho. O assassinato coletivo de Pirita-Kose foi o massacre comunista mais sangrento na história da Estónia. Como tal, deve ser preservado na nossa memória coletiva.

Fonte:
Relatório Anual dos Serviços Secretos da Estónia de 2011

quarta-feira, julho 18, 2012

Maior tirolesa ucraniana é aberta em Kyiv


Na cidade de Kyiv, sob o rio Dnipro, foi inaugurada a maior tirolesa do país, que liga a Arca de Amizade dos Povos (perto da praça da Europa) com a ilha Trukhaniv.

O trajeto acompanha a Ponte pedestre e tem a extensão de cerca de 600 metros. Neste momento a tirolesa tem duas cordas, cada uma preparada para aguentar com o peso de até 2,5 toneladas. No futuro, serão substituídas pela corda que aguenta até 12 toneladas. A velocidade da descida é de cerca de 60 km/h, o trajeto é percorrido em 40-60 segundos.

Os instrutores acompanham os utentes no início e no fim da tirolesa, o preço da descida é de 200 UAH (25 USD).   

Fotos (11)@ Yaroslav Debeliy

domingo, julho 15, 2012

Bjørnstjerne Bjørnson amigo norueguês da Ucrânia


Ainda existe na Europa o povo que conta com mais de trinta milhões de habitantes, e à quem, sob o pretexto da necessidade estatal, retiram a língua… O direito sagrado da separação nacional é a base primordial para a paz”.

por: Ihor Derevyaniy *

Assim escrevia Børnstjerne Bjørnson  (1832-1910), o poeta norueguês, prémio Nobel da Literatura de 1903, ativista da luta de libertação da Noruega, autor do seu hino nacional “Sim, nos amamos essa terra” (Ja vi elsker dette Landet, 1859) e criador da Noruega moderna.

Após a proclamação da independência da Noruega em 1905, Bjørnstjerne Bjørnson se tornou a autoridade política e motor dos processos político-sociais do reino, arbitro no diálogo entre os cidadãos e o poder, verdadeiro líder e a face da Nação.

Sentindo a drama do seu próprio povo que durante 400 anos vivia sob a ocupação estrangeira, poeta declarava que “via os camponeses noruegueses como vikings das sagas e os vikings das sagas como camponeses noruegueses”. Este sentimento nobre permitia ao Bjørnstjerne Bjørnson entender a tragédia dos outros povos que sofriam com ausência do seu próprio Estado.

Bjørnson conheceu a questão ucraniana em 1904, através do Roman Sembratovych, o editor da revista “Ruthenische Revue”, publicada em Viena nos anos 1903-1905. Sembratovych distribuía a revista gratuitamente entre a imprensa europeia, estadistas e políticos da Europa Ocidental.

Pela primeira vez o poeta escreveu sobre Ucrânia em 1906, nas páginas do semanário “Le Courrier Europeen”, fundado por ele em Paris. Autor criticou as repressões russas e polacas contra os direitos culturais dos ucranianos:

Ainda existe na Europa o povo que conta com mais de trinta milhões de habitantes, e à quem, sob o pretexto da necessidade estatal, retiram a língua e a nacionalidade, o perseguem e humilham com diversos meios.

Onde estão os cristãos moscovitas e polacos? Eles deveriam criar uma comunidade de justiça e de misericórdia.

O direito sagrado da separação nacional é a base primordial para a paz. Será que Rússia se tornará mais poderosa mantendo em cativeiro e explorando todo o povo? Será que os polacos austríacos poderão melhor defender a sua nacionalidade entre os povos diversos, ao mesmo tempo perseguindo quatro milhões de ucranianos?”.

Bjørnstjerne Bjørnson difundia e estudava a história e a cultura ucranianas, protestava contra as repressões do czarismo russo, criticava a política polaca, principalmente nas páginas da revista “Ukrainishe Rundschau”, editada em Viena desde 1906 pelo Volodymyr Kushnir. Em março de 1907 revista publica o artigo do Bjørnson, “Polacos-Opressores”, dedicada aos aspetos económicos e culturais da vida dos ucranianos no império Austro-Húngaro. O artigo também foi publicado na revista austríaca “Die Zeit” e parisiense “Le Courrier Europeen”, na Galiza ucraniana foi largamente citado no jornal “Dilo”.

Os polacos famosos, compositor Ignacy Jan Paderewski e escritor Henryk Sienkiewic, responderam ao Bjørnson nas páginas do “Die Zeit”. Ambos defendiam a tese do “atraso” do povo ucraniano, que “vive apenas com as tradições nacionais e não criou os intelectuais e a elite social e política”. Por isso os polacos eram “obrigados” a servir de elite para os ucranianos, pelo bem dos interesses estatais.

A posição ucraniana foi defendida pelo poeta ucraniano Ivan Franko, que escreveu o ensaio “Drei Reisen im Kampfe um einen Zwerg”, publicado no “Dei Zeit” em 29 de junho de 1907, cuja versão ucraniana “Três gigantes lutando por um anão”, foi publicada no jornal “Dilo” em 2-3 de julho de 1907.

Ainda em janeiro de 1907, Bjørnstjerne Bjørnson, sabia da greve de fome dos estudantes ucranianos de Lviv, que exigiam o direito de estudar em língua ucraniana (desde 1871 existia o decreto do imperador austríaco sobre o bilinguismo na Universidade de Lviv, que na prática dava as preferências aos estudantes polacos, aumentando o clima de tensão entre os polacos e ucranianos). O poeta norueguês ficou indignado quando soube que polícia deteve os ucranianos pela defesa do seu direito natural e protestou nas páginas da imprensa europeia. O escândalo foi repercutido na Europa de tal maneira, que os estudantes foram libertados. Eles, ainda estando nas cadeias, enviaram ao Bjørnson a carta de agradecimentos pela sua ajuda e solidariedade.

Até a sua morte em 1910, Bjørnstjerne Bjørnson ativamente defendia os direitos dos ucranianos, recebendo meritoriamente o título informal de “amigo dos ucranianos”.

* historiador, funcionário científico do Museu Memorial Nacional “Cadeia na Lonckoho”

Fonte:
http://www.istpravda.com.ua/articles/2012/07/4/89533

sexta-feira, julho 13, 2012

Liberdade de imprensa em perigo na Ucrânia


Uma das últimas televisões independentes ucranianas TVi, no dia 12 de julho foi o alvo de uma rusga efetuada por cinco inspetores das finanças, que pretendiam apreender e copiar a documentação financeira e econômica dos 4 anos anteriores.

Na Ucrânia, a inspeção de finanças é constantemente usada para silenciar e perseguir a imprensa livre ou o tecido empresarial que ousasse discordar do regime vigente.

As Finanças abriram o processo - crime contra o diretor – geral da TVi, Mykola Kniazhytsky, chegando a exigir no hospital do domicílio o seu dossier médico, procedimento absolutamente descabido e ilegal.

O vice-diretor da TVi, responsável pelas questões jurídicas, Oleh Radchenko, explicou que as Finanças alegam a fraude fiscal. Em 2011 eles auditaram as contas da TVi e não acharam violações da Lei. Em 2012 encontraram alegadas violações, mas a TVi ganhou o caso no Tribunal administrativo, provando a sua inocência. No entanto, em julho, foi aberto um novo caso contra a TVi, baseado nas mesmas acusações do passado, informa a agência UNIAN.

Ver os acontecimentos em direto pela TVi Live

quinta-feira, julho 12, 2012

Ucrânia resiste até o fim!


Uma das jovens, que está em greve de fome pela defesa da língua ucraniana, Anna Yuschenko (20 anos, sem relação com ex-presidente), hoje foi levada de emergência para o hospital.

Anna, que já 5 dias está em greve de fome nas escadas da Casa Ucraniana em Kyiv, se sentia mal, estava mal disposta e tinha dificuldade de andar. Por isso os companheiros decidiram solicitar a ambulância do serviço de emergências que a levou para hospital. Existe a informação que a jovem chegou a desmaiar, escreve Verdade Ucraniana.
Kateryna Avramchuk
UPD: Existe a informação que no hospital Anna recebeu a intimação policial e que a polícia tentou a interrogar. Estes animais ao serviço do governo de ocupação já estão ultrapassar todos os limites de decência. Hoje também foi hospitalizada outra grevista, Kateryna Avramchuk (20 anos) e o líder dos grevistas Anatoliy Pikul (problemas cardíacos).

terça-feira, julho 10, 2012

A crucificada musa da Ucrânia


O Holodomor não foi a única tragédia ucraniana. A segunda maior tragédia é o extermínio da elite da nação. Se tudo terminaria apenas com o Holodomor, hoje teríamos uma outra Ucrânia.


Na antologia de dois volumes “Musa Crucificada”, dedicada à obra dos poetas ucranianos que morreram vítimas de violência, é reunido o espólio literário de 322 autores. É um terrível martirólogo da cultura ucraniana. A enorme tragédia que o povo ucraniano sofreu durante os anos da ocupação bolchevique até agora não foi verdadeiramente refletida pela sociedade.

Ao Thyl Ulenspiegel as cinzas do seu pai, Klaas, batiam no peito. Cada ucraniano consciente deve sentir as mesmas cinzas dos milhões de vítimas inocentes. Estas cinzas clamam pela justiça, pedem o novo processo de Nuremberga, requerem que todos os carrascos sejam chamados pelos seus nomes.

Se compararmos os regimes do Hitler e do Estaline, notaremos que Estaline matava, não deixava ninguém a sair (do país) e ainda exortava os emigrantes a voltarem à “Pátria”. Apenas para depois matar todos estes retornados. Estaline matava quer lhe cantavam as hossanas, quer o amaldiçoavam. Quase todos os executados se revelaram como os verdadeiros patriotas do estado soviético. Mas isso não os salvou.

Durante o terror estalinista foi exterminado cerca de 90% de todos os escritores ucranianos, pintores, cientistas, sem falar dos professores, intelectuais urbanos e do campo. Uma pequena pitada ficou em liberdade, outros, que tiveram a sorte de sobreviverem os campos de concentração soviéticos, mais tarde fugiram para o Ocidente. Outros, saindo do GULAG já depois da II G.M., na sua maioria, ficaram calados e nunca mais voltaram à literatura. Existiram ainda os que evitaram as repressões, preferindo se esconder. Poeta Serhiy Kushnirenko (1913 – 1984), amigo da poetisa Olena Teliha, não morreu no grupo expedicionário da OUN, como se diz nas enciclopédias. Desde 1946 ele, juntamente com a família, viveu no interior da província ucraniana de Rivne. Conseguiu mudar os documentos, queimou o seu passaporte antigo, todas as fotografias, cartas e até a sua própria coletânea poética. Cortou todos os relacionamentos com os amigos da juventude. Sendo poliglota, escrevia na biografia que apenas fez o ensino primário. Trabalhou como contabilista, lojista, operário da fábrica de tijolos… Nunca mais publicou nada. Apenas 16 anos após a morte, a filha e neta descobriram os seus manuscritos poéticos, escondidos no sótão da casa.

Dmytro Heródoto (apelido de nascença Ivashyna) nasceu em 1892. Publicava a poesia e folhetins satíricos. Fugindo do terror bolchevique, desde 1920 vivia na Roménia, colaborava com o governo ucraniano no exílio, escrevia para o jornal ucraniano parisiense “Tryzub”. O seu destino desde 1939 é desconhecido. Na realidade, continuou a viver na Roménia, evitando a prisão mudou de nome, aparência, deixou crescer a barba. Passou por diversos empregos, o mais estável foi o caixa numa farmácia. Clandestinamente visitava a família, morreu em 1975.

As estórias como estas são muitas. O terror comunista não se limitava ao extermínio físico, pretendia dominar a esfera espiritual.

A estatística? É bastante esclarecedora. O regime czarista russo perseguiu até a morte apenas um poeta – Taras Shevchenko. Durante a vigência do estado ucraniano dos anos 1917 – 1920, os seguidores do hétman Pavló Skoropadski executaram dois, os monarquistas russos – quatro e a República Popular de Ucrânia fuzilou um poeta. Pela colaboração com as autoridades coloniais polacas a OUN executou o poeta Sydir Tverdohlib em 1922. A polícia polaca matou dois poetas.

Entre 1918 e 1936 foram assassinados e morreram nos campos de concentração soviéticos 36 poetas, em 1938-39 – 37, em 1941-45 – 62. Após a II G.M., morreram no GULAG outros oito. O último poeta ucraniano a morrer foi Mykola Sytnyk. Em 1959 ele foi executado por agente do KGB em Chicago.

Durante quatro anos da ocupação nazi foram assassinados 26 poetas ucranianos. Durante mesmos quatro anos a União Soviética matou dobro, no único 1937 – quadruplo. Estamos a falar apenas dos poetas, sem mencionar os prosaicos, dramaturgos, críticos literários, tradutores… Lá, no céu, estão a brilhar nas estralas as suas almas que ficam perplexas: Lenine e Estaline até agora estão vivos! Parece que o nosso povo está condenado ao purgatório. Onde o mais próximo é o inferno, muito mais do que o céu.

Fonte:

segunda-feira, julho 09, 2012

Polonização que fez mal a saúde


A língua ucraniana sobreviveu várias perseguições e proibições, mas isso não impedia os ucranianos a desenvolver o seu idioma e até responder aos perseguidores de maneira adequada. Um destes casos se deu em 1926 na Polônia.

por: Svyatoslav Lypovetskiy *

Em abril de 1924 o governo polaco criou a comissão que deveria produzir o anteprojeto da reforma educativa escolar. O clima do secretismo no funcionamento da comissão e a adoção não transparente das “leis domésticas” levaram às manifestações de protesto, desagradando várias comunidades, ucraniana, judaica, alemã.

A nova lei, patrocinada pelo ministro de educação, Stanislaw Grabski, e que recebeu o nome popular “Lex Grabski”, começou a ofensiva total contra as línguas nacionais, lecionadas nas escolas populares e estatais. A polonização do sistema escolar ucraniano na Galiza Oriental era supervisionada pela Curadoria da Circunscrição Escolar de Lviv, que se estendia até as cidades de Ternopil e Stanislaviv (hoje Ivano – Frankivsk) e era chefiada pelo Stanislaw Sobinski.

Desde o dia 1 de março de 1924, a língua ucraniana foi retirada do uso interno e externo de todos os ginásios e escolas profissionais, a lei impunha o uso obrigatório de termos “ruski” ou “rusinski” (ruteno) em relação aos ucranianos. A historiadora polaca, Miroslawa Papierzynska-Turek (Cerkiew1938), apresenta a tabela da diminuição drástica das escolas públicas ucranianas na Polônia, entre os anos 1922 e 1926:

Resposta ucraniana

No dia 19 de outubro de 1926 em Lviv com um único tiro foi executado o curador escolar Stanislaw Sobinski. Sem testemunhas, a peritagem policial apenas constatou que os executores eram bons desportistas, pois “durante a fuga eles faziam os passos muito largos”. A polícia polaca não tinha a versão dos acontecimentos, balançando entre a vingança privada de algum professor maltratado pelo Sobinski e ação dos nacionalistas ucranianos.

Na cerimónia do enterro estava presente o ministro do interior da Polônia, general Slawoj Skladowski, que ficou descontente com o desempenho da polícia criminal polaca. Pela informação sobre os executantes foi anunciada a recompensa de 1000 zloty, sem nenhum efeito.

Os executores

O jornal da Organização Militar Ucraniana (UVO), “Surma”, publicou em janeiro de 1927 o artigo intitulado “Novo tiro – sobre o assassinato do curador Stanislaw Sobinski em Lviv”. Embora o artigo não dizia diretamente que o atentado foi realizado pela ordem da UVO, o artigo afirmava que o tiro foi dado pela “mão firme do membro da Organização Militar Ucraniana”.

O atentado mostrou aos polacos, que no povo ucraniano existe a força que consegue responder à qualquer violência, que entre o povo ucraniano há um grupo de combate que tinha e tem a força moral de ordenar aos seus membros ir para um caso destes, e tem os membros que decidem ir até arriscando a morte certa”.

O grupo que recebeu a ordem de executar Sobinski era comandado pelo Petró Saykevych, os executores escolhidos eram jovens Roman Shukhevych (16) e Bohdan Pidhayniy (17). No verão de 1926 eles receberam duas pistolas e a ordem de preparar a ação. Primeiro, planeava-se executar Sobinski no seu escritório, mas a retirada dos guarda-costas do curador facilitou a tarefa da UVO.

Vestidos com as roupas da 2ª mão, jovens esperaram por sinal dos companheiros que vigiavam o curador. Foi dado apenas um tiro porquê a pistola do Roman Shukhevych falhou.           

Caça aos ucranianos

Ainda na noite do atentado, a polícia e os agentes à paisana cercaram a Casa Académica, Seminário Espiritual e a Casa dos Inválidos Ucranianos. Os agentes detinham e verificavam os alibis dos ucranianos “politicamente suspeitos”, revistavam os quartos.

Após a publicação da “Surma”, a polícia se dedicou aos militantes da UVO. A polícia prendeu Vasyl Atamanchuk e Ivan Verbytskiy, que no final foram acusados de assassinar o curador. A polícia e o sistema judicial polaco falsificaram o caso, arranjando a “testemunha”, o motorista de táxi que alegadamente levou os executores até o local do atentado. Em 1929, o tribunal de jurados de Lviv deliberou a pena capital para Verbytskiy e 10 anos para Atamanchuk. Mais tarde, Verbytskiy viu a sua pena ser “abrandada” até 15 anos de cadeia. Ambos cumpriram as penas de uma maneira muito digna.

O processo falsificado originou uma onde de indignação não apenas na Galiza, mas também na emigração ucraniana nos EUA e no Canadá. A liderança da UVO ponderava a possibilidade de colocar Shukhevych e Pidhayniy em um país sem o acordo de extradição com Polônia, onde os jovens deveriam assumir o atentado. Para este fim, em 1927, eles receberam a ordem de escrever o memorando sobre a sua participação no atentado. O plano não foi realizado, embora ficou registado o pedido do Roman Shukhevych ao comando da UVO para divulgar o seu nome como o verdadeiro autor do atentado.

O caso foi apenas um pequeno ato na luta pela sobrevivência dos ucranianos, na defesa da língua ucraniana.            

* publicista, Ternopil

Fonte:
http://www.istpravda.com.ua/articles/2012/07/6/89562