domingo, março 26, 2023

O espião russo que desapareceu no Brasil

O FBI indicou Sergey Cherkasov, o ilegal russo que foi identificado anteriormente como espião do GRU. No entanto, a acusação contém uma nova prova dessa afiliação que o FBI parece ter perdido. A pista está no número do passaporte que Cherkasov usou para entrar no Brasil em 2011, escreve o investigador Christo Grozev.

Esse número de passaporte não é aleatório. Faz parte de uma série de números de passaporte reservados aos espiões do GRU. Na verdade, faz parte do primeiro lote de números desse tipo, emitido para muitos espiões do GRU em 2009. A cada dois anos, o GRU emite a seus espiões novos passaportes de uma nova série.

Usuários notáveis de passaportes deste mesmo lote — cujos números diferem apenas nos últimos dois ou três dígitos, incluem a infame dupla de Salisbury — Boshirov e Petrov (*96 e *92 contra o *56 de Cherkasov), e seu chefe Averyanov (*21 contra * 56).

Ou seja, um operativo do GRU entrou no Brasil, pela segunda vez, em 16 de Abril de 2011 e nunca mais saiu do Brasil, pelo menos via um posto fronteiriço oficial. Pode ser que ainda esteja no Brasil ou, mais provável, já saiu do país, por exemplo, adquirindo a identidade brasileira falsa, possivelmente «Victor Ferreira».

Essa idiotice do GRU permitiu identificar centenas de espiões do GRU — incluindo envenenadores, sabotadores e ilegais adormecidos como «Maria Adela» ou Olga Kolobova

O projecto documental «Ucrânia: a última guerra»

O projeto Ukraine: Last War é uma série de documentários em grande escala sobre o neofascismo russo, sobre a última guerra do vil império e sobre o incrível heroísmo do povo da Ucrânia.

Projeto realmente precisa do seu apoio. Milhões devem saber a verdade sobre a guerra:

Petróleo, guita, Novo Messias

Dugin, antiga rússia

Propaganda, mercenários

«A Ucrânia não existe mais»

guerra-Z, mísseis, bombas

Tanques, tortura, hecatombes

Mandado, advogado, inquérição

Raiva, aborrecimento, negação

Caneca, prisão, latrina

Procurador: «a rússia é assassina»

Julgamento, Haia, Tribunal

Banquinho

Forca

O final.

@https://twitter.com/MirovichMedia

sábado, março 25, 2023

Serhiy, o comandante do canhão autopropulsado «Caesar»

Estado Maior-general das Forças Armadas da Ucrânia
Oficial ucraniano Serhiy, o comandante do canhão autopropulsado francês «Caesar», fala sobre o funcionamento da sua arma e da sua mais valia em relação ao armamento soviético.




– Nós o chamamos de «Dragão», é um canhão autopropulsado muito bom. Em primeiro lugar, suas vantagens são manobrabilidade, colocação muito rápida numa posição de combate, preparação rápida ao combate. Anteriormente, trabalhei no canhão autopropulsado «Msta», demorávamos 10 minutos para se preparar ao combate, no «Caesar» – são apenas 2 minutos. É uma diferença muito grande em combate. Além disso, «Caesar» é uma arma com maior alcance e uma precisão muito maior.


– Chegou a ordem para ir na direção de Uhledar. Chegamos e abrimos fogo em cerca de 40 minutos. A intensidade dos disparos era muito alta, trabalhamos dia e noite. Naquela época, disparávamos cerca de 150 projéteis por dia. Muito dano foi causado ao inimigo e o conseguimos deter. Mas precisamos ainda de mais armas e mais munições, e muito trabalho, trabalho e mais trabalho para conquistar a nossa Vitória.

Georgia Meloni no parlamento italiano ем defesa da Ucrânia

A primeira-ministra italiana Giorgia Meloni. REUTERS/Johanna Geron/Foto de arquivo

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, fez um discurso emocionado em apoio à Ucrânia e explicou aos políticos populistas locais por que os apelos pela «paz» às custas de concessões territoriais da Ucrânia são inaceitáveis.
«É necessário chamar coisas pelos próprios nomes — se nos pararmos, então apoiaremos a invasão da Ucrânia. Não sou hipócrita ao ponto de confundir a invasão com a palavra «paz».

A situação é mais complicada do que a propaganda mostra. Quais devem ser as condições em que nos sentamos à mesa de negociações? Devemos exigir que a Rússia cesse as hostilidades e retire as suas tropas? Devemos rever as fronteiras da Ucrânia e entregar os territórios ocupados à rússia?

Isso é o que eu quero ouvir de você se estamos falando sério sobre a paz. Porque tudo o mais é a propaganda que parasita numa nação soberana. E isso é irresponsável. Obrigada».

Além disso, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, vetou um acordo de aquisição do provedor italiano de serviços em nuvem Tecnologia Intelligente, que pretendia ser adquirido pela empresa holandesa Nebius, pertencente, em parte, à gigante russa da internet Yandex (YNDX.O), de acordo com um documento do governo e três pessoas familiarizadas com o assunto.

A decisão marca a primeira vez que o governo de Meloni usou o chamado regulamento de «poderes de ouro» para bloquear licitações indesejadas em setores considerados de importância estratégica, como bancos, energia, telecomunicações e saúde, escreve Reuters.

Ataque ucraniano contra o porto de Berdyansk

Há um ano, em 24 de março de 2022, as Forças Armadas da Ucrânia lançaram um ataque bem-sucedido de mísseis contra os navios russos estacionados no porto marítimo de Berdyansk, na Ucrânia temporariamente ocupada.

Grandes navios anfíbios «Orsk», «Cesar Kunnikov» e «Novocherkask» foram danificados, «Saratov» foi afundado com sucesso.

@CinCAFU

Somente um ano depois, no primeiro aniversário, os ocupantes russos reconheceram as suas perdas, na cidade de Sebastopol na Crimeia ocupada foi inaugurada a placa com nomes de apenas 12 oficiais e marinheiros mortos no ataque, que pertenciam à brigada do navio de desembarque.

Os ocupantes russos também reconheceram publicamente a perda do «Saratov», assim como a morte dos marinheiros de «Saratov», «Novocherkassk» e «Cesar Kunnikov».

21 dias depois as forças ucranianas afundaram o porta-bandeira da frota russa do Mar Negro o cruzador «Moskva»...

sexta-feira, março 24, 2023

A vitória ucraniana na batalha de Kyiv em selos especiais

Os Correios da Ucrânia, UkrPoshta, emitirá os selos comemorativos do 1º aniversário de libertação das cidades ucranianas de Bucha, Irpin e Hostomel, que culminou com a expulsão dos ocupantes russos da região de Kyiv.

A foto de Bucha foi tirada pelo correspondente da Rádio Liberdade, Serhii Nuzhnenko. Nele está a rua Vokzalna e equipamentos queimados do exército russo. Também no selo estão o avião destruído An-225 «Mriya» em Hostomel e as pessoas que estão passar o rio Irpin sob a ponte destruída na localidade de Irpin.

O desgaste e liquidação intensa das forças russas na frente ucraniana

Em 23 de março de 2023, o grupo OSINT ucraniano Information Resistance registou os nomes de 18.179 ocupantes russos que foram enterrados publicamente ou oficialmente reconhecidos como mortos pela própria rússia.

O número real das baixas russas, entre os mortos e feridos, é várias vezes superior, mas todos os personagens dessa lista são verificadas. Ajudam a definir tendências.

Nos últimos 10 dias, a lista com os nomes dos invasores russos abatidos aumentou em 1.100 entradas. Durante um mês e meio, na rússia, apenas o número confirmado (!) de funerais é de pelo menos 100 pessoas por dia.

Em menos de três meses de 2023, a taxa de perdas russas documentadas (!) aumentou dramaticamente.

Em 31 de dezembro de 2022, a lista tinha 10.477 nomes completos. Ou seja, em menos de três meses, o total de perdas aumentou em 7.702 posições (ou 1,73 vezes).

Ao mesmo tempo, a taxa média de enterros aumentou acentuadamente.

Por 10 meses + uma parte de fevereiro de 2022, os ocupantes russos eram enterrados na rússia a uma taxa de aproximadamente 1.040 corpos por mês, ou cerca de 35 por dia.

Em janeiro-março de 2023, os russos estavam enterrando seus militares à uma taxa média de 94 por dia. Ou seja, no inverno - início da primavera, a taxa média de funerais aumentou 2,68 vezes.

Estes são 1) prisioneiros e 2) mobilizados. Mais a segunda ou terceira composição das unidades russas de elite.

Precisa enfatizar que há uma margem de erro nesses cálculos. Mas a tendência geral é muito clara: putin está arruinando seu exército ao ritmo bastante acelerado.

Em outras palavras, o aumento das perdas é o resultado da ofensiva russa. Graças à resiliência do exército ucraniano, as consequências da ofensiva russa não se manifestou tanto no terreno das operações, quanto nos cemitérios russos. Graças à defesa ucraniana de Soledar, Bakhmut, Avdiivka, Maryinka, Vuhledar e outros pontos.

Se observar as perdas no contexto das regiões da federação russa, o quadro fica ainda mais claro (vejamos as regiões com números absolutos perceptíveis).

Região russa de Samara. Em 31 de dezembro, a lista tinha 165 nomes. Em 23 de março já eram 439. Um aumento de 2,66 vezes. Vocês se lembram da visita dos HIMARS a Makiivka nas vésperas de Ano Novo? O alvo eram os mobilizados da região russa de Samara, algo que manifesta-se parcialmente em números (quase 3 meses depois, os russos continuam a enterrar os militares atingidos naquela noite).

Região de Sverdlovsk. Crescimento de 343 para 769 entradas (2,24 vezes). As vítimas são os mobilizados.

O caso da região de Yugra é indicativo. Eram 45 nomes - passou para 141 (3,13 vezes). Formalmente esta é uma região rica. Mesmo assim, 18 funerais registados em Surgut, 15 em Nizhnevartovsk, 14 em Khanty-Mansiysk... Mais de 30 pessoas da lista são «wagnerianos» (apenas aqueles que foram identificados).

Região de Krasnoyarsk. Eram 135 nomes - passou para 333 (2,46 vezes). Mobilizados. Região de Kemerovo: de 102 nomes - subiu aos 212 (2,1 vezes). Também mobilizados.

Em geral, a região dos Urais e a Sibéria participaram na «operação especial» de forma bastante efetiva.

Região de Krasnodar. De 511 nomes - se passou aos 1.179 (2,3 vezes). Em grande parte, «wagnerianos». A quem já se recusam a enterrar nesta região, densos sepultamentos coletivos já foram registados em outras regiões russas.

Região do extremo oriente russo, Primorsky Krai. De 103 nomes - se passou aos 164. Região de Sakhalin: de 95 para 174. Relativamente menos. Mas são militares profissionais, as unidades de fuzileiros navais.

Região de Transbaikal. Eram 239 - agora são 428. Um aumento na sangramento do exército russo, que teoricamente deveria suster a China.

Números interessantes para o Distrito Federal Noroeste (que em breve terá uma fronteira fortemente alongada com a NATO/OTAN).

Carélia: de 52 para 127 (2,44 vezes). Muitos prisioneiros. Região de Arhangelsk: de 81 para 187 (2,3 vezes). Há prisioneiros, mas também há submarinistas da Frota do Norte, que pela lógica inexplicada do exército russos são usados como a simples infantaria. Região de Komi: de 99 - passaram a ser 179, na sua maioria eram os prisioneiros. Vologda: de 73 - passou aos 176. Prisioneiros.

Mesmo miserável e meio morto do ponto de vista demográfico, a região de Novgorod se destacou. Eram 38 - agora são 92. E há muitos «wagneristas».

Em Pskov, a progressão é menor (eram 131 - agora são 185). Mas a maioria de baixas são militares profissionais, os páraquedistas de Pskov, apenas alguns eram prisioneiros.

Em São Petersburgo, o crescimento de 108 para 190...

Há regiões para as quais a guerra praticamente parou. Por exemplo - Inguchétia. O que é interessante é que em muitas regiões onde as unidades regulares do exército russo são baseadas, a taxa de perdas está abaixo da média. A espinha dorsal foi danificada, as unidades não recebem as substituições ou ainda estão na reserva. Prisioneiros e mobilizados estão sendo conduzidos para o ataque.

Resumindo.

Os números mostram que, desde o início do ano, a guerra atingiu muitas regiões russas duas vezes mais do que nos 10 meses anteriores.

O fluxo de caixões é uma coisa muito visual, difícil de interpretar de forma não objetiva. O efeito é mitigado até agora devido aos uso de muitos criminosos e ao pagamento das compensações financeiras. Muitas regiões só agora estão começando a sentir o peso da guerra. Por vezes perder o sentimento patrioteiro inicial. Há muitos comentários nas redes sociais sobre a escala dos enterros.

A situação na frente continua extremamente difícil. No entanto, os números mostram que o exército russo está se desgastando intensamente.

Depois de Makiivka, o Kremlin não se atreveu a anunciar abertamente a mobilização, embora não parou com o processo, mas foi executado por métodos mais discretos. No entanto, as taxas de reabastecimento de tropas russas não são suficientes. Moscovo/ou será forçada a acelerar a coleta de boi-para-a-piranha. Daí os sinais maciços sobre uma nova onda de mobilização. Mas esses mobilizados não deverão estar prontos e armados até o início de verão.

Sejamos atentos.

A tabela de criptografia básica dos ocupantes russos

Na frente de Zaporizhzhia, as forças ucranianas capturaram a tabela de códigos, empregue para a criptografia básica de comunicações abertas, usadas nas unidades militares de ocupantes russos.

Por exemplo, os mortos (ou «carga-200») são chamados de «escope»/«cinzel», os feridos (ou «carga-300») são «plaina», o soldado regular do exército russo é «futebolista».

Mas o mais interessante é que os militares russos afetos ao Ministério da Defesa chamam os wagnerianos (ou «músicos», como eles se auto denominam), de «galos», palavra do calão prisional russo, que possui a conotação de extrema violência verbal, pois significa literalmente «homossexual passivo», por vezes «vítima de um estupro»). As más línguas dizem que o chefe da EMP Wagner, Yevgeni Prigozhin, foi vítima deste tipo de violência, quando cumpria o seu termo prisional. Ao mesmo tempo, os kadyrov boys, também conhecidos como «ahmat», são simplesmente «funcionários».

Blogueiro

Dado que as unidades russas não possuem sistemas de comunicações de criptografia militar avançada, eles usam os rádios amadores e semiprofissionais, facilmente escutadas pelas forças ucranianas. Para dificultar a decifração de escutas, são usadas os nomes de código para várias coisas, desde equipamentos militares até os números ou direções.   

quinta-feira, março 23, 2023

Eslováquia entrega, com sucesso, 4 dos seus MiG-29 à Ucrânia

O MoD da Eslováquia escreveu na sua página do YouTube: «a ajuda não tem limites, fizemos o que pudemos por uma causa justa. Desejamos salvar muitas vidas: a partir de hoje ajudem à nação ucraniana, boa sorte em todas as missões».
Os primeiros quatro caças MIG-29 foram entregues à Ucrânia, anunciou o ministro da Defesa eslovaco, Jaroslav Naď. Segundo ele, os restantes aviões (aparentemente serão mais 9 aparelhos) serão entregues à Ucrânia nas próximas semanas.

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Crimes de guerra, ataques indiscriminados à infraestrutura e tortura sistemática russa na Ucrânia

GENEBRA/VIENA (16 de março de 2023) – As autoridades russas cometeram uma ampla gama de violações do direito internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário em várias regiões da Ucrânia, muitas das quais equivalem a crimes de guerra, disse a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Ucrânia em um novo relatório quinta-feira.

Os crimes de guerra incluem ataques a civis e infraestrutura relacionada à energia, homicídios dolosos, confinamento ilegal, tortura, estupro e outras violências sexuais, bem como transferências ilegais e deportações de crianças.

As evidências da Comissão mostram que, em áreas sob seu controle, as autoridades russas cometeram assassinatos deliberados de civis ou pessoas não envolvidas em combates (hors de combat), que são crimes de guerra e violações do direito à vida.

As forças armadas russas realizaram ataques com armas explosivas em áreas populosas com aparente desrespeito pelos danos e sofrimento de civis, falhando em tomar as precauções necessárias. Os ataques foram indiscriminados e desproporcionais, violando o direito humanitário internacional. O uso de armas explosivas em áreas povoadas tem sido uma das principais causas de baixas civis. A Comissão ficou impressionada com a extensão da destruição que observou durante suas visitas.

As ondas de ataques das forças armadas russas à infraestrutura energética da Ucrânia a partir de 10 de outubro de 2022 podem constituir crimes contra a humanidade, de acordo com a Comissão, que disse que isso deve ser investigado mais a fundo. A interrupção da infraestrutura relacionada à energia levou regiões inteiras e milhões de pessoas a ficarem por períodos sem eletricidade ou aquecimento, principalmente durante temperaturas congelantes.

A Comissão estabeleceu um padrão de confinamento ilegal generalizado em áreas controladas pelas forças armadas russas, visando amplas categorias de homens, mulheres e crianças. O confinamento em instalações específicas na Ucrânia e na federação russa foi acompanhado por métodos consistentes de tortura contra certas categorias de pessoas pelas autoridades russas. Um ex-detento sofreu espancamentos como “castigo por falar ucraniano” e por “não se lembrar da letra do hino da federação russa”. Este padrão de tortura pode constituir crimes contra a humanidade, de acordo com a Comissão, e deve ser mais investigado.

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