quinta-feira, abril 23, 2026

Cidade russa de Tuapse, em 2022 e em 2026 e os liberais russos

O porto e a base petrolífera da cidade russa de Tuapse continuam à arder. Vários dias o alvo estratégico da máquina de guerra russa está sendo alvejado por drones e mísseis ucranianos. Um pouco à semelhança dos bombardeamentos aliados da Alemanha nazi em 1942-45. 






Os moradores da cidade russa não estão nada contentes, situação que contrasta muito bastante com a sua atitude e o seu comportamento em março de 2022, quando mais de 100 automóveis locais formaram a coluna festiva para celebrar o início da agressão militar e guerra russa de larga escala contra Ucrânia: 





Os moradores de Tuapse celebram invasao e a guerra russa contra Ucrânia.
Março de 2022, imagens da TV regional russa Tuapse24

Os russos também costumam se indignar, nas diversas redes sociais proibidos no seu país (WhatsApp, Threads, Facebook) da reação dos ucranianos: «mas como podem estes ucranianos se alegrar da nossa desgraça russa»; «mas por que razão os ucranianos celebram o arder dos nossos alvos russos»? Por alguma razão estes mesmos russos «se esqueceram» como muito recentemente celebravam publicamente a guerra russa e a dor, as lágrimas e as perdas dos ucranianos, que diariamente são feridos e mortos devido aos bombardeamentos de drones e mísseis russos, dirigidos contra as cidades e a infraestrutura civil ucraniana. 

Os ucranianos costumam à responder assim:

A alma se alegra ao ver imagens como essas. A guerra está gradualmente retornando às suas origens. O terrorista [russo] certamente sentirá as consequências com mais dor. Há alguns anos, nem sequer imaginávamos que isso fosse possível. Mas é possível. 

Obrigada, Forças de Defesa [da Ucrânia]! 

A posição dos liberais russos anti-guerra, pró-paz e anti-putin 

Uma certa liberal russa, ecologista anti-putinista Natalia Novoseleva, que fugiu das alegadas perseguições na rússia, recebendo asilo na União Europeia, está mais que desolada, se dirigindo aos ucranianos, presentes nas redes sociais: «É isso que vocês têm, um tempero tão elegante para o terrorismo ecológico e industrial que a Ucrânia está praticando em território russo? Ou seja, não apenas atingir, não apenas cometer ecocídio, mas também para gozar/zombar ao mesmo tempo?»

Ou seja, a nossa Natalia está mais que indignada com atitude dos cidadãos e cidadãs ucranianos que sentem óbvio alívio, quando as FAU atingem alvos estratégicos russos, usados, ao máximo no esforço da guerra neocolonial russa contra Ucrânia. 

A Natália não se cala: «Ucrânia está atacando territórios russos [...] Puro terror. [...] Apesar de "Ucrânia ter o direito de fazer isso", como isso é visto na rússia e até mesmo entre os emigrantes russos? Eles [ucranianos] são vistos simplesmente como punidores. Não temos perspectivas de chegar a um acordo com vocês [ucranianos] sobre uma luta conjunta contra o regime [putinista russo]. 

Em resumo: Ucrânia é cada vez mais vista como PUNIDORA, executando punições coletivas em todo o território do agressor. [...] Ucrânia é vista não como uma aliada, mas sim como uma inimiga cínica daqueles que estão tentando lutar e se opor ao regime de Putin.» 

Blogueiro 

Ou seja, uma liberal russa, comodamente à residir na Europa, acusa as FAU de cometer «crimes ambientais» e diz que a emigração liberal russa não vê Ucrânia e os ucranianos como «aliados». As pessoas sentados nos seus sofás em Praga e Berlim, acusam os ucranianos de serem punidores dos russos, que apoiam o seu regime neofascista, quer pagando os impostos, quer servindo nas suas forças armadas/polícia/FSB/GRU, quer ativamente mostrando este mesmo apoio no espaço público. 

Será que alguém pode imaginar a resistência anti-nazi alemã, a reclamar dos bombardeamentos anglo-americanos das cidades alemãs em 1942-45? Aqueles bombardeamentos que também não eram amigos do meio-ambiente e que matavam os civis alemães «executando punições coletivas em todo o território do agressor»? 

Infelizmente, a morte do putin não mudará a rússia per si só. Apenas a derrota militar poderá mudar a mentalidade daquele país, apenas passando pela deputinização e derusificação profunda, a rússia, ou melhor, uma federação de povos, poderá se tornar um país seguro de conviver com os seus vizinhos.

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