sexta-feira, novembro 12, 2010

Oito porcento do corpo, sem contar com alma

Um dos mitos defendidos pela esquerda estalinista é o mito do que os campos de concentração soviéticos eram mais humanos do que os campos de concentração nazis. A verdade histórica demonstra uma realidade cruelmente diferente...

por: Vakhtang Kipiani, jornalista, historiador e redactor-chefe da página “Verdade Histórica”

... No Verão de 1937 a troika especial do Departamento do NKVD da província de Leninegrado (chefe do NKVD L. Zaykovski, o seu vice-chefe V. Garin e procurador da cidade de Leninegrado B. Pozner), condenou ao fuzilamento um grande grupo de pessoas (no total 1825 indivíduos), prisioneiros da Cadeia Especial de Solovki (em russo STON, palavra que em russo também significa o gemido).

Durante muitos anos não se sabia onde e como os carrascos vermelhos executaram a sua sentença bárbara. Falava-se de ilhas de Solovki, existia a versão, segundo a qual os prisioneiros foram colocados nos barcos, afundados em seguida no Mar Branco, e finalmente temos nas mãos os documentos do arquivo especial do KGB (hoje FSB da República da Carélia).

Cada processo tem um marco de “Absolutamente secreto”. Mesmo mortos, os fuzilados eram testemunhas perigosas contra o regime soviético.

No dia 16 de Outubro de 1937, o comissário do NKVD da 1ª categoria, Zaykovski, prepara dois documentos: o primeiro é dirigido ao chefe do STON, camarada Apeter com a ordem de “entregar imediatamente 1116 pessoas condenadas ao fuzilamento ao cuidado do enviado para a execução da sentença ... capitão da NKVD cam(arada) Matveev M. R.”, o segundo documento é a disposição pessoal ao Matveev, com o marco “apenas pessoal” com a ordem “fuzilar”.

O assassínio em massa das pessoas inocentes foi executado em três tempos.

O último grupo (198 prisioneiros) foi fuzilado na ilha Grande Solovki na área da “missão especial” de Isakovo no dia 17 de Fevereiro de 1938. Antes disso, um grupo de 509 prisioneiros do STON foi levado até a cidade de Leninegrado (os documentos da execução da sentença foram assinados pelo primeiro tenente A. Polikarpov).

O destino dos 1116 condenados era desconhecido. Agora sabemos que no dia 27 de outubro Matveev fuzilou 208 pessoas, 2 de novembro – 108, 3 de novembro – 265, 4 de novembro – 248, nos próximos dias outros 210 pessoas. Cinco condenados à pena capital não chegaram ao destino da execução (um morreu na cadeia, outros quatro foram enviados para Leninegrado, Odessa e Kyiv e assassinados lá).
O local exacto da sepultura dos 1111 mártires – 16º quilómetro da auto-estrada MedvezhyegorskPovenets na Carélia. Os documentos existentes permitem seguir a sua última marcha.

No dia 27 de outubro de 1937 na floresta de Sandarmokh, nos arredores da cidade russa de Medvezhyegorsk começaram os fuzilamentos dos prisioneiros políticos da “etapa de Solovki”. Eram 1111 pessoas no total. Cerca de metade eram russos, 163 – ucranianos; 135 judeus; 40 belarusos; 31 alemães; 30 polacos…
Dois dos fuzilados em Sandarmokh, o realizador teatral Les Kurbas e o escritor Mykola Kulish 
Lista dos fuzilados na floresta de Sandarmokh

Por mar eles foram trazidos até a vila de Kem, da lá, pelo caminho-de-ferro até Medvezhyegorsk, onde se situava a cadeia de isolamento pertencente ao Canal Mar Branco – Mar Báltico, com a capacidade mínima de 300 pessoas. Da cadeia, com as mãos amarradas, as pessoas eram transportadas até a floresta de Sandarmokh, onde Matveev pessoalmente (as vezes com ajuda do vice – comandante provincial do NKVD, Y. Alafer) fuzilava as pessoas com a bala de revolver na nuca.

Cada dia duzentos pessoas... Um trabalho normal de um chekista...

No dia 10 de novembro o capitão avisou as chefias sobre o fim da tarefa e já no dia 20 de dezembro o esperava uma surpresa agradável – uma prenda valiosa e a Ordem da Estrela Vermelha “pela luta de sucesso contra a contra-revolução”. Uma testemunha contemporânea escrevia que Metveev “batia os contra-revolucionários com as estacas de bétula nas cabeças, nas costas – todos os que apareciam debaixo da sua mão quente”. Ele também fuzilava as pessoas “rapidamente, de forma precisa e inteligente”.

Após a queda do “inimigo do povo” Yezhov, os grandes e pequenos chefes da NKVD, eles próprios, entraram atrás das grades. Matveev também – acusado de “abuso do poder”.

Do protocolo de interrogatório do 13 de Março de 1939: “Pergunta: Você participou nas operações de execução das sentenças dos condenados à pena capital?

Resposta: Sim, nestas operações eu participei várias vezes, desde 1918, com intervalo entre 1923 à 1927. Em 1937 as sentenças eram executadas pessoalmente por mim, Matveev Mikhail Rodionovich e Alafer, os restantes membros do grupo tinham outras tarefas...”.
O capitão Marveev tammém ele prisioneiro do GULAG
Desta maneira, o assassino sádico também foi sentenciado. Ao mando da mesma “consciência revolucionária”.

Os locais da floresta, onde foram assassinados milhares de pessoas foram achados absolutamente ao acaso. Ainda nos anos 1950, um operador da escavadora do Povenets durante a construção de uma estrada encontrou os ossos humanos. E os enterrou, “longe do pecado”. Depois, mesmo antes de morrer, se confessou um dos moradores locais – participante nas acções de fuzilamentos da NKVD. Quarenta NKVDistas “trabalhavam” de noite, vivendo nas tendas sob a guarda. Tentando se justificar, dizia que se recusasse a matar, seria fuzilado ele próprio.

Em 1994, um operador da escavadora, trabalhando no areal em Sandarmokh outra vez encontrou os crânios com o buraco característico e ... outra vez os enterrou. Medo.

No dia 1 de Junho de 1997, o líder da Sociedade Memorial da Carélia, Yuriy Dmitriev, finalmente encontrou a primeira campa, a vala comum: “Vi no terreno a fossa de forma geométrica correcta – se a (fossa) é de 15 – 20 cm, na vala estão cerca de 40 pessoas”.

A pessoa deixa apenas oito por cento do seu volume. Pois a alma dos inocentes assassinados voa até o céu...

Fonte:
http://www.istpravda.com.ua/columns/2010/10/26/1398

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