Entre os nomes conhecidos da plataforma estão Joey Mannarino, um popular comentador político norte-americano com meio milhão de subscritores, apresentador dos seus próprios programas e cofundador do Overton Institute. Ou Jamie Lee Franklin, ex-diretora de correspondentes da Casa Branca durante a administração de Donald Trump e fundadora do veículo de comunicação social conservador The Conservateu, aquela que ficou atrás do avô na assinatura da lei da vacinação e lhe tocou na barriga — alguns trolls escreveram que ela o estava a acordar com choques elétricos.
Conservadores de direita, republicanos — é precisamente com este público que Ucrânia precisa de trabalhar mais para combater as falsas narrativas do MAGA sobre «biliões atirados para o ár na Ucrânia».
As principais teses da entrevista:
General Budanov apresenta esta abordagem pragmática desde o primeiro ponto: historicamente, a rússia só respeita a força. Nenhuma outra opção. URSS entrou no Afeganistão, levou um banho em sangue e agora ninguém no seu perfeito juízo quer construir a URSS 2.0 naquelas montanhas. A rússia foi derrotada pelo Japão no início do séc XX. Em 1945, a URSS adiou ao máximo a abertura de uma segunda frente no Extremo Oriente e só atacou o Japão pelas costas depois do bombardeamento nuclear americano de Hiroxima. Uma das tarefas da Ucrânia é puramente utilitária: garantir que, da próxima vez que alguma propagandista russa cantar sobre a vitória rápida «em três ou quatro dias», o seu próprio povo a estrangule por medo primitivo das consequências.
Neste cenário global, os Estados Unidos não podem ser substituídos no processo de paz. Onze grupos de porta-aviões e a capacidade final de incapacitar o Irão a tal ponto que este nem sequer pense em bombardear Israel — é isso que mantém o sistema unido. Os israelitas, de todos os povos, são únicos à resolveram os seus problemas, por enquanto: em vez de um possível ataque nuclear e de uma guerra em grande escala pela sobrevivência, o seu principal adversário está agora simplesmente a sufocar sob um bloqueio.
Kyrylo Budanov explica que Ucrânia está pronta para um cessar-fogo. Mas a rússia não está. Isto é óbvio para qualquer pessoa que tenha ouvido as recentes tolices de putin sobre os ataques aos locais de voto. Devem estar a gostar de ficar nas filas aos postos de gasolina meio vazios em São Petersburgo, uma vez que continuam a persistir. O gasóleo de inverno, aliás, é apenas um acréscimo de querosene à base de verão. Estão com falta de ambos os artigos, e o inverno certamente não facilitará as coisas. Os armazéns do McDonald's, da Aznauri e de produtos farmacêuticos que os russos destróem na Ucrânia não são iguais à um depósito de gasolina. Sem a gasolina a economia russa não se vai mexer.
Do que Ucrânia precisa realmente dos seus parceiros? Defesa antimíssil, tempo de satélite e cobertura alargada do Starlink. As FAU precisam de intercetar os seus mísseis balísticos e de cruzeiro, mas, mais importante, precisam de atingir os seus lançadores na retaguarda russa. Os intercetores antiaéreos estão em falta neste momento, mas o Ocidente ainda tem reservas, bem como uma oportunidade real para aumentar urgentemente a produção. Porque há muito tempo que esta guerra deixou de ser uma guerra local entre Ucrânia e a rússia. Estamos perante um verdadeiro Eixo do Mal. Tropas norte-coreanas na rússia, milhões de projéteis norte-coreanos, ações por procuração do Irão. General Budanov deu um excelente lembrete sobre a difusão de tecnologia — a transferência da produção de drones com a ajuda de Moscovo. Este é o argumento perfeito para os americanos: se a Ásia entrar novamente em erupção e putin continuar a pressionar na Europa, a superpotência poderá simplesmente não ter os recursos ou as reservas de munições para defender Taiwan.
Na sua defesa, Ucrânia tornou-se um dos países líderes do planeta na guerra eletrónica e nos drones. Deu um passo de gigante e construíu um sistema de defesa aérea doméstico completo, como nunca existiu na sua história. Mas paga um preço inaceitavelmente elevado por este avanço tecnológico — as baixas civis nos últimos meses são simplesmente insuportáveis. Pois, infelizmente, a rússia também está a progredir.
Como podem os americanos compreender melhor esta ameaça? De forma elementar. Durante doze anos, Moscovo tem travado uma guerra híbrida contra Ucrânia, levando a situação a um impasse e ameaçando cada vez mais outros países ao longo das suas fronteiras. No século passado, nas duas vezes em que os Estados Unidos tentaram ignorar tais acontecimentos no estrangeiro, o resultado foi o mesmo: jovens americanos regressaram a casa em caixões cobertos com a bandeira americana.

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