25
anos atrás, em outubro de 1993, a cidade de Moscovo viveu o golpe e contragolpe do Estado, impasse militar entre o Parlamento (Conselho Supremo), dominado pela
antiga nomenclatura comunista e Boris Yeltsin, dado, cada vez mais, aos tiques
autoritários e que, no fim das contas, resultou em fortalecimento do poder
ilimitado do presidente e da derrocada final da democracia liberal na Rússia.
Moscovo, metro Smolenskaya, a manif e barricadas antigovernamentais, 2/10/1993
Slogan: "Somos russos! Deus está connosco!"
Em
dezembro de 1992, o Supremo Conselho recusou-se a aprovar o candidato de
Yeltsin, Yegor Gaidar (1956-2009),
ao posto de chefe de governo. Em março de 1993, Yeltsin fez um discurso
televisivo anunciando a suspensão da constituição russa. O parlamento, em
resposta, tentou anunciar o impeachment
do Yeltsin, mas a ideia foi apoiada por apenas 617 deputados, dos 689 votos necessários, e então os deputados decidiram
realizar o referendo popular de não-confiança em Boris Yeltsin e em suas
políticas. O referendo
foi realizado em 25 abril de 1993, o desempenho do Boris Yeltsin foi aprovado
por 59,9% dos votos; as suas políticas por 54.3%; além disso 51,2% votaram
contra as eleições presidenciais antecipadas e 69,1% se manifestaram ao favor das
legislativas antecipadas. O vice-presidente russo, Alexander Rutskoi, herói
popular da guerra soviética no Afeganistão, se opôs abertamente ao Yeltsin. Em
resposta, Yeltsin demitiu Rutskoi – mas a decisão foi contestada pelo Conselho
Supremo. Como resultado, o vice-presidente e a maioria do parlamento russo se uniram
contra Boris Yeltsin, o acusando de tentar usurpar o poder e violar a
constituição. O poder estatal na federação russa ficou paralisado.
Os deputados russos do Conselho Supremo na "Casa Branca",
após a corte de eletricidade, água e telefones (desde 23/09/2018)
Moscovo, metro Smolenskaya, a manif e barricadas antigovernamentais, 2/10/1993
Desde
o dia 1 de maio de 1993, as manifestações comunistas, apoiados pelos
nacionalistas, nazis e fascistas russos entravam com confrontos esporádicos,
mas permanentes com a polícia moscovita.
Moscovo, manif anti-governamental, rompimento dos cordões policiais, 03/10/1993
Em 21 de setembro de 1993, Yeltsin emitiu o decreto № 1400 sobre a dissolução do Conselho Supremo. O Conselho Supremo votou pela cessação da autoridade de Yeltsin e pela transferência de poder ao vice-presidente russo Alaxander Rutskoi. A decisão do parlamento foi apoiada, não oficialmente, por alguns líderes das regiões russas. O Tribunal Constitucional apoiou o Conselho Supremo. No dia 27 de setembro os opositores ao Boris Yeltsin saíram às ruas de Moscovo, alguns deles estavam armados com caçadeiras e AK, principalmente os elementos da segurança dos deputados, do parlamento e do vice-presidente Rutskoi. Boris Yeltsin, em geral, controlava a situação em Moscovo, onde era apoiado pelo prefeito da cidade, Yury Luzhkov.
Polícia russa primeiro foge, mas depois se reorganiza responde com fogo
No
dia 23 de setembro de 1993 um grupo de manifestantes, liderados pelo chefe do
grupo nacional-comunista “União dos Oficiais”, ultra marxista e assessor do
“ministro da defesa” do governo papalelo do Rutskoi, Stanislav Terekhov (1955-2017)
tomou a decisão de ocupar o quartel-general das Forças Armadas Unificadas dos
países da CEI (ex-URSS). No ataque morreu um polícia, um dos agressores e uma mulher
civil, vítima de bala perdida. Após o ataque, o governo do Boris Yeltsin declarou
os defensores do parlamento de grupo armado ilegal, estabeleceu um cordão de
isolamento em redor da “Casa Branca” (sede do Governo russo, ocupado pelo apoiantes
do Parlamento) e mandou desmantelar as barricadas dos seus defensores.
Momento em que o vice-presidente russo Rutskoi exorta tomar a prefeitura de Moscovo e TV Ostankino.
Ele foi responsável moral pelas dezenas de mortos. Mais tarde ele comentará este episódio:
“Claro, foi um erro. Eu não queria sangue. Mas os nervos estavam tensos”.
Num dos camiões/caminhões abandonados pelos militares, o líder ultra comunista Victor Anpilov
(1945-2018) com megafone nas mãos leva os seus apoiantes à atacar a TV Ostankino.
No
dia 2 de outubro de 1993, na praça (junto à estação do metro) Smolenskaya, em
Moscovo, foram erguidas as barricadas e decorreram os confrontos com a polícia.
Mas tudo se precipitou em 3 de outubro de 1993, quando a multidão de dezenas de
milhares de manifestantes, após a manif
na praça de Outubro marchou rumo à “Casa Branca”. Os cordões, formados pela polícia
e militares do Ministério do Interior, armados apenas com escudos e bastões foram
facilmente rompidos. Polícias estavam fugindo, perseguidos pela multidão
enfurecida. Polícia e militares eram espancados, lhes arrancavam escudos, capacetes,
cassetetes. Manifestantes usavam os escudos para golpear os jovens militares.
Alguns dos principais líderes da rebelião anti-Yeltsin em 3-4/10/1993, de esquerda à direita:
Viktor Anpilov, Ilya Konstantinov (1956) e Albert Makashov (1938)
A
multidão revoltosa consegui ocupar o edifício da prefeitura de Moscovo. Sob o
comando do notório anti-semita, ex-general e nacional-comunista russo Albert Makashov (1938),
a multidão nacional-comunista armada com AK e pelo menos um morteiro PG-7VR com duas
cargas explosivas se dirigiu para ocupação e controlo de TV russa em Ostankino
(atual 1º canal da TV estatal russa).
Nacional-comunistas armados com AK na entrada de Ostankino
A unidade de polícia de choque “Vityaz”
Entendendo
a gravidade da situação, o governo do presidente Yeltsin reforçou a defesa de Ostankino,
às 19 horas do dia 3 de outubro de 1993, o complexo de edifícios foi guarnecido
por cerca de 480 policiais e militares do Ministério do Interior, com a
presença da unidade de polícia de choque “Vityaz” e forças especiais. As forças
russas da lei e ordem dispunham de cerca de 320 AK, metralhadoras, espingardas/rifles
de precisão, 130 pistolas, 12 morteiros, incluindo um morteiro antitanque
RPG-7, com uma quantidade suficiente de munição. Eles também dispunham de seis
veículos blindados tipo BTR, meios de comunicação, sistemas de proteção pessoal
e meios especiais de ataque e defesa. O comando geral foi exercido pelo
vice-comandante das tropas do Ministério do Interior, que dispunha de poderes
correspondentes.
O momento em que a polícia russa responde com fogo indiscriminado
Os
manifestantes nacional-comunistas tentaram entrar no edifício, derrubando as
portas da entrada com uso de um camião/caminhão. Em algum momento os atacantes
dispararam contra o prédio, usando o morteiro RPG, as forças especiais abriram
fogo cerrado em resposta. Como foi estabelecido mais tarde pela investigação, um
militar das forças especiais que defendia prédio foi morto por um disparo na nuca,
devido à um acidente, ou então, sacrificado pelos seus, para justificar a
resposta armada dos defensores. As forças especiais russas abriram fogo indiscriminado
contra a multidão que se aglomerava na entrada de Ostankino. Entre 46 à 50 pessoas
foram mortas, incluindo dois jornalistas ocidentais (no total em Ostankino morreram três cidadãos ocidentais).
As barricadas das forças anti-Yeltinin junto à "Casa Branca", 2/10/1993
Um dos feridos nas ruas de Moscovo
Os primeiros mortos e feridos entre as forças anti-Yeltinin junto à "Casa Branca", 3/10/1993
Oficial do serviço de bombeiros, ferido pelos defensores da "Casa Branca"
Junto
à “Casa Branca”, os seus defensores nacional-comunistas reforçavam as
barricadas, esperando o ataque dos militares, fiéis ao governo central russo.
As barricadas dos apoiantes do governo central russo do Boris Yeltsin, 2-3/10/1993
Eram erguidas as barricadas na rua moscovita Tverskaya, onde se esperava o ataque dos neonazis russos do grupo Unidade Nacional Russa (RNE) do Alexander Barkashov (em 2014-15, o mesmo grupo se “destacou” em assassinatos e torturas dos ucranianos no leste da Ucrânia, onde atuou sob o nome de “Exército Ortodoxo Russo”).
Os neonazis russos do grupo Unidade Nacional Russa (RNE), em 2014-15 o grupo
atuou no leste da Ucrânia sob o nome de “Exército Ortodoxo Russo”
O
dia seguinte, 4 de outubro de 1993, foi marcado pelo tiroteio nas proximidades
da embaixada americana, os rumores falavam dos míticos “franco-atiradores nos
telhados”. Policiais, usando os capacetes do exército disparavam às longas
rajadas, usando AK, contra os andares superiores de um dos arranha-céus na
avenida Kalinin, contra o suposto franco-atirador escondido.
“Casa Branca” alvejada pelos tanques da divisão Tamanskaya, 4/10/1993
Destacamento "Alfa" do FSB se prepara ao assalto final da "Casa Branca"
Filtração dos revoltosos
"Alfa" supervisiona a saída dos deputados da "Casa Branca"
Polícia do serviço de proteção da "Casa Branca"
A guerra civil acabou, "Casa Branca" começa ser restaurada
De
seguida, e no mesmo dia, o exército russo posicionou os blindados da divisão
Tamanskaya em frente da “Casa Branca”, onde estavam entrincheirados os
deputados do Conselho Supremo e os seus apoiantes nacional-comunistas, os
tanques começaram atirar, à queima roupa, contra o edifício. Milhares de
pessoas estavam em redor como meros espetadores de mais um pesadelo russo, com
mortos e feridos de ambos os lados. Uma câmara da CNN na avenida Kutuzovsky
filmava tudo desapaixonadamente, permitindo aos milhões de espetadores em todo
o mundo assistirem à revolta russa “sem sentido e sem a piedade”. A jornalista
americana disse algo que na tradução russa soou assim: “mais uma vez na
história, os russos se matam uns aos outros”...
No
total, no decorrer do golpe e do contragolpe de Moscovo, de acordo com os dados
oficiais, morreram 158 pessoas e 423 ficaram feridas.
De
acordo com o ativista russo dos direitos humanos Yevgeny Yurchenko, um dos
fundadores da sociedade histórica russa “Memorial”, nos eventos de setembro –
outubro de 1993, e tomando em consideração apenas os casos dos desaparecimentos comprovados ou de existência das testemunhas da morte, morreram 829 pessoas. Possivelmente essa lista está incompleta, escreve a página russa russian7.
"Casa Branca" à arder após ser alvejada pelo blindados | foto: russian7.ru
Como
consequência direta da sua vitória, Boris Yeltsin mudou a constituição, aboliu
o cargo de vice-presidente e elegeu um parlamento mais obediente. A propaganda
estatal russa transformou a palavra “democrata” e “democracia” em palavrões, Rússia
começou gradualmente perder as liberdades civis, o poder estava concentrado nas
mãos de Yeltsin e do circuito próximo, alguns oligarcas e siloviki (exército, polícia, FSB).
Boris Yeltsin em 1993 | foto: ITAR-TASS
Já
no ano seguinte Boris Yeltsin enviou as tropas russas à Chechénia – também sem
hesitação, sem planos, sem preparação, o ministro da defesa russo Pavel Grachov prometia a tomada
da cidade de Grozny em apenas algumas horas. O poder de Yeltsin se tornou
ilimitado. As duas guerras na Chechénia, que se seguiram, se transformaram numa
aventura sangrenta e se saldaram em dezenas de milhares de mortos. Na base de
todo esse sangue derramado, um ex-oficial do baixo escalão do KGB tomou o poder
autocrático das mãos de um alcoólico/alcoólatra...
Em
resposta à uma campanha internacional de RP que pretende impedir a entrega,
pelos EUA, das armas defensivas à Ucrânia, importa recordar a detenção e posterior
condenação de dois espiões norte-coreanos, efetuadas pelos órgãos competentes
ucranianos.
O
canal televisivo CNN, publicou recentemente um texto, acompanhado pelas fotos e
vídeos da detenção, pela secreta ucraniana SBU, de dois espiões norte-coreanos,
que teve o lugar em 27 de julho de 2011 na cidade de Dnipro.
Dois
operativos da secreta norte-coreana, Li Txe Kir e Ru Song Chol, agiam sem a
imunidade diplomática (provavelmente para não atrair a atenção sobre as suas
atividades), usando como a cobertura os seus supostos postos na missão comercial
da Coreia do Norte em Belarus. Ambos dominavam a língua russa e visitavam Ucrânia
constantemente, procurando pelos funcionários do Bureau de Construção Yuzhnoye, quer no ativo, quer os reformados,
escreve o jornalista ucraniano Yuriy Butusov.
O aspeto do interior da colónia penal, onde cumpre a sua pena X5
O
seu objetivo principal era a obtenção da informação classificada sobre “mísseis
balísticos, sistemas de mísseis, construção de mísseis, motores espaciais,
baterias solares, tanques de combustível de esvaziamento rápido, recipientes de
lançamento móveis, acumuladores de pó e padrões militares estatais”,
pertencentes aos mísseis intercontinentais balísticos, segundo os documentos do
seu julgamento em 2012.
SS-24 Scalpel | RT-23 Molodets | foto @Wikipédia
Algumas
das informações eram relacionadas ao míssil balístico intercontinental SS-24
Scalpel, também conhecido como RT-23 Molodets, um
míssil de combustível sólido capaz de transportar até 10 ogivas que podem ser lançadas
através de silos de mísseis ou à partir de vagões especiais, dissimulados por
dentro dos comboios/trem de mercadoria.
A porta da cela do X5
Os
espiões pretendiam comprar a diversa informação científica classificada,
ofereciam dinheiro para adquirir os trabalhos académicos sobre os temas. Quando
espiões contactaram um dos engenheiros do BCY, este imediatamente informou SBU.
A secreta ucraniana lançou a operação de documentação das ações ilegais dos
espiões. No dia 27 de julho de 2011, ambos foram detidos no momento da troca de
informação classificada pela quantia monetária de 900 dólares.
As
provas da sua culpa eram evidentes. No entanto, dado que os espiões não tiveram
a oportunidade de prejudicar a segurança nacional da Ucrânia, ambos foram
condenados às penas bastante brandas – 8 anos da cadeia cada, que neste momento
cumprem em duas colónias penais de detenção corretiva № 4 (fechada) e № 8
(comum), ambas da cidade de Zhytomyr, a terra natal do pai do programa espacial
soviético, Sergei
Korolev, o prisioneiro do GULAG № 1442.
Diversos
outros norte-coreanos [tudo indica que já com a cobertura da imunidade
diplomática], foram detidos e deportados da Ucrânia, tentando obter no país as “munições
de mísseis, dispositivos de mísseis de localização de mísseis, em particular
para os mísseis de classe ar-ar”, escreve a CNN.
Dois
deles representavam a embaixada norte-coreana em Moscovo e foram detidos e deportados
em 2011, o terceiro norte-coreano ligado ao mesmo grupo e incumbido ao transporte
do material, também foi deportado. Outros cinco norte-coreanos foram deportados
da Ucrânia em 2015, pelo seu papel na “assistência ao trabalho de inteligência da
Coreia do Norte na Ucrânia”. A quantidade dos espiões norte-coreanos que
tentavam penetrar na Ucrânia era de tal maneira significativa, que em 2016 as
autoridades ucranianas proibiram a entrada dos cidadãos daquele país na
Ucrânia.
O interior da cela do X5
O
espião Li Txe Kir (identificado nos documentos do tribunal ucraniano e pela reportagem
da CNN como X5), é de estatura magra, é mais velho, fala a língua russa com um
sotaque bastante ligeiro e tudo indica que desempenhava o papel principal. Como
tal, Li Txe Kir / X5 se encontra à servir na colónia de detenção do tipo
fechado, embora no julgamento ele admitiu parcialmente a sua culpa. Na colónia o
ex-espião se dedica à construção de trilhos de cimento e barras de ferro.
O
seu cúmplice mais novo, Ru Song Chol / X32 é perito em tecnologia, servia claramente
o papel secundário; embora ele não confessou publicamente a sua participação
nas atividades de espionagem, está detido numa colónia de regime mais brando,
onde trabalho na construção de mobília.
X5 no trabalho prisional, fotografado pelas costas
Ambos
dizem que querem voltar a Coreia do Norte, após cumprirem as suas penas
prisionais. É quase certo que o regime norte-coreano tem as suas famílias como
reféns e dois homens não têm qualquer escolha. Os oficiais ucranianos asseguraram
à CNN que a dupla X5 e X32 são únicos espiões norte-coreanos, presos nas
cadeias ucranianas de momento.
No
fim do dia 16 de julho é possível constatar que o governo legítimo da Turquia e
o presidente Recep Erdoğan conseguiram esmagar o golpe do estado apoiado por cerca de
3.000 militares e efetivos de gendarmeria (no universo total de cerca de 800.000 efetivos). A
última bolsa de resistência golpista de Ancara se rendeu no fim desta tarde.
A face do golpe
O coronel Muharrem Kose, hoje em parte incerta
Agênciadeinformação turca “Anadolu” aponta como o líder do golpe ocoronelMuharremKose, jurisconsultodo exército, expulsodas forças armadas emmarçode 2016 porcausadassuasligações com o político emigrante Fethullah Gulen. Entreoutros“padrinhos” dogolpe“Anadolu” apontaochefedoExércitodeinfantariatenente-generalMetinLidileex-chefedaForçaAéreaAkin Ozturk, ora detido, que tinha
deixado as forças armadas em 2015.Namanhadodia 16 noedifíciodoEstado-maiordasFAdaTurquiaforamdetidos 13 oficiaisdealtasatentes, osseusnomesnãoforamdivulgados. Além disso, o Presidente Erdogan
acusou diretamente Fethullah
Gulen na organização do golpe, embora este negou o seu envolvimento e disse que «categoricamente contra a tentativa do golpe militar na Turquia».
O general Akin Ozturk, ora detido
Assuasvítimas
Os militares mortos em Istambul
O
golpe resultou em pelo menos 265 pessoas mortas e 1440 feridos. 19 polícias morreram
vítimas do fogo de helicópteros dos golpistas. 12 pessoas morreram na explosão
no edifício do parlamento (fotos em baixo). Cerca de 100 vítimas pertenciam às forças golpistas.
Os blindados do exército turco esmagavam as viaturas civis nas ruas de Istambul e Ancara, os populares criavam as barricadas, para impedir o avanços dos golpistas.
As
detenções
Os populares protegem um militar golpista contra o linchamento
Cerca
de 2839 pessoas foram detidas pelas forças governamentais (no universo de cerca
de 3.000 militares golpistas), entre os detidos são 5 generais e 29 coronéis da
Força Aérea turca. O primeiro-ministro turco Binali Yıldırım não descarta a
hipótese de Turquia a reinstalar a pena capital. Akguns militares golpistas
foram espancados pela população com auxílio dos cintos, alguma imprensa
sensacionalista (nomeadamente britânica) falou em “decapitações”. O jornal “Hurrieyt
Daily News” reporta que aos soldados foi dito pelos oficiais golpistas que eles
participam nos exercícios militares e só quando os populares começaram a
invadir os seus blindados eles entenderam que estavam participar no golpe do
estado. Agência “Anadolu” escreve que os golpistas usavam o serviço “WhatsApp”
para as suas comunicações.
Foram
detidos 10 membros do Conselho do Estado (Tribunal Superior Administrativo); contra
48 membros do mesmo conselho foram emitidos os mandatos da captura, assim como
são procurados, pelo seu envolvimento no golpe os 140 representantes do
Tribunal Supremo da Turquia (The Guardian). De acordo agência Anadolu e a
televisão NTV, em toda Turquia foram despedidos 2745 juízes, entre eles o juiz
do Tribunal Constitucional Alparslan Altan.
O juiz Alparslan Altan
Fim
da resistência
A
agência turca “Anadolu” informou que os últimos cerca de 150 golpistas que controlavam
o edifício de Estado-maior e da gendarmeria em Ancara se entregaram às
autoridades, entre eles 13 oficiais superiores da marinha turca (que, na sua
absoluta maioria ficou fiel ao governo do país).
Os
golpistas de altos patentes foram levados em dois autocarros separadamente do
resto dos militares que se renderam. Os restantes, muitos dos quais foram despidos
até a roupa interior foram colocados em outros três autocarros e enviados para
o estádio desportivo “Başkent” no oeste da capital da Turquia.
Fuga
à Grécia
Sete
militares turcos e um civil se refugiaram na Grécia, na cidade de Alexandrópolis, voando
até lá num helicóptero militar. Pela informação da TV estatal grega, ERT, eles pediram
o asilo político. O representante do governo grego, Olga Gerovasili, informou
que as autoridades gregas pretendem devolver o helicóptero à Turquia e analisar
o pedido de asilo dos cidadãos turcos, ora detidos.
O escritório da CNN em Istambul
O
povo e os partidos
A
maioria do povo, aquele mesmo que mais ordena, de forma instrumentalizada ou nem
por isso, apoiou o governo legítimo, o governo do Recep Tayyip Erdoğan. Tal
como o fizeram todos os partidos políticos, desde os nacionalistas até os
curdos. A democracia islâmica saiu vencedora, mostrando a sua força. Muita boa
gente não gostou, mas como se diz em um ditado “não temos para vocês nenhum
outro povo turco”. E este apoiou os que estão no poder.
Blogueiro:
no conflito de dois alfa-machos, Putin e Erdogan, Ucrânia claramente sai
favorecida com a vitória da democracia turca e a derrota dos militares. Ferido no
seu alfa machismo, Erdogan nunca mais será fiel à narrativa russa em relação
à Crimeia, por exemplo, que o fará quase automaticamente aliado da Ucrânia. A
nossa equipa vê Erdogan e os seus como “democratas travestidos de ditadores”,
pois é única maneira de governar um país islâmico, afetado ainda com problemas
de separatismo e violência quase diária de extrema-esquerda e menos diária da extrema-direita.
Precisamos de entender uma coisa, gerir um país assim, não é mesma coisa que
gerir a Suíça, não devemos esperar que esquemas que servem na Europa Ocidental,
ainda letárgica no seu sono do bem-estar social, podem funcionar no resto do
mundo, já bastante em chamas.