quinta-feira, agosto 30, 2012

Ga(s)tos da campanha eleitoral


As eleições legislativas ucranianas prometem um outono quente e uma campanha eleitoral bastante gastadora para a maioria das forças político – partidárias.

Na primeira metade de julho de 2012 o Partido das Regiões gastou para a propaganda política outdoor cerca de 1 milhão de USD (8 milões de UAH), o Partido Comunista (que promete devolver o país ao povo) gastou 6 milões de UAH, Viktor Medvedchuk (milionário visto como Bidzina Ivanishvili ucraniano) – 5 milhões de UAH, informação avançada pela Doors Consulting, que se baseia no seu próprio monitoramento da situação.

Segundo a mesma empresa, o partido “Ucrânia para Frente” (o mesmo que “contratou” o ex-futebolista Andriy Shevchenko), gastou 2,5 milhões de UAH e o partido UDAR do pugilista Vitali Klitschko se ficou pelas 1,25 milões de UAH.

Durante o monitoramento, Doors Consulting, contabilizou não menos que 3000 billboards do Partido das Regiões, cerca de 2500 dos comunistas, 1170 da “Ucrânia para Frente”, 2000 do Medvedchuk, 707 da Oposição Unida e apenas 81 do UDAR, que começou a campanha só no dia 15 de julho.

Acredita-se que a publicidade televisiva custa aos partidos cerca de triplo daquilo que as mesmas forças gastam em outdoor. O custo dos diversos tipos da publicidade oculta não está contabilizado nestas contas.

Fonte:
http://tyzhden.ua/News/57945

domingo, agosto 26, 2012

Crimes de estalinismo: Dniproges


No dia 18 de agosto de 1941, o 157° regimento de guarda do NKVD e o tenente-coronel Boris Epov, receberam a ordem secreta do Estaline de explodir a maior hidroelétrica soviética – DniproHES.

O orgulho da industrialização soviética, DniproHES era uma cópia das hidroelétricas americanas, desenhada pela Freyn Engineering Company de Chicago. As suas turbinas hidráulicas foram fabricadas pela norte-americana Newport News Shipbuilding and Drydock Company. Em 1932, DniproHES era a maior e mais poderosa hidroelétrica europeia, produzindo cerca de 50% de toda a eletricidade usada nas indústrias da parte europeia da URSS. A hidroelétrica também elevou o nível do rio Dnipro em cerca de 37 metros.

Na noite de 17 para 18 de agosto de 1941, o exército alemão rompeu as defesas do Exército vermelho e a cidade de Zaporizhia estava condenada. A 274ª divisão de infantaria, completada pelos soldados inexperientes, empurrada pelos alemães, começou a sua retirada.

No dia 18 de agosto na represa da hidroelétrica foram colocados 20 toneladas de trotil, tapado com sacos de arreia para direcionar a força da explosão contra a crista da DniproHES. Os sapadores eram comandados pelo técnico principal do laboratório de minas e explosivos, engenheiro militar e tenente-coronel (segundo outras fontes, coronel), Boris Epov (Epin?), o mesmo que em 1931 comandou a destruição da Igreja do Cristo Redentor em Moscovo.

Segundo diversas fontes, a explosão que ocorreu entre 20h00 à 20h30, causou um rombo entre 100 e 165 metros na represa da hidroelétrica, através do qual uma onda gigantesca de mais de 30 metros de altura avançou, causando a destruição total à sua passagem.

Nem a população local, nem as unidades do Exército vermelho foram avisados de antemão. As aldeias inteiras, animais, colunas de refugiados, unidades militares, hospitais de campanha, não tiveram o tempo de se salvar e foram aniquilados momentaneamente. A onda gigantesca destruiu equipamentos militares e armazéns de alimentos e munições, afundou diversas embarcações da frota militar de Zaporizhia, juntamente com as suas tripulações. Foram atingidas as unidades da Frente Sul (2° Corpo da cavalaria, 9° e 18° Exércitos), que em combate se retiravam em direção ao Kherson. Uma parte dos militares se afogou, outros foram capturados pelos alemães, não conseguindo passar para a margem esquerda do rio Dnipro. A quantidade total das vítimas nunca foi contabilizada. As estimativas mais conservadoras apontam a morte de cerca de 80.000 civis e 20.000 militares soviéticos [1].

As perdas dos alemães foram avaliadas pelo comandante do 3° Corpo de blindados, coronel, mais tarde general, Hasso-Eccard von Manteuffel em cerca de 1500 homens. Os números semelhantes foram mencionados pelo general e marechal-de-campo alemão, Ewald von Kleist.

Crime e castigo

A ordem formal foi assinada pelo marechal soviético Semion Budionny. Mas a liderança política e militar da Frente Sul, o chefe do Conselho Militar, general A. Zaporozhets e o chefe do Departamento político, Leonid Brejnev, não foram informados sobre a operação. Em consequência disso, Boris Epov e os seus subordinados diretos foram desarmados e entregues ao SMERSH. Por sua vez, SMERSH também não sabia da operação e durante 10 dias torturou Epov, exigindo confessar a alegada “traição da Pátria”.

Um outro responsável do Departamento político da Frente Sul, Mamonov, enviou um telegrama ao chefe do Departamento Político Geral do Exército, Lev Mekhlis:

Tenente-coronel Petrovsky … e tenente-coronel Epin (provavelmente Epov) … não informando o Conselho Militar da Frente, explodiram a represa e a ponte (a crista da represa funcionava e funciona com a ponte sobre o rio Dnipro) … os responsáveis foram detidos e entregues ao juízo do Tribunal militar”.

Apenas no dia 20 de setembro, após pôr Epov “em ordem” (colocação da maquilhagem para dissimular as torturas), ele foi enviado a Moscovo, onde no ano seguinte foi condecorado com Prémio Estaline de 1942-43 [2].

Quarenta e seis dias após a explosão, quando os alemães tomaram a cidade de Zaporizhia, a parte danificada de represa foi parcialmente reconstruída e no verão de 1942 a hidroelétrica renovou o seu funcionamento. Em 1943, deixando a cidade, os alemães novamente explodiram o que restava da DniproHES.   
  
Ver as fotografias:

Ver vídeo no YouTube:


Bibliografia


Blogueiro

Cerca de 100.000 cidadãos soviéticos foram sacrificados para atingir 1500 alemães. Este era o preço terrível que os cidadãos da URSS tiveram de pagar pelo mito estalinista de “vencer o inimigo à custa do pouco sangue no seu próprio território”. Após o fim da II G.M., durante o julgamento de Nuremberga, a URSS apresentou a caso de destruição de DniproHES como um dos crimes nazis. E Alemanha teve que pagar pelo crime comunista.

sábado, agosto 25, 2012

7671 dias da Independência ucraniana


A Ucrânia comemorou no dia 24 de agosto o seu 21° aniversário da Independência nacional.

Nos dois últimos anos o país vive sob a ocupação cultural, social, política e linguística de um governo regional que não está a trabalhar em prol da nação ucraniana. Embora ainda não está a viver a ditadura, neste aspeto Ucrânia está muito mal servida, pois, por exemplo, enquanto os ditadores latino-americanos não eram os democratas, pelo menos eram patriotas dos seus países. O grupo que comanda Ucrânia é composto pelos patriotas e até os cidadãos dos países estrangeiros, muitos dos quias simplesmente odeiam Ucrânia e a prejudicam em tudo que podem…

No entanto, apesar disso tudo, apesar da ocupação estrangeira que durou mais de 300 anos, apesar do Holodomor, das repressões e das vidas dadas pela Independência, Ucrânia existe e isso já é um pequeno, mas importante milagre.

Na primeira foto: “capacetes azuis” ucranianos em Kosovo colocaram a bandeira ucraniana no topo da Ljuboten (2.498 m), pico que entra na lista das montanhas mais altas do país.

quinta-feira, agosto 23, 2012

Recordar as vítimas do comunismo e do nazismo

Heinz Guderian e Semyon Krivoshein

No dia 23 de agosto é celebrado o Dia Europeu da memória das vítimas do estalinismo e do nazismo (também conhecido como o Dia Internacional do Laço Negro).

Neste dia devemos recordar mais uma vez a parada conjunta soviética e nazi na cidade de Brest-Litovsk, que teve o lugar no dia 22 de setembro de 1939. A parada foi comandada pelo general alemão Heinz Guderian e comandante da brigada soviética, Semyon Krivoshein. Era o ponto mais alto na amizade dos dois ditadores que dividiam a Europa entre as zonas da sua influência.




E não esquecem de visitar a exposição virtual GULAG do Museu Global do comunismo.

terça-feira, agosto 21, 2012

As maravilhas da culinária soviética


Aproxima-se mais um aniversário do desaparecimento da União Soviética. Neste dia memorável é sempre instrutivo recordar as coisas e os processos que morreram juntamente com o “país de operários e camponeses”.

A União Soviética foi um dos líderes mundiais em destruição da culinária como uma arte. O défice permanente de produtos mais elementares, os roubos cósmicos nos locais de “alimentação comum” (eufemismo soviético para as locais de venda de alimentos confecionados, situados nas empresas, nos estabelecimentos de ensino, diversas cantinas e afins), ajudaram a cimentar essa posição pouco honrosa. A falta da ordem, consequência da ausência do proprietário, arrumou o assunto.

Frutas e legumes frescos praticamente não se vendiam nas lojas fora da sua época. No outono, inverno e primavera, nas lojas especializadas em venda de legumes era possível comprar a batata, cenoura, beterraba, repolho, na sua maioria sujos, cheios da terra, no parcial estado ligeiro de decomposição. Por vezes as mesmas lojas vendiam o repolho picado, melões inteiros conservados em tambores de madeira e maças, frescas ou também conservadas. Nas capitais das repúblicas soviéticas, de vez em quando, se vendiam as laranjas gregas ou marroquinas. As bananas apareceram em venda livre só na década de 1990.

Esparguete e macarrão muitas vezes tinham a cor cinzenta, situando-se à anos-luz da original pasta italiana. “Pelmeni” (ravioli) eram vendidos em caixas de cartolina, as peças facilmente se “colavam”, transformando-se em massa única e pegajosa, para as separar era preciso usar uma faca. Chamavam-se “Russos” e eram produzidos com um único sabor em toda a URSS.

Leite e nata eram vendidos em garrafas ou em pacotes triangulares que costumavam rebentar pelas costuras ou pelo menos pingar, sujando a roupa ou outros produtos que a dona de casa soviética teve a sorte de “apanhar” (eufemismo que significava comprar).

Peixe podia ser congelado, era a carpa viva ou em conserva. O conceito de peixe fresco era totalmente desconhecido, assim como as ostras, búzios, caranguejos, camarões ou polvo. A lula era vendida de vez em quando.

Especiarias e temperos: pimenta preta e malagueta, cravinho. Mais nada.

Chá e café: quase lixo, os restos que sobravam após o melhor chá georgiano era exportado ao Ocidente, pois o país precisava das divisas (que depois eram usadas para financiar os partidos e organizações comunistas ou pelo menos anti – Ocidentais). Café instantâneo soviético era simplesmente mau…

Almôndegas nas cantinas eram feitas de pão, alho e mais pão. As nojentas sopas de leite com aletria. Fígado que os cozinheiros sabiam transformar em pedra. Cerveja aguada.

Carne nas lojas tinha mais ossos do que a própria carne. Numa grande parte do território da Rússia Soviética (região de Volga, Rússia Central), a carne não aparecia no comércio estatal, as pessoas viajavam até Moscovo para comprar a mortadela. O único tipo de mortadela vendido naquelas regiões e mesmo assim, muitíssimo raramente, custava 1,60 copeque por quilo e era conhecida na Ucrânia como “felicidade de cão” (ucranianos a usavam para alimentar os seus cães e gatos).

Frangos: as pessoas contavam as anedotas sobre os frangos azuis. Uma anedota típica descrevia o ocidental crédulo que ficava deslumbrado com a suposta superioridade socialista ao ver uma fila enorme que esperava pelos “frangos deitados fora” (calão soviético que significava “em venda livre”). Depois de ver os frangos de perto ele dizia: “No meu país também deitamos fora os frangos desta qualidade”.

Queijo se vendia apenas dois, no máximo quatro tipos diferentes. A existência de Parmesão só era conhecida através do cinema e da literatura.

Vinhos: mixórdia de 0,5 que custava 0,92 copeque e se chamava “vinho de frutos e bagos”. Portveine “777”. Ninguém adivinhava que o verdadeiro Vinho de Porto é um vinho espirituoso saboroso e nobre.
Pela felicidade dos cozinheiros e adeptos de alimentos saborosos, este mal nos deixou para sempre!

Bónus

O blogueiro inbelousov, farmeiro e dono de uma rede de supermercados recorda a sua própria juventude.

Cresci na província de Kurgan. Pela primeira vez provei o chouriço em 1977 no Palácio dos Desportos na cidade de Chelyabinsk, quando foi ver o circo de Moscovo. Até agora me lembro os pedaços finíssimos colocados no pão. Bananas uma vez o pai trouxe de Leninegrado, em 1976. Tangerinas só apareciam nas prendas do Ano Novo. 

Em 1984 após a graduação na escola militar foi servir no Extremo Oriente russo, na província de Amur, aldeia Srednebelaya-2. A carne era vendida apenas aos portadores de talões, cada pessoa tinha direito aos 500 gramas mensais. Eu e a minha esposa tivemos o direito de 1 kg de carne. Na loja da guarnição se vendia a farinha, ovos, pasta de tomate e “salada Jager”. Mais nada. Essa era a Rússia onde eu vivia, este era o poder soviético para mim.

Fonte:

domingo, agosto 19, 2012

Genocídio dos georgianos em agosto de 2008

aldeia de Kekhvi antes de agosto de 2008

Recentemente a guerra na Geórgia assinalou o seu quarto aniversário. Hoje não pretendemos discutir quem é que fez o primeiro desparro naquele agosto fatídico. Vamos apenas analisar os resultados da guerra.

Após o dia 10 da agosto de 2008, quando as forças armadas da Geórgia deixaram a cidade de Tshinvali e as aldeias próximas, os grupos paramilitares ossetas começaram saquear, queimar e destruir as casas dos georgianos em redor da cidade.

O que segue é a lista de danos infringidos às aldeias e vilas georgianas no território da Ossétia do Sul durante a limpeza étnica de 2008. Saibamos o que aconteceu!

aldeia de Kekhvi após a invasão... 
Kekhvi – viviam lá 1177 georgianos em 345 casas das quais 340 foram destruídas, 5 ficaram intactas, grau de destruição é de 98,3%.
Avnevi – viviam lá 1022 georgianos em 279 casas das quais 242 foram destruídas, 37 ficaram intactas, grau de destruição é de 86,7%.
Kemariti – viviam lá 1007 georgianos em 301 casa que foram destruídas na sua totalidade, grau de destruição é de 100%.
Tamarasheni – viviam lá 960 georgianos em 274 casas das quais foram destruídas 256, 18 ficaram intactas, grau de destruição é de 93,4%.
Zemo Achabeti – viviam lá 860 georgianos em 158 casas das quais foram destruídas 156, 2 ficaram intactas, grau de destruição é de 98,7%.
Kheiti – viviam lá 807 georgianos em 204 casas das quais foram destruídas 203, 1 ficou intacta, grau de destruição é de 98,9%.
Berula – viviam lá 795 georgianos em 297 casas das quais foram destruídas 293, 4 ficaram intactas, grau de destruição é de 98,6%.
Dzartsemi – viviam lá 650 georgianos em 239 casas das quais foram destruídas 237, 2 ficaram intactas, grau de destruição é de 99,2%.
Qwemo Achabeti – viviam lá 574 georgianos em 174 casas das quais foram destruídas 169, 5 ficaram intactas, grau de destruição é de 97,1%.
Kurta – viviam lá 1124 georgianos em 287 casas das quais foram destruídas 285, 2 ficaram intactas, grau de destruição é de 99,3%.
Eredvi – viviam lá 918 georgianos em 299 casas das quais foram destruídas 297, 2 ficaram intactas, grau de destruição é de 99,3%.
Nuli – viviam lá 507 georgianos em 142 casas das quais foram destruídas 137, 5 ficaram intactas, grau de destruição é de 96,5%, etc, etc, etc.

Ver as fotografias comparativas antes e depois de agosto de 2008:

sexta-feira, agosto 17, 2012

Minoria étnica da primeira


O seu recente lobby da Lei № 9073, que equipara as línguas regionais ao estatuto da língua ucraniana, o Partido das Regiões justificava pela preocupação com os direitos sócio – linguísticos das minorias étnicas que vivem na Ucrânia.

No entanto, após a promulgação da nova lei pelo presidente do país no passado dia 8 de agosto, o vice-chefe da bancada parlamentar do Partido das Regiões, Mykhaylo Chechetov, disse que apenas as línguas ucraniana e russa precisam de ter um estatuto especial na Ucrânia.

46 milhões de pessoas compreendem as duas línguas: russa e ucraniana. Não a língua búlgara, não a língua húngara, não a língua romena, não a língua judaica, iídiche ou hebreu, eu nem sei como são. Estas línguas são compreendidas por um punhado de pessoas. Nos falamos sobre duas línguas, que são compreendidas por todo o povo”, disse deputado na entrevista à Rádio Liberdade.

Fonte:

Bónus

Um dos deputados da Assembleia regional na Crimeia avisou os seus colegas que à partir da próxima seção legislativa fará todas as suas intervenções em língua dos tártaros da Crimeia. Pois não aceita a ideia que haja na Ucrânia as minorias étnicas da primeira e as restantes…

quarta-feira, agosto 15, 2012

Libertar Pussy Riot


As rainhas momentâneas da performance, jovens provocadoras, parecidas com as suas irmãs ucranianas da FEMEN, as mulheres do grupo punk Pussy Riot devem ser libertadas pelo bem de nos todos.

Até agora a sua libertação foi pedida pelos 121 deputados do Bundestag alemão que representam todos os quadrantes políticos do país. Na sua carta entregue ao embaixador russo na Alemanha os deputados pedem a libertação da banda, baseando-se no 10° artigo da Convenção Europeia da Defesa dos Direitos do Homem e no 44° artigo da Constituição da Rússia que prevê o respeito pela liberdade de expressão e pela liberdade da criação artística.  

Entre o mundo da música e do cinema, a libertação das Pussy Riot é pedida pela Madonna, Patti Smith, Peter Gabriel, Sting, Yoko Ono, fundador dos The Who Peter Townshend, Jarvis Cocker dos Pulp, Neil Tennant dos Pet Shop Boys, Alex Kapranos dos Franz Ferdinand e Johnny Marr dos The Smiths. O proeminente jazzista finlandês Iiro Rantala cancelou os seus concertos na Rússia em protesto contra a prisão e perseguição judicial do grupo, a libertação também é pedida pelos atores Stephen Fry, Danny De Vito e Elijah Wood.  

O julgamento será monitorado pela deputada britânica Kerry McCarthy do governo – sombra do Partido Trabalhista. O Embaixador dos EUA na Rússia McFaul manifestou a sua preocupação pública pelo andamento do processo e o Comissário alemão dos Direitos Humanos, Markus Löning pediu a libertação do grupo.

A Amnistia Internacional considera Pussy Riot como as prisioneiras da consciência.

O julgamento pode ser seguido no twitter em @RusPoliceWatch,@gruppa_voina e @freepussyriot

Realmente é chocante saber que as meninas que dançaram em silêncio numa igreja podem passar até 3 anos na cadeia, quando os carrascos da NKVD responsáveis pelas inúmeras mortes nos GULAGes soviéticos continuam a receber as suas pensões bonificadas, glorificando o regime totalitário comunista, responsável pelos inúmeros genocídios de milhões de cidadãos da União Soviética.

Pior neste quadro só fica a Igreja Ortodoxa Russa (IOR), que entre a colaboração com KGB no passado recente e a exibição desenvergonhada dos luxos no presente, não sente nenhum pingo de misericórdia e compaixão pelas “pecadoras” que já pediram desculpas pelos seus atos. Sentimentos nobres partilhados pelas pessoas do bem de todas as fés e religiões genuínas e pelos vistos desconhecidos pela liderança da IOR.

Não esquecer que o dia 17 de agosto é o Dia Internacional pela libertação das Pussy Riot. Cada um de nós poderá criar a sua própria maneira de manifestar a nossa posição e pedir que o grupo seja posto em liberdade o mais rapidamente possível.

Seguir o processo de perto:     
http://freepussyriot.org

terça-feira, agosto 14, 2012

Avô e o gato assustam o Partido das Regiões


O criador do billboard ucraniano da avô e do gato, adorado na Internet e odiado pelo Partido das Regiões é perseguido pela polícia ucraniana que lançou a campanha nacional da sua busca e detenção.

O billboard foi afixado na entrada da cidade de Dniprodzerzhynsk na província de Dnipropetrovsk. O Governador da província, afeto ao Partido das Regiões, ligou imediatamente para a os proprietários da billboard (Apels.dp.ua), exigindo retirar imediatamente a publicidade.

Mais tarde, soube-se que o criador da publicidade é o ativista social da oposição e o presidente de um conselho municipal regional, Maksim Golosnoy.

Sem ter um motivo legal para perseguir Golosnoy, o poder local usou o Ministério do Interior para lançar a campanha nacional da sua busca e detenção, mesmo sem apresentar a acusação formal. O Ministério do Interior provincial não esclarece a situação, um dos investigadores explica que o caso pode ser relacionado com a atividade do ativista na presidência do Conselho Municipal.

O próprio Golosnoy comentou a situação de seguinte maneira:

Este poder não possui os princípios morais, não tem a lei – mata, mutila, ameaça, para conseguir os seus objetivos. […] Partido das Regiões tem centenas de pontos (de publicidade) só na nossa cidade, dos quais o partido conta sobre a estabilidade e o bem-estar que finalmente vieram. Nos temos apenas UM, que usamos para dizer a verdade de maneira humorística. Vejam a reação à um único banner – arrancar, tapar, amedrontar imediatamente! É a vergonha, vergonha de toda a Ucrânia!, escreve dndz.com.ua

segunda-feira, agosto 13, 2012

Os novos cossacos de ouro


Os jogos olímpicos de Londres já se foram e Ucrânia ficou no 14° lugar na geral com suas 20 medalhas. Sem ser uma superpotência, com uma situação política e social complicada, sem petrodólares ou gasodólares e sem as minas de urânio para aqueles que não conseguissem ganhar em nome de um “grande líder” qualquer.

Descobrimos uma nova geração dos cossacos modernos, que no futuro próximo poderá substituir os nossos queridos irmãos Klitschko. E claro, o cossaco principal, o nosso cossaco de ouro sem dúvida é o pugilista Oleksandr Usyk, campeão, patriota e grande dançarino do Hopak.

Adoramos assistir Oleksandr Usyk, campeão na categoria de até 91kg dançar o Hopak (por uma razão burocrática o vídeo é constantemente bloqueado no YouTube), por isso pode ser visto AQUI

Ver a apresentação do campeão ucraniano no ringue:

domingo, agosto 12, 2012

Holodomor – Grupo de Informação e de Pesquisa


Entretien avec Philippe Naumiak, Président de l’association HGIR (Holodomor – Groupe d’Information et de Recherches)

Quand l'association a-t-elle été créée et quels sont ses objectifs?

L'association a été créée par des Français d'origine ukrainienne afin de mettre en oeuvre tous les moyens de diffusion, de communication, d’information, de recherche et d’études concernant l’Holodomor. L'objectif de l'association est de porter à la connaissance du plus large public français, une information et une expression des plus pertinentes sur l'un des trois génocides européens: le Holodomor ukrainien, chronologiquement placé entre la tragédie de l'Arménie et la Shoah, mais plutôt méconnu, ou mal connu, des Français à l'exception de quelques cercles universitaires.

Ler entrevista na íntegra:

sábado, agosto 11, 2012

Deputada das Regiões usa agiotagem


A deputada do Partido das Regiões se dedica à agiotagem, acreditando que a pertença ao partido – estado a torna completamente intocável.  

A deputada do Partido das Regiões do Conselho Municipal de Dnipropetrovsk, Svitlana Epifanceva, publicou a sua própria fotografia de cuecas e camisa de dormir na sua página de Facebook. A blogueira e jornalista ucraniana, Maryna Frolova, colocou a imagem picante no seu blogue e imediatamente foi alvo de ameaças e da agiotagem.

Me ameaçam e exigem 1110 dólares americanos, conta a jornalista. Mais tarde eliminei a foto e até pedi desculpas a deputada. Agora me liga o seu secretário de imprensa e exige 1110 dólares pelos “danos morais”. Caso contrário polícia tomará a conta do meu caso”.

A jornalista ligou para a deputada “ofendida” e gravou a conversa. A deputada diz que é … alvo de pressão por parta dos “fundadores da corporação Google”! A deputada ainda disse que “Você toca o Partido das Regiões. E você entende o que significa tocar no Partido das Regiões. Sim, sobre o Partido das Regiões melhor não escrever…”, informa Ipress.ua

Extremamente triste ver que Ucrânia se torna no local, onde as put@s que fazem parte dos sipaios regionais acreditam plenamente que estão acima da lei e da ordem, da moral, do bom senso e do julgamento divino. E não deveriam pensar deste jeito…

Escutar a conversa entre a deputada e jornalista:

quinta-feira, agosto 09, 2012

Operação Danúbio: visão do ocupante


Em 1968, na Checoslováquia, a maioria dos soldados soviéticos pela primeira vez na vida viu os hippies. As chefias militares explicavam aos soldados que os jovens checoslovacos de cabelo cumprido são o produto da má influência ocidental e representam a traição dos ideais do socialismo.

por: Volodymyr Viatrovych, historiador

Na sociedade ucraniana da época, a invasão da Checoslováquia e o estrangulamento da democracia no país vizinho suscitou as diversas reações. Os cidadãos mais esclarecidos mostravam o seu descontentamento abertamente ou, mais clandestinamente, divulgavam os panfletos contra a invasão. Alguns representantes da elite intelectual, conotados com o poder apoiaram a invasão publicamente. Os memorandos do KGB sempre sublinhavam que “a larga maioria do povo soviético apoia inequivocamente as ações do CC do PCUS, do Governo soviético e dos outros países amigos, relativos à Checoslováquia”. Na realidade, “a larga maioria do povo soviético” ficou bastante indiferente aos acontecimentos em Praga.

O povo apenas ficou sobressaltado com a mobilização dos homens para o exército. A geração que ainda se lembrava da II G.M., refletia de seguinte maneira: mobilização significa a guerra, guerra significa a necessidade de fazer o stock dos produtos necessários. As filas nas lojas, já tão habituais na URSS aumentaram significativamente, começou o pânico.

A URSS temia a entrada da NATO no conflito, por isso na operação Danúbio participou cerca de meio milhão de militares soviéticos, mas também da Polônia, RDA, Hungria e Bulgária. KGB tinha as razões para duvidar da lealdade total dos mobilizados, por isso monitorava a correspondência que os militares mandavam às suas famílias. Na sua maioria as cartas testemunhavam o medo e a falta de informação sobre os acontecimentos, sentimentos de pânico e de insegurança. Mas os “ventos de nacionalismo”, acordados pela Primavera de Praga chegavam ao exército soviético. KGB informava: “Reservistas mostram o descontentamento com o serviço, muitos exigem a desmobilização e abertamente afirmam não ter vontade de lutar pelos outros. Algumas pessoas cantavam as canções nacionalistas. Em resultado, uma parte dos reservistas ucranianos foi desmobilizada, o seu lugar foi preenchido pelos soldados efetivos”.      

Mas os temas dominantes eram a disposição angustiante e descontentamento com as condições de vida. Eis o que escreviam os soldados: “Em redor só árvores e nada mais. Quase não vês o sol, vives como na cadeia […] por vezes […] queres pegar a espingarda automática e dar um tiro na testa”. “Vivemos quase como os porcos, – se indignava outro soldado, – tudo está sujo. Basta dizer isso, logo és acusado de ser o traidor da Pátria”. Não apenas os soldados, mas também os oficiais procuravam a descontração na bebida: “Vivemos no campo aberto, mas já é outono, é húmido e frio. […] Se dedicamos à luta contra o frio, sujidade e disenteria”.

A população da Checoslováquia não aceitava os “visitantes” não convidados, “continuamos a receber os insultos (“Ocupantes!”, “Invasores”) e ameaças (“Somem daqui para casa!”) e outros”, escrevia um soldado da Ucrânia.

Os checoslovacos não ofereceram a resistência armada massificada como em Budapeste em 1956. Os dados históricos apontam a morte em confrontos esporádicos de cerca de 100 cidadãos da Checoslováquia e 12 militares soviéticos. No entanto, as perdas soviéticas casuais eram muito maiores – 84 militares morreram em acidentes com armas e equipamentos da guerra (assim o exército soviético classificava os suicídios), dos acidentes e doenças.     

O termo “contrarrevolução” ou “contra”, usado pelo serviço psicossocial soviético, pouco a pouco fazia a cabeça dos soldados. “Nos locais mais seguros, – escreve um soldado, – entrincheirou-se a contra. Nas escolas, institutos, professores e docentes ensinam aos alunos e estudantes as inventivas caluniosas contra União Soviética e essa juventude cabeluda acredita prontamente”. Levados pela propaganda sistémica, os jovens soviéticos, outrora desorientados, lentamente se transformavam em ocupantes clássicos, convencidos da importância da sua missão e sentindo o desprezo e ódio pelas populações locais. “Os checos nos chamam de ocupantes, dizem descaradamente na cara: para que vieram, vão embora enquanto são vivos. Pessoalmente falava com vários checos, e sabes, por este tipo de tratamento, pegava a coronha…”, reportava outro. O chauvinismo da grande potência propunha as explicações simples da presença dos soldados tão longe de casa. “Estas canalhas não eram os nossos amigos e não serão tão já. Alguém virou a consciência deles para o outro lado…

Dez anos após a Praga, em 1979, a União Soviética mais uma vez lançou o seu exército para cumprir “o dever internacionalista”, desta vez no longínquo Afeganistão. Lá, diferentemente da Checoslováquia, cada pedaço da terra “amiga” teve que ser tomado em combate. Apenas a derrocada da URSS saciou a vontade de Kremlin de cumprir o “dever internacionalista” no estrangeiro. Em 1989 Moscovo se retirou do Afeganistão, em 1991 retirou as suas bases da Checoslováquia. Assim terminou o imperialismo soviético e acabou o império.

Fonte
http://tsn.ua/analitika/praga-68-viglyad-z-tanka-okupanta.html

sábado, agosto 04, 2012

GULAG por Danzig Baldaev


Estas representações horríveis de vida no sistema penal soviético são uma mistura perturbadora de facto e de alegoria, escreve Roland Elliott Brown

Nascido em 1925 em Ulan-Ude, o buriata Danzig Baldaev era filho de um etnógrafo que foi preso nas purgas estalinistas, acusado de ser um “inimigo do povo”. Cresceu em um orfanato para os filhos dos “membros de famílias dos traidores da pátria” e mais tarde foi forçado, como ele descreveu, pela NKVD a trabalhar como carcereiro na prisão Kresty em Leningrado (São Petersburgo). Em 1988 ele publicou um álbum gráfico, classificado por alguns como “pornografia sádica”, que dedicou à Alexander Solzhenitsyn.

Baldaev não era um pornógrafo, em qualquer sentido convencional, mas foi, no entanto, inundado por pornografia, pois ele foi cercado pelo sadismo pornográfico que caracteriza – às vezes por design, por vezes, por padrão - a máquina punitiva soviética. Um antropólogo amador sem qualquer educação formal, Baldaev lutou para dissecar em papel o sistema que o moldou e da qual ele foi cúmplice.

Seus desenhos e descrições abalam a nossa imaginação: mulheres nuas e magras, tão desperdiçadas pela fome e trabalho que os seus úteros têm prolapso, alinhadas perante o médico do campo de concentração, debaixo de um dos ditames de Lenine: “Aquele que não trabalha, não come”; um professor universitário sem roupa é amarrado e sodomizado pelos seus guardas;  na página mais nauseante, uma jovem mulher que se recusou os avanços sexuais de guardas é amarrada em cima de um formigueiro com um tubo inserido na vagina...

Os leitores podem perguntar se as ilustrações do Baldaev são precisos documentos de atrocidades ou foram concebidos como a propaganda anti-soviética. A resposta é: os editores do seu livro corroboraram de um modo convincente muitas de suas representações com os testemunhos paralelos da literatura soviética sobre o GULAG. Embora seja necessário saber que os “inimigos do povo” foram submetidos a formas revoltantes de tortura e humilhação, alguém pode perguntar: os interesses da história de alguma forma foram servidos pela imagem da mulher com as formigas na sua vagina?

No entanto (os desenhos do Baldaev) não são a obra de uma testemunha passiva, nem são produtos da imaginação. Eles são uma arte boa, mas carregam a mácula de sua escolha entre autoridade e a vitimização. Seria uma ingenuidade julgá-lo estando em posição de segurança e conforto. Baldaev ousou apenas odiar e testemunhar os crimes do sistema, sem nunca confronta-lo. A terrível verdade que Baldaev identificou – para muitos intermediários e serviçais o GULAG tinha os seus prazeres desprezíveis, a verdade que não poderia permanecer enterrada para sempre. Enquanto os seus desenhos poderiam ter o aliviado um pouco, eles também ajudaram aos seus superiores garantir a sua submissão.

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Ver todos 43 desenhos originais do Baldaev:

quinta-feira, agosto 02, 2012

Ucraniano salva banhistas brasileiros


É com tranquilidade que ucraniano Vasyl Valer (33), recorda o dia 11 de Maio de 2011, em que salvou, com risco da própria vida, dois banhistas brasileiros de morriam afogados na Praia da Rocha em Portugal.Faria o mesmo hoje, sem hesitar”, garante.

por: Ana Palma / foto: Miguel Veterano Junior

Apesar de não ser grande nadador e de estar içada a bandeira vermelha, o cozinheiro ucraniano lançou-se à água com um amigo, Alex, mal soube que estavam três jovens de cerca de 15 anos em perigo, na zona poente do miradouro. “Um saiu da água pelos próprios meios, mas os outros estavam aflitos, com as ondas a empurrá-los contra as rochas. Tirei um da zona perigosa e o Alex levou-o para a praia. Mas o outro fui buscá-lo ao fundo do mar”, lembrou.

Durante meia hora, já sem forças para nadar, Vasyl conseguiu segurar o rapaz, que tremia, junto às pedras do molhe, até à chegada de socorro. Ficou muito ferido nas pernas e esteve “um mês sem poder trabalhar”.

Dos jovens que salvou, nada mais soube. “Que Deus o ajude!”, foi o único agradecimento que recebeu, na altura, da mãe de um deles. “Eu não esperava reconhecimento. Mas lamento que a embaixada ucraniana não me tenha dito nada, depois de a notícia ter saído no Correio da Manha”, disse.

Foi, aliás, pelo CM, que leu na Net, que a mãe do herói soube do sucedido: “Ela chorou e disse--me que eu podia ter morrido”. Há 11 anos no Algarve, que escolheu por ter lá um amigo, Vasyl - filho e irmão de agricultores – quer continuar por cá e a cozinhar. Nos tempos livres, dedica-se à “pesca e a ver futebol”.

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