domingo, outubro 25, 2026

Deportação soviética permanente: limpeza étnica praticada na URSS

Declaração da letã (?) Aria Resevskis (1934), uma jovem de 17 anos

Entre 1949 e até à morte de Estaline os cidadãos deportadas, expelidos da parte europeia da URSS para a Sibéria e Ásia Central, eram coagidos à assinar uma declaração escrita em que se comprometiam a viver permanentemente nas «regiões remotas da União Soviética, sem o direito de regressar ao seu antigo local de residência».

Este tipo de declaração escrita era entregue à todos os cidadãos, que foram alvo dessa medida punitiva, de aplicação geral, indiscriminada e extrajudicial, com base na sua nacionalidade, antes, durante e após a II G.M. A formulação da declaração é simplesmente brutal, se considerarmos o seu significado e o facto de que aqueles que foram punidos desta forma não tinham cometido qualquer crime que pudesse ser provado como justificando numa punição tão brutal.

Deportação soviética dos letões, 14.VI.1941

«...Eu, [nome] um deportado, fui informado de que fui deportado permanentemente pela Autoridade Suprema da URSS para regiões remotas da União Soviética, sem o direito de regressar ao meu antigo local de residência.

Foi-me também dito que não tenho o direito de sair, mudar o meu local de residência ou de trabalho, mesmo que temporariamente, sem a permissão do Ministério do Interior local.

Sei que, se violar esta declaração escrita, serei sujeito a um processo criminal nos termos do Decreto do Presidium do Soviete Supremo da URSS de 26 de Novembro de 1948 e condenado a 20 anos de trabalhos forçados [a punição czarista, oficialmente re-introduzida na URSS em 1943]. O decreto de 26 de Novembro de 1948 foi-me comunicado...»

Quem era alvo dessa medida? 

A medida era aplicada às populações inteiras, principalmente residentes e naturais na Ucrânia Ocidental, Países Bálticos (Letónia, Lituânia e Estónia), Moldova, nações como tártaros da Crimeia, chechenos e ingushes, entre vários outros grupos étnicos. 

As vezes, as autoridades soviéticas acusavam as nações internas de colaboração como os nazis, como aconteceu aos chechenos ou tártaros da Crimeia, noutros casos, os cidadãos eram acusados de serem «elementos antisoviéticos», perseguidos pela sua suposta ou real ajuda aos movimentos da resistência (OUN-UPA na Ucrânia ou «irmandade de floresta» na Lituânia ou Estónia). 

Em alguns casos, estas pessoas puderam regressar às suas terras de origem após a morte de Estaline, mas principalmente após a denúncia dos crimes de estalinismo pelo Khruschev, à partir de 1953-56, noutros casos o regresso só foi possível várias décadas depois, e mesmo assim, recebia uma forte resistência das autoridades soviéticas, o caso dos tártaros da Crimeia ou dos alemães de Volga.

As tentativas de tártaros da Crimeia, alemães de Volga e os turcos de Meskhetia
de regressar às suas terras de origem, 1971

Tudo isso, sem esquecer que a deportação dos povos nativos, nunca vinha só. No lugar dos deportados: ucranianos, lituanos ou chechenos, as autoridades soviéticas traziam os «novos colonos» as populações russas, geralmente vindas da rússia central. Alguns dos seus descendentes se recusam à se integrar nos países onde vivem até hoje, declarando, de uma aberta ou então, encoberta, a não aceitação da realidade pós 1991, a queda ou desaparecimento da União Soviética. Essa, em grande parte, é a base de aceitação do atual expansionismo imperial russo, dentro e fora da rússia...

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