quinta-feira, outubro 29, 2026

De África à Ucrânia: uma investigação entre prisioneiros de guerra africanos

O Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI) publicou um estudo sobre o recrutamento de cidadãos africanos pela rússia. O seu autor, Thierry Vircoulon, conversou diretamente com mercenários africanos capturados, em campos dos POW na Ucrânia. Tomou conhecimento em primeira mão dos detalhes do recrutamento, das atitudes em relação aos estrangeiros no exército russo e do tratamento que recebem em cativeiro na Ucrânia. 

A rússia está a transformar o desejo dos africanos de encontrar trabalho ou obter educação numa ferramenta para recrutar novos membros ao exército russo. Anúncios de emprego falsos, promessas de salários elevados e cidadania russa, engano e coação — os recrutadores russos empregam uma variedade de métodos. As vezes toda essa coação leva ao desfecho rápido — o sucídio do mercenário.

O IFRI concluiu que, apesar das promessas públicas de Moscovo de acabar efectivamente com os raptos e repatriar cidadãos de alguns países africanos, o recrutamento continua. Vircoulon acredita que isto pode ser combatido através da cooperação internacional, da exposição das redes de recrutamento, do reforço da fiscalização e da informação às pessoas sobre os riscos de procurar trabalho na rússia. 

De referir que o documento foi publicado pouco antes da Cimeira rússia-África, que começou no dia 28 de outubro em Moscovo. O autor acredita que a questão do recrutamento de africanos será o «elefante na sala» e será provavelmente levantada por convidados do continente africano nos bastidores das negociações oficiais. 

Recorde-se que, durante a invasão em larga escala da Ucrânia, foram capturados representantes de 18 países africanos. Desde o início da guerra que a rússia não os trocou. Para alterar esta situação, os prisioneiros de guerra africanos apelaram aos participantes da Cimeira rússia-África, solicitando-lhes que facilitassem o seu regresso para casa. 

Ler em francês: De l'Afrique à l'Ukraine: enquête auprès de prisonniers de guerre africains

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