A rússia está a transformar o desejo dos africanos de encontrar trabalho ou obter educação numa ferramenta para recrutar novos membros ao exército russo. Anúncios de emprego falsos, promessas de salários elevados e cidadania russa, engano e coação — os recrutadores russos empregam uma variedade de métodos. As vezes toda essa coação leva ao desfecho rápido — o sucídio do mercenário.
O IFRI concluiu que, apesar das promessas públicas de Moscovo de acabar efectivamente com os raptos e repatriar cidadãos de alguns países africanos, o recrutamento continua. Vircoulon acredita que isto pode ser combatido através da cooperação internacional, da exposição das redes de recrutamento, do reforço da fiscalização e da informação às pessoas sobre os riscos de procurar trabalho na rússia.
De referir que o documento foi publicado pouco antes da Cimeira rússia-África, que começou no dia 28 de outubro em Moscovo. O autor acredita que a questão do recrutamento de africanos será o «elefante na sala» e será provavelmente levantada por convidados do continente africano nos bastidores das negociações oficiais.
Recorde-se que, durante a invasão em larga escala da Ucrânia, foram capturados representantes de 18 países africanos. Desde o início da guerra que a rússia não os trocou. Para alterar esta situação, os prisioneiros de guerra africanos apelaram aos participantes da Cimeira rússia-África, solicitando-lhes que facilitassem o seu regresso para casa.
Ler em francês: De l'Afrique à l'Ukraine: enquête auprès de prisonniers de guerre africains
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