domingo, outubro 25, 2026

Afinal, quantos anos da história tem Ucrânia?

Ultimamente, a propaganda russa, tenta novamente reduzir existência da Ucrânia aos meros 35 anos, desde o dia da reinstalação da sua Independência em 24.08.1991. Mesmo se fosse verdade, que absolutamente não é, isso não daria nenhum poder ao regime neofascista russo de invadir o país, tentando aniquilar a soberania ucraniana. 

Nome do Estado e os povos/tribos que nele habitavam

Os tribos proto-eslavos que havitavam na chamada Rus de Kyiv (os territórios da Ucrânia moderna e do Médio Dnipro):

  • Polianos — a tribo principal, com o seu centro em Kyiv; o núcleo do estado formou-se à sua volta;
  • Drevlíanos — viviam na margem direita do rio Polissia (a principal cidade era Iskorosten);
  • Siverianos — ocupavam as bacias dos rios Desna, Seim e Sula (Chernihiv, Pereyaslav);
  • Volynianos (também conhecidos como buzhany, buliby) — habitavam a bacia do rio Buh Ocidental e da Volyn atual;
  • Tivertsios — viviam ao longo dos rios Dniester e Prut até ao Mar Negro;
  • Ulychi — inicialmente viviam no curso inferior do Dnipro, mais tarde migraram entre o Dniester e o Prut.
  • Croatas Brancos — habitavam as regiões dos Cárpatos e da Transcarpátia.

O nome da Ucrânia

1ª menção conhecida da palavra Ucrânia, ano 1187, Codex Khlebnikov da Crónica Ipatiev

O primeiro registo escrito do termo «Ucrânia» data de 1187, aparece na Crónica de Kyiv (preservada como parte da Lista de Ipatiev, cópia conhecida se chama Codex Khlebnikov). A palavra é mencionada a propósito da morte do Príncipe Volodymyr Glibovych de Pereiaslav, conhecido pela sua luta contra os polovtsianos: «о нем же Оукраина много постона» («por causa [da morte] dele Ucrânia gemeu muito»).

Um excerto do Evangelho de Peresopnytsky (1556)
no qual ocorre a palavra “Ucrânia”.

Língua(s) faladas e escritas

Os habitantes da Rus de Kyiv falavam várias línguas nativas, usando, para a escrita e documentação a antiga língua búlgara (a sua variante macedónia), que mais tarde foi conhecida do eslavo antigo ou eslavo eclesiástico. Em vários grafitties, deixadas nas paredes das igrejas em Kyiv, é possível notar vários ucrainismos, principalmente, na terminação das palavras ou quando os autores usavam, quando não sabiam certas palavras em antigo búlgaro, que era usado, na Europa Oriental, como a língua franca, à semelhança do latim, na Europa Ocidental.

Reprodução gráfica de uma inscrição do livro de Serhiy Vysotsky, “Inscrições da rus´ antiga de Sofia de Kyiv, séculos XI-XIV”. Inscrição: “SENHOR, AJUDA O TEU SERVO PAVLOVY”. A inscrição da oração termina com um nome no caso dativo tipicamente ucraniano “PAVLOVY”. “Na língua ucraniana, desde os monumentos escritos mais antigos até aos séculos XVI-XVII, a terminação do caso dativo (-OVY) era sólida” – historiador da língua, Doutor em Filologia, Viktor Moisienko.

Rurik e Kyiv como capital da Rus de Kyiv

Segundo a historiografia ainda soviética, a cidade de Kyiv foi fundada no ano 482 (século V). O alegado fundador da dinastia, Rurik, é uma personagem mítica, a sua existência real não está confirmada em nenhuma crónica da chamada «historiografia paralela», fora das crónicas da Rus de Kyiv: nem árabes, nem bizantinos, nem da Europa Ocidental.

A data oficial e provável da fundação de Novgorod, uma outra cidade importante de Rus de Kyiv, é considerada 859 (de acordo com as Crónicas de Nikonov e Primeira de Sófia). As camadas culturais reais da cidade e dos povoados no território moderno de Novgorod datam a sua existência da década de 930 (século X). Portanto, a cidade de Kyiv é cerca de 5 séculos mais antiga do que Novgorod, além disso, Novgorod que era um dos mais importantes centros políticos e comerciais da Rus de Kyiv na rota «dos varegues aos gregos», de 1136 a 1478, foi a capital da República Independente de Novgorod (República Boiariana de Novgorod).

O batismo do Volodymyr

O príncipe Volodymyr (que após o batismo adotou o nome de Basílio, em forma do tributo ao imperador bizantino Basílio II Bulgaráctono). Volodymyr realmente foi batizado em Quersoneso, na Crimeia — (uma antiga cidade-estado grega na costa sudoeste da Crimeia), em 988, no mesmo ano em que ele promoveu o batismo de Kyiv, também em 988.

As igrejas de Kyiv

Os mosaicos da Catedral de Santa Sofia, em Kyiv e outras igrejas da Rus de Kyiv, eram realmente executados por mestres gregos bizantinos. Uma prática absolutamente habitual da época, em que os dinastias reinantes convidavam os mestres bizantinos, como mais experientes na arte sacra. A Catedral de Santa Sofia foi construído entre 1017 e 1037 por ordem e às expensas do Príncipe Yaroslav,o Sábio, de Kyiv (George, após o seu batismo).

A dinastia ruríkida que governou Kyiv 

Os historiadores na realidade não sabem como realmente se chamava aquela dinastia, o termo «ruríkida» ou «de Rurik», foi cunhado pelos historiadores russos no século XIX. A existência do próprio fundador da dinastia, o mítico Rurik não está comprovada historicamente. 

Mapa da “Tartária Europeia ou Tartária Menor” do italiano Giacomo Cantelli da Vignola (1688).
A região do rio Dnipro é representada como “Ucrânia ou a terra dos cossacos zaporozhianos”.

Em 1654, o Hetmanato dos Cossacos Bohdan Khmelnytsky e, de-facto, chefe do estado ucraniano chamado Exército de Zaporizhia, jurou lealdade ao czar russo no Conselho de Pereyaslavl. O embaixador em Moscovo, o boiardo Vasily Buturlin, recusou-se terminantemente a jurar em nome do czar. Declarou que «o czar não jura aos seus súbditos» e que a sua palavra real era inviolável. A essência da união era um protectorado e não uma «reunificação»: para Khmelnytsky, o juramento ao czar era o reconhecimento de um protectorado (união político-militar) com a preservação da plena autonomia do Estado ucraniano, dos seus próprios tribunais, finanças, exército e do direito às relações internacionais. O hetman já tinha firmado juramentos e alianças táticas semelhantes com o sultão turco.

Em 1608, em Cracóvia foi publicado o livro «Ukraina od tatar utrapiona, xiązat i panów pogranicznych o ratunek żałosnym lamentem pros» (Ucrânia, atormentada pelos tártaros, pede aos príncipes e aos senhores das terras fronteiriças a salvação com um lamento comovente).
O autor do poema foi Martyn Paszkovski, um nobre da classe média da casa de Zador.

As fronteiras atuais da Ucrânia e as trocas territoriais com rússia 

Após a ocupação da Ucrânia independente (República Popular da Ucrânia, Estado Ucraniano e Diretória, 1917-1921) pela rússia soviética, entre 1919 e 1928, as autoridades da Ucrânia Soviética transferiram vários dos seus territórios para a rússia Soviética (RSFSR):

  • Taganrog e parte do Donbas Oriental (incluindo a cidade de Taganrog e parte dos atuais distritos do Oblast de Rostov) — transferidos por decisão oficial do Presidium do Comité Executivo Central da URSS, em 16 de outubro de 1925.
  • Região de Belgorod — os territórios do norte de Slobozhanshchyna, juntamente com a cidade de Belgorod, que faziam parte da Ucrânia nos primeiros anos do poder soviético, foram transferidos para a RSFSR como resultado da redistribuição das fronteiras entre 1919 e 1928.
  • Região de Starodubschyna (parte da região de Chernihiv) — transferida para a rússia no início da década de 1920.

As atuais fronteiras da Ucrânia na Europa

Os Acordos de Helsínquia (Acto Final de Helsínquia) foram assinados a 1 de Agosto de 1975 em Helsínquia, Finlândia, pelos líderes de 35 Estados (33 países europeus, os Estados Unidos e o Canadá) no âmbito da Conferência sobre Segurança e Cooperação na Europa (CSCE, actualmente OSCE).

Disposições-chave sobre fronteiras no Acto de Helsínquia 

A secção sobre os princípios interestatais (em particular, os parágrafos sobre a inviolabilidade das fronteiras e a integridade territorial) estabeleceu as seguintes disposições-chave:

  • Inviolabilidade das fronteiras: os Estados participantes reconheceram as fronteiras existentes na Europa (formadas após a Segunda Guerra Mundial) como invioláveis ​​e comprometeram-se a abster-se, agora e no futuro, de qualquer violação dessas fronteiras. Declararam que não fariam quaisquer reivindicações territoriais.
  • Integridade territorial: os participantes comprometeram-se a respeitar a integridade territorial de cada Estado participante.
  • Não utilização da força ou ameaça de força: as partes comprometeram-se a abster-se de qualquer acção incompatível com os objectivos da Carta das Nações Unidas contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado.
  • Resolução pacífica de litígios: todos os litígios devem ser resolvidos exclusivamente por meios pacíficos, de modo a não pôr em perigo a paz e a segurança internacionais.

Sem comentários: