sexta-feira, setembro 02, 2011

Ucrânia e ucranianas na cultura popular ocidental


Após 20 anos da sua Independência política, Ucrânia já não é absolutamente desconhecida no mundo. Apesar disso, Ucrânia e ucranianos ainda desempenham o papel meramente exótico nas telas de Hollywood, aparecem ligados aos conceitos como Chornobyl, tráfico de pessoas ou de armas. O que segue é uma tentativa de sintetizar como Ucrânia e as ucranianas são retratadas nos filmes ocidentais, mais uma lista de celebridades que de alguma forma são ligadas à Ucrânia.

Ucrânia no Hollywood

Jovem escritor americano, Jonathan Safran Foer não é ucraniano, mas o trama do seu romance “Everything Is Illuminated” se desenrola na Ucrânia. O herói principal (o alter ego do autor) visita Ucrânia para encontrar a mulher que salvou o seu avo judeu dos nazis. Em 2005 o romance foi adoptado para o cinema (Uma Vida Iluminada) pelo actor & realizador americano Liev Schreiber, tendo nos papeis principais Elijah Wood como Foer e vocalista do grupo Gogol Bordello, Eugene Hutz como o seu tradutor, Alex. Apesar de a história se desenrolar na Ucrânia, apenas uma pequena parte foi filmada no país, em Chernivtsi e Odessa. O resto foi filmado na República Checa e até o caro usado pelos heróis é um Trabant produzido na RDA.

O tradutor Alex fala um inglês bastante macarrónico, embora parecido com aquele em que Eugene Hutz se expressa na vida real. Frases como: “Muitas meninas querem ser carnais comigo, pois sou um dançarino verdadeiramente prémio!”, soam bastante genuíno vindas dele. No entanto, o resto do filme tem pouco a ver com Ucrânia real, é mais um produto para o americano & ocidental ver.

O tema do Chornobyl é recordado no “Godzila” e no “Transformadores 3”. No “Godzila” o herói do Matthew Broderick estuda lá as minhocas e nos “Transformadores 3” a estação nuclear abriga a tecnologia extraterrestre. Em ambos os filmes são presentes os militares ucranianos que falam russo e usam os nomes de código em russo. 

O filme The Italian Job (2003) possui uma das minhas frases preferidas sobre Ucrânia. O mau – carácter (Edward Norton) vende as barras de ouro com ajuda do ucraniano Yevhen (Borys Lee Krutonog). Mais tarde, ele assassina Yevhen, sem pensar nas consequências em atraiçoar os ucranianos. Em um certo momento, o herói do filme Charlie (Mark Wahlberg) recebe o conselho sábio: Cause if there’s one thing I know, it’s that you never mess with Mother Nature, mother-in-laws, or mother-f***ing Ukrainians.” Verdadeiramente esclarecedor!

“Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” (2008) possui o enredo tão ridículo, que soa absurdo. Mas o que nos interessa é a coronel Irina Spalko (apelido supostamente ucraniano), retratada pela britânica Cate Blanchett. No seu primeiro encontro com Indiana Jones, ela pergunta: “De onde é que você imagina que eu sou, Dr. Jones?” E o nosso Indiana responde: “Bem, pela maneira como você afunda os seus dentes nestes -us  trementes, eu devo pensar que talvez da Ucrânia Oriental”. Aparentemente, Indiana consegue distinguir as pronúncias regionais ucranianas melhor do que nós! No resto do filme, a coronel Spalko manda bojardas tipicamente russas e tem a aparência das comissárias soviéticas dos anos 1920. Mas continua ser uma senhora ucraniana.

Uma surpreendente declaração de amor pela Ucrânia veio do filme “Transportador 3” (2008). O nosso herói Frank Martin (Jason Statham) deve transportar Valentina (Natalia Rudakova) a filha do ministro ucraniano da Marselha até Odessa. Valentina é ruiva, sexy e bastante temperamental. Ela fala inglês com sotaque, chama Martin “the gay” e pragueja em russo. Naturalmente, Martin acha que ela é russa. Mas aqui Valentina mostra a sua personalidade: “I’m not Russian, [I’m] Ukrainian. We are different people. Different, here and here”, ela aponta a sua cabeça e o seu coração. A cabeleireira russa Natalia Rudakova foi descoberta em Nova Iorque pelo realizador francês Luc Besson, o co-autor do roteiro do filme. Porque ele a tornou ucraniana? Talvez porque pretende colocar Ucrânia definitivamente entre as nações europeias, talvez recordando o local de nascimento da Milla Jovovich, com quem fui brevemente casado. (Leia AQUI como o filme foi recebido na Rússia...)

As ucranianas

Ukraine girls really knock me out”, cantavam os Beatles, embora não é claro se eles realmente entendiam do assunto. No entanto, muitos homens concordam com eles, uns porque estiveram na Ucrânia, outros porque simplesmente ouviram a falar sobre as beldades ucranianas.

A estrela de Hollywood, actriz e modelo Milla Jovovich, capa das inúmeras revistas e heroína dos blockbusters como “Quinto Elemento” ou saga “Resident Evil”, nasceu em Kyiv em 1975 sob o nome da Natália Loginova. O seu pai era sérvio do Montenegro e a mãe a actriz russa, Galina Loginova. A família emigrou para os EUA, quando Mila tinha cinco anos. Embora Mila concorda em se chamar ucraniana e até sabe cantar em ucraniano, como foi demonstrado numa conferência de imprensa em Kyiv, não é definitivamente claro como ela se sente realmente.

Outra celebridade americana vinda da Ucrânia é Mila Kunis – Milena Markovna Kunis. De origem judaica, ela nasceu em 1983 em Chernivtsi, mudando-se para Los Angeles em 1991. Em 1998 ela recebeu o primeiro papel do relevo em “That ‘70s Show”. Mais tarde namorou Macaulay Culkin, o astro decadente do “Sozinho em Casa”. Os seus maiores êxitos até agora são os papeis na comédia “Forgetting Sarah Marshall”, filme de acção “Max Payne” e a voz da Meg Griffin nos desenhos animados “Family Guy”.

Olga Kurylenko, provavelmente, é a ucraniana mais badalada dos últimos tempos, graças ao seu papel da “menina Bond” no filme “Quantum of Solace” (2008). Ela foi talvez a primeira “menina Bond” que não teve ralações com agente 007, confirmando uma realidade: as mulheres ucranianas não são apenas bonitas, mas também fortes. Olga nasceu em Berdyansk (coincidência ou não, mas um dos comandantes do Nestor Makhno com apelido de Kurylenko (na foto com bigode) era natural de Berdyansk), aos 17 anos começou em Paris a carreira de modelo. Em 2001 se naturalizou francesa, optando pela carreira no cinema. Ela tornou-se famosa pelo seu papel no “Hitman”, depois veio a curta aparência no “Max Payne”, seguido de um forte e belíssimo carácter de ucraniana Galia no filme israelita “Kirot” / “Assassina da Porta ao Lado” (2009).

Outra ucraniana famosa é Dasha Astafieva, cantora e modelo, que foi escolhida como a capa da edição comemorativa americana do 55° aniversário da revista Playboy. Nascida em Dnipropetrovsk em 1985, Astafieva começou como cantora do duo ucraniano NikitA, onde cantarolava coisas como: “Você é o meu soldado das batalhas malucas, você é a minha fragata no lago de amor...”. Em 2007 ela foi a capa do ano no Playboy ucraniano, chegando interessar o lendário editor da revista masculina Hugh Hefner. Morena ucraniana, Astafieva, venceu todas as outras concorrentes, viajando para os EUA onde ficou hospedada durante duas semanas na Mansão Playboy em Los Angeles.

Outras ucranianas são super-modelos famosas. Uma delas é Snejana Onopka, nascida em Severodonets e descoberta em Kyiv aos 15 anos de idade. Dois anos mais tarde ela já desfilava internacionalmente para Burberry, Chanel, Valentino, Gucci, Prada, Jil Sander e Louis Vuitton.

Em 2007 a jovem de 17 anos, Maria Tyelna, estudava na escola em Kharkiv, quando descoberta pelo representante de uma agência de moda internacional. Logo depois ela se mudou para Paris, onde desfilava sob o nome de Masha Tielne para Givenchy, Nina Ricci e YSL. Mais tarde ela fez os desfiles para Marc Jacobs, Alexander McQueen, Chloe, Louis Vuitton, Miu Miu e outros. Como Telnaya (ou Tielne) ela é facilmente reconhecida em qualquer multidão pelos seus gigantes olhos do “elfo”.

Fonte:
http://www.kyivpost.com/guide/general/45373/print

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