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| Piloto Roman Svistunov em 1987 |
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| Um An-2 típico |
Roman Svistunov (nascido em 1963), chamado na imprensa sueca de Svistonov, de acordo com as regras gramaticais suecas, tinha na altura 24 anos. Vivia em Mykolaiv na Ucrânia. Era casado e tinha uma filha e um filho, mas já não vivia com a família. Tinha patente militar de tenente, mas foi dispensado do exército soviético e transferido para a reserva, após disso, ingressou na aviação civil, onde trabalhou como piloto de aviões agrícolas.
Como Svistunov relatou mais tarde, depois de ter sido dispensado e transferido para a reserva, sentiu injustiçado, começando odiar o regime soviético. A sua mãe, que não gostava do regime soviético, também o pode ter influenciado. Assim, já por volta de 1984, Roman decidiu fugir para Ocidente.
Algumas semanas antes da sua fuga, ele visitou um ex-colega na Letónia, que também era piloto. É possível que, durante este período, Svistunov, fazendo-se passar por mecânico, tenha conseguido fazer amizade com o pessoal do aeródromo.
Na noite de 26 para 27 de maio, Roman Svistunov e o seu amigo, guarda do aeródromo do kolkhoze letão de «Druva», estavam a beber. Quando o guarda ficou embriagado, Roman, sob o pretexto de realizar a manutenção da aeronave, entrou, no aeródromo, guardado por uma cerca semi-caída, onde embarcou num An-2R agrícola desocupado, aparelho número 70501, e ligou o motor. Ao ouvir o barulho, o guarda correu para o exterior, sacou a sua espingarda mas não chegou à disparar. Às 5h10 o voo 70501 descolou em direção ao Mar Báltico.
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| A distância entre a costa da Letónia e a ilha de Gotland |
Svistunov não foi o primeiro a pensar em fugir da URSS para a Suécia num avião agrícola: exactamente quatro anos antes, a 27 de Maio de 1983, o piloto letão Voldemārs «Valdis» Vanags, de Riga, comandante de voo, também usou um An-2 na fuga para Gotland. As autoridades suecas devolveram a aeronave à URSS, mas o piloto recebeu asilo político. No entanto, ficou na Suécia por cerca de um ano e depois voltou à União Soviética em junho de 1984, onde foi preso, cumprindo algum tempo ora na cadeia, ora no hospital psiquátrico de Riga (conhecido popularmente como «hospital na rua Tvaika»), isso é, apesar de promessa de perdão, dada pelas autoridades soviéticas.
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Para evitar tentativas de fuga semelhantes, o Ministério da Aviação Civil emitiu uma instrução de obrigatoriedade de reduzir o nível de combustível das aeronaves durante as operações aéreas. Além disso, a mesma instrução imponha o desligamento da bateria, para impedir o funcionamento do motor. No entanto, Svistunov sabia tudo disso e percebeu que o avião estava com pouco combustível, mas isso não o demoveu.
O seu voo sobre o Mar Báltico durou mais de duas horas, durante as quais o avião percorreu aproximadamente 350 km. Junto à ilha de Österngarnsholm, o motor do avião começou a falhar, devido à falta de combustível e, de seguida, parou completamente, levando o piloto a decidir amerissar.
Anteriormente, a força aérea sueca tinha detetado no radar uma pequena aeronave a voar em baixa altitude em direção à Suécia. Dois caças F-17 Kallinge foram enviados do aeródromo de Ronneby para a intercetar. No entanto, quando as aeronaves militares chegaram, o An-2 já tinha caído na água a aproximadamente 100 metros da costa leste da ilha sueca de Gotland, perto da aldeia de Östergarn, e logo afundou a uma profundidade de 4 metros.
O piloto conseguiu sair da cabine de pilotagem e nadou o resto do percurso. De seguida, achou uma casa na costa, onde levou a roupa seca. Foi ali detido por Lars Flemström, um piloto de helicóptero que chegou depois de pescadores terem reportado a queda do avião perto da costa. Roman foi levado de helicóptero para a esquadra de Visby para interrogatório, onde solicitou asilo político.
Em depoimento à polícia, Roman Svistunov disse que planeava fugir da URSS há muito tempo, mas inicialmente recusou-se a explicar os seus motivos. Disse ainda que deixou para trás a mulher, Marina, e filhos: Kristina, de três anos, e Denis, de oito meses. Nas entrevistas posteriores Roman contou que a sua família tinha conhecimento dos seus planos de fuga, mas não alinhou, achando demasiadamente arriscado. A polícia sueca informou ainda que Svistunov se queixou de dores no peito, mas que, de resto, estava bem de saúde.
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| Primeira publicação soviética sobre o caso: «No dia 27 de maio um avião An-2 do Aeroflot foi levado à Suécia. Essa ação criminosa...» |
Quando a notícia da fuga se espalhou pela URSS, a 28 de maio, Roman Svistunov foi acusado de sequestrar o avião, e a Suécia foi presssionada pelo regime soviético para devolver o piloto e a aeronave. Nesse mesmo dia (28 de maio), a agência soviética TASS publicou informações sobre as acusações contra o piloto, exigindo a sua extradição para a União Soviética. Contudo, no momento da publicação, a embaixada sueca já havia encerrado o expediente, pelo que não houve resposta imediata. Um funcionário da embaixada soviética e um representante do Ministério da Aviação Civil da URSS (proprietário da aeronave) também se deslocaram a Visby para se encontrarem com o fugitivo, mas este recusou terminantemente a oferta.
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| Artigo no jornal soviético «Izvestia» sobre o caso Svistunov |
Ao mesmo tempo, a propaganda soviética começou a denegrir Svistunov, alegando que, após se ter dispensado da aviação, vivia de rendimentos ilícitos e estava envolvido no chamado «mercado paralelo». No entanto, quando a Suécia questionou os soviéticos sobre o motivo da demissão de Roman da aviação, não foi dada qualquer resposta adequada.
A Suécia não extraditou Roman Svistunov, mas um tribunal sueco condenou-o a dois anos de prisão suspensa; no dia 4 de setembro, recebeu uma autorização de residência. Roman trabalhou durante dois anos na pizzaria-restaurante Söderports, seguidos de mais um ano noutra pizzaria. Em 1990, deixou Gotland para trabalhar como chef noutros países europeus. Em 1992, Svistunov regressou à Suécia, mas não sozinho, mas sim com a sua família ucraniana de Mykolaiv (a sua mulher e os filhos).
Alguns anos mais tarde, o An-2 foi içado e entregue a Gotland, onde uma equipa composta por Nils-Åke Stenström, Thor Carlsson e Lars Boström passou dois anos a restaurá-lo.
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| An-2P do Svistunov após ser retirado do Mar Máltico |
A 28 de maio de 2016, para assinalar o 29º aniversário da fuga, foi inaugurada uma exposição dedicada à história soviética no Museu da Defesa de Gotland, em Visby, tendo o voo número 70501 como uma das principais peças expostas.
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| Roman Svistunov em 2016 |
Um dos convidados da cerimónia de abertura, surpreendentemente, foi o próprio Roman Svistunov, que se destacou da multidão e abraçou Stenström, um dos homens que restaurou a aeronave sequestrada. Quando perguntaram ao ex-sequestrador se alguma vez tinha considerado a possibilidade de uma exposição como aquela enquanto pilotava um pequeno avião sobre o mar, Roman respondeu: «Não estava a pensar em nada. Só queria sobreviver».
A fuga do mecânico Yevgeny Vronsky
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| O 1º tenente Yevgeny Vronsky após receber os cuidados médicos na RFA |
A 27 de maio de 1973, o mecânico soviético Yevgeny Vronsky realizou, com sucesso, a sua ideia de desertar para o Ocidente ao bordo de um bombardeiro Su-7BM. O seu plano era simples: levantar voo do aeródromo Großenhain, na RDA e voar para Alemanha Ocidental.
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| Su-7BM com número «52» usado pelo Vronsky |
Para contornar o seu problema maior, de não ser um piloto, o 1º tenente Vronsky conseguiu fazer amizade com um instrutor que ensinava pilotos em simuladores especiais e pôde praticar nas horas vagas. Após a sua fuga descobriu-se que Yevgeny, de apenas 23 anos, praticava mais tempo no simulador do que os pilotos soviéticos dos Su-7BM, dominando facilmente as habilidades básicas de pilotagem. É certo que só aprendeu a descolar e a controlar uma aeronave no ar; não sabia como aterrar. Contudo, este aspecto crucial da pilotagem não influenciou a sua decisão de voar para Ocidente.
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| Jornal alemão «Braunschweiger Zeitung» com a notícia da queda do avião soviético no seu capa |
Uma vez levantando o voo, Vronsky, subiu a uma altitude de 500 metros e voou a baixa velocidade em direção à Alemanha Ocidental. Ignorou as instruções e não recolheu o trem de aterragem, temendo que a aeronave perdesse o equilíbrio.
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| Local da queda do Su-7BM do Vronsky |
O comando da Força Aérea Soviética emitiu uma ordem imediata para interceptar o fugitivo, enviando para o tal 32 (!) caças intercetores. No entanto, Vronsky nunca foi detetado, provavelmente devido à sua baixa altitude de voo. Após atravessar a fronteira, piloto simplesmente se ejetou. Aterrou quase ao lado do avião acidentado. Os habitantes locais ofereceram-lhe ajuda.
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| Os restos do aparelho do Yevgeny Vronsky. Foto: Rust / ullstein bild / Getty Images |
A União Soviética exigiu a sua deportação forçada, o pedido que foi negado. O piloto não fez declarações políticas. Em entrevistas à imprensa, afirmou simplesmente que tinha planeado a sua fuga com antecedência, até aos mais pequenos detalhes. O seu destino posterior é desconhecido.













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