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quinta-feira, janeiro 17, 2013

Ministra que perdeu o seu diploma


Natália Korolevska, líder do partido “Ucrânia para Frente!” (nas legislativas de 2012 recebeu 1,58% dos votos sem eleger nenhum deputado), recém-nomeada como Ministra da Política Social da Ucrânia, afirmou há dias que perdeu o seu diploma universitário.

O deputado do parlamento ucraniano, Hennadii Moskal, publica no seu perfil numa das redes sociais alguns documentos muito interessantes sobre o assunto.

A Universidade Nacional da Ucrânia Ocidental “Volodymyr Dahl” (Luhansk) informa que Natália Korolevska estudou lá entre 1993 e 1997.

No entanto, os documentos existentes mostram que ao mesmo tempo a futura ministra estudou no Instituto Mineiro – Metalúrgico de Donbas (mais tarde mudou o nome para Escola Superior de Negócios – Instituto da Economia e Gestão – http://hbsiem.lg.ua). Aqui ela estudou entre 1992 e 1995, mas foi expulsa em 20 de outubro de 1995 pela não comparência às aulas. Dois anos depois, em 22.10.1997 ela novamente se matricula, mas em 4.12.1997 é novamente expulsa pelo não pagamento de propinas. Essa informação é contida no seu processo № 920380 de estudante do Instituto Mineiro – Metalúrgico de Donbas.
processo da estudante N. Korolevska
A sua biografia oficial não menciona o facto de alguma vez estudar no Instituto Mineiro – Metalúrgico de Donbas. Nem é normal que aluna de uma universidade se matricula numa outra, não assiste as aulas, se matricula novamente e novamente abandona os estudos. Talvez por isso a ministra teve que “perder” o diploma da Universidade “Volodymyr Dahl”?  

sexta-feira, dezembro 21, 2012

Personalidade do ano: Ucrânia 2012


Pela 11ª vez, a revista ucraniana Korrespondent anunciou a atribuição do título “Personalidade do ano”. Em 2012 o título foi recebido pelo líder do partido VO Svoboda (Liverdade), Oleh Tiahnybok.

Na visão da revista, a sua popularidade acompanha a tendência principal da sociedade ucraniana, o crescente descontentamento com o poder político instituído e a radicalização do sentimento eleitoral. A opinião dos leitores foi idêntica, cerca de 40% deles o colocaram no 1º lugar, participando numa votação online.

O partido da direita parlamentar, VO Svoboda, obteve nas legislativas em 2012, os 10% dos votos populares pelas listas partidárias e elegeu vários deputados seus nos circuitos uninominais. No total, neste momento, Svoboda conta com 37 deputados, prometendo formar no parlamento “o grupo especial da oposição” e não apenas os meros oponentes falantes do poder.

Sentindo-se descriminados e alienados no seu próprio país, 2,129 milhões de pessoas, falantes do russo e do ucraniano, fizeram aquilo que poderiam, mostraram um grande “manguito” ao poder e votaram pela oposição mais radical. Não é certo que todos os seus eleitores leram atentamente o programa eleitoral do partido (acusado pelos oponentes de ser uma mistura de ideias da direita, politicamente, e da esquerda, economicamente). Mas os mesmos eleitores têm a máxima certeza do que no seu grupo parlamentar não haverá os “vendíveis”, iguais aos deputados das restantes forças da oposição, que passam para o lado do poder, através da coerção ou do suborno.

Fonte:   

quinta-feira, dezembro 13, 2012

Parlamento marcado pela VO Liberdade


O 1º dia do trabalho do novo parlamento ucraniano começou com ação do grupo parlamentar da VO Svoboda (Liberdade) que fisicamente impediu dois deputados da oposição de entrar no plenário.

Os deputados, Olexander Tabalov (pai) e Andriy Tabalov (filho) foram eleitos pela coligação afeta à Yulia Tymoshenko. Donos de uma fortuna considerável, eles foram o alvo fácil da coerção económica por parte do partido do poder, dai a sua recusa de fazer parte do grupo parlamentar pelo qual foram eleitos.

No entanto, o líder da VO Svoboda, Oleh Tiahnybok já avisou que o seu grupo parlamentar irá impedir aos “desistentes” de participar nos trabalhos do parlamento. Na Internet foram publicadas as imagens do texto do juramento formal assinado por ambos, onde estes juravam “perante o Senhor Deus e o povo da Ucrânia cumprir as obrigações listadas”.

No plenário, a maioria dos deputados da VO Liberdade vestia as camisas bordadas ucranianas e os da “Batkivshyna” (Pátria) vestiam camisetas com retrato da Yulia Tymoshenko e inscrição “Liberdade para os prisioneiros políticos”, ver as fotos AQUI.

Os deputados da VO Liberdade colocam os “desistentes” fora do plenário:


Mas VO Svoboda não parou por ai, no mesmo dia à tarde, os deputados do partido cortaram o murro metálico que ilegalmente cercava o parlamento ucraniano, impedindo o contacto entre os deputados do povo e o povo. Como explica o partido, parlamento ucraniano é o órgão supremo do povo ucraniano e o povo tem o direito de o contactar. Ver fotos: AQUI e AQUI

No entanto, um dos deputados do Partido das Regiões, Ministro da Defesa em funções, Dmitri Salamatin, também mostrou o seu caráter. Dentro do plenário, na entrada da bancada governamental, ele se recusou a mostrar o crachá do deputado à uma oficial de segurança, rejeitando o seu pedido legítimo em seguintes termos:

Mas que fod@! Que documentos pro car@lho”, e foi embora, informa a página ucraniana LB.ua

Parlamento ucraniano também escolheu a mesa do presídio temporária com cinco membros, um por cada força partidária que elegeu os deputados nestas legislativas. Embora o representante comunista não poderia legalmente estar lá presente, pois o artigo 38º do regulamento diz claramente: “só pode formar o seu grupo parlamentar o partido que terá elegido pelo menos um deputado pelo círculo majoritário” e o PC ucraniano não conseguiu eleger nenhum.

sexta-feira, novembro 16, 2012

Resultados das legislativas ucranianas


A Comissão Central Eleitoral (CCE) da Ucrânia divulgou os dados (ainda incompletos) das legislativas ucranianas, que permitem antever a composição do próximo parlamento ucraniano.

O Partido das Regiões (no Poder) obteve 30% e elegeu 72 deputados, mais 115 nos círculos uninominais e contará com o grupo parlamentar de 187 deputados; VO “Batkivshyna” (“Pátria”, da Yulia Tymoshenko) consegui 25,53%: 62 + 40 = 102 no total, UDAR (do ex-pugilista Vitaly Klitschko) obteve 13,95%: 34 + 6 = 40 no total, comunistas – 13,18%: 32 + 0 = 32; VO Svoboda (Liberdade) alcançou 10,44%: 25 + 13 = 38 no total. Para eleger um deputado pelas listas partidárias a força política deveria obter 84.404 votos, escreve Pravda.com.ua.

As legislativas ucranianas foram bastante caras, pelas declarações oficiais o Partido das Regiões gastou 120 milhões de USD, VO “Batkivshyna” 60 milhões, UDAR – 30 milhões, comunistas 50 milhões e VO Svoboda apenas 2,9 milhões.

Outro dado importante é a votação que VO Svoboda obteve no leste e no sul da Ucrânia: na província de Dnipropetrovsk partido obteve 5,19%, na cidade de Dnipropetrovsk entre 5,59% e 8,3%. Na cidade de Odessa VO Svovoda alcançou 5,94%, em Zapororizhia 5,57-6,00%.

As eleições destruíram o mito sobre o eleitorado da VO Svoboda como eleitorado rural e de pouca escolarização. Os sociólogos mostram que os eleitores da VO Svoboda possuem um dos maiores níveis de formação: 48% superior, 6% superior incompleto, 30% nível médio especial, 12% secundário e apenas 3% secundário incompleto. Os eleitores do VO Svoboda vivem nas capitais provinciais – 47,5%, 29% nas cidades menores e apenas 24% nas zonas rurais.

A agência francesa AFP dedicou uma reportagem à vitória da VO Svoboda, chamada “Svoboda, première formation nationaliste au parlement ukrainien”:

quarta-feira, novembro 14, 2012

Legislativas ucranianas vistas pela Europa


O Gabinete das Instituições Democráticas e Direitos Humanos (OSCE / ODIHR), a Assembleia Parlamentar da OSCE (AP da OSCE), a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (PACE), o Parlamento Europeu (PE) e a Assembleia Parlamentar da NATO (AP da NATO), emitiram uma declaração preliminar conjunta sobre os resultados e conclusões do processo eleitoral ucraniano (segue o trecho).

As eleições parlamentares de 28 de Outubro foram caracterizadas pela ausência do mesmo nível de jogo, causado principalmente pelo abuso do recurso administrativo, a falta de transparência na campanha e no financiamento dos partidos, a falta de cobertura equilibrada da imprensa. Certos aspetos do período pré-eleitoral constituíram um passo para trás em comparação com as recentes eleições nacionais. (…) A tabulação de dados foi avaliada negativamente pela falta de transparência.

Poderosos grupos econômicos influenciaram o ambiente político prejudicando o processo eleitoral. Isso manifestou-se, nomeadamente, na falta de diversidade de propriedade nos meios de comunicação social e na (falta) do pluralismo, bem como na falta de transparência na campanha e no financiamento dos partidos.

A maioria dos cargos em comissões eleitorais distritais (DEC) e comissões eleitorais descentralizadas (PECs) foram preenchidos por lotaria, como resultado, alguns partidos técnicos obtiveram a totalidade de representação em DEC’s, enquanto outros partidos com candidatos em todo o país não foram representadas no DEC’s de todo. Quase metade do pessoal de PEC e 60% dos membros dos DEC foram posteriormente substituídos. Existem as denúncias, alguns dos quais foram verificados pela Missão Eleitoral da OSCE / ODIHR, que os comissários eleitorais nomeados pelos partidos técnicos foram, de fato, afiliados com outros partidos, especialmente com o Partido das Regiões, no Poder.

Ler texto integral:

terça-feira, novembro 06, 2012

Fraude eleitoral confirmada na Ucrânia


A Comissão Central das Eleições (CCE) votou por unanimidade a decisão sobre a sua incapacidade de chegar aos resultados credíveis nos círculos uninominais: 94, 132, 194, 197 e 223. A CCE está a propor organizar a um novo processo eleitoral nestes locais (embora é claro que estamos lidar apenas com a ponta do iceberg). 

A CCE afirma que nestes círculos as eleições “foram conduzidos fora das normas previstas na Constituição e na Lei eleitoral”. Os analistas falam em vontade da CCE de agradar os “gregos e troianos”, pois desta maneira são prejudicados dois candidatos da oposição e são anuladas três vitórias fraudulentas dos candidatos pró-Poder.


Círculo eleitoral № 94 (província de Kyiv): candidata do Partido das Regiões ganhou, após os dados de várias assembleias de voto foram anulados. A vice-chefe da CCE, Zhanna Usenko-Chorna chamou os protocolos da contagem de votos neste círculo de “lixo” e disse que neste caso CCE lida com “roubo, assalto, ataque de bandidos”, informam Podrobnosti.ua.

Círculo eleitoral № 132 (Pervomaysk, província de Mykolaiv): candidato da oposição, Arkady Kornatskiy ganhou com 39,66% de votos, o seu adversário, vice-governador provincial e membro do Partido das Regiões recebeu 34,09%. Mais tarde, na página da CCE os votos do oposicionista ficaram intactos e votos do vice-governador subiram para 39,97%. Tudo isso acompanhado pelos ataques da polícia de choque contra o recinto da comissão eleitoral local.

Círculo eleitoral № 194 (província de Cherkassy): os dados da CCE apontam a vitória do candidato da oposição com 40,79%. O chefe, vice-chefe e secretário da comissão eleitoral desapareceram e não assinaram os documentos legais necessários.

Círculo eleitoral № 197 (província de Cherkassy): cerca de 1480 votos “desapareceram” do sistema eleitoral, que permitiu a vitória do deputado-milionário que concorria como independente.

Círculo eleitoral № 223 (Kyiv): processo de contagem não foi terminado, o candidato da VO Svoboda (Liberdade) lidera a contagem com a margem mínima de 26 votos, escreve Texty.org.ua.

Bónus

O comício contra a fraude eleitoral e os confrontos com a polícia de choque em frente da Comissão Central das Eleições em Kyiv no dia 5 de novembro de 2012 (ver mais fotos do Mustaffa Nayyem).

domingo, novembro 04, 2012

Ucrânia: quo vadis II


A oposição ucraniana em bloco (“Batkyvshyna” da Yulia Tymoshenko, UDAR e VO Svoboda) está a ponderar a possibilidade de não entrar no novo parlamento, inviabilizando as legislativas conduzidas com inúmeras falsificações.

Para já, a oposição convoca o comício de protesto em frente da Comissão Central das Eleições (CCE) em Kyiv para o dia 5 de Novembro.

Outras notícias dão conta que no círculo uninominal № 223 (Kyiv), o candidato da VO Liberdade Yuri Levchenko já lidera a contagem, neste momento ele ganha com a margem mínima de 26 votos, isso é, no 7º dia da contagem e após contabilizar apenas 88,11% dos votos.

Ver as fotos da batalha eleitoral de Pervomaysk no círculo uninominal № 132:
foto@Mustafa Nayyem

Fator prisional das legislativas ucranianas


Desde 2004 se sabe que o presidente ucraniano Viktor Yanukovych na sua juventude assaltava as pessoas para lhes gamar os gorros de pele (eram um símbolo de estatuto social e custavam um bom dinheirão). No entanto, o fator prisional continua jogar o seu papel importante em cada ato eleitoral. As legislativas de 2012 não foram uma exceção.

Vejamos os círculos eleitorais #168-181 na província de Kharkiv. A totalidade de votos na província é 1.135.056, entre estes 19.417 foram dados pelas assembleias de voto especiais: cadeias, centros de detenção temporária, hospitais, incluindo psiquiátricos, ou seja 1,71% de todos os votos da província. Não é preciso explicar que as pessoas nestes locais votam segundo a exigência das autoridades, oficiais ou criminosas, os famosos “vori v zakone” (ladrões em lei, a elite do submundo criminal).

Outras batalhas eleitorais

Círculo eleitoral № 132 (Pervomaysk, província de Mykolaiv)
Círculo eleitoral Nr. 132, votos "contados" pela polícia de choque
foto@ Mustafa Nayyem
A Comissão Central das Eleições (CCE) recebeu os protocolos de votação e os mandou à análise da autenticidade. Após o apuramento de 100% de votos o candidato da oposição Arkadiy Kornatskiy ganhava com vantagem de 4.299 votos e “de repente” passou para o 2º lugar, perdendo para o candidato do Partido das Regiões, escreve Radio Svoboda.

Círculo eleitoral № 223 (Kyiv)
O vice-campeão europeu do sumo, Dmytro Slepchenko
durante o ataque contra o círculo eleitoral 223 em Kyiv
foto Kateryna Avramchuk
A diferença entre o candidato pró-poder e o candidato da VO Svoboda (Liberdade), Yuriy Levchenko neste momento é de 31 (!) votos, no fim do 7º dia de contagem foram apurados 86,13% dos votos, o chefe da comissão eleitoral local foi afastado das funções pela decisão da CCE.

Círculo eleitoral № 211 (Kyiv)

O ato eleitoral foi ganho pelo candidato da oposição Serhiy Teriokhin, mas o Tribunal Administrativo de Kyiv (que não possui a função de fiscalizar a CCE) ordenou a recontagem de votos em várias assembleias de voto. O processo de recontagem também está parado para respeitar os trâmites legais da decisão do tribunal.

Provavelmente a CCE poderá mandar repetir o ato eleitoral em alguns círculos eleitorais mais problemáticos… A OSCE tem neste momento 45 (Sic!) observadores em toda a Ucrânia, quando país possui 225 círculos uninominais no território nacional. No total, em 8 círculos uninominais ainda não foram contados todos os votos, em 5 os votos já foram contados, mas existem as exigências judiciais de recontagem dos votos, informa Newsru.ua.

sexta-feira, novembro 02, 2012

Eleições em distopia: Ucrânia 2012


Os acontecimentos na cidade de Pervomaysk (círculo eleitoral № 132) mais parecem imagens de um distópico do que o processo eleitoral em um país europeu.

Primeiro foi o ataque noturno absolutamente brutal da polícia de choque:  




Na manha seguinte os boletins foram pacificamente recuperados pela oposição e devolvidos ao precinto do círculo eleitoral № 132:


O que mais uma vez se seguiu foi o ataque da polícia de choque, que novamente se apoderou dos boletins:


Não sei se é dessa maneira que o Partido das Regiões espera que a União Europeia irá considerar as legislativas livres e transparentes.

Bónus

O protocolo de votação do círculo eleitoral № 197 (situado na cidade de Kaniv e visitado pela delegação da OSCE) foi literalmente comido por um dos falsificadores do processo eleitoral, no entanto, após recuperado, felizmente continua ser considerado um documento juridicamente válido, escreve o deputado Andriy Parubiy.

Sangue nas legislativas ucranianas


A situação à volta do círculo eleitoral № 132 em Pervomaysk (província de Mykolaiv, sul da Ucrânia) é pré-revolucionária, confrontos entre polícia e populares resultaram em sangue e a população cortou a autoestrada Mykolaiv – Kyiv, informa UA.politics.

Se na capital ucraniana, Kyiv, o Partido das Regiões sente a pressão mínima da imprensa e dos EUA e UE, nas regiões eles se comportam como uma verdadeira ditadura.

Na última noite de 1 para 2 de novembro, o precinto de contagem de votos do círculo eleitoral № 132 em Pervomaysk (província de Mykolaiv, sul da Ucrânia) foi tomado de assalto pela polícia de choque do agrupamento “Berkut”. Tudo aconteceu após Arkady Kornatskiy, o candidato da “Frente Camponesa” (oposição afeta à Yulia Tymoshenko) passou a liderar o escrutínio contra Vitali Travyanko do Partido das Regiões.

A polícia de choque atacou o precinto, a oposição barricou-se dentro das instalações, mas as portas foram derrubadas. A polícia forçou a abertura do cofre e retirou os originais de protocolos de votação, a sua retirada não foi legalmente protocolada.

Ataque noturno da polícia de choque contra o precinto eleitoral №132, 02.11.12, cerca de 3h00 – 4h00


A retirada dos boletins foi bloqueada pela população, a polícia de choque, apoiada pela polícia de segurança pública, agredia as pessoas aos pontapés, usava gás pimenta e os bastões. Mais uma vez o autocarro do “Berkut” foi cercado pelos populares, depois o seu caminho foi barrado pelos 5 camiões, que não permitem a retirada dos boletins. As testemunhas afirmam que polícia está a destruir os boletins de voto. A oposição informa sobre 10 pessoas feridas, um em estado grave. A situação se tornou um caso nacional, escrevem Texty.org.ua.

Ver no YouTube:


Às 5h00 do dia 2 de novembro todas as entradas da cidade de Pervomaysk estão cortadas. À cidade foram enviados três autocarros com polícia de choque “Berkut”, liderados pelo comandante deste destacamento. Polícia é armada com as armas de fogo automáticas, escreve blogueiro Danylyuk.

Blogueiro Igor Pylypchuk informa que polícia de choque prepara o segundo assalto para retirar os boletins de voto, usando reforços policiais vindas de outras cidades ucranianas.

Neste momento o precinto (câmara municipal) é cercado por cerca de 500 pessoas, mas o seu número aumenta. Entre eles estão quer os apoiantes do Arkady Kornatskiy da “Frente Camponesa”, quer os adversários do partido do poder, indignados pelo roubo e falsificação da sua vontade eleitoral. A polícia de choque protege o seu autocarro, na cidade está a chover, mas as pessoas estão decididos ficar até o fim, escreve ia-prometei.org.ua.

Mais um vídeo do ataque noturno

quinta-feira, novembro 01, 2012

Batalha pela assembleia de voto № 223: 5ª noite

apoiantes da VO Svoboda cantam para passar o tempo
foto@Olena Bilozerska
A batalha épica pela assembleia de voto № 223 contínua pela 5ª noite consecutiva.

O edifício da assembleia foi várias vezes atacado pelos bandidos afetos ao deputado Pylypyshyn e defendido pelos apoiantes da VO Svoboda (Liberdade). Último assalto aconteceu às 22h13 (hora de Kyiv, sem fotos ainda), quando ao edifício chegou um autocarro do tipo Neoplan cheio de cabeças-rapadas. No total nesta noite Pylypyshyn usa cerca de 150 bandidos, que usam faixas amarelas ou brancas para sua identificação.

Polícia só os conteve quando eles foram impedidos de entrar pelos ativistas da VO Svoboda. Se diz que os bandidos recebem 50 USD por dia, na sua maioria eles são fora da capital. Também circulam os rumores do que o seu mentor, candidato ao deputado Pylypyshyn pediu o apoio ao Governo ucraniano e recebeu um não. Essa versão poderá ser próxima da verdade, pois caso tiver o apoio estatal abusaria de lei eleitoral e não usava os bandidos.



O grupo parlamentar da VO Svoboda terá cerca de 40 deputados, neste momento é a única força real que impede que a votação será falsificada à maneira do faroeste de Donetsk.

Não sei onde é que anda OSCE e os observadores internacionais, será que já estão nos Bruxelas à contar sobre a “normalidade relativa do processo de aprendizagem democrática”? A Europa é necessária na Ucrânia, em Kyiv e outros lugares onde essa mesma democracia é crucificada pelos bandidos afetos ao Partido das Regiões e aos seus aliados “independentes”.

Bónus  

Yulia Tymoshenko continua em greve de fome protestando a falsificação da vontade eleitoral dos ucranianos, ver no YouTube:

Batalha pela assembleia de voto № 223


Ausente dos noticiários das televisões mundiais (as legislativas do dia 28 já não são notícia), Ucrânia vive neste momento algumas batalhas eleitorais comparadas ao "verão quente" português.

O palco principal é a assembleia de voto № 223 em Kyiv, deputado Viktor Pylypyshyn, independente apoiado pelo Poder contra Yuri Levchenko da VO Svoboda (Liberdade). No fim do 3º dia da contagem de votos foram contabilizados apenas 76,23%.

E dificilmente poderia ser diferente, pois o trabalho é constantemente perturbado pelos “jornalistas” e “observadores” afetos à equipa do Pylypyshyn. A polícia mantém a “neutralidade”…
“jornalistas” e “observadores” do Pylypyshyn
18h28: um grupo de “jornalistas” e “observadores” do Pylypyshyn se infiltra na assembleia do voto, onde provoca a luta corporal com uso de gás pimenta. Os agressores rasgam e estragam os votos favoráveis ao candidato da VO Svoboda.

19h00: dentro da assembleia foi usada uma tocha de fumo. A assembleia é cercada pela polícia, 30-50 patrulheiros e 20 de polícia de choque. Cerca de 30-40 “jornalistas” e “observadores” de estatura desportiva, vestidos com fatos de treino e casacos de cabedal tentam forçar a entrada na assembleia. A polícia não montou nenhum cordão de segurança entre eles e apoiantes da VO Sboboda. Dado que os “desportistas” tentaram entrar na assembleia na noite de 30 para 31 de outubro, os apoiantes da Svoboda ficarão de vigília durante toda a noite.

Em resultado da contabilidade paralela dos votos, baseada nos protocolos de votação devidamente assinados e carimbados, Yuri Levchenko ganhou o escrutínio, mas o seu adversário usa todas as artimanhas para falsificar os dados.

Durante a recontagem são estragados os boletins a favor do Levchenko, foram detetados os casos de inserção de dados falsos a favor do Pylypyshyn no sistema eletrónico da Comissão Nacional de Eleições, etc.

Neste momento todas as entradas e saídas da assembleia de voto № 223 são bloqueadas pela Polícia de Choque e pelos 200-300 apoiantes da VO Svoboda.  

Ver no YouTube:

Ver fotos:

quarta-feira, outubro 31, 2012

Ucrânia: quo vadis?


As legislativas ucranianas do passado dia 28 ofereceram algumas surpresas agradáveis. A principal é a ascensão da Coligação VO Svoboda (Liberdade) ao estatuto do partido nacional.

Se nas legislativas de 2006 a VO Svoboda obteve 0,4% dos votos; em 2007 passou para 0,7%, neste momento já está a alcançar o marco de 10,32%. Mais as vitórias já confirmadas nos círculos uninominais permitem ao partido ter o grupo parlamentar de 30-35 deputados.

Na capital ucraniana, em Kyiv, a VO Svoboda teve apoio dos cerca de 20% dos eleitores; partido consegui eleger o seu primeiro deputado no centro-leste do país, na cidade de Poltava, onde Yuriy Bublyk com 36,45% dos votos (29.974 eleitores), superou uma dúzia de candidatos técnicos do Poder.

Corrupção massificada

Um dos marcos das eleições de 2012 foi a corrupção massificada, intimidação dos adversários e o uso do “recurso administrativo” por parte do Partido das Regiões e do governo ucraniano.
um grupo de "jornalistas" tenta intimidar VO Svoboda
foto @Roman Chornomaz 
No círculo uninominal № 223 (cidade de Kyiv), a Comissão Nacional de Eleições registou oficialmente o facto de falsificação de dados a favor do candidato independente (apoiado pelo poder) Viktor Pylypyshyn, cujo adversário principal é Yuri Levchenko da VO Liberdade (no 4º dia da contagem de votos nesta assembleia foram contabilizados apenas 64,35% dos votos!)

Como resultado, o chefe da comissão eleitoral tentou abandonar o local de apuramento de dados, foi detido pelos cidadãos (a polícia de segurança pública não exerce a sua autoridade, mantendo a “neutralidade” perante atropelos da Lei eleitoral), escreve Aratta-ukraine.com

Nos círculos uninominais № 217 e № 215 (Kyiv), o chefe da comissão eleitoral, Ihor Krinytsya informou que foi vítima da tentativa de suborno no valor de 13.000 dólares, em troca de falsificação dos resultados da votação. Ele afirmou também que a tentativa foi feita pelo representante do Partido das Regiões. No círculo № 215 concorrem a secretária permanente do conselho municipal de Kyiv, Halyna Gerega (independente apoiada pelo poder) e Andriy Ilchenko da VO Svoboda (Andriy finalmente ganhou superando o adversário em apenas 191 voto, 3 dias após o fecho das urnas!)

Oposição informa ainda que no círculo № 216 (Kyiv), onde ganhou a candidata da oposição Xenia Lyapina, os membros da comissão eleitoral receberam a proposta de suborno no valor de 10.000 dólares (para cada membro da comissão) pela falsificação dos resultados eleitorais, escreve página LB.ua

Quo vadis?

As eleições foram falsificadas, o ato eleitoral não foi democrático, nem transparente. A tentativa do poder em alegar a honestidade das eleições através do uso de câmaras de CCTV ou de urnas transparentes revelou-se fracasso total. Poder ucraniano tenta implementar o modelo autoritário da “democracia dirigível”.
A oposição fortificou as suas posições. A 2ª posição é ocupada pelo bloco próximo à Yulia Tymoshenko que iniciou a greve de fome para protestar contra as falsificações. O parlamento irá renovar-se, serão criados os novos grupos parlamentares: UDAR (pugilista Vitaly Klitschko) e VO Svoboda.

Os perdedores

O maior perdedor foi o partido “Sonho Ucraniano”, criado pelo Poder como simulacro da oposição. A sua líder, Natália Korolevska, que teve o poder econômico para contratar o ex-futebolista Andriy Shevchenko não conseguiu ultrapassar a barreira de 5% de votos (amealhando cerca de 1,58%). Isso, apesar de possuir o orçamento mais que robusto, aplicado em todo o tipo de publicidade, incluindo dissimulada, nos diversos canais de distribuição: TV, rádio, jornais, Internet, painéis, etc.  

terça-feira, outubro 30, 2012

Como falsificar as eleições?


Em quando uma parte dos observadores internacionais não consegue ver as falsificações do processo eleitoral ucraniano, o Comité dos Eleitores da Ucrânia (http://cvu.dn.ua) exemplifica a tecnologia prática destas falsificações.

Os observadores do CVU executavam o controlo paralelo de número dos votantes que apareceram nas assembleias de voto, usando para o efeito o aparelho mecânico (na foto em cima). A metodologia do controlo se baseia na comparação de dados dos observadores e dos dados oficiais das assembleias. O estudo não regista as próprias falsificações, mas é uma espécie de controlo cívico sobre as atividades das comissões eleitorais.

O que segue são os dados da assembleia de voto № 41 do círculo uninominal № 141601 na província de Donetsk (leste da Ucrânia, burgo do Yanukovych e do seu Partido das Regiões).

O número real dos votantes (pela contagem do CVU) é de 998 eleitores (47,9% de todos os eleitores registados). O número de votos pelos dados oficiais é de 1543 (74% de todos os eleitores registados). Ou seja, a diferença é de 545 eleitores. Os observadores informam que após a abertura das urnas para a contagem dos votos no local foi cortada a eletricidade, tudo por volta das 20h40 do dia 28 de outubro de 2012. O local ficou sem a luz durante cerca de 5 minutos.

Durante este período no local aconteceu uma cena parecida com esta:


Pelos dados oficiais da Comissão Central de Eleições a percentagem dos votantes do círculo uninominal № 141601 foi de 76,87% na mesa de votação № 41; 59,89% na mesa de votação № 42; 53,73% na mesa №43; 72,64% na mesa №44 e 69,39% na mesa № 45, informa CVU.org.ua

Mais violações do processo eleitoral ucraniano são registadas aqui:

Bónus

É claro que os observadores internacionais que permanecem na assembleia do voto por uma – duas horas não podem detetar este tipo de falsificações. Genericamente, eles se parecem com aqueles escritores ocidentais que visitavam a URSS nos anos 1920-1930 e após falarem com agentes do NKVD devidamente instruídos e escolhidos voltavam ao Ocidente convencidos do que o povo soviético vivia "razoavelmente livremente". Para não se surpreender com as futuras Líbias e Egiptos, a UE deveria deixar de fazer o acompanhamento eleitoral “para o ditadores verem” e passar a escrutinar o processo até a contagem do último voto e apuramento dos resultados definitivos.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Voto da put@ extraordinária

Lançamento massificado dos votos na cidade de Donetsk

As últimas horas são aproveitadas pelo partido do poder para falsificar os resultados eleitorais ucranianas.

No círculo № 214 em Kyiv, a equipa do deputado pró – poder Oles Dovhiy exigia contar ao seu favor o boletim onde o eleitor escreveu em frente do nome daquele deputado: “puta extraordinária”. Alegando que assim “o eleitor demonstrou inequivocamente a correspondência para com o deputado”.

A polícia impede a entrada de deputados e dos jornalistas na comissão local de eleições № 215 em Kyiv:

Emigração ucraniana escolha direita


Após o apuramento da totalidade dos votos fora da Ucrânia, a Coligação VO Svoboda (Liberdade) da direita lidera com 23,63% dos votos, no segundo lugar está o Partido das Regiões.

Infelizmente, entre os milhões de cidadãos ucranianos que se encontram fora do país, dos mais de 370.000 eleitores registados, menos de 20.000 exerceram o seu direito de cidadania…

Na Ucrânia, o poder aproveitou a noite passada para falsificar o resultado da votação, se os dados colhidos à boca-de-urnas davam ao Partido das Regiões entre 28-30% de intenção de voto, neste momento ao partido atribuído cerca de 40% dos votos.

A tática de falsificações é simples, após o fecho das mesas da votação se faz o lançamento massificado de boletins, tal como é mostrado neste vídeo, captado na mesa de voto № 121071 25, na cidade de Dnipropetrovsk (leste da Ucrânia):