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quarta-feira, junho 03, 2026

Os novos crimes de guerra russos: ataque contra Kyiv e Dnipro

Entre 1 à 3 de junho os ocupantes russos lançaram dois ataques aéreos massificados contra a cidade de Kyiv, usando 73 mísseis de diversos tipos e mais de 650 drones. Em Kyiv e Dnipro morreram 22 civis, incluindo duas crianças e mais de 100 civis foram feridos. Foram atingidos vários edifícios residenciais, stands de automóveis e prédios de escritórios.



 

No distrito de Shevchenkiv, em Kyiv, uma mãe com duas crianças corria para um abrigo no momento do ataque russo: ela morreu no local e os seus dois filhos foram hospitalizadas. Uma mulher nascida em 1949 e um homem nascido em 1977 morreram no local. 


Tudo que se consegui salvar...

Os russo de munição de fragmentação contra os alvos civis

É o puro terror russo dirigido contra os civis ucranianos. O mesmo padrão russo usado nos últimos 4 anos, quando tentaram intimidar os civis ou as embaixadas estrangeiras.

Centro policlínico no bairro de Teremky, em Kyiv

«Um alvo militar importante» – atingiram um centro policlínico no bairro de Teremky, em Kyiv... 

Os drones «Shahed» russos atingiram edifícios altos em Dnipro e, por algum motivo, também um concessionário de automóveis chineses «Zeekr» em Kyiv (vídeo acima). Um míssil Zircon atingiu sete edifícios de uma só vez. Os «Shaheds» também atingiram edifícios residenciais em Kharkiv, Zaporizhzhia e na região de Poltava. Houve ataques nas regiões de Chernihiv, Sumy e Kherson e a região de Khmelnytskyi, escreveu o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy.

Cidade de Dnipro: uso russo de munição de fragmentação contra os alvos civis



Cada um destes drones, todos os tipos de mísseis russos, não podem ser produzidos sem componentes importados de outros países. Isto significa que em cada ataque deste tipo há – talvez nem sempre consciente, mas ainda assim real – a cumplicidade daqueles que trabalham para a rússia, que fornecem dinheiro à rússia, que a ajudam a contornar as sanções e encontram não apenas um ou dois, mas milhares de componentes sem os quais a produção militar russa simplesmente pararia.

Cinco mísseis «Kalibr» contêm 145 destes componentes. Trinta e três mísseis «Iskander» contêm 1.122 componentes. Seiscentos e cinquenta drones de ataque de vários tipos contêm mais de 17.000 componentes, sem os quais não poderiam ser produzidos na rússia. Trata-se de esquemas de grande escala concebidos para contornar as sanções. E esta é uma complexidade absolutamente real nas matanças.

Fonte e fotos: @kazansky2017; Yan Dobronosov.

quinta-feira, maio 21, 2026

Vyshyvanka ucraniana no império russo: entre 1871 e 1917

Haya Yosyfivna Rudyakova, a pequena burguesa da cidade de Kaniv, província de Kyiv

A cultura ucraniana, proibida e perseguida no império russo, se manifestava de diversas maneiras, uma delas era o uso de vyshyvanka, a camisa bordada ucraniana. As fotos mostram ucranianos e ucranianas que foram investigados pela gendarmaria e polícia política czarista nas províncias de Kyiv, Kharkiv, Poltava, Odessa e Podolsk, entre os anos de 1871 e 1917. 

Feodosii Sergiyovych Kushch, um camponês da aldeia de Kramatorsk, distrito de Izyum, província de Kharkiv

Ivan Yakymovych Marchenko, um camponês da aldeia de Pogrebyshche, distrito de Berdychiv, província de Kyiv

As fotos foram disponibilizados por ocasião do 20º aniversário do Dia Internacional de Vyshyvanka, pelo Arquivo Histórico Central Estatal da Ucrânia, em Kyiv, vindas do acervo 2226 “Coleção de Fotografias”. 

Andriy Pirogov (local de residência não especificado)

Zakhary Frolovych Fevralyov, residente em Odesa, província de Kherson

Yefim Yakovych Mazurov, morador de Kyiv

Um dos conhecidos propagandistas russos, o vice-chefe da Duma Estatal, Pyotr Tolstoy, em abril de 2025, fez uma declaração provocatória, afirmando que o povo ucraniano foi criado/inventado como se fosse uma espécie da tese de «orientação política», ligando, falsamente, o uso e o surgimento da vyshyvanka à «fronda (protesto) da nobreza russa» em meados do século XIX. 

Pylyp Lukych Ponomarenko, camponês, aldeia de Mala Smilyanka, distrito de Cherkasy,
província de Kyiv

Yosyp Kazimirovych Krychinsky, o pequeno burguês da aldeia de Bartnyky, distrito de Bratslavsky, província de Podolsk

Vitaliy Fedorovych Makhonin (local de residência não especificado)

Ignatiy Trokhymovych Kyziyev, residente na cidade de Kupyansk,
província de Kharkiv

Como podemos ver nas fotos, a vyshyvanka tradicional ucraniana têm as suas raízes na antiguidade e no século XIX-XX essa tradição estava bem enraizada entre os ucranianos, independentemente do seu estatuto social, origem étnica ou local de nascimento.

sábado, setembro 13, 2025

Ivan Kotliarevsky: o pai da literatura moderna ucraniana

A 9 de setembro de 1769, nasceu em Poltava Ivan Kotlyarevsky, fidalgo, maçon, escritor, poeta e dramaturgo, o pai da literatura moderna ucraniana, o primeiro que começou à escrever as suas obras em língua comum ucraniana. Autor do poema «Eneida» (versão burlesca ucraniana da obra original do Virgílio) e de várias peças teatrais. 

Sobre os seus ombros surgiu a literatura ucraniana moderna, que contribuiu para a formação da identidade nacional ucraniana, o estabelecimento da língua literária ucraniana, a formação da cultura e da arte. Este é um acto revolucionário que elevou a nação ao nível da cultura dos países europeus, uniu os cidadãos em torno de prioridades de valores e direccionou-os para a restauração da sua soberania.

«Iluminada pelo sol, inflamada pelas paixões terrenas, a Eneida», de Ivan Kotlyarevsky (nas palavras do escritor ucraniano Oles Honchar), foi o primeiro monumento impresso da nova literatura ucraniana, uma enciclopédia da vida popular que revelou ao mundo a história da luta de uma grande nação, velada pelos costumes originais, pela vida quotidiana, pelo humor e pela sabedoria popular.

A ilustração de «Eneida» da autoria do Anatoliy Bazylevych

Um poema burlesco que, tendo iniciado um diálogo com o próprio Virgílio, atingiu um elevado nível europeu e uma grande popularidade. Não se trata apenas do passado heróico, da cultura, dos valores, bem como de um diálogo franco em pé de igualdade com a antiguidade, mas, sobretudo, do despertar da autoconsciência nacional, tão importante em todas as encruzilhadas do destino. É o que acontece também nas peças teatrais «Natalka Poltavka» e «Moskal-charivnyk» (Moscovita-curandeiro). São uma página brilhante do novo drama e teatro ucraniano, que fortaleceram o código cultural ucraniano. 

Ver «Natalka Poltavka» (filme ucraniano de 1978)

A historiadora ucraniana Hanna Cherkaska:

Jovem Ivan estudou no Seminário Teológico de Poltava, onde prevalecia um regime rigoroso. O maior inferno para ele era decorar a «Eneida» de Virgílio em latim. A falta de pedagogia irritava de tal modo Kotlyarevsky que começou a escrever poesia, seleccionando rimas engraçadas com habilidade e chegou a parodiar a «Eneida». Em companhia de outros estudantes lia as primeiras páginas da sua «Eneida», escrita por diversão.

Em 1808, o enérgico Kotlyarevsky ocupou o posto do diretor do Lar de Educação de Filhos de Nobres Pobres de Poltava. Serviu ali durante mais de um quarto de século. Os alunos, nada fáceis de lidar, adoravam Kotlyarevsky, cativava-os com o seu carácter: corajoso, decidido e, ao mesmo tempo, simpático e generoso. Despreocupado e otimista, nunca se queixava: «Não sou um mestre da piedade: tenho medo das lágrimas e do amor.» Após o fim da guerra napoleónica, em 1812, o czar russo Alexandre I assinou a reforma de Kotlyarevsky com o posto de major do exército e o direito de usar a uniforme. Kotlyarevsky recebeu um anel de diamantes e uma pensão de 500 rublos anuais, muito dinheiro na época. Uniformizado, viveu uma vida aventureira como nobre, frequentador de teatros e amante das mulheres. Em Poltava, com uma população de 8.000 habitantes, não havia jornal nem teatro, e as lojas maçónicas também estavam proibidas, pelo que Ivan Kotlyarevsky decidiu abrir um teatro. Abriu-o e, depois de ganhar experiência, foi para Kharkiv, onde visitou o Teatro Stein, criado e dirigido por encenador teatral ucraniano Kvitka-Osnovyanenko. Kotlyarevsky observou atentamente a prestação dos melhores atores da trupe e convidou-os a ir a Poltava em nome do Governador-Geral militar, Príncipe M.G. Repnin. O jovem major chamou a atenção da prima-dona do teatro de Kharkiv, Tetiana Pryzhenkivska. A animada cantora e dançarina gostou de Hryhoriy Kvitka-Osnovyanenko, conheceram-se e amaram-se. Kvitka pretendia se casar, mas a sua mãe fidalga disse categoricamente «não». Em consequência, Tetiana se casou com alguém que não amava, não perdoando Kvitka por isso.

«Marusia», o drama romántico de Hryhoriy Osnovyanenko, pulicado em Lviv, edição de 1849

A 1 de setembro de 1819 se estreia a primeira peça teatral ucraniana profissional da autoria de Ivan Kotlyarevsky, «Natalka Poltavka», se estreiou no palco do Teatro de Poltava. O papel de Natalka foi interpretado por Tetiana Pryzhenkivska.

Kotlyarevsky brilhava sempre com um sorriso amigável, repleto de piadas e elogios subtis. Alguns admiravam-no, como escritor ucraniano Gulak-Artemovsky, que escreveu que nada poderia ser melhor do que a «Eneida»; outros chamaram o poema de «brincadeira inteligente».

Pouco antes da sua morte, Ivan Kotlyarevsky libertou todos os seus criados (duas famílias, 6 pessoas no total) e distribuiu os seus bens móveis e imóveis entre os parentes e amigos. Legou uma casa no valor de 6.000 rublos à viúva de um suboficial, Motra Veklecheva, a sua governanta. Não deixou descendentes diretos e não passou os direitos autorais das suas obras a ninguém.

Faleceu a 10 de novembro de 1838, com 70 anos. Enterraram alguém que amava a vida, que sabia rir e amava rir, em mau tempo, à chuva, cujas gotas lavavam as lágrimas brilhantes dos habitantes de Poltava — o sentimento de perda indescritível era universal e sincero.

A sua obra-prima, a «Eneida» demorrou 26 anos para ser escrita. O poema foi publicado na íntegra em 1942 em Kharkiv já após a morte do autor.

O monumento do Ivan Kotlyarevsky em Poltava. Foto: visitpoltava

O czar russo Nicolau II permitiu a inauguração do monumento de Ivan Kotlyarevsky em Poltava em 1903, não em homenagem à um escritor ucraniano, mas na sua qualidade de um herói da guerra napoleónica de 1812. 

A primeira imagem ilustrativa de Natalka Poltavka, que, provavelmente Kotlyarevsky (na sua própria definição uma «ópera») chegou à ver. 

Publicação: Estrela da Manhã. Recolha de artigos em verso e prosa. Livro 2. – Kharkov, 1833. – No verso da página de rosto: Na Tipografia da Universidade, 1834. – VII, 100 p. 

Hoje, recordamos o seu primeiro amor, a maçonaria, padroeira secreta, a respeito do Taras Shevchenko e a versão mais popular da «Eneida», que foi publicada e reimpressa quase vinte vezes. A ilustração inicial é do famoso desenhador ucraniano Anatoliy Bazylevych.