sábado, junho 21, 2025

Transnístria: os separatistas da Moldova acarinhados por Moscovo

Bandeira da Moldova é içada em Tighina (município de Bender)

Em 19 de junho de 1992, o conflito entre a Moldova e a autoproclamada República da Transnístria entrou numa fase acirrada: combates em larga escala começaram na região de Bender.

Os mercenários «cossacos» russos

Possivelmente milícia da Moldova

Exército/combatente da Moldova

Possivelmente as forças da Moldova

As tensões entre Chisinau e Tiraspol vinham crescendo desde agosto de 1990, quando Transnístria (uma faixa industrial da margem esquerda do rio Dniester) declarou a formação da república dentro da Moldávia socialista. Na primavera de 1992, ocorreram confrontos em Dubossary e Grigoriopol, e em junho, os combates envolveram a cidade estrategicamente importante na margem direita, Bender. 


Forças da Moldova, comandadas pelo coronel Leondid Carasiov

O 14º Exército da federação russa, que estava baseado na Transnístria na época, interveio ativamente no conflito. Parte de suas tropas e equipamentos foi transferida para as forças separatistas e, no final de junho, após o término dos combates, o comando russo abriu fogo direto contra as posições do exército moldavo. Após o acordo de cessar-fogo de julho de 1992 entre a Moldova e a rússia, a Transnístria nunca recebeu reconhecimento internacional e as tropas russas (formadas, nas sua maioria pelos moradores locais) permanecem no seu território. A própria Transnístria se transformou, desde então, numa enorme área de mentalidade saudosista soviética, passagem de contrabando e diversos outros esquemas «cinzentos», que deram de comer à muita gente em Moldova, na Transnístria e na Ucrânia. 

Combatentes/exército da Moldova

Os militares da 1ª Brigada de Infantaria Motorizada do exército da Moldova,
comandados pelo russo étnico, coronel Leonid Carasiov

Possivelmente as forças russo-separatistas

Em termos de lealdade, os ucranianos étnicos da Transnístria sempre apoiaram Moscovo, não mostrando nenhuma solidadriedade especial com Ucrânia ou ucranianos. Em 2014, na Transnístria encontraram o refugo seguro vários separatistas fugidos do sul da Ucrânia, principalmente após a vitória das forças ucranianas em Odessa. 

Jovem Igor Girkin na Transnístria

Neste conflito, do lado separatista, participaram ativamente os «voluntários» russos, ditos cossacos, reforçados pelo pessoal do FSB e outras unidades, sem a ligação formal à rússia, mas armados, alimentados, equipados e financiados pelo Kremlin. Um deles era Igor Girkin, o futúro «Strelkov», o primeiro «ministro da defesa» da dita «dnr», o elo de ligação entre estado russo (FSB e os empresários ligados ao Estado) e os separatistas locais. 

Voluntários ucranianos da UNSO do lado separatista

Ucrânia, manteve a neutralidade, não apoiando nenhuma parte do conflito, era época do presidente Leonid Kravchuk, conhecido como «raposo astuto», que era mestre em passar na «corda bamba» ou como se dizia na Ucrânia «entra as gotas da chuva». No entanto, a presença ucraniana no conflito existiu, através de relativamente poucos (entre 80 à 150) voluntários da Autodefesa Nacional da Ucrânia (UNSO), organização nacionalista, liderada na altura, pelo Dmytro Korchynskiy. UNSO e o seu líder explicava a sua decisão de apoiar os separatistas pelo desejo de «defender os ucranianos étnicos», não oficialmente entendia-se que era para garantir a experiência de combate e posse de armamento ligeiro aos seus militantes. Quando aos ucranianos, os realmente havia entre os moradores e residentes da Transnístria, dado que a maior parte da região fez parte da República Socialista Soviética Autónoma da Moldávia, uma república autónoma da Ucrânia soviética entre 12 de outubro de 1924 à 2 de agosto de 1940. Na altura, Korchynskiy simplesmente não percebia, ou então ignorava, o perigo, que advinha do apoio às ditas «repúblicas populares», o fenómeno duas décadas depois atingiu o leste da Ucrânia em 2014. 

Voluntários ucranianos da UNSO do lado separatista

Se pode pressupor, que naquele momento, Korchynskiy estabeleceu os seus primeiros contactos com a secreta militar russa, GRU, que era responsável pelo financimanto deste tipo de movimentos, que através dos conflitos híbridos de baixa densidade deveriam criar o cáos e incertezas no espaço soviético, com fortes tendências para a futura saída da União Soviética (Arménia e Azerbaijão, Geórgia, Moldova, Países Bálticos,Ucrânia). 

Voluntários da UNSO do lado separatista

Os contactos e mais provável o financiamento russo, levou em 2004 Korchynskiy à apoiar Viktor Yanukovych e se declarar abertamente anti-Revolução Laranja (1º Maydan) e anti-NATO. Ao mesmo tempo, sendo um revolucionário (à semelhança do seu preferido Éamon de Valera), Korchynskiy olhava aos russos apenas como «aliados situacionais». Por isso, com início da guerra russo-ucraniana, Korchynskiy estava ativo na criação do batalhão voluntário «Santa Maria», que ativamente defendeu Ucrânia em 2014-16. Mais tarde, o pessoal do seu grupo «Bratstvo» (literalmente Irmandade, uma formação político-religiosa), se juntou às unidades de operações especiais da GUR MOU (em dezembro de 2022 quatro membros do «Bratstvo» morreram na região de Bryansk, participando numa incursão na retaguarda russa). 

O ideologo do neo-fascimo russo Dugin (3) e Korchynskiy numa manif conjunta em 2005 

Tudo isso pode até parecer estranho mas não é, basta lembrar o caso do apoio ativo do kaiser alemão Wilhelm II (primo direto da imperatriz russa) ao grupo do Lenine e outros social-democratas (caso do vagão selado), na destruição, por dentro, do império russo. 

Os blindados do batalhão «Santa Maria», leste da Ucrânia, 2015

«Tudo aquilo que ajuda à causa revolucionária é moralmente aceite», costumava dizer Lenine. Vários revolucionários tentaram seguir a sua máxima, embora nem todos foram bem-sucedidos...

2 comentários:

Anónimo disse...

Esse conflito teve desdobramento?

Anónimo disse...

Eu sempre fui favorável a um ataque ucraniano na Transnistria.