terça-feira, fevereiro 25, 2014

A Centena Celestial ucraniana


A Centena Celestial é o nome dado aos Heróis que tombaram na Maydan pela defesa da Revolução ucraniana. Eram provenientes de quase todas as províncias ucranianas e até do estrangeiro (Belarus, Geórgia e Rússia).

Foram os melhores e mais destemidos elementos da sociedade. O seu sacrifício não pode cair no vazio e a sua memória deve ser preservada.

Centena Celestial em toponímica

Na cidade de Shepetivka, onde até recentemente ainda estava colocado o monumento de Lenine já recebeu o nome dos Heróis da Maydan. A rua chekista Shwartz recebeu o nome do Mykola Dzyavulsky, o manifestante que foi assassinado na Maydan pelo franco-atirador governamental. Ambas as decisões são do Conselho Municipal local, escreve o blogueiro Marco Sharyi.
 
A Centena Celestial...
Na cidade de Dnipropetrovsk (pátria dos mísseis e do 2º presidente da Ucrânia, Leonid Kuchma), os deputados do Conselho Municipal votaram atribuição do nome dos Heróis da Maydan à antiga praça Lenine. A decisão foi validada com 68 votos ao favor, 16 abstenções e apenas 2 votos contra, informa a agência UNIAN.

Bônus:

Ucranianos em São Paulo homenageiam os Heróis da Maydan (no domingo passado foram organizadas as missas na igreja ucraniana ortodoxa em São Bernardo do Sul e na igreja católica de Vila Prudente): FOTOS

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

O homem que acabou com Yanukovych

O jovem Volodymyr Parasyuk (26) era o “centurião Volodymyr”, comandante da Maydan que deu ultimato ao ex-presidente Yanumovych para este abandonar o poder. E a sua voz, calma e ponderada, foi ouvida...

Como costuma-se dizer é impossível acomodar o pronome condicional “se” na História, pois História não é feita das possibilidades, mas dos factos. O mesmo aconteceu no caso de Yanukovych que já alguns dias antes da sua fuga da capital foi visto arrumar os pertences. No entanto, o acordo assinado entre a liderança de oposição e Yanukovych permitia ao ditador continuar no poder durante cerca de um ano, encurtando o seu reinado em apenas alguns meses. Este acordo foi apoiado igualmente pela dita “comunidade internacional”.

Mas logo de seguida, no palco da Maydan interveio o jovem ucraniano Volodymyr Parasyuk. E o seu discurso foi visto pelos milhares de pessoas na Maydan e pelos milhões de telespetadores em direto. O centurião Volodymyr falou durante cerca de 3 minutos, saindo do palco logo de seguida, mas a liderança de oposição já não podia salvar a sua face, concordando em colaborar com ditador e assassino.


A saída precipitada do Yanukovych do poder não foi uma obra da liderança indecisa da oposição, foi a obra dos jovens como Volodymyr, dos Heróis que tombaram pela Revolução e que são conhecidos atualmente como a “Centena Celestial”, escrevem Texty.org.ua

Bônus:

O parlamento ucraniano revogou o estatuto oficial da língua russa, a partir de agora, ucraniano é novamente a única língua oficial da Ucrânia, as notícias e a publicidade devem ser apenas em ucraniano. Decisão apoiada por 54% dos cidadãos da Ucrânia.

O projeto-lei №1190 que revogava a lei anterior (№529-6 de 3 de junho de 2012), reuniu os votos favoráveis dos 232 deputados. O autor do novo projeto-lei, Vyacheslav Kyrylenko, explicou que a lei antiga foi adotada com violações grosseiras das normas parlamentares, informa Censor.net.ua

A jornalista e blogueira Olga Len escreve que após a decisão o deputado Nestor Shufrich (que dirige os restos do Partido das Regiões) começou falar em húngaro. Pelo contrário, partido VO Liberdade, o seu líder, Oleh Tiahnybok prometeu que o Parlamento votará uma nova lei que garantirá os direitos linguísticos das minorias étnicas.

domingo, fevereiro 23, 2014

O futuro do Yanukovych



Basicamente, o futuro do ex-presidente Yanukovych é uma escolha sábia e responsável em como ele gostaria de acabar os seus dias, como Milošević ou como os Ceauşescu...

Pensando e refletindo sobre o seu futuro, e após a incapacidade óbvia de granjear os apoios almejados à ideia do separatismo regional, Yanukovych deveria escolher um julgamento justo e transparente em Haia. No entanto, a recente história dos diversos ditadores mostra exatamente o contrário, em vez de escolher uma vida digna na cadeia europeia liberal e bastante confortável, constantemente escolhem a morte dolorosa e nada bonita na forca, na sarjeta ou, então, são colhidos pelo pelotão dos pará-quedistas voluntários...

Ex-presidente Yanukovych, que combina o analfabetismo funcional com um fortíssimo instinto de sobrevivência, opta por um caminho misto. Foge da capital, nas mãos da Revolução, mas não apressa-se em se entrega à justiça.

Na tarde do dia 21 de fevereiro, um dos comandantes intermédios da Maydan, o centurião Volodymyr Parasyuk, subiu ao palco principal e fez uma declaração simples. Ou Yanukovych se demita até 10h00 do dia 22 ou a resistência anunciará a sua busca e captura, com o uso das armas de fogo legais (FONTE). 
Centurião Volodymyr Parasyuk declara caça ao Yanukovych
Yanukovych entendeu a mensagem perfeitamente bem, pois na mesma noite desapareceu da capital, deixando às pressas a sua luxuosa residência em Mezhgirya, repleta de avestruzes, javalis, sanitas de ouro e até o jardim zoológico privado.

Para onde se dirigiu o ex-presidente é um grande enigma. Conjugou-se desde Fujairah nos Emirados Árabes Unidos até o congresso separatista em Kharkiv. No entanto, nas palavras do próprio ex-presidente, ele “queria participar no congresso /.../ mas aconteceu que não podia ir, /.../ não podia perder tempo, porque /.../ tinha que estar sempre em comunicação” (FONTE 2).

No entanto, a Pravda Ucraniana escreve que o Serviço Estatal de guarda-fronteira não deixou o charter com Yanukovych ao bordo de descolar da cidade de Donetsk. Essa tentativa, alegadamente, teve lugar neste sábado, mas dado que o voo não preencheu a documentação necessária, foi barrado pela guarda-fronteira, informou o assessor do chefe do Serviço, Serhiy Astakhov.

Segundo a mesma informação, um grupo de guardas armados tentou subornar os oficiais, na tentativa de “comprar” a saída não autorizada, mas estes recusaram a oferta. Desconseguindo a sua pretensão, Yanukovych abandonou o charter, entrou num dos dois carros blindados e abandonou o recinto do aeroporto.    

Não se sabe para onde se dirigia Yanukovych, dado que o charter não submeteu às autoridades aeroportuárias nenhuma carta de voo. O mesmo serviço informa que Yanukovych não foi detetado em nenhum outro posto da fronteira ucraniana, escreve Pravda.com.ua

A Pravda Ucraniana também informa que o ex-ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko tentou usar o mesmo aeroporto para abandonar a Ucrânia. O ex-governante também queria usar um voo charter indocumentado e também foi impedido de faze-lo pela guarda-fronteira. Abandonando o aeroporto de seguida, Zakharchenko igualmente não foi visto em nenhuma fronteira oficial ucraniana, diz Pravda.com.ua

Se calhar, chegou a hora certa de Yanukovych seguir o conselho dado lhe pelos moradores da cidade de Cherkassy: “Lembre-se de Mussoline e Ceauşescu”...
Cidade de Cherkassy espera pelo Yanukovych...

sábado, fevereiro 22, 2014

Revolução ucraniana: vitória quase



Parlamento ucraniano sob a defesa da Revolução

As notícias saem mais rapidamente do é humanamente possível as traduzir. Tudo indica que o regime sangrento do Yanukovych caiu quase totalmente, o seu próprio paradeiro é desconhecido, a Revolução e as suas unidades das autodefesas estão no controlo absoluto da capital ucraniana, cidade de Kyiv.

A jornalista e blogueira Olga Len informa do Parlamento ucraniano:

Os deputados preparam-se para votar imediatamente a decisão de nacionalizar o palácio de luxo em Mezhgirya (que Yanukovych construiu com o dinheiro público, passando o para a propriedade privada num esquema fraudulento). Também há uma forte vontade de dissolver a unidade de polícia de choque “Berkut” (responsável pelos assassinatos, torturas e humilhações públicas dos cidadãos).
 
O povo a passear no palácio de Mezhgirya
O líder do partido VO Liberdade propôs como o novo chefe do Ministério do Interior, o deputado da VO Batkivshyna, Arsen Avakov, o deputado Andriy Parubiy (o comandante-chefe das autodefesas da Maydan) apoiou essa decisão. A jornalista Tetiana Mokridi informa que o ex-ministro do Interior, Vitaly Zakharchenko abandonou a Ucrânia, refugiando-se na vizinha Belarus (existe a informação do que as autoridades da Belarus deram ao ex-ministro o tempo até 18h00 do dia 22.2.2014 para deixar o território do país). O deputado Andriy Parubiy informa no seu FB do que as tropas do Ministério do Interior de Kyiv, comandadas pelo tenente-general Konoplianyk mostraram a sua vontade de seguir as ordens da Maydan e do Parlamento ucraniano.

O novo chefe do Parlamento é Olexander Turchynov (liderava a secreta SBU no 1º Governo pós-Revolução Laranja). Turchynov informa os deputados que Yanukovych está fora da capital, 309 deputados votam pela deliberação à Administração Presidencial de procurar o paradeiro do presidente. Os 332 deputados votam pelo seguimento das obrigações internacionais na libertação da Yulia Tymoshenko. A sua filha, Eugénia, anuncia que está no caminho ao Kharkiv, na companhia dos diplomatas ocidentais para libertar a mãe. Pede às unidades do Ministério do Interior não interferirem na ação.

Foi votada a não confiança ao procurador-geral Pshonka (247 votos), demissão do chefe do Parlamento Rybak (326 favoráveis) e vice-chefe Kaletnik (326 favoráveis).

Separatistas de Kharkiv
 
Separatistas de Kharkiv...
Ninguém sabe onde está Yanukovych, existe a informação do que o seu avião presidencial pousou na cidade de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos (informação da Espreso.tv). A sua porta-voz diz que Yanukovych está na Ucrânia, na cidade de Kharkiv, onde o presidente do concelho municipal local, Gennadiy Kernes anunciou a reunião magna dos separatistas (deputados de todos os níveis do leste da Ucrânia, da Crimeia e da cidade de Sebastopol). 

O Parlamento ucraniano votou a deliberação sobre a prevenção de separatismo, 319 votos ao favor (2/3 são 300 votos). A deliberação considera como separatismo “as negociações de políticos individuais com os representantes dos países estrangeiros sobre a divisão territorial da Ucrânia”.

Parece que os separatistas entenderam a mensagem, dado que um dos organizadores da “Frente Ucraniana”, Gennadiy Kernes disse o seguinte: “Sou pelo país unido, Kharkiv foi e será a parte do país unido; em Kharkiv não há nenhuma reunião golpista separatista, aqui se reuniram os líderes responsáveis”, escreve a edição Hvylya.org

O membro da Comissão Central de Eleições, Andriy Megera, informou que quaisquer decisões tomadas em Kharkiv não serão legítimas, além disso, os separatistas limitaram-se apoiar a decisão sobre a passagem de todo o poder nas suas zonas de influência para as autarquias, que já pela Lei atual possuem algum poder limitado. Também apareceu a informação do que Kernes e o chefe da Administração Estatal de Kharkiv, Mykhaylo Dobkin, neste momento já abandonaram a Ucrânia.

Liderança da "frente ycraniana" foge da Ucrânia...
Recorda-se que nas vésperas, na noite do dia 21 de fevereiro, as autodefesas da Maydan tomaram pacificamente o bairro governamental, após a polícia abandonar as suas posições no centro de Kyiv. Juntamente com os militantes do “Setor da Direita”, autodefesas controlam Parlamento Ucraniano, Gabinete dos Ministros, Administração Presidencial e sede do Ministério do Interior em Kyiv. A secreta ucraniana SBU também anunciou oficialmente que cessa a sua preparação para “execução da operação antiterrorista”, informa LB.ua

Lista dos que morreram na Maydan (75 pessoas, incompleta e em constante atualização):
 
Enterro do Anatoly Zhalovaha, 33 anos, Lviv...
Recordaremos, que pelos dados do Ministério da Saúde, nos dias 18-21 de fevereiro em Kyiv morreram 77 pessoas, foram feridos 577, destes 369 foram hospitalizados...