sábado, abril 09, 2016

A URSS que nós perdemos

A existência da URSS e o seu fim até hoje são vistos com prismas e sentimentos diferentes. O nosso blogue considera a União Soviética como cadeia dos povos e um grande GULAG. O supremo dirigente russo considera o desaparecimento da URSS como “a maior tragédia do século XX”...

Da carta do ator, realizador e dirigente teatral soviético, Vsevolod Meyerhold, ao procurador-geral da URSS, Andrey Vyshinsky, 13 de janeiro de 1940:

Me colocavam de face para baixo, batiam com um torniquete nos calcanhares, nas costas; quando estava sentado na cadeira, com a mesma borracha batiam nas pernas. Nos dias seguintes, quando aquelas partes das pernas estavam cheias de hemorragia interna abundante, então, nestas contusões vermelhos-azuis-amarelos novamente batiam com o mesmo torniquete, e a dor era tal que parecia que nos lugares doridos derramavam a água fervescente (eu gritava e chorava de dor). Com as mãos me batiam na cara... O investigador sempre insistia, ameaçando: “Se não escreveres, vamos te bater novamente, deixaremos intacta a cabeça e a mão direita e o resto vai se transformar em um pedaço informe de corpo manchado de sangue”. E eu assinava tudo até 16 de novembro de 1939.

Meyerhold não chegou a saber que a sua esposa, atriz Zinaida Reich, mãe dos filhos do poeta russo Sergey Yesenin foi brutalmente assassinada 24 dias após a prisão do realizador. Dois assassinos, acredita-se, mandados pelo NKVD, infringiram à vítima 17 facadas, vazaram os seus olhos. Os responsáveis reais nunca foram achados, mas aproveitando o caso NKVD fuzilou três e deportou ao GULAG duas pessoas ligadas ao mundo teatral moscovita.

Meyerhold foi fuzilado (ou de acordo com algumas fontes afogado em um barril de fezes) em 2 de fevereiro de 1940, juntamente com o diretor do Teatro de Arte de Moscovo, Yakov Boyarski-Shimshelevich e o jornalista Mikhail Koltsov (fonte).

O caso contra Meyerhold era conduzido por três investigadores do NKVD: Kobulov B. Z. (fuzilado em 1953, não reabilitado); Shvartzman L. L. (condenado ao fuzilamento em 1955, desconhece-se a data de sua morte); Boris V. Rodos (fuzilado em 1956, não reabilitado). Todos os três foram acusados em falsificação dos casos que investigavam...

O sonho do cidadão socialista

A carga valiosíssima depositada no carinho de criança, em frente de uma loja pronto-à-vestir na cidade de Wrocław, na Polónia comunista, em 1982, (c) Chris Niedenthal (fonte). 

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