sexta-feira, setembro 05, 2025

Vasyl Stus: o poeta ucraniano que morreu no GULAG soviético

Um dos maiores poetas ucranianos do século XX, Vasyl Stus, morreu no campo de concentração soviético de Perm (durante uma greve de fome), aconteceu em 4 de setembro de 1985, já após o início da Perestroika... 

A 14 de maio de 1980, nas vésperas dos Jogos Olímpicos de 1980, em Moscovo, quando o regime soviético lançou uma larga operação preventiva contra o movimento dissidente, Vasyl Stus foi preso e recebeu uma pena de 10 anos por «atividades antissoviéticas». O seu advogado foi Viktor Medvedchuk (uma grande maioria dos advogados da Ucrânia soviética simplesmente não aceitava defender os dissidentes), que mais tarde se tornou o «cardeal na sombra» da política ucraniana e padrinho do putin, exerceu a defesa formal de Stus (mesmo sob a decisão do poeta de recusar os serviços de alguém conivente com o regime soviético e naturalmente com a acusação) durante naquele julgamento. No seu discurso de encerramento da defesa, Medvedchuk afirmou que «todos os crimes de Stus mereciam punição». 

Embora os tais «crimes» do Stus não passavam de simples delito de opinião, o tribunal soviético considerou o poeta, já bastante debilitado fisicamente, como um reincidente particularmente perigoso e, em setembro de 1980, ele foi condenado a 10 anos de trabalhos forçados e 5 anos de exílio. 

A 28 de agosto de 1985, no campo de regime especial VS-389/36-1 («Perm-36», aldeia de Kuchino, região de Perm, atual federação russa), o poeta e ativista ucraniano de direitos humanos Vasyl Stus foi colocado numa cela de castigo. A administração alegou a «violação das regras de fazer a cama» (Sic!) – Stus lia algo com o seu cotovelo apoiado no beliche; depoimentos de ex-presos políticos descrevem este episódio em pormenor.

Depois disso, entrou em greve de fome; na noite de 3 para 4 de setembro de 1985, Stus morreu na cela de castigo em circunstâncias pouco esclarecidas. Apenas quatro anos depois, aos 19 de novembro de 1989, os seus restos mortais foram sepultados em Kyiv, no cemitério de Baikove; em 1990, o poeta foi reabilitado oficiosamentee, a 26 de novembro de 2005, recebeu postumamente o título de Herói da Ucrânia. 

Que bom que não temo a morte

e não pergunto se a minha cruz é pesada.

Que diante de vós, juízes, não me curvo

em antecipação de desconhecidas camadas.

Que vivi, amei e não acumulei imundície,

ódio, maldição, remorsos.

Meu povo, voltarei a vós novamente

na morte me voltarei para a vida

com o sofrimento e com o rosto não maldoso.

Como um filho, curvar-me-ei diante de vós

e olharei honestamente aos seus olhos honestos

na morte me juntarei à minha terra natal.

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