quarta-feira, agosto 31, 2005

GreenJolly concerto na Polónia

Atenção Polónia / Europa!

Dia 3 de Setembro, o grupo ucraniano GreenJolly (representante da Ucrânia no festival Eurovisão 2005), planeia dar um concerto na cidade polaca de Poznan, às 19h00, num local a definir brevemente.

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segunda-feira, agosto 22, 2005

Ucrânia, 14° aniversário da Independência

No dia 24 de Agosto, a Ucrânia comemora o seu 14° aniversário como país independente. Uma Nação com mais de mil anos de história, mas com apenas 14 anos da Independência política. Isso é pouco ou muito? Depende de como contar. Porque as privações e perdas que a Ucrânia tive que suportar, principalmente nos cem últimos anos, dariam para vários países e para vários livros da história. Embora é um tema, que nunca se esgota, hoje preferia fornecer aos leitores apenas factos. Depois, cada um poderá ajuizar por si mesmo.

U C R Â N I A / У К Р А Ї Н А

Nome oficial: Ucrânia
Área:603.700 km2
Localização geográfica: Centro de Europa
Limites: Ao norte a Ucrânia faz fronteira com a Belarus, a nordeste e leste com a Federação Russa, a sudoeste com Roménia, Moldova e Hungria, a oeste com a Eslováquia e a Polónia. Ao sul a Ucrânia é banhada pelo Mar Negro e pelo Mar de Azov. A extensão de suas fronteiras é de 6.500 km, incluindo 1.050 km de fronteiras marítimas.
População: 46,996,765 milhões (estimativa de 2005)
Capital: Kyiv (2,6 milhões)
Cidades principais: Kharkiv (1,6 milhões), Dnipropetrovsk (1,2 milhões), Odessa (1,2 milhões), Donetsk (1,1 milhões), Lviv (0,8 milhões)
Densidade: 80 /km²; 27º país mais populoso do Mundo
Fuso horário: UTC +2
Hino nacional: “Sche ne vmerla Ukrayina”
TLD (Internet): UA
Código telefónico: +380

Sistema de Governo: República Presidencial e Parlamentarista
Sistema Legislativo: Verkhovna Rada (Parlamento) com 450 membros eleitos pelo voto directo.
Língua oficial: Ucraniana
Moeda: Hryvnya (UAH), US$/UAH = 5,05 em Maio de 2005
PIB: US$ 59 bilhões (2004)
PIB agro-pecuária: 23%
PIB indústrias: 42%
PIB serviços: 35%
Exportação: US$ 38,0 bilhões (2004)
Importação: US% 31,1 bilhões (2004)
Taxa de desemprego:3,6% (2004)
Chefe de Estado: Presidente - Viktor Yushchenko, eleito em Dezembro de 2004 por um mandato de 5 anos
http://www.yuschenko.com.ua/eng/ - página pessoal do Presidente da Ucrânia
Chefe de Governo: Primeira - Ministra Yulia Timoshenko
Chefe do Parlamento: Volodymyr Lytvyn
Divisão Administrativa: 24 províncias, subdivididas em Municípios e a República Autónoma da Crimeia.
As cidades de Kyiv (capital) e Sebastópol (porto no Mar Negro) são subordinadas directamente ao Governo central.
Constituição: foi promulgada em 28 de Junho de 1996
Grupos étnicos
Ucranianos 77.8%
Russos 17.3%
Belarusos 0.6%
Moldovos 0.5%
Tártaros da Crimeia 0.5%
Búlgaros 0.4%
Húngaros 0.3%
Romenos 0.3%
Polacos 0.3%
Judeus 0.2%
Outros 1.8% (2001)
Religião:
52,2% (14.935 comunidades) pertencem à Igreja ortodoxa;
28,7 % (7.389 comunidades) pertencem às Igrejas evangélicas e associações;
12,7 % (3.340 comunidades) pertencem à Igreja ucraniana grego - católica;
3,5 % (863 comunidades) pertencem à Igreja católica romana

UCRÂNIA - CARACTERÍSTICAS E POTENCIALIDADES

A Ucrânia é um país que resistiu por séculos a todas as tentativas de absorção e assimilação de outras culturas. Um povo que mantém, através dos confins que os dividem, a unidade de língua, literatura e de espírito. Que defendeu sempre, com sacrifícios de homens e bens, o ideal pátrio, em todo e mais longínquo ponto de seu território étnico. Hoje a Ucrânia é novamente um país livre. A Ucrânia é uma nação eslava situada, em linhas gerais, entre os Mares Negro e o Azov e o Rio Prypyat, entre as Planícies Húngaras, a Foz do Danúbio e o Rio Don. Os Rios Dnipro e o Dniester são, e sempre foram, os limites geográficos centrais da Ucrânia. A cidade de KYIV é a velha capital e o centro da vida cultural ucraniana. Sendo assim, a Ucrânia confina ao sul com os mares Negro e Azov ; a sudoeste com a Moldova, Roménia, Hungria e Eslováquia; a oeste com a Polónia e Belarus; ao norte com a Rússia; a leste o limite da Ucrânia atinge quase as estepes do Volga e a região caucásica. Estendendo-se por um território geográfico de 603 700 km2 e um território etnográfico misto de 945 000 km2, a Ucrânia é o segundo maior país da Europa (apenas ficando atrás da Rússia). Estando situada entre os paralelos 43o e 53o do Polo Norte, seu clima, nas regiões setentrionais, é temperado frio. Seus invernos são longos e rigorosos, com solo recoberto de neve. Na primavera os rios correm gorgolejando a água do degelo. No sul o clima é mais ameno. O estio é mais longo. O solo se aquece. O clima torna-se mediterrâneo. O Mar Negro se anuncia com suas praias piscosas com as “flechas’’ de areia e de saibro retendo por vezes, atrás de si, pântanos salgados. Só se encontram montanhas na cordilheira ocidental dos Cárpatos, dos quais o pico mais alto é o Hora Hoverla com 2,061 m, e na península da Crimeia no extremo sul, ao longo da costa. A Ucrânia tem um clima temperado continental, embora se encontre um clima mais mediterrâneo na costa sul da Crimeia. A precipitação está distribuída de maneira desproporcional: é maior no oeste e no norte e menor no sul e no leste. Os invernos variam de frescos ao longo da costa do Mar Negro a frios no interior. Os verões são mornos na maior parte do país, mas em geral quentes no sul.

Economia da Ucrânia

Na produção de trigo, cevada e beterraba, a Ucrânia ocupa o terceiro lugar no mundo. Outros cultivos importantes são: cevada, milho, leguminosas, batata, aveia, centeio, painço e trigo sarraceno. As maiores culturas industriais são as de beterraba e de semente de girassol. Cultivam-se frutas e hortaliças nos arredores das grandes cidades. A criação de gado bovino e suíno é praticada em todo o pais.
A Ucrânia conta com ricas jazidas de minério de manganês no Donbass. Essa região é o centro industrial do país e um dos principais complexos minero - metalúrgicos e de industria pesada da Europa. A Ucrânia é também um importante produtor de gás natural e de petróleo, embora as reservas desses combustíveis fósseis tenham sido excessivamente exploradas durante o período soviético. O Donbass apresenta também indústrias metalúrgicas altamente desenvolvidas, que produzem ferro e aço em grandes quantidades.

História da Ucrânia

As mudanças democráticas da Ucrânia coincidem com aquelas do mapa geopolítico da Europa. No dia 24 de agosto de 1991, a Ucrânia proclamou a sua Independência. É de se
ressaltar que a Ucrânia conseguiu a Independência pela terceira vez na sua longa história.
Dentro da ramo indo-europeu de povos (que hoje habita todo velho continente, península indica e porções diversas da Ásia), existe um grupo numeroso chamado eslavo. Os eslavos aparecem no cenário da história, no começo de nossa era, inclusos no contexto das grandes migrações de povos. Inicialmente ocupam extensas faixas de terra entre o mar Negro e as florestas situadas além das estepes ucranianas. Depois, iniciam fluxos migratórios que os conduzem ao litoral dos mares Báltico, Adriático, Egeu e aos maciços alpinos. Entre os séculos IV e VI, os eslavos começam a fundar pequenos estados efémeros nos territórios hoje compreendidos pela Ucrânia, Belarus, Rússia, República Checa e Eslováquia, Polónia, Eslovénia, Macedónia, Croácia, Sérvia, parte da Alemanha, Hungria, sul da Áustria, norte da Albânia e invadem a Grécia.
Comprimidos entre os Impérios Franco e Bizantino, os eslavos formam o primeiro grande estado oriental, conhecido como Rus de Kyiv por volta do século IX. Há diversas teorias a esse respeito; a mais difundida, narrada pela Crónica de Nestor dá conta do facto de que guerreiros nórdicos da Escandinávia, conhecidos sob o nome de variegues, teriam penetrado pelos grandes rios até a costa do mar Negro, e em simbiose com a população local, teriam fundado o Estado de Kyiv, cuja capital era a cidade de Kyiv, antigo centro do reino dos Khazares, cuja extensão territorial ia dos Montes Cárpatos ao norte do Cáucaso.
Em breve, a população da Rus de Kyiv integra o reino de Oleg (879 – 914), que alarga as fronteiras de seu estado até o rio Don, a leste, sob a influência da cultura bizantina, Sviatosláv, o conquistador (964 – 972) chega a ameaçar com suas tropas, a cidade de Constantinopla. Volodymyr, o Grande (979 - 1015), desposa a irmã do imperador bizantino, Anna e converte-se ao cristianismo, que se torna a religião oficial do Estado. A obra de Volodymyr tem continuidade durante o reinado do filho, Yaroslav, o Sábio (1019 – 1054), que transforma Kyiv numa grande metrópole, constrói igrejas, funda bibliotecas e estabelece a Rúska Pravda, primeiro código de leis do mundo eslavo.
O cristianismo triunfa sob o reinado de Volodymyr, mas o príncipe considerava importante a existência de padres que falassem seu idioma e Bizâncio não os podia fornecer, fato que os conduz à formação de uma igreja nacional, com clero autónomo. O Estado de Kyiv torna-se um dos centros cultuais mais importantes da época. O reinado de Yaroslav dá lugar a um período de grande instabilidade dentro da Rus de Kyiv, pois as invasões tártaro - mongóis no século XIII, fizeram com que o Estado Ucraniano fosse dividido em vários estados.
Nos séculos XVI e XVII, renasceu, como a República dos Cossacos, o país mais democrático da Europa daquela época. Seria suficiente frisar que o seu Hétman (Presidente militar), o Pylyp Orlyk serviu de modelo ao redigir-se a carta magna dos Estados Unidos da América. Na República Cossaca a alfabetização era geral, sendo obrigatória e gratuita. Publicavam-se livros, florescia a arte, organizavam-se teatros e museus. Em 1632 em Kyiv foi fundada a Universidade (Academia Kyiv Mohyla), esta logo tornou-se importante centro de educação na Europa daqueles tempos. A Ucrânia dispunha de um magnífico exército, cuja táctica de combate era reconhecida por toda a Europa. Não é nada casual que o Hétman da Ucrânia tenha sido nomeado o comandante – em - chefe das tropas unificadas de todos os exércitos da Europa, na luta com antigo Estado Turco.
A partir da segunda metade do século XI, com a invasão mongol, dá-se início ao deslocamento da vida cultural da Ucrânia para oeste, nas regiões conhecidas como Galiza e Volyn. A Galiza, um principado autónomo, cuja capital Galych tem um elevado desenvolvimento durante o período de Yaroslav Osmomysl (1152-1187), contudo as dissidências entre a nobreza local, tiveram como consequência a anexação da Galiza pelo principado da Volyn, cujo apogeu ocorre sob o reinado de Danilo (1205 – 1264), Rei da Galiza – Volyn. Danilo torna-se um importante monarca europeu, mas o avanço tártaro - mongol coloca os ucranianos sob tutela asiática. No final do século XIV, os ucranianos se livram do julgo mongol, mas suas terras são divididas: a Lituânia ocupa a Volyn e Kyiv; a Polónia anexa a Galiza, que se libertaria da tutela polaca somente em 1772, com a divisão da Polónia.
A Volyn e o restante das terras ucranianas, após as disputas entre polacos e lituanos, integrou a Polónia até o final do século XVIII, quando então passou ao domínio do império russo e, em 1921 pelo tratado de Riga, foi novamente dividida entre russos e polacos, retornando ao domínio Soviético em 1939.
Com a União de Lublin em 1569, os polacos anexam todas as terras ucranianas, submetendo-as a um acelerado processo de polonização sem sequer se importar com a defesa dos ucranianos das sucessivas invasões asiáticas. Diante disso, o povo ucraniano começa a retirar-se para as estepes do baixo Dnipró, organizando em 1552 uma fortaleza que seria conhecida pelo nome de Zaporijska Sich, sob a liderança de Ostap Dachkévytch e Dmytro
Baida - Vychnevétzky. O Estado cossaco era quem organizava incursões militares em defesa do povo ucraniano, e em 1648, sob a chefia do Hetman Bohdan Hmelnytzkiy, os ucranianos derrotam os polacos e conseguem estabelecer sua independência, que no entanto teria curta duração.
Em 1654 Hmelnytzkiy conclui com a Rússia o tratado de Pereyasláv, que deveria avalizar a independência ucraniana. O czar russo, no entanto, traindo o acordo, assina com os polacos, em 1667, um tratado que resulta em nova partilha das terras ucranianas.
A liquidação do Estado ucraniano, seria realizada durante o reinado de Catarina (1729-1796), que expande o império russo e coloca os ucranianos, dominados antes pela Polónia, sob o domínio russo - austríaco.
O movimento nacionalista ucraniano continua a desenvolver-se, e com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, num cenário de grande devastação, em março de 1917, os ucranianos formam um Parlamento próprio dirigido por historiador Mykhailo Hruchevskiy (1866 – 1934). Em 23 de Junho de 1917, a Ucrânia proclama sua Independência, sendo presidida por Hruchevskiy, tendo como primeiro - ministro escritor Volodymyr Vinnychenko (1880-1951) e Comandante das Forças Armadas, Simon Petliúra (1879-1926), mais tarde assassinado em Paris por um agente soviético.
Em 1918 as populações ucranianas do império austro - húngaro (Galiza, Bucovyna, Bessarábia e Transcarpátia), conseguem autonomia e formam a República Popular da Ucrânia Ocidental, que em 22 de Janeiro de 1919 se une a República Popular da Ucrânia. Após o armistício de Outubro de 1919 (final da Primeira Guerra Mundial), o império austro - húngaro é liquidado e as terras da República da Ucrânia Ocidental são divididas entre Polónia, Roménia e Checoslováquia. Através do tratado de Riga em 1921, a independência da Ucrânia Central acaba sendo anulada, porque o país sucumbiu do exercito comunista russo.
Em Setembro de 1938, a Alemanha nazista invade a Checoslováquia e a Hungria fascista anexa em 1939 a Ucrânia Carpática, assim com excepção de Kholm e alguns distritos ao sul na Polónia (ocupada pelos alemães) e da Ucrânia Carpática (ocupada pelos húngaros), todos os ucranianos passam para a tutela soviética, já que a Roménia cedeu a Moscovo a Bukovyna e a Bessarábia. A luta dos nacionalistas continua nas terras ocupadas pela Polónia, Roménia e na Ucrânia soviética; a Organização Militar Ucraniana (UVO), chefiada pelo coronel Evhen Konovaletz (1891 – 1938), assassinado pela NKVD em Roterdão, é formada, na sua maioria de jovens guerrilheiros.
Em 1938 tem início a Segunda Guerra Mundial, a URSS, junto com a Alemanha, invade a Polónia, anexando a Galiza à República Socialista Soviética da Ucrânia; a Roménia devolve a Bessarábia e Bukovyna, e as populações não ucranianas dessas regiões, formam a República Moldova.
Em 1941, a Alemanha invade a URSS, sendo a Ucrânia a primeira a ser ocupada, e em 30 de Junho de 1941 a Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) proclama a Independência em Lviv. No dia seguinte, todo o governo e os seus líderes Stepan Bandera e Jaroslav Stetskó, são presos e, sem julgamento, enviados ao campo de concentração de Buchenwald onde permanecem até 1945.
O OUN organiza resistência sob o comando do General Roman Chukhévych (pseudónimo Tarás Chuprynka, 17.7.1907 – 5.3.1950) e luta ao mesmo tempo contra dois ocupantes, a Alemanha nazi e a URSS comunista. A luta continua até 1953, 8 anos após o término da Segunda Guerra Mundial.
A repressão é muito forte; centenas de milhares de ucranianos são enviados para os GULAGS de Sibéria, poucos conseguem sobreviver e o processo de russificação continua até os anos 90.
Os sentimentos patrióticos são reacesos e em 1990, o Parlamento de maioria comunista da Ucrânia, proclama a soberania. Em 24 de agosto de 1991, com o fracasso do golpe do Estado em Moscovo, a Ucrânia se desliga da URSS e declara sua Independência, que aprovada em plebiscito pela população no dia 1 de dezembro do mesmo ano, obtendo o reconhecimento internacional.
Primeiras eleições presidenciais, em Dezembro de 1991, foram ganhos pelo Leonid Kravchuk. Em 1994 é eleito o ex-primeiro-ministro Leonid Kuchma. Em 2004, depois de um processo de falsificações e através de um protesto maciço, conhecido como Revolução Laranja, eleito novo Presidente da Ucrânia – Viktor Yushenko.
A nova constituição, aprovada em 1996, estabelece que o poder executivo que é exercido pelo presidente, eleito directamente por voto universal para um mandato de 5 anos, com possibilidade de reeleição. O congresso (Verhovna Rada), é composto de 450 deputados eleitos por votos distritais para um mandato de 4 anos.

Qual é a importância da Ucrânia independente?

Primeiro, deve-se mencionar que, numa situação geográfica muito favorável, localizada no centro da Europa, com magníficas condições climáticas, com uma população actual de cerca de 46 milhões e com um território superior a 600 mil quilómetros quadrados, a Ucrânia possui as fabulosas terras negras com o húmus natural mais fértil do planeta (quase 25 % das reservas mundiais), grandes reservas de carvão, minério de ferro, níquel, titânio, manganês, urânio, etc. Com o seu potencial económico e técnico - científico, a Ucrânia é um dos países mais desenvolvidos da Europa. As estatísticas da UNESCO revelam que o complexo técnico - científico ucraniano constitui 6,5% do mundial, enquanto que a sua população corresponde a 0,1% do mundo. Na ciência, ocupa as primeiras linhas no desenvolvimento da tecnologia de construção de aviões e navios, na solda eléctrica, cibernética e em outras áreas.
Possui bem formada infra-estrutura moderna. Nas costas do Mar Negro e do Mar de Azov encontram-se os complexos portuários de Odessa, Ilichivsk, Mykolayiv, Khersón, Mariupol, que asseguraram aproximadamente 20% de todas as exportações da ex - URSS. Pelo território da Ucrânia passam vias fluviais e férreas, assim como estradas internacionais, 5 oleodutos e gasodutos trans - europeus, linhas de transmissão eléctrica de alta tensão, o que dá ao País a possibilidade de ser considerado como uma espécie de ponte de ligação entre o Leste e o Ocidente da Europa.
Na ex - URSS, a Ucrânia produzia cerca de 40% de todo o volume do ferro fundido, do minério de ferro, do manganês e do carvão, 30 % de toda a construção de maquinaria pesada (mísseis, aviões de carga de grande porte, navios, locomotivas, tractores e retroescavadeiras), uma parte considerável do equipamento metalúrgico e energético (turbinas) e aproximadamente 50 milhões de toneladas de grãos anualmente. Produzia ainda 25% de todo o material bélico da ex - URSS. É por isso que hoje, é de suma importância para a Ucrânia solucionar o problema da conversão e reorientação de sua indústria militar.
Todo o exposto demonstra que a Ucrânia é um parceiro atraente para a cooperação económica, sendo também um mercado de grandes possibilidades para os produtos estrangeiros. A economia nacional está em condições de satisfazer aproximadamente 80% de suas necessidades, com produção e reservas próprias, mas depende da importação de petróleo e gás (actualmente consome até 45 milhões de toneladas de petróleo, sendo a produção nacional de aproximadamente 8 milhões de toneladas). Em seu território, que constituiu 3% da ex - URSS, eram produzidos mais de 40 % de todos os produtos do Estado soviético.
Exportações: maquinaria pesada, manufacturados de metal, produtos petroquímicos, minério de ferro, ferro - gusa, laminados, tubos de aço, adubos minerais, concreto, locomotivas, carvão, alimentos, açúcar, bens de consumo.
Importações: computadores, instrumentos de alta precisão, café, gás, petróleo, madeira, algodão, bauxitas, soja, herbicidas.

A IMIGRAÇÃO UCRANIANA NO BRASIL

Por volta de 1890, os primeiros imigrantes ucranianos vieram ao Brasil, onde se fixaram no Paraná. Perfaziam ao todo, de 25 a 30 famílias vindas da Galiza (Ucrânia Ocidental). Esses primeiros imigrantes foram atraídos por alqueires de terra fértil que o Império do Brasil oferecia para quem quisesse se estabelecer na província do Paraná. Em 1895-1896, devido a intensa propaganda, cerca de 5 mil famílias abandonaram a Ucrânia Ocidental e vieram povoar o Paraná, sobretudo por aquele estado ter um clima semelhante ao europeu.
A partir de 1908, ocorreu a segunda etapa da colonização ucraniana, durante a construção da Estrada de ferro Paraná - Rio Grande do Sul - Santa Catarina. O Governo brasileiro, no intuito de atrair os interessados para essa grande obra, pagava as passagens de navio e as despesas com mantimentos. Milhares de ucranianos foram se instalando nas margens da ferrovia que construíram, em Iratí, Ponta Grossa, Mallet, Dorizon, Paulo Frontin, União da Vitória. Essa segunda etapa se prolongou até a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais. Muitos ucranianos emigraram, motivados principalmente por já ter parentes no Paraná. Actualmente no Brasil, há cerca de 500 000 ucranianos e seus descendentes, dos quis, 90% estão no Paraná.

Sites no Internet sobre a Comunidade Ucraniana no Brasil:

http://sites.uol.com.br/ucranianos (Sociedade Ucraniano - Brasileira Unificação)
www.netpar.com.br./poltava (Associação da Juventude Ucraniano - Brasileira)

A CULTURA UCRANIANA NO BRASIL

Desde a chegada dos primeiros imigrantes ucranianos ao Brasil, existe um trabalho de preservação das tradições legadas pelos seus antepassados. Através do folclore se divulga a cultura e são transmitidas aos jovens as tradições ucranianas. Os dois maiores grupos folclóricos, “Barvínok“ e “Poltava “ (ambos de Curitiba) maravilham os espectadores com a agilidade dos famosos cossacos e com a delicadeza das lindas bailarinas ucranianas. O grupo Barvínok já esteve inclusive participando por várias oportunidades como convidado especial em apresentações no exterior (Canadá, Estados Unidos).
O artista plástico Miguel Bakun (falecido), a poetisa Helena Kolodiy, a pianista Larissa Borushenko, realizador do cinema Hector Babenko, enfim, vários artistas brasileiros de origem ucraniana, enaltecem a cultura, preservam com amor e carinho as tradições dos seus antepassados.
As tradições de Natal e Páscoa são consagradas como exemplos de dedicação e beleza, sendo que as famosas Pysancas (ovos artisticamente pintados) simbolizam a Páscoa e a Ressurreição.

Site no Internet sobre este Arte Folclórico tradicional ucraniano:

http://www.pessanka.hpg.com.br

No dia 25 de Outubro de 1995, foi inaugurado em Curitiba o Memorial Ucraniano como um reconhecimento da prefeitura daquela cidade à etnia que contribuiu grandemente para o crescimento do estado e do Brasil.

www.memorialdoimigrante.sp.gov.br (Memorial do Imigrante)

Organizações ucranianas em Portugal

ASSOCIAÇÃO DOS UCRANIANOS EM PORTUGAL
Rua Jardim das Oliveiras, nº 21, Lugar Pinheiria
2495-184 Santa Catarina da Serra
mist.portugal@gala.net

EMBAIXADA DA UCRÂNIA NO BRASIL

No dia 10 de Julho de 1995, chegaram a Brasília os primeiros funcionários da embaixada da Ucrânia. Em Agosto de 1996 foi instalado o Consulado da Ucrânia em Curitiba e em fevereiro de 2002 - o Consulado Geral da Ucrânia na cidade de Rio de Janeiro. Desde meados do ano 2000 está funcionando o Escritório da Embaixada da Ucrânia na cidade do Rio de Janeiro.
No período 25 – 27 de Abril de 2005, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia Borys Tarasyuk visitou o Brasil outra vez e declarou que a disposição do novo Presidente da Ucrânia Viktor Yushchenko é de aprofundar a cooperação bilateral entre Ucrânia e Brasil.

O endereço da Embaixada da Ucrânia no Brasil:

SHIS - QI 5, conjunto 4, casa 2,
CEP 71615-040, Brasília -DF.
Tel: (061) - 365-1457/3889;
Fax: (061) - 365-2127.
E-mail: brucremb@zaz.com.br

Fonte: Wikipedia

Caso da embaixadora brasileira em Moçambique

A embaixadora do Brasil em Moçambique, Sra. Leda Lúcia Martins Camargo, foi notícia recentemente, a tentar entrar no supermercado Shoprite em Maputo com seu cão. Depois de ser impedida de entrar no estabelecimento, a embaixadora alegadamente disse que seu chiuaua "era mais limpo que Maputo e era mais limpo que os moçambicanos". Embora a cidade de Maputo não é a cidade mais limpa do Mundo (também não é a mais suja), comparar pessoas com animais, não é uma coisa que se esperava de uma diplomata. Esperava-se que uma diplomata seria mais diplomática nas suas palavras, principalmente falando de um tema que envolve a sensibilidade das pessoas e pode ferir a dignidade humana. Francamente, não é este tipo de coisas que precisamos para que haja finalmente paz e harmonia entre as várias raças e etnias em Moçambique. Uma herança de Samora Machel, que importa preservar!
No entanto, recebemos do Brasil, uma carta que decidimos publicar com alguns abreviações (o estilo e teor é de total responsabilidade do seu autor). A carta é de um homem zangado, mas zangado com uma certa razão! Quem de nós gostaria de ser comparado com o cão?!

Custódio Duma*

O caso que pretendo retratar já vem há muito, querendo sair de dentro de mim e a actuação da embaixatriz ou embaixadora, veio mesmo rebentar com o nó que estava encravando a minha garganta.
Em primeiro lugar, quero parabenizar a senhora pela grande coragem que teve em manifestar esse sentimento, que é de muitos brasileiros também. É isso mesmo, muitos brasileiros são racistas embora não assumam a sua preferência, e a senhora embaixatriz ou embaixadora acabou sendo fiel a sua crença.
Em segundo lugar, admirar a ousadia com que manifesta essa coragem, visto estar numa terra onde mais de 96% de cidadãos são negros. A senhora manifesta o seu racismo e o seu desprezo pelos negros em África terra de negros, ciente das reações e confiante na sua defesa. Isso é para mim um forte exemplo de gente que não tira a camisola do team, seja onde for que esteja e seja qual for a circunstância em que estiver envolvida.
Manifestar o racismo e o desprezo contra indivíduos negros, fora da África é uma coisa e tomar a mesma atitude em África é outra coisa.
Estou no Brasil vai fazer um ano, conversei e fiz amizades com muitos brasileiros, e todos concordam que no Brasil há racismo, embora não seja possível encontrar um só racista! Assim o Brasil ganhou a fama de ser um país onde a diversidade de cores vive e convive sem obstáculos, nem problemas. O Brasil passou a ser aquele país onde o negro e o branco tem as mesmas oportunidades e faculdades. É assim que se transmite a imagem do Brasil nos mídia: um país onde a negritude e a brancura podem conviver em harmonia, amizade e irmandade.
Para começar, poucos brasileiros, até mestres e doutores sabem que existe em África um país chamado Moçambique. Para muitos deles, África é um só lugar, um só país composto por muitos negros sofredores e morrendo de AIDS (SIDA) ou de fome. Para o cúmulo, os poucos que já ouviram falar de Moçambique, não sabem que lá se fala português. Alguns sabem que existe Moçambique, porque viram um programa televisivo do Netinho, mas esse Moçambique que viram no programa, não é capaz de ter gente como nós.
Quando me apresentei como advogado, muitos questionaram se era possível estudar direito até chegar a ser advogado em Moçambique. “Tem faculdades em Moçambique? Quais são os outros cursos que existem em Moçambique?” Diziam outros em seguida: “pensei que só existe savanas em África, uma vez vi um programa onde passaram muitos leões, girafas e gazelas e o apresentador disse que era África, oh, como gostaria de ir à África!”.
Um dos meus professores na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, chegou a dizer: “nossa, você teve muita sorte de chegar aqui no Brasil, nem? Conta lá como é em Moçambique, vocês usam celulares? Tem Internet? Tem aeroporto no vosso país?”.
Não foi fácil aturar esse tipo de perguntas e questões, por pessoas altamente formadas, ocupando altos cargos políticos, públicos e privados. E estou falando de juizes, advogados, procuradores, promotores e docentes universitários!
Sei, que não é obrigado ninguém a saber tudo sobre os outros lugares, nem conhecer toda a história dos povos. Por isso, a maioria de meus compatriotas em Moçambique estão iludidos com a novela brasileira, que a Globo passa, pensando que o Brasil é aquela maravilha que se vê na novela: praia, festa, samba e mulher bonita.
Mas nem por isso, que eu não saiba que existe um Brasil e que o Brasil não é só a floresta Amazônica e que esta terra não está repleta de índios, que falam uma língua bárbara e comem os outros, quando sentem fome a cada esquina que passamos.
Seja onde for, quando encontro um brasileiro, não fico admirando por ele conseguir sair daquela floresta e chegar aonde chegou, não fico pensando e dizendo comigo mesmo: “nossa, é uma pessoa de muita sorte, comprou essas calças lá no Brasil? O seu relógio comprou lá mesmo?”.
Um dos amigos que tenho em São Paulo é negro e está casado com uma mulher branca, eles tem uma loja muito próspera, mas quase ninguém acredita que ele seja um dos donos da loja. Até os polícias já os pararam várias vezes, para saber se a senhora ao lado dele estava bem. Sim, porque acreditavam que, ao lado de um negro a senhora só podia ter sido sequestrada.
Fui à Cachoeira para ver uma festa tradicional da Boa Morte. Uma das velhinhas que é considerada de santinha e que guarda a imagem da Maria Mãe de Jesus, teve coragem de dizer para mim: você esta a tirar foto, como vai pagar? De seguida tapou a cara com o lenço branco, pois a presunção dela foi é que eu não poderia pagar a foto tirada.
A grande vantagem disso tudo é que os assaltantes dão um cartão verde e posso passear a vontade por todos os cantos sem receios. Eles nunca imaginarão que nesta pasta no ombro, levo um laptop com valor acima de 1500 USD, porque a minha cor não justifica. Quando passo pelas ruas os mendigos nem me tocam porque já estão convencidos que como negro, eu também sou pedinte.
Por isso, quando vejo a senhora embaixadora ou embaixatriz, sendo muito clara e direta em ser racista e considerar os moçambicanos pessoas inferiores, eu digo para mim mesmo, eis ai uma verdadeira embaixadora do Brasil. Como recomendação, agradecia ao governo moçambicano que congratulasse a essa mulher por ter sido uma perfeita representante do Brasil e que o governo brasileiro pudesse promover a tal dama a um cargo ainda melhor se fosse possível.

Aos meus irmãos e companheiros negros, pedia que se pudessem ficassem lá em África, pois não há melhor lugar no mundo para os negros!

Obrigado!


* Advogado moçambicano, fazendo no Brasil a pós – graduação em Direitos Humanos e Democracia, e-mail: cdnesta2@yahoo.com.br

sexta-feira, agosto 19, 2005

O início do fim da URSS

Golpe de Estado que desentegrou a URSS, aconteceu 14 anos atraz

Dia 19 de Agosto de 1991, foi marcado por Golpe de Estado em Moscovo. “Gang dos Oito” chefes do PCUS, tinha como objectivo retirar o poder dos mãos de Mikhail Gorbachev e reconstruir uma URSS, mais dura possível. Gorbachev passou três dias (de 19 de Agosto até ao dia 21) numa dacha na Crimeia, quando Boris Yeltsin estava entrincheirado em Moscovo, defendendo a “Casa Branca”, o Parlamento russo. Várias milhares de pessoas, foram defender o edifício, entre eles “Centena ucraniana”, composta por ucranianos residentes em Moscovo e outras regiões da Rússia.
Em 24 de Agosto de 1991, com o fracasso do Golpe, a Ucrânia se desligou da URSS, pretendendo afastar-se para sempre do passado colonial e declarou sua Independência, que é aprovada em plebiscito pela população à 1 de Dezembro de 1991, obtendo o reconhecimento internacional.
Embora todos acreditavam, que poderiamos viver em paz com o nosso vizinho, alguns dias mais tarde, o porta – voz de Yeltsin, afirmava que: “Rússia não poderá garantir a integridade territorial aos países que proclamam a Independênca”. E mais tarde, já no início de 1992, na Rússia vence o slogan: “Yeltsin, obriga os ucranianos alimentar a Rússia”.
Era o fim da Guerra Fria e o começo da Paz Quente.

sexta-feira, agosto 12, 2005

A doença esquerdista do jornalismo ucraniano

Nas últimas semanas, a Ucrânia vive o escândalo ligado à família do Presidente Viktor Yushenko. O seu filho Andriy (19), é acusado de apropriar-se da simbólica da Revolução Laranja e é descrito na imprensa ucraniana como representante típico duma “juventude de ouro”, no seu pior sentido.
Pelos órgãos da comunicação social ucraniana, circula uma carta, endereçada ao Presidente e assinada pelos 700 jornalistas, com exigência de “pedir as desculpas públicas ao correspondente da Pravda Ucraniana”. O caso é explorado ao máximo pelo campo derrotado nas urnas em Dezembro de 2004. Chega-se ao ridículo! A radio – televisão portuguesa, a RTP mostra a cara de “politólogo” Mikhail Pogrebinsky, que tem a coragem de se auto identificar com aqueles que “ficavam ao frio, para Revolução vencer”. É claro, que os portugueses podem não saber, mas ucranianos sabem muito bem, que Sr. Pogrebinsky era principal especialista em Relações Publicas do antigo regime e fiz tudo por tudo no passado, para denegrir a imagem do Viktor Yushenko e derrotar a Revolução Laranja. Neste âmbito, gostaríamos de apresentar artigo, que constitui ao nosso ver, a melhor análise da situação política ucraniana do momento. Artigo foi publicado no site visado, UP, publicamos a sua tradução em resumo.

Grygoriy Klotchek* (Григорій Клочек)
www.pravda.com.ua/en / Pravda Ucraniana-UP / Українська правда
3 de Agosto de 2005

Se a carta (dos 700 jornalistas) entrar no história do jornalismo ucraniano, então é duvidoso que poderá embeleza-la. Mais provável é o contrário.

Vou tentar explicar o meu pensamento.

O antigo poder, tendo o instinto de sobrevivência dos diabos, muito antes das eleições presidenciais, calculou quem é a personalidade mais perigosa pare ele, atacando-o com todo o seu poderio. Funcionava uma maquina de mas – mídia enorme e muito bem paga, cujo principal papel era de baixar os 25% de apoio eleitoral permanente, que Viktor Yushenko possuía no país.
Convido toda a gente, imaginar o que sentia Viktor Yushenko, ficando alguns anos neste mídia espaço, cheio dos destruidores daqueles 25 porcentos – todos eles, justificando os honorários generosos, mascaravam-se de intelectuais objectivos e analíticos, procurando, e não conseguindo achar alguma falha, que poderia ser explorada, para fazer o seu RP negativo. E quando não arranjavam, então simplesmente mentiam.
Mais o apoio eleitoral não se baixou em nenhum porcento. Viva o subconsciente colectivo dos ucranianos: ele aguentou-se com todos aqueles ataque maldosos e maciços!
Eram dias frios e cinzentos de Outono. A noite ligava-se a TV e podia-se ver o enviado russo, jornalista Dmitriy Kiselev que, dezenas de vezes repetia sobre o envenenamento de Yushenko: “Então, Yushenko mente”. E até agora não pediu as desculpas.
Yushenko ganhou. Essa foi uma vitória dramática, mas linda, ela abalou o Mundo inteiro. Mas parece que não abalou o jornalismo ucraniano. Eu não encontrei nenhum artigo, que de maneira positiva, sem o cinismo pós – moderno, analisaria o acto heróico do Viktor Yushenko. Não encontrei nenhuma resposta adequada ao Dmitriy Kiselev, nem aos outros RP’s da categoria inferior. Aqui, o corpo jornalístico ucraniano praticamente refugia-se no silêncio.
Mas já na segunda semana do novo poder, as mídia ucranianos começaram publicar os reparos: “não mudou nada, o novo poder nem um bocado é melhor do que o poder antigo”.
Mais tarde, este motivo agravou-se, embora qualquer pessoa com mínimo do bom senso entende, que transformar um sistema de oligarquia quase tribal já formado, – é uma tarefa não de um ano. Ainda mais, o sistema criminoso e amoral, para garantir a sua sobrevivência, preparou-se para tudo. O sistema não apenas montou uma defesa total ao seu redor, mas conservando os recursos consideráveis no campo das mídia, rapidamente preparou e pós em pratica, a táctica de “contra – revolução rastejante”.
A guerra esta na Internet. Quando se olha para os fóruns diferentes, pode-se claramente ver uma tendência: no cada um destes fóruns, aparecem os comentários, cujo único objectivo é ofender o Presidente de maneira mais saloia possível. Todos estes discursos possuem a mesma estilística, o que quer dizer que são criados por um grupo de pessoas pagas, guiadas apenas pelas duas ou três deixas diferentes.
Viktor Yushenko já disse alguns vezes, que a liberdade de expressão deve ser responsável e o jornalismo – patriótico. Essas palavras não foram ouvidos.
Vivemos no país, onde o povo tem problemas gravíssimas de auto identificação, onde a táctica e estratégia de uma nação política são simplesmente ausentes, mesmo ao nível teórico.
Qual é a causa principal do que, uma vez recebendo a liberdade de expressão, a maior parte do corpo jornalístico ucraniano começou trabalhar no campo informático destrutivo? Explicar tudo, apenas pelo potente apoio financeiro, oferecido por parte do poder antigo, que sonha com o desforra, não é possível. Este apoio é um factor muito importante, mas não é determinante.

E aqui vou ter que usar o termo, que agora muita gente tenta não usar publicamente. Este termo é a síndroma do “russo pequenino”. Uma análise genial deste fenómeno, foi feita pelo escritor Yevhen Malanyuk, um dos ucranianos mais sábios do século XX.
- A síndroma do “russo pequenino” – é o nível da identificação nacional muito baixo ou até a sua total ausência. A síndroma, - considerava Malanyuk, - é uma doença psíquica, invisível externamente, sem sintomas físicas.
- A síndroma do “russo pequenino” – escrevia ele, - sempre foi uma doença da semi - inteligêntzia, mas em primeiro lugar da inteligêntzia, porque atingia a parte da sociedade, que devia desempenhar o papel do centro intelectual da nação. E aqui reside o problema... Numa psíquica normal, que não sofre desta síndroma, cada filho do seu povo, possui os especiais “reflexos relativos” do instinto nacional: bem – mal, correcto – incorrecto, limpo – sujo, Deus – diabo. A síndroma do “russo pequenino” enfraquece estes reflexos até o seu total desaparecimento”.
Apenas nas eleições de 2004, ficando perante real catástrofe nacional, sentindo intuitivamente o sopro mortal de situação do tipo “ser ou não ser”, o instinto nacional finalmente funcionou, o balanço entre Leste e Ocidente foi desestabilizado pelo Centro da Ucrânia. Exactamente aqui, nos terrenos da autêntica e genuína Ucrânia, deu-se o relâmpago único do esquecido instinto nacional. Em muito, este relâmpago foi provocado pela carisma do Viktor Yushenko – uma pessoa com uma base nacional muito funda.
Dirigindo-se aos jornalistas com pedido de ser responsáveis e patrióticos, Viktor Yushenko, praticamente pediu ajudar num trabalho super difícil – construção de uma Ucrânia civilizada e europeia. Mas até agora, o dialogo não aconteceu, o Presidente não foi ouvido.
Só agora, foi tornado público o facto, do que nos tempos do anterior regime, foi escrita e assinada por uma centena de jornalistas uma carta à presidente Kuchma, a quem estes, pediam (exactamente, pediam e não exigiam) não pressionar os mídia com muita força. Carta essa, nunca foi enviada. Tiveram medo...
A jornalística criativa, virada para implementação do Bem, exige o talento, uma das partes inseparáveis do qual é o patriotismo, moral elevada e a capacidade de aproximar-se da Verdade.
E no fim, outra vez volto à Yevhen Malanyuk: “... problema da síndroma do “russo pequenino” na Ucrânia, é um dos problemas maiores, ligados directamente ao nosso problema principal - ausência do Estado. Muito mais, é um problema, que em primeiro lugar entrará na ordem do dia dos homens do Estado na Ucrânia soberana. E ainda muito tempo, durante a criação e estabilização do Estado, este problema entrará no primeiro plano, e para a soberania – é um memento terrível.
E já que a nossa síndroma do “russo pequenino” – é a nossa doença histórica (historiador ucraniano Volodymyr Lypynskiy chamou a de doença de ausência de soberania), doença de muitos séculos, por isso é crónica. Nem a terapia temporal, nem a cirurgia – aqui não podem ajudar. Temos que sobreviver essa doença, durante longos e longos dezenas de anos”.

Falando francamente, quinze anos apôs a proclamação de Independência Nacional (24 de Agosto de 1991), podemos constatar que a síndroma do “russo pequenino” ainda nem começou a ser superado. Mas mesmo assim, pressinto, que podemos começar faze-lo muito brevemente.


Professor Doutor de Filologia,
Cidade de Kirovograd, Ucrânia
Correio electrónico: wira@ns.shtorm.com

Contra – revolução ataca a Ucrânia

Indústria pornográfica russa ataca a Revolução Laranja

A Rússia, país natal de vodka e Perestroica, resolveu oferecer ao Mundo mais uma coisa autenticamente absurda – pornografia política. Recentemente foi anunciado, que na cidade de Moscovo, começou ser produzido filme porno, que pretende denegrir a imagem do Presidente da Geórgia Mikhail Saakashvili e da Primeira – Ministra da Ucrânia, Yulia Timoshenko.
Um dos financiadores do projecto & argumentista da fita é Aleksey Mitrofanov, deputado da Duma Estatal (Câmara baixa do Parlamento russo), eleito pelo Partido Liberal – Democrata do escandaloso Vladimir Jirinovski. Produtor do filme, Aleksandr Valov – é uma cara (?) habitual do porno russo.
O principal papel masculino no filme ficou com actor arménio Alen Melik Grigorian e o papel feminino com ex - Miss Moscovo, Elena Bond. A actriz Elena Berkova, diva da indústria pornográfica russa e reality show “Dom 2”, no último momento recusou-se a participar no projecto.
O projecto russo, não encontrou apoio oficial, mesmo entre os homens de Yanukovich, um deles, deputado da Verkhovna Rada (Parlamento ucraniano), Nestor Shufrich afirmou: “considero o aparecimento de uma fita desses, totalmente inaceitável”.
Os especialistas ucranianos, ligados à indústria da cinema, já avisaram que em resposta, brevemente começarão produzir filme pornográfico gay, que até já tem o nome: “Doce Vladimir e bicha Viktor”, sobre os relacionamentos ocultos entre V. Putin e V. Yanukovich.
Putin e Yanukovich deram bastantes motivos para interpretar os seus relacionamentos de ponto de vista “sensível”, - disse Valeriy, produtor, realizador e roteirista do futuro filme.
- Maioria dos ucranianos e até russos, mesmo hoje, não consegue entender vários momentos da “amizade” deles: porque um KGBista apostou em criminoso, porque ele tantas vezes o felicitava com a alegada vitoria nas eleições, porque Yanukovich tive um encontro secreto com o Putin, já depois de reconhecer a sua derrota e tantas outras coisas. Agora também pode-se entender a escolha da bandeira azul celeste & branca de Yanukovich (azul celeste em calão russo significa mesmo que bicha & fanchono) e famosa cena na tribuna de honra na rua principal de Kyiv, quando Putin recusa-se ofendidamente tomar o doce, que lhe quer oferecer Yanukovich. Alem disso, a tarefa de Valeriy e amigos, é bastante facilitada pelo passado prisional de Yanukovich (as coisas mais fanchonos que se passavam nas cadeias soviéticas!), assim como alguns piadas especificas do líder russo, como por exemplo, o seu bem à vontade de “fazer circunscrição à um jornalista ocidental”. “Concordem, ambos nossos heróis, possuem uma certa predominância para a orientação alternativa”, - resumiu Valeriy.
Logicamente, os apelidos dos heróis serão mudados, para não dar aso à nenhum processo de difamação. Mas as semelhanças faciais e as circunstâncias do encontro, serão aproximadas à realidade ao máximo possível. (Valeriy explicou que, filmar a cena da tribuna de honra é uma questão “meramente técnica”).
Neste momento começou o kasting. A tarefa de encontrar o duplo para Yanukovich, não oferece qualquer dificuldades: “estivadores e vendedores nos bazares – é o nosso mercado”, - disse Valeriy. Muito mais difícil encontrar o actor que será ideal para encarar o Putin, a sua figura e face, não são nada perecidas com o tipo genético ucraniano.
As datas de apresentação do filme, o seu timing e tipo de difusão, são mantidos em segredo absoluto pelos criadores do “Doce Vladimir e bicha Viktor”. Agora apenas podemos dizer, que alguns trailers, poderão ser vistos na Internet muito brevemente, onde os cibernáutas poderão fazer o download destes gratuitamente.
Temos que lembrar que, muito recentemente, a Ucrânia já produziu uma resposta simétrica, ao ataque hostil das balalaicas contra o país: ao jogo de computador russo “Галичина”, ucranianos responderam com “Boinas cor de laranja”.

Mas o ataque pouco civilizado do vizinho nortenho, não ficou por aqui. Uma galeria privada de arte contemporâneo em Kyiv (que apenas por acaso pertence à Marat Gelman, Relações Públicas russo, que em 2004 notabilizou-se em ataques brutais contra a Ucrânia / Viktor Yushenko), exibiu ao público um manequim feminino, semi nu, com longo cabelo loiro e com certas semelhanças faciais com Yulia Timoshenko, denominado “Foto com a moça – 10 UAH”.

Blogger: Se tudo isso não é um PR de pior espécie, pago pelos fundos geridos pelo Kremlin, então nós não percebemos nada em política.
Pelo contrario, temos apenas uma única, mas firme certeza: a campanha eleitoral das legislativas ucranianas de 2006 já começou e o vizinho da Ucrânia, outra vez esta esquecer as regras mais elementares da boa vizinhança e do direito internacional.

Fonte: http://ru.obkom.net.ua/news/2005-08-02/1146.shtml

P.S. E quando nós preparava-mos para publicar essa matéria, uma notícia extraordinária chegou ao nosso blogue:

RP Marat Gelman ataca um turista na Turquia e passa noite na cadeia

No dia 8 de Agosto, famoso RP russo, Marat Gelman (45), foi preso na região turística turca de Antalya e passou uma noite na esquadra de polícia local. No famoso anfiteatro Aspendus, construído 2.000 anos atras, Gelman atacou um turista alemão, turista repostou e RP russo foi preso pela gendarmaria turca. Na esquadra, junto com cerca de 15 outros criminosos, Gelman passou toda a noite e de manha foi apresentado ao juiz. Não se sabe o veredicto exacto do magistrado turco, mas de alguma maneira, Gelman conseguiu voltar a sua terra natal.

http://www.izvestia.ru/conflict/article2499237

As burlistas na terra de Yanukovich

A representação regional do Banco Nacional da Ucrânia (NBU), na cidade de Kharkiv, anunciou oficialmente que na província de Donetsk (burgo de Yanukovich e Co), apareceram várias notas bancárias de 5.000 UAH (1.000 USD), que numa das suas faces, tiveram o retracto da Primeira Ministra da Ucrânia – Yulia Timoshenko.
As burlistas, senhoras de 30 – 40 anos, apresentavam-se perante os reformados como funcionárias da Segurança Social, encarregues de entregar os subsídios estatais aos aposentados. Falsas funcionárias faziam os pagamentos com as notas falsas, exigindo o troco em dinheiro legal, já que o valor do subsidio era largamente inferior à este. Num dos casos, as burlistas conseguiram apoderar-se de soma de 4.500 UAH (cerca de 900 USD).
O Banco Nacional da Ucrânia, lembra aos cidadãos do país, que a maior nota em circulação, é de 200 UAH, e tem numa das faces o retracto da poetisa Lesia Ukrayinka. NBU também assegura que não tem nos seus planos a emissão de notas com maior valor facial.
Mas as burlistas não ficaram por aqui. Eles foram visitar os ex – prisioneiros dos campos de concentração nazis, a quem ofereciam a “ajuda da União Europeia”, que em vez de ser paga em Euros, era paga em autocolantes do jogo de Pokemon. A técnica de burla era a mesma, “não temos notas mais pequenas, vocês tem que nós dar o troco”.
Neste momento, o Ministério do Interior da Ucrânia, anunciou a procura de burlistas.

Fonte: ProUa

Ucrânia cada vez mais na moda

3.241 pessoas adquiriram a nacionalidade ucraniana em 2005

Apenas na primeira metade deste ano, 3.241 cidadãos estrangeiros adquiriram a nacionalidade ucraniana, deste número, 1.469 renunciaram a nacionalidade anterior e 1.579 eram cidadãos apátridas ou crianças.
455 russos, 254 moldovos, 225 arménios, 126 azéris e outros 32 cidadãos de Afeganistão, Belarus, Quirguistão e Turcoménia escolheram a Ucrânia como sua segunda Pátria.
Falando em geral, nacionais de cerca de 80 países naturalizaram-se ucranianos, mas apenas 20.7% deles possui a formação superior, restantes 70.1% concluíram apenas a escola secundária ou básica. Cem destes cidadãos são refugiados, maioria provenientes do Afeganistão. Destes, 45 hoje vivem na cidade – capital Kyiv e 38 na cidade portaria sulista de Odessa.

No mesmo período, 489 ucranianos renunciaram a sua nacionalidade: 192 tornaram-se cidadãos russos, 134 alemães, 56 polacos e 50 checos.
A ONG, “Comité da Cidadania” propôs recentemente, introdução de uma cerimonia oficial, dirigida para aqueles que recebem a cidadania da Ucrânia. Embora a tal cerimonia já é praticada nas províncias ucranianas de Volyn e Cherkassy.

Fonte:
O Site Oficial do Presidente da Ucrânia
http://www.president.gov.ua/en/news/915.html

Ucrânia cinematográfica

Ucrânia: rompimento para a Democracia

O filme documental “Ucrânia: rompimento para a Democracia” foi recentemente apresentado ao público na capital ucraniana – Kyiv. O filme é um diário dos acontecimentos na Praça da Independência, no período entre 1 à 31 de Dezembro de 2004, que levaram ao triunfo da Revolução Laranja na Ucrânia.
Os realizadores tiveram cerca de 90 horas de filmagens directas vindas da Praça, mesmo assim, eles compraram alguns reportagens aos operadores das TV’s ucranianas, que transmitiam à partir daquele local.
Os autores do filme, acreditam que o seu trabalho terá grande popularidade entre toda a gente, mesmo entre as pessoas, que normalmente não se interessam pela política. Alem disso, o filme “Ucrânia: rompimento para a Democracia” representará a Ucrânia nos vários festivais de cinema, nomeadamente em Munique e Marselha. Embora já agora é possível comprar o filme em DVD e VHS nos lojas e mercados em Kyiv e Lviv. Também pensa-se em apresentar o filme nas salas de cinema em todo o país.
“Ucrânia: rompimento para a Democracia” foi a primeira tentativa séria de analisar e estudar os acontecimentos da Revolução Laranja no país. Já que a Revolução continua ter uma popularidade impar, em Kyiv e outras cidades ucranianas estão a ser feitas mostras de fotografias, várias ONG’s conduzem uma campanha para reunir os fundos necessários para erguer o Monumento da Revolução e criar o Museu da Democracia. Também continua a existir uma grande demanda para as lembranças da Revolução, desde os retratos do Viktor Yushenko e Yulia Timoshenko, até as camisetas, canecas ou chaveiros cor de laranja.

Fonte: ProUa

Filme popular sobre a Revolução Laranja

O projecto do filme popular sobre a Revolução Laranja entrou na sua fase preliminar, anunciou o seu realizador e produtor Ivan Kravchyshyn, terminando a escolha dos guiões e anunciando o dia 23 de Julho como início de casting.
O projecto PRE (i.e. Revolução Laranja) tem o orçamento de 2 milhões de dólares e é pensado como um thriller. A participação dos actores profissionais será mínimo, o guião será feito à partir das melhores ideias, submetidas a um concurso popular. Os autores tiveram uma única exigência, deveriam contar a história de três jovens da província, que por sua própria vontade investigam a transparência e justeza da votação nas eleições em 2004, na sua cidade natal. O resto, era a liberdade total dos autores. A melhor história irá servir da base para o guião do futuro filme, o resto dos onze trabalhos, contribuirão com os seus resumos para a história principal.
“Nós não vamos fazer o filme sobre a Praça de Independência (local principal da Revolução), avisou Kravchyshyn, - nós vamos mostrar o que acontecia na periferia. Por isso o filme será rodado na cidade de Huliay Pole (pátria do anarquista mais famoso da Ucrânia – Nestor Makhno). O produtor também prometeu tentar abster-se de fazer a política, apenas mostrando a realidade, sem esquecer de preparar “um cocktail saboroso para o público”.
Pretendem-se que as filmagens sejam feitas bastante rapidamente, em dois ou três meses, para que em Janeiro de 2006, os espectadores poderão ver o PRE nos cinemas da Ucrânia.

Fonte: ProUa

Iranianos fizeram um filme sobre a Ucrânia

Na cidade iraniana de Isfahan foi realizado um filme documental “Bom dia, Ucrânia!”, que neste momento esta a ser montado. O filme foi feito em cooperação entre as províncias de Zhytomyr (Ucrânia) e Isfahan (Irão). Filme, realizado pelo Mortaza Atam – Zamzam, conta a vida do povo ucraniano, a sua língua e a história da Ucrânia.
A ideia principal do filme, é desenvolver os contactos entre dois regiões em domínios noticiosos e trocas de especialistas.

Fonte: Iran News

Erik Roberts filma na Ucrânia

A capital ucraniana – Kyiv, tornou-se o palco do último filme do actor norte – americano Erik Roberts - “Aurora ou sonho da Bela Adormecida”.
Realizadora do filme, ucraniana Oksana Bayrak, pretende contar a história da pequena órfã chamada Aurora, vitima do acidente na Estacão nuclear de Chornobyl. Erik Roberts, terá o papel do empresário do mundo do teatro, que representa uma estrela do ballet clássico.

Fonte: ProUa

sexta-feira, agosto 05, 2005

Vodka russa vs Horilka ucraniana

O processo de tomar a horilka, é sem duvida um ritual. Entre o primeiro e o segundo copo, como diz o ditado popular ucraniano, não deve passar uma bala. Depois do terceiro, pode-se fumar o primeiro cigarro. Depois do sexto ou sétimo, devem-se contar as anedotas de mau gosto e é obrigatório rir-se deles. Depois do nono, pode-se começar a cantar.

por: Yurii Andrukhovych (escritor, ensaista e tradutor ucraniano)

A palavra russa, “vodka” é o diminutivo da palavra “água”. Então, os russos (e são a maioria), que dizem “vodochka” (vodkinha), usam a denominação em quadrado.

Palavra ucraniana “horilka”, tem a origem completamente diferente, vem da palavra “arder”, em alemão “brennen”, que tem a ver com fogo, incêndio, ou a própria vodka, representando o circuito perfeito deste produto na natureza: a tecnologia de fabricação e a fisiologia do consumo.

As palavras, russa e ucraniana juntas, podem dar a designação dos índios norte – americanos: “água de fogo”. Mas de qualquer maneira, a horilka ucraniana e vodka russa são palavras femininas, são damas, que sentem-se melhor na companhia masculina.

Os russos educados afirmam, que a fórmula de vodka foi descoberta pelo químico Dmitriy Ivanovitch Mendeleyev, sogro do poeta Alexander Blok e pelo meio, inventor do sistema periódico dos elementos químicos.

Por centenas de anos, a Ucrânia pertencia aos diferentes estados, geralmente impérios. E sem assim desejar, ficou na sombra da cultura russa. E todo o mundo sabe, que a vodka é um atributo do estilo de vida russo, e muitas das vezes a própria essência deste estilo da vida. Combinação de palavras “vodka russa” parece tão natural e inseparável, que passa à tautologia. O fenómeno da “horilka ucraniana”, pelo contrario, ainda não foi estudado na perfeição e não é conhecido no mundo.

O processo de tomar a horilka, é sem duvida um ritual. Entre o primeiro e o segundo copo, como diz o ditado popular ucraniano, não deve passar uma bala. Depois do terceiro, pode-se fumar o primeiro cigarro. Depois do sexto ou sétimo, devem-se contar as anedotas de mau gosto e é obrigatório rir-se deles. Depois do nono, pode-se começar a cantar.

A diferença fundamental entre os dois modelos nacionais de consumo – ucraniano e russo – reside no facto, do que os russos são algo mais extremais.

Para um ucraniano, horilka é apenas meio de levantar o seu austral, já os russos procuram em vodka a junção total com o absoluto (e não o sueco) e afundamento em abismos extremos. Ucranianos querem apenas comer bem e cantar (último, para eles quase igual a respirar). Russos, ao mesmo tempo tentam alcançar a VERDADE, quer dizer cortar as suas veias ou então, influenciados pela iluminação inesperada e insuportável, pretendem rachar o crânio ao seu próximo. Depois de cada copo de horilka, os ucranianos trincam algo saboroso e nutritivo, por exemplo o toucinho tradicional. Os russos não petiscam nada, as vezes cheiram o pão. Eles acham que petiscos com vodka – dinheiro perdido. Importante não é o sabor, importante alcançar o efeito. E quando menos petiscos, maiores são as chances. Finalizando, pode-se dizer que ucranianos procuram o meio, e os russos o objectivo.

Por isso, os russos consideram amoral escolher a vodka ou recusa-la. Eles sempre dizem que existe a vodka apenas “boa” ou “muito boa”. E nada de terceiros variantes. Estatística de mortes ou envenenamentos graves, provocados por vodka sem qualidade, ou seja “boa” & “muito boa”, é igual ao martírio nacional russo. E se estamos falar da religião (e para os russos isso é exactamente o caso), então todos os anos, os mártires sagrados recebem centenas de milhar de camaradas novos.

Na última década, a industria de bebidas secas da Ucrânia, abertamente entrou no caminho profano de deliciação. Foram criados os tipos de horilkas mais variadas. Neste momento existe mais de mil tipos – apenas a sua lista, poderia ser comparada com a poesia barroca – as combinações de sabores sem fim.

Basta mencionar a combinação doce & picante do mel e malagueta, numa das marcas mais populares! Por isso, os meus amigos moscovitas, contaminados pela podridão do liberalismo europeu e traindo os valores nacionais milenares russos, sempre me pedem trazer como presente, uma ou duas garrafitas de horilka ucraniana. Embora a primeira vista, trazer a horilka à Moscovo, é o mesmo que trazer o arroz ao Xangai. Mas apenas a primeira vista. Porque vodka é uma coisa e horilka é algo diferente. Temos o caso de duas bebidas completamente diferentes. Ou então, temos outro caso gramático – estamos perante duas irmãs duma mesma família dos quarenta graus. O que os une em primeiro lugar, é a ameaça de extinção na vida juvenil, movida pela cerveja e outros produtos criados pela globalização: coquetéis “gin – tónico” ou “brandy – cola”.

Não quero atrair a desgraça, mas as tendências recentes mostram que, quer a vodka, quer a horilka, gradualmente perdem o seu prestígio entre a juventude. E se essa tendência dominará, então daqui a alguns dezenas de anos, caso estivermos vivos, poderemos presenciar o cataclismo nunca visto nessa civilização – uma total lucidez dos eslavos.

Ler o texto original em alemão: