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sábado, julho 26, 2025

Ucrânia revela os nomes dos mercenários da Síria

Imagem: hromadske.ua

O projeto ucraniano «Quero Viver» publicou a lista dos 101 mercenários da Síria, que a rússia estava ou está à utilizar na sua guerra contra Ucrânia. Já na lista divulgada pela GUR MOU aparecem os nomes dos 141 mercenários sírios. 

Desde os primeiros dias da invasão russa de grande escala sabia-se que a rússia estava a tentar começar a recrutar os sírios. A Direcção Principal de Informações do Ministério da Defesa da Ucrânia (GUR MOU) informou sobre a criação de 14 centros de recrutamento de mercenários no território sírio controlado por Bashar al-Assad a 13 de Março de 2022. 

A lista completa do projeto «Quero Viver»

Em abril de 2022, no meio do fracasso da tentativa de «tomar» Ucrânia em três dias, ministro da Defesa russo, o «marechal de papelão» Shoigu informou publicamente putin sobre cerca de 16 mil «voluntários» do Médio Oriente, sobretudo da Síria, prontos para combater na Ucrânia. Assad deveria enviar as suas tropas para salvar o «segundo exército do mundo» da desgraça, mas nunca foi possível reunir qualquer força organizada de sírios.

O recrutamento foi realizado por militares russos, representantes da EMP Wagner, bem como por autoridades sírias leais ao regime de Bashar al-Assad. Foi dada prioridade à 25ª Divisão (Forças Tigre), uma das unidades leais a Assad, bem como à 16ª Brigada do exército sírio. 

Os recrutadores russos tentaram motivar os sírios com dinheiro - na Síria, a sangrar, sendo destruída por Assad e pelos russos, a soma de 350 dólares americanos por assinatura do contrato era uma quantia significativa. A rússia tentou também explorar a motivação ideológica: supostamente, os sírios deveriam estar gratos pelo facto de a rússia ter salvo o regime de Assad, devendo «pagar a dívida», participando na guerra contra Ucrânia. Contudo, a ideologia russa, não foi apelativa aos sírios de tudo. 

No final de março de 2023, tornou-se claro que Assad estava a falhar no seu plano de recrutar mercenários. Vendo as perdas que o exército russo estava a sofrer, os sírios recusaram-se de irem em massa para Ucrânia, pelo que os russos conseguiram reunir apenas algumas centenas de mercenários. 

Conhecemos os nomes de 101 mercenários do regime de Bashar al-Assad que combateram na Ucrânia. A maioria deles foi recrutada na província de Hama. Não sabemos ao certo se conseguiram sobreviver às táticas russas de «moedores de carne» ou não. 

No final de 2024, a oposição síria, aproveitando a ofensiva na província de Idlib, conseguiu derrotar as forças desmoralizadas de Assad. A rússia, atolada na Ucrânia, abandonou o seu aliado, e Assad fugiu da Síria. Atualmente, está escondido algures em Moscou/vo, mas não tem vontade de participar na guerra contra Ucrânia, tal como prometia aos seus curadores russos. 

Recorde-se que o Ministério dos Negócios Estrangeiros / das Realações Exteriores da Ucrânia solicita aos estrangeiros que evitem se juntar às fileiras do exército de ocupação russo por todos os meios possíveis e, se forem enviados para front / frente de combate, que contactem o projeto “Quero Viver”. Não importa que «montanhas de ouro» os recrutadores vós prometeram, geralmente o contrato com os russos acaba em morte num dos muitos ataques inúteis, algures nos estepes da Ucrânia. Apenas os mais sortudos conseguem sobreviver e acabam em cativeiro na Ucrânia. 

Salve a sua vida e renda-se às FAU: t.me/spasisebyabot 

Chamadas para +38 044 350 89 17 e 688 (somente de números ucranianos) 

Escreva ao Telegram ou ao WhatsApp:

  • +38 095 688 68 88
  • +38 093 688 68 88
  • +38 097 688 66 88

Por sua vez, a Direcção Principal de Informações do Ministério da Defesa da Ucrânia (GUR MOU) publicou a sua própria lista dos mercenários sírios que a rússia recrutou para a guerra contra Ucrânia. Na lista da GUR MOU, recebida à partir das suas fontes na Síria (por isso a lista está em árabe), aparecem os 141 nomes.

Consultar a lista completa da GUR MOU 


sexta-feira, junho 27, 2025

Política externa russa — uma ameaça direta à segurança global

Arte do Alesha Stupin - Rublev

putin aprovou a agressão iraniana contra os Estados Unidos, continuando a desempenhar o papel de «arquiteto do caos» no Médio Oriente, o que demonstra a extrema radicalização da política externa russa — uma ameaça direta à segurança global. 

A visita do Ministro dos Negócios Estrangeiros /das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, a Moscvo/ou em 22 de junho de 2025, antes dos ataques às bases americanas no Qatar, Iraque e Síria, não é uma coincidência, mas mais uma confirmação da estreita coordenação militar-estratégica entre o Kremlin e Teerão. Segundo a Reuters e a Al Jazeera, na manhã de 23 de junho, foram registrados ataques com mísseis contra instalações americanas no Qatar, em particular a base de Al-Udeid – logo após o encontro de Araqchi com Lavrov em Moscovo/ou. Isso prova mais uma vez: rússia não apenas apoia, mas coordena ações de ataque contra o Ocidente, usando Teerão como um intermediário estratégico. 

Ex-presidente russo, Dmitry Medvedev mencionou publicamente a possibilidade de transferir armas nucleares para o Irão, o que demonstra a extrema radicalização da política externa russa. Isso não é mais apenas retórica geopolítica — é uma ameaça direta à segurança global. A resposta contundente de Donald Trump nas redes sociais mostra que a Casa Branca está ciente do nível de ameaça representado pelo novo «eixo do mal» entre Moscovo/ou e Teerão. 

Moscvo/ou e Teerão são uma aliança de duas autocracias que coordenam suas ações para desestabilizar a situação internacional. O ataque do Irão à base americana na província síria de Al-Hasakah e o ataque no Qatar são identificados por especialistas como operações coordenadas acordadas com o Kremlin. Não se trata de cooperação episódica, mas de uma estratégia de longo prazo para minar a influência do Ocidente. 

O apoio russo ao Irão também representa um desafio direto aos EUA e à NATO/OTAN. Segundo a nota de Interfax, de 22 de Junho, Moscvo/ou «condenou veemente» o ataque americano ao Irão, embora tenha realizado ataques diários contra cidades, bairros e civis ucranianos pelo terceiro ano consecutivo. Essa duplicidade de critérios expõe o Kremlin como um aliado hipócrita do Irão e um desestabilizador sistêmico da segurança. 

Neste momento, o Irão se tornou a ferramenta de Moscovo/ou para abrir uma nova frente contra o Ocidente. O regime de ayatollah, caiu no servilismo objetivo ao «pequeno satanas», como Teerão costumava chamar o regime de Moscovo no decorrer da «Guerra fria».

domingo, dezembro 08, 2024

Ditador sírio Bashar al-Assad morreu no acidente aéreo

Duas fontes sírias disseram à Reuters, no dia 8 de dezembro, que era altamente provável que o presidente sírio, Bashar al-Assad, tivesse morrido na queda do avião. 

UPD: Aparentemente o ditador não morreu, fugindo para Moscovo. A informação sobre a queda do avião foi uma operação de desinformação para ocultar a fuga.

De acordo com o Flightradar24, o avião da companhia estatal síria Syria Air Il-76T descolou de Damasco às 1h55 UTC (4h55 hora da Síria). O avião dirigiu-se para zonas costeiras onde se encontram as bases aéreas e navais russas. Às 2h32 UTC, o avião fez uma curva acentuada e começou a descer. Às 2h39 o avião desapareceu do radar, altura em que se encontrava a 500 metros de altitude. 

“Desapareceu do radar, talvez o transponder tenha sido desligado, mas penso que é mais provável que o avião tenha sido abatido”, disse uma das fontes à Reuters. 

Um modelo de voo 3D construído com base em dados do serviço Flightradar24 pode indicar que o avião do presidente sírio poderá ter caído. De acordo com várias fontes, aproximadamente uma hora após a descolagem, a aeronave Il-76T mudou abruptamente de direção e em poucos minutos desceu abruptamente de uma altitude de mais de 12 mil pés (3,65 km) para 3.500 pés (1 km) perto de Homs.

Segundo os habitantes locais, antes da queda do avião, ouviram o lançamento de mísseis antiaéreos a partir de uma base militar próxima, onde, segundo os rumores, se encontravam sistemas de defesa aérea.

Bashar al-Assad deixou Damasco de avião depois de grupos armados que combatiam as forças antigovernamentais sírias terem entrado na cidade. Militantes sírios, falando na televisão estatal, disseram ter derrubado o regime de Bashar al-Assad. 

Durante a ofensiva de 10 dias, os adversários de Assad assumiram o controlo de Alepo, Hama, Deir ez-Zor, Daraa e Homs. Os militares sírios disseram que continuavam as operações contra os militantes em Hama, Homs e Daraa. 

Bónus 

Muito interessante será a forma como a federação russa planeia resgatar os seus militares de 12 postos de controlo na fronteira com as Colinas de Golã sírias. Extremamente curioso.

Blogueiro

É o fim de mais um ditador alinhado com a rússia (e mais glabalmente, por parte do seu pai, ainda com a URSS).

Será que os russos liquidaram Bashar ao estilo usado para matar Prigozhin? Uma queima de arquivos ao estilo russo? O avião era um IL-76T russo, que não podia ser reparado, nem voar sem os pilotos russos. Assad reconheceu a ocupação russa da Crimeia e de todos os territórios ucranianos temporariamente ocupados em 2014. Num conhecido encontro da Liga Árabe, Bashar tirou os fones de ouvidos, de forma ostensiva, para não ouvir o discurso do presidente Zelensky. Era um inimigo da Ucrânia, embora Ucrânia nada de mal fez ao seu país. Milhares de estudantes sírios estudaram na Ucrânia, se casaram, formando as famílias sírio-ucranianas. Esperamos que tenha morrido e que vá ao inferno. Assim como todos os outros aliados do Kremlin espalhados pelo mundo. 

O regime de Assad caiu após 53 anos no poder

O regime de Assad caiu. O exército recusou-se a protegê-lo. Os rebeldes entraram em Damasco sem combater, apareceram na televisão nacional e anunciaram o fim de um clã que durou 53 anos e foi afastado do poder em 11 dias. 


A URSS financiou Hafez al-Assad e rússia financiou o seu filho, Bashar al-Assad, lutando militarmente por ele durante quase 10 anos. Neste período, foram gastos na Síria dezenas de milhares de milhões de dólares que poderiam ter sido gastos em escolas e hospitais na própria rússia. Segundo dados oficiais russos, 118 militares russos foram mortos na Síria. Mais cerca de 200 mercenários da EMP Wagner, que, realmente ninguém contou. 

Tudo isto foi em vão e sem sentido. O regime em que tanto esforço foi investido ruiu no espaço de uma semana. O mundo inteiro teve mais uma vez a oportunidade de ver quanto valem todas as ameaças e promessas de putin. 

As tropas de Assad e os militares russos renderam a Palmira sem oferecer resistência:

Palmira foi recapturada dos militantes do Daesh por mercenários da EMP Wagner e os russos estavam muito orgulhosos disso. O exército de Assad, tal como o seu regime, desmoronou-se diante dos nossos olhos.

Bónus

Um dos maiores portais russos de notícias, Lenta.ru, publicou em 2018 um extenso long-read com acusações diretas contra o clã que domina Síria desde1971: “Assad traiu a Rússia e matou brutalmente milhares de sírios. [Seu] filho ainda está aprendendo”.

Bónus II 

Surgiu a informação do que Bashar al-Assad terá provavelmente caído num avião de carga Il-76, do qual tentava escapar em direção desconhecida. O avião perdeu altitude e desapareceu do radar perto do Líbano, houve uma explosão,  reporta Clash.

A informação surge nos meios de comunicação social de que um avião Il-76 da companhia aérea estatal síria Syria Air, a levantar voo de Damasco por volta das 4h45 locais, com Bashar al-Assad a bordo, poderia ter sido abatido.

Um modelo de voo 3D construído com base em dados do serviço Flightradar24 pode indicar que o avião do presidente sírio poderá ter caído. De acordo com várias fontes, aproximadamente uma hora após a descolagem, a aeronave Il-76 mudou abruptamente de direção e em poucos minutos desceu abruptamente de uma altitude de mais de 12 mil pés (3,65 km) para 3.500 pés (1 km) perto de Homs.

Segundo os habitantes locais, antes da queda do avião, ouviram o lançamento de mísseis antiaéreos a partir de uma base militar próxima, onde, segundo os rumores, se encontravam sistemas de defesa aérea.

A informação ainda não foi confirmada.

sábado, novembro 30, 2024

O regime de Assad na Síria está se desmoronando em pedaços

A cidade de Aleppo rendeu-se quase sem luta, a segunda cidade, Hama, também caiu quase sem resistência. O grupo americano lançou uma ofensiva a partir do sul, os curdos estão a atacar e a própria Damasco cheira a rebelião.

 

Depois de tomarem a cidade de Hama, os rebeldes de Idlib, apoiados pela Turquia, dirigem-se agora para sul, em direcção a Homs, a terceira maior cidade da Síria, com uma população de 800.000 habitantes. A Al Jazeera relata o início de um motim na 47ª brigada da 11ª divisão das forças governamentais na área de Hama.

Situação na Síria em 27 de Novembro de 2024

Há batalhas de rua na capital da Síria. A televisão estatal síria deixou de emitir. A ofensiva continua. Israel e os Estados Unidos estão a realizar consultas em antecipação da queda do governo de Assad, informa o 12º TV canal do Israel. 

O comandante do contingente militar iraniano na Síria morreu na sequência de um ataque rebelde. Durante os confrontos entre o exército sírio e grupos armados da oposição, o chefe do serviço de segurança militar síria em Aleppo, o general Ahmad Khudra al-Ali, foi morto. 

Possivelmente a embaixada russa é avacuada do Damasco

Comandante das forças russas na Síria, o tenente-general Sergey Kisel (o mesmo responsável pela derrota russa na batalha de Kharkiv em 2022) foi demitido. Os blogueiros militares russos, alinhados com Kremlin, receberam as deixas de momento: «as derrotas do Assad são da sua própria responsabilidade, rússia não pode ser culpada disso, rússia não precusa e nunca precisou da Síria». Significa que as mesmas deixas serão defendidos por todas as «cabeças falantes» russas e pró-russas: de Portugal ao Brasil. 

Um meme ucraniano

Damasco em três dias, como se costuma dizer.

sexta-feira, agosto 06, 2021

Sistema russo “Pantsir-S” abate o drone russo “Forpost-R” na Síria

Recentemente o complexo russo “Pantsir-S” abateu na Síria um drone, também russo, “Forpost-R”, tecnologicamente compatível com armamento da era soviética. 

Em 28 de julho, a Gazeta Russa relatou que “um veículo aéreo não tripulado dos militantes foi destruído pelas forças da defesa antiaérea síria com uso do sistema russo “Pantsir-S”.

Mais tarde, outra publicação russa escreveu que segundo as “informações corrigidas o drone abatido é uma modificação da Bayraktar turco”. A mesma publicação especulava que o aparelho pertencia a Turquia ou ao Israel.

A euforia deste tremendo sucesso desapareceu rapidamente, quando as primeiras fotografias publicadas revelaram claramente que o aparelho abatido era russo “Forpost-R”, fabricado em 2020.

A modificação R, lançada em 2020 foi apresentada pela Rússia como a implementação de soluções tecnológicas internas, para garantir a máxima substituição das peças de importação.


Na realidade, o “Forpost-R” destaca-se pela “ausência de chips modernos e “pelo elementos analógicos primitivos e conectores, que parecem transitados da época da URSS”, escreve a página militar Sprotyv.info  

Naturalmente, nada mais foi escrito na imprensa russas sobre o caso.

sexta-feira, agosto 21, 2020

O general russo Vyacheslav Gladkikh liquidado na Síria

No dia 18 de agosto, na província síria de Deir Ez-Zor, foi fisicamente eliminado o “assessor sénior” do regime sírio, o major-general do exército russo, Vyacheslav Gladkikh.

A filmagem mostra que um artefato explosivo improvisado (AEI) explode após que os militares russos pararam no local onde um comboio do regime do Damasco foi emboscado. Na explosão, que se deu na província de Deir Ez-Zor, morreu o comandante das “Forças de Defesa Nacional” da cidade de Meyadin – Muhammad Tiysir Az-Zahir, também ficaram feridos vários outros militares russos e sírios.
Faça um click se você é maior de 18 anos e se realmente quer ver isso
Segundo o projeto @wargonzo esta é a quarta explosão contra as colunas militares e/ou paramilitares do regime do Damasco na província de Deir ez-Zor nos últimos 10 dias.

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

Oficiais do FSB são abatidos numa emboscada na Síria

No dia 1 de fevereiro de 2020, nos arredores da cidade de Aleppo, em resultado do fogo de morteiro, os 4 (ou mesmo 5) oficiais do Centro das Operações Especiais (TsSN) do FSB foram mortos num único ataque dos militantes.

Em termos do tempo, a Rússia do Putin já está na Síria metade do tempo que União Soviética esteve no Afeganistão. É verdade que a URSS não compartilhou o controlo/e do Afeganistão com parceiros e ocupou, o seu território principal, em questão de semanas. Também é verdade que URSS chegou a concentrar no Afeganistão até 100.000 militares. Então, o melhor da Síria ainda está por vir.

Os oficiais do FSB não estavam monitorar a situação e tradicionalmente não contatavam o exército. Visitavam uma vila, ocupada pelos mujahideen, e foram alvo de um míssil antitanque lançado pelos militantes. Três oficiais morreram imediatamente, um ainda antes de chegar ao hospital e a quinta morte está por confirmar, escreve o blogueiro militarista russo el-murid.

Numa das publicações da Internet russa se afirma que primeiro, um militante do grupo Tahrir al-Sham explodiu um carro armadilhado junto às posições das forças armadas do regime sírio, logo depois os militantes começaram a bombardear as posições do regime do Damasco com mísseis ATGM e morteiros. Os militares do regime sírio abandonaram as suas posições, deixando por traz os comandos russos. Único morto cuja imagem e nome são conhecidos é o capitão do FSB Dmitry Minov.
No canal do conhecido terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin se informa, que os oficiais do FSB levaram um “tiro de controlo” na cara e/ou na nuca, as suas armas, munições e uma parte dos equipamentos desapareceram do local da emboscada.

segunda-feira, abril 08, 2019

Os novos POW russos na Síria

A agência Amaq publicou um vídeo curto em que militantes transportam um militar russo ferido, aparentemente um oficial. Ele está vivo, ao menos faz uns movimentos com as mãos. O vídeo é de 7 de abril, embora possa ter sido filmado antes. Não sa sabe quando e onde.

Dentro da viatura dos militantes pode-se ver o segundo corpo em um uniforme militar aparentemente ucraniano, usado pelas FAU antes de 2015. Possivelmente estamos falando dos três oficiais russos que caíram numa emboscada no dia 22 de fevereiro de 2019 na Síria, nos aredores de Mayadin e que foram dados como mortos pelo Ministério da Defesa russo: dois majores e um tenente-coronel. Ou talvez estamos perante um novo incidente com alguma empresa militar privada (EMP) russa, que aconteceu recentemente e do qual nada sabemos, por enquanto, escreve o blogueiro militarista russo el-murid.

Blogueiro: dado que o fardamento aparentemente é ucraniano, muito possivelmente capturado pela Rússia na Crimeia ocupada, o mais possivel, é que estamos falando dos membros da alguma EMP russa, capturados pela resistência islamista síria.

sexta-feira, dezembro 14, 2018

Rússia prepara um ataque (falso ou real) com armas químicas na Ucrânia

A Rússia pode estar se preparando para falsificar ou lançar um ataque com armas químicas na Ucrânia, a fim de criar um falso pretexto para escalar agressão contra Ucrânia. Diz o sumário analítico Russia in Review do americano Institute for the Study of War.

A Rússia está estabelecendo condições militares para preparar suas forças para um conflito aberto com Ucrânia. A Rússia já está criando o pretexto para escalar, divulgando a falsa narrativa de que a Ucrânia e o Ocidente estão preparando ataques iminentes, incluindo um ataque com armas químicas, no leste da Ucrânia. A Rússia pode fabricar provas de um ataque com armas químicas – ou pode conduzir um ataque com armas químicas – perto de áreas da Ucrânia [ocupadas pelos separatistas] apoiados pela Rússia para criar o caos, justificar o envolvimento das Forças Armadas russas e estabelecer condições para futuras operações militares. A inação da OTAN após a escalada da Rússia no Mar de Azov está provavelmente encorajando Putin a continuar desafiando o Ocidente na Ucrânia. A OTAN deve reavaliar a ameaça que a Rússia representa para a segurança europeia e a ordem internacional baseada em regras e responder decisivamente para deter uma escalada militar russa cada vez mais provável na própria Ucrânia.

A Rússia está dando passos em direção ao conflito aberto com a Ucrânia. A Rússia vem travando uma guerra secreta contra a Ucrânia usando forças separatistas proxie no leste da Ucrânia desde 2014. As forças armadas russas estão agora preparando suas forças para o envolvimento militar direto. O Kremlin está reforçando elementos terrestres, navais e aéreos em seu Distrito Militar do Sul – o comando provavelmente responsável por administrar a guerra em curso na Ucrânia. Moscovo pode achar que a comunidade internacional não responderá de maneira significativa se a visibilidade de seu papel na guerra agora aumentar.
O mapa do alegado avanço das FAU no dia 14/12/2018, divulgado pelos separatistas
A Rússia pode estar se preparando para fabricar ou lançar um ataque com armas químicas na Ucrânia, a fim de criar um falso pretexto para escalar agressão contra Ucrânia. A Rússia está atualmente inundando o espaço da informação com múltiplas narrativas para alarmar a população local na Ucrânia e enquadrar o Ocidente como o agressor, provavelmente, a fim de estabelecer condições para uma futura escalada russa. Uma narrativa do Kremlin afirma que o pessoal ocidental está se preparando para realizar um ataque de armas químicas em território atualmente controlado por separatistas apoiados pela Rússia [fonte]. Um porta-voz da região separatista da república popular de Donetsk (dita “dnr”), apoiada pela Rússia, afirma que as Forças Armadas da Ucrânia vão lançar um ataque contra [a cidade de] Mariupol em 14 de dezembro [na realidade a cidade foi libertada pela Ucrânia em junho de 2014].

Batalhão “Azov” na libertação de Mariupol, 13/06/2014:

Essas falsas narrativas podem representar esforços da Rússia para criar uma justificativa falsa para envolvimento militar antecipado. Essa fabricação seria consistente com recentes provocações russas na Síria. A Rússia e o regime sírio fabricaram um ataque com armas químicas na Síria em 24 de novembro [de 2018]. A Rússia respondeu a este ataque fabricado de armas químicas com ataques aéreos russos. Os EUA condenaram a Rússia e o regime de Assad por essa fabricação, mas não responderam de maneira significativa. O Kremlin pode, portanto, calcular que pode usar o mesmo jogo na Ucrânia neste momento.
A narrativa russa do alegado avanço das FAU contra a cidade de Mariupol, libertado pela Ucrânia do dia 13/06/2014
Putin pode tentar criar uma distração militar ao governo [ucraniano do presidente Petró] Poroshenko, a fim de interromper a reunião [magna da igreja ortodoxa] que anunciará formalmente o status autocéfalo [independente] da Igreja Ortodoxa Ucraniana em 15 de dezembro [de 2018] em Kyiv. A recente autocefalia da Ucrânia representa uma perda de influência social que a Rússia exercia anteriormente sobre a Ucrânia. Putin pode estar tentando causar histeria generalizada antes da reunião para ameaçar Ucrânia e minar seus esforços para distanciar Ucrânia da Rússia. A Rússia também pode procurar divulgar essas narrativas para enquadrar Ucrânia como agressora antes de uma votação na Assembleia Geral da ONU de 17 de dezembro [de 2018] para condenar formalmente a militarização russa da Crimeia, do Mar de Azov e do Mar Negro. A Rússia está demonstrando, no entanto, que está se preparando para envolver a Ucrânia em um conflito aberto.

Ler o sumário completo em inglês.

Recorda-se, que o Conselho de Unificação das Igrejas Ortodoxas Ucranianas será realizado no dia 15 de dezembro no mosteiro de Santa Sofia em Kyiv.

Durante o Conselho de Unificação, os representantes das três igrejas ortodoxas ucranianas vão decidir a sua fusão numa única estrutura de igreja independente ucraniana, aceitação das propostas do Patriarca Ecuménico Bartolomeu do seu estatuto e também irão eleger o novo líder de igreja unificada.

quinta-feira, novembro 08, 2018

Novas perdas russas na Síria

https://el-murid.livejournal.com/3963276.htm
Após a recente informação sobre o ataque contra as forças russas em Deir ez-Zor, que matou de 7 à 6 mercenários, chega a nova informação de Deir ez-Zor do novo ataque do Daesh/EI contra as posições das EMP russas, que resultou na morte dos 11 mercenários russos.

Nenhum dos episódios foi confirmado pelo Ministério da Defesa russo, que apenas acusa os EUA de deixarem de controlar a situação na “sua” margem do rio Eufrates. Como escreve o blogueiro militarista russo el-murid, acusações até tem uma certa base factual. Se na margem direita do rio Eufrates (controlada pelas forças russo-iranianas) Daesh/EI está engajado na luta esporádica e não controla os territórios, na margem esquerda (curdo-americana) Daesh/EI ocupa os territórios e as localidades, empurrando os curdos na direcção oposta a da fronteira iraquiana.
  
Além disso, Daesh/EI agora passa esporadicamente para a margem “russa”, atacando, quer os proxies iranianos xiitas, quer os militares (privados ou estatais) russos.

Blogueiro: a situação pode significar que os EUA conseguiram, de certa forma, dominar Daesh/EI e neste momento usam, indirectamente, as suas forças para combater certos “não crentes” (russos e xiitas), tal como na década de 1980 foi feito, com bastante sucesso, pela administração do Ronald Reagan no Afeganistão. E claro, sem esquecer que cerca de 3/4 efetivos da EMP Vagner passaram pelo leste da Ucrânia, nas suas mãos está sangue dos ucranianos...

sábado, novembro 03, 2018

Ataque em Deir ez-Zor contra as forças russas fez 7 baixas

Imagem meramente ilustrativa
Várias fontes locais e regionais informaram sobre a explosão de uma mina de túnel sob o prédio (ou no prédio) ao norte do entroncamento “Panorama”, na cidade síria de Deir ez-Zor, local ocupado pelas forças armadas russas e sírias.
Faça click para ler mais
É relatada a morte de sete (ou seis) militares russos e um incerto número de sírios, que, em geral, nem sequer são contados, escreve o blogueiro militarista russo el-murid.

Para já não se sabe quem eram os russos – militares ao ativo ou mercenários de alguma EMP. Algumas fontes relatam a morte de sírios, pertencentes ao suposto grupo privado “ISIS Hunters”, outras fontes dizem que estes pertenciam ao 5º corpo do exército sítio. A diferença é importante, no primeiro caso, os russos, o mais provavelmente eram mercenários, que habitualmente operam sob o disfarce de “ISIS Hunters”. Mas se as baixas sírios pertencem ao 5º corpo, então, o mais provavelmente, estamos falar sobre as perdas dos militares russos no ativo.

domingo, outubro 28, 2018

Turcomenistão: a nova Coreia do Norte, fruto do socialismo pós-moderno

Turcomenistão, o território ex-soviético na Ásia Central, ocupa a 4ª posição mundial em reservas de gás natural, mas está no limiar de uma fome generalizada. Os cidadãos fogem em massa à procura de uma vida melhor no exterior.

Uma ditadura próspera

Turcomenistão é um dos países mais fechados do mundo. Devido à uma censura severa e autoritarismo estatal, a república é comparada com a Coreia do Norte. Até 3-4 anos atrás a falta da democracia era soberbamente compensada pelo regime com o bem-estar social e económico: os cidadãos tinham salários baixos, mas Estado lhes fornecia, em forma de subsídio 100% gratuito, os produtos como gasolina, electricidade, gás, água e sal, escreve a publicação Izvestia.
Muséu dedicado ao culto da personalidade do atual ditador do país | foto: RIAN
Até que em 2018, a situação piorou drasticamente. Em setembro foi anulado o subsídio dos serviços municipais (gás, electricidade, agua, etc.). O câmbio oficial da moeda nacional está estável desde 2015, mas o dólar é rapidamente valorizado no mercado paralelo. No início de 2018 um dólar valia 9,8−10 manat, no início de setembro — 18−19 manat.

Nas vésperas de uma fome generalizada

No país existem as mercearias estatais com os preços de alimentos fixos, naturalmente as suas prateleiras estão vazias. Na capital, os cidadãos formam as filas nas madrugadas para comprar pão. No interior, para comprar o pão é preciso mostrar o seu bilhete de identidade (cartão de cidadão), os não residentes numa determinada localidade não são atendidos nas lojas locais. Nas filas para comprar a farinha as pessoas se inscrevem com um mês (Sic!) de antecedência.
Compra e venda de legumes nos bazares | foto: RIAN
Produção de apas ao céu aberto | foto: RIAN
A rádio «Azatbahar» (serviço turcomano da rádio “Liberdade”) divulgou o vídeo, filmado da cidade turcomana de Daşoguz, onde uma multidão de cerca de 600−700 estava disputar o farelo, anteriormente usado apenas para alimentação animal. Mas devido à falta da farinha, as pessoas já consomem este subproduto alimentar:
Nas lojas privadas ainda há poucas limitações de compra, mas os preços subiram em flecha. Um kg de farinha fabricada no vizinho Cazaquistão subiu de 4,8 manat em março aos 8 manat (2,29 dólares) em outubro. Farinha russa subiu de 21−26 manat (embalagem de 2 kg) em março aos 39 manat (11,14 dólares) em outubro.

Galinhas de algodão para “embelezar” as montras

Um kg de carne da 1ª custa nas lojas privadas cerca de 38 manat (10,86 USD); um kg de mortadela — 37 (10,57 USD), coxas de frango — 21 manat (6 USD). Um cidadão pode comprar não mais que 2 kg de coxas de frango de cada vez. As montras de lojas são “embelezadas” com a imitação de frangos, feitos de algodão, tal como se fazia na União Soviética e como ainda se faz na Coreia do Norte.
No supermercado do centro comercial "Berkarar" na capital do país | foto: e-news
Os cigarros desapareceram das lojas estatais nos últimos dois meses, nos privados um maço custa cerca de 70 manat (20 dólares!)

Os cidadãos, temendo o desaparecimento do subsídio estatal de gasolina, fazem o seu stock. Durante o dia, as esperas para reabastecer a sua viatura chegam às duas-três horas. Desde dia 1 de outubro de 2018 as tarifas de correios estatais subiram (em média) até 60%. As ATM vivem falta do dinheiro, as reformas estatais estão sendo transferidos aos reformados/pensionistas com atrasos consideráveis. As filas junto às ATM chegam formar até 200 pessoas, alguns cidadãos trazem 4-5 cartões (dos familiares), as discussões chegam quase às pancadarias.

A situação nas regiões

A situação alimentar nas regiões é pior. Os seus moradores viajam até a capital para se abastecer de alimentos mais básicos. A polícia verifica as viaturas com as matrículas / placas regionais e caso encontrar os alimentos, exige o pagamento de taxas. Embora não existe nenhuma lei estatal, nem a postura municipal, que regulasse o regime de compras dentro e fora da capital, Ashgabad.

Os salários e empregos

O vendedor/a numa loja recebe cerca de 500 manat (142,86 dólares), os dados sobre desemprego não são divulgados, mas considera-se que cerca de 60% dos cidadãos na idade de trabalhar são desempregados. A situação mais dramática se dá no interior e nas zonas rurais.

As obras faraónicas do regime

Nos últimos anos o orçamento geral do Turcomenistão teve que suportar a construção de algumas obras faraónicas do regime: um aeroporto em forma de falcão na capital que custou 2,3 biliões de dólares em 2016; os Jogos Asiáticos que custaram 5 biliões em 2017; o novo porto marítimo, que foi inaugurado na cidade de Turcomanbashi (chamada assim em referência ao anterior ditador do país), que custou 1,5 biliões de dólares, entre outras.
O aeroporto em forma do falcão em Ashgabad que custou 2,3 biliões de dólares | foto: RIAN
Alguns biliões custou a estância balnear Avaz no Mar Cáspio. Mas os seus serviços são demasiadamente caros para os turistas nacionais e os turistas internacionais não aparecem por falta do interesse e devido às dificuldades de obtenção de vistos de entrada.

A venda do gás

Até recentemente, o gás turcomano era comprado pela China, Irão e Rússia. Hoje, apenas a China mantêm as relações comerciais com o regime. O mercado russo se fechou em 2016, em resultado de uma disputa de responsabilidades após uma avaria grossa na parte turcomana do gasoduto Ásia Central  — Centr(o)-4.

Em 2017, acusando Irão de não honrar as suas dívidas, Turcomenistão cortou o fornecimento do seu gás às províncias nortenhas do Irão. Em 2017, cerca de 94% do total do gás tucomano era comprado pela China. No entanto, a China paga o gás recebido, descontando os seus próprios créditos, concedidos ao país anteriormente.

Em resultado, em 2017 Turcomenistão produziu 62 bilhões de m³ de gás natural; 10,8 bilhões de m³ à menos do que em 2015. Pelos dados não oficiais, a défice do comércio externo do país chega aos 10 biliões de dólares. A revista The Economist, citando o Banco suíço de Liquidações Internacionais, informa que só na Alemanha estão depositados cerca de 23 biliões de dólares, provenientes do Turcomenistão.

A venezuelização do país

Para conter a migração, o poder estatal proibiu a saída do país de todos os cidadãos menores de 40 anos de idade. Muitos destes “dissidentes silenciosos” são detidos nos aeroportos. O Banco Nacional impôs os limites de levantamento do dinheiro através de cartões de crédito e de débito fora do país, fala-se em desejo do regime de emitir os documentos de viagem (passaportes) com a validade de apenas um ano.
As ruas vazias da capital e os cidadãos à caminhar, como na Coreia do Norte | foto: RIAN
Qualquer oposição laica e democrática foi destruída e aniquilada no país logo após a independência do Turcomenistão em 1991. Em contrapartida, sabe-se que cerca de 300-400 turcomanos passaram pelas fileiras do Daesh/EI na Síria. Os serviços secretos locais anunciam periodicamente a descoberta [verídica ou não] das suas células no país. Turcomenistão possui a fronteira bastante extensa com o Afeganistão. Caso a resistência islâmica nacional pegar em armas, encabeçando a revolta popular legítima, o poder local terá muitas dificuldades de conter a situação. Principalmente no momento em que o próprio regime está quebrar o pacto social, que existiu no país nos últimos 27 anos...