sábado, junho 20, 2020

Karl Marx, um dos piores anti-semitas e racistas

Karl Marx, que advogava que os povos inteiros deveriam desaparecer no “holocausto revolucionário” odiava especialmente os judeus e negros. Ou seja, era um verdadeiro racista, anti-semita e xenófobo.

Judaísmo como “elemento anti-social”

Um desprezo chocante pelas minorias emerge das cartas e artigos de Karl Marx. Marx escreveu ao seu amigo político Arnold Ruge o quão “nojento” para ele era “a crença israelita”. O seu ensaio “Zur Judenfrage” / On the Jewish Question (1843) estabelece as bases espirituais do puro ódio anti-semita: “Qual é a base secular do judaísmo? A necessidade prática, o interesse próprio. Qual é o culto secular dos judeus? A fraude. Qual é o seu deus secular? O dinheiro”. As passagens de Marx sobre os judeus às vezes parecem como originais textos nazistas. O judaísmo é “um elemento anti-social contemporâneo geral”. Na religião judaica há “desprezo pela teoria, arte, história e homem como um fim em si”. Na sua obra principal “O Kapital”, Marx escreveu em 1872 que todos os bens “na verdade são os dinheiros, circuncidados pelos judeus interiormente e também meios milagrosos de ganhar mais dinheiro com dinheiro”.

As suas cartas expõem Marx como um racista. Ferdinand Lassalle, o fundador da Associação Geral dos Trabalhadores Alemães e um concorrente político de Marx, é denegrido por causa de sua origem judaica apenas como Jüdel Braun” (Judeu Castanho), Ephraim Gescheit ou Itzig. Depois que Lasalle visitou Marx em Londres em 1862, este o repreendeu como negro judeu Lasalle e escreveu: Agora está completamente claro para mim que, como prova a formação de sua cabeça e crescimento de pêlos, ele é descendente de negros que seguiram o comboio/trem dos judeus do Moisés do Egito. Bem, essa conexão entre o judaísmo e o germanismo com a substância básica negra deve produzir um produto estranho. A insistência do rapaz também é um assunto nigeriano”.

Mesmo o seu genro Paul Lafargue, cuja mãe era uma crioula cubana, Marx humilhou em uma carta a sua filha Jenny como Negrillo e descendente de um gorila. Quando Marx ficou chateado novamente com seu genro não-branco, ele escreveu ao Engels: Lafargue tem a cicatriz ruim da tribo negra: não possui o sentimento de vergonha.

Quando Lafargue concorreu em 1887 no bairro parisiense Jardin des Plantes para o conselho municipal da cidade, Friedrich Engels, companheiro de Karl Marx, fez o seguinte comentário profundamente racista em uma carta: “Meus parabéns ao Paul, candidato do Jardin des Plantes – e dos animais. Sendo um negro, ele está um grau mais próximo do resto do reino animal do que o resto de nós, ele é sem dúvida o representante certo para este distrito.

Em vista de todo este legado brutal, anti-semita, xenófobo, racista e opressivo, surge a questão de saber se 52 espaços públicos, mais de 500 ruas e até várias escolas na atual Alemanha realmente devem continuar à ostentar o nome de Karl Marx?..

Ler o texto original “Karl Marx war einer der übelsten Rassisten” em alemão

quinta-feira, junho 18, 2020

O maior poeta da Ucrânia, Taras Shevchenko, nasceu como escravo

O maior poeta da Ucrânia, Taras Shevchenko, nasceu como escravo, foi comprado e depois recebeu a sua liberdade em 1838. Aqui estão os documentos sobre a sua liberdade.

Ele foi preso pelo regime czarista russo alguns anos depois e perdeu a liberdade por escrever poesia. Quando ele retornou à liberdade após anos de prisão militar, gastou muito de seu tempo e dinheiro tentando comprar liberdade dos seus familiares. O império russo libertou os servos somente após a sua morte, em 1861 1861 (via Virlana Tkacz).

Curiosidades

A banda britânica de rock New Order lançou um álbum de vídeo intitulado Taras Shevchenko em agosto de 1983. Ele contém o registo de um show realizado no Ukrainian National Home, em Nova Iorque, no dia 18 de novembro de 1981:

quarta-feira, junho 17, 2020

Ucrânia e os cossacos ucranianos na TV turca TRT

A TV turca TRT realizou um filme histórico-documental, dedicado às artes bélicas dos cossacos ucranianos, que despertou bastante interesse entre o público turco. As filmagens decorreram na cidade ucraniana de Zaporizhia e na ilha de Khortytsia.

O embaixador da Ucrânia na Turquia, Andrij Sybiha, conta que os cineastas estavam completamente imersos na vida local, treinando e vivendo de acordo com os costumes cossacos.
Faça click para ver o filme
O mesmo grupo preparou o vídeo promocional da Ucrânia, dirigido especialmente ao público turco, chamado Ukrayna Bizleri Bekliyor (Ucrânia está esperando por nós):
Blogueiro: no passado histórico os cossacos ucranianos quer guerreavam os turcos, quer faziam acordos tácticos com eles, a famosa Roxelana (Roksolana de Rohatyn) foi a esposa e mãe de alguns sultões da Turquia. O filme mostra que Turquia e os turcos conseguem superar as traumas históricas e olham Ucrânia sem preconceitos coloniais.

segunda-feira, junho 15, 2020

Russo que lutou pela Ucrânia independente até a morte

Em maio de 1948 o MGB da Ucrânia Soviética prendeu em Kyiv os 15 membros da resistência anti-comunista de Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN), liderados pelo russo étnico, Ihor Pronkin “Berkut”, que apesar de tortura se recusou colaborar com autoridades soviéticas.
Ihor Pronkin, 1929-1953
Ihor Pronkin “Berkut” nasceu em 1929 na cidade russa de Kazan, na Ucrânia ele estudava física na Universidade de Kyiv, ao mesmo tempo liderava a rede da resistência de OUN na capital ucraniana, que se dedicava às ações de inteligência e propaganda,  preparando-se para ações de luta armada contra autoridades de ocupação soviéticas, representantes do partido comunista, do MGB e do ministério de interior.

Ihor Pronkin foi condenado aos 25 anos de GULAG, onde morreu em 1953 durante a revolta de Norilsk
Yuriy Hayduk, nasceu em 1928, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Ivan Velyhurskiy, nasceu em 1930, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Petro Bendyuk, nasceu em 1929, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Hryhoriy Hovdyo, nasceu em 1928, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Recorda o veterano do KGB soviético Albert Dichenko:
Ihor Denysenko, nasceu em 1930-2007, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Hryhoriy Pidoplichko, nasceu em 1927, sentenciado aos 10 anos de GULAG
Oleksiy Hordiychuk, nasceu em 1928, sentenciado aos 25 anos de GULAG
Emiliy Khomenko, nasceu em 1928, sentenciado aos 10 anos de GULAG
“...Nessa altura, terminaram as ações do seguimento de dois casos de acompanhamento secreto de grupos – “Krai” e “Grachi” – sob os quais eram seguidos os membros da rede municipal da OUN de Kyiv. Nota-se que essa organização clandestina na própria capital [da Ucrânia] operou até 1949, e isso apesar da enorme concentração de unidades de contra-inteligência.

Interessante que organização foi liderada por um aluno do Instituto de Educação Física, da etnicidade russa, Ihor Pronkin. Ele foi capturado de forma simples – foi decifrado o emissário que chegou com as instruções e, quando ele chegou, foram detidos juntos.

[...]
Anatoliy Marchenko, nasceu em 1927, sentenciado aos 10 anos de GULAG
Natália Deyneko, nasceu em 1929, sentenciada aos 5 anos de GULAG
Lyudmyla Marchenko, nasceu em 1928, sentenciada aos 5 anos de GULAG
Literatura, armas e objetos pertencentes à rede da OUN de Kyiv
E o que é interessante, apesar dos métodos específicos de conduzir a investigação [uso da tortura], ele não disse nada, exceto: “Sim, sou o chefe da rede da OUN na cidade de Kyiv. E não vou vos contar mais nada. Além disso, ele disse: “Enquanto eu estiver vivo e por quanto tempo vou viver – lutarei por uma Ucrânia independente”.

Então ele, me parece que foi sentenciado aos vinte anos. Depois houve uma poderosa revolta em Norilsk e muitas pessoas morreram lá. Tanques a esmagaram. Naturalmente, a revolta foi liderada pelo ramo da OUN-Norte, que operou em Norilsk (ou melhor, em três grandes campos do norte – Inta, Vorkuta, Norilsk) por vários anos. Vejam o nível de conspiração.
Processo do MGB número 149064
E Ihor Pronkin também entrou na liderança dessa rede. E quando a revolta foi esmagada, ele foi mortalmente ferido por um estilhaço de um obus do blindado...”

Ler mais sobre este caso em ucraniano.

quinta-feira, junho 11, 2020

A lei soviética que punia com a morte a fuga para o exterior

Em 8 de junho de 1934, o Comité Executivo da URSS legislou que os cidadãos fugitivos ao exterior deveriam ser exterminados fisicamente. Mais tarde foi criada uma unidade especial de NKVD, que começou a perseguir e matar os “não-retornados”.

A resolução do Comité Executivo Central da URSS tratava a fuga para exterior como “traição à Pátria”, a simples fuga para o exterior, era punível com pena de morte – execução com confisco de todos os bens e sob circunstâncias atenuantes, com prisão por um período de 10 anos com confisco de todos os bens.

Uma seção da lei dizia respeito aos parentes de fugitivos que permaneceram na URSS, todos eles eram declarados criminosos, acusados de “não-delação”, alvos de processos judiciais. O “crime” de fuga do paraíso socialista se tornou o crime mais severo e mais pesado em toda a legislação soviética. Pois era único crime que previa responsabilidade colectiva dos familiares. Se irmão não denunciou o irmão, o pai não delatou a filha, estes também se tornavam criminosos, eram sentenciadas às penas entre 5 à 10 anos de prisão efectiva (texto das emendas).

Poucos conseguiram escapar da URSS, os números exactos de tentativas bem-sucedidas e mal-sucedidas permanecem em segredo dos arquivos russos até os dias de hoje.

As sentenças judiciais por fuga foram atenuadas somente após a morte de Estaline/Stalin. Em vez de execução, a lei soviética passou prever “somente” a prisão.

O levantamento final das medidas restritivas ocorreu em 1990, quando foi aprovada a Lei de “Entrada e Saída, que permitia aos cidadãos soviéticos de deixar livremente as fronteiras da URSS.

Ou seja, até 1990, um cidadão soviético NÃO podia deixar livremente o território da União Soviética, não podia se mudar, ao exterior, mesmo para um país dito fraterno, socialista ou “em vias de desenvolvimento”.

Se você é um “antifa”, será que está pronto à viver num país assim?

domingo, junho 07, 2020

Morrer de tortura em Minneapolis ou no aeroporto de Lisboa

Muitas questões se levantam quando um cidadão que entra em Portugal com um visto de turista é torturado até à morte numa sala do aeroporto de Lisboa. Mas onde estiveram então as ONG’s e os activistas?

A 12 de março, em Lisboa, nas instalações do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) foi torturado até à morte um cidadão ucraniano de nome Ihor Homenyuk.

por: Zita Seabra, Observador.pt

Segundo os jornais vêm a divulgar posteriormente, citando, entre outras fontes, a acusação aos inspetores do SEF, estiveram sentados em cima dele, esmagando-lhe o tórax contra o solo. Depois de Ihor ter sofrido um ataque epilético, caiu e partiu os dentes. Tinha sinais de pancada e morreu depois de horas de agonia, atado com fita cola e preso com algemas.

Segundo relata a jornalista Joana Gorjão Henriques (Publico, 10 de maio de 2020): «O cidadão ucraniano que morreu no SEF do aeroporto esteve 15 horas manietado com fita-cola e algemas. Foi visto assim por enfermeiros, inspetores, chefes. Ficou numa sala preso, durante horas, com as calças pelos joelhos e cheiro a urina. O médico que passou o óbito não viu agressões e deu-a como morte natural. Auto de óbito do SEF também não refere qualquer lesão.»

No Observador de 1 de Abril de 2020, Sónia Simões e Kimmy Simões escrevem sobre as provas recolhidas pela PJ: «Ucraniano esteve fechado numa sala, após ter sido brutalmente agredido por três inspetores do SEF, durante 8 horas, segundo as provas recolhidas pela PJ. E foi encontrado já morto.» Continuam: «O corpo de Ihor Homenyuk, o ucraniano assassinado no aeroporto de Lisboa, apresentava tantos hematomas e tantos sinais de ter sido barbaramente espancado que quase não seria necessária uma autópsia para perceber qual tinha sido a causa da sua morte.»

Muitas questões se levantam se um cidadão que entra em Portugal com um visto de turista é torturado até à morte numa sala do aeroporto de Lisboa. Torturado, segundo a acusação, espancado e com alguém o esmagando, sentando-se, repito, sentando-se em cima do seu tórax até o esmagar. Tudo segundo a acusação ou a PJ.

No seguimento das notícias de alguns jornais, o ministro da Administração Interna foi chamado ao Parlamento e manifestou justas palavras de vergonha pelo sucedido. Os três inspetores foram detidos e seguiram para casa, em razão do covid-19. Sabe-se também que o diretor do SEF no aeroporto foi substituído.

Reconheçamos que é muito pouco.

Assassinar barbaramente, por tortura, no aeroporto de Lisboa, um cidadão ucraniano, refugiado ou emigrante ilegal, é um sobressalto em qualquer Estado de direito. No entanto, não tenho notícia de nenhum sobressalto cívico em Portugal. Nada. Nenhuma manifestação no aeroporto, nenhuma homenagem, nenhum memorial, nenhum voto (que eu saiba) no Parlamento, nenhuma palavra do Presidente da República, nenhuma palavra do primeiro-ministro. Que tristeza.

E das organizações de direitos humanos? Onde estão as ONG’s, a Amnistia Internacional e o SOS Racismo? Que fizeram os Médicos do Mundo, que têm intervenção no aeroporto de Lisboa? E a Ordem dos Médicos? Será verdade que um médico assinou uma declaração em que consta «morte natural»? Fez-se-lhe um inquérito? E o SEF é tutelado por quem? Os inspetores, que estavam em casa, continuam lá? E todos os funcionários e inspetores zelosos que passaram por lá foram acusados? E o sofrimento e medo das pessoas que estavam nas instalações, emigrantes com filhos, foram ouvidos os seus testemunhos? Havia, dizem, crianças por lá. Alguém afagou o seu medo e lhes deu colo?

Muito mais perguntas poderiam ser feitas e devem ser feitas para que seja feita justiça.

O polícia que nos Estados Unidos asfixiou um cidadão é uma imagem tão brutal que sempre que as nossas televisões o mostram não consigo ver nem imaginar o sofrimento de uma morte assim. Mas quando li e comecei a acompanhar as notícias da tortura até à morte de Ihor também não consegui imaginar o sofrimento deste ucraniano, que chegou a Portugal à procura de uma vida melhor.

Mas, excluindo a preocupação de um punhado de jornalistas (homenagem lhes seja feita), a sua morte passou – quase – em silêncio.

Ao tentar perceber as razões, só encontro uma: que interesse pode ter a morte de um ucraniano? Os ucranianos são sempre números. Morreram milhões de fome no Holodomor ou «Holocausto Ucraniano». Estaline matou milhões, cinco milhões, durante os anos de 1932 e 1933. Estão habituados

Mortos pelos comunistas soviéticos, entre 1932 e 1933, não existem, não contam. São números. Aliás, as vítimas do comunismo não são iguais às vítimas do nazismo. São apagadas da História.

Que importância tem para o mundo um ucraniano torturado e morto no aeroporto de Lisboa? E que, segundo a acusação, alguém se tenha sentado em cima do seu tórax e que tenha ficado em agonia horas, sem ser levado ao hospital? Algum deputado europeu se preocupou com isso e interrogou o governo português? Algum deputado português levou um voto ao Parlamento?

Importantes são as vítimas que possam ser usadas para fins políticos, que interessem a agendas da esquerda. Os outros apagam-se.

Chama-se a isto relativismo.

Mas o mundo só será melhor se uma vítima na América for igual a uma vítima em Portugal, independentemente de ser preto, branco ou amarelo. Morra em Hong Kong, em Minneapolis ou no aeroporto de Lisboa.

sábado, junho 06, 2020

Líbia: colapso total do marechal Haftar

As forças do GAN retomaram o controlo sobre o aeroporto de Tripoli. Foto: Getty Images
Líbia viveu hoje o dia de virada total da situação. As tropas do Governo de Acordo Nacional (GAN) avançaram 200 km ao longo da costa, a cidade de Sirte se rendeu sem oferecer nenhuma resistência. As tropas de Khalifa Haftar se entregam ao governo e os municípios locais anunciam à sua lealdade ao GAN.
A retirada da Líbia dos mercenários russos, no fim do mês de maio de 2020
O GAN está começando a dominar áreas da Cirenaica e ainda não está claro se eles oferecerão qualquer resistência. A desintegração da estrutura militar de Haftar é muito ampla. Se o GAN conseguir tomar as cidades de Ras Lanuf e Brega no mesmo ritmo, Tripoli realmente assumirá o controlo da bacia de petróleo de Sirte, o que significa que cortarão Haftar de seu único recurso interno, o colocando na total dependência do exterior.

O Egito descartou a solução militar e pediu negociações gerais, de fa(c)to, sem condições prévias. O destino das 50 aeronaves estacionadas na base aérea de Al Jufrah ainda é desconhecido. Entre eles, podem estar cerca de seis MIG's russos, escreve o blogueiro militarista russo el-murid.
As tropas do GAN exibem enormes troféus. Entre eles os 4 mercenários russos. Estão em andamento as negociações sobre as condições da sua entrega ao Moscovo.

Os truckers (camionistas de longo alcance) ucranianos nos EUA e Canadá

Um grande número dos truckers (camionistas de longo alcance) americanos e canadenses, é composto pelos ucranianos étnicos. Alguns deles nasceram nos EUA ou no Canadá, outros emigraram desde a década de 1980-90, mas em menos de uma geração alcançaram o sucesso, ingressando na classe média.
Ninguém esperava pelos ucranianos nos EUA ou no Canadá, ninguém lhes criava condições especiais ou quotas. Uma grande força de vontade, disciplina, capacidade de sacrifício fizeram com que graças ao seu esforço pessoal, eles estão bem na vida de forma emocional e financeira. Muitos deles começaram como simples motoristas, mas em pouco tempo compraram os camiões/caminhões por eles conduzidos, tornando-se os seus próprios patrões. Uma espécie de sonho americano realizado, que continua a existir para quem quer e gosta de trabalhar.
O tryzub (tridente) estilizado, onde o “dentre” central ganha a forma de espada é símbolo histórico da OUN-M (Organização dos Nacionalistas Ucranianos, da sua ala histórica e dita “moderada”, liderada, durante décadas, pelo coronel Andriy Melnyk).
As fotos Myron Bytz e History Diaspora.

Mas sem dúvida, entre o truckers ucranianos o camionista/caminhoneiro mais famoso é Vadym Dubovsky (nascido em 21 de abril de 1964 em Donetsk), além de ser motorista, ele é um cantor de ópera (barítono). Em 2014, Vadym ficou famoso como “camionista/caminhoneiro cantor” – o autor e intérprete de romances ucranianos e seus próprios poemas satíricos ao som de canções soviéticas. Ele grava seus vídeos enquanto dirige um camião/caminhão e os publica na Internet:

sexta-feira, junho 05, 2020

Holodomor: história de um genocídio esquecido (ou escondido)

Este texto é sobre um genocídio mas não sobre o Holocausto. Fala da grande fome da Ucrânia – conhecida por Holodomor – um outro genocídio provocado por Stalin em 1932/33, mas praticamente desconhecido.

por: Francisco Lopes Matias, Observador.pt

[...] Este texto não é sobre o Holocausto. É sobre a grande fome da Ucrânia – mais conhecida por Holodomor – um genocídio em massa provocado por Stalin entre 1932 e 1933, mas praticamente desconhecido.

Para explicar este massacre, importa perceber primeiro o contexto espácio-temporal em que se insere. Mal chegou à liderança da União Soviética, em 1924, Josef Stalin tomou um conjunto de medidas para garantir a total abolição da propriedade privada, através da colectivização de todas as terras. Este modelo arrancou, em pleno, no ano de 1929, quando Stalin decretou a entrega imediata de toda e qualquer propriedade ao Estado Soviético. Este plano definia que cada terra (kolkhozes se formadas por uma cooperativa ou sovkhozes se administradas directamente pelo governo) deveria obedecer a certas quotas mínimas de produção, entregando depois tudo o que produzisse ao governo central da URSS, que distribuiria igualmente por todos os cidadãos, independentemente da região proveniente.

Esta decisão não foi, naturalmente, consensual, de modo que se veio a verificar, um pouco por todas as 15 repúblicas soviéticas, alguma resistência por parte dos proprietários rurais. O caso mais notório de oposição declarada a esta medida do I Plano Quinquenal de Stalin foi a Ucrânia, extremamente rica em matérias-primas e fértil em produtos agrícolas (trigo, beterraba, batata, por exemplo) e que seria, assim, enormemente prejudicada por esta lei agrícola, visto que, produzindo muito, não beneficiaria nada desta nova condição. Todavia, entre revoltas e contestação, o plano começou, à força, a ser aplicado e as quotas agrícolas exigidas à Ucrânia eram cada vez mais elevadas e desproporcionais, o que, conjugado com alguma desorganização, resistência e más condições meteorológicas, começou a causar alguma fome, que já se notava em 1931. Era preciso passar fome para que se cumprissem as quotas, mas, mesmo assim, Moscovo só recebeu 39% do valor utópico exigido à Ucrânia.

Perante a realidade ucraniana, Stalin decidiu tomar medidas implacáveis. Considerou que a responsabilidade pela produção baixa e insuficiente não era das metas completamente irrealistas fixadas pelo sistema de quotas ou da desorganização do sistema de colecta, mas antes daquilo que apelidou de “sabotagem dos nacionalistas e contra-revolucionários” ucranianos, que queriam, acima de tudo (na versão quase paranóica do ditador russo), ver o plano de Stalin fracassar. Na carta que endereçou a Kaganovich, um dos seus mais íntimos colaboradores, a 11 de Agosto de 1932, afirmava mesmo que “a Ucrânia é hoje em dia o principal problema (…) É preciso transformá-la numa fortaleza bolchevique, sem olhar a custos”. E Stalin seguiu literalmente estas suas palavras.
Visitar o museu do Holodomor em Kyiv
As colheitas mantinham-se e o trabalho permanecia obrigatório, mas não havia mais redistribuição e os camponeses passaram a estar proibidos de comprar alimento. A comida pura e simplesmente desapareceu. Para garantir que ninguém fugia a este plano demoníaco, Stalin proibiu o êxodo dos camponeses para a cidade.

Como represália pelo fracasso no plano megalómano que ele mesmo ordenara, Stalin usou a fome para castigar o povo ucraniano. Entre Setembro e Novembro de 1932, bloqueou completamente o fornecimento de alimentos à população rural da Ucrânia (mais de 75% do seu total). As colheitas mantinham-se e o trabalho permanecia obrigatório, mas não havia mais redistribuição e os camponeses passaram a estar proibidos de comprar alimento. A comida pura e simplesmente desapareceu. Para garantir que ninguém fugia a este plano demoníaco, Stalin proibiu o êxodo dos camponeses para a cidade, interditando também a sua circulação através da rede de comboios. Tal servos da gleba, os camponeses ucranianos estavam obrigados a permanecer nas suas terras, inevitavelmente condenados a morrer à fome nas aldeias geladas da Ucrânia soviética. Qualquer roubo da mais pequena semente de trigo era condenado, ao abrigo da famosa “lei das cinco espigas”, a dez anos num campo de trabalho forçado (gulag) ou mesmo à pena capital, normalmente executada no local. As conexões com o mundo urbano foram cortadas e os jornalistas proibidos de visitar o campo ucraniano. Aquele povo estava a morrer à fome, mesmo produzindo mais do que nunca.

Em apenas de um ano, morreram milhões de ucranianos (as estimativas variam entre os 4 milhões de mortos e os 12 milhões, que significavam, respectivamente, 12,5% e 37,5% da população total da Ucrânia) da forma mais lenta e desumana, de fome. Famílias inteiras arrasadas, crianças que nasceram sem vida, milhares de seres humanos deixados no chão ao abandono, corpos que nada mais eram do que a pele colada ao osso. Tudo por capricho, vaidade e vingança de Stalin, que, para mostrar que era o líder supremo e omnipotente da URSS, ordenou um dos maiores massacres humanos de que há memória. Nunca num tempo tão curto tanta gente foi morta por tão pouco. Este autêntico genocídio do povo ucraniano foi baptizado de “Holodomor”, que advém da expressão ucraniana “Морити голодом”, que significa “matar pela fome” e foi executado enquanto em grande parte do Ociente se louvava o suposto “milagre económico soviético”, como foi designado por Walter Duranty, conceituadíssimo jornalista do New York Times e prémio Pulitzer, que era, no entanto, negacionista do Holodomor e colaborador próximo de Stalin.

Enquanto 40 milhões de pessoas passavam fome e muitos deles acabavam mesmo por padecer, a URSS exportava trigo como nunca antes se vira, chegando aos 5.170.000 de toneladas (grande parte vinda da Ucrânia) vendidas ao estrangeiro. Fazia assim transparecer para o exterior uma imagem de vitalidade e progresso económico, enquanto a realidade interna era bem diferente. Em 1933, a produção ucraniana representou cerca de 32% do total soviético, sendo, de longe, a província mais fértil, próspera e rica de todo o território da URSS. Contudo, embora continuassem a exportar, os kolkhozes ucranianos não recebiam sequer uma ínfima parte do alimento que produziam. Mantinham-se, por ordem do governo, esfomeados e cada vez mais frágeis.

O pior do Homem veio ao de cima, não por maldade, mas por sobrevivência. Tudo era motivo para conseguir um pão. Denunciava-se a própria família, inventavam-se mentiras sobre os vizinhos, compactuava-se com os piores crimes do Exército. Por uma fatia de pão.

Pelos motivos aparentemente mais insignificantes, centenas, se não milhares de camponeses, foram expostos às maiores torturas e condenados às penas mais horríveis. Numa carta ao próprio Stalin, o oficial soviético Mikhail Cholokhov descreve a violência policial e do Exército Vermelho contra o povo ucraniano (“E eis alguns dos métodos empregados para obter essas 593 toneladas, das quais uma parte estava enterrada… desde 1918! O método do frio… Os kolkhozianos são despidos e postos ‘ao frio’, completamente nus, num celeiro. Muitas vezes, são bandos inteiros de kolkhozianos que são postos ‘ao frio’. O método do calor, em que os pés e as barras das saias das kolkhozianas são regados com gasolina e, em seguida, ateia-se fogo, que depois é apagado para começar de novo… No kolkhoz de Napolovski, um tal de Plotkin, ‘plenipotenciário’ do Comitê do Distrito, forçava os kolkhozianos interrogados a deitarem-se sobre um forno em brasa, depois ele os ‘esfriava’ trancando-os nus num celeiro… No kolkhoz de Lebiajenski, os kolkhozianos eram alinhados ao longo de um muro, e uma execução era simulada… Eu poderia multiplicar ao infinito esse tipo de exemplos. Não são ‘abusos’, mas o método usual de colecta do trigo…”). Stalin respondeu, cínico, que “os lavradores não são nenhumas ovelhinhas inocentes”.

A desgraça humana era total e a maldade chegou a níveis indescritíveis. Sem qualquer necessidade disso, um líder político ordenou a morte e a fome do seu próprio povo. O pior do Homem veio ao de cima, não por maldade, mas por sobrevivência. Tudo era motivo para conseguir um pão. Denunciava-se a própria família, inventavam-se mentiras sobre os vizinhos, compactuava-se com os piores crimes do Exército. Por uma fatia de pão. O Holodomor trouxe também consigo a horrenda realidade do canibalismo. Cantavam tristes as crianças ucranianas no Inverno de 1932-33: “Fome e frio estão nas nossas casas/ Nada que comer, nenhum lugar para dormir/ E o nosso vizinho perdeu a sua razão e comeu os seus filhos”.

Na verdade, milhares de famílias, com um dos membros mortos pela fome, eram obrigadas, para não seguirem o mesmo destino, a comê-lo. Numa entrevista que deu na década de 1990, uma vítima da grande fome ucraniana contou a sua duríssima experiência, quando criança: “Um dia, a filha de uma vizinha da nossa aldeia desapareceu. Todos fomos procurá-la, mas não estava em lado nenhum. Na mesma tarde, entrámos na casa de uma camponesa e deparámo-nos com a criança procurada. A cabeça estava em cima de uma mesa e o corpo a assar, para servir de alimento”.

Como esta, houve centenas de histórias e quantidades incontáveis de crianças foram raptadas para servirem de alimento. Uma das alternativas encontradas ao trigo foi o pirojki, um patê feito com fígado humano. Mas a maldade não fica por aqui. Também em condições muito difíceis, os agentes da NKVD (polícia secreta do regime soviético) recebiam 200 gramas de pão por cada corpo que encontrassem. Os corpos eram enterrados em valas comuns, muitas vezes ainda vivos. A propósito desta realidade, um ucraniano que viveu este terror descreve que “a maioria morria lentamente, em casa (…) Os militares entravam nas casas e perguntavam: “Onde estão os seus mortos?”. Uma vez, havia apenas uma mulher moribunda deitada na cama. Eles disseram: “Vamos levá-la, ela vai morrer de qualquer forma”. Ela implorava: “Não me enterrem, que eu ainda estou viva! Eu quero viver!”. Os guardas insistiram: Para quê vir amanhã por ela? Vai morrer de qualquer forma!”. Levaram-na e enterraram-na viva”.

Honestamente, a única diferença entre a planície ucraniana nos anos de 1932 e 1933 e o Inferno é que, em vez de chamas, ali havia quilómetros intermináveis de neve e temperaturas na ordem dos 30°C negativos. Enquanto as valas comuns se enchiam de corpos quase sem carne e completamente desprovidos da sua dignidade, o trigo de que o povo ucraniano era privado enchia os cofres da URSS, batendo os recordes de exportação para a Europa e para o mundo ocidental. Muitos se esforçaram para descredibilizar aqueles que, como Gareth Jones e Malcom Muggeridge, denunciaram os horrores da fome ucraniana e só na década de 1980 é que investigações sérias começaram a ser conduzidas e relatórios produzidos.
Estas vítimas não tiveram direito a funerais nem a lápides bonitas. Não tiveram direito a ser reconhecidas pelos seus nomes, não tiveram direito a memoriais e praticamente não são referidas nos livros de História. Mas estas vítimas são como, vós, caríssimo leitor. São como eu, são como nós. Estas vítimas eram milhões de seres humanos (mulheres, crianças e homens adultos), inocentes, condenados a morrer da forma mais cruel e morosa, condenados a serem apagados do mapa e da História. Em apenas um ano, milhões de ucranianos foram exterminados, por puro sadismo e vingança de um líder e de um governo que devia ter como única missão defendê-los e às suas vidas. Esquecer o Holodomor ou ficar-lhe indiferente, tal como esquecer o Holocausto, é demitirmo-nos da nossa humanidade, é aceitar que, em última instância, nada mais somos como raça e como espécie do que instrumentos à mercê de alguns facínoras que se outorgam o direito divino de definir o bem e o mal, quem vive e quem morre. E isto, nunca! Ser-se humano, livre e capaz de amar verdadeiramente, é a maior graça que podemos ter e receber. Não a entreguemos de mão beijada àqueles que apenas a querem aniquilar.

Este texto é, assim, dedicado aos milhões incontáveis de mortos provocados por este genocídio absolutamente impiedoso. A eles, todo o meu respeito e homenagem. E se umas breves palavras de um jovem desconhecido nada podem fazer para evitar a tragédia que aconteceu, têm, no entanto, o poder de lembrar o pior a que o Homem pode chegar, nunca esquecendo que cabe a cada um de nós, cidadãos do mundo e seres humanos, impedir que tal se repita.

O autor não escreve em conformidade com as regras do novo Acordo Ortográfico.

segunda-feira, junho 01, 2020

Morte em Lisboa: ucraniano espancado até a morte pelas autoridades de migração

Imagem e parte do texto @Facebook Ricardo Sá
A situação nos Estados Unidos faz lembrar o que aconteceu em Portugal no dia 12 de março de 2020. Os polícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) espancaram, até à morte, um imigrante ucraniano no Aeroporto de Lisboa.

Ihor Homeniuk sofria de convulsões mas isso não impediu os inspetores Duarte Laja, Bruno Sousa e Luís Silva, de o algemarem a uma cadeira e o espancarem com murros, pontapés e um bastão durante 20 minutos. Ao saírem da sala disseram "agora está mais calmo" e "hoje já não preciso de ir ao ginásio". Poucas horas depois Ihor morreu. O SEF tentou limpar as mãos declarando que o corpo tinha sido encontrado na rua. No Instituto Nacional de Medicina Legal, na ficha do registo de entrada foi escrito que o cadáver “era proveniente da via pública”. A ficha foi preenchida pelo inspetor do SEF Ricardo Girante. Só a autópsia levantou a suspeita de homicídio. Devido à pandemia Covid-19 os 3 polícias ficaram em prisão domiciliaria e não existiram manifestações de revolta.

Num país europeu, de forma extremamente violenta, às mãos das autoridades foi brutalmente assassinado um ucraniano. Mas quem é que quer saber disso?

#justiçaparaIhorHomeniuk

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