sexta-feira, junho 05, 2020

Holodomor: história de um genocídio esquecido (ou escondido)

Este texto é sobre um genocídio mas não sobre o Holocausto. Fala da grande fome da Ucrânia – conhecida por Holodomor – um outro genocídio provocado por Stalin em 1932/33, mas praticamente desconhecido.

por: Francisco Lopes Matias, Observador.pt

[...] Este texto não é sobre o Holocausto. É sobre a grande fome da Ucrânia – mais conhecida por Holodomor – um genocídio em massa provocado por Stalin entre 1932 e 1933, mas praticamente desconhecido.

Para explicar este massacre, importa perceber primeiro o contexto espácio-temporal em que se insere. Mal chegou à liderança da União Soviética, em 1924, Josef Stalin tomou um conjunto de medidas para garantir a total abolição da propriedade privada, através da colectivização de todas as terras. Este modelo arrancou, em pleno, no ano de 1929, quando Stalin decretou a entrega imediata de toda e qualquer propriedade ao Estado Soviético. Este plano definia que cada terra (kolkhozes se formadas por uma cooperativa ou sovkhozes se administradas directamente pelo governo) deveria obedecer a certas quotas mínimas de produção, entregando depois tudo o que produzisse ao governo central da URSS, que distribuiria igualmente por todos os cidadãos, independentemente da região proveniente.

Esta decisão não foi, naturalmente, consensual, de modo que se veio a verificar, um pouco por todas as 15 repúblicas soviéticas, alguma resistência por parte dos proprietários rurais. O caso mais notório de oposição declarada a esta medida do I Plano Quinquenal de Stalin foi a Ucrânia, extremamente rica em matérias-primas e fértil em produtos agrícolas (trigo, beterraba, batata, por exemplo) e que seria, assim, enormemente prejudicada por esta lei agrícola, visto que, produzindo muito, não beneficiaria nada desta nova condição. Todavia, entre revoltas e contestação, o plano começou, à força, a ser aplicado e as quotas agrícolas exigidas à Ucrânia eram cada vez mais elevadas e desproporcionais, o que, conjugado com alguma desorganização, resistência e más condições meteorológicas, começou a causar alguma fome, que já se notava em 1931. Era preciso passar fome para que se cumprissem as quotas, mas, mesmo assim, Moscovo só recebeu 39% do valor utópico exigido à Ucrânia.

Perante a realidade ucraniana, Stalin decidiu tomar medidas implacáveis. Considerou que a responsabilidade pela produção baixa e insuficiente não era das metas completamente irrealistas fixadas pelo sistema de quotas ou da desorganização do sistema de colecta, mas antes daquilo que apelidou de “sabotagem dos nacionalistas e contra-revolucionários” ucranianos, que queriam, acima de tudo (na versão quase paranóica do ditador russo), ver o plano de Stalin fracassar. Na carta que endereçou a Kaganovich, um dos seus mais íntimos colaboradores, a 11 de Agosto de 1932, afirmava mesmo que “a Ucrânia é hoje em dia o principal problema (…) É preciso transformá-la numa fortaleza bolchevique, sem olhar a custos”. E Stalin seguiu literalmente estas suas palavras.
Visitar o museu do Holodomor em Kyiv
As colheitas mantinham-se e o trabalho permanecia obrigatório, mas não havia mais redistribuição e os camponeses passaram a estar proibidos de comprar alimento. A comida pura e simplesmente desapareceu. Para garantir que ninguém fugia a este plano demoníaco, Stalin proibiu o êxodo dos camponeses para a cidade.

Como represália pelo fracasso no plano megalómano que ele mesmo ordenara, Stalin usou a fome para castigar o povo ucraniano. Entre Setembro e Novembro de 1932, bloqueou completamente o fornecimento de alimentos à população rural da Ucrânia (mais de 75% do seu total). As colheitas mantinham-se e o trabalho permanecia obrigatório, mas não havia mais redistribuição e os camponeses passaram a estar proibidos de comprar alimento. A comida pura e simplesmente desapareceu. Para garantir que ninguém fugia a este plano demoníaco, Stalin proibiu o êxodo dos camponeses para a cidade, interditando também a sua circulação através da rede de comboios. Tal servos da gleba, os camponeses ucranianos estavam obrigados a permanecer nas suas terras, inevitavelmente condenados a morrer à fome nas aldeias geladas da Ucrânia soviética. Qualquer roubo da mais pequena semente de trigo era condenado, ao abrigo da famosa “lei das cinco espigas”, a dez anos num campo de trabalho forçado (gulag) ou mesmo à pena capital, normalmente executada no local. As conexões com o mundo urbano foram cortadas e os jornalistas proibidos de visitar o campo ucraniano. Aquele povo estava a morrer à fome, mesmo produzindo mais do que nunca.

Em apenas de um ano, morreram milhões de ucranianos (as estimativas variam entre os 4 milhões de mortos e os 12 milhões, que significavam, respectivamente, 12,5% e 37,5% da população total da Ucrânia) da forma mais lenta e desumana, de fome. Famílias inteiras arrasadas, crianças que nasceram sem vida, milhares de seres humanos deixados no chão ao abandono, corpos que nada mais eram do que a pele colada ao osso. Tudo por capricho, vaidade e vingança de Stalin, que, para mostrar que era o líder supremo e omnipotente da URSS, ordenou um dos maiores massacres humanos de que há memória. Nunca num tempo tão curto tanta gente foi morta por tão pouco. Este autêntico genocídio do povo ucraniano foi baptizado de “Holodomor”, que advém da expressão ucraniana “Морити голодом”, que significa “matar pela fome” e foi executado enquanto em grande parte do Ociente se louvava o suposto “milagre económico soviético”, como foi designado por Walter Duranty, conceituadíssimo jornalista do New York Times e prémio Pulitzer, que era, no entanto, negacionista do Holodomor e colaborador próximo de Stalin.

Enquanto 40 milhões de pessoas passavam fome e muitos deles acabavam mesmo por padecer, a URSS exportava trigo como nunca antes se vira, chegando aos 5.170.000 de toneladas (grande parte vinda da Ucrânia) vendidas ao estrangeiro. Fazia assim transparecer para o exterior uma imagem de vitalidade e progresso económico, enquanto a realidade interna era bem diferente. Em 1933, a produção ucraniana representou cerca de 32% do total soviético, sendo, de longe, a província mais fértil, próspera e rica de todo o território da URSS. Contudo, embora continuassem a exportar, os kolkhozes ucranianos não recebiam sequer uma ínfima parte do alimento que produziam. Mantinham-se, por ordem do governo, esfomeados e cada vez mais frágeis.

O pior do Homem veio ao de cima, não por maldade, mas por sobrevivência. Tudo era motivo para conseguir um pão. Denunciava-se a própria família, inventavam-se mentiras sobre os vizinhos, compactuava-se com os piores crimes do Exército. Por uma fatia de pão.

Pelos motivos aparentemente mais insignificantes, centenas, se não milhares de camponeses, foram expostos às maiores torturas e condenados às penas mais horríveis. Numa carta ao próprio Stalin, o oficial soviético Mikhail Cholokhov descreve a violência policial e do Exército Vermelho contra o povo ucraniano (“E eis alguns dos métodos empregados para obter essas 593 toneladas, das quais uma parte estava enterrada… desde 1918! O método do frio… Os kolkhozianos são despidos e postos ‘ao frio’, completamente nus, num celeiro. Muitas vezes, são bandos inteiros de kolkhozianos que são postos ‘ao frio’. O método do calor, em que os pés e as barras das saias das kolkhozianas são regados com gasolina e, em seguida, ateia-se fogo, que depois é apagado para começar de novo… No kolkhoz de Napolovski, um tal de Plotkin, ‘plenipotenciário’ do Comitê do Distrito, forçava os kolkhozianos interrogados a deitarem-se sobre um forno em brasa, depois ele os ‘esfriava’ trancando-os nus num celeiro… No kolkhoz de Lebiajenski, os kolkhozianos eram alinhados ao longo de um muro, e uma execução era simulada… Eu poderia multiplicar ao infinito esse tipo de exemplos. Não são ‘abusos’, mas o método usual de colecta do trigo…”). Stalin respondeu, cínico, que “os lavradores não são nenhumas ovelhinhas inocentes”.

A desgraça humana era total e a maldade chegou a níveis indescritíveis. Sem qualquer necessidade disso, um líder político ordenou a morte e a fome do seu próprio povo. O pior do Homem veio ao de cima, não por maldade, mas por sobrevivência. Tudo era motivo para conseguir um pão. Denunciava-se a própria família, inventavam-se mentiras sobre os vizinhos, compactuava-se com os piores crimes do Exército. Por uma fatia de pão. O Holodomor trouxe também consigo a horrenda realidade do canibalismo. Cantavam tristes as crianças ucranianas no Inverno de 1932-33: “Fome e frio estão nas nossas casas/ Nada que comer, nenhum lugar para dormir/ E o nosso vizinho perdeu a sua razão e comeu os seus filhos”.

Na verdade, milhares de famílias, com um dos membros mortos pela fome, eram obrigadas, para não seguirem o mesmo destino, a comê-lo. Numa entrevista que deu na década de 1990, uma vítima da grande fome ucraniana contou a sua duríssima experiência, quando criança: “Um dia, a filha de uma vizinha da nossa aldeia desapareceu. Todos fomos procurá-la, mas não estava em lado nenhum. Na mesma tarde, entrámos na casa de uma camponesa e deparámo-nos com a criança procurada. A cabeça estava em cima de uma mesa e o corpo a assar, para servir de alimento”.

Como esta, houve centenas de histórias e quantidades incontáveis de crianças foram raptadas para servirem de alimento. Uma das alternativas encontradas ao trigo foi o pirojki, um patê feito com fígado humano. Mas a maldade não fica por aqui. Também em condições muito difíceis, os agentes da NKVD (polícia secreta do regime soviético) recebiam 200 gramas de pão por cada corpo que encontrassem. Os corpos eram enterrados em valas comuns, muitas vezes ainda vivos. A propósito desta realidade, um ucraniano que viveu este terror descreve que “a maioria morria lentamente, em casa (…) Os militares entravam nas casas e perguntavam: “Onde estão os seus mortos?”. Uma vez, havia apenas uma mulher moribunda deitada na cama. Eles disseram: “Vamos levá-la, ela vai morrer de qualquer forma”. Ela implorava: “Não me enterrem, que eu ainda estou viva! Eu quero viver!”. Os guardas insistiram: Para quê vir amanhã por ela? Vai morrer de qualquer forma!”. Levaram-na e enterraram-na viva”.

Honestamente, a única diferença entre a planície ucraniana nos anos de 1932 e 1933 e o Inferno é que, em vez de chamas, ali havia quilómetros intermináveis de neve e temperaturas na ordem dos 30°C negativos. Enquanto as valas comuns se enchiam de corpos quase sem carne e completamente desprovidos da sua dignidade, o trigo de que o povo ucraniano era privado enchia os cofres da URSS, batendo os recordes de exportação para a Europa e para o mundo ocidental. Muitos se esforçaram para descredibilizar aqueles que, como Gareth Jones e Malcom Muggeridge, denunciaram os horrores da fome ucraniana e só na década de 1980 é que investigações sérias começaram a ser conduzidas e relatórios produzidos.
Estas vítimas não tiveram direito a funerais nem a lápides bonitas. Não tiveram direito a ser reconhecidas pelos seus nomes, não tiveram direito a memoriais e praticamente não são referidas nos livros de História. Mas estas vítimas são como, vós, caríssimo leitor. São como eu, são como nós. Estas vítimas eram milhões de seres humanos (mulheres, crianças e homens adultos), inocentes, condenados a morrer da forma mais cruel e morosa, condenados a serem apagados do mapa e da História. Em apenas um ano, milhões de ucranianos foram exterminados, por puro sadismo e vingança de um líder e de um governo que devia ter como única missão defendê-los e às suas vidas. Esquecer o Holodomor ou ficar-lhe indiferente, tal como esquecer o Holocausto, é demitirmo-nos da nossa humanidade, é aceitar que, em última instância, nada mais somos como raça e como espécie do que instrumentos à mercê de alguns facínoras que se outorgam o direito divino de definir o bem e o mal, quem vive e quem morre. E isto, nunca! Ser-se humano, livre e capaz de amar verdadeiramente, é a maior graça que podemos ter e receber. Não a entreguemos de mão beijada àqueles que apenas a querem aniquilar.

Este texto é, assim, dedicado aos milhões incontáveis de mortos provocados por este genocídio absolutamente impiedoso. A eles, todo o meu respeito e homenagem. E se umas breves palavras de um jovem desconhecido nada podem fazer para evitar a tragédia que aconteceu, têm, no entanto, o poder de lembrar o pior a que o Homem pode chegar, nunca esquecendo que cabe a cada um de nós, cidadãos do mundo e seres humanos, impedir que tal se repita.

O autor não escreve em conformidade com as regras do novo Acordo Ortográfico.

segunda-feira, junho 01, 2020

Morte em Lisboa: ucraniano espancado até a morte pelas autoridades de migração

Imagem e parte do texto @Facebook Ricardo Sá
A situação nos Estados Unidos faz lembrar o que aconteceu em Portugal no dia 12 de março de 2020. Os polícias do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) espancaram, até à morte, um imigrante ucraniano no Aeroporto de Lisboa.

Ihor Homeniuk sofria de convulsões mas isso não impediu os inspetores Duarte Laja, Bruno Sousa e Luís Silva, de o algemarem a uma cadeira e o espancarem com murros, pontapés e um bastão durante 20 minutos. Ao saírem da sala disseram "agora está mais calmo" e "hoje já não preciso de ir ao ginásio". Poucas horas depois Ihor morreu. O SEF tentou limpar as mãos declarando que o corpo tinha sido encontrado na rua. No Instituto Nacional de Medicina Legal, na ficha do registo de entrada foi escrito que o cadáver “era proveniente da via pública”. A ficha foi preenchida pelo inspetor do SEF Ricardo Girante. Só a autópsia levantou a suspeita de homicídio. Devido à pandemia Covid-19 os 3 polícias ficaram em prisão domiciliaria e não existiram manifestações de revolta.

Num país europeu, de forma extremamente violenta, às mãos das autoridades foi brutalmente assassinado um ucraniano. Mas quem é que quer saber disso?

#justiçaparaIhorHomeniuk

Ler mais: https://www.sabado.pt/portugal/detalhe/morte-no-aeroporto-agora-ele-esta-sossegado-disse-inspetor-do-sef

quarta-feira, maio 13, 2020

Leituras: "Meia-Noite em Chernobyl" de Adam Higginbotham

O dia 26 de abril de 1986 foi um ponto de viragem na História. O acidente em Chornobyl não mudou apenas a nossa perceção da energia nuclear, mas também o conhecimento da delicada ecologia do planeta. Chornobyl foi igualmente importante na destruição da URSS.

por: Nuno Coelho, in Ministério dos Livros

O dia 26 de abril de 1986 foi um ponto de viragem na História. O acidente em Chornobyl não mudou apenas a nossa perceção da energia nuclear, mas também o conhecimento da delicada ecologia do planeta. Chornobyl foi igualmente importante na destruição da URSS e, como tal, na vitória dos Estados Unidos na Guerra Fria. Para Moscovo, foi um desastre político e financeiro – provocando a bancarrota de uma economia já vacilante -, mas também ambiental e científico.

Esta é a história nunca contada dos eventos que começaram no centro de controlo do reator 4 da central nuclear de Chornobyl. Depois de centenas de entrevistas, consultas de cartas, memórias inéditas e documentos só agora tornados públicos, Adam Higginbotham revela-nos os acontecimentos dramáticos daquela noite através dos olhos dos homens e mulheres que os testemunharam em primeira mão e que enfrentaram um inimigo aterrador e invisível.

“Meia-Noite em Chornobyl”, uma obra amplamente premiada e que inspirou a série de sucesso da HBO, mostra-nos não só as dificuldades épicas de um império a morrer, mas também o heroísmo individual e desesperado num momento transformador da História.

sexta-feira, maio 08, 2020

Ucrânia recorda solenemente o 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa

Em 8 de maio, no 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, o Congresso Mundial dos Ucranianos (CMU/UWC), juntamente com a comunidade internacional, recorda solenemente a memória de milhões de vítimas e oferece eterno agradecimento à todos aqueles que deram as suas vidas em defesa do mundo livre.

A Segunda Guerra Mundial, iniciada em 1939 com a invasão e divisão nazi-soviética da Polónia, tornou-se a guerra mais violenta da história da Humanidade. Seu preço é incalculável: mais de 8 milhões de vidas foram perdidas apenas na Ucrânia, mais de 2 milhões de ucranianos foram lavados aos trabalhos forçados. Hoje prestamos homenagem aos milhões de ucranianos que lutaram de forma brava na Segunda Guerra Mundial, incluindo mais de 250.000 ucranianos e ucranianas que serviram nas forças armadas aliadas da Polónia, França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Canadá. Estamos em dívida eterna para com eles.

Sobrevivendo entre os dois impérios totalitários e mortais de Hitler e de Estaline, o povo ucraniano lutou corajosamente contra os dois regimes de ocupação. O fim da Segunda Guerra Mundial não trouxe paz e liberdade à Ucrânia. Em vez disso, a União Soviética estalinista novamente trouxe a opressão e tirania à Ucrânia e aos muitos outros povos escravizados da Europa Central e Oriental. Por mais de quatro décadas, Ucrânia foi forçada a continuar a sua luta contra o regime soviético, que privou o povo ucraniano do direito fundamental à uma vida livre.

Hoje, o povo da Ucrânia é novamente forçado a lutar por sua terra e liberdade, enquanto a Rússia tenta subjugar Ucrânia ao seu poder imperial. A Rússia, a atual agressora, está tentando usar os símbolos da Segunda Guerra Mundial para justificar e glorificar a ocupação da Crimeia e invasão do leste da Ucrânia. Por meio de campanhas de propaganda estatal, tais como o dito “regimento imortal”, a Rússia está tentando apresentar o totalitarismo soviético de uma forma positiva, branqueando os horríveis crimes do comunismo soviético e criar um culto da suposta vitória estalinista soviética da Segunda Guerra Mundial, usando este tipo de propaganda para justificar a guerra de ocupação da região ucraniana de Donbas.

“Homenageando as milhões de vítimas da Segunda Guerra Mundial e à memória daqueles que lutaram pelo mundo livre, o CMU/UWC exorta a comunidade internacional de aprender com as lições da história. Não devemos tentar apaziguar um tirano moderno que está tentando reconstruir o império russo”, afirmou Pavlo Grod, presidente do CMU/UWC. – “No decorrer dos eventos solenes, os ucranianos, juntamente com outros povos da Europa Oriental e dos Países Bálticos, vão recordar o legado sangrento de Estaline e os diversos crimes da União Soviética, verdadeira cadeia dos povos, outrora escravizados”.

terça-feira, maio 05, 2020

O padre ucraniano que salvava os judeus no Holocausto

Metropolita Andrey Sheptytsky em 1921, foto: Wikipedia
Metropolita Andrey Sheptytsky liderou a Igreja Greco-Católica Ucraniana na época da II G.M. As novas informações sobre Sheptytsky oferecem aos ucranianos uma nova chance de honrar a sua vida e obra.

Os arquivos de papa Pius/Pio XII [o líder da igreja católica durante os anos da Segunda Guerra Mundial] no Vaticano, que foram abertos recentemente permitiram aos pesquisadores alemães descobrir mais evidências de que Pio estava muito ciente do genocídio dos judeus e tomou pouca ou nenhuma ação contra ele.

Mas os arquivos também lançaram uma nova luz sobre uma figura menos conhecida, mas crucial na história: Andrey Sheptytsky, que liderava a Igreja Greco-Católica da Ucrânia na mesma época.

Alguns há muito tempo pedem que Sheptytsky se torne um Justo Entre as Nações, o título de Israel para não-judeus que arriscaram suas vidas para salvar judeus do Holocausto. Mas Yad Vashem, memorial do Holocausto de Israel, resistiu a isso. As novas informações sobre Sheptytsky oferecem a seus simpatizantes uma nova chance de honrar seu recorde histórico.

O fundo

Sheptytsky e seu irmão, Klymentiy, que foi reconhecido como justo, abrigaram mais de cem judeus em mosteiros e organizaram grupos que os ajudaram a se esconder, de acordo com vários historiadores, incluindo o historiador de Yale Timothy Snyder. Andrey Sheptytsky também protestou publicamente o assassinato de judeus e denunciou seus próprios congregantes por participarem da violência.

Nascido em uma nobre família polaca/polonesa na Ucrânia em 1865, Andrey Sheptytsky se juntou ao clero, apesar da oposição de seu pai. Klymentiy, quatro anos mais novo que Andrey, seguiu os passos do irmão mais velho. Andrey falava hebraico fluentemente e era doador regular de causas judaicas na área de Lviv, onde morava. [...]

As novas evidências

Nos arquivos do Vaticano, os pesquisadores da Universidade de Munster descobriram que Sheptytsky escreveu ao papa uma carta que falava de 200.000 judeus massacrados na Ucrânia sob a ocupação alemã “diabólica”.

Escrever essa carta, cujo conteúdo completo ainda não foi publicado, constituiu um crime capital sob a ocupação nazista e, portanto, pode ser visto como uma nova evidência de que o Sheptytsky arriscou sua vida para salvar judeus.

O Secretário de Estado do Vaticano, Angelo Dell'Acqua, que mais tarde se tornou cardeal, alertou em um memorando na época para desacreditar um relatório da Agência Judaica sobre o Holocausto porque os judeus “exageram facilmente”. Ele também descartou o relato de Sheptytsky, dizendo que “os orientais não são realmente um exemplo de honestidade”, revelou a pesquisa alemã.[...]

Especialistas estão “monitorando as notícias que saem do Vaticano”, disse um porta-voz do Yad Vashem: “Esperamos que, uma vez terminada a crise da saúde, possamos retomar o trabalho regular e examinar esses documentos em primeira mão”, disse o porta-voz. “Naquela época, os historiadores terão uma melhor compreensão de todas as suas implicações”.

Ler o texto integral em inglês.

sábado, fevereiro 15, 2020

A ocupação russa da Crimeia no cinema

Os filmes ucranianos, “Crimeia, tal como foi” (Crimeia, as it was) e «Cherkasy» contam, cada um à sua maneira, o decorrer da ocupação e anexação da Crimeia pela Rússia em 2014.

O estúdio ucraniano «Babilon13» colocou a versão integral do seu filme documental, legendado em inglês no domínio público de YouTube (2.06´01´´):

O filme ganhou o Festival Internacional de Cinema de Rivne “Dreams city”, como melhor filme documentário. Foi exibido na Bélgica, Polónia, Israel, Alemanha, Canada, Espanha, Lituânia e Portugal. Na Ucrânia foi exibido nos cinemas em 2016.

Bónus
No dia 27 de fevereiro de 2020 na Ucrânia será estreado o filme «Cherkasy», baseado na história verídica do caça-minas homónimo da armada ucraniana do Mar Negro, cuja tripulação, resistiu, até onde poder, a ocupação russa da península ucraniana da Crimeia:

segunda-feira, fevereiro 10, 2020

quinta-feira, fevereiro 06, 2020

Sobrevivendo os horrores do cativeiro russo-separatista do leste da Ucrânia

A fotógrafa Zoya Shu, registou fotos de ucranianos que foram capturados nos territórios de Donetsk e Luhansk, controlados pela Rússia. Suas fotografias testemunham os horrores infligidos às pessoas comuns pelos grupos terroristas dnr / lnr” controlados pelo Kremlin.
Dmytro Kluger é um judeu ucraniano e ex-morador de Donetsk. Ele era civil quando foi capturado. Em cativeiro, tentou cometer suicídio para evitar denunciar os voluntários ucranianos sob tortura repetida. Foto: Zoya Shu
Shu não apenas tira fotos dessas pessoas, mas também conta suas histórias na sua página WEB, que é constantemente atualizada. A última troca de prisioneiros entre Ucrânia e os separatistas de Donetsk e Luhansk ocorreu em 29 de dezembro de 2019, então a fotógrafa está atualmente negociando sessões de fotos com os prisioneiros que voltaram recentemente para casa.
Volodymyr Zhemchuhov passou um ano em cativeiro separatista antes de ser libertado numa troca de prisioneiros. Ele usa a Ordem da Estrela Dourada na sua jaqueta. Ele perdeu as duas mãos numa explosão de uma mina e foi capturado pelos separatistas apoiados pela Rússia. Foto: Zoya Shu
Entre os heróis do projeto fotográfico chamado Depois do cativeiro, existem vários prisioneiros conhecidos, o artista Serhiy Zakharov, que desenhou caricaturas dos líderes proxy russos e os pendurou nas ruas de Donetsk, e Volodymyr Zhemchuhov, que perdeu sua visão e ambas as mãos quando ele pisou em uma mina terrestre durante uma missão de combate e depois foi capturado por mercenários russos. Além disso, Shu conta as histórias de pessoas comuns que foram mantidas prisioneiras por várias horas ou dias. Essas pessoas não foram oficialmente trocadas, mas muitas vezes foram libertadas graças a uma feliz coincidência, relações interpessoais, pagamento do resgate, etc. Todas elas foram forçadas a lidar sozinhas com as memórias e as provações de seu cativeiro.
Tetiana Borysenko segura a bandeira ucraniana, que secretamente conseguiu esconder dos separatistas liderados pela Rússia durante o seu cativeiro. Carrega as assinaturas de 12 pessoas, com quem ela foi presa. Borysenko foi voluntária médica no Batalhão Aydar e foi capturada em setembro de 2015. Foto: Zoya Shu
Ler mais em inglês
Bohdan, ex-residente civil de Donetsk demonstra uma suástica, feita pelos separatistas nas costas durante seu cativeiro de 10 horas em 24 de maio de 2014, depois que ele foi levado por homens armados de seu local de trabalho. Eles também arrancaram suas duas unhas, que mais tarde cresceram naturalmente. Bohdan recorda os seus atormentadores discutindo que ele não deveria ser deixado vivo após disso, a fim de não deixar que suas ações fossem vistos aos olhos do público. A maioria das pessoas que foi alvo de torturas físicas severas não foi deixada viva após o cativeiro separatista. Foto: Zoya Shu

segunda-feira, fevereiro 03, 2020

Oficiais do FSB são abatidos numa emboscada na Síria

No dia 1 de fevereiro de 2020, nos arredores da cidade de Aleppo, em resultado do fogo de morteiro, os 4 (ou mesmo 5) oficiais do Centro das Operações Especiais (TsSN) do FSB foram mortos num único ataque dos militantes.

Em termos do tempo, a Rússia do Putin já está na Síria metade do tempo que União Soviética esteve no Afeganistão. É verdade que a URSS não compartilhou o controlo/e do Afeganistão com parceiros e ocupou, o seu território principal, em questão de semanas. Também é verdade que URSS chegou a concentrar no Afeganistão até 100.000 militares. Então, o melhor da Síria ainda está por vir.

Os oficiais do FSB não estavam monitorar a situação e tradicionalmente não contatavam o exército. Visitavam uma vila, ocupada pelos mujahideen, e foram alvo de um míssil antitanque lançado pelos militantes. Três oficiais morreram imediatamente, um ainda antes de chegar ao hospital e a quinta morte está por confirmar, escreve o blogueiro militarista russo el-murid.

Numa das publicações da Internet russa se afirma que primeiro, um militante do grupo Tahrir al-Sham explodiu um carro armadilhado junto às posições das forças armadas do regime sírio, logo depois os militantes começaram a bombardear as posições do regime do Damasco com mísseis ATGM e morteiros. Os militares do regime sírio abandonaram as suas posições, deixando por traz os comandos russos. Único morto cuja imagem e nome são conhecidos é o capitão do FSB Dmitry Minov.
No canal do conhecido terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin se informa, que os oficiais do FSB levaram um “tiro de controlo” na cara e/ou na nuca, as suas armas, munições e uma parte dos equipamentos desapareceram do local da emboscada.

sábado, janeiro 25, 2020

Kyiv vista à partir de um drone

Um lindo vídeo, mostrando as melhores atrações turísticas de Kyiv à partir de um drone.