domingo, agosto 25, 2019

A Marcha dos Defensores da Ucrânia: Kyiv, 24.08.2019

O novo presidente da Ucrânia prescindiu da tradicional parada militar do Dia de Independência da Ucrânia, substituindo-o por um show musical. Em resposta, os militares, veteranos, voluntários organizaram a Marcha dos Defensores da Ucrânia, uma verdadeira parada daqueles que defenderam e defendem a independência da Ucrânia.

Logo no início da coluna marcharam as crianças com os retratos dos pais que deram as suas vidas pela liberdade, soberania e Independência da Ucrânia...
A marcha em Kyiv vista pela imprensa americana
"Caixinha" que representava a cidade de Kyiv
No momento mais difícil para Ucrânia, essas pessoas vieram em sua defesa. O que aconteceu em Kyiv foi indescritivelmente belo. Aqueles que participaram em marcha  combatentes, veteranos, voluntários, médicos, capelães. E aqueles que vieram para lhes agradecer e os apoiar – todos eram maravilhosos!
Região de Donetsk
Região de Rivne
Região de Luhansk com a bandeira do batalhão "Aydar" 
Os participantes vieram de todos os cantos da Ucrânia, desde Donbas livre ao Lviv, vieram por sua própria conta, para uma ação organizada pela sociedade civil ucraniana. Na marcha participaram mais de 15.000 pessoas, apoiados por mais de 100.000 ucranianos (polícia de Kyiv confirma oficialmente cerca de 50.000 pessoas).
A marcha começou em frente da Universidade Taras Shevchenko e depois se dirigiu pelo boulevard Shevchenko através da avenida Khreschetyk até a praça de Independência de Kyiv (Maydan).

Tocava o hino da Ucrânia e várias outras lindas canções nacionais,  populares e militares.

Glória à Ucrânia!
Glória aos Heróis!
Morte aos inimigos!
Ucrânia acima de tudo!

A organização do evento foi impressionante – sem orçamento oficial, sem participação do Estado – zero restrições e proibições, zero conflitos, com a presença mínima de polícia e com a simpatia absoluta – absolutamente lindo.
É óbvio que a Marcha dos Defensores da Ucrânia à partir de hoje tornou-se o principal evento do Dia da Independência por muitos anos.
Os capelães das Forças Armadas da Ucrânia

Ver vídeo de um momento da marcha:

28 anos de Independência da Ucrânia: desafios de hoje

Ucrânia celebrou ontem o seu 28º aniversário de Independência do Estado, conseguindo alcançar um desejo inabalável de liberdade, unidade espiritual e crença em uma vitória comum.

Apesar da agressão militar russa, as reformas ucranianas (sociais, políticas, económicas) são uma escolha consciente do povo ucraniano. Ucrânia hoje é um estado moderno com instituições funcionais e uma economia sustentável. Os ucranianos entendem que as reformas bem-sucedidas são chaves do futuro do país na Europa e na União Europeia. Neste aspeto até mesmo a agressão russa – não é um obstáculo para alcançar os objetivos, Ucrânia é um parceiro previsível e responsável na implementação de reformas e projetos conjuntos.

Após quatro anos da agressão e da guerra híbrida russa, Rússia continua ser uma ameaça não apenas à Ucrânia, mas à toda Europa Ocidental. Neste contexto Ucrânia luta e defende não apenas a sua própria independência e soberania nacional, mas também a liberdade e segurança de toda a Europa. Fechar olhos à agressão russa e convidar o país-agressor à retornar ao grupo G7 é esperar pela Rússia nas suas próprias fronteiras. Para parar agressão russa é necessário agir: apoiar Ucrânia; aplicar novas sanções ao Kremlin, manter e aprofundar as sanções antigas, etc.

Ucrânia não surgiu de nada após o colapso da União Soviética em 1991. Já em 1710 o país produziu um dos primeiros projetos da Constituição na Europa Central (Constituição do Pylyp Orlyk). Por isso a cooperação entre Ucrânia e Europa não é apenas uma escolha política, mas é uma escolha civilizacional, baseada na história e nos valores comuns.

Uma das maiores riquezas e orgulhos da Ucrânia é o seu povo, à viver na Ucrânia continental e na Diáspora. Cerca de 65 milhões de ucranianos em todo o mundo são um só povo, cujo principal valor é a liberdade.
Bósnia e Herzegovina, Sarajevo, 28/08/2019, foto: Oleksandr Fomenko
Celebrando o 28º aniversário da Independência da Ucrânia, importa dizer ao mundo que ucranianos, alguns dos quais, devido várias circunstâncias, conseguiram se vingar fora de sua pátria, dedicaram essas conquistas ao seu país de origem, permaneceram e permanecem como filhos e filhas fiéis da pátria dos seus antepassados.

Os ucranianos participaram ativamente da conquista do Espaço e no avanço tecnológico mundial (Sergei Korolev), estabelecendo recordes desportivos e criando obras-primas da cultura mundial (Hector Babenco).
Sergei Korolev: o prisioneiro do GULAG № 1442
Hoje, Ucrânia, que está experimentando mudanças rápidas sem precedentes em tempos difíceis e desafiadores em todo o mundo, orgulha-se de seu povo trabalhador, talentoso, dedicado e construindo um estado moderno onde todos são do mais alto valor.

sexta-feira, agosto 23, 2019

A história da Bandeira Nacional da Ucrânia

No dia 23 de agosto Ucrânia celebra o Dia da Bandeira Nacional. Hoje seguiremos a estória da bandeira ucraniana através dos séculos e séculos da história.

Não está muito claro, quando exatamente, o brasão de armas com um leão dourado escalando em um campo azul-celeste se fortaleceu no Principado da Galiza-Volyn. Mais provavelmente foi no século XIII. Desde que o emblema era azul e amarela, significa que as bandeiras também eram. Em todo caso, na batalha de Grunwald em 1410, os combatentes de Lviv já estavam lutando precisamente sob essas bandeiras. Desde então, o leão dourado em um campo azul, não desapareceu da Galícia ucraniana, não importando as bandeiras e emblemas que os governantes reinantes tentavam à impor. E eles, claro, imponham.

Os ucranianos tem uma bandeira de verão. É brilhante, bonita, parece um campo de trigo sob um céu azul profundo. Talvez seja por isso que todas as datas precisamente conhecidas de sua história são datas de verão.
Tamanho da bandeira não importa, apenas pessoas e significados...
Durante a Revolução dos Povos de 1848-49 no Império Austríaco, foi sob a bandeira azul-amarela que marchavam os manifestantes ucranianos. Bandeira era nova para eles – como, alias, as próprias revoluções. Outra coisa é o brasão familiar com um leão escalando. Mas a bandeira criou raízes quase instantaneamente. Foi com essa bandeira que os ucranianos foram às barricadas e foi essa bandeira azul-amarela que foi pendurada sobre a Prefeitura de Lviv no início da manhã de 25 de junho de 1848. Na mente dos ucranianos ocidentais, a bandeira se enraizou rapidamente, e as partes central, sul e leste de nosso país estavam esperando. Não tiveram de esperar muito tempo: até uma próxima revolução.

Já durante a revolução russa de 1905, as bandeiras azul-amarelas apareceram do outro lado do rio Dnipro. O grão caiu no solo sedento. Apenas doze anos depois, durante os eventos de 1917, a bandeira azul-amarela já nem sequer era discutida. Por qualquer pessoa. Simplesmente existia.

Em Kyiv (Kiev). Em Odessa. Em Lviv. Em Kharkiv. Em Vladivostok. Na Crimeia.
Em todos os lugares onde havia ucranianos.
ex-POW ucraniano Hennadii Afanasiev, Crimea, Simferopol, 2014
Então, depois, quando os ucranianos foram afogados em sangue vermelho, as bandeiras também ficaram vermelhas. As vezes – com martelo e foice, as vezes – com uma suástica. Mas onde quer que Ucrânia tenha sobrevivido, também se manifestava a bandeira azul e amarela. Na Transcarpatia em 1938. A luta de OUN e UPA. Nos dissidentes e na resistência. Em Kyiv em 1966, em Dnipropetrovsk em 1967. Em Montreal, no Canadá, durante as Olimpíadas. Entre os ucranianos no Exército dos EUA na Coreia e no Vietname, e depois na Croácia (já sem os Estados Unidos). Em muitos e muitos lugares.
Norte-americano e ucraniano étnico – Bohdan Kopystyansky, tenente da 101ª Divisão aerotransportada
dos EUA no Vietname, 1969
Ucrânia estava onde decorria a luta.
Algures na OAT by franco-ucraniano Youry Bilak
Em 24 de julho de 1990, a bandeira azul-amarela foi hasteada junto ao edifício do Conselho Municipal de Kyiv (ler mais). Há uma placa comemorativa, dê uma olhada quando você estiver na avenida Khreshchatyk. Em 23 de agosto de 1991, a bandeira azul-amarela foi introduzida no Parlamento (Rada) da Ucrânia ainda soviética. Ainda está lá.
Inna Ohnivets, embaixadora da Ucrânia em Portugal, Lisboa, 23/08/2019
Azul-amarelo – através dos séculos. Agora e para sempre, enquanto pelo menos um ucraniano esteja vivo.

quarta-feira, agosto 21, 2019

Chornobyl: o desastre nuclear aos olhos do Politburo, do KGB e da CIA – 1ª parte

Documentos desclassificados detalham reações de alto nível, encobrimentos e críticas. Fontes incluem notas do Politburo, diários, protocolos nunca antes traduzidos ao inglês. Livro de Instruções Eletrónicas do Arquivo de Segurança Nacional (EUA) № 681.

Documentos dos escalões mais altos da União Soviética, incluindo notas, protocolos e diários das sessões do Politburo logo após o desastre nuclear de Chornobyl, em 1986, detalham uma sequência de encobrimentos, revelações, choques, mobilização, bravura individual e batalhas burocráticas da reação soviética, de acordo com o e-book “Top Secret Chernobyl” publicado pelo National Security Archive.

As principais fontes incluem protocolos do Grupo Operacional do Politburo sobre Chornobyl que foram publicados em russo pelo jornalista e ex-deputada do Soviete Supremo da URSS Alla Yaroshinskaya em 1992. A postagem começa com o ensaio de Yaroshinskaya (escrito exclusivamente para esta publicação) revendo a história de Chornobyl e os seus próprios esforços que datam de 1986 para documentar e expor as mentiras e o sigilo que cercou o desastre.

Também estão incluídos trechos do diário do membro do Politburo Vitaly Vorotnikov, notas sobre as sessões do Politburo por Anatoly Chernyaev, e trechos de raras “cópias oficiais de trabalho” das sessões do Politburo publicadas em russo pelo ex-diretor RosArchiv (Arquivo russo) Rudolf Pikhoia em 2000. A publicação também contém reações desclassificadas do departamento de inteligência do Departamento de Estado dos EUA, da CIA e do Jack Matlock do Conselho de Segurança Nacional, além de relatos do KGB da Ucrânia Soviética.

Consultar o arquivo.