sexta-feira, junho 07, 2019

Realismo socialista: entre sobrevivência e oportunismo político

https://vakin.livejournal.com/2445729.html
A arte na URSS era censurada e servil. Para sobreviver, os artistas, precisavam desenvolver o sexto sentido muito aguçado, acompanhando, e muito rapidamente, as tendências ideológicas do partido, para se “inclinar”, mas apenas segundo a mais recente orientação partidária. A realidade quotidiana da ditadura comunista.

Ano 1885, na região de Moscovo decorreu a famosa “greve de Morozov”, na fábrica do industrial capitalista Morozov, na cidade de Orekhovo-Zuyevo. Na URSS, que se declarava como “estado de operários e camponeses”, este evento histórico foi fortemente promovido. Abaixo temos dois quadros, ambos da época estalinista, dedicados ao mesmo evento. Sintam a diferença!

Georgi Savitsky. “Reunião dos operários antes da greve de Morozov”.
Reunião muito normal. Garrafão de vodca, copos. O homem à mesa à direita (com o punho cerrado) é o líder, sugere um plano, todos o escutam. O camarada atrás dele (último à direita) toma a sua branquinha. O velhote à esquerda (de camisa vermelha) está sentado com a expressão facial: “Mas que grande cagada!”

O segundo quadro.

Ivan Vladimirov. “Os tecelões de Morozov discutem as exigências na véspera da greve (1885)”.
A composição, em geral, é a mesma – o líder com a lista, os operários. Mas na mesa aparece apenas o chá! A luta de classes é uma luta contra os capitalistas e não conta com a vodca.

Os quadros do Alexander Deineka, o clássico do realismo socialista.

Aleksendr Deineka. “A Ducha”, 1937.
A ideia era mostrar os desportistas soviéticos após a competição – um está sentado, outros à tomar banho. Depois, o próprio artista cortou o homem à direita e ao quadro que restou deu um outro nome.

Aleksendr Deineka. “Após a Batalha”, 1944.
Ou seja, já não são desportistas soviéticos, são militares, 1944. Tomam a ducha quentinha com todas as comodidades após um combate vitorioso contra os nazis. A vida na linha da frente era assim mesmo (podem crer, amiguinhos socialistas)!

Outros pintores dedicavam os seus olhares às mulheres soviéticas, como realista socialista de Leninegrado, Aleksandr Samohvalov.

Aleksandr Samohvalov. “Operária de construção do metro com a broca”, 1937.
O quadro mostra um martelo pneumático e não a broca, mas o realismo socialista não fica agarrado aos pormenores burgueses.

Aleksandr Samohvalov. “Operária de construção do metro à carregar os ferros de armação”, 1932.

Aleksandr Samohvalov. “Mulher (operária) com a lima”, 1929.
O mesmo autor pintou as mulheres com outras ferramentas indispensáveis na construção do socialismo real: pá, guincho, betoneira, toda a gama de igualdade de género na União Soviética.

Um elemento importante do realismo socialista são retratos dos queridos líderes. Coisa bem gratificante (para o artista), mas é necessário ter um faro político muito aguçado, principalmente durante a era estalinista.

Konstantin Iuon. “Primeiro aparecimento do V. I. Lenine na reunião do Soviete no [palácio de] Smolny em 25 de outubro de 1917", 1927.
É o momento chave do golpe bolchevique de 1917, Lenine proclama o poder soviético. Atrás do Lenine os seus camaradas de luta. Em cima (da direita para esquerda) – Antonov-Ovseenko; Kamenev (com pince-nez/pincenê); o 4º à direita é Estaline/Stalin, feliz – ele bate as palmas; ao seu lado está Trotsky, com a barbicha típica; mais à esquerda, Rykov, se dobra para melhor ver Lenine. Praticamente os principais inimigos do povo todos juntos. Kamenev é esquerdista (fuzilado juntamente com a esposa), Rykov é direitista (também fuzilado e também juntamente com a esposa), Antonov-Ovseenko é trotskista e espião (fuzilado, ele e a esposa), Trotsky – todos sabem, assassinado pelo agente do NKVD com a picareta na cabeça no México.

O público da primeira linha, à escutar Lenine:
Após acabar com os trotskistas e com o povo (parcialmente), o artista achou, que se calhar, é melhor mudar a disposição:

Konstantin Iuon. “Discurso do V. I. Lenine em Smolny”, 1935.
Em apenas 8 anos mudou tudo! Dos camaradas fundadores no panteão comunista sobreviveram apenas 4 pessoas (da direita à esquerda): Molotov, Uritsky, Dzerzhinsky e Estaline/Stalin. Povo também foi corrigido – ficaram faces absolutamente russas. Até Lenine mudou um pouco, testa ficou mais alta, o corpo mais forte, tinha ido ao ginásio? O artista ganhou o Prémio Estaline/Stalin da 1ª categoria de literatura e artes de 1947.

A década estalinista era marcada pela presença, omnipresente, dos espiões (que, nota-se, nunca eram alemães)!

S. Svetlov. “Os pioneiros capturaram um espião britânico”, 1939.
Ou então:

M. Antonov. “Desmascaramento do inimigo do povo na unidade fabril”, 1938.

Apreciem os pormenores das faces!

N. Chebatkov. “Pavlik Morozov”, 1959 (o jovem que denunciou o próprio pai, o enviando ao GULAG e que foi assassinado pelos seus familiares).

Mas algum tempo depois, o próprio partido, saneou o camarada Estaline/Stalin, o principal lutador contra os inimigos do povo. E os camaradas artistas arregaçaram as mangas.

Vyacheslav Mariupolskiy. “A Guia dos Pioneiros”, 1949.

Vyacheslav Mariupolskiy. “A Guia dos Pioneiros”, fim da década de 1950.
O querido líder mudou. Mesmo o olhar da moça se humanizou...

Sergey Grigoryev. “Adesão ao Komsomol”, 1949.

O pessoal da juventude comunista Komsomol recebe uma nova camarada nas suas fileiras. Fazem perguntas politicamente motivadas e esperam as respostas politicamente certas. Atrás está sentado o camarada comunista, vestido à militar. Atrás dele – o querido líder Estaline/Stalin, em forma de uma pedra monumental.

Sergey Grigoryev. “Adesão ao Komsomol”, 1958.
Tudo ficou igual, apenas o querido líder foi saneado.

O artista Geliy Korzhev, um dos proeminentes representantes do realismo socialista.

Geliy Korzhev. “Aquele que levanta a bandeira”, 1963.
A parte central do tríptico chamado “Comunistas”.

O artista morreu em 2012, viu a queda da URSS em 1991, quando a bandeira vermelha caiu e foi colocada no caixote de lixo da história.

Geliy Korzhev. “Lixeira”, 2007.

Os dois últimos quadros, dado que foram pintados pelo mesmo autor (mas com a diferença de 47 anos), vale à pena ver lado ao lado. Ano 1963 (à esquerda) e ano 2007 (à direita).


quinta-feira, junho 06, 2019

Como Hitler e Estaline dividiam a Europa


https://maxim-nm.livejournal.com/509305.html
Pela primeira vez na história, a federação russa publicou os originais do “Pacto de não-agressão” entre Alemanha nazi e URSS comunista — antes, os historiadores tinham acesso apenas às cópias alemãs dos mesmos documentos.

O Departamento Histórico-documental do Ministérios dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores da federação russa divulgou os originais russos do Pacto de não-agressão e da famosa adenda secreta — na base da qual Hitler e Estaline/Stalin dividiam a Europa. Os documentos provam, sem margem da dúvida que URSS não entrou na II G.M. em 1941 como vítima, mas foi em 1939 — como agressor e aliado do Hitler — atacando Finlândia e Polónia. Depois, para apagar este fa(c)to foi inventado o termo soviético de “Grande Guerra Patriótica” [a guerra nazi-soviética de 1941-45] — cujo objetivo era provar a “inocência” da União Soviética face ao ataque do Hitler.

O Pacto possui sete artigos. As partes prometem de se abster de quaisquer a(t)os de violência recíproca, o Art. № 3 sublinha — “Os governos de ambas as partes pactuantes permanecerão, no futuro, em contato, entre si, para a consulta, a fim de informar, mutuamente sobre questões que afetam seus interesses comuns”. A Europa já estava em plena II G.M., e URSS comunista, de fa(c)to, estava abraçar os nacional-socialistas — pois os considerava seus aliados naturais.

A adenda secreta, cuja autenticidade durante décadas foi contestada pelos comunistas, esquerda totalitária e os fãs da URSS. Documento diz — “discutimos a questão da delimitação de áreas de interesse mútuo na Europa Oriental. Ou seja, mais uma vez claramente duas potências totalitárias dividem a Europa entre si.

Até decidiram onde passará a fronteira entre eles, a Finlândia é chamada de “Estado Báltico” (juntamente com Lituânia, Letónia e Estónia) — a URSS atacou o país na Guerra de Inverno/Talvisota de 1939, mas não contou com a resistência firme dos finlandeses.

Existe ainda um “esclarecimento” técnico da adenda secreta, que trata de delimitar a futura fronteira comum entre Alemanha nazi e URSS comunista:
Em 1939 Hitler e Estaline/Stalin eram dois ditadores amigos e aliados, decididos redesenhar o mapa político mundial. A URSS internacional-socialista e Alemanha nacional-socialista usavam o slogan de luta pelo bem-estar dos “operários e camponeses” dividiam a Europa — Estaline/Stalin apoiava Hitler na sua luta contra “imperialistas britânicos e franceses”, os carregamentos soviéticos de trigo, [aço e combustível] seguiam para Alemanha nazi mesmo no dia 22 de junho de 1941 [início da guerra nazi-soviética].

Imagens: arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

A página afro-ucraniana de Chornobyl


Recentemente a guionista britânica Karla Marie Sweet reclamou a ausência, na série anglo-americana “Chernobyl”, dos atores que a própria classificou como “PoC” ou seja “people of color”. Sem nenhuma razão para essa afirmação.
Um dos chamados liquidadores do desastre de Chornobyl era Ihor Hiryak (Igor Hiriak). Nascido em 1967 na Ucrânia, filho de mãe solteira [isso é indicado pelo seu apelido/sobrenome ucraniano, pois a regra soviética proibia a atribuição do apelido/sobrenome e do nome paterno às crianças, filhos dos pais estrangeiros, caso os seus progenitores não eram oficialmente casados). Aos 10 anos ele, pressupõe-se que com a mãe, se mudou para a cidade russa de Cherepovets. Em 1985 Igor foi chamado à cumprir o serviço militar obrigatório (SMO), que ele serviu na 210ª Birgada de pontões e pontes — a unidade de exército de engenharia, que estava aquartelado em Kyiv, na Ucrânia ainda soviética. A unidade militar № 75110, onde servia Ihor fazia parte desta Brigada, escreve a página ucraniana The Babel.com.ua
foto: Ihor Hiryak, rede VK
Os militares da brigada participaram na liquidação das consequências da catástrofe de Chornobyl desde dia 27 de abril de 1986 até o novembro de 1990.
foto: Ihor Hiryak, rede VK
Já no dia 26 de abril de 1986 o tenente-general Osipov ordenou que a unidade se mova em direção de Chornobyl, com a tarefa de erguer o pontão sobre o rio Pripyat, que alegadamente serviria para evacuação dos 47.500 moradores da cidade de Pripyat [possivelmente serviria para garantir a chegada dos equipamentos passados à Chornobyl]. Desarmado, munido de apenas máscaras antigás, a unidade se aquartelou à uma distância de apenas 4 km da estação de energia de Chornobyl. Na noite de 2 de maio a passagem de pontão estava pronta (possivelmente já não serviu para evacuação dos moradores da cidade, pois estes começaram ser evacuados ainda no dia 27 de abril de 1986). O comandante da unidade, coronel Ivan Yazoovskih condecorou Ihor Hiryak com uma carta de agradecimento pelo «desempenho exemplar do dever para com a Pátria».
imagem: Ihor Hiryak, rede VK
Após cumprir o SMO; Ihor voltou para Cherepovets, onde vive até hoje. Nas vésperas do 30º aniversário da catástrofe de Chornobyl, em 2016, ele colocou no seu perfil da rede social “VK” várias fotos relativas ao seu serviço em Chornobyl.
foto: Ihor Hiryak, rede VK
À julgar pelas fotos do seu perfil, Ihor participa nas atividades de reconstruções históricas, em 2014 participou, como ator, no filme russo de baixo orçamento «Feitiço de Veles». Ihor também faz a comédia stendup com a equipa russa Amsterdam, vive numa casa privada nos arredores da cidade, onde possui uma pequena propriedade semi-rural. No dia 21 de abril de 2019 ele postou uma foto sua, onde aparece com calças de tipo militar, envolto na bandeira ucraniana.
foto: Ihor Hiryak, rede VK
Ele não está muito ativo na rede social “VK”, mas um dos blogueiros ucranianos relata que Ihor lhe tinha dito numa conversa online: “estive em Chornobyl desde o dia 27 de abril de 1986”.
foto: Ihor Hiryak, rede VK
Voltando ao nosso tema, a série “Chernobyl” conta com pelo menos um ator que seguramente podemos considerar como um PoC, o sueco-libanês Fares Fares (personagem Bacho, na foto em baixo à esquerda), no 4º episódio (“The Happiness of All Mankind”), ele interpreta um sargento azeri (?), designado, juntamente com personagens de Alexej Manvelov (Arménio) e Barry Keoghan (Pavel) de abater os animais domésticos, que as ucranianos tiveram que deixar na zona de exclusão.
Fares Fares (Bacho) e Barry Keoghan (Pavel) em "Chernobyl" (2019), HBO

segunda-feira, junho 03, 2019

O massacre comunista dos operários soviéticos na cidade de Novocherkassk

Em 2 de junho de 1962, na cidade de Novocherkassk, na região russa de Rostov, as autoridades soviéticas abriram fogo real contra uma manifestação pacífica de operários. Os cidadãos exigiam a melhoria das condições sociais: aumento de salários e melhoramento das condições de trabalho. Em resposta, 26 deles foram mortos, 7 fuzilados e 105 (114) condenados aos campos de concentração e cadeias soviéticas.

Em 1962 em conexão com a difícil situação económica, na União Soviética começou se sentir a escassez de alimentos. O governo soviético aumentou os preços dos produtos da primeira necessidade. Os operários da Fábrica de Locomotivas Elétricas de Novocherkassk viram as suas normas aumentadas em cerca de um terço e os salários, pelo contrário, diminuirem.

Na manhã do dia 1 de junho, cerca de 200 trabalhadores da unidade de aço aderiram à manif improvisada com a demanda de aumentar os salários. Os manifestantes foram acompanhados por trabalhadores de outras unidades fabris. Como resultado, milhares de operários se juntaram nas portas da direção da fábrica. A greve foi sentida em toda a cidade e durou o dia todo, o número de manifestantes chegou aos cerca de cinco mil pessoas. O líder soviético Nikita Khrushchev foi imediatamente informado sobre o caso. Ele exigiu o uso de todos os meios possíveis para suprimir as manifestações, enviado ao Novocherkassk os membros da cúpula (Presidium) do Comité Central do PCUS.
Um dos cartazes reais dos manifestantes: "carne, manteiga, aumento salarial!"
Na noite de 2 de Junho, na cidade entraram vários tanques, veículos blindados e unidades de infantaria. Eles ocuparam todos os locais importantes, do Gosbank (Banco do Estado) foram retirados e transferidos todos os valores. De manhã, uma multidão de operários e suas famílias marchou até o centro da cidade: homens, mulheres e crianças. Na ponte sobre o rio Tuzlov que divide a cidade, eles foram bloqueados por unidades do exército, que, no entanto, não os deteve, sem recorrer à força. O vice-comandante do Distrito Militar do Norte do Cáucaso, tenente-general Matvey Shaposhnikov, recusou-se ao usar os blindados contra a população, desobedecendo uma ordem direta do seu chefe superior, declarando: “Eu não vejo um inimigo que deve ser atacado por nossos tanques”.
Uma das raras fotos reais da manif, 2/06/1962
O chefe do Comité Executivo da cidade de Novocherkassk se dirigiu à multidão com exigência de parar o comício e voltar aos seus postos de trabalho. Os operários responderam-lhe atirando paus e pedras. Ao edifício do Comité executivo chegou o chefe da guarnição de Novocherkassk major Oleshko com cerca de 50 soldados armados. Oleshko apelou à multidão para se dispersar. De seguida os soldados abriram fogo ao ar.
Local da manifestação, filmagem operativa do KGB
Depois disso, eles começaram o fogo contra a multidão (existe a versão de que os soldados realmente disparavam ao ar, e a multidão foi vítima do fogo dos franco-atiradores do KGB). Oficialmente, 26 manifestantes desarmados morreram e 87 ficaram feridos (os mortos foram sepultados em segredo nos túmulos alheios e em três localidades diferentes). Embora as testemunhas oculares dizem que viram os cadáveres de crianças, os documentos oficiais não mencionam as vítimas infantis.

De acordo com as testemunhas, toda a praça central da cidade estava coberta de sangue. As autoridades tentaram lavar vestígios de sangue com água, depois simplesmente a asfaltaram. Apesar das mortes, as manifestações na cidade continuaram. Mas logo começaram as prisões em massa, as autoridades comunistas colocaram a culpa do uso de munição real em “elementos hulíganes”.

Na sequência da manifestação as autoridades soviéticas detiveram 240 pessoas, colocando as em julgamentos “abertos ao público”. Os 7 ativistas mais importantes foram fuzilados e outras 105 (ou 114) pessoas foram condenadaos às penas entre 10 à 15 anos.
O caso do morte dos cidadãos em Novocherkassk foi classificado até o colapso da União Soviética. Só em 1992 foi aberto um processo criminal contra Khrushchev e alguns líderes do CC do PCUS, fechado de seguida “devido a morte dos acusados”. A reabilitação de manifestantes condenados em Novocherkassk ocorreu apenas em 1996.

Em 1966, o tenente-general Shaposhnikov foi demitido do exército. Em janeiro de 1967, ele foi expulso do PCUS. 26 de agosto de 1967 o KGB da região de Rostov o acusou formalmente de propaganda anti-soviética (Artigo 70 do Código Penal da Rússia Soviética). Em 23 de dezembro de 1967 o caso foi encerrado à troca do “arrependimento” do general, que foi reabilitado e readmitido no PCUS em 6 de dezembro de 1988 (morreu em 28 de junho de 1994).
O tenente-general Matvey K. Shaposhnikov
O massacre de Novocherkassk foi uma das consequências das políticas falhadas do Nikita Khrushev de alcançar e ultrapassar os EUA economicamente e também foi uma das razões, entre muitas, que ditaram a sua queda posterior (fonte).

domingo, junho 02, 2019

Reconhecer Holodomor como genocídio contra povo ucraniano (NZ)

É muito importante assinar a petição ao Parlamento da Nova Zelândia, de reconhecimento do Holodomor como genocídio contra o povo ucraniano.

A petição foi criada no âmbito de reconhecimento internacional do Holodomor de 1932-33 como o Genocídio contra o povo ucraniano. É uma iniciativa importante da sociedade civil ucraniana, que poderá ajudar à diplomacia da Ucrânia. A petição estará em aberto até o dia 24 de novembro, reunindo as assinaturas para que o documento seja apreciado no Parlamento da Nova Zelândia e colocado para a votação (não existe o limite de assinaturas, por isso quando mais assinaturas tiver a petição é melhor, a nossa causa nobre fica mais fortalecida).
Até recentemente (31 de maio) a petição tinha apenas 888 assinaturas, mas logo que a Diáspora e amigos da Ucrânia intervieram, as assinaturas aumentaram e neste momento o documento já foi assinado por 4.726 pessoas, o número que deve e pode ser melhorado.

“A Câmara dos Representantes exorta o Governo a reconhecer a fome/genocídio ucraniano de 1932-33 (o Holodomor) e condenar qualquer tentativa de negar ou distorcer essa verdade histórica como sendo nada menos que genocídio”, – diz a petição.

Holodomor de 1932-1933 é um genocídio do povo ucraniano, levado a cabo pelo regime comunista totalitário da URSS. O número total de vítimas do Holodomor ainda não foi calculado, os historiadores o avaliam entre cerca de 3,5 à 7 milhões de pessoas.

Em novembro de 2006, a Verkhovna Rada da Ucrânia reconheceu o Holodomor de 1932-1933 como um genocídio do povo ucraniano. Holodomor de 1932-1933 na Ucrânia, como Genocídio, no nível internacional, além da Ucrânia, é reconhecido por 15 estados membros da ONU e pelo Estado do Vaticano.
Recentemente, vocês, queridos leitores do nosso blogue ajudaram a recolher 50.000 assinaturas para que Holodomor seja reconhecido como genocídio dos ucranianos pelo Bundestag da Alemanha.
No fim, você assinou uma petição muito importante e teve a oportunidade de treinar o seu maori. Gaste mais 5 minutos do seu tempo e informe os seus amigos e familiares sobre a petição.

Glória à Ucrânia!

sábado, junho 01, 2019

As mutações de animais de Chornobyl: o que nos sabemos

O acidente de Chornobyl de 1986 resultou em uma das maiores liberações não intencionais de radioatividade na história da humanidade. O moderador de grafite do IV reator foi exposto ao ar e inflamado, disparando nuvens de precipitação radioativa através da Belarus, Ucrânia, Rússia e por toda a Europa.

por: Anne Marie Helmenstine, Ph.D. em Ciências Bioquímicas, ThoughtCo

Embora poucas pessoas moram perto de Chornobyl agora, os animais que vivem nas proximidades do local do acidente nos permitem estudar os efeitos da radiação e medir a recuperação [da natureza] após o desastre.

A maioria dos animais domésticos foram afastados [na realidade foram abatidos] da área do acidente e os animais de criação deformados, que nasceram não se reproduziram. Após os primeiros anos após o acidente, os cientistas se concentraram em estudos de animais selvagens e animais de estimação, que haviam sido deixados para trás, a fim de aprender sobre o impacto de Chornobyl.
Este potro de oito patas é um exemplo de uma mutação animal de Chornobyl.
foto: Sygma via Getty Images / Getty Images
Embora o acidente de Chornobyl não possa ser comparado aos efeitos de uma bomba atómica porque os isótopos liberados pelo reator diferem daqueles, que são produzidos por uma arma nuclear, tanto os acidentes, como as bombas causam mutações e cancro/câncer.

É crucial estudar os efeitos do desastre para ajudar as pessoas a entender as consequências sérias e duradouras das liberações nucleares. Além disso, compreender os efeitos de Chornobyl pode ajudar [a Humanidade] a reagir a outros acidentes em fábricas/usinas nucleares.

A relação entre radioisótopos e mutações

Você pode se perguntar como, exatamente, radioisótopos (os isótopos radioativos) e mutações estão conectados. A energia da radiação pode danificar ou quebrar moléculas de ADN. Se o dano é grave o suficiente, as células não podem se replicar e o organismo morre. Às vezes o ADN não pode ser reparado, produzindo uma mutação. O ADN mutado pode resultar em tumores e afetar a capacidade de reprodução do animal. Se uma mutação ocorre em gametas, pode resultar em um embrião não viável ou com defeitos congênitos.
Chornobyl 30 anos depois: os animais de Chornobyl
Além disso, alguns radioisótopos são tóxicos e radioativos. Os efeitos químicos dos isótopos também afetam a saúde e a reprodução das espécies afetadas.

Os tipos de isótopos em torno de Chornobyl mudam ao longo do tempo à medida que os elementos sofrem decaimento radioativo. O césio-137 e o iodo-131 são isótopos que se acumulam na cadeia alimentar e produzem a maior parte da exposição à radiação a pessoas e animais na zona afetada.

Exemplos de deformidades genéticas domésticas
Igor Kostin fotografou mutações em animais que podem indicar vazamentos de sarcófagos de Chornobyl.
foto: Sygma via Getty Images / Getty Images
Os pecuaristas notaram um aumento nas anomalias genéticas nos animais de criação imediatamente após o acidente de Chornobyl. Em 1989 e 1990, o número de deformidades disparou novamente, possivelmente como resultado da radiação liberada do sarcófago destinada a isolar o núcleo nuclear. Em 1990, cerca de 400 animais deformados nasceram. A maioria das deformidades era tão severa, que os animais viviam apenas algumas horas.

Exemplos de defeitos incluíram malformações faciais, anexos extras, coloração anormal e tamanho reduzido. Mutações em animais domésticos foram mais comuns em bovinos e suínos. Além disso, vacas expostas a precipitação radioativa e alimentadas com ração radioativa produziram leite radioativo.

Ler texto integral em inglês.

Descomunização da Belarus: um novo recomeço

https://maxim-nm.livejournal.com/507487.html
Em Belarus, na cidade de Smarhon foi desmontado o monumento do Lenine, na praça central desde 1972. Administração da cidade decidiu finalmente, que o monumento ao ditador soviético não voltará ao local, que imediatamente deu à cidade, conhecida pelas suas igrejas católicas e ortodoxas, uma aparência muito mais europeia.  
Lenine era uma pessoa mal, vingativa e cruel, que odiava belarusos, ucranianos, russos ou polacos/poloneses (embora seja mais fácil listar aqueles que Lenine gostava) e trouxe apenas o mal para a Humanidade. Todas as estórias de que “os monumentos de Lenine têm algum valor histórico” destinam-se apenas a disfarçar tentativas de recriar algum tipo de novo URSS – todos os ídolos soviéticos, em forma de propaganda monumental, criados por artistas do “realismo socialista”, maioritariamente na década de 1970, não possuem nenhum valor histórico.
“Lenine, o Ditador — Um Retrato Íntimo” do Victor Sebestyen
Muito devagarinho, mas Belarus está se livrar do Lenine e do legado comunista.
Monumento do Lenine com o cú rasgado, São Petersburgo, Rússia