No
dia 8 de maio de 2019 no centro de Kyiv desfilaram os familiares dos militares
ucranianos que tombaram na defesa da Ucrânia. Mortos por mercenários e
militares russos no ativo, assim como pelos seus colaboracionistas locais.
Após
a cerimónia solene da condecoração dos pais dos militares ucranianos que
morreram no decorrer de OAT/OFC, as suas mães, esposas e os filhos desfilaram
pelo centro de Kyiv até a praça Mikhaylivska, onde colocaram as flores no Muro
da Memória. Na caminhada também participaram os cadetes, ativistas e moradores
da capital ucraniana.
O
líder espiritual da Igreja Ortodoxa da Ucrânia, metropolita Epfaniy (na foto acima) serviu pessoalmente
a oração solene em memória dos defensores da Ucrânia, informa Rádio
Svoboda.
Segundo
dados oficiais, desde o início da guerra russo-ucraniana no Leste da Ucrânia em
2014 (na região de Donbas), 2.973 soldados ucranianos perderam as suas vidas (o
número não inclui os polícias, pessoal do SBU, Serviço de Guarda-fronteira e
voluntários).
A
vida na Crimeia ocupada
Na
noite de 8 à 9 de maio de 2019, na aldeia dos tártaros da Crimeia – Mamaşay (Orlivka)
foi destruído monumento em memória dos tártaros da Crimeia, que morreram na II
G.M. lutando contra Alemanha nazi.
O
primeiro monumento foi construído pelas autoridades soviéticas na década de 1960,
mencionando apenas 6 nomes dos moradores da aldeia mortos na guerra, nenhum deles
era tártaro da Crimeia. No dia 6 de maio de 2019 no monumento foram colocadas
as placas de granizo com nomes dos 64 moradores da aldeia, que morreram na II
G.M., 57 deles eram tártaros da Crimeia.
O
novo monumento ficou de pé por menos de 3 dias, os apoiantes da ocupação russa
recuperam a acusação estalinista contra os tártaros da Crimeia, tentando apagar
fisicamente a memória dos tártaros da Crimeia que lutaram contra os nazis,
defendendo a URSS e cujas famílias foram vítimas do genocídio comunista,
perpetuado em 18-21
de maio de 1944...
Monumento
em Mamaşay após o ataque dos vândalos ficou
neste
estado.
Hoje
levantamos 6 questões inconvenientes sobre o papel da União Soviética na II
G.M. Desde o número dos cidadãos soviéticos que colaboravam com os alemães à
questão de bonança alimentar da elite comunista em Leninegrado cercado.
1.
Porque a II G.M. envolveu a União Soviética?
Uma
das questões principais, que até hoje fica sem a resposta clara, é a questão seguinte
— por que razão, a II G.M., dois anos após o seu início, começou no território
da URSS? O que a União Soviética fez para impedir a guerra? As perguntas – puxam
muitas outras questões extremamente inconvenientes para a URSS – a chamada “Guerra
de Inverno” (Talvisota) de 1939 contra a Finlândia, [a ocupação militar dos
Países Bálticos], a divisão da Polónia – na qual a URSS e a Alemanha nazi agiram
como aliados e até realizaram uma parada conjunta em Brest.
2.
Ao que cenário a URSS se preparava até junho de 1941?
O capacete soviético de aço SSh-36
Apesar
de constantemente ser retratada como “bastante fraco e despreparado”, o
Exército Vermelho (RKKA) já em 1935 contava com uma força impressionante – 119
divisões nas forças terrestres (87 de infantaria e 32 de cavalaria), 17
brigadas separadas – 12 de blindados e 5 de infantaria. RKKA era composto por quase
um milhão de pessoas, tinha 4.400 blindados, tanques ligeiros e viaturas
blindadas. Aviação e armada contavam com 220.000 efetivos e nos próximos seis
anos essas forças apenas cresceram.
Blindado pesado soviético KV-2, capturado pelo Wehrmacht no verão de 1941
Será
que a URSS estava se preparando não para a defesa, mas para algo completamente
diferente? Na verdade, o RKKA estava se preparando para a “campanha de
libertação da Europa”. Nos primeiros dias da guerra nazi-soviética Wehrmacht
capturou cerca 6.500 blindados soviéticos (KV e outros modelos), saídos de
fábricas, estacionados nos comboios/trens de mercadoria, prontos para “seguir para
Ocidente” – uma parte destas máquinas foi incorporada nas unidades alemãs de blindados.
Blindados soviéticos T-34 e KV-2 da unidade PzAbt. z.b.V. 66 da Wehrmacht | arquivo
À
propósito, a pequena Finlândia, que realmente não pretendia atacar ninguém e
que apostou na defesa activa — em 1939 se defendeu e aguentou contra o ataque
do gigante soviético, infringindo ao inimigo as perdas de 1 por 7 — cada militar
finlandês caído representava 7 militares soviéticos mortos.
3.
Porque 1,5 milhões de cidadãos soviéticos lutaram contra a URSS?
Unidade da Guarda do ROA com a bandeira tricolor russa, Pskov, 1943 | arquivo
Em
1941 cerca de 4 milhões de militares soviéticos se renderam aos alemães, e mais
de um milhão de cidadãos soviéticos lutou contra a URSS com as armas nas mãos. Na
Rússia ocupada, entre 1941 à 1943, existia até a república Lokot autónoma
(reconhecida pelo Reich, com a população superior à de Bélgica), aliada dos nazis,
que contava até com o seu próprio exército (RONA).
O
exército de general soviético/russo Andrey Vlasov (ROA)
contava com pelo menos 130.000 efetivos, usava a bandeira tricolor russa, e
seus líderes consideravam a II G. M. no território da URSS como uma continuação
da guerra civil russa da década de 1920. No total, entre 1941 à 1945, levando
em conta diversas unidades da frente e da retaguarda, e de acordo com vários
historiadores, entre 1 à 2 milhões de cidadãos soviéticos lutaram do lado dos
invasores alemães contra a URSS com as armas nas mãos.
Até
que ponto o governo soviético é culpado disso, com suas expropriações forçadas
de alimentos, repressões em massa contra os cossacos, kulaks/kurkuls, com a
organização e execução do Holodomor ucraniano? Até que ponto nisso se refletem
as políticas de Estaline/Stalin, em que todos os militares soviéticos que
passaram (mesmo fugindo) pelo cativeiro alemão eram enviados aos campos de
concentração de GULAG? As perguntas que continuam por responder...
4.
Por que a URSS sofreu perdas tão terríveis nessa guerra?
A
União Soviética sofreu perdas tão grandes durante a II G.M., que os seus números
exactos são desconhecidos até hoje – entre 29 à 40 milhões de pessoas. Novamente,
a pequena Finlândia em 4 meses de Talvisota perdeu 25.000 militares mortos,
causando perdas ao inimigo na proporção de 1 por 7 – 7 militares do RKKA por cada
militar finlandês caído.
As
tropas soviéticas sofriam perdas colossais independentemente de estarem em
defesa ou na ofensiva – até 1943 a proporção era de 1 alemão por cada 10
soviéticos, depois de 1943 a proporção passou para 1 por 5. Os comandantes
soviéticos lutaram de forma tão inepta, preferindo “cobrir o inimigo com os
gorros” – que em resultado disso dezenas de milhões de jovens morreram, o
buraco demográfico ainda hoje é sentido na Rússia.
5.
O que realmente foi o cerco de Leninegrado e porque não foi evacuado Estalinegrado?
As ruas desertas de Leninegrado no decorrer do seu cerco | foto: arquivo
74
anos após o fim da II G.M. ninguém ainda respondeu a pergunta – por que de
Leninegrado não foram evacuaram todos aqueles que não estavam envolvidos na sua
defesa e na produção de armamento? [Por que razão em Leninegrado havia canibalismo]
quando nas “cantinas especiais” [da elite comunista] nada faltava?
A cidade de Estalinegrado, transformado em escombros | foto: arquivo
Por
que a cidade de Estalinegrado não foi evacuada à tempo? Apenas cerca de 100.000
pessoas de um total de 400.000 (ou seja, apenas ¼) foram evacuadas. De acordo
com alguns historiadores a cidade não foi evacuada porque “os militares não iriam
defender os edifícios vazios”. É uma versão bastante assustadora, que em nada favorece
o regime soviético.
6.
Por que os arquivos soviéticos não foram desclassificados na Rússia?
Por
que razão a Rússia, que se proclama de “sucessora da URSS”, os arquivos militares
ainda são classificados? Putin assinou uma ordem pela qual o regime de sigilo
se aplicará à esses documentos até o ano 2040. Por que isso foi feito? O que
poderia estar nesses arquivos?
Militares do RKKA na cidade de Dresden, junho (?) de 1945 | arquivo
Os
arquivos podem revelar os números reais de baixas soviéticas – que podem ser muito
maiores e piores do que todos os números revelados até hoje. O número de cidadãos
que passaram ao lado dos alemães pode ser muito maior do que se acredita
atualmente. Os arquivos podem revelar o verdadeiro papel do NKVD na guerra, em
que vários milhões de pessoas possivelmente não foram mortos por alemães, mas abatidos
pelos esquadrões de morte da secreta soviética.
Os
dias 8 e 9 de maio são os dias da lembrança e do luto daquele monstruoso triturador
de carne em que as nações inteiras foram lançadas nos meados do século XX e em
que dezenas de milhões de pessoas morreram, sem jamais presenciar o futuro.
Fotos:
Wikipédia | arquivo | TextoMaxim Mirovich e [Ucrânia
em África]
Nos
leilões internacionais aparecem as novas fotografias inéditas, que mostram o
clima de amizade e cooperação entre Alemanha nazi e União Soviética, em 1939,
no decorrer da sua ocupação conjunta e desmembramento da Polónia.
A
foto em baixo foi tirada junto ao hospital da fortaleza de Brest, que em setembro de 1939
foi heroicamente defendida pelo exército polaco/polonês, até 21/09/1939 contra
os ataques de Wehrmacht e entre 22-26/09/1939 contra os ataques do Exército Vermelho
(RKKA).
O
oficial soviético numa jaqueta de cabedal/couro é o vice-chefe de Estado-Maior da
29ª Brigada de Blindados do RKKA, capitão Ivan Dmitrievich Kvass (nas duas ultimas fotos). O alemão alto
à direita é o comandante do 2º batalhão do 76º regimento de infantaria
motorizada da 20ª Divisão de Infantaria Motorizada, Oberst-Lieutenant Hans-Georg Lemmel. Os dois vencedores do exército
polaco/polonês não sobreviverão por muito tempo e morrerão no verão de 1941, já
sendo comandantes dos seus regimentos: major Kvass, comandante do 44º regimento
de blindados da 22ª divisão de tanques – em 23 de junho ao leste de Brest; e
H.-G. Lemmel, o comandante 76º Regimento de Infantaria Motorizada – em 17 de
julho, ao norte de Smolensk. O título militar de oberst (coronel) foi-lhe
concedido postumamente (fonte).
No
5º aniversário da derrota do movimento separatista em Odessa, a propaganda anti-ucraniana
novamente tenta usar a tese da “chassina” dos “pacíficos defensores da federalização
da Ucrânia”. Apenas já não se fala da “junta sangrenta de Kiev”, as juntas
sangentas não percam as eleições, geralmente nem sequer as convocam.
1.
Confrontos começaram muito antes da sua culminação no Edifício dos Sindicatos
Na
cidade de Odessa estavam ativos dois grupos da ativistas — pro-Ucrânia (Samooborona/Autodefesa)
e pró-russos e anti-ucranianos — Anti-Maydan; “Druzhina de Odessa”
(literalmente “Pelotão de Odessa”), composta por indivíduos que nos meses
anteriores atacavam e raptavam os ativistas ucranianos do movimento Maydan.
Separatistas do “Pelotão de Odessa”: “morte aos fascistas, viva Rus”
No
dia 2 de maio de 2014, cerca 16h00 da tarde, na zona das ruas Deribasivska e Hretska
(Grega), decorreram os confrontos entre defensores da Ucrânia e os separatistas,
as duas partes usavam pedras, petardos e coquetéis Molotov. Os separatistas usam
os petardos artilhados com elementos metálicos.
Os
alegados “pacíficos defensores da federalização da Ucrânia” tinham essa
aparência:
2.
Os separatistas pró-russos usavam armas de fogo contra os defensores da Ucrânia
O
separatista pró-russo Vitaly “Bootsman” Budko dispara contra os defensores da
Ucrânia, usando a espingarda automática / fuzil de assalto AKS-74U, um outro
separatista dispara, usando uma arma parecida com UZI.
Os
ativistas pró-Ucrânia foram alvejados à partir do telhado do centro comercial/shopping
“Afina” — nas vésperas o local foi tomado de assalto pelos separatistas:
3.
Os primeiros mortos eram dois ucranianos
Os
dois ucranianos mortos em Odessa no dia 2 de maio de 2014 — Ihor Ivanov e
Andriy Biryukov [ambos ativistas do Setor da Direita e russos étnicos] — eles
foram atingidos pela munição 5,45 — usada pelo AKS-74U.
4.
Chefe da polícia de Odessa apoiava os separatistas
O
chefe da polícia de Odessa, Dmytro Fuchedzhi (1961)
não interveio para parar a desordem separatista, não reagiu, mesmo depois dos
primeiros ativistas mortos – aparentemente, ele esperava que as forças separatistas
sejam vitoriosas. Existem inúmeras fotos de Dmytro Fuchedzhi rodeado dos
separatistas pró-russos, e muitos funcionários do Ministério do Interior afetos
ao MVD de Odessa naquele dia usavam braçadeiras vermelhas, denotando pertencerem
aos separatistas.
Apesar
da tentativa da propaganda russa de afirmar que as braçadeiras vermelhas eram alegadamente
usadas pelos militantes do “Setor da Direita”, nas várias fotos se vê que essas
braçadeiras eram usadas pelas mesmas pessoas que ostentavam a “fita de São
Jorge”, um claríssimo marco dos separatistas.
Na
foto em baixo à esquerda, um polícia/policial com a braçadeira vermelha, na foto à
direita, os separatistas pró-russos, usando a mesma braçadeira vermelha e a “fita
de São Jorge”.
O
vídeo que mostra o separatista pró-russo Vitaly “Bootsman” Budko à disparar
contra os defensores da Ucrânia, se escondendo atrás da fila da polícia, que
não o prende, nem retira a sua arma:
Desde
o dia 6 de maio de 2014 Dmytro Fuchedzhi abandonou Ucrânia, aparentemente ele vive
na Rússia, onde foi lhe concedida a cidadania russa.
5.
Coquetéis Molotov foram usados por duas partes
Quando
os separatistas sentiram a aproximação da sua derrota, eles recuaram até o Edifício
dos Sindicatos, onde, por exemplo, estavam atirar os coquetéis Molotov, à
partir do telhado do edifício, contra os defensores da Ucrânia:
6.
Nunca ouve nenhum «abatimento dos derrotados»
Apesar
da tese da propaganda russa de que os ucranianos “queimaram vivos os pacíficos
defensores da federação, dando golpes de misericórdia nos feridos”, isso nunca
aconteceu. De fa(c)to, muitos que estavam dentro do Edifício dos Sindicatos tiveram
a oportunidade de sair, quando o fogo estava apenas começando – e muitas
pessoas fizeram exatamente isso – ninguém os tinha perseguido ou atacado. Após
início de incêndio, quando começou arder a entrada principal – os ativistas
pró-ucranianos ajudaram aqueles que estavam dentro do prédio, usando andaimes –
o que é muito bem visível, por exemplo, no final deste vídeo:
Nos
materiais de investigação da televisão independente OM-TV sobre os eventos
de Odessa em 2 de maio de 2014, é possível ver que a maioria das vítimas do
incêndio estava nos andares superiores do Edifício dos Sindicatos –
aparentemente, eles nem sequer tentaram deixar edifício nas fases iniciais do incêndio.
A grande questão é por que não vieram os bombeiros com escadas longas, mas isso
é uma questão para as autoridades da cidade [sob controlo dos separatistas e/ou
seus simpatizantes].
O
que realmente aconteceu em Odessa em 2 de maio de 2014
Ninguém
matou “povo pacífico” – houve um confronto paramilitar entre dois grupos de
ideologias definidas e opostas, durante o qual houve morte de ambos os lados, e
um dos lados venceu durante os confrontos, impedindo a criação da “república popular
de Odessa”.
O
“pesar” por parte da imprensa/mídia propagandista [russa e qualquer outra] parece
extremamente hipócrita – eles não sentem nenhuma pena das pessoas, apenas a
pena por terem perdido a batalha de Odessa. Tal como a propaganda
anti-ucraniana difamou a Centena Celestial que defendeu Euromaydan – que estava
realmente desarmada e morreu sob as balas dos assassinos, não num incêndio.
Foto:
arquivo | Texto: Maxim
Mirovich e [Ucrânia em África]
Blogueiro:
uma das explicações possíveis do comportamento ilógico dos separatistas no Edifício dos Sindicatos, é a alegada
informação que estes receberam no dia 2 de maio: aguentar apenas algumas horas,
para que, de seguida sejam apoiados pelos blindados dos separatistas da
Transnístria. Naturalmente, em duas horas estes blindados não chegariam à Odessa, mas achamos bastante crível que este tipo de promessa enganosa poderia
ser dada aos separatistas pelos seus curadores afetos ao Kremlin.
Os
fãs da URSS e do comunismo acreditam na existência do “Plano Dulles”, o famigerado
e secreto plano “dos americano”, que visou a destruição da União Soviética, mas
que ainda hoje é usado pelo “deep state” americano para enfraquecer e destruir
a federação russa.
O
conteúdo do «plano Dulles» (os trechos mais trapaceiros)
A
guerra [II G.M.] vai acabar, tudo se acalmará e se resolverá. Vamos lançar/jogar
tudo o que temos: todo o ouro, todo o poder material de enganar e aldrabar as
pessoas! O cérebro humano, a consciência das pessoas é capaz de mudar. Tendo
semeado o caos, nós silenciosamente substituímos seus valores pelos falsos e os
fazemos acreditar nesses falsos valores. Como? Encontraremos nossos apoiantes,
nossos aliados na própria Rússia. Episódio por episódio, será desencadeada
grandiosa, na sua envergadura, tragédia da morte do povo [soviético/russo] mais
insubmisso na terra, a extinção final e irreversível de sua autoconsciência.
[...]
Tiraremos
as raízes espirituais, degradaremos e destruiremos os fundamentos da moralidade
popular. Nós vamos abanar a geração após geração. Assumiremos as pessoas desde
a infância e adolescência, e sempre faremos a aposta principal NA JUVENTUDE –
vamos a decompor, degradar e corromper. Vamos transformá-la em cínicos, vulgares
e cosmopolitas. É assim que faremos!
O povo soviético no descanso, meados da década de 1980 | foto de arquivo
O
“plano Dulles”, nessa forma, foi usado por ideólogos soviéticos [e depois
pró-soviéticos] para mostrar aos jovens “a verdadeira face do militarismo americano”
– vejam, eles vós embebedam e corrompem para destruir “o povo mais resistente
da face da Terra”. Bem horríveis, são “os americano”!
A
realidade dos fa(c)tos
De
fa(c)to, o “Plano Dulles” é uma peça da propaganda soviética bastante típica, baseada
no princípio da inversão – juntam-se todas as tendências negativas da sociedade,
como alcoolismo, o baixo nível de cultura, o absurdo quotidiano da vida
soviética – e então se declarava que tudo isso acontece por causa de uma força
externa. Deste modo, os propagandistas soviéticos matavam dois coelhos numa só
cajadada – primeiramente, desviavam as suspeitas de incompetência dos líderes
soviéticos e do sistema soviético como um todo e, em segundo lugar, incitavam o
ódio contra os países ocidentais livres.
Nunca
e ninguém explicou como o tal “Plano Dulles” poderia ser implementado
tecnicamente – mas o bom povo soviético e mesmo pós-soviético não era dado aos
questionamentos – muitos realmente acreditavam e acreditam que “os americano”
regularmente subornavam os “responsáveis desonestos”, pagavam aos músicos para que
estes escrevam as letras anti-soviéticas ou mesmo para que algum “inimigo interno”
urinasse nas escadas de prédios de habitação.
O verdadeiro Allen Dulles (1893-1969) | foto de arquivo
Os
propagandistas soviéticos diziam que o “Plano Dulles” se baseia em “Reflexões
sobre a implementação da doutrina americana do pós-guerra contra a URSS”, texto/documento
alegadamente publicado em 1945 “sob auspícios da CIA”. Mas a CIA foi fundada
apenas em 1947 e Alain Dulles tornou-se o seu chefe somente em 1953. Quer a
“Reflexão”, quer o “Plano Dulles” são puramente produtos da propaganda comunista
soviética.
Quem
é autor real do texto?
A fila interminável para a compra de álcool, URSS, fim da década de 1980 | arquivo
O
texto fake do “Plano Dulles” é uma ligeira reformulação de um trecho do romance
“Chamada Eterna” de autor sovietico/russo Anatoli Ivanov
(pertencente à ala literária “comuno-patrioteira”),
onde um plano praticamente idêntico é proclamado por um “inimigo trotskista”:
Iremos
arrancar essas raízes espirituais do bolchevismo, rebaixaremos e destruiremos
os principais fundamentos da moralidade popular. Abanaremos, dessa forma, geração
após a geração, expurgaremos esse fanatismo leninista. Assumiremos as pessoas
desde a infância, juventude, sempre faremos uma grande aposta nos jovens, vamos
os decompor, corromper, degradar! [...] — Sim, degradar! Corromper! Vamos torná-los
cínicos, vulgares e cosmopolitas!
[...]
A
guerra terminará – tudo de alguma forma se acalmará, se resolverá. Vamos lançar/jogar
tudo o que temos, de que dispomos: todo ouro, todo o poder material de enganar
e aldrabar as pessoas! O cérebro humano, a consciência das pessoas é capaz de
mudar. Tendo semeado o caos, substituiremos silenciosamente seus valores por
falsos e fazê-los acreditar nesses falsos valores!
Como
podemos ver, a frase sobre “cínicos, vulgares e cosmopolitas” foi deixada sem alterações,
assim como as frases “fundamentos da moralidade popular”, “a guerra acabou,
tudo se resolverá”, etc. Os anónimos propagandistas soviéticos adicionaram ao
falso “Plano Dulles” apenas um pouco de seu ódio pessoal contra a classe criativa, contra
os artistas e escritores – considerando-os uma clara ameaça ao regime comunista
soviético e tentando os denegrir em todos os sentidos e maneiras.
Em
vez de epílogo
Na
realidade, nem os Estados Unidos, nem a CIA desejavam o colapso da URSS,
preocupados com o destino das armas nucleares e temendo um possível caos
militar, como resultado do colapso da União Soviética.
Prédio habitacional, algures na Rússia, nossos dias | arquivo
O
“Plano Dulles” não existe e nunca existiu. É sempre fácil culpar “os americano”
pela sua vida instável, corrupção e incompetência das autoridades, por infra-estrutura
degradada ou alto custo de transporte. Por isso, aconselhamos aos fãs da URSS, estalinistas
2.0 e todos os outros camaradas antiocidentais à não procurar inimigos no
exterior, mas começar por não depredar as paredes e se dedicar mais ao
voluntariado, fazendo pequenas coisas positivas no seu bairro, na sua rua, no
seu prédio.
A
cidade de Pripyat foi evacuada em 1986. É hoje uma zona deserta devido aos
níveis de radioativade. Mas árvores crescem entre os edifícios e um fotógrafo
considera-a uma “janela para o futuro”, escreveObservador.pt
“Na
ausência de humanos, a natureza floresce.” Foi assim que Dax Ward, fotógrafo
perito em locais abandonados, descreveu o que viu ao sobrevoar a cidade
ucraniana de Pripyat com um drone, refere a publicação online espanhóla ABC.es.
Local interdito limitado às visitas devido aos elevados níveis de
radiação ainda presentes desde a explosão da central nuclear de Chornobyl o
fotógrafo registou ilegalmente o estado atual da cidade onde em tempos viveram
43.000 pessoas.
Em
1986, o reator número 4 de Chornobyl explodiu. A cidade de Pripyat, construída
junto à planta de energia atómica, foi evacuada 36 horas depois do acidente. A zona
de exclusão em redor da estação nuclear de Chornobyl, que cobre uma área de
2.600 quilómetros quadrados na Ucrânia, foi estabelecida pelas forças armadas
soviéticas e, depois de 1986, foi delimitada a zona onde os níveis de
radioatividade eram superiores. Agora, mais de 33 anos depois, é seguro visitar
esta área, apesar do seu acesso ser altamente restrito.
“Sou
fascinado pela história de lugares que foram em tempos parte importante de
comunidades locais, mas que agora estão abandonados e esquecidos na história”,
refere o fotógrafo americano no seu sítio pessoal.
Mais
de 30 anos depois, Pripyat é considerada uma “cidade fantasma”. Erguem-se do
chão edifícios abandonados e casas destruídas e saqueadas. Nas paredes,
permanecem ainda pintados símbolos comunistas antigos. Ainda assim, e apesar da
radioatividade, a natureza parece estar a impor-se ao cimento e betão.
"Que átomo seja trabalhador, e não o soldado"
Daw
Ward passou três dias a caminhar na área proibida para obter imagens do local.
Percorreu, em conjunto com três guias, 30 quilómetros por dia, explica no seu
site. Dormiam em edifícios abandonados e movimentavam-se especialmente durante
a noite, de modo a não serem detetados por patrulhas que vigiam o local. “Estas
imagens pretendem mostrar um pouco dos três dias que passei na zona de Chornobyl”,
conta o fotógrafo. “A atração principal foi a cidade de Pripyat”, continua.
O
fotógrafo testemunhou ainda a presença de animais na zona de Chornobyl, que ali
foram deixados após uma experiência, há mais de 20 anos.
“Um dia, a humanidade
vai deixar de existir por causa dos nossos erros egoístas que estão a destruir
a Terra. Mas a natureza vai encontrar forma de sobreviver, adaptar-se e
superar-nos. Este local é uma clara janela para esse futuro”, conclui Ward.
Brasileiro
Rafael Lusvarghi foi novamente condenado na Ucrânia aos 13 anos de prisão efetiva
com confisco de bens, a mesma condenação à que já foi condenado pelo tribunal de
Pachersk em Kyiv em janeiro de 2017, escreve a página ucranianaNovynarnia.com
A
decisão foi tomada no dia 2 de maio de 2019 pelo Tribunal Interdistrital de
Pavlohrad da região de Dnipropetrovsk. Como explica o procurador do processo,
Dr. Ihor Vovk: “desta
vez foi efetuada uma investigação pré-julgamento completa, em cada audiência do
tribunal estava presente um defensor e o tradutor, Lusvarghi não foi restrito
de forma alguma em nenhum direito seu. Da última vez [no julgamento em Kiev, em
2016-2017], a apreciação foi simplificada devido ao fa(c)to de que ele (Lusvarghi)
se declarou culpado, o tribunal não investigou as provas”.
Segundo
Dr. Vovk, foram ouvidas duas testemunhas de acusação, incluindo um militar das
Forças Armadas da Ucrânia, que tinha ouvido, na interceptação de comunicações
via rádio das forças russo-terroristas, o nome do código do Lusvarghi – “Rafael”
ou “brasileiro”.
Além
disso, o tribunal analisou três vídeos nos quais Lusvarghi contava em detalhes os
combates nas quais participou.
“Em
particular, foi vista a entrevista que ele deu numa cama de hospital, quando foi
tratado após a ferida recebida durante os combates perto do aeroporto de
Donetsk”, enfatizou o Promotor.
O
tribunal ucraniano também examinou itens apreendidos durante a prisão do Lusvarghi
– o cartão militar da dita “dnr”, dados do hospital, que indicavam que ele foi ferido
no aeroporto Donetsk, os documentos mencionavam até a unidade ilegal armada para
onde brasileiro foi enviado após a sua saída do hospital.
O
Tribunal também tinha apreciado a “medalha” atribuída ao Lusvarghi pelo
terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin e a bênção do Patriarcado de Moscovo/u
à guerra na Ucrânia.
A
acusação apresentou no tribunal a intercepção de comunicações do Rafael
Lusvarghi, nomeadamente a sua correspondência via e-mail em que ele contava
sobre a sua participação em combates ao lado das unidades ilegais armadas das
ditas “dnr/lnr”.
“Ele
também postava nas redes sociais fotografias com pano de fundo dos equipamentos
militares da dita “dnr”, usando o fardamento militar dessa organização. A
investigação de todas estas evidências, revisão de vídeos e depoimentos de
testemunhas foi suficiente para aprovar um novo veredicto, que repetiu a
decisão do tribunal de Pechersk”, explicou Ihor Vovk.
Na
penúltima sessão do tribunal Pavlohrad, Rafael Lusvarghi se considerou culpado em
relação à participação das atividades de grupos armados ilegais – 2ª parte do art.
№ 260 do Código Penal da Ucrânia, mas não reconheceu a mesma participação nas
atividades de organizações terroristas – 1ª parte do artigo № 258-3 do CP da Ucrânia.
Dr.
Ihor Vovk observa que Lusvarghi irá cumprir a pena menor que os 13 anos, decididos
pelo juiz: “... o tribunal levou em conta o período da sua detenção desde o
início da investigação pré-julgamento. Isto são 2 e alguns dias, que se
multiplicam por dois – de acordo com a “lei Savchenko”. Assim, considera-se que
ele já cumpriu cerca de 4 anos e 130 dias”.
“Ele
(Lusvarghi), sem dúvida, irá apelar, porque tem interesse em ficar em custódia
por mais tempo, para que cada dia conte por dois”, diz Dr. Vovk.
Rafael
Lusvarghi permanecerá na cadeia SIZO № 4 na cidade de Dnipro, numa cela comum.
No tribunal em Pavlohrad, tal como em Kyiv, ele se queixou das “ameaças” por
parte de outros prisioneiros.
A
este respeito, o tribunal distrital de bairro Pechersk de Kyiv decidiu mantê-lo
em confinamento solitário. Quanto ao Dnipro, o brasileiro não teve este
privilégio.
No
dia de anúncio do veredicto, bem como em muitas sessões anteriores neste processo,
na sala de audiências estavam presentes os ativistas da organização
nacionalista “Sich” (na foto em baixo) da cidade de Dnipro, a mesma que efetuou a detenção cívica
de Lusvarghi em 4
de maio de 2018 em Kyiv.
Aleksandr Nikitenko(1804-1877) nasceu como um servo ucraniano, mas depois de ter tido a
sorte de ter sido libertado da servidão, seguiu uma brilhante carreira na
Rússia czarista como erudito, historiador, filósofo e censor literário.
Mas
o que ele realmente pensava sobre o sistema repressivo dos czares e sua atitude
em relação ao mundo exterior que ele guardava para si e para o seu diário
secreto. Não surpreendentemente, seu diário publicado postumamente foi
censurado tanto no final do período czarista, quanto no período soviético.
Só
agora a verdade está começando a emergir sobre quão terríveis os últimos 29
anos foram para a Rússia. A administração estava no caos; inclinações morais
foram suprimidas; o desenvolvimento intelectual foi interrompido; abusos e
desfalques cresceram em proporções monstruosas. E esse era o fruto do desprezo
pela verdade e uma fé cega e bárbara na força física...
16
de março de 1855
Mentiras,
mentiras e mais mentiras; uma cadeia infinita de mentiras. O que é mais
surpreendente nesta ordem de coisas é que é uma mentira e, ao mesmo tempo,
constitui um sistema. Como você pode falar sobre a necessidade da verdade
quando, sem ela, é possível administrar tão bem e obter tais benefícios para si
mesmo?
30
de agosto de 1855 (sobre a guerra da Crimeia)
Meu
Deus, quantas vítimas! Que desastre para a Rússia! Pobre Humanidade! Um único
aceno de um louco, embriagado com poder despótico e arrogância, foi o
suficiente para limpar a face da terra tantas almas na flor da vida, para
derramar tanto sangue e lágrimas, para causar tanto sofrimento. Temos conduzido
a guerra não por dois anos, mas por trinta, mantendo um milhão de homens
armados e ameaçando constantemente a Europa. Por quê? Que benefícios, que
glória a Rússia colheu disso?
O
jornalista russo Yuriy Dud´h apresentou recentemente o seu novo filme documental,
chamado “Kolyma – pátria do nosso medo”. O filme é dedicado à região de Kolyma,
um dos muitos locais onde se situava o famigerado arquipélago GULAG – o sistema dos campos de
concentração soviéticos.
O
filme é bastante comprido, 2h17, mas é bem feito: a história das repressões comunistas
é vista através das histórias pessoais daqueles, que foram atingidos pelas repressões
estalinistas em massa. Além disso, o filme mostra uma região bonita e as
pessoas que ainda hoje lá vivem e trabalham.
Em
2019, a taxa de aprovação do Estaline/Stalin chegou na Rússia aos 70%. Os seus
apoiantes, geralmente, acreditam em explicações bastante infantis para aceitarem
os crimes de estalinismo: “apenas os culpados eram presos”, “sem trabalho
escravo o país [União Soviética] não teria o dinheiro”, “Estaline/Stalin nada
sabia sobre as repressões e fuzilamentos”, “exageros locais”, “os números são
influenciados pelos democratas”, “Estaline/Stalin ganhou a guerra [II G.M.], o
resto não conta”, etc.
Questão
ucraniana
No
filme aparecem os infográficos sobre os prisioneiros do GULAG, mas a questão
não é comentada, nem discutida – no entanto, em 1949, ucranianos perfaziam 48% dos
prisioneiros do GULAG, em 1953 este percentual aumentou para 53%.
Entre
1951 e 1953 praticamente desaparecem os prisioneiros com mais de 45 anos de
idade, muito possivelmente, morrem, não aguentando o trabalho semi-escravo nas
fábricas e minas. No entanto, a percentagem de ucranianos presos com idades de até
25 anos aumenta significativamente – até 10% em apenas 2 anos.
Além disso, são pessoas
que no fim da II G.M., tinham no máximo 17 anos em 1945, ou seja, não participaram
na guerra. Esta percentagem indica um aumento significativo da resistência ao
sistema soviético no território da Ucrânia entre os jovens precisamente no
período pós-guerra (fonte).