quarta-feira, fevereiro 06, 2019

Ucrânia reconhece Juan Guaidó como chefe da única autoridade legítima na Venezuela

A Ucrânia reconheceu o líder da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como chefe da única autoridade democraticamente eleita na Venezuela, e acredita que ele será capaz de organizar eleições democráticas no país. Afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Kateryna Zelenko, aos representantes dos meios de comunicação social, de acordo com a declaração do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, escreve o serviço espanhol da agência noticiosa ucraniana UkrInform.

“Ucrânia reconhece Juan Guaidó como o chefe da única autoridade venezuelana democraticamente eleita, que é a Assembleia Nacional, assim como o líder da oposição democrática. Portanto, o retorno à governança democrática no país depende dele e de outros líderes das forças políticas venezuelanas, em particular através de acordos sobre a realização de eleições democráticas e certificadas por observadores eleitorais”, enfatiza Zelenko.

A porta-voz da MNE acrescenta que a Ucrânia pede às autoridades venezuelanas que façam todo o possível para evitar métodos violentos para resolver a crise política e combater a catástrofe económica que já leva a problemas humanitários e ao sofrimento do povo venezuelano.

Conforme relatado, um grupo de 19 países da União Europeia reconheceu o líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, como presidente interino do país, reforçando as exigências para que o presidente, Nicolás Maduro, se demitisse. São eles Alemanha, Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Hungria, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa e Suécia.

Por enquanto, Juan Guaidó, foi reconhecido por 23 países.

Venezuela: problemas com petróleo

Venezuela já armazenou 7 milhões de barris de petróleo nos navios petroleiros, que não consegue vender nos mercados externos. As sanções americanas proíbem às empresas americanas de negociar o petróleo venezuelano e as empresas estrangeiras não compram o petróleo venezuelano devido às sanções secundárias, além disso, o petróleo do país é muito específico, “pesado”, o que obriga os compradores o misturar com as espécies mais leves, que encarece a logística e a sua transformação.
O espaço nos barcos petroleiros deve acabar nessa semana, depois petróleo poderá ser armazenado nas facilidades dentro do país, o que poderá significar mais 10 dias de folga. Após disso, a indústria entrará em colapso, dado que os poços de petróleo não são nada fáceis para serem “conservados”.

... e com combustível

Os EUA deixaram de fornecer à Venezuela o combustível, o que significa que em 3-4 dias, máximo uma semana o país espera um novo colapso, desta vez de gasolina e gasóleo.

... e com ajuda humanitária

Maduro emitiu a ordem para que seu exército impeça a entrada dos camiões e comboios da ajuda humanitária no país. Da mesma forma Hitler decidiu em 1945 inundar o metro de Berlim, o povo alemão, na sua opinião, foi indigno da grande missão que lhe fora confiada e, portanto, tinha que desaparecer...
Os medos de Maduro são certamente compreensíveis – a distribuição da ajuda humanitária precisará de ter coberta das forças armadas estrangeiras simplesmente porque os mais fortes serão tentados roubar essa ajuda aos mais fracos e a vender no mercado – exatamente como aconteceu na Donbas, onde os separatistas e bandidos locais faziam fortunas vendendo essa ajuda internacional. Maduro teme a ajuda internacional, pois ela cria uma ameaça ao seu regime (e exatamente para escapar as acusações internacionais, Ucrânia nunca impediu a entrada ilegal da “ajuda humanitária” russa aos territórios ocupados).

Após os generais, se rebelam os coronéis e capitães, exortando o exército não apenas a reconhecer Juan Guaidó como o presidente legítimo, mas falando diretamente sobre a revolução popular armada contra o regime ditatorial.




Maduro teima em apelar ao Papa para ser intermediário e organizar o diálogo. Não percebendo que o seu tempo está se passar e realmente, no futuro próximo ele poderá seguir o caminho do Ceauşescu.

A Rússia continua persistentemente à chamar o presidente Juan Guaidó de impostor. Uma estranha política para quem investiu tanto na economia venezuelana. O exemplo do presidente Yanukovych não ensinou nada os aventureiros do Kremlin – a sua teimosia em apoiar Maduro poderá levar diretamente à situação em que o futuro governo venezuelano recusará pagar as dívidas do regime bolivariano. Resultando em mais carga fiscal e menos benefícios aos contribuintes russos...

segunda-feira, fevereiro 04, 2019

1964: O Brasil entre armas e livros

No dia 31 de março de 2019 foi marcada a pré-estreia oficial do maior documentário já produzido no Brasil sobre o período do Regime Militar brasileiro: 1964: O Brasil entre armas e livros.

O documentário reune as maiores autoridades no assunto para chegar a verdade sobre o tema mais controverso de história brasileira.

A equipa/e viajou até ao Leste Europeu para buscar nos documentos, até então, secretos, do StB, serviço de inteligência da extinta Checoslováquia os fa(t)os que até agora foram escondidos. Pela primeira vez eles irão ao público em forma de documentário.

Prepare-se, a sua visão sobre 1964 jamais será a mesma.

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Malevich: génio nascido na Ucrânia

No dia 21 de fevereiro na Ucrânia será exibido a longa documental «Malevich», dedicada à vida e obra do vanguardista Kazimir Malevich, para assinalar o 140º aniversário do nascimento do mentor do movimento artístico, conhecido como Suprematismo.

Por definição, Malevich é um dos dez mais importantes artistas contemporâneos, cuja obra do início do século XX influenciou o desenvolvimento da arte dos 100 próximos anos. O filme, criado com apoio do Derzhkino (a Agência estatal do apoio de Cinema na Ucrânia), incide sobre a época ucraniana do artista, pouco estudada até recentemente. Um dos principais objetivos dos realizadores foi estudar a origem ucraniana do artista. Durante as filmagens foi achado o local exato de nascimento de Malevich em Kyiv. Em Los Angeles, no Centro Getti, foram demonstrados originais coloridos do cenário do filme que o artista pretendia filmar com o seu colega, o realizador vanguardista Hans Richter. Nos últimos anos, tem havido tentativas de fazer um filme baseado neste material, que permanece pouco conhecido. Por isso, o filme ucraniano “Malevich” é a primeira tentativa de apresentar ao público geral as ideias do artista.

O filme «Malevich» é uma co-produção da Ucrânia (Fresh Production Group) e Itália (Pilgrim Film), com apoio financeiro da Agência estatal da Ucrânia de Cinema e Ministério da Cultura de Itália.

A estreia em Kyiv é marcada para o dia 21 de fevereiro no clube Bel Étage (rua Shota Rustaveli, № 16A). Desde o dia 28 de fevereiro o filme terá a exibição limitada em cinemas seletas de Kyiv, Kharkiv e Chernivtsi.

Anteriormente, no dia 1 de junho de 2018, em Kyiv, decorreu a estreia do filme documental do jornalista da Rádio Liberdade Dmytro Dzhulay Malevich. Quadrado da Ucrânia. A fita recebeu críticas positivas de críticos de arte e foi traduzida ao francês, checo e russo. Segundo o autor, o seu filme fala sobre a grande influência da cultura popular ucraniana e do ambiente ucraniano na obra de Kazimir Malevich, escreve Rádio Svoboda:

A ambição euro-atlântica da Ucrânia

Temos uma agenda muito ambiciosa no que diz respeito à nossa relação com a UE. Isto só foi possível porque a Ucrânia fez o seu trabalho de casa.

por: Inna Ohnivets, a Embaixadora da Ucrânia em Portugal, Publico.pt
Apesar de haver muitos céticos da perspetiva euro-atlântica da Ucrânia, e de muitos considerarem como ambiciosas e irreais as palavras do Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, de que em 2024 a Ucrânia irá pedir a adesão à UE, bem como iniciará a implementação do plano de adesão à NATO, o nosso país está a avançar no rumo europeu. E a Ucrânia, sem dúvida nenhuma, tem o direito de ter uma oportunidade para aderir à UE e à NATO, nem que seja porque o povo ucraniano assim o deseja e faz tudo para alcançar este objetivo. Vale a pena somente lembrar que, em novembro de 2013, o desvio do curso de integração europeia do nosso Estado foi a principal razão que levou a comunidade estudantil, não-indiferente, a reunir-se na Praça da Independência, ou seja, no Euromaidan, e a iniciar uma acção de protesto contra as mudanças na política externa.

No inverno sangrento de 2013 e 2014, os ucranianos juntaram-se no Euromaidan para defender a conclusão do Acordo de Associação com a UE. Não era apenas e nem tanto pelo Acordo em si, enquanto documento, mas pelos seus valores de referência e por este representar um guia prático no caminho para um modo de vida e um nível de prosperidade e desenvolvimento europeus.

Temos uma agenda muito ambiciosa no que diz respeito à nossa relação com a UE. O Acordo de Associação está finalmente a ser implementado na sua totalidade, estamos a avançar na aproximação da legislação e demos um grande passo em frente com a liberalização dos vistos. Isto só foi possível porque a Ucrânia fez o seu trabalho de casa.

Estando num conflito armado que dura há cinco anos, provocado e levado a cabo pela Rússia, a Ucrânia continua a implementar reformas, sendo este um assunto fundamental. É por isso que as avaliações positivas dos nossos parceiros europeus a respeito do processo de implementação das reformas no nosso país no âmbito do referido Acordo de Associação são da maior importância para nós. Refira-se, por exemplo, as avaliações do Parlamento Europeu, expressadas na sessão plenária a 12 de dezembro passado. Os eurodeputados salientaram que a Ucrânia tem desenvolvido reformas nas áreas da energia, da saúde, das pensões, da educação, da administração pública e da defesa, bem como tem avançado na reforma de descentralização e de implementação de medidas para estabilização bancária e macroeconómica.

A propósito, no passado dia 17 de dezembro, em Bruxelas, decorreu a reunião do Conselho da Associação Ucrânia-União Europeia, que resultou na assinatura de oito acordos financeiros com o custo total de mais de 400 milhões de euros.

Infelizmente, desde 1991, o Ocidente tem lutado para compreender as enormes implicações geopolíticas de uma Ucrânia independente, e tem tipicamente tratado o nosso país como um hóspede não convidado. Nas relativamente poucas ocasiões em que se dignaram a prestar atenção à Ucrânia, a maioria dos ocidentais tendeu a ver o país através do prisma distorcido e ultrapassado das narrativas russas. Porém, a Ucrânia passou pelos acontecimentos do Euromaidan e, com a concessão da autocefalia à Igreja Ortodoxa da Ucrânia, saiu incondicionalmente do período pós-soviético e da esfera de influência russa, e agora está no caminho para alcançar os padrões europeus.

Nos últimos cinco anos foram muitos os sucessos no rumo europeu e não só. Houve outras grandes mudanças que mostram como, decisivamente, a Ucrânia está a avançar. E o Acordo de Associação e a liberalização de vistos são os nossos primeiros, mas seguros, passos rumo à plena e confiante representação da Ucrânia no espaço comum europeu.

A Ucrânia vai ter eleições presidenciais e parlamentares em 2019, e esperamos que ambas as votações cimentem o pivô histórico do país em direção à integração euro-atlântica.

A autora escreve segundo o novo Acordo Ortográfico

Ucrânia: prisão de um antifascista de Donbass

No dia 2 de fevereiro, as forças ucranianas detiveram na Donbas (no arco de Svitlodarsk) o morador local que pretendia se alistar nos grupos armados ilegais russo-terroristas, informa o serviço de imprensa da Operação das Forças Conjuntas (OFC).
As forças ucranianas de uma das brigadas da linha da frente no arco de Svitlodarsk detetaram os movimentos estranhos na sua retaguarda e acabaram por deter uma pessoa que não reagia aos sinais de identificação definidos.

O detido foi identificado como cidadão da Ucrânia, “P”, nascido em 1977, com duas condenações criminais anteriores e uma “experiência” de mais de 15 anos atrás das grades.
Nas suas próprias palavras, em dezembro de 2018 e através da rede social “VKˮ, ele foi aliciado por uma ex-colega da escola, que lhe propôs entrar numa das unidades armadas das forças russo-terroristas à troco de 20.000 rublos russos mensais (cerca de 305,5 dólares americanos).

Após a concordância de “P” em trair Ucrânia, a ex-colega lhe disse para tentar “furar” a linha da frente, indicando o local exato, onde este seria esperado pelos separatistas.
Neste momento “P” foi entregue às agências da lei e ordem da Ucrânia, para a conclusão do processo de investigação e do futuro julgamento criminal. [A ex-colega recebeu a gratificação da secreta ucraniana, mas isso é um segredo só nosso].

Glória à Ucrânia!

Blogueiro: tal, como diz a estatística, os defensores da Ucrânia, em média, possuem duas formações superiores e os “voluntários antifascistas de Donbass”, também em média, pelo menos duas condenações criminais...

Bónus

Os duginistas franceses escrevem que no dia 2 de fevereiro o Mickael Takahashi, nom de guerre “Mischa Ronin”, o “ex-voluntário antifascista de Donbass” foi, passo a citação: “ferido ... por escoria antifa em Paris” (blessé ... par la racaille antifa à Paris). 
Um outro apoiante dos separatistas, nascido de Luhansk, Sergei Munier, numa das suas postagens diz que quem feriu o “Mika” foram os anarquistas dos Black Block (!) 
Ver mais fotos através do link
Mais um caso típico e múltiplo de vários militantes extremistas mais ou menos fascistas que se tornaram “antifa” apenas na Donbas e só para matar os ucranianos. Logo que retornaram à Europa, voltaram à sua condição habitual de fascistas, que andam à pancada com outros extremistas, estes que se intitulam de “antifa”. Convidamos os nossos queridos leitores à ajuizar quem é a verdadeira escória nessa história e quem é que são os verdadeiros nazi-fascistas na Donbas e fora dele...

domingo, fevereiro 03, 2019

Anti-semitismo na Europa: Ucrânia é uma das nações mais amigáveis aos judeus

Em vívido contraste com a infame narrativa russa, a Ucrânia é a nação mais amigável aos judeus na Europa Oriental e Central, de acordo com o Pew Research Center (EUA), escreve Ukrainian Jewish Encounter.org

Apenas 5% dos ucranianos não gostariam de ter judeus como seus concidadãos. Este é o nível mais baixo observado em todos os países da Europa Oriental e Central, conforme revelado em um relatório divulgado em 28 de março de 2018 sobre os resultados de uma pesquisa realizada pelo Pew Research Center (EUA).

A lista de outros países que são mais amigáveis aos judeus também inclui a Bulgária, Sérvia, Bósnia e Herzegovina, Croácia e Letónia. Apenas entre 7% à 9% dos adultos nesses países não aceitam os judeus como concidadãos.

Do outro lado do espectro, nos países da Europa Oriental e Central os que são mais hostis aos judeus são a Roménia (22%), a Lituânia (23%) e a Arménia (32%). Na Hungria e na Rússia, este valor é de 14%, na Polónia – 18% e na República Checa – 19%.
Consultar o estudo completo
Consultar o estudo completo: “Religious Belief and National Belonging in Central and Eastern Europe. National and religious identities converge in a region once dominated by atheist regimes”: ler em inglês

Bónus
Dmitri Shulman na entrada da Embaixada da Ucrânia em Israel
A bandeira da Ucrânia, na foto em cima, foi fabricada pelo mestre chocolateiro Dmitri Shulman da kibbutz israelita Dafna. Ele e os seus companheiros possuem a fábrica de chocolate, museu de chocolate, café com saborosos bolos e doces. A bandeira foi criada após o início da atual guerra russo-ucraniana para ser vendida no leilão no Centro cultural ucraniano em Bat Yam. A bandeira foi vendida e os fundos usados para apoiar os militares ucranianos, que defendem a soberania e independência do país no leste da Ucrânia (fonte).
Blogueiro: a atual guerra russo-ucraniana realmente é uma chance ímpar de acabar de vez com qualquer anti-semitismo e qualquer sentimento hostil entre judeus e ucranianos. A guerra possui essa vertente maravilhosa de chegar até às raízes mais profundos e revelar quem é a boa pessoa e amigo da Ucrânia e quem é filho do capeta e não presta. Independente da sua etnicidade, origem, ideologia política ou mais que diversos gostos quotidianos. Essa é única forma de deixar as feridas do passado para trás e caminhar para o futuro. Futuro, onde as duas nações têm muita coisa à ganhar, partilhando os interesses comuns.

sábado, fevereiro 02, 2019

Mais de 200 paróquias, mosteiros e padres se juntam à Igreja Ortodoxa da Ucrânia

Faça click para ver o mapa interativo
Mais de 200 paróquias, mosteiros e padres passaram da IOR (Patriarcado de Moscovo) à nova Igreja Ortodoxa da Ucrânia, o mapa interativo dessa extraordinária ucrainização religiosa foi visto por mais de 1 milhão de internautas.

As 184 paróquias e 2 igrejas catedrais já se mudaram da Igreja Ortodoxa Russa (Patriarcado de Moscovo) para a Igreja Ortodoxa da Ucrânia (PCU). Deve-se notar que este processo está ganhando força. Muitos aguardam a entronização oficial do metropolita Epifaniy no dia 3 de fevereiro e ainda o dia 6 de fevereiro, quando irá ocorrer a abertura do Sínodo Sagrado da nova igreja autocéfala, onde serão realmente aprovados as questões da distribuição de territórios ao clero da nova igreja.

No entanto, muitas paróquias e sem esperar por esses eventos já anunciaram a sua transição para a UPC. Isto ocorre principalmente às regiões ucranianas de Vinnitsya, Lviv, Khmelnitsky, Rivne, Volyn e Cherkasy, onde o processo é massificado. Além disso, transições semelhantes foram registrados na cidade de Kyiv e na região de Kyiv, assim como nas regiões de Dnipropetrovsk, Zaporizhia, Odessa, Mykolaiv, Zhytomyr, Chernivtsi, Transcarpátia, Kharkiv e até mesmo na região de Lugansk. Até a paróquia da estação científica ucraniana “Académico Vernadsky”, situada na Antártida, se filiou na PCU.
Foto: leopolis.news | Ler mais sobre a estação
A maioria das transições é pacífica e decorre sem conflitos. Mesmo nos locais, onde os sacerdotes da IOR (Patriarcado de Moscovo) se recusam a seguir o seu rebanho. Os casos isolados, como deixar cair ícones ou sinos da igreja, tentativas de queimar o templo ou ameaças verbais de “arder no inferno”, não são relevantes e não conseguem manchar o processo em curso...

Blogueiro: no ordenamento jurídico da Ucrânia, as igrejas construídas após 1991 pertencem à cada paróquia respetiva (e as mais antigas ao Estado), como tal, para passar de uma igreja à outra, é preciso apenas que a comunidade (paróquia) se reúne e vote para manifestar a sua escolha. É um princípio bastante democrático, que impede aos padres, eventualmente, impor a sua lealdade individual, contra a decisão coletiva dos paroquianos.  

Ver o mapa interativo: https://goo.gl/iEibAk

Como os vizinhos salvaram Guaidó: “Que emoção é ser um grãozinho de areia na História do nosso país!”

Juan Guaidó Presidente interino da Venezuela | foto: Federico Parra AFP/Getty Images
Quando uma força especial da policia entrou na casa do Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, os vizinhos mobilizaram-se para o defender. Uma venezuelana conta como tudo aconteceu: Que emoção!

por: João de Almeida Dias, Observador.pt
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
Esta quinta-feira, enquanto apresentava o seu plano para o país numa sessão previamente agendada, Juan Guaidó soube que as FAES (Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana) tinham entrado na casa dele, numa altura em que estava lá a sua filha de 20 meses e a sogra. Os vizinhos saíram a correr para a porta do prédio, para gritar contra as autoridades e a favor do homem que é, desde 23 de janeiro, o autoproclamado Presidente interino da Venezuela — e assim reconhecido pelos EUA e pelo Parlamento Europeu.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
Tudo isto aconteceu na urbanização de Santa Fe Norte, bairro onde nasceu e cresceu Ines Gonçalves, empresária de 45 anos. Ficou a saber de tudo o que se passava pela mãe, uma idosa de 84 anos, e pela empregada que a acompanha. Nas próximas linhas, segue-se o relato na primeira pessoa de Ines Gonçalves, resultado de um depoimento ao Observador:

“Assim que se soube que a polícia tinha subido para ir à casa do Guaidó, os vizinhos juntaram-se todos na porta do prédio para o defenderem até onde desse. Ele estava a fazer uma apresentação do “Plan País” na Universidade Central de Venezuela, em Caracas, quando se soube de tudo. Ele escreveu logo um tweet a dizer que as FAES tinham entrado na casa dele, onde estava a filha de apenas 20 meses com a avó, a sogra de Guaidó, a tomar conta dela.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
A notícia espalhou-se num instante, foi incrível. Os vizinhos começaram a gritar nas varandas: ‘As FAES vêm atrás do Guaidó!’. A minha mãe contou-me que toda a gente desceu à rua, todos aos gritos, a dizer ‘Viva Guaidó, fora FAES!’.

A adrenalina que sentimos neste momento na Venezuela leva as pessoas a agir de maneira impensável. Nunca passaria pela cabeça destas pessoas saírem de casa a gritar contra as FAES, até porque eles estão sempre à paisana e agarram qualquer um. Fazem o que querem com quem querem, para eles tanto faz! Mas só de pensar que lhe podiam fazer alguma coisa, ou, pior ainda, à filha dele, as pessoas foram imediatamente para a rua. Se eu lá tivesse estado, tinha ido logo, sem pensar. Não quero que nos tirem esta esperança.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
Aquele bairro tem muitas senhoras idosas, como a minha mãe, e digo-lhe já: foram todas para a rua com a roupa que tinham no corpo só para defenderem o Guaidó. É que esta urbanização, que é Salta Fe Norte, que é da classe média, sempre foi muito opositora. É das zonas de Caracas onde há mais manifestações de repúdio ao governo. E calha que o Guaidó vive lá. Por isso as pessoas quiseram ir defendê-lo, porque ele deu-nos esperança. A minha mãe também quis ir, mas ela não pode, não tem saúde para isso. Já tem 84 anos e foi operada ao joelho. Então pôs-se a gritar da janela e mandou a empregada lá para baixo!

Depois até veio uma multidão de jornalistas para a conferência de imprensa do Guaidó. Nunca pensei que houvesse uma coisa destas no bairro onde cresci!
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019, Carácas
As pessoas ficaram lá duas horas. Não sei bem como foi com as FAES. É até possível que eles tenham saído antes de as pessoas chegarem, não sei. Mas, seja como for, foi bonito as pessoas irem para lá defender o Guaidó. Porque até há uns dias ninguém o conhecia e a verdade é que já ninguém acreditava na oposição. Mas o Guaidó é uma cara nova, não era conhecido. Por isso é que as pessoas foram. Ele agora é um símbolo! Foi uma coisa incrível as pessoas terem tido a coragem de estar ali. Os venezuelanos recuperaram a esperança na luta.
A manif anti-Maduro e pró-Guaidó de 2/02/2019 (?), Austrália
À noite, o Guaidó ligou à associação de condóminos e disse que queria falar aos vizinhos como gesto de agradecimento. E assim foi: juntaram as pessoas num campo de jogos da urbanização e ele agradeceu-lhes por terem saído em defesa da sua família. Falou da importância da esperança, foi muito bonito. Ele é uma pessoa muito corajosa por tudo o que está a fazer. Eu acho que as pessoas que não são da Venezuela não entendem totalmente o risco que ele corre, e também a família dele, por estar a fazer isto. E por isso, contou-me a empregada da minha mãe, as pessoas estavam todas emocionadas. Que emoção enorme é ser um grãozinho de areia na História do nosso país!”

Ver vídeo de Guaidó a agradecer aos vizinhos:





Bónus

O General de Divisão e Diretor de Planeamento Estratégico do Alto Comando Militar da Aviação, Francisco Estéban Yánez Rodríguez, reconheceu Juan Guaidó como Presidente interino da Venezuela, escreve El-Nacional
“Hoje, com orgulho patriótico e democrático, informo que não conheço a autoridade irritante e ditatorial do senhor Nicolás Maduro e reconheço o Deputado Juan Guaidó como presidente da República Bolivariana da Venezuela, pelo qual me coloco dignamente ao seu serviço, afirmou em vídeo:



Da mesma forma, assegurou que 90% das Forças Armadas não apoiam Nicolás Maduro e que a transição para a democracia é iminente. “90% das Forças Armadas não estão com o ditador, estão com o povo da Venezuela (...) Peço aos companheiros de armas que não reprimam mais”, afirmou general Francisco Estéban Yánez Rodríguez.

Além disso, ele alertou que os colegas da aviação lhe informaram que Maduro tem dois aviões prontos todos os dias, sugerindo que use um deles para sair do país imediatamente.

Yánez foi nomeado Presidente da Junta Permanente de Avaliação do Comando Geral da Aviação Militar Bolivariana em 2015.

Bónus II

Vídeo curto, mas preciso, chamado What's Happening in Venezuela?: Just the Facts, onde a comediante venezuelana Joanna Hausmann explica de forma cristalina (e sentida) o que se passa no seu país (em inglês, mas com legendas em espanhol). Muito bom:


sexta-feira, fevereiro 01, 2019

URSS: os gorros que roubava o futuro ex-presidente Yanukovych

Na União Soviética o gorro (shapka) de inverno era muito mais do que uma simples peça do vestuário. Simbolizava o estatuto do seu proprietário na sociedade soviética (custando até 2-3 salários mensais) e alvo apetecível dos amigos do alheio. Um destes ladrões era o ex-presidente da Ucrânia, fugitivo na Rússia desde 2014, Viktor Yanukovych...

02. Nas décadas de 1940-50, na União Soviética não havia grande escolha dos gorros de inverno, os homens usavam as shapkas de alguma pele barata (coelho, lebre, gato) e as mulheres tapavam as cabeças com os lenços de materiais naturais, as fibras sintéticas eram pratiamente inexistentes.
A foto em cima de 1959 mostra a “moda de inverno” da época, o homem com um gorro simples, as mulheres com os lenços.

03. Na década de 1970 entraram na moda os gorros tricotados, “galitos”, apreciados pelos desportistas, caçadores, ciclistas, alpinistas e jovens. O seu nome “galito” o gorro ganhou por causa da crista característica, formada devido à forma alongada do gorro na sua parte superior. Os membros destacados do partido, representantes da elite estatal e todos aqueles que desejavam ter aparência “séria” evitavam este tipo de vestiário, usando os gorros de pele.
Os “galitos” dos jovens na década de 1990.

04. Os chapéus de pele tinham uma “diferenciação” clara – os cidadãos comuns usavam o gorro simples da pele “não nobre” (como lebre), os funcionários do partido poderiam usar o chapéu da pele do rato almiscarado, os oficiais militares e chefes do partido – tinham os chapéus de pele astracã. Aliás, os gorros de astracã adoravam Brezhnev e Khrushchev:

05. Na era Brezhnev eram populares os chapéus de “rena-jovem”. Eram feitas, de forma bastante bárbara de peles de renas bezerros de seis meses, cuja pele era considerada especialmente quente e ao mesmo tempo leve. Este tipo de shapka era considerado um indicador de claro de status, na sua maioria era usado pela elite do partido comunista e entre os “cidadãos comuns” a podia obter e pagar apenas os diretores e gestores de lojas ou auditores comerciais.
O exército soviético também tinha os seus chapéus especiais – ushanka (literalmente a orelhuda): os soldados e sargentos tinham os gorros de pele sintética de cor azulada. Esta pele era muito inferior às propriedades térmicas de pele natural, por isso os chapéus receberam o nome de “shapka-ushanka de pele de peixe”, eis, em cima, a sua aparência.

06. Chapéus da pela da doninha-europeia surgiram na década de 1980, e logo se tornaram o fetiche da moda, assim como indicador certo para medir o rendimento do proprietário – o preço de um gorro poderia chegar até 2 ou até 3 salários soviéticos médios (até 250-350 rublos / 420-593 dólares ao câmbio oficial). Na época também eram muito apreciados os gorros de pele da raposa cinza – nos finais dos anos 1980 – início dos anos 1990, as peles eram trazidas à URSS da Polónia (em forma do contrabando), e em seguida, usadas para fazer os gorros, também era bastante popular a versão feminina gorro / colarinho de paletó do mesmo tipo da pele.
Este tipo de gorro era guardado como uma peça bem valiosa – muitas vezes numa caixa de papelão especial, dentro da shapka era colocado um cilindro de papelão, e na própria caixa colocava-se um pedaço de sabonete perfumado para afastar as traças (o naftaleno para este fim era demasiadamente malcheiroso). A peça do vestuário das senhoras da moda daquela época (na foto em cima).

07. O futuro ex-presidente ucraniano Yanukovych, na década de 1960 se especializava, inserido numa quadrilha, no roubo de gorros de pele de rato-almiscarado e renas-fulvo, de maneira muito extravagante – nas casas de banho/banheiros públicas/os. Enquanto a sua vítima desavisada ​​estava sentada no vaso sanitário, Yanukovych, rapaz bastante alto, de repente passava ​​as mãos da cabine circunvizinha, arrancava o gorro e fugia correndo. Tal método era considerado bastante seguro para o ladrão, pois a vítima, na verdade, não via o agressor e não poderia mais tarde identificá-lo, mais, graças à sua posição sensível não era capaz de perseguir imediatamente o ladrão.
Na mesma época, para se defende de ladrões, os cidadãos começaram usar um elástico – o gorro valioso levava costurado uma faixa elástica, escondida e esticada sob o queixo, que não permitia aos ladrões arrancar o gorro com muita facilidade. E ainda existiam os chapéus da “rena-jovem falsos”, que não eram tão decepcionante a perder, embora visualmente também eram inferiores aos originais. Nesta foto atrás da vendedora se pode ver um gorro masculino de baixa qualidade e com a pintura artesanal “à rena-jovem”:

08. Muitas crianças soviéticas usavam um chapéu de pele de laços com pompons de pele – eram bem quentes, mas muitas vezes tapavam os olhos ou as orelhas. Os gorros de malha “galitos” (que podiam custar até 25 rublos ou 42 dólares) foram populares entre os miúdos na década de 1980, eram bastante densos, quentes e praticamente à prova de vento. Na imagem de 1989 podemos ver a “moda infantil”de inverno da época:
Foto @GettyImages | Texto @Maxim Mirovich