25
anos atrás, em outubro de 1993, a cidade de Moscovo viveu o golpe e contragolpe do Estado, impasse militar entre o Parlamento (Conselho Supremo), dominado pela
antiga nomenclatura comunista e Boris Yeltsin, dado, cada vez mais, aos tiques
autoritários e que, no fim das contas, resultou em fortalecimento do poder
ilimitado do presidente e da derrocada final da democracia liberal na Rússia.
Moscovo, metro Smolenskaya, a manif e barricadas antigovernamentais, 2/10/1993
Slogan: "Somos russos! Deus está connosco!"
Em
dezembro de 1992, o Supremo Conselho recusou-se a aprovar o candidato de
Yeltsin, Yegor Gaidar (1956-2009),
ao posto de chefe de governo. Em março de 1993, Yeltsin fez um discurso
televisivo anunciando a suspensão da constituição russa. O parlamento, em
resposta, tentou anunciar o impeachment
do Yeltsin, mas a ideia foi apoiada por apenas 617 deputados, dos 689 votos necessários, e então os deputados decidiram
realizar o referendo popular de não-confiança em Boris Yeltsin e em suas
políticas. O referendo
foi realizado em 25 abril de 1993, o desempenho do Boris Yeltsin foi aprovado
por 59,9% dos votos; as suas políticas por 54.3%; além disso 51,2% votaram
contra as eleições presidenciais antecipadas e 69,1% se manifestaram ao favor das
legislativas antecipadas. O vice-presidente russo, Alexander Rutskoi, herói
popular da guerra soviética no Afeganistão, se opôs abertamente ao Yeltsin. Em
resposta, Yeltsin demitiu Rutskoi – mas a decisão foi contestada pelo Conselho
Supremo. Como resultado, o vice-presidente e a maioria do parlamento russo se uniram
contra Boris Yeltsin, o acusando de tentar usurpar o poder e violar a
constituição. O poder estatal na federação russa ficou paralisado.
Os deputados russos do Conselho Supremo na "Casa Branca",
após a corte de eletricidade, água e telefones (desde 23/09/2018)
Moscovo, metro Smolenskaya, a manif e barricadas antigovernamentais, 2/10/1993
Desde
o dia 1 de maio de 1993, as manifestações comunistas, apoiados pelos
nacionalistas, nazis e fascistas russos entravam com confrontos esporádicos,
mas permanentes com a polícia moscovita.
Moscovo, manif anti-governamental, rompimento dos cordões policiais, 03/10/1993
Em 21 de setembro de 1993, Yeltsin emitiu o decreto № 1400 sobre a dissolução do Conselho Supremo. O Conselho Supremo votou pela cessação da autoridade de Yeltsin e pela transferência de poder ao vice-presidente russo Alaxander Rutskoi. A decisão do parlamento foi apoiada, não oficialmente, por alguns líderes das regiões russas. O Tribunal Constitucional apoiou o Conselho Supremo. No dia 27 de setembro os opositores ao Boris Yeltsin saíram às ruas de Moscovo, alguns deles estavam armados com caçadeiras e AK, principalmente os elementos da segurança dos deputados, do parlamento e do vice-presidente Rutskoi. Boris Yeltsin, em geral, controlava a situação em Moscovo, onde era apoiado pelo prefeito da cidade, Yury Luzhkov.
Polícia russa primeiro foge, mas depois se reorganiza responde com fogo
No
dia 23 de setembro de 1993 um grupo de manifestantes, liderados pelo chefe do
grupo nacional-comunista “União dos Oficiais”, ultra marxista e assessor do
“ministro da defesa” do governo papalelo do Rutskoi, Stanislav Terekhov (1955-2017)
tomou a decisão de ocupar o quartel-general das Forças Armadas Unificadas dos
países da CEI (ex-URSS). No ataque morreu um polícia, um dos agressores e uma mulher
civil, vítima de bala perdida. Após o ataque, o governo do Boris Yeltsin declarou
os defensores do parlamento de grupo armado ilegal, estabeleceu um cordão de
isolamento em redor da “Casa Branca” (sede do Governo russo, ocupado pelo apoiantes
do Parlamento) e mandou desmantelar as barricadas dos seus defensores.
Momento em que o vice-presidente russo Rutskoi exorta tomar a prefeitura de Moscovo e TV Ostankino.
Ele foi responsável moral pelas dezenas de mortos. Mais tarde ele comentará este episódio:
“Claro, foi um erro. Eu não queria sangue. Mas os nervos estavam tensos”.
Num dos camiões/caminhões abandonados pelos militares, o líder ultra comunista Victor Anpilov
(1945-2018) com megafone nas mãos leva os seus apoiantes à atacar a TV Ostankino.
No
dia 2 de outubro de 1993, na praça (junto à estação do metro) Smolenskaya, em
Moscovo, foram erguidas as barricadas e decorreram os confrontos com a polícia.
Mas tudo se precipitou em 3 de outubro de 1993, quando a multidão de dezenas de
milhares de manifestantes, após a manif
na praça de Outubro marchou rumo à “Casa Branca”. Os cordões, formados pela polícia
e militares do Ministério do Interior, armados apenas com escudos e bastões foram
facilmente rompidos. Polícias estavam fugindo, perseguidos pela multidão
enfurecida. Polícia e militares eram espancados, lhes arrancavam escudos, capacetes,
cassetetes. Manifestantes usavam os escudos para golpear os jovens militares.
Alguns dos principais líderes da rebelião anti-Yeltsin em 3-4/10/1993, de esquerda à direita:
Viktor Anpilov, Ilya Konstantinov (1956) e Albert Makashov (1938)
A
multidão revoltosa consegui ocupar o edifício da prefeitura de Moscovo. Sob o
comando do notório anti-semita, ex-general e nacional-comunista russo Albert Makashov (1938),
a multidão nacional-comunista armada com AK e pelo menos um morteiro PG-7VR com duas
cargas explosivas se dirigiu para ocupação e controlo de TV russa em Ostankino
(atual 1º canal da TV estatal russa).
Nacional-comunistas armados com AK na entrada de Ostankino
A unidade de polícia de choque “Vityaz”
Entendendo
a gravidade da situação, o governo do presidente Yeltsin reforçou a defesa de Ostankino,
às 19 horas do dia 3 de outubro de 1993, o complexo de edifícios foi guarnecido
por cerca de 480 policiais e militares do Ministério do Interior, com a
presença da unidade de polícia de choque “Vityaz” e forças especiais. As forças
russas da lei e ordem dispunham de cerca de 320 AK, metralhadoras, espingardas/rifles
de precisão, 130 pistolas, 12 morteiros, incluindo um morteiro antitanque
RPG-7, com uma quantidade suficiente de munição. Eles também dispunham de seis
veículos blindados tipo BTR, meios de comunicação, sistemas de proteção pessoal
e meios especiais de ataque e defesa. O comando geral foi exercido pelo
vice-comandante das tropas do Ministério do Interior, que dispunha de poderes
correspondentes.
O momento em que a polícia russa responde com fogo indiscriminado
Os
manifestantes nacional-comunistas tentaram entrar no edifício, derrubando as
portas da entrada com uso de um camião/caminhão. Em algum momento os atacantes
dispararam contra o prédio, usando o morteiro RPG, as forças especiais abriram
fogo cerrado em resposta. Como foi estabelecido mais tarde pela investigação, um
militar das forças especiais que defendia prédio foi morto por um disparo na nuca,
devido à um acidente, ou então, sacrificado pelos seus, para justificar a
resposta armada dos defensores. As forças especiais russas abriram fogo indiscriminado
contra a multidão que se aglomerava na entrada de Ostankino. Entre 46 à 50 pessoas
foram mortas, incluindo dois jornalistas ocidentais (no total em Ostankino morreram três cidadãos ocidentais).
As barricadas das forças anti-Yeltinin junto à "Casa Branca", 2/10/1993
Um dos feridos nas ruas de Moscovo
Os primeiros mortos e feridos entre as forças anti-Yeltinin junto à "Casa Branca", 3/10/1993
Oficial do serviço de bombeiros, ferido pelos defensores da "Casa Branca"
Junto
à “Casa Branca”, os seus defensores nacional-comunistas reforçavam as
barricadas, esperando o ataque dos militares, fiéis ao governo central russo.
As barricadas dos apoiantes do governo central russo do Boris Yeltsin, 2-3/10/1993
Eram erguidas as barricadas na rua moscovita Tverskaya, onde se esperava o ataque dos neonazis russos do grupo Unidade Nacional Russa (RNE) do Alexander Barkashov (em 2014-15, o mesmo grupo se “destacou” em assassinatos e torturas dos ucranianos no leste da Ucrânia, onde atuou sob o nome de “Exército Ortodoxo Russo”).
Os neonazis russos do grupo Unidade Nacional Russa (RNE), em 2014-15 o grupo
atuou no leste da Ucrânia sob o nome de “Exército Ortodoxo Russo”
O
dia seguinte, 4 de outubro de 1993, foi marcado pelo tiroteio nas proximidades
da embaixada americana, os rumores falavam dos míticos “franco-atiradores nos
telhados”. Policiais, usando os capacetes do exército disparavam às longas
rajadas, usando AK, contra os andares superiores de um dos arranha-céus na
avenida Kalinin, contra o suposto franco-atirador escondido.
“Casa Branca” alvejada pelos tanques da divisão Tamanskaya, 4/10/1993
Destacamento "Alfa" do FSB se prepara ao assalto final da "Casa Branca"
Filtração dos revoltosos
"Alfa" supervisiona a saída dos deputados da "Casa Branca"
Polícia do serviço de proteção da "Casa Branca"
A guerra civil acabou, "Casa Branca" começa ser restaurada
De
seguida, e no mesmo dia, o exército russo posicionou os blindados da divisão
Tamanskaya em frente da “Casa Branca”, onde estavam entrincheirados os
deputados do Conselho Supremo e os seus apoiantes nacional-comunistas, os
tanques começaram atirar, à queima roupa, contra o edifício. Milhares de
pessoas estavam em redor como meros espetadores de mais um pesadelo russo, com
mortos e feridos de ambos os lados. Uma câmara da CNN na avenida Kutuzovsky
filmava tudo desapaixonadamente, permitindo aos milhões de espetadores em todo
o mundo assistirem à revolta russa “sem sentido e sem a piedade”. A jornalista
americana disse algo que na tradução russa soou assim: “mais uma vez na
história, os russos se matam uns aos outros”...
No
total, no decorrer do golpe e do contragolpe de Moscovo, de acordo com os dados
oficiais, morreram 158 pessoas e 423 ficaram feridas.
De
acordo com o ativista russo dos direitos humanos Yevgeny Yurchenko, um dos
fundadores da sociedade histórica russa “Memorial”, nos eventos de setembro –
outubro de 1993, e tomando em consideração apenas os casos dos desaparecimentos comprovados ou de existência das testemunhas da morte, morreram 829 pessoas. Possivelmente essa lista está incompleta, escreve a página russa russian7.
"Casa Branca" à arder após ser alvejada pelo blindados | foto: russian7.ru
Como
consequência direta da sua vitória, Boris Yeltsin mudou a constituição, aboliu
o cargo de vice-presidente e elegeu um parlamento mais obediente. A propaganda
estatal russa transformou a palavra “democrata” e “democracia” em palavrões, Rússia
começou gradualmente perder as liberdades civis, o poder estava concentrado nas
mãos de Yeltsin e do circuito próximo, alguns oligarcas e siloviki (exército, polícia, FSB).
Boris Yeltsin em 1993 | foto: ITAR-TASS
Já
no ano seguinte Boris Yeltsin enviou as tropas russas à Chechénia – também sem
hesitação, sem planos, sem preparação, o ministro da defesa russo Pavel Grachov prometia a tomada
da cidade de Grozny em apenas algumas horas. O poder de Yeltsin se tornou
ilimitado. As duas guerras na Chechénia, que se seguiram, se transformaram numa
aventura sangrenta e se saldaram em dezenas de milhares de mortos. Na base de
todo esse sangue derramado, um ex-oficial do baixo escalão do KGB tomou o poder
autocrático das mãos de um alcoólico/alcoólatra...
O Ministro da Defesa dos Países
Baixos informou
que a inteligência militar russa (GRU) estava tentando roubar os documentos relacionados com a investigação do abate, pela Rússia, do Boeing-777 do voo MH17, que se deu na Ucrânia em 2014,informa agência
noticiosaAssociated
Press.
Anteriormente,
no dia 4 de outubro
de 2018, as autoridades da
Holanda revelaram
os detalhes da expulsão,
em abril de 2018, de quatro operativos
do GRU russo
(revelando os dados dos seus passaportes diplomáticos) detidos em 13 de abril de 2018 quando planeavam cometer um ataque cibernético à Organização
para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).
Os operativos do GRU russo chegaram à Haia no dia 10/04/2018,
recebidos, no aeroporto, pelo consul da federação russa
Aleksei Morents (1977): operador TI/hacker
Alexey Minin (1972): acompanhante
Evgenii Serebriakov (aka Serebryakov), 1981, especialista em TI / hacker
Oleg Sontnikov (1972): apoio de HUMINT (Human Intelligence)
Equipamentos russos apreendidos e esquema representativo do ataque
Equipamentos russos apreendidos e esquema do seu uso no ataque
Péssimo 007, no momento da detenção Morents tentou partir o seu próprio telemóvel
O Departamento de Justiça dos EUA apresentou a acusação formal contra sete agentes de inteligência militar russa GRU (acusados de ataque informático russo contra agência antidopagem WADA, USADA e Tribunal Internacional de Arbitragem, divulgando, indevidamente os dados pessoais dos cerca de 250 atletas), de acordo com Erik Welling, o Vice-Diretor Assistente do FBI da divisão cibernética, os três deles já foram acusados nos EUA em conexão com a interferência ao processo eleitoral americano. Os agentes russos são acusados de branqueamento de capitais e o uso da criptomoeda para financiar as suas atividades criminais, parcialmente nos EUA.
Os
últimos 6 tanques ucranianos “Oplot-T” passaram com sucesso nos testes na Tailândia. Em 13
de setembro, as máquinas fábricadas em Kharkiv completaram os testes de campo e dos disparos diurnos
e noturnos, tornando-se oficialmente, a parte do 2º Batalhão de Cavalaria do exército tailandês,
escreve o blogueiroandrei-bt.
A revista brasileira IstoÉ desta quarta feira
explica como Lula montou um quartel-general de campanha dentro da cadeia. As
negociações envolvem até repasse de dinheiro por jatinhos.
80
anos atrás, em 27 setembro de 1938 foi presoSergei
Korolev– o pai do programa espacial soviético, o homem que lançou o
primeiro satélite e mandou Gagarin ao espaço. Mas antes disso, Korolev foi espancado
e torturado pelo NKVD, enviado ao GULAG, da onde voltou, apenas graças à uma coincidência
histórica.
Quem
era Sergei Korolev?
Sergei
Korolev nasceu em 1906, na cidade ucraniana de Zhytomyr, localizada à cerca de
140 quilómetros ao oeste de Kyiv, o pai de Sergei veio de Mogilev, em Belarus. Sergei
estudou nos ginásios de Kyiv e Odessa, após golpe bolchevique de 1917 continuou
a educação em casa – os seus pais eram professores. Já na escola Sergei se interessava
pela aviação e aos 17 anos desenhou o projeto de um avião não motorizado. Na
década de 1920 Korolev estudou no Instituto Politécnico de Kyiv e na Universidade
Bauman (MVTU) de Moscovo – ainda estudante, ele projetou alguns aviões e se
interessou em desenvolvimento de foguetes e mísseis.
CV manuscrito (em ucraniano) do Korolev na epoca dos seus estudos no Instituto Politécnico de Kiyv.
3. Nacionalidade: Ucraniana
No
início da década de 1930, Sergei Korolev desenvolveu vários protótipos de
mísseis, e mais tarde, após a sua libertação dos campos de concentração
soviéticos de GULAG, tem trabalhado na zona de ocupação soviética na Turíngia,
onde estudou o equipamento alemão, capturado pelos soviéticos no fim da II G.M.
Em 1946 e para estudar os mísseis alemães FAU-2 na cidade de Nordhausen foi
criado o instituto soviético-alemão sob o nome de “Nordhausen”. Neste instituto
e na base do modelo alemão do foguete V-2, foi criado o primeiro grande míssil
balístico soviético R-1 – na realidade apenas uma modificação do foguete
alemão.
Na
década de 1950, Korolev trabalhou em várias modificações de mísseis R-1, terminado
o desenvolvimento do míssil R-5 e começou a desenhar o míssil intercontinental
R-7. Além de aprimoramento da tecnologia alemã, Korolev também introduziu
inovações – criando os primeiros mísseis balísticos que usavam os componentes
de combustível estável. Em 1957, usando o foguete R-7, o primeiro satélite
artificial da Terra chamado “Sputnik” foi lançado em órbita.
Mais
tarde, diversos outros satélites foram criados na base dos projectos do Korolev,
e em 1961, com a ajuda de míssil “Vostok-1”, Korolev enviou para a órbita da Terra
o cosmonauta Yuri Gagarin (embora existam versões de que Gagarin nunca foi ao
espaço, mas isso é uma outra história).
Sergey
Korolev era uma pessoa muito genial e inovadora, mas tudo isso poderia não
acontecer. Os livros soviéticos nunca falavam disso – mas no final da década de
1930 Korolev foi preso, torturado e condenado aos 8 anos do GULAG sob acusações
comunistas absolutamente delirantes.
Quem
e porque prendeu Korolev?
No
final da década de 1930 as repressões comunistas alargaram a sua escala,
iniciando o Grande Terror estalinista – às centenas eram detidos escritores, poetas,
cientistas, políticos, artistas, etc. Eram acusados de espionagem (por vezes, a
suposta espionagem ao serviço de várias agências estrangeiras simultaneamente),
participação nas “organizações trotskistas” ou “organização de atos de
sabotagem”.
Trecho do protocolo № 68 da Reunião Especial do NKVD da URSS de 10/VII/1940
Bastava
ter em casa um dicionário de palavras estrangeiras para ser acusado de
espionagem, como pretexto para acusações de pertencer à um “organização
trotskista” bastava a conversa telefónica com esposa, criticando o aumento dos
preços da manteiga. Quanto à “sabotagem” – tudo podia servir de pretexto aos carrascos
de NKVD – desde neve não recolhida do quintal até a quebra de uma ferramenta num
torno mecânico.
A
hora do Sergei Korolev chegou em 27 de junho de 1938, quando ele foi preso sob acusação
de “sabotagem”.
Como
Sergei Korolev foi torturado na prisão
Os
métodos de interrogatórios do NKVD se baseavam numa só ideia: “a confissão é a rainha
de provas”. Já no segundo dia após a sua prisão, em 28 de junho de 1938, o
investigador Shestakov tinha chamado Korolev de “bastardo fascista”, após disso,
o cientista foi colocado na “linha contínua” – quando o acusado durante dias
não bebe, não come, não dorme, ficando de pé em frente de “investigadores”, que
estavam mudando, para comer, beber e descansar.
Na cadeia moscovita de Butyrka em 27/06/1938, no momento da sua prisão
No
decorrer dessa tortura o futuro académico soviético era espancado com
mangueiras de borracha, levava golpes na virilha, lhe cuspiam no rosto. O
investigador Shestakov era apoiado pelo ajudante chamado Bykov. No dia 13 de
junho, o próprio Korolev descreveu as torturas, de forma muito discreta, na
carta dirigida ao Estaline – “Shestakov e Bykov me sujeitaram às represálias
físicas e aos abusos”.
Os
carrascos forçavam Korolev à “confessãr” que este era membro da “unidade de
combate” de uma “organização anti-soviética clandestina subversiva”. Korolev foi
implicado na participação dessa suposta organização pela confissão do engenheiro-chefe Georgy Langemak [criador do sistema soviético
de mísseis Katyusha, futuros Grad; cientista que desenvolvia a pólvora sem fumo, inventor
da palavra cosmonáutica, entre outros], após doze dias de tortura, completamente
fora de contato com a realidade, num estado de inconsciência dinâmica.
Korolev
aguentou por três meses – o seu julgamento teve lugar em 27 de setembro de
1938, levou 15 minutos e decidiu a condenação do Sergei Korolev aos 8 anos de
GULAG em regime severo. O engenheiro Langemak, que sob tortura denunciou Korolev,
foi executado com uma bala na nuca após o mesmo “julgamento” em janeiro de 1938
– ele foi morto numa cela de execuções e enterrado numa vala comum no local especial
do NKVD “Kommunarka”, na estrada de Kaluga, nos arredores de Moscovo.
Kolyma,
antes de depois
Sergey
Korolev foi enviado para trabalhar na mina de ouro de Madyak, na Kolyma – local
considerado “suicida” – quase ninguém voltava de lá vivo. Korolev também não
iria conseguir sobreviver os seus 8 anos – 2 anos depois ele ficou nas suas últimas
forças, perdeu os dentes devido ao escorbuto, não conseguia ir ao trabalho.
Do
GULAG o “bastardo fascista” Korolev escrevia as cartas ao Estaline, mas não para
pedir a sua própria libertação. Ele contava como NKVD falsificou o seu caso,
falava sobre a próxima guerra, pedia a oportunidade de terminar o seu
avião-foguete, que garantiria à URSS a superioridade militar sobre o inimigo. Korolev
não sabia que Estaline, praticamente pessoalmente assinou a ordem de sua prisão,
perseguido pelas suas próprias visões paranóicas – de alegada existência da “organização
clandestina Moscovo-Centro”, que supostamente incluía proeminentes engenheiros e
cientistas.
Korolev na prisão moscovita de Butyrka em 29/02/1940
Em
1940, Korolev foi transferido para o “sharashka”
[bureao de construção em forma de prisão] do NKVD – o famoso “sharashka Tupolev”,
onde ele se dedicou à algum trabalho decente e, finalmente, a URSS se recordou
de cientista em 1946, quando tornou-se necessário encontrar alguém que pudesse
entender o dispositivo do motor de foguete do alemão V-2 – os carrascos de NKVD
não eram muito versáteis em ciências...
O
sucesso posterior do Korelev é amplamente conhecido
Para
o resto da sua vida Sergei Korolev não consegia abrir bem a boca – uma das consequências
de ferimentos sofridos durante a tortura de NKVD [numa das secções os
torturadores soviéticos lhe partiram o maxilar], então o mais provável, que Korolev
não poderia desfrutar plenamente o sabor do sorvete soviético, o mais saboroso do
mundo...
Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia
em África]
O painel da TV estatal russa Rossija-1 discute em direto a "divisão eventual da Ucrânia"
Em
setembro de 2014, o politólogo russoValery
Soloveidescreveu os resultados conseguidos pelo Kremlin na Ucrânia. E traçou
três cenários das relações futuras ao médio-curto prazo: otimista, realista e
pessimista.
Vamos
citar:
«1.
A opção mais favorável para a Rússia é o profundo declínio socioeconómico e
político da Ucrânia, em consequência do qual a sua parte oriental, sem o
esforço da guerra e com o consentimento do Ocidente entrará sob o protetorado,
de facto, da Rússia. E enquanto algumas das elites russas consideram essa ideia
de wishful thinking [pensamento
positivo], ela se tornou o leitmotiv de uma nova estratégia de mídia: a
Ucrânia, dizem eles, entrará em colapso sob o peso de dificuldades, erros e
ações suicidas.
2.
Pior, mas bastante aceitável é considerado um acordo estratégico, sob o qual a
legalização internacional do novo status da Crimeia e do corredor terrestre [entre
Rússia continental e Crimeia] será trocado pela entrega [russa] do Donbas.
Dizem que agora isso não pode ser feito, mas em três ou quatro anos, por que
não? Acredita-se que com Poroshenko “é possível lidar e negociar”.
3.
É altamente indesejável e improvável, mas não seja excluída a opção de retomar
os combates convencionais em larga escala. Se pode escolher essa opção caso Ocidente
não apreciar devidamente o “comportamento pacífico da Rússia” e não abolir o
regime de sanções».
Mais
uma vez, era a situação, vista em 22 de setembro de 2014. O que aconteceu desde
aí de facto? Que tal repetir sobre “Poroshenko com qual se pode lidar e
negociar”?
Na
realidade veio o quarto cenário – mais que pessimista²:
O
Ocidente não apreciou o “comportamento pacífico da Rússia” e não aboliu o
regime de sanções. Além disso, o Ocidente introduziu as novas, até que hoje as
sanções de 2014 pareçam ridículas [no dia 29/09/2018, o Secretário do Estado do
Interior dos EUA, Ryan
Zinke, disse que os Estados Unidos não descartam a hipótese “se for necessário”,
de usar a marinha, para “bloquear o fornecimento de energia russa ao Médio Oriente,
levando assim a Rússia fora do mercado energético]. A Rússia optou por um agravamento
militar no início de 2015, apesar da extrema indesejabilidade de tais ações.
Conseguiu um resultado extremamente importante – realizou em Moscovo a
exposição de objetos saqueados na cidade ucraniana de Debaltseve.
O tema da troca da Crimeia pelo Donbas causa o riso até nos galinheiros do
galo-alfa Igor “Strelkov” Girkin, e a frase “corredor terrestre à Crimeia” é
simplesmente esquecida a abandonada por todos.
A
única esperança do Kremlin atualmente é a vitória nas eleições presidenciais na
Ucrânia de qualquer um, menos o Presidente Petró Poroshenko. É a sua esperança
final.
Essa
é a diferença real entre o plano pessimista e a realidade, é a razão pela qual
votaremos em Poroshenko. A última esperança do Kremlin “qualquer um, menos Poroshenko”
é a razão principal por que apoiaremos Presidente e pedimos os votos para ele.