terça-feira, setembro 04, 2018

A realidade da vida da província soviética (20 fotos)

As fotos foram tiradas no interior da União Soviética nas décadas de 1960-1980 pelos jornalistas ocidentais. Épocas que os fãs da URSS acreditam serem a “era dourada” soviética, com o alto nível de vida, que foi alegadamente “destruído” pelo “traidor” Gorbachev.

02. Uma vila ou aldeia mediana na Rússia soviética: uma igreja abandonada ou semidestruída, ao seu lado funcionava uma “cervejaria” — a venda de cerveja à caneca [as canecas eram raras e o povo, muitas das vezes, usava alguns frascos improvisados], o poder soviético adorava a ideia de dessacralização dos locais sacros. Na URSS era perfeitamente habitual ver a construção de um estádio no local do antigo cemitério, etc.

03. No fim da década de 1970 (na era Brejnev) na província soviética, começaram construir, em massa, os cafés do tipo a “caixa envidraçada”, que vendiam o sorvete mais saboroso do mundo; as salsichas Frankfurt cozidas, cerveja à caneca. A sua aparência era diferente dos das grandes cidades, junto à paredes sempre estavam as caixas de madeira suja, cheias de stock ou de vasilhame.

04. No interior soviético praticamente não havia estradas de qualidade — o que até era retratado no cinema — os heróis dos filmes soviéticos circulavam pelas estradas da terra batida ou paravam, para reparar autocarro/ônibus avariado:

05. Homens empurram a viatura ligeira soviética “Moskvich-2137”, que ficou preso na lama, algo que aconteceu não numa mata cerrada, mas dentro do pátio de uma oficina mecânica de algum kolkhoz. Homem de chapéu de abas é alguma autoridade local.

06. Urbanismo soviético. Paragem/parada de autocarro/ônibus numa cidade soviética provincial. Muita lama, nenhuma proteção, mesmo que mínima, contra sol ou chuva, uma estrada esburacada e encharcada.

07. Uma avó/vovó foi buscar/cartar água na fonte de abastecimento público [sistema que existia em vários bairros, mesmo dentro das grandes cidades, até os meados da década de 1980]. Naturalmente, as mesmas casas não tinham água potável, nem a rede de esgoto...

08. A infra-estrutura urbana em muitas cidades provinciais — banhos públicos, salões de alugues de eletrodomésticos e de corte do cabelo, lojas, diversos outros serviços. Muitos dos edifícios eram construídos ainda na época czarista e até as décadas de 1970-1980 já eram um bocado gastos.

09. A loja provincial soviética típica: um espaço sujo, baixo e escuro, na entrada um monte de caixas de madeira, por vezes um tronco sujo e ensanguentado, usado para desmembras as carcaças de carne. Nas portas está pendurada a rede mosquiteira suja “contra os mosquitos”, no interior um forte cheiro desagradável.

10. Outra loja provincial típica. Se chama “Produtos” [literalmente produtos, vendia alimentos, mas também poderia vender alguns objetos do uso diário, como velas, ratoeiras, cadeados, etc]. Alternativamente podia se chamar “Loja №14 do Raipisheprom” [algo como Indústriaalimentardistrital]. Uma mulher sai da loja com a face feliz, ela conseguiu o cinco pães bastante básicos e três garrafas de vodca... A mulher não é pobre — tem a manicure e cabelo minimamente cuidado, usa o fato-treino com zip. Contraste bastante grande com os cidadãos ao seu lado que ainda vestem casacões de algodão.

11. Os mercados provinciais soviéticos, chamados “kolkhozianos” — na década de 1960 diferia muito pouco dos mercados da época czarista:

12. Década de 1970, os cavalos praticamente desaparecem, dando o lugar aos camiões/caminhões, por vezes à lenha. A lama, pobreza, ausência de quaisquer perspetivas para o futuro ficam as mesmas.

13. A família dos camponeses idosos na saída do mercado “kolkhoziano”. Aconselha-se à copiar a foto para todos aqueles que acreditam que “socialismo ainda pode dar certo”.

14. Mercado, compra de uma pipa/de um barril da madeira. Se parecem com as personagens do Pieter Bruegel, o Velho, mas a foto foi tirada na década de 1970, na época de Brejnev.

15. Mercado “kolkhoziano” numa cidade provinciana maior. Já existem as bancas, bastante básicas, arcaicas e pobres.

16. A compra [ou possivelmente o transporte do televisor para a sua reparação]. Na URSS o televisor custava entre 2 à 5 salários médios. O aparelho é transportado num trenó, por cima do feno, embrulhado num lenço.

17. Na província soviética simplesmente não existiam os serviços de entregas ao domicílio — nas grandes cidades ao menos existiam os “táxis de carga”. Para transportar algo tinha que negociar com algum motorista ou operador de trator, pagando, muitas vezes, em vodca ou aguardente caseira [os proletários gostavam de beber, mas os seus salários eram parcos e a vodca de qualidade razoável também rareava nas lojas]. Por vezes as coisas eram carregadas nas costas, como na foto, os cidadãos da pátria socialista carregam umas portas.

18. Na província funcionavam algumas indústrias — as vezes prejudiciais para a saúde, que por isso, eram afastadas das grandes cidades. Ainda existiam os escritórios de pouca utilidade e atividades desmotivantes, algumas poucas lojas que tinham essa aparência (a vendedora e o estivador):

19. Além disso, os homens podiam trabalhar como motoristas de camiões/caminhões ou operadores de máquinas agrícolas. Aos 45-50 anos eles ganhavam essa aparência, depois disso viviam e trabalhavam mais uns 20 anos, se reformando/aposentando, com muitas doenças e a saúde completamente debilitada...

20. Aos 45-50 anos as mulheres se transformavam em babuchkas — com lenço na cabeça, costas dobradas e sem a metade dos seus dentes. As mulheres ocidentais da sua idade viviam a sua segunda juventude, usavam minissaias, penteados bonitos e namoravam.

21. Na província soviética viviam muitos criminosos recidivistas [reincidentes no crime] — eles perdiam alguns dos direitos civis, nomeadamente, eram proibidos de viver menos de 100 km das capitais das repúblicas soviéticas e das grandes cidades:
Assim, visualmente era a verdadeira província na URSS, tão diferente da pseudo-realidade mostrada pela propaganda soviética.

Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África]

segunda-feira, setembro 03, 2018

Ucrânia apreciada à partir de um balão (33 fotos)

Nos dias 23-26 agosto na cidade ucraniana de Bila Tserkva decorreu o festival de balões de ar quente, atividade turística vista e fotografada pelo blogueiro ucraniano Ihor Bigdan, que partilhou connosco as suas fotos, emoções, sensações e conhecimentos.
Os voos em balões causam constante entusiasmo vibrante, não só entre os que voam, mas também entre o público espetador. Isso é facilmente explicado – literalmente, a partir de nada, em meia hora, perante os nossos olhos cresce uma enorme concha colorida com uma altura do prédio de quatro andares.
Quando há muitos balões o “efeito wow” se intensifica.

O tamanho dos balões é diferente, os modelos turísticos em média têm entre 2.500 à 5.000 metros³. Quanto o volume é maior – maior é a capacidade de carga do balão. Geralmente na cesta (gôndola) cabem 3-6 pessoas, incluindo o piloto.
Blogueiro ucraniano Ihor Bigdan com a sua família
Além dos passageiros a gôndola leva vários cilindros de gás que alimentam o queimador, que aquece o ar dentro do reservatório.
Há dois queimadores na foto em cima, mas apenas um é usado durante o voo – o segundo é de emergência, existe por questões de segurança, no caso da avaria do primeiro.
O gás que alimenta o queimador é queimado muito rapidamente – durante uma hora de voo, foi esgotado um cilindro e começou ser usado o segundo.
O gás é queimado rapidamente e com barulho – essa talvez é a principal desvantagem do balonismo, quando o idílio da ausência de peso é perturbado pelo ruído. Mas por outro lado, o gás não se queima constantemente, mas aos intervalos – quando o piloto puxa a alavanca apropriada, de modo que a maior parte do tempo se voa em silêncio.
A segunda desvantagem – se a sua altura é acima de 1.80 m, o queimador, devido ao aquecimento da radiação infravermelha irá aquecer demais a sua cabeça :) Portanto, querendo fazer um voo, não se esquece de levar um boné, realmente ajuda.
A temperatura do ar quente dentro do balão chega aos 100°C. Os gases têm a capacidade de se expandir muito, quando são aquecidos, de modo que o ar dentro do balão tem uma densidade muito menor do que o ar frio do lado de fora, e o balão com a carga sobe (ver a lei de Arquimedes).
O glamour especial é que toda essa construção é incrivelmente arcaica e não mudou muito desde a época dos irmãos Montgolfier, que lançaram o seu primeiro balão em 1783. Balões modernos possuem os revestimentos mais leves e mais resistentes ao fogo e usam o gás, mas ainda hoje são chamados, em vários países de Montgolfier e de “balões de ar quente” em Portugal e Brasil (ver também o caso do jesuíta luso-brasileiro Bartolomeu de Gusmão e da sua “passarola”).
Tal, como há três séculos, é possível dirigir o balão em apenas um plano – para cima e para baixo. Em teoria, é fácil: ligar o queimador – o balão soube, desligar – desce gradualmente, abre a válvula superior – desce rapidamente. Na prática, toda a física possui uma grande inércia: desde o momento da ligação do queimador até o momento da subida passam cerca de dez segundos, por isso é necessário calcular o tempo de “dar o gás” para não colidir com a linha de eletricidade ou não cair no galinheiro de alguém.
Piloto experiente proporciona a delícia aos turistas, subindo muito rapidamente, para depois levar o balão quase até o chão. Na foto em baixo o balão voa por cima do campo de milho, e os talos de milho “fazem cócegas” no fundo da gôndola :)
Os cães, cabras, galinhas, patos e outros animais à vista de um balão literalmente enlouquecem de horror. Em contraste com os Homo Sapiens, a mente de animais não é muito adequada para apreciação de novos fenómenos, e quando em cima de suas cabeças aparece um monstro expelindo as chamas, a sua reação normal é fugir para se esconder.
Já as pessoas acenam alegremente de seus jardins e até perguntam aos passageiros se estes não sentem medo. Ao contrário de um avião, o passageiro é separado do abismo apenas pelas paredes da gôndola, da qual é muito fácil de cair, e os passageiros nem sequer usam os cintos de segurança. Mas na prática, apenas os primeiros minutos de voo são assustadores, quando o balão está rapidamente ganhando o terreno. Depois, o passageiro se acostuma rapidamente e desfruta da experiência.
É impossível levar o balão da frente para trás ou da direita para a esquerda, a sua direção e velocidade dependem unicamente do vento. Nisso reside o gozo maior, se mover com a velocidade do fluxo ventoso, de modo que o vento em si quase não é sentido, o que aumenta a sensação de ausência de peso.
Outro ponto negativo é perigoso voar com vento forte e é simplesmente proibido de levar os turistas com os ventos acima de 4 m/s. Assim, os balões podem voar o ano inteiro, mas não todos os dias – precisam de bom tempo, vento fraco e temperatura adequada. Na Ucrânia se pode voar à partir da segunda quinzena de abril até o início de novembro, apenas pelas manhãs – 1-2 horas após o nascer do sol e à tarde – de 2 à 3 horas antes do pôr-do-sol.
Na foto acima – a sombra do balão. Em princípio, a luz lateral – é uma coisa boa para o fotógrafo, exceto quando o voo é numa tarde e o vento sopra para oeste :( Por isso, todos os balões que voavam acima do balão do blogueiro, foram fotografados com o sol ao fundo e não ficaram verdadeiramente brilhantes nas fotos.
No inverno europeu é possível voar durante todo o dia solar, mas os passageiros apanham algum frio e a vista é menos interessante – tudo está preto e cinza ou coberto pela neve. No verão – a beleza está em todos os lados.
Voos turísticos geralmente duram de 40 à 80 minutos. Dependendo da força do vento, durante este tempo o balão pode voar entre vários quilómetros às várias dezenas de quilómetros. Este vou percorreu mais de 20 km.
Em 2002, o empreendedor e viajante americano Steve Fossett tornou-se a primeira pessoa a voar ao redor do mundo. Para superar 34 mil quilómetros, ele demorou 13 dias e 12 horas – sem fazer nenhum pouso.
O balonismo de facto é uma atividade perigosa, mas apenas quando se trata de desporto e de conquistas. Para os passeios turísticos, as regras são tão restritivas que a chance de ter um acidente em um balão é muito menor de que na saída do seu restaurante preferido.
O balão pode aterrar em qualquer campo não semeado (para não causar o prejuízo aos agricultores), que pode ser alcançado de carro (para depois retirar de lá o balão e os passageiros). Às vezes, acontece que o tal campo deve ser procurado muito rapidamente, antes de escurecer e aparecer a neblina.
Alguma adrenalina também está sempre presente – por exemplo, neste voo aconteceu a aterragem ligeiramente durinha, como resultado a gôndola se virou. Mas esta é uma situação regular e ninguém ficou machucado. Apenas tiveram muita emoção :)
Na Ucrânia o voo do balão custa cerca de 3.000 UAH por pessoa, por uma hora de voo, cerca de 100 euros, o preço comercial regular europeu. É de notar que um balão novo custa aproximadamente o mesmo que um carro de classe executiva. O custo do balão da segunda mão – cerca de 10.000 Euros. E esses investimentos devem ser recuperados, tendo em conta que não se consegue fazer mais de dois voos por dia e não se voa todos os dias, mas menos de cem dias por ano. O gás é queimado a um ritmo frenético e os pilotos também precisam de ganhar algum dinheiro.
Na foto acima, a única ucraniana – piloto do balão :)
Ela é filiada no clube Spart-Aeros, cujos balões garantem os passeios turísticos em Bila Tserkva desde 1992. Se quiser organizar uma festa na sua cidade ou garantir um voo individual – todas as informações podem ser achadas na página do clube na Internet.

O festival local do balonismo é organizado pela ONG Bila Tserkva Turística (https://www.facebook.com/bctravelcomua). É uma pena que o festival não pode ser clonado em todas as cidades ucranianas. Quem não participou no festival neste ano – no próximo verão haverá mais balões em Bila Tserkva. 100% de garantia.

Texto e fotos Ihor Bigdan; algumas fotos extra: Roman Naumov.

domingo, setembro 02, 2018

Eslováquia beatifica a jovem assassinada por militar do Exército Vermelho

No dia 1 de setembro na cidade de Košice, na Eslováquia, foi oficialmente beatificada Anna Kolesárová, a jovem de 16 anos, que foi assassinada por um militar soviético em 1944, informa a Radio Svoboda.  
Foto: newsaints.faithweb.com
Na cerimónia de beatificação (culminação do processo de adesão às fileiras dos bem-aventurados) da Anna Kolesárová participaram cerca de 30 mil fiéis católicos – a menina eslovaca foi assassinada durante a II G. M. por um militar soviético, quando ela lhe recusou os relacionamentos íntimos, ou dizendo por palavras mais simples, a jovem foi assassinada por se recusar à ser estuprada.
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O representante do Vaticano, o cardeal Giovanni Angelo Becciu, chamou Kolesárová de “uma mártir que deu vida ao Cristo para preservar a sua pureza”.
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Nota-se que Anna Kolesárová (1928-1944), de apenas 16 anos, foi assassinada na cidade de Vysoká nad Uhom, no leste da Eslováquia, perto da fronteira com Ucrânia, em novembro de 1944. O militar do Exército Vermelho, cujo nome não é mencionado (mas se sabe que ele nunca foi responsabilizado pelo seu crime) matou a moça, ao sangue-frio, em frente de sua família, quando ela recusou a sua exigência de manter as relações sexuais com o “libertador soviético”. Os seus restos mortais foram enterrados na noite seguinte, apesar dos intensos combates na área. Os solenes ritos fúnebres foram celebrados pelo padre eslovaco Anton Lukáč uma semana após a morte da jovem, em 29 de novembro de 1944.

A história da Anna Kolesárová ganhou a fama na sua terra natal, e seu túmulo se tornou um local de peregrinação para a juventude católica eslovaca e europeia.

Síria: a noite de bombardeamentos desconhecidos

Na noite de 1 à 2 de setembro a aviação desconhecida (possivelmente israelita) bombardeou o aeroporto militar al-Mezzeh nos subúrbios de Damasco e a base militar em al-Kaswa na província de Damasco. Os bombardeamentos visavam as forças xiitas iranianas, cujas baixas, em dois locais, totalizaram cerca de 100 pessoas.

Em resultado do bombardeamento do aeroporto foi destruído armazém de munição e armamento, operado pelas guardas revolucionárias iranianas e pelas forças irregulares xiitas, se fala em mais de 70 militantes mortos. A versão oficial síria, divulgada pela agência SANA foi um bocado previsível: “não houve agressão israelita no aeroporto de al-Mezzeh e a explosão ouvida em Damasco se deu devido à explosão no depósito de munição perto de aeroporto, que foi causada pelo curto-circuito”.
No entanto, as fotos mostram uso dos sistemas da defesa aérea síria. Possivelmente dentro de alguns poderá surgir a versão de que “apesar de que a explosão se deveu ao curto-circuito, a heróica defesa aérea da Síria abateu x aviões israelitas e y Tomohawk americanos”. Pelo menos não se deve ficar espantado se/quando isso acontecer.
Outro ponto atingido pela aviação desconhecida foi a base militar na cidade de al-Kaswa, também usada pelos iranianos, as baixas totalizaram cerca de 35 militantes.

Como escreve o blogueiro militarista russo el-murid, aparecem os sinais de abrandamento ou mesmo de cancelamento do assalto militar sírio (forças iranianas, sírias e russas), contra Idlib. O grupo al-Kuds e uma parte dos mercenários iranianos se retiraram da zona e voltaram ao deserto. Possivelmente a Turquia e os EUA em conjunto (apesar da retórica pública devido às disputas comerciais) conseguiram obrigar Damasco à recuar na sua decisão de solução militar do problema de Idlib.
A situação em Idlib nos finais de agosto de 2018
Também surgem as informações não confirmadas sobre os curtos-circuitos em alguns outros locais militares sírios, em que foram mortos e feridos altos quadros iranianos e sírios. Alegadamente, um dos feridos é irmão do Bashar al-Assad – Maher.

Blogueiro: os leitores assíduos do sputnik gostam de citar este ou aquele general iraniano que sistematicamente promete “aniquilar” Israel ou até “dar lição” aos EUA. No entanto, quando as coisas chegam às vias de facto, sempre surge o mesmo discurso: “foi um curto-circuto totalmente inesperado; estávamos cansados e momentaneamente despreparados; na próxima provocação é que certamente os vamos aniquilar de uma forma muito decisivamente firme”)

Como a URSS abateu Boeing-747 voo KAL007, matando 269 pessoas

No dia 1 de setembro de 1983, o caça soviético Su-15, abateu o Boeing-747 sul-coreano, voo KAL007, que seguia de Nova Iorque ao Seul. O aparelho caiu sobre o Mar de Okhotsk, ao sudoeste da Ilha de Sacalina, todas as 269 pessoas ao bordo (23 tripulantes e 246 passageiros), morreram.

Na sua rota, o avião entrou no espaço aéreo soviético por engano, devido ao erro de programação do piloto automático, cerca de 12º ao leste da rota internacional que deveria seguir segundo o seu plano de voo (versão definitivamente confirmada por ICAO em 1993). Recebendo o comando, o piloto soviético Gennady Osipovich disparou dois mísseis guiados ar-ar R-98 (AA-3 Anab) contra o transatlântico. Em resultado morreram todas as pessoas ao bordo, incluindo o congressista dos EUA, Larry McDonald, que iria concorrer à presidência dos Estados Unidos.
Congressista Larry McDonald | foto: Wikipédia
Em 1983 o mundo vivia uma fase quente da Guerra Fria, desencadeada pela invasão soviética do Afeganistão, ou, segundo a propaganda soviética, “oferecendo ao povo afegão uma ajuda de solidariedade internacional”.
Mapa dos acontecimentos | Wikipédia
Boeing-747—230B (número do registo HL7442), pertencente à sul-coreana Korean Air, efetuava um voo regular Nova Iorque — Seul. Avião se descolou da Nova Iorque em 31 de agosto de 1983, fez um pouso de reabastecimento em Anchorage, na Alasca, descolando às 3h00 hora local (13:00 GMT) rumo ao Seul. A rota de voo deveria passar pelo Oceano Pacífico, ao leste da península de Kamchatka, depois sobrevoando Japão, contornando o território da URSS. No entanto, quase desde o início do voo, a aeronave começou a desviar-se da rota definida para oeste. Boeing KAL007 entrou no espaço aéreo da URSS, sobrevoou a península de Kamchatka, deixou o espaço aéreo soviético e, sobrevoando o Mar de Okhotsk, entrou novamente no espaço aéreo da URSS sobre a ilha de Sacalina. O desvio máximo da rota programada chegou aos cerca de 500 quilómetros (312,5 milhas ou 12º).

Reação mundial

As ações da União Soviética causaram uma onda de indignação e protestos no mundo livre. O presidente americano Ronald Reagan classificou o incidente como “um crime contra a humanidade que nunca deveria ser esquecido” e “um ato de barbárie e crueldade desumana”, chamando a URSS do “império do mal”.

Posteriormente, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, Federal Aviation Administration) proibiu os voos da companhia aérea soviética, Aeroflot, aos EUA. A proibição permaneceu em vigor até abril de 1986. O Presidente Reagan disse ainda que, após a sua conclusão, o sistema de navegação GPS estará disponível gratuitamente para fins civis, como a navegação aérea.

A posição soviética

Primeiro, a URSS não reconheceu o abate do Boeing sul-coreano no território soviético. Depois, as autoridades soviéticas apresentaram aos pilotos de caças soviéticos que participaram no abate como heróis, que alegadamente cumpriram o seu dever, derrubando uma “aeronave inimiga”.

No dia 3 de setembro de 1983, a agência soviética TASS divulgou a informação sobre a violação dao espaço aéreo soviético, afirmando que após tendo deixado o espaço aéreo da URSS, o intruso “desapareceu dos radares”.

No dia 9 de setembro, o marechal Nikolai V. Ogarkov apresentou a posição oficial soviética, afirmando que a entrada no espaço aéreo da URSS foi “uma ação de inteligência planeada”, cujo objetivo de “estudar o sistema soviético da defesa aérea” naquela área. Como prova, os soviéticos demonstravam os dados de radar, que alegadamente deveriam provar que o voo KAL007 em algum momento se aproximou do avião de reconhecimento da FA americana RC-135, de modo que as suas marcas nas telas do radar fundiram. Depois disso, a Boeing-747 entrou ao território da URSS, e a RC-135 – se manteve ao longo de uma rota próxima à rota aérea internacional. Foi alegado que o Boeing-747 sul-coreano foi confundido com o RC-135.

A posição do piloto soviético

Nas suas memórias, o piloto do Su-15 Gennady Osipovich (tenente-coronel na reforma) reconhece que os tiros de advertência foram feitos com a munição perfurante e não a tracejante (o seu Su-15 simplesmente não a tinha), e os pilotos podiam não ver, nem perceber os disparos. Osipovich também confirma que não tentou contatar o Boeing KAL007 via rádio – isso exigia a mudança para uma outra frequência da rádio. O piloto confessou que nem sequer conseguiu identificar o Boeing-747: “não estudamos os aparelhos civis de empresas estrangeiras”.

Osipovich também conta que informou os seus superiores que aparelho “intruso” era civil, nomeadamente comunicou via rádio que as luzes de navegação do aparelho estavam ligados, informou que aparelho tinha duas filas de janelas, todas com as luzes acesas (as suas comunicações com a terra, foram corrigidas” posteriormente, para suprimir essa informação).

Ao mesmíssimo tempo, o ex-piloto soviético diz que ele acha, que o avião que ele próprio abateu era um “avião-espião” e que “estava [voar] apenas com a sua tripulação e naturalmente, com os espiões” e que que o verdadeiro aparelho civil com os passageiros, na realidade abateram “os americanos” (Sic!)
Gennadiy Osipovich com a foto coletiva das suas vítimas, 1993
A sua reforma militar russa em novembro de 2013 era ligeiramente superior aos 5.000 rublos (cerca de 150 dólares em 2013, aquivale aos cerca de 75 em 2018). Ex-piloto conta que deixou de beber, costuma ler os livros policiais e ajuda a esposa e filhos nas tarefas caseiras. A única questão que o incomoda, questão que ele gostaria colocar às suas chefias, a questão que lhe “arde a pele”: Muitos dos nossos receberam salários à dobrar devido ao avião abatido por mim. Todos menos eu. Existe a justiça? E nem quero falar sobre a ordem [militar]! Foi entregue um ano depois! “Pelos sucessos na preparação militar e política” [...] a Ordem da Estrela Vermelha, que é dada para todos! Mas eu executei a missão de combate!

Em 1992, o presidente russo Boris Yeltsin entregou à Coreia do Sul as caixas negras do Boeing abatido (que foram recuperados pela URSS ainda em 1983). O seu conteúdo confirmou que a violação do espaço aéreo soviético foi acidental. Antes e depois disso, surgiram várias teorias de conspiração, que não mudam o facto de que a URSS derrubou absolutamente intencionalmente o avião civil de passageiros (fonte).

sábado, setembro 01, 2018

O lema lindo e auto-suficiente

O cartaz finlandês da época de Talvisota, 1940
Praticamente todos os ucranianos acima de 40 anos estudaram na escola soviética. Lá, desde a primária, foi-lhes colocada na cabeça uma fórmula até hoje absolutamente justa, perfeita e auto-suficiente. Um axioma. Uma operação, finita, como um roteiro de computador: – “Morte aos invasores ....-os/-is/-es”.

por: Volodymyr Boyko, Ucrânia (uma opinião no âmbito de liberdade de expressão)

Nesta fórmula, não existe nenhuma gota de emoção, nenhum grama de ódio. Simplesmente assim deve ser executada a função: “aos invasores = a morte”, apenas e só isso. Que ocupantes – da Babilónia, da Mesopotâmia, do Cretinistão, do Marte – não importa. Se és “ocupante”, então é a “morte” e mais nada. E enquanto este ou aquele povo possui o status de “ocupante”, essa função é executada automaticamente e sem quaisquer condições adicionais. “Antidesportivo”, “antiético”, “inculto”, “discurso de ódio”, “incitamento ao ódio”, “cínico” e várias outras anotações semelhantes estão fora deste roteiro.

Pertencem à uma outra vida. O status “ocupante” não possui estados, atributos ou propriedades adicionais. Simplesmente a “morte” e depois todo o resto. Primeiro e rapidamente a “morte”, e depois falaremos sobre ética... Mas morte sempre vem em primeiro. E até que eles mudem o seu status do invasor para qualquer outro, não poderá existir qualquer outro relacionamento. É como um vírus, um vírus pesado e mortal que ocupa células do seu corpo, não lhe causando nenhum desejo, exceto um – matá-lo imediatamente. Você não está atormentado por dúvidas morais e éticas sobre o vírus. Você não sente aversão pessoal à ele e não comunique com o vírus numa linguagem de ódio. Você simplesmente mata aquilo que o pretende matar.

Nem sei como explicar tudo isso aos nossos queridos fazedores da opinião e outros “peritos”. É tão fácil. É justo e moralmente certo. Se alguém invadiu a sua casa contra a sua vontade, ele é um ocupante e a morte é imediata. O ocupante não é uma pessoa, não é um cantor famoso, não é um ator, não é um cientista, não é um atleta, não é um poeta, nem é um escritor. Ele é um vírus, que primeiro leva a morte, e depois uma longa discussão sobre como aconteceu que, um homem de outrora, de repente se tornou um vírus.

Blogueiro: esperamos francamente que este texto não será censurado no Facebook, como já aconteceu com alguns outros textos do nosso bloque, escritos sempre em defesa da Ucrânia. Esperemos que a opinião objetiva e desapaixonada de um ucraniano não será entendida como violação de nenhuma das regras do FB, até porque “ocupante” não possui a nacionalidade ou origem étnica. Simplesmente é um ocupante, malfeitor, criatura fora de lei e que merece exatamente aquilo que artigo advoga)