A voluntária paramédicaYana Zinkevych, que já foi chamada de “anjo de vida”, ferida gravemente na guerra russo-ucraniana, é a personificação
da própria Ucrânia: linda, mutilada, mas viva...
Aos
apenas 19 (!) anos a jovem voluntária salvou a vida e retirou do campo de
batalha mais de duas centenas de feridos ucranianos. Em 2014, o Ministério da
Defesa da Ucrânia, condecorou a chefe do serviço médico do Corpo Voluntário
Ucraniano do Setor da Direita (DUK PS), Yana Zinkevych, com a condecoração “Pela Coragem Militar”.
Yana continuou
na linha da frente, acompanhando a transformação do DUK PS no Exército
Voluntário Ucraniano (UDA), continuando sendo a chefe da sua Direção médica e de reabilitação, batalhão Hospitallers.
Em
dezembro de 2015 Yana Zinkevych, já com 20 anos, foi condecorada
pelo Presidente Petró Poroshenko com a “Ordem de Mérito” do 3º grau. Nas
vésperas, Yana sofreu um
grave acidente de viação, foi operada de urgência na cidade de Dnipro, e depois
transportada para Israel, onde novamente foi operada e passou por um curso prolongado
de reabilitação.
Em
maio de 2016, aos 21 anos, Yana
Zinkevych se casou (grávida de 4 meses) com o seu noivo, também
voluntário ucraniano Maxym Korablev. A nova seria numerosa: Yana, Maksym, a
filha Bohdana e um cão...
Mas
nem todas as histórias têm o final feliz. Menos de um ano após o casamento e
apenas uma semana depois do parto, Maxym deixou a família. Essa foi a sua decisão.
Yana tornou-se mãe solteira, estudante da Academía Médica do Dnipro, sem deixar
o trabalho no batalhão. “Não sei porque Maxym me deixou, – conta Yana – talvez foi
demasiadamente fraco perante as dificuldades da vida real”.
Com a filha Bohdana
Desde
a sua criação e no decorrer da fase ativa de OAT, o batalhão Hospitallers
salvou e retirou do campo de batalha mais de 2.500 feridos ucranianos. Yana, após
as suas operações e o curso de reabilitação, continua se mover numa cadeira de
rodas.
O
guarda-fronteiraNikita
Karatsupafoi a personagem ideal da propaganda soviética – órfão desde cedo,
ele dedicou toda a sua vida à luta contra os “infratores da fronteira estatal”.
A propaganda comunista apenas não revelava que absoluta maioria destes “infratores”
simplesmente tentava escapar do “paraíso socialista”.
A
propaganda estatal soviética o transformou em herói e modelo comunista, à
seguir para todas as crianças, que eram pesadamente indoutrinadas na necessidade
de servir no exército vermelho (RKKA). Karatsupa era o modelo ideal, segundo a
sua biografia oficial, aos 7 anos ele se tornou órfão (ou seja, desconhecia a
vida familiar normal), entrou no orfanato (da onde fugiu e tornou-se um
vagabundo, mas na União Soviética essa parte naturalmente era omitida), mais
tarde tornou-se um pastor num kolkhoz. No início dos anos 1930, ele foi convocado
ao exército, mostrando a vontade de servir nas tropas de guarda-fronteira. O
comissário militar que tratou do seu recrutamento observou que ele é muito baixinho
para o serviço escolhido, mas este respondeu – “então os infratores não me vão ver!”
– depois disso, foi admitido numa das unidades da guarda-fronteira soviética.
Nikita Karatsupa e um dos seus primeiros Indus/Ingus, 1936 | Wikipédia
Karatsupa
fazia a dupla com os seus cães/cachorros
pastores alemães,sempre chamados de Indus (Indiano), eram
cerca de 12 ao longo dos anos – que, a propósito, mais tarde foram rebatizados
na imprensa e na literatura soviética de Ingus, por razões do politicamente
correto, de modo à não ofender Índia, que desde o fim da década de 1950 se
tornou amiga e aliada “não-alinhada” da União Soviética. Com ajuda dos cães/cachorros,
Karatsupa deteve (e também matou 129 pessoas), segundo várias fontessoviéticas, de 246 à 338 ou mesmo 467 “violadores
de fronteira”, pelo que se tornou um herói soviético. Os propagandistas do
regime comunista lhe dedicavam os poemas e canções, livros, postais e
editoriais de imprensa, e as crianças queriam ser como ele.
[Karatsupa recebeu as mais altas condecorações soviéticas –
otítulo de Herói da União Soviética,a Ordem de Lenine, duas Ordens da Bandeira Vermelha e
outras condecorações. Serviu no Vietname comunista e
morreu de pneumonia em Moscovo aos 84 anos].
O
que a propaganda soviética omitia desde sempre, era o facto de que a absoluta maioria
dos infratores fronteiriços não pretendia entrar na URSS, mas fugia do país –
eram os cidadãos soviéticos em fuga que Karatsupa prendia e matava.
Pois
os serviçais da guarda-fronteira soviética tinham as instruções muito claras:
no caso de impossibilidade de deter o cidadão que tenta escapar da URSS, este
deve ser abatido, antes que consegue chegar à um país capitalista:
Legenda: 4. Na impossibilidade de deter os infratores – usar armas, antes que eles conseguem passar ao território de um país capitalista
Foto: Wikipédia e
arquivo | Texto: Maxim
Mirovich e [Ucrânia em África]
O
ditador da Venezuela – Nicolás Maduro sobreviveu o ataque de dois drones. Mas o
mais caricato é ver o seu exército em fuga, uma pequena amostra o que
acontecerá no momento em que o seu regime colapsar, informou aBBC.
As
autoridades venezuelanas dizem que os drones explodiram quando Nicolás Maduro fazia
o discurso televisionado ao vivo em Caracas, por ocasião do 81º aniversário do
exército venezuelano. Mais de uma centena de militares foi vista à fugir do
local, antes que a transmissão televisiva fosse interrompida.
Um
pequeno aviso muito semelhante que o destino ofereceu ao ditador romeno – Nicolae
Ceauşescu em dezembro de 1989, e que este também não entendeu. Os ditadores
são assim mesmo, só começam à entender as coisas quando são levados ao local da
execução.
South African engineer
Robert Sassone lived in the Soviet Union when he was arrested by the NKVD on
December 3, 1937. He was executed atButovofield, near Moscow, only nineteen days later, on December 22, 1937.
Little is known about Robert
Sassone, who was Afrikaner (Boer), possibly of French origin. He was born in
Pretoria in 1888. He graduated from a military academy, also possibly in South
Africa. His father´s name was Richard, so the Soviets authorities attributed to
Robert a patronymic name and changed the initial letter S from his family name
to Z. Therefore, Soviet identification documents identified him as Robert
Richardovich Zassone (РобертРичардовичЗассонэ).
We don’t have details on
how, why, and when Robert Sassone moved to the Soviet Union. We can entertain
two more probable hypotheses. First, he moved on his own will being a naive
sympathizer of the left-wing ideas. Second, Robert came through some British
military mission, since the Union of South Africa (founded on May 31, 1910) was
the domain of the British Empire.
At the time of his arrest by
the NKVD on December 3, 1937, Robert Sassone was 50 years old. He had no political
affiliation, and he served as the chief of the wood department in the
construction of the Moscow
Canal (which until 1947 was called the Moskva-Volga Canal), one of the
Stalin´s Pharaonic construction sites. He lived in the locality of Dedenevo
(house № 102), located in Dmitrovski district, in the Moscow region.
Early release certificate (issued by the NKVD) from Dmitlag labor camp for accelerated work for the construction of the Moscow-Volga canal | Wikipedia
As in a many other works of
the Soviet communist regime of that time, the government used the semi-slave
labor of soviet prisoners, both political and ordinary ones at the construction
of the canal. On September 14, 1932, the Soviet concentration camp of Dmitlagwas
established for the construction of the canal. This camp operated until 1938,
and its population reached 192,000 prisoners in 1935-1936. It was the absolute
record in terms of number of prisoners in the Soviet GULAG system of the time.
There is no exact data on the number of prisoners who died in Dmitlag, but
according to several sources, this figure ranges from 10,000 to 30,000 people [source].
Several “freely contracted”
people (i.e. the civilian workers) worked at similar construction sites as well.
Many of them were ex-prisoners who decided to stay and work at the same workplace
upon their release. It is not clear if Robert Sassone was among them, but there
is as a strong possibility.
Robert Sassone was arrested
by the NKVD on December 3, 1937.
His case № 20897 (volume II, p.166) is stored in the
Russian Federation State Archive (it is possible to consult its data online in
Russian HERE or HERE). Robert Sassone is smiling in his archive photo. He
did not suspect that his fate had already been decided, and he would be
swallowed up by the relentless Great Soviet Terror machine...
He was accused of “anti-soviet
agitation and terrorist intentions”, condemned by the NKVD “troika” on December
20, 1937. It is unknown whether Robert confessed his alleged “crimes”. He was executed
at Butovo field, near Moscow, two days later, on December 22, 1937. The short period of two days between
the date of conviction and the date of execution naturally implies that the
convicted person had no opportunity to appeal the conviction, much less rely on
the assistance of a lawyer.
Robert Sassone was rehabilitated
posthumously on July 15, 1989.
Our blog would like to thank
Ms. Iryna Andrews for the linguistic revision of the text.
Our blog also thanks
readers for any additional information about Robert Sassone.
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dia 26 de abril 1986 se deu uma das maiores catástrofes tecnogénicas do século
XX que fez desaparecer a cidade. Visite o lugar para ver como ficou agora.
Em
julho de 2018, um colecionador anónimo vendeu no leilão britânico Aston’s,
25 câmaras e acessórios de espionagem, que no passado foram usados pelos
serviços secretos da União Soviética. A maior parte dos dispositivos estava em
funcionamento. Escolhemos os lotes mais interessantes.
1.
O aparelho “Rubin” para copiar documentos, uma espécie de scanner. Década 1970.
Vendido por apenas 55 libras (!)
2.
Uma pasta com a câmara “Zola” embutida. O primeiro aparelho soviético para
captura de imagens de modo furtivo, equipado com sistema automático de
exposição. Função muito útil para seguir alguém que muda do ambiente claro
(local público durante o dia) ao ambiente mais escuro (entra num prédio, hotel
ou quarto escuro). Década de 1970. Vendida por 850 libras.
3.
Jaqueta masculina, preparada para esconder a câmara “Ajax-12”. A lente está
localizada no botão. Década de 1970. Vendida por 1000 libras, sem a câmara.
4.
Câmara “Riga” – a primeira e a menor de uma linha de câmaras em miniatura, que
em 1938-1943 foi produzida pela fábrica letã Minox. Na Letónia livre, antes da
ocupação soviética, o aparelho se vendida livremente. Vendida por 2.100 libras.
5.
A câmara “Ajax-12”, escondida no guarda-chuva masculino. A série foi produzida
após a II G.M., como cópia não autorizada das câmaras alemãs “Robot”. A própria
“Ajax-12” foi lançada em 1952. O kit incluía um cabo para o controlo remoto.
Vendida por 2.700 libras.
6.
Câmara de filmar “Imbir” de 16 mm com a lente larga de 28 milímetros,
disfarçada de bolsa feminina. De acordo com o consultor de leilões Aston´s, Tim
Goldsmith, é um protótipo das modernas câmaras GoPro. Vendida por 2.800 libras.
7.
Bolsa feminina com a câmara escondida. Vendida por 2.900 libras.
8.
A câmara “Kiev-30M”, produzida na Ucrânia, com a lente de 23 milímetros,
embutida numa lanterna de bolso. Modelo de 1989. Vendida por 2.900 libras.
9.
Câmara “Ajax-12” colocada no corpo de câmara comum “Zenit”. A câmara tirava as
fotos através de um pequeno orifício na parte lateral de invólucro de cabedal.
Vendida por 3.300 libras.
10.
O lote mais caro da coleção foi a câmara ucraniana “Kiev-30”, escondida numa
caixa metálica à imitar um maço de cigarros. Vendida por 29.000 libras.
Fotos: Leiloeiros Aston’s | Texto:
Edward Andryushchenko (WAS).
Bónus
A câmara ucraniana “Kiev-30”,
produzida na mesma época, mas para o consumo de massas soviéticas.
Desde
criação da União Soviética, a sua nova classe dominante – a nomenclatura (também
conhecida como aparatchik) criou o seu
próprio sistema de abastecimento de alimentos e bens, em forma de “distribuição
especial” e “cestas alimentícias especiais”, chegando ao seu apogeu na era
Brejnev.
De
que estamos à falar?
Leonid
Brejnev chegou ao poder em 1964, marcando uma nova era, que mais tarde
seria chamada de “zastoy”, literalmente a “estagnação”. Essa estagnação moldou
praticamente todas as esferas da vida soviética – de arquitetura ao cinema, bem
como teve um impacto muito visível no bem-estar dos cidadãos soviéticos – [a indústria
soviética já não conseguia produzir os objetos de uso quotidiano e os alimentos
em quantidades suficientes], razão pela qual, no comércio surgiu um grande deficit
– quando vários tipos de bens e alimentos escasseavam ou só podiam ser comprados,
obrigando o cidadão permanecer nas filas enormes [por horas, dias e as vezes
anos, último caso se aplicava à compra de viaturas ou dos conjuntos de
mobiliário, produzidos nos países socialistas].
Loja do comércio geral
Devido
à falta de bens e alimentos, começou se formar o sistema de distribuição
soviética, para as elites comunistas e para o resto do povo. A cadeia “de cima”
era criada oficialmente, permitindo que uma determinada categoria de cidadãos, próximos
ao poder soviético, poderia comprar uma viatura, um conjunto de mobiliário, usando
algum “fundo especial” ou até mesmo fazer a viagem turística ao estrangeiro, comprando
um “tour especial”.
O
sistema de distribuição também se formava “por baixo” – quando as pessoas
comuns criavam os laços de amizade com os gerentes das lojas, e mesmo entre os simples
vendedores, que lhes vendiam algum bem escasso – alimentos, roupas ou móveis. Na
era Brejnev até surgiu uma anedota sobre o tema: “o comunismo chegará, quando
cada homem soviético fará amizade com um gerente de uma loja”.
Mais
iguais que outros
Na
União Soviética, que oficialmente declarava a “igualdade universal”, na
verdade, era praticada uma desigualdade bastante formal – porque uns tinham
fácil acesso às determinadas mercadorias, enquanto outros não; de acordo com a
expressão apropriada de Orwell – “somos todos iguais, mas alguns são mais iguais
que outros”. Ou como bem notou o escritor soviético Vladimir
Voinovich na sua genial distopia “Moscovo-2042” – “aqui todo o cidadão tem
o direito de entrar livremente na loja e sair de lá completamente de graça”.
Uma das lojas dos privilegiados, chamada "Beryozka" (com as cortinas nas montras), as vendas
eram feitas ou apenas em divisas (aos diplomatas estrangeiros e soviéticos e turistas estrangeiros) ou em cheques soviéticos especiais, equiparados às divisas (neste caso era permitido fazer as compras aos cidadãos soviéticos, como marinheiros, professores ou especialistas que trabalhavam no estrangeiro e recebiam os cheques após a venda compulsiva das divisas ao estado soviético (os letreiros e preçários das lojas estão em inglês esforçado)
A
classe privilegiada na sociedade soviética (supostamente uma sociedade sem classes)
era formada por aqueles que estavam dentro do sistema soviético, e quando mais
longe neste sistema conseguia penetrar um indivíduo – maiores benefícios ele
recebia, em relação ao quase tudo – desde a qualidade da habitação, existência
do carro de serviço e do motorista pessoal, às possibilidades de comprar os
alimentos escassos e de boa qualidade aos preços baixos. Existiam mesmo as diversas
cantinas, situadas nos comités provinciais do partido comunista e interditas ao
público geral, onde a qualidade de alimentos e do serviço prestado era de muito
longe superior às comuns cantinas soviéticas.
A
distribuição de alimentos foi realizada de seguinte modo – cada organização
soviética tinha lojas especiais e recebia “cestas alimentícias especiais”, compostos por
alimentos soviéticos ou mesmo estrangeiros de grande deficit e procura. Os restos
destes alimentos (no caso de restarem) – era encaminhado ao comércio geral,
onde os gerentes e os vendedores também os vendiam entre “os seus”.
Existia
também o chamado “fornecimento especial” dos alimentos – os membros da nomenklatura soviética nem sequer tinham
que ir às lojas especiais para comprar a tal “cesta alimentícia especial”,
esta era levantada e trazida às suas casas pelo motorista pessoal do
serviço.
O
que continha a «cesta alimentícia especial»?
A
maioria das “cestas alimentícias especiais” (existiam as “do comité distrital
do PC”, “do comité regional do PC”, “académicas”, entre outros) continham os
alimentos que não eram disponíveis para a maioria da população soviética. As “cestas”
levavam enlatados ocidentais e boa maionese soviética (que nem sempre estava
disponível no comércio geral), comida para bebés, caviar preto e vermelho,
fruta importada, linguiça defumada e cozida, salsichas, mortadela, caranguejos,
peixe de importação, camarão congelado, frango de excelente qualidade, fígado
de bacalhau, ananases/abacaxi, tangerinas, vinhos e conhaques ocidentais (ou
soviéticos de uma qualidade superior), e muito mais.
Os preços são dados em rublos, absolutamente baixos, realmente o verdadeiro comunismo
Os
alimentos produzidos na URSS e usados nas “cestas” eram fabricados, usando as linhas
de produção separadas. Nas herdades agrícolas (kolkhozes especiais) era
proibido o uso de pesticidas e de agro-químicos (enquanto em kolhozes comum os agro-químicos
eram usados com fartura), nas fábricas de processamento de carne, existiam as “unidades
fechadas”, onde eram produzidas as salsichas e linguiça de boa qualidade, sem a
adição da carne de 3ª ou de papel higiénico. Ou seja, mesmo na qualidade de
alimentos, a desigualdade dos cidadãos soviéticos se manifestava na íntegra.
Até
as embalagens destes “alimentos especiais” eram diferentes – em vez do habitual
papel cinza soviético de má qualidade (usado para empacotar as salsichas nas
mercearias), as salsichas e linguiça de “cestas” eram embaladas em caixas de
papelão bonitas, com etiquetas coloridas, mas sem a marcação de preço.
País
de felicidade universal
Não
é difícil adivinhar quem é que hoje reclama na Internet dos “malditos anos 1990”
– na União Soviética, eles próprios, ou seus pais tinham acesso ao abastecimento
especial, possuindo tudo o que o seu coração desejava, e no início dos anos 1990
a sua fartazana comunista acabou repentinamente, e eles tiveram que se dirigir às
lojas “do povo”, para encontrar as prateleiras vazias.
Comendo
das «cestas alimentícias especiais», vivendo nos apartamentos governamentais “gratuitos”,
se pode facilmente e casualmente contar as histórias sobre as “amanhas
cantantes”, apresentando a URSS como o país “de igualdade social e de felicidade
geral”. E se nas proximidades funcionavam os campos de concentração de GULAG, os
kolkhozes, onde as pessoas trabalhavam pelo “dias-de-trabalho” ou as fábricas,
onde os operários simplesmente se afogavam em álcool – era possível fazer de
conta que tudo isso não existisse, ainda mais, porque da janela do apartamento
do Kremlin nada disso era visível.
Foto:
arquivo | Texto: Maxim
Mirovich e [Ucrânia em África]
A
escola de verão dos “comissários políticos da NATO/OTAN” (de acordo com a
propaganda russa) será realizado na Ucrânia nos dias 29-31 de agosto de 2018.
A
Escola Internacional “Liga de Resiliência” reunirá os especialistas da Ucrânia,
Lituânia, Estónia e Letónia. Eles irão compartilhar o mais interessante e mais
importante das suas experiências na luta dos seus países na guerra da
informação. Afinal, a Ucrânia não é a única vítima da propaganda russa.
Para
participar: até o dia 3 de agosto, registe-se on-line (bit.ly/2mV9xdK) e envie os
seus, CV e a carta de motivação, ao e-mail: resilienceleague.ukraine@gmail.com
com o tópico “SUMMER SCHOOL”.
O
programa e os palestrantes são muito competentes. Alojamento, refeições e os
materiais de conferência serão fornecidos pelos organizadores.
Na
República Centro Africana foram assassinados dois jornalistas russos e um
ucraniano, que estavam rodando o filme documental sobre as atividades mercenárias
da empresa militar privada (EMP) russa “grupo Vagner” neste país.
Os
nomes dos jornalistas foram avançados pela TV russa “Dozhd”, os assassinados são
o realizador russo Aleksander Rastorguev (1971); repórter militar russo Orhan Dzhemal
(1966) e cameraman ucraniano Kirill Radchenko (33). Na RCA eles estavam engajados
no projeto conjunto com o “Centro de gestão investigativa” (tzurrealism);
oficialmente, os seus nomes ainda não foram revelados nem pelas autoridades
locais ou russas, nem pelo MNE da Ucrânia.
Como
informa Reuters
tudo aconteceu nos arredores da localidade de Sibut, localizada cerca de 200 km
a nordeste da capital Bangui. Os jornalistas se dirigiam para a cidade de Bambari,
várias agências noticiosas escrevem que o assassinato aconteceu num dos postos
de controlo na estrada pela qual circulavam os jornalistas.
Henri
Dépélé, prefeito de Sibut, contou à Reuters, que os jornalistas foram
emboscados por volta das 22 horas locais (21h00 GMT) do dia 30 de julho, por
homens armados escondidos na vegetação ao longo da estrada pela qual viajavam; a
viatura deles foi metralhada. Ao contrário dos passageiros, o motorista
sobreviveu e já prestou os depoimentos às autoridades locais.
Um
porta-voz da presidência da RCA, Albert Yaloké Mokpémé, disse que os corpos das
três vítimas “aparentemente européias” foram encontrados perto de Sibut por
soldados do exército regular.
A
fonte da página russa Zona.Media
disse que os jornalistas estavam indo à uma reunião com o fixer – pessoa que deveria
ajudá-los a trabalhar na RCA – e levavam consigo os equipamentos de filmagens caros.
A
porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Maria Zakharova, informou
aos jornalistas que os diplomatas russos já foram identificar os corpos. A ex-esposa
de Dzemal, a jornalista do jornal russo Novaya Gazeta, Irina Gordienko, disse ao
canal The Bell que identificou o
corpo do marido pela fotografia que recebeu pelos canais diplomáticos.
Quem
são os jornalistas mortos?
Graduado
pela Academia de São Petersburgo de Artes Cénicas, Aleksandr Rastorguev
tornou-se um dos representantes mais proeminentes do novo cinema documentário russo
– nos seus filmes os heróis tinham muito mais liberdade do que era costume na
tradição soviética; as vezes eles recebiam do realizador a câmara, para pudessem
filmar as suas próprias vidas.
Aleksandr Rastorguev | Rádio Svoboda
Rastorguev
fez alguns projetos em conjunto com o diretor Pavel Kostomarov e jornalista da
TV russa NTV Alexei Pivovarov – como a série de documentários “Srok” (O termo),
sobre os protestos liberais russos de 2011-2012.
Orhan
Dzhemal era filho do conhecido acadêmico e ativista islâmico russo, Geydar Dzhemal
(1947-2016). Geólogo de profissão, Orhan Dzhemal se tornou o repórter militar,
trabalhava para a edição russa de Newsweek. Em 2008, no decorrer da guerra russa
contra Geórgia, Dzhemal estava “acamado” com o batalhão checheno “Vostok”
(Leste), a unidade que em 2014-15 participou nas atividades terroristas no
leste da Ucrânia. O repórter já trabalhou em África, nomeadamente escrevendo
para a Newsweek, Dzhemal passou por uma cadeia na Somália.
Orhan Dzhemal | Rádio Svoboda
Em
2011, como repórter do jornal russo “Izvestia” cobriu a guerra na Síria, foi
gravemente ferido numa das pernas. Após a recuperação se dedicou aos ensaios, se
recusava de ter um olhar objetivo e enfatizava que olha ao mundo como um
muçulmano.
Orhan
Dzhemal criticou a ocupação russa da Crimeia e chamava à si próprio de “ukrop” (literalmente
endro, também é o nome que os russo-terroristas usam para descrever os ucranianos da atual
guerra russo-ucraniana), escreve a página ucraniana Novynarnia.com
Pouco
se sabe sobre o terceiro
morto, o cameraman e cidadão ucraniano Kirill Radchenko. A julgar por suas contas nas redes sociais,
ele tinha 33 anos de idade. Trabalhou numa série divulgada exclusivamente na Internet, colaborava com uma agência de notícias pró-separatista, passou
pela Síria como cameraman, “acamado” com as forças do regime de Damasco.
O cameraman e cidadão ucraniano Kirill Radchenko | Facebook
Apesar
de vários conselhos não irem à República Centro Africana, os jornalistas pretendiam
fazem o filme documental sobre os mercenários russos em África. A sua viagem
foi preparada durante cerca de 6 meses e se deu devido aos fortes rumores do
que neste país africano desde 2018 são vistos os militares ou mercenários
russos que alegadamente treinam as forças governamentais.
O
blogue francês Lignes
de defenseescreveu que nos
arredores de Sibut deveriam decorrer os exercícios militares do exército
governamental. Os jornalistas receberam as informações que no local poderiam estar
os assessores militares russos e possivelmente os mercenários do “grupo Vagner”.
O
Instituto Independente da Defesa dos Direitos Humanos (IPIS)
divulgou em dezembro de 2017 o relatório, que afirmava que nas estradas da RCA foram
instalados pelo menos 284 postos de controlo: 115 são controlados por tropas governamentais,
cerca de 150 pela coligação/coalizão de oposição Séléka, os restantes pertencem
aos diversos outros grupos paramilitares.
O
jornal russo Novaya
Gazeta, citando as fontes do francês Le Monde, escreveu no início de junho
de 2018 que os mercenários russos apareceram no país em forma de “instrutores
civis” da unidade de proteção do presidente Alexandre-Ferdinand Nguendet.
Possivelmente um dos elementos do "grupo Vagner" | Foto: facebook.com/presidence.centrafrique
A
publicação escreveu sobre a chegada à RCA, no início de 2018, de cinco oficiais
russos e até 170 “instrutores civis”. Formalmente todos eles trabalham para
duas empresas militares privadas – Sewa Security Services e Lobaye, Ltd. No
entanto, dizem os especialistas, ambas servem apenas como a cobertura para a
EMP russa “grupo Vagner”, associada ao empresário Eugeniy Prigozhin, conhecido
como “cozinheiro do Putin”.
Possivelmente os elementos do "grupo Vagner" | Foto: facebook.com/presidence.centrafrique
“Novaya
Gazeta” também escreveu que os mercenários russos foram vistos no Burundi e no Madagáscar,
informação sem a confirmação documental e sempre desmentida pelas autoridades
russas.
No
dia 31 de julho, a publicação russa Lenta.ru
escreveu que no decorrer dos exercícios militares, os combatentes [russos]
mataram um civil africano. Revoltados, os moradores locais decidiram se vingar
e lincharam o mercenário russo.