sábado, julho 28, 2018

Os mitos populares sobre o ditador bolchevique – Lenine

A historiografia soviética produziu diversos mitos sobre Vladimir Ulianov (Lenine): o mito da sua etnicidade, o mito de que ele era um filósofo independente e brilhante, e até mesmo que ele era um “avô/vovô” – nada disso corresponde à realidade, são mitos e inverdades.

Na postagem de hoje, vamos analisar alguns dos equívocos e mitos mais populares sobre Lenine – em que muitos, e talvez você mesmo, continua à acreditar.

1. Mito do Lenine «avô/vovô»

Praticamente desde o início do golpe bolchevique a propaganda soviética começou criar a imagem de Lenine de um “avô/vovô bondoso”. Aparentemente, isso deveria enfatizar a sua sabedoria – homem viveu uma longa vida revolucionária e já na velhice organizou a revolução, do e para o povo. E mais, “avô/vovô”, é uma espécie de totem, o líder arcaico da tribo, o kota, o madala, o mais velho e mais sábio. Para manter essa imagem, Lenine sempre e em todos os lugares era retratado careca, com uma barba de bode e em um fato/terno clássico.
Na verdade, Lenine não era nenhum “avô/vovô” – ele morreu aos 53 anos, o que, mesmo para os padrões da época não era considerado velhice, era um homem de meia-idade. No momento do golpe bolchevique Lenine tinha apenas 47 – praticamente um homem jovem. Mesmo no sentido da linhagem da sua família Lenine também não era “avô/vovô” – ele não deixou nem filhos, nem netos.

No decorrer do golpe bolchevique Lenine não tinha aparência que a propaganda soviética descrevia: careca, com barba de cavanhaque e com um fato/terno clássico de três peças. Naquela época Lenine estava barbeado, usava uma peruca e roupas de um operário, como na foto em cima. A imagem pouco parecida com a ícone canónica do “avô-revolucionário”.

2. Mito sobre a sua etnicidade

A biografia oficial soviética dizia que Lenine era russo. No mínimo, isso não é verdade – o pai de Lenine, Ilia Uliánov (batizado como Ilia Ulyanin), pertencia à uma linhagem de calmucos, convertidos ao cristianismo ortodoxo russo. A mãe de Lenine – Maria Blank  – era filha de um judeu convertido à ortodoxia russa, Alexander Blank.
Por alguma razão desconhecida, a propaganda soviética decidiu ocultar a origem étnica do líder bolchevique. A biógrafa oficial do clã Lenine, Marieta Shaginian, publicou em 1938 o livro “Família Ulianov”, em que pela primeira vez falou abertamente sobre as raízes calmucos dos Ulianov [ao mesmo tempo na versão de Shaginyan – Alexander Blank era ucraniano]. O trabalho de Shaginyan até foi elogiado pela viúva oficial do Lenine – Nadezhda Krupskaya. Mas o Bureau Político do PCUS rapidamente proibiu a sua investigação, numa deliberação especial de 5 de agosto de 1938, e Krupskaya foi repreendida. A deliberação foi revogada somente após 1956.

3. Mito do «grande sábio»

Este mito foi criado pelo propagandista bolchevique Vladimir Bonch-Bruyevich e outros “biógrafos” soviéticos de Lenine, que constantemente estavam criando histórias de como Lenine ficava trancado numa sala e toda a noite estava lendo e escrevendo, para de manha cedo sair “descansado e fresco”, para tomar o chá [pequeno almoço/café de manha]. O culto soviético da personalidade do Lenine constantemente pedalava a ideia que o homem com tanta leitura e escrita, só pode ser um sábio – ele sabia e conhecia tudo, etc.
Na realidade, Lenine não lia muito, e todas as suas numerosas obras – são uma coleção eclética de pensamentos e ideias populares na época, passados através da personalidade particular de ditador. A historiografia soviética apresentava a sua obra como “trabalho titânico e a continuação das grandes ideias de Marx”, mas na verdade as obras do Lenine eram pouco originais, e muitas das vezes até contraditórias.

4. O mito de uma personalidade auto-suficiente e independente

A propaganda soviética retratava Lenine pré-golpe bolchevique como um filósofo livre – supostamente ele viajou por diversos países da Europa, reuniu-se com as pessoas certas, escreveu obras brilhantes e, com todas as suas forças, tentou aproximar a revolução comunista.
Na verdade, Lenine era um homem não realizado e pobre, que vagueava sem rumo pela Europa – ele não tinha bons amigos e, até os 40 anos vivia às custas de mãe. Lenine não queria trabalhar – até a idade de 25 anos ele estava engajado na advocacia em São Petersburgo, mas mal ganhava para a sua própria comida, constantemente escrevia cartas para mãe com os pedidos: “se você puder, me envie mais cem rublos”. Depois Lenine abandona completamente o emprego e vive às custas de seus parentes, mãe e irmã. Lenine era uma criança grande – a mãe constantemente o apoiou com dinheiro, comprou fatos/tenros, vestuário, roupa de cama, entre outras coisas.

5. O mito de que Lenine foi gentil e bondoso
Este mito também tem raízes antigas e começou a ser criado ainda durante a vida do Lenine – a frase “o bondoso avô/vovô Lenine” foi imposta aos pioneiros e outubristas em toda a União Soviética. Os livros infantis publicaram as imagens de Lenine, cercado por crianças, acompanhadas por histórias que diziam:
A propaganda típica soviética, livro "Lenine e crianças"
da autoria do já citado propagandista Bonch-Bruyevich
Pequena Leninha tem uma nova insígnia no seu vestido.
— Quem está desenhado na insígnia? — perguntam as crianças.
— É avô/vovô Lenine!
— É seu avô/vovô?
— É meu! E da minha mãe e o do pai. E o avô do avô também! E Lenine está à sorrir porque ele é gentil.

Após 1956, com o fim do culto da personalidade de Estaline, sobre a suposta bondade de Lenine começou se falar muito mais – tudo o que era mau/ruim no poder soviético, era atribuído ao Estaline, o bondoso avô/vovô Lenine queria fazer tudo muito diferente.

Uma foto icónica (1), Lenine e Krupskaia, com as crianças na aldeia de Kashino, nos arredores de Moscovo. Na foto original (2) eles estavam rodeados pelos adultos, mais tarde, vítimas da luta contra os kulaks e quase todos presos, mortos ou deportados. Como resultado, os adultos foram eliminados e o fundo da fotografia foi escurecido.
Como URSS falsificava o seu passado histórico
Os contemporâneos lembraram-no como uma pessoa seca, mesquinha, tirânica, maligna e vingativa, que, além disso, se caracterizava por frequentes mudanças de humor – o  que, junto com a sua queda para as intrigas mesquinhas tornava impossível a sua amizade. Especialmente os contemporâneos notavam os seus olhos malignos.

O socialista e filósofo russo, Nikolai Valentinov, que conhecia Lenine pessoalmente, o recordava assim: “Seus olhos eram escuros, pequenos, rosto muito feio, era muito móvel, muitas vezes mudando a expressão: a plena consciência vigilante, atenção, ironia, desprezo cortante, frio impenetrável, raiva profunda. Neste caso, os olhos de Lenine tornaram-se – uma comparação aproximada – olhos de um javali malvado”.

Georgy Solomon (1868-1942), o proeminente social-democrata russo, membro da alta nomenclatura soviética e um dos primeiros não-retornados, conhecia Lenine muito bem: “Baixinho, com uma expressão facial desagradável, diretamente repulsiva... Ele era um orador muito pobre, sem o rasgo de talento, era um grande demagogo. Familiarizando com ele, você poderia facilmente perceber suas fraquezas e, francamente, pontos nojentos. Antes de tudo, o manchavam os modos rudes, misturados com complacência impenetrável, desprezo pela outra parte e alguma deliberada (não consigo encontrar outra palavra) “atitude de cuspir” no interlocutor, especialmente dissidente e que não concordava com ele e, além disso, sobre o interlocutor mais fraco, não engenhoso, não muito brilhante”.
A URSS na década de 1970-1980, os supermercados cheios de uma única mercadoria
 sem nenhum comprador, os pequenos bustos de Lenine, feitos de gesso
Lenine não gostava de pessoas, e pensava que poderia facilmente dispor de suas vidas, para isso se deveria apenas os “desumanizar”, usando alguma palavra pejorativa. Em 1918 contra a tirania soviética se revoltaram os camponeses da região russa de Penza – Lenine imediatamente os chamou de kulaks e escreveu assim – “é necessário enforcar (enforcar claramente, de modo que as pessoas vejam) e não menos que os notórios kulaks, os ricaços, os sanguessugas”. No mesmo telegrama, Lenine ordena a tomada de reféns das famílias de camponeses, assim como a apreensão de todos os bens daqueles que serão suspeitos apenas de “simpatia” para com o movimento camponês rebelde.

Como vocês podem ver – o verdadeiro Ulianov – Lenine estava muito longe de ser a pessoa retratada pela propaganda soviética e comunista.

Fotos: arquivo | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África].

sexta-feira, julho 27, 2018

Criptodólares para a ditadura bolivariana

A moeda venezuelana chegou ao seu novo “recorde”, um dólar americano vale mais de 4 milhões de bolívares e o presidente venezuelano Maduro anunciou a denominação da moeda nacional. O atual bolívar “perderá” cinco zeros e será indexada à criptomoeda venezuelana chamada Petro.

A inflação deste ano é esperada ao nível de um milhão por cento por ano. Em janeiro de 2018, no mercado paralelo o dólar valia um pouco mais de 100 mil bolívares. Nestas condições a economia se transforma em pura ficção, o dinheiro deixa de desempenhar o seu papel e perde qualquer valor.

No entanto, a denominação só faz sentido quando a queda da moeda nacional e a inflação selvagem, forem estagnadas, algo que não acontece na Venezuela atual. Mais, a criptomoeda estatal venezuelana Petro está por sua vez indexada ao custo do petróleo venezuelano. Formalmente 100 milhões de tokens correspondem ao valor de 5,3 mil milhões de barris de petróleo venezuelano, que está indexado (embora de forma indirecta) ao câmbio do dólar americano, dado que os preços do petróleo são cotados em dólares.

A indústria petrolífera venezuelana está numa crise gravíssima, a empresa estatal de petróleo PDVSA já é incapaz de realizar a entrega dos volumes previamente contratados, a OPEP está estudar seriamente a divisão da quota da Venezuela devido ao colapso da indústria petrolífera do país. Hoje em dia, a Venezuela possui apenas um único produto estável no mercado – a cocaína colombiana, cujo trânsito pelo território do país é controlado pelo seu exército revolucionário, que é essencialmente é um cartel militarista estatal de droga. Naturalmente, por razões políticas, Venezuela não poderá criar a criptomoeda nacional, indexada ao custo da cocaína.

O governo socialista bolivariano levou a situação económica, social e política à uma crise insolúvel sem precedentes. Devido à sua incompetência socialista e por enriquecimento pessoal dos seus dirigentes. Na sua forma atual, o regime da Venezuela já não tem nenhuma solução, o país precisa começar a reforma profunda do todo o sistema de poder e da administração estatal. Algo que dificilmente poderá acontecer sem um Maydan, dado que o exército, simplesmente não entregará o poder à oposição democraticamente eleita, pois isso levará ao colapso da liderança do exército que criou um esquema de negócios de transporte de droga da região ao mundo exterior.
Aparentemente, a atual liderança americana não estará disposta à interferir nos processos em curso, embora não é de excluir a intervenção regional – possivelmente do Mercosul para assumir o controlo dos objetos da indústria petrolífera, impedir a desintegração do país, evitar o caos nas fronteiras e impedir a onda de refugiados. Os tempos extremamente difíceis esperam por Venezuela e os venezuelanos. Como dizia a saudosa Margaret Thatcher: “o socialismo dura até acabar o dinheiro dos outros”.

Julian Assange é convidado à sair da embaixada do Equador

O presidente do Equador, Lenín Moreno disse que o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, no fim de contas terá que deixar a embaixada do país em Londres, onde está escondido desde 2012, relata Reuters.

O presidente acrescentou que já havia discutido a situação com as autoridades britânicas.

Nas vésperas o Ministro dos Negócios Estrangeiros / das Relações Exteriores do Equador Jose Valencia também tinha dito que o fundador do WikiLeaks não pode se esconder na embaixada do Equador para sempre. O diplomata pediu para discutir o problema no âmbito do direito internacional na presença de três partes: o governo da Grã-Bretanha, o governo do Equador e os advogados de Assange. Ele também lembrou que, de acordo com as condições de concessão de asilo, Assange não pode fazer declarações políticas, e também dizer qualquer coisa que coloque em risco as relações do Equador com outros estados.

Assange está na embaixada do Equador em Londres desde 2012. Ele pediu o asilo político, por medo de ser extraditado pelas autoridades suecas aos Estados Unidos em conexão com as suas atividades no WikiLeaks.

Desde o final de março de 2018, o governo do Equador cortou as comunicações do Assange com o mundo exterior [e já tinha feito isso anteriormente]. Segundo as autoridades do país, o comportamento do fundador do WikiLeaks e as suas mensagens nas redes sociais colocam em risco as boas relações do país com o Reino Unido, os países da UE e outros estados.

As declarações do presidente e do Ministro das MNE do Equador são as primeiras comunicações oficiais que indicam que Quito irá recusar a prorrogação do seu asilo.
Blogueiro: possivelmente, Julian Assange se deve preparar para seguir as pegadas do seu amigo e comparsa Edward Snowden, “muito seguro” algures nos arredores de Moscovo.

quinta-feira, julho 26, 2018

O terrorista brasileiro Rodolfo Cunha Cordeiro: as confissões do impostor

O terrorista brasileiro Rodolfo Cunha Cordeiro concedeu uma entrevista ao serviço brasileiro da BBC, contradizendo, em vários pontos, o seu discurso anterior e preparando, eventualmente, o terreno para o regresso ao Brasil.
Mais uma impostura do “Magaiver”, agora se apresenta como Rodolfo Raed
É sobremaneira interessante comparar o discurso do Rodolfo Cordeiro (29.09.1987), conhecido entre os terroristas como “Rodolfo Magaiver” (ou Rodrigo Magaiver), nas entrevistas de maio de 2015 e de julho de 2018.

Mentira № 1
Por exemplo, em maio de 2015, na reportagem do repórter brasileiro Yan Boehat, Rodolfo Cordeiro foi apresentado como “ex-cabo do exército brasileiro”, nomeadamente: “Rodolfo, ex-cabo do exército, de 27 anos, que trabalhava como segurança em Presidente Prudente (SP) [...] não nega que, desde a época do quartel, sonhava participar de combates reais”.
Já em julho de 2018, Cordeiro conta à BBC que não serviu o Exército brasileiro (Sic!), mas chegou a trabalhar como segurança particular, após frequentar cursos privados de “segurança VIP”, “segurança de carros fortes” e “escolta armada”.

Mentira № 2

“Mas, por que na Ucrânia?”, pergunta a BBC Brasil em 2018 e terrorista responde:
Rodolfo na companhia da conhecida terrorista e neonazi Yulia "Nórdica" Cilinskaya-Harlamova
“Se eu pudesse pegar em armas para lutar pelo que acredito no Brasil, eu pegaria [...] Pensava [...] ser polícia civil ou federal [...] Ao mesmo tempo para ajudar as pessoas, mas também pela aventura, a adrenalina, o desafio. Eu queria sentir”.
Aventura que saiu caro: os joelhos do terrorista brasileiro
Em maio de 2015 a resposta era totalmente diferente: o terrorista dizia que veio do Brasil até Ucrânia “para lutar contra o imperialismo americano”.

Mentira № 3

Na entrevista à BBC Brasil o terrorista brasileiro afirma: “Não sou mercenário” e diz ter atuado por quase três anos como voluntário das guerrilhas locais, sem qualquer salário. Mas apenas algumas linhas abaixo entrega todo o jogo: “Meu salário deve ser menos de 800 reais”.
Rodolfo ainda segurança no Brasil na periferia onde mora
No entanto, a lei brasileira é clara em considerar Rodolfo Cunha Cordeiro de terrorista, tal como atesta o Decreto da Presidência da República do Brasil № 5.938, de 19 de outubro de 2006 que promulgou o Tratado de Extradição entre a República Federativa do Brasil e Ucrânia, celebrado em Brasília, em 21 de outubro de 2003, e que estabelece a seguinte definição do terrorismo: “o atentado contra pessoas ou bens cometidos mediante o emprego de bombas, granadas, foguetes, minas, armas de fogo, explosivos ou dispositivos similares” (artigo № 3, alínea 5, ponto c) III).

Esperteza à custa do Lusvarghi
Lusvarghi: na Donbas nos chamavam de macacos
É de notar que o caso Lusvarghi ensinou os terroristas brasileiros à ficar de “bico calado” sobre as suas façanhas na Ucrânia ocupada. Perguntado pela BBC Brasil quantos homens matou durante a guerra, “Magaiver” responde: “É complicado dizer isso. É uma pergunta difícil. Há um regulamento ético que diz que, mesmo se eu tiver ou não tiver feito isso, eu não posso comentar”.

Ideologia política do terrorista

À BBC Brasil Cordeiro conta que sempre fui fascinado pela história da União Soviética, pelo Estaline, Lenine, elogiando a história e a “bravura” dos antigos exércitos  soviéticos (Sic!). Mas emenda apressadamente: “Não faço parte de nenhum grupo comunista”. E acrescenta, como se fosse só por dizer: “Escuto o pessoal falar que tem o Bolsonaro, que ele vai liberar porte de arma, essas coisas, mas não tenho muito conhecimento. [...] estou totalmente desinformado”.
As "medalhas" fake do "Magaiver", em cima, com as cores de arco-íris foi lhe dada pelos terroristas
do bando ilegal armado "todo-poderoso exército do Don e do exército cossaco"
Ou seja, o terrorista não fala nem no PT, nem no Lula, percebendo que estes já não o ajudarão em nada. Não evoca nenhuma luta “contra o imperialismo americano”. Fala do Bolsonaro, possivelmente pensando para com os seus botões: “mas se eu falar bem do Jair Bolsonaro, quando este for presidente, seguramente Brasil não me processará por ser um mercenário terrorista na Ucrânia...”

A responsabilidade moral dos pais do terrorista
Os pais do terrorista: Sandra Regina da Cunha Cordeiro e Edson dos Reis Cordeiro
A enfermeira Sandra Regina da Cunha Cordeiro e o motorista Edson dos Reis Cordeiro dizem que tentaram demover o filho de ir para a Ucrânia [para se tornar um terrorista], mas dizem eles, que foi sem sucesso. A mãe diz que que “apoiou a decisão [de ir à Ucrânia para matar os ucranianos] ao perceber que não conseguiria fazê-lo mudar de ideia: “Então, a gente deu força e ajudou como pode [...] Eu e o pai dele temos muito orgulho do Rodolfo [...] bom trabalhador, honesto, luta pelo que quer”.
O "bom trabalhador, honesto, luta pelo que quer" (no canto direito, em cima de pneu com a cara descoberta),
usando as táticas puramente terroristas, junto ao canhão "Rapira" (M-12) de 100 mm,
colocada no quintal do prédio habitacional 
Espera-se, muito sinceramente, que caso Rodolfo Cordeiro for abatido ou capturado pelas forças ucranianas, a mesma enfermeira e o mesmo motorista não venham incomodar a embaixada da Ucrânia no Brasil com as reclamações infundadas e (já habituais dos criminosos brasileiros e das suas famílias) do que nada sabiam das atividades do seu filho na Ucrânia e que este é um pobre coitado “trabalhador honesto” e inocente...  
Mais uma mentira do "Magaiver" na sua "caderneta militar" da dita "dnr", o terrorista declara que tem
a "formação jurídica superior", enquanto na realidade abandonou os estudos e se formou em nada.
Bónus
A reação dos “terroristas nutella” à divulgação deste artigo na rede Facebook: “sou um terrível e destemido berserker!, mas as suas palavras machucam...” ;-)

quarta-feira, julho 25, 2018

A lei soviética “de 5 espigas” que permitia fuzilar as crianças

A lei soviética, tristemente conhecida como “decreto sete-oito” ou a “lei de espigas” permitiu o fuzilamento legal dos cidadãos pelo roubo de 3-5 espigas de trigo, incluindo as crianças à partir dos 12 anos.

Que lei foi essa?

A Lei, que recebeu o nome popular de “lei sobre espigas” ou a “lei das cinco espigas” foi aprovado em 7 agosto de 1932, tornando-se o Artigo 328º no Código Penal soviético da época estalinista. A lei também era chamada de “sete oitavos” e “decreto sete-oito” – por causa da data de sua aprovação. Há evidências históricas que mostram que a aprovação da lei era imposta pelo próprio Estaline – o ditador soviético chamou abertamente todos os que não concordavam com o seu plano insano de coletivização forçada de inimigos do povo e do Estado.
De acordo com a nova lei os “saqueadores da propriedade socialista” espera o fuzilamento, que em circunstâncias excepcionais podia ser substituído por 10 anos dos campos de GULAG. “A propriedade socialista” era considerado mesmo um punhado de espigas, levadas do campo de um kolkhoz – no sentido literal do termo, bastava ser apanhado com três à cinco espigas – uma pessoa podia ser fuzilada.

A imprensa soviética escrevia que a lei foi aprovada “para atender à demanda dos operários e agricultores coletivos”, a repressão era chamada de “luta decidida contra os elementos kulaks-capitalistas que resistem” (assim eram chamadas as pessoas que, empurradas pela fome, simplesmente levaram algumas espigas do trigo dos campos kolkhozianos) e o fuzilamento foi chamado de “medida suprema de proteção social”.

Como era aplicado a “lei de cinco espigas”. Os fuzilamentos de crianças

De acordo com o “decreto de sete-oito” eram apanhados literalmente todos que apenas eram suspeitos de “roubo de propriedade socialista”. Anistia não se aplicava à essas pessoas, o Estado comunista decididamente os chamava de inimigos inequívocos. Outro facto interessante é que uma parte da lei implicava a responsabilidade criminal pela “propaganda anti-kolkhoziana” – se alguém se atrevia à dizer publicamente que kolkhoz – não é uma coisa boa, também poderia ser fuzilado ou deportados para os campos de concentração de GULAG como o “elemento kulak/kurkul ameaçador”.
O dia em que URSS decidiu fuzilar as crianças
Em 7 de abril de 1935, foi aprovada a Deliberação № 3/598 que previa a aplicação da pena capital, segundo os artigos correspondentes ao Código Penal soviético, à partir da idade de 12 anos, o decreto assinado pelo Estaline pessoalmente – na época a propaganda soviética retratado Estaline como “um amigo de crianças”, sempre com uma menina nos braços ou rodeado de pioneiros com as flores.

Os arquivos soviéticos, contêm informações sobre muitas crianças e adolescentes fuzilados no polígono de Butovo, nos arredores de Moscovo. É possível identificar 196 corpos de menores – em apenas um dos locais de fuzilamentos (existiam centenas em toda a URSS) e apenas durante um ano e poucos – entre agosto de 1937 a outubro de 1938.
As crianças da União Soviética: fuzilamento do Mikhail Shamonin
Uma das crianças fuziladas no polígono de Butovo era Misha Shamonin – desamparado, sem lar ou família, com fome, ele roubou algumas pães e foi fuzilado pela “lei sobre espigas”. De Misha ficou apenas esta foto do seu processo, na qual veste um casaco de adulto, e a data da sua morte – Misha foi fuzilado em 9 de dezembro de 1937.
[Dado que os fãs da URSS e do comunismo costumam negar a existência deste caso, publicamos a cópia da resposta oficial do FSB russo, emitida em 27 de dezembro de 2017. O documento da secreta interna russa confirma que Mikhail Shamonin foi fuzilado (e sepultado) em 9 de dezembro de 1937 no Polígono de Butovo].

O fim da «lei de cinco espigas». E depois disso?

Em 1936, o Procurador/Promotor Geral da URSS, Vyshinsky, preparou um memorando com as estatísticas – a procuradoria/promotoria da URSS verificou os 115.000 casos com aplicação do “decreto sete-oito” e constatou que em 91.000 casos a aplicação deste decreto era errada e criminosa. Com base nisso, planeou-se à reabilitar 37.000 pessoas que foram fuziladas ilegalmente, mas Estaline agiu de acordo com a lógica habitual das autoridades soviéticas – simplesmente mandou fuzilar todos aqueles que “cometeram excessos”. Acredita-se que desde 1936 a “lei das espigas” já não tenha sido usada com tanta frequência, mas o fuzilamento de Misha Shamonin é uma prova do contrário.

A lei sobre as espigas foi completamente abolida apenas com o fim das repressões estalinistas e da condenação do culto à personalidade do Estaline, embora, muito possivelmente, os países do espaço pós-soviético não condenaram, nem perceberam, até hoje, a imensidade e as consequências dessas repressões.

E sim, quase esquecemo-nos de acrescentar – naquela época o sorvete soviético (da tecnologia comprada nos EUA) era muitíssimo saboroso e gostoso...

Foto: Internet | Texto: Maxim Mirovich e [Ucrânia em África].

terça-feira, julho 24, 2018

Militares judeus finlandeses na Talvisota e na Guerra de Continuação

Cerimónia em homenagem aos soldados finlandeses judeus caídos
No decorrer da Talvisota e da Guerra da Continuação cerca de 300-350 militares judeus finlandeses, homens e mulheres, serviram nas forças armadas e de segurança do seu país. Três deles foram agraciados com a medalha alemã de Cruz de Ferro do 2º grau por sua bravura em combates, mas se recusaram a aceitar a distinção do Wehrmacht.
Politruk (comissário) é pior que o inimigo. Ele te atira nas costas!

Dina Poljakoff e o seu irmão Mika Poljakoff
Uma das Cruzes foi concedida (e recusada!) à enfermeira militar Dina Poljakoff (1919-2005), militante da organização paramilitar finlandesa feminina Lotta Svärd, mais tarde a médica dentista, que viveu e morreu aos 85 anos em Israel.
Major Leo Skurnik (1907 – 1976)
O major Leo Skurnik (1907 – 1976; condecorado com a Cruz de Ferro do 2º grau, recusou a medalha) era médico finlandês do regimento de infantaria JR53 (Jalkaväki Rykmentti), no bolso de Kiestinki, em agosto de 1941. Todo o atendimento médico do regimento era de sua responsabilidade. Em Kiestinki também lutou a 6ª companhia da SS-Nord, e Skurnik também quidava deles. Skurnik organizou a evacuação de feridos do rio Kapustnaja (Kapustnajajoki), onde cerca de 600 soldados feridos foram resgatados atrás das linhas soviéticas. O coronel finlandês Wolf Halter disse: “Major Skurnik não cuidou apenas dos feridos, ele também foi para a linha de frente e os trouxe de volta sob o fogo do inimigo. Indiferente, se era um finlandês ou alemão, ele os trouxe em segurança” (fonte: Rautkallio Hannu “Suomen Juutalaisten Aseveljeys”).
Leo Skurnik, o oficial médico judeu (segunda linha, segundo à direita),
foi condecorado com a medalha alemã Cruz de Ferro.
O capitão Salomon Klass (1907-1985; condecorado com a Cruz de Ferro do 2º grau, recusou a medalha) ganhou a reputação do bom comandante e do soldado duro na Guerra de Inverno. Ele lutou no regimento de infantaria JR64 em Raatteentie e depois em Maksimansaari. Na Guerra de Continuação ele estava no regimento de infantaria JR24, com posições ao lado da 136ª Divisão do Wehrmacht. Após as duras batalhas em Uhtua (atual Kalevala, na Rússia), o coronel alemão Pilgrim foi visitar o capitão Klass para agradecer-lhe pelo trabalho bem feito. De repente, Pilgrim perguntou sobre o sotaque de Klass, se ele era dos Estados Bálticos. O capitão Klass disse que, uma vez que sua língua nativa como judeu é iídiche, isso poderia ser notado pela sua pronúncia do alemão. Depois de um breve silêncio, o coronel Pilgrim levantou-se, apertou a mão de Klass e disse: “Pessoalmente, não tenho nada contra você como judeu. Obrigado capitão” (fonte: Rautkallio Hannu “Suomen Juutalaisten Aseveljeys”).
Capitão Salomon Klass (1907-1985)
Um dos aspectos interessantes é que na Guerra de Continuação os soldados judeus serviram ombro à ombro tanto com as tropas da Wehrmacht, quanto da SS, não experimentando nenhum anti-semitismo. Quando um dos soldados judeus do 24º Regimento do Exército Finlandês que foi buscar suprimentos à posição vizinha da 136ª Divisão da Wehrmacht, disse ao seu companheiro alemão que seria melhor não mencionar sua nacionalidade, o soldado alemão respondeu: “Eu concordo, mas não por causa do que você pensa. Nada vai acontecer com você, mas eu serei entregue à Gestapo”.
Sinagoga de campo construída pelos militares finlandeses judeus do 24º Regimento de Infantaria, Rio Svir 1944.
Soldados judeus posando nos degraus da sinagoga de Helsínquia.
Quatro irmãos Blankett
Soldados judeus da Finlândia: quatro irmãos Hirshowic: Samuel, Bernard, Isidor, Rafail
Em resultado da Talvisota, a comunidade judaica de Helsínquia perdeu 9% de seus membros – participantes da guerra (no total, a comunidade judaica antes da Talvisota era de cerca de 2.000 pessoas, na sua maioria naturais do império russo). Comparado às comunidades luteranas, este é um dos números mais altos. Toda a população judaica da cidade de Viipuri (atual Vyborg na Rússia),mais de 250 pessoas, abandonou a sua cidade, deixada pelas tropas finlandesas e ocupada pelos soviéticos. No curso do violento bombardeio de Viipuri, a sinagoga local foi incendiada pela aviação e artilharia soviéticas.
Marechal Mannerheim visita a sinagoga de Helsínquia em 6 de dezembro de 1944,
em serviço memorial solene aos 23 soldados finlandeses de origem judaica.
Após o fim da II G.M., no mínimo 29 veteranos judeus finlandeses lutaram na Guerra da Independência de Israel, cerca de 200 emigraram para Israel, tal como Dina Poljakoff (fonte1; fonte2).

domingo, julho 22, 2018

O pugilista ucraniano Oleksandr Usyk vence em Moscovo

O pugilista ucraniano, residente na Crimeia ocupada, Oleksandr Usyk, venceu em Moscovo o seu oponente russo e se tornou o campeão absoluto dos pesos pesados (nas versões WBO, WBC, WBA, IFB), cinturão da revista The Ring e o detentor do troféu “Mohammed Ali”.



O combate decorreu durante 12 assaltos, durante as quais Usyk dominou praticamente por completo. Segundo as estatísticas, no decorrer do combate Usyk desferiu quase mil golpes ao seu adversário. Como resultado, os juízes atribuíram ao ucraniano a vitória unânime, por 120:108 e duas vezes por 119:109.
Oleksander Usyk tornou-se o primeiro ucraniano (e quarto do mundo) – campeão mundial absoluto, detentor dos quatro cinturões de campeão mundial. Além disso, Oleksander ganhou o troféu “Mohammed Ali”, escreve a página ucraniana isport.ua  
Na Ucrânia e na blogosfera ucraniana não existe unanimidade em como encarar essa vitória. Uma parte dos usuários escreve algo como: “linda vitória do nosso atleta que venceu o seu oponente russo e assim em Moscovo foi tocado o hino da Ucrânia e da VITÓRIA UCRANIANA. Glória ao Oleksandr! Glória à Ucrânia!
3 imagens @screan da TV Inter (Ucrânia) 
Outros dizem: “em Moscovo terminou mais um ato da operação de guerra psicológica, em que Kremlin estava sempre numa posição de win-win, pois o resultado não lhe interessava, interessando apenas a disseminação da velha cantiga do “desporto acima de política”, dos “povos irmãos” e coisas semelhantes; e mesmo a simples legitimação de contactos com o país que nos últimos 4 anos diariamente mata os civis e militares ucranianos”.
Ler mais
Seguramente, ambos têm uma boa razão, mas o presidente Petró Poroshenko tinha desempatado ;-)
Petró Poroshenko: Nem por um segundo duvidei que Sashko vencerá! A Ucrânia se orgulhosa de você!