sábado, maio 26, 2018

Retornado do Afeganistão: as memórias de um combatente soviético

O belaruso Aliaksandr Goshtuk serviu no Afeganistão em 1982-84, numa unidade de spetsnaz, como dizia a propaganda soviética “no contingente limitado dos internacionalistas soviéticos” que ajudavam a República Democrática do Afeganistão (RDA).

A primeira coisa que Aliaksander pediu na entrevista, é para que não se fale de nenhumas “bravuras”, nem “heroísmos” daquela guerra, mas das coisas que realmente aconteciam. Na verdade, o ex-comando soviético Aliaksander, mais uma vez confirmou a ideia de que a aventura afegã era uma guerra desnecessária – tanto aos afegãos, que perderam quase um milhão de pessoas [e tiveram cerca de 5 milhões de deslocados], e para as mães soviéticas, muitas das quais perderam lá os seus filhos. Uma aventura de um governo de velhos, fora de qualquer controlo da sociedade e fora da escolha popular.

Chegada ao Afeganistão

– Aliaksandr, como você parou no Afeganistão?

Quando chegou a hora de servir no exército, foi convidado pelo comissariado militar aos cursos da sociedade DOSAAF para fazer alguns saltos de para-quedas, saltei três vezes. Não tinha um desejo especial de servir nas forças aerotransportadas, mas percebi que eles me preparavam para isso. Na chamada militar, ainda em Belarus, eu e mais 8 rapazes foram designados ao Afeganistão. Mais tarde entrei nas forças especiais, outros dois – no batalhão para-quedista de assalto (DShB), ambos morreram...
De Belarus fomos enviados ao Chirchiq nos arredores de Tachkent, no Uzbequistão – no caminho soube que iríamos ao Afeganistão. O Chirchik estava estacionada a Brigada de Forças Especiais, que incluiu o famoso “batalhão muçulmano”, que em 1979 atacou o palácio de Amin – lá serviam principalmente tajiques e uzbeques, e em 1982 foram enviados para lá cerca de 120 recrutas eslavos, eu era um deles.

— Em Chirchik vocês receberam algum treino?

Tivemos apenas a formação padrão de jovem recruta com duração de um mês – disparamos um bocado, corremos, aprendemos “liquidar o vigia”, tivemos as corridas de cross-country de oito quilómetros para o polígono e de volta. Os sargentos tiveram que correr um pouco mais – voltavam periodicamente ao final da coluna e davam os pontapés nos traseiros dos mais atrasados.

Não nos ensinaram as especialidades militares – de franco-atiradores, operadores de metralhadoras ou morteiros. Mas participamos na colheita local, descarregávamos os vagões com água mineral, trabalhávamos num talho industrial... Foi chamado à tropa em 20 de março [de 1982] e já aos 12 de junho, após toda essa “aprendizagem” foi enviado ao Afeganistão.

Nem sequer prestei o juramento militar. Antes da partida para o Afeganistão, o batalhão fez o juramento, mas queriam me deixar na União Soviética, porque eu tinha carta de condução / carteira de motorista, assim não prestei o juramento. No último momento, na URSS ficou alguém com “boas conexões” e eu fui novamente enviado ao batalhão. Ao prestar o juramento, alguém, aparentemente, assinou por mim.

Primeiros meses no Afeganistão

Ao chegar ao Afeganistão – a primeira coisa que vi – eram veteranos, indo pela pista de aeródromo até os helicópteros. Chegando mais perto, ouvimos – “se enforquem, novatos”. Depois da primeira noite, foi difícil abrir os olhos – todo o rosto estava coberto com a fina poeira afegã.
Foi colocado no 6º pelotão, unidade mecânica, mas não fiquei lá por muito tempo. Participei em algumas operações militares. Lembro-me de um episódio, nós, forças especiais, estávamos levar um camião/caminhão cisterna afegão, alguém correu, todos começaram a atirar. Eu também atirei. Puxei a trava de segurança mais forte do que era necessário – e coloquei meu AK no regime de tiro simples. Durante muito tempo não conseguia entender por que todo mundo estava atirando com rajadas e eu disparava tiros esporádicos.

Algum camponês em roupas afegãs subiu ao muro da aldeia e o nosso operador de rádio o atingiu com o fogo de metralhadora. Aparentemente, acertou nos pulmões – saiu a espuma cor-de-rosa. Então, eu completamente me desinteressei dessa guerra, tinha pensamentos sobre o que estava fazendo aqui. Nosso alferes acenou para o operador, e ele acabou por abater o homem – então eu me “desliguei” totalmente, cabeça começou a girar e passei mau. O homem afegão, à propósito, provavelmente era um civil não combatente...

— No seu pelotão havia gente que gostava matar as pessoas, os afegãos?

Não conheci nenhum que gostava de matar, acho que é algum tipo de patologia, nós não os tivemos. Num episódio os membros do KHAD (secreta comunista afegã) capturaram os prisioneiros e disseram-nos para os fuzilar – não houve um único que quisesse, nós não faríamos o tal absurdo. Os prisioneiros foram entregues aos responsáveis, só isso.
Após a unidade mecânica entrei na unidade paramédica – também aconteceu por acaso. Eu disse que não entendo disso, que tenho medo de sangue – me responderam que não era nada, que irei aprender. Tudo era assim... O operador da metralhadora era alguém culpado – recebia a metralhadora para carregar como um castigo, porque era pesada. Também não tínhamos os franco-atiradores – atirar para onde? Estávamos cercados pelas montanhas.

— Você próprio disparou contra as pessoas?
Disparei sim, mas para onde? Quando era visível em quem disparar – o melhor era não atirar. Apenas parece – somos lançados do helicóptero em grupo de 12 pessoas, marchamos carregados de munição, como os verdadeiros rangeres, mas quando somos alvo de fogo inimigo, saltamos/pulamos para a vala, para a lama, e pensamos – “Meu Deus, o que estou fazendo aqui?” Numa guerra real, os seis carregadores de AK na melhor das hipóteses chegam para meia hora de combate.

Os horrores da guerra afegã

Num dos primeiros dias de serviço como paramédico, foi enviado para lavar o corpo do soldado morto, de apelido/sobrenome Shapovalov, ele levou um tiro sob a clavícula – eu tinha que lavar o corpo, amarrar a mandíbula, para a boca não se abrir e dobrar as mãos corretamente. Comecei a lavá-lo, o virei – nas costas havia uma bolha do sangue coagulado. A ferida verteu mas algum sangue, eu tremia todo...
Mais tarde você se acostuma com essas coisas, uma vez me trouxeram doze pessoas que se pisaram o nosso próprio campo minado – uma mistura de ossos... E você simplesmente faz o seu trabalho. Porque se não for você – quem o fará? Depois de Afgan achavam que eu deveria entrar na medicina – respondi que não, tinha medo de sangue.

A escritora belarusa Svetlana Alexievich, no seu livro Rapazes de Zinco descreve como nos caixões de zinco, muitas vezes, para a União Soviética era enviada simplesmente a terra no lugar de corpos, você testemunhou algo assim?
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É possível. Nós tínhamos um necrotério no aeroporto – não havia geleiras/galadeiras, apenas um abrigo na terra. Entravam lá os mangustos e roíam os corpos... Além disso, o calor era muitas vezes superior aos +50ºC – até à União Soviética chegava uma papa/mingau. Conheço apenas um caso quando o tradutor do comandante do batalhão foi enterrado como mandam as regras – ele levou um tiro na testa em Aybak (antiga Samangan), especialmente para ele foi encomendado gelo, ele estava vestido em um fardamento de desfile...

No Afeganistão, fiquei doente com febre tifóide e icterícia. Eu peguei icterícia, aparentemente, no decorrer de uma operação militar – estava num MTLB (rebocador blindado leve, armado e com lagartas) como operador de metralhadora, percebi que os meus olhos se tornaram amarelados. E assim não foi chamado para uma próxima incursão. Eu pergunto – “então quem estará com a metralhadora?” —  não há problema”, – me responderam, – “vais ensinar um jovem”.
O meu MTLB explodiu naquela incursão, pisando um obus – a torre onde eu deveria estar, voou por cerca de 200 metros. Apenas um soldado, com alcunha de “Tártaro”, sobreviveu – ficou vivo, mas perdeu um pé – cortado pela própria blindagem da viatura atingida. Para retirar o nosso cirurgião que estava lá, MTLB caiu-lhe em cima, tiveram que reunir os “macacos” de toda a coluna.

Após saber da notícia – fiquei absolutamente “abatido”, com uma temperatura de +40ºC entrei no hospital em Pol-e Khomri. Me propuseram ficar lá, mas pedi para voltar – eu era para-quedista, membro das forças especiais. Naquela época, isso me parecia algo importante...

— Vocês tiveram os casos dos militares que se feriam propositadamente?

Sim, houve casos, muitos ficavam com medo. Tivemos um moscovita, com apelido/sobrenome Pevtsov, era considerado “filho do papai”, ninguém gostava dele. Ele disparou com AK no seu estômago – queria provocar a ferida leve e passar à reserva, mas atingiu o próprio fígado e morreu. Outro se suicidou em Jalalabad – a rajada de três munições na cabeça, não aguentou o serviço. Outro moscovita bebeu urina icterícia e passou à reserva – não participava nas missões, mas escrevia aos seus pais as estórias do tipo: “Estou escrevendo-vos essa carta numa trincheira, por cima de um capacete, seguro nas minhas mãos o último carregador...” Normalmente, escrevíamos aos nossos pais que estamos passear todos os dias e não fazíamos nada de especial.

A vida do spetsnaz soviético

No quartel improvisado da nossa unidade vivíamos em construções feitas por nós mesmos – cavamos o solo num metro de profundidade, surgiu algo parecido com um abrigo. Depois fizemos a fundação, erguemos as paredes, usando adobe, por cima colocamos a lona. No interior, havia beliches em que dormíamos. As paredes de adobe poderiam aguentar o fogo de armas ligeiras, mas isso nunca aconteceu, não deixávamos ninguém se aproximar – mesmo se aparecesse algum pastor à um quilómetro da distância, imediatamente era alvo de fogo direto até que apague o seu fogareiro.
No quartel tínhamos uma cantina – mas após um ano de serviço, ninguém comia lá, só levávamos lá o pão. Na tenda, usando o fogão feito de um tambor, preparávamos aquilo que era possível de arranhar, fritávamos as nossas batatas. Na cantina comiam apenas os “novatos” – na sopa aguada se afogava uma centena de moscas até que a levas à mesa. Nossa unidade também tinha cozinhas de campo próprias e uma padaria, nas proximidades funcionava um bazarinho local – lá vendiam o leite condensado, biscoitos e limonada em lata [o produto absolutamente inexistente na União Soviética, onde todos os refrescos eram produzidos em garrafas 0,33 – 0,5 L].

Na questão de fardamento estávamos razoavelmente bem, usávamos os padrões soviéticos “areia” e “químico” – os fardamentos camuflados de malha, de kit de proteção química, eram confortáveis no clima quente. Tínhamos os coletes à prova de bala, mas ninguém os usava – era muito quente. Nem usávamos os capacetes, exceto nas operações nas montanhas – por causa do perigo de pedras. Não usávamos os cintos de cabedal/couro, tentamos obter os de construção civil, de lona – estes não se esticavam, carregados de bolsas pesadas.

Como calçado usávamos sapatilhas/tênis – os “arranjávamos” nas batalhas, ou comprávamos ali mesmo, no bazarinho. Praticamente não tivemos os coletes de descarga – usávamos coletes de natação, tirávamos de lá polietileno e metíamos os carregadores de AK.

Absolutamente mal estávamos com medicamentos – basicamente, tudo que usávamos eram troféus. Apanhamos muitos medicamentos de troféu [no decorrer dos combates] no desfiladeiro de Marmol – havia sistemas muito bons de soro e tudo o resto. Na União Soviética nada disso existia!

Todos usavam drogas no Afeganistão – não tínhamos nada para fazer entre as operações, acontecia que as pessoas fumavam droga as vezes até dez vezes ao dia. Em Aybak se usava anasha [calão soviético genérico para canábis sativa e haxixe], e as unidades que ficaram em Cabul – a heroína mais pura.

Vocês tiveram o assim chamado dedovshina [sistema de abusos e bullying, perpetuado pelos soldados veteranos]?

Dizer que em Afeganistão existiu o dedovshina é não dizer nada, em Aybak tudo era executado à correr – se um novato apenas caminhava – ele apanhava dos “avós” (veteranos). Se um veterano mandava buscar uma peça de pão – você poderia sair de manha e voltar só à noite, no caminho alguém o iria interceptar – “oi, novato, estas muito folgado, faz isso e mais aquilo”... Voávamos como os diabos! Numa incursão de combate – você estaria colado ao “seu” veterano, mas dentro da unidade era assim.

Todos pediam para ir às operações de combate – na unidade não havia nada para fazer, era um tédio, na operação se podia “arranjar” alguma coisa.

Vocês tiveram alguma “preparação política”? Os vice-comandantes políticos (zampolit, uma espécie de comissário político do exército soviético) tentavam vos endoutrinar?

Não, praticamente não tivemos coisas deste tipo. Oficial da secreta militar e zampolit corriam principalmente à cheirar o ár para ver quem é que fuma a maconha. Pessoalmente, eu nunca teve nenhum “sentimento de dever internacionalista”.

A vida depois
Fiquei no Afeganistão por mais de dois anos – falei com vários veteranos, ninguém ficou mais tempo. Do Afeganistão voltei em 1984, na época, ainda tentavam ocultar a guerra de todas as maneiras possíveis – recebi um documento chamado Certificado de direito aos benefícios, sem quaisquer pormenores. Nos jornais, na imprensa e na TV não se dizia uma única palavra – como se nos nunca estivéssemos lá.

Quando voltei para casa, os primeiros meses tudo era muito estranho, sentia até raiva das pessoas, do tipo, “vocês – aqui, e nós – lá”... Mas isso rapidamente me passou. Todas essas histórias que as pessoas sentem muita dificuldade em se adaptar – muitas vezes são alguns estereótipos, que passam do veterano ao veterano. Aquele que se perdeu na bebida – o mais provavelmente se teria perdido sem passar pelo Afeganistão, apenas estava para ai virado.
Eu não vós mandei ao Afeganistão...
Cartoon soviético da época de Perestroika, 1987 (?)
Na década de 1980 fui trabalhar na polícia, em 1986, trabalhei em Chornobyl, depois entrei na polícia de choque, OMON, que então tinha apenas sido criado – era muito legal e interessante, uma nova unidade de combate contra os criminosos, pensei – mesmo à calhar para mim! Mas depois eu saí de lá – e mesmo sendo um ateu, dou graças ao Deus por não me meter no atual OMON, que surgiu depois de 1994, após a dissolução do Conselho Supremo [da Belarus].

— O que você pensa sobre os veteranos do Afeganistão?

Assisti um par de vezes o dia das forças aerotransportadas (VDV), mas rapidamente foi embora. Infelizmente, a maioria dos ex-veteranos do Afeganistão sentem a nostalgia pela URSS – na verdade, eles são realmente nostálgicos pela sua juventude, depois da qual não fizeram nada de excepcional. Para meu grande pesar, muitos dos ex-veteranos [da Belarus] agora estão na Donbas, lutando pelas repúblicas autoproclamadas – até os entendo de alguma forma. As pessoas vivem em algum cú distante e vão para a Donbas para lutar contra a rotina da sua vida, são os alcoólatras de ontem que, de repente, querem ser heróis. Da mesma forma, como em Afgan queríamos ir às operações de combate – dentro da unidade reinava dedovshina e um tédio mortal...

— O que você faz agora?

Eu tenho uma boa família, trabalho num dos serviços do táxi de Minsk, ganho bem, sou um capataz. Conduzo um Toyota híbrido – sigo a tecnologia, estou interessado em todas as novidades, o meu próximo carro será elétrico) Tento não me recordar da guerra, ocasionalmente assisto os filmes militares. Bons filmes sobre a guerra são aqueles, assistindo quais, você nunca terá o desejo de ir à guerra.

— A última pergunta. Será que o Afeganistão e tudo o que aconteceu lá de alguma forma influenciou a formação de suas convicções democráticas?

Para ser sincero – não sei. Afeganistão e tudo o que aconteceu comigo lá – foi em alguma infância distante.

Texto e fotos atuais Maxim Mirovich

Daesh/EI mata 23 e captura 5 mercenários russos

No dia 25 de maio foram reportados (por duas fontes independentes) os ataques deliberados (ocorridas em 23 de maio) contra os militares/mercenários russos na área de al-Mayadin. O ataque também atingiu os mercenários pró-Assad estrangeiros (possivelmente da Liwa Fatemiyoun afegão). Além disso, foi atacada a coluna, também composta por militares/mercenários russos.

Na tradução, as duas mensagens citadas pelo blogueiro militarista russo el-murid, são assim:
Militar do exército/marinha russa, uma das baixas russas no ataque em 23/05/2018.
A sua morte e enterro (no caixão fechado) foram noticiadas pela imprensa regional russa.
“...No oeste da província de Deir ez-Zor, a unidade das “Forças da Defesa Nacional” (NDF) foi emboscada por combatentes do Estado Islâmico. Foi completamente destruída durante o combate. Como resultado do ataque, de acordo com os dados do Estado Islâmico, foram mortos cerca de 23 militares sírios e russos, e 5 deles foram capturados. Foram destruídos 3 camiões/caminhões, 3 tipos diferentes de equipamentos, incluindo uma unidade equipada com a metralhadora pesada e também transportadora de mísseis e [blindado ligeiro] BMP-1/BMP-2. Em geral, a operação foi realizada com sucesso...”

A segunda mensagem:
Imprensa regional russa noticia a morte e enterro do 4 militares regulares russos.
Possivelmente todos pertencentes à 200ª Brigada de artilharia, todos morreram em 23/05/2018.
Todos foram sepultados em caixões fechados, na cidade e nos distritos de Chita (região de Baykal).
“ ... Foram destruídos 23 cruzados apóstatas (murtados) e 5 capturados como resultado do ataque dos combatentes do Califado a oeste do al-Mayadin. Ontem, os soldados do Califado atacaram, de surpresa, as colunas do exército dos alavitas e do exército russo dos cruzados, que se baseiam no oeste da cidade de al-Mayadin. Como resultado do ataque, com o uso de vários tipos de armas [foram mortos?] 15 inimigos, entre os quais estavam os soldados russos. Foram destruídos 3 camiões/caminhões, transportador de mísseis e BMP. Outro grupo de mujahideen atacou 3 casernas dos alavitas, como resultando foram mortos 8 deles, 5 foram feridos. Foram destruídos e capturados 3 tipos diferentes de equipamentos, um dos quais estava equipado com uma metralhadora pesada...”
As perdas da EMP "grupo Vagner" em Deir ez-Zor em 07/02/2018
(dados marcados à vermelho necessitam de confirmação)
Tendo em conta os termos usados pelo Daesh/EI, é possível dizer que Daesh/EI reporta a morte de 23 e a captura dos 5 militares russos. Aparentemente, estamos a falar dos mercenários pertencentes à uma EMP russa – em qualquer dos casos, a probabilidade de que eles não pertencem ao exército regular russo é bastante grande. Por isso, não é de esperar pelas confirmações oficiais do Ministério da Defesa russo, como se diz: “eles não estão lá”. E se, de facto, 5 mercenários russos foram capturados, em breve veremos as suas fotos ou vídeos, como já aconteceu em 2017.

Donbas: reportada a libertação da localidade de Petrivske

Os media pró-separatistas informam que no dia 25 de maio a forças ucranianas libertaram a localidade de Petrivske, no distrito de Starobesheve, linha da frente sob a responsabilidade da 92ª Brigada especial mecanizada das FAU.
Se a libertação da localidade se confirmar, então FAU poderão avançar sobre localidade vizinha de Styla, que se situa à uma distância de apenas 5 km de Petrivske. Por sua vez, a possível perda de Styla poderá significar a ameaça das posições russo-separatistas em Dokuchaivske, que cairá num semi-cerco operativo das forças ucranianas.
Para já, tudo decorre segundo as últimas previsões do terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin, que avisou muito recentemente que no caso de um avanço sério das forças ucranianas, as defesas terroristas aguentarão apenas por algumas horas.
As colinas industriais de Horlivka
É de notar que a tática das FAU é evitar os combates diretas pelas grandes localidades (para evitar as baixas da população civil), colocando as localidades em cercos operativos, tomando a conta das colinas industriais e naturais próximas (no caso de Horlivka), tornando a sua defesa inútil e forçando a retirada dos ocupantes.

Para já, a 92ª OMBr não confirma o seu possível avanço.

sexta-feira, maio 25, 2018

“Atlantic Resolve” coloca os blindados americanos na Europa Central e Oriental


Duas enormes colunas de veículos de combate americanos, incluindo tanques, estão se movendo através das regiões orientais da Alemanha na direção da Polónia e dos Países Bálticos. A recolocação dos equipamentos militares é realizada no âmbito da operação “Atlantic Resolve” (“Determinação Atlântica”).
No porto de Antuérpia na Bélgica
Exercícios militares “Iron Sword” na Lituânia, dezembro de 2017
O anúncio foi feito em Leipzig, nesta quinta-feira, 24 de maio, pelo Chefe do Estado Maior do Contingente militar dos EUA na Europa, o brigadeiro-general Kai Rohrschneider, relata o serviço russo da DW.com. Cerca de 2.000 tanques, blindados e camiões foram enviados pela NATO/OTAN aos exercícios militares nos Países Bálticos. 
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Ao mesmo tempo, outros 1.400 veículos militares que chegaram recentemente no porto de Antuérpia na Bélgica, estão sendo enviados para Polónia. Reafectação dos equipamentos militares está sendo feita no decorrer da operação “Atlantic Resolve”, através da qual o Exército dos EUA pretende fortalecer os seus aliados na NATO/OTAN na Europa Oriental.

A presidente da Estónia visitou o leste da Ucrânia

Foto: Tarmo Maiberg/ERR
No dia 24 de maio a presidente da Estónia, Kersti Kaljulaid, visitou a cidade ucraniana de Kramatorsk na região de Donetsk, no decorrer da sua visita à Ucrânia. Foi a primeira e única chefe de um estado estrangeiro à visitar a zona de conflito no leste da Ucrânia, escreve agência estónia ERR.
A presidente Kersti Kaljulaid na saída da cidade | 18 fotos
Cidade de Kramatorsk, que tem cerca de 150.000 habitantes, foi um lugar importante na história da recente guerra russo-ucraniana na Donbas.

Kersti Kaljulaid chegou ao Kyiv em 22 de maio com uma visita oficial que inclui as reuniões com o presidente ucraniano, Petró Poroshenko, com o primeiro-ministro Volodymyr Groysman, com a Vice-Primeira-Ministra Ivana Klyampush-Tsintsadze e com o chefe do Parlamento (Verkhovna Rada) Andiy Parubiy. Kaljulaid também abriu um seminário de negócios ucraniano-estoniano em Kyiv e reuniu-se com os empresários locais e representantes da sociedade civil na Ucrânia.
Presidente Kaljulaid recebida segundo a tradição popular ucraniana
Presidente Kaljulaid retornará à Estónia neste domingo.

quinta-feira, maio 24, 2018

Os maravilhosos lifehacks do terrorista russo-osseta Oleg “Mamay” Mamiev

O terrorista russo-osseta Oleg Mamiev “Mamay”, foi liquidado na noite de 17 de maio de 2018, com o disparo de uma série de 4 granadas VOG-17, efetuada pelo voluntário ucraniano “Kipish”, pertencente ao Corpo Voluntário Ucraniano (UDA PS).


A liquidação do chefão do bando ilegal aramado “batalhão Pyatnashka”, ocorreu durante as filmagens da TV russa “Rossija-1” (cujos jornalistas entraram no território da Ucrânia ocupada de forma ilegal, através da fronteira terrestre russa). Os três propagandistas russos, correspondente Alexander Sladkov, seu cameraman e operador de som também foram feridos no incidente, embora sem gravidade, o que permitiu saber todos os detalhes do caso. 

A vida do Mamiev, e principalmente a sua morte são interessantes ao ponto de mereceram a nossa atenção – as circunstâncias de liquidação do terrorista seguramente poderão concorrer ao prémio não oficial Darwin, como uma das mortes mais inusitadas e estúpidas.   
Donbas: liquidação do terrorista russo-osseta Oleg Mamiev do “batalhão Pyatnashka”
Oleg Mamiev nasceu em 12 de dezembro de 1977. Em 2008 se tornou o mercenário russo, participou na invasão russa da Geórgia.

Em 2013, Mamiev celebrou o contrato de hipoteca com a Sociedade russa por ações «AIZhK 2013-1» com objetivo de compra de alojamento, segundo o programa de hipoteca. Mas Mamiev não estava muito virado para pagar a sua própria hipoteca, não tinha qualificações necessárias para ganhar o dinheiro de uma forma honesta.

No dia 15 de julho de 2014, o tribunal do bairro Sovietskiy (Soviético) da cidade russa de Vladikavkaz (Ossétia do Norte), presidido pela juíza Taira Gusova, começou apreciar as alegações da Sociedade «AIZhK 2013-1» contra Mamiev. Este, por sua vez, não pretendia pagar o devido e fugiu para um lugar onde as leis russas não se aplicam, e onde era possível obter o dinheiro de uma forma que Mamiev aprendeu na tropa russa na Geórgia – tornando-se um invasor e roubando as pessoas. Portanto, Mamiev, parte de um grupo dos mercenários, foi facilmente recrutado pelos serviços especiais russos e enviado para a guerra na Donbas. Esta é uma história típica dos defensores do “mundo russo”, FSB e estruturas semelhante, de forma propositada procuram por estes perdedores nos tribunais, prisões, cadeias operativas SIZO, etc.

E quando na Rússia decorria o seu julgamento, Mamiev fazia a carreia de ocupante na Donbas. Aqui ele gostava de viver. Naturalmente, a sua Ossétia do Norte nativa é uma das regiões mais pobres e deprimentes de toda a federação russa e, em Donetsk, com uma sub-metralhadora nas mãos, lutando pelos direitos dos “falantes de língua russa” (mesmo com um sotaque osseta), é possível subir na vida.
Mamiev à subir na vida até o seu último grande sucesso.. 
Em 20 de outubro de 2014, na ausência do Mamiev, o tribunal de Vladikavkaz o condenou ao pagamento de hipoteca no valor de 1.835,698 rublos e 77 copeques. Naturalmente, Mamiev nada pagou, a vida em Donetsk lhe corria muitíssimo melhor do que o retorno à sua pobre terra natal, onde ninguém precisava dele.

Em Donetsk, Mamiev “achou” um alojamento, uma casa – afinal, na dita “dnr” ele não precisa de uma hipoteca, simplesmente podia expulsar os donos de casa ou mesmo matá-los. Começou a viver com uma mulher local. Fez carreira – tornou-se o comandante de um “batalhão especial” do 1º Corpo de Exército das forças armadas russas na Donbas.

As circunstâncias da liquidação de Mamiev atestam muito o seu caráter, e fazem dele um favorito ao recebimento do Prémio Darwin.

O comando militar russo atribui uma grande importância às operações de informação e guerra psicológica. E a chegada ao Donetsk de uma equipa de televisão estatal russa “Rossija-1” foi um evento importante para os mercenários. Mamiev pessoalmente levou a equipa de filmagem para a linha da frente nas proximidades da aldeia de Kruta Balka no distrito de Yasynuvata, próxima de Avdiivka. Mamiev estava se exibir. Ele pessoalmente dirigia a viatura, não usava capacete e, como se viu depois, usou o colete à prova de balas sem placas de blindagem, para poupando no peso, aparecer na TV russa como um herói corajoso. Mamiev sabia perfeitamente que a carreira no seio dos ocupantes era mais fácil de fazer na TV – “Motorola” e “Givi” eram um produto da propaganda televisiva russa, ambos foram inventados por propagandistas russos. E é a mesma glória, superando a dos chefões liquidados, que Mamiev pretendia alcançar.

Para mostrar a batalha noturna, os mercenários russos provocaram uma troca de tiros com uma das unidades ucranianas estacionadas na área. As posições dos mercenários levaram uma “resposta”. Mamiev pretendia mostrar ao Sladkov exatamente isso, como ele é alvo das forças ucranianas. Portanto, assim que várias granadas do morteiro automático AGS-17 explodiram nas trincheiras de terroristas, Mamiev levou os homens da TV russa para lá:
O terrorista Mamiev é carregado numa maca (faça click para ver vídeo)
O cameraman russo ferido, Dmitri Vydrin contou que Mamiev disse: “Vamos, eu vou te mostrar o que AGS fez com as trincheiras. Eram as suas últimas palavras. Eles caminharam três metros e mais nada”. Operador de som ferido, Igor Uklein disse: “Entraram as granadas. Eles rebentaram ao nível das cabeças, todos levaram”:

Ou seja, o caso foi este:

1. Mamiev decidiu se exibir em frente das câmaras.
2. Para demonstrar a sua suposta coragem e pela conveniência, não usou equipamento adequado de proteção pessoal.
3. Para demonstrar um combate aos propagandistas russos, ele deliberadamente levou a equipa de filmagem à zona facilmente atingida pelos morteiros ucranianos. Ou seja, para um local já várias vezes atingido pelo voluntário “Kipish”! No vídeo do correspondente Sladkov se podem ouvir quatro disparos do morteiro AGS, e assim, “Kipish” pagou, antecipadamente, a hipoteca do Mamiev.
4. Mamiev foi atingido com ferimentos penetrantes na cabeça, peito e estômago. Se ele tivesse usado capacete e as placas do seu colete, as chances de sobreviver seriam maiores, mas, por sorte ucraniana, Mamiev não pensava na sua segurança e se tornou um subproduto da seleção natural.
5. A televisão russa veio para fazer a reportagem sobre o herói vivo, e aconteceu o contrário – a reportagem sobre um mercenário morto.

Mas o canal “Rossija-1” não desanimou. Para argumentar que os ucranianos não poderiam liquidar Mamiev, e que isso foi feito por algumas forças sobrenaturais, o correspondente Sladkov disse na TV que em Avdiivka, do lado ucraniano, combatem os “americanos e canadenses”, e estes têm “muito mais perdas”. Assim, o inimigo continua à plantar nas mentes da sua própria população os mitos de que os mercenários russos estão sendo liquidados na Ucrânia, e com sucesso, não pelos ucranianos (que Putin alegadamente pretende “libertar” das mãos da “junta”), mas pelas “tropas da NATO/OTAN”.
O propagandista russo Alexander Sladkov e terrorista Mamiev nas posições, "Mamay" se faz de herói destemido...
E como então explicar ao seu povão por que os russos estão sendo mortos na Donbas, qual é o ponto de tudo isso; mas se a guerra é contra a NATO, então tudo muda de figura! Tal, como “Rossija-1” nada disse sobre a dívida hipotecária do Mamiev no valor de cerca de 30 mil dólares – para não dizer o óbvio. Para a guerra contra Ucrânia, Putin envia principalmente aqueles que estão comprometidos, que não conseguiram se vingar na vida, os perdedores, os que desesperadamente precisam do dinheiro. A reportagem sobre a liquidação de Mamiev mostra que a forma superior de evolução natural do invasor russo é se tornar o adubo às sagradas terras negras da Ucrânia.
A hipoteca do Mamiev, paga antecipadamente
O propagandista russo Alexander Sladkov conta que nas suas trincheiras russo-terroristas há muitos caucasianos, ossetas da ossétia do Sul (Geórgia ocupada) e da Ossétia do Norte (federação russa), etc. Enfim, a típica “guerra civil ucraniana”:

Investigação internacional: MH17 foi abatido por “Buk” das Forças Armadas da Rússia

Hoje, 24 de maio de 2018, a equipa conjunta de investigação internacional (JIT), que investigou o acidente do Boeing-777 do voo MH17, apresentou os resultados preliminares da investigação. JIT anunciou que o avião de passageiros Boeing-777 de “Malaysian Airlines” que sobrevoava o território ocupado de Donbas em 17 de julho em 2014, foi derrubado pelo sistema de mísseis antiaéreos (o míssil guiado) “Buk”, pertencente às Forças Armadas da Rússia.
Os terroristas pró-russos celebram o abate do Boeing-777 do voo MH-17
“JIT tinha concluído que o sistema “Buk” que derrubou o MN17, pertence à 53ª Brigada dos Mísseis da Defesa Aérea de Kursk, parte das Forças Armadas russas”, – disse o chefe do departamento criminal da Polícia Nacional dos Países Baixos – Wilbert Paulissen.

A chefe da Polícia Federal da Austrália, Jennifer Hurst, disse que o avião foi abatido por míssil da série 9M38. Uma parte do míssil, com o seu motor № 9D1318869032, foi encontrado no território da Ucrânia em setembro de 2016.
“Na casca externa foi encontrado um número indicativo do fabricante – a empresa está localizada na região de Moscovo, o ano de produção é 1986, o número de série do míssil também está indicado”, disse ela:

Lembramos que esta versão coincide totalmente com as conclusões e pesquisas realizadas por voluntários da comunidade internacional de inteligência OSINT InformNapalm. Você pode ver todos os materiais da Informnapalm sobre este tema no link: https://informnapalm.org/?s=MH17
Motor № 9D1318869032
Motor № 9D1318869032
A comunidade voluntária internacional InformNapalm criou a maior base interativa de dados de agressão russa contra Ucrânia, Geórgia e Síria. O banco de dados de agressão russa contém mais de 1.700 investigações OSINT que são sistematizadas e estão divididas em dois grupos:

·         Armas russas descobertas na Donbas;
·         As unidades do exército russo, que participaram da agressão contra Ucrânia, Geórgia e Síria.
Terroristas russos à dividirem os pertences das vítimas do voo MH17
A base de dados contém fatos de invasão em larga escala. Mais de 1.300 militares russos de 89 formações das Forças Armadas da Federação Russa e outras estruturas de poder russo, bem como 44 tipos de armamento e equipamentos militares russos que nunca foram fornecidos à Ucrânia e nunca poderiam se tornar troféus, sendo secretamente fornecidos às forças russo-terroristas na Donbas.
autor @Alesha Stupin