domingo, março 25, 2018

Donbas: o separatista é detido por terroristas por abater uma terrorista

As “repúblicas populares” de Donbas vivem um momento complicado da sua breve história, na cidade de Debaltseve foi detido Yuriy Sviridov, aka “Machete”, um conhecido líder dos bandos armados dos separatistas e amigo pessoal do terrorista russo Igor “Strelkov” Girkin.
Pedidos nas redes sociais para ajudar à deter o desertor e assassino
Sviridov (1978), então o comandante do dito 3º batalhão de infantaria móvel do 1º Corpo do exército russo na Donbas, cometeu um crime, sonante até mesmo aos padrões não muito exigentes de bandidos, usados pelos serviços secretos russos na Donbas. No dia 30 de outubro de 2017 ele abateu, à sangue frio, com uma bala na nuca e diretamente na linha da frente a mercenária russa Anastasia Tkacheva (1985), por esta lhe negar a intimidade. Tkacheva estava grávida, como tal, Sviridov matou duas pessoas. 
Após cometer o crime, “Machete” desertou das suas posições, foi colocado na lista de procurados pelas autoridades da dita “dnr”, andava “escondido”, residindo num posto de combustível (Sic!), ocupado pelo seu bando armado na cidade de Debaltseve. No dia 22 de março Sviridov “Machete” foi finalmente detido pelas forças russo-terroristas e transportado para algum centro de detenção na cidade de Luhansk (não se percebe como e porque o “cidadão da dnr” foi expatriado para a “lnr”). Neste momento os fãs do terrorista russo Igor Girkin retratam “Machete”, nas redes sociais, praticamente como a vítima da repressão política que reina nas suas “repúblicas populares”.
Por sua vez, a vítima, a mercenária russa Anastasia Tkacheva, nascida aos 23/06/1985, na cidade russa de Rostov-no-Don e assassinada em Horlivka em 30/09/2017, pelo Yuriy “Machete” Sviridov, desempenhava as funções de vice-chefe da unidade médica do mesmo bando terrorista comandado pelo “Machete”, escreve Censor.net.ua.
“Machete” nega a culpa e pede para ser ouvido com auxílio do polígrafo. Não se sabe se irá sobreviver as interrogações dos seus próprios ex-camaradas de luta armada. Assim decorre a “guerra civil ucraniana” isso é, a vida quotidiana nas jovens “repúblicas populares” de Donbas...
Bónus

No dia 24 de março na cidade de Alchevsk (província de Luhansk, Ucrânia ocupada), na rua Kirov, os membros de grupos armados ilegais, conduzindo camião/caminhão “Ural”, no estado de embriaguez, abalroaram o autocarro/ónibus de passageiros. “Em resultado do acidente, foram feridos o motorista e os passageiros do autocarro/ónibus, levados para um hospital local com fraturas de braços e traumatismos cranianos”.

sábado, março 24, 2018

“Gareth Jones”, o filme da Agnieszka Holland sobre Holodomor na Ucrânia

Na Ucrânia foram filmadas as sequências ucranianas do filme Gareth Jones, dedicado ao Holodomor ucraniano e ao papel do jornalista investigativo britânico Gareth Jones, o primeiro cidadão ocidental que contou a verdade sobre o genocídio comunista na Ucrânia.
Rhea Klyman: a jornalista judia que alertou o mundo sobre Holodomor na Ucrânia
A realizadora é polaca/polonesa Agnieszka Holland, o filme, uma co-produção entre Polónia (Film Produkcja), Grã-Bretanha (Crab Apple Film) e Ucrânia (FILM.UA GROUP, Kinorob) é um thriller político, baseado na história real do jornalista investigativo galês Gareth Jones que foi o primeiro jornalista e cidadão ocidental que tentou contar ao mundo a verdade sobre Holodomor na Ucrânia.
As filmagens estão no meio, neste momento foi terminada a parte ucraniana do filme, a viagem do Gareth Jones à Ucrânia soviética para conhecer a tragédia do Holodomor. Seguem as filmagens na Polónia e no País de Gales.

Nos papéis principais estão James Norton (série McMafia), Vanessa Kirby (série The Crown) e veterano Peter Sarsgaard, que despensa as apresentações. Espera-se que o filme será exibido nos cinemas em 2019, escreve Rádio Polonia.

Na versão da publicação especializada americana Deadline Hollywood, o filme «Gareth Jones» está no topo dos filmes europeus mais interessantes de 2018. Também é de recordar que as investigações do Gareth Jones influenciaram George Orwell que deu o nome de Jones ao farmeiro na sua distopia clássica “A Revolução dos Bichos” / “A Quinta dos Animais” ou Kolkhoze dos Animais, na sua primeira edição ucraniana.
Ler mais sobre Holodomor no trabalho do Raphael Lemkin
Blogueiro: Aos “negacionistas” habituais do Holodomor ucraniano, aconselhamos, habitualmente, as leituras da brochura do Raphael Lemkin (o homem que cunhou o termo “genocídio”), chamada “Genocídio soviético na Ucrânia” (1953). O documento é disponível em 28 idiomas, incluindo o português:

Vídeo inédito do novo sistema moderno do laser militar russo

O canal estatal russo “Rossija 24” demonstrou o vídeo inédito de um novo e moderno sistema de canhão de laser, criado na base de tubos de canalização e de tubos de chaminé.
De acordo com uma fonte russa, este é um dos primeiros protótipos do novo sistema de novas armas laser. No decorrer dos testes, os russos usaram materiais existentes no mercado, por essa razão, optaram por equipar o seu protótipo com tubos PVC, usados nos trabalhos de canalização e tubos metálicos, usados nas chaminés, tudo isso, para garantir a proteção de elementos hipersensíveis do novo sistema moderno e ultra-secreto.
Sergey Garanov, o Membro correspondente da Academia de Ciências da Rússia: “ultimamente foram criados sistemas mais completos [baseados] em novos princípios físicos que já passaram os seus testes, foram colocados à disposição militar e entregues ao exército”.
Ler mais

A imprensa russa escreveu recentemente o novo sistema laser foi projetado para derrubar drones, aeronaves e até satélites inimigas. Até hoje, quase nada se sabe sobre o novo complexo russo ou outros projetos de sistema de armas à laser, escreve Defence-blog.com

Ver o vídeo no YouTube (à partir do 0:44´´):

sexta-feira, março 23, 2018

Ivan Ilyin, o filósofo do fascismo russo de Putin

O filósofo russo Ivan Ilyin, conhecido, sobretudo pela sua defesa do fascismo, defendia que o fracasso do Estado de Direito é uma virtude. Hoje, a cleptocracia russa, incluindo Vladimir Putin, usa as suas ideias para retratar a desigualdade económica como uma inocência nacional, argumenta o historiador Timothy Snyder.

Nos últimos anos, Putin usou algumas das ideias mais específicas de Ilyin sobre geopolítica no seu esforço para transformar a tarefa da política russa de continuar as reformas em casa para a [ideia] de exportação de virtudes [russas] ao exterior. Ao transformar a política internacional em uma discussão sobre “ameaças espirituais”, as obras de Ilyin ajudaram as elites russas a retratar a Ucrânia, a Europa e os Estados Unidos como perigos existenciais para a Rússia.

[...]
Segundo Ilyin, os nazis estavam certos em boicotar os negócios judaicos e culpar os judeus como uma coletividade pelos males que se abateram sobre a Alemanha. Acima de tudo, Ilyin queria convencer os russos e outros europeus de que Hitler estava certo em tratar os judeus como agentes do bolchevismo. Essa ideia “judeobolchevique”, como Ilyin entendia, era a conexão ideológica entre os russos monárquicos e os nazis. A alegação de que os judeus eram bolcheviques e bolcheviques eram judeus era propaganda monárquica durante a guerra civil russa [da década] de 1920.

[...]
Ilyin escrevia sobre os “ucranianos” entre aspas, já que em sua opinião eles faziam parte do organismo russo. Ilyin estava obcecado pelo medo de que as pessoas no Ocidente não entendessem isso e viu qualquer menção à Ucrânia como um ataque à Rússia. Porque a Rússia é um organismo, ela “não pode ser dividida, apenas dissecada”.
Timothy Snyder: na Ucrânia aconteceu uma revolução popular
[...]
O caso da influência de Ilyin talvez seja mais fácil de rever na perspetiva da nova orientação da Rússia em relação à Ucrânia. [...] Nas primeiras duas décadas após a dissolução da União Soviética, as relações russo-ucranianas foram definidas por ambos os lados, de acordo com o direito internacional, com os advogados russos sempre insistindo em conceitos muito tradicionais, como soberania e integridade territorial. Quando Putin voltou ao poder em 2012, o legalismo deu lugar ao colonialismo. Desde 2012, a política russa para a Ucrânia tem sido feita com base nos primeiros princípios, e esses princípios têm sido os de Ilyin. A União Eurasiana de Putin, um plano que ele anunciou com a ajuda das ideias de Ilyin, pressupunha aderência da Ucrânia. Putin justificou a tentativa da Rússia de atrair a Ucrânia para a Eurásia pelo “modelo orgânico” de Ilyin, que fez da Rússia e da Ucrânia “um só povo”.

[...]
Quando as tropas russas entraram na Ucrânia em fevereiro de 2014, a retórica civilizacional russa (da qual Ilyin era a maior fonte) capturou a imaginação de muitos observadores ocidentais. No primeiro semestre de 2014, as questões debatidas eram se a Ucrânia era ou não parte da cultura russa, ou se os mitos russos sobre o passado eram de alguma forma uma razão para invadir um estado soberano vizinho. Ao aceitar a maneira que Ilyin colocou a questão, por uma questão de civilização e não de lei, os observadores ocidentais perderam os interesses do conflito para a Europa e os Estados Unidos. Considerar a invasão russa da Ucrânia como um choque de culturas era torná-la distante, colorida e obscura; vê-lo como um elemento de um ataque maior ao estado de direito teria sido perceber que as instituições ocidentais estavam em perigo. Aceitar o enquadramento civilizacional era também ignorar a questão básica da desigualdade. O que os ucranianos pró-europeus queriam era evitar a cleptocracia ao estilo russo. O que Putin precisava era demonstrar que tais esforços eram infrutíferos.

[...]
No esquema de Ilyin, o Soberano (Gosudar) seria pessoalmente e totalmente responsável por todos os aspectos da vida política, como diretor executivo, chefe legislador, chefe de justiça e comandante das forças armadas. Seu poder executivo é ilimitado. Qualquer “seleção política” deve ocorrer “numa base formalmente antidemocrática”. As eleições democráticas institucionalizam a noção perversa da individualidade. “O princípio da democracia”, escreveu Ilyin, “era o átomo humano irresponsável”. Contar os votos era aceitar falsamente “a compreensão mecânica e aritmética da política”. Seguiu-se que “devemos rejeitar a fé cega no número de votos e seu significado político”. A votação pública com boletins assinados permitirá que os russos renunciarem à sua individualidade. As eleições eram um ritual de submissão de russos antes do seu líder, escreve Timothy Snyder para a New York Review of Books...
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O primeiro estudioso que escreveu sobre importância das ideias do Ilyin no projeto do Putin foi o historiador Walter Lequeur no seu livro Putinism.

Vagner na Síria: novamente esmagados e carne de canhão

Tudo indica que os mercenários da EMC russa “grupo Vagner” tentaram atacar novamente a fábrica de gás Conoco. Em resultado obtiveram o resultado anterior, bateram em retirada, deixando pelo caminho um número incerto dos mortos e feridos.

Como escreve o blogueiro militarista russo el-murid, possivelmente a retirada de uma parte das forças curdas da cidade do Deir ez-Zor rumo ao norte provocou a decisão russa de tentar novamente tomar de assalto a fábrica de Conoco. As capacidades da fábrica são 5 biliões de metros cúbicos de gás, que valem cerca de 1 bilião de dólares.
O brigadeiro general Jonathan "Jon" Braga

Muito em breve, possivelmente já amanha podemos esperar os comentários de propagandistas russos, ao estilo: “é tudo mentira”, “não tivemos baixas”, “tivemos, mas não são regulares e alguns nem são cidadãos russos”, “os russos até eram poucos, uns tantos apenas”...

A publicação on-line síria Euphrates Post escreve sobre as dezenas de combatentes pró-Assad e mercenários russos, que foram liquidados no dia 22 de março, algures entre as localidades de Hisham e Marat, graças à intervenção profissional da força aérea americana. A publicação escreve que foram destruídas os tanques, blindados ligeiros e outros equipamentos militares.
Ler mais em árabe
Os atacantes bateram em retirada, deixando, para trás os seus mortos e feridos, em números que serão confirmados e apurados nas próximas horas:
Blogueiro: seguramente o brigadeiro general luso-americano Jonathan “Jon” Braga não consegue compreender a lógica dos mercenários russos e dos seus comandantes: “eu expliquei-lhes (pensa o general com os seus botões) que “posso repetir se for preciso”, mas eles não quiseram entender nada”... 
Mercenário russo Dorzhi Mandzhiev, liquidado em 7-8/02/2018 na Síria,
sepultado na Rússia em 17/03/2018

quinta-feira, março 22, 2018

Lenine – um machista sexualmente reprimido sem amigos que vivia às custas da mãe

Lenine, era um revolucionário profissional que viveu durante anos graças ao dinheiro e comida que a sua mãe lhe enviava e que, apesar de estar sempre cercado por mulheres, sempre foi um tanto retraído quando se tratava de relacionamentos íntimos.

por: Manuel P. Villatoro, ABC.es

No entanto, o líder comunista também tinha um rosto privado, que é muitas vezes esquecido nos livros de história. Um exemplo é que, pessoalmente, deixou a sua libido de lado em favor da revolução e, embora cercou-se de “companheiras”, nunca acreditou na liberação sexual das mulheres.

Mas não só isso, também viveu boa parte de sua vida adulta às custas de sua mãe (à quem explorou economicamente) e, de acordo com a sua nova biografia, não tinha amizades masculinas porque costumava mudar, drasticamente de opinião.

«Envie-me tanto dinheiro quanto puder»

A figura de Lenine antes da revolução bolchevique nunca esteve ligada à bonança económica. Muito pelo contrário. Como escreve a historiadora belga Diane Ducret no seu livro “Las mujeres de los dictadores” (As mulheres de ditadores), quando nosso protagonista tinha apenas 24 anos era um advogado que vivia em St. Petersburgo e mal teve clientes suficientes para lhe pagar uma refeição. Naquela época, a frase que costumava repetir nas cartas que enviava à mãe era a seguinte: “Ultrapassei meu orçamento, e não espero poder sair de apuros por conta própria. Se possível, envie-me cerca de 100 rublos a mais”.
Ler o trecho em espanhol
Ela nunca duvidou dos pedidos do dinheiro que o seu pequeno que fazia. Para Maria Aleksandrovna, o futuro líder bolchevique era o filho dos seus olhos. Para ele, ela estava disposta a fazer qualquer coisa. E não era estranho então, afinal, não havia outro homem na família (o seu pai morreu em 1886 e o irmão mais velho, Alexandre, foi executado em 1887 pela tentativa de assassinar o czar).

María Aleksandrovna mostrou apoio incondicional ao filho quando em 1887 ela vendeu a casa da família onde viu seus filhos nascerem. Uma medida que ele fez para conseguir dinheiro para comprar uma fazenda por 7.500 rublos. O mesmo lugar onde esperava que Lenin vencesse um futuro com uma enxada e trabalho duro. No entanto, seu filho mais novo tinha outros planos. “Mamã queria que eu cuidasse do trabalho de campo. Eu tentei, mas isso não funcionou”, escreveu ele mais tarde. Pelo contrário, em 1895, Vladimir abandonou tudo e foi morar na Europa. Como as despesas foram pagas? Simples: com a pensão da sua mãe.

Durante essa viagem, ele enviava constantemente as cartas para mãe pedindo dinheiro para cobrir suas despesas. Entre outros, gosta de comprar livros. “Com grande surpresa, vejo que continuo com dificuldades financeiras. O prazer de comprar livros é tão grande que o dinheiro é como água. Fico obrigado mais uma vez a pedir ajuda: se possível, envie-me 50 ou 100 rublos”, escreveu ele certa vez. E o futuro líder vermelho realmente devorou ​​os textos dos grandes filósofos russos.
Lenine: o Homem, o Ditador e o Mestre do Terror
A essa altura, Lenine já havia dado seus primeiros passos no que diz respeito à política. Por esta razão e porque ele se dedicou a visitar uma multidão de personalidades esquerdistas na sua viagem pela Europa – ele foi preso pouco depois de voltar para casa, em setembro de 1895.

Pouco depois de pisar na terra que o viu nascer, ele foi preso preventivamente enquanto aguardava julgamento. Durante esse tempo, sua mãe e Anna, a sua irmã mais velha, novamente demonstraram pela enésima vez que Vladimir era o filho e irmão de seus olhos, enviando-lhe uma infinidade de roupas, roupas de cama, cobertores ou coletes de lã.

Ao Lenine nunca faltou a comida, ele sempre podia recorrer à mãe. Isso ficou claro em várias cartas suas: “Eu tenho um estoque de comida, poderia abrir, por exemplo, um comércio de chá”. O homem com o cavanhaque até falou, com certo desprezo pela comida que recebeu de sua família. Algo que deixou claro para sua irmã em uma carta: “Pão como muito pouco, eu tento seguir uma dieta. E você me trouxe uma quantia que eu precisarei de uma semana para acabar”. O mesmo aconteceu com as roupas de cama: “Não me mandem mais roupas de cama, não sei onde colocá-las”, ressaltou.
Ler em russo
Tanto Ducret como [Lev] Danilkin (autor de uma nova biografia sobre Lenine), são de opinião de que sua mãe e irmã Anna fomentarem em Lenine uma atitude negativa em relação às mulheres. A autora belga é a mais específica em relação a essa ideia, conforme determinado no seu trabalho: “Esse apoio feminino do qual ele estava cercado parecia tão comum e óbvio que os esforços daqueles que o mimavam mal mereciam sua gratidão”. Ele se tornou, em suma, uma “criança mimada” apesar do facto de que, como o autor russo aponta, nunca conheceu a bonança económica.

Um reprimido sexual

Depois de quase um ano de prisão, em 1897 Lenine foi julgado e deportado para a Sibéria. Ele passou lá três anos num ambiente bastante liberal, estando na companhia de uma de seus fãs: Nadezhda Krupskaia. Uma mulher que decidiu ir com ele ao exílio. Ambos se casaram no verão do mesmo ano. No entanto, a explosão de amor que viveram em primeira instância não durou muito e acabou rapidamente se transformando em cumplicidade e afeto. É isso que a belga diz na sua obra: “Logo o desejo desapareceu. Lenine parecia deixar sua libido de lado por vários anos, preferindo investir sua energia na tarefa revolucionária”.

Nas palavras da historiadora, Nadia viveu um momento difícil no que diz respeito à sua situação feminina. Um sentimento que cresceu quando soube que um problema médico, ela teria sérias dificuldades para dar ao seu marido uma criança.

«A Sibéria acabou com a vida íntima [dos dois], mas em troca deu-lhes uma cumplicidade que duraria até à morte. A partir daí, Vladimir nunca conseguiu separar um único dia dela», acrescenta a historiadora. No que diz respeito à sexualidade, a vida entre eles não melhorou após a libertação de Lenine. E é isso, nem em Zurique primeiro, nem em Paris depois, eles passaram muito tempo sozinhos. Pelo contrário, o líder bolchevique preferia dedicar as horas que poderia ter investido em suas relações íntimas, à revolução.
Lenine se transforma em Darth Vader (Odessa, Ucrânia)
A mesma Nadia escreveu em muitas cartas, como deixa claro a historiadora na sua obra: “Para encontrar um momento de intimidade e ficar sozinha com ele, Nadia não teve escolha senão arrastar Lenine ao jardim público na esquina”. A mulher, nas cartas, não esconde sua frustração e tédio, que sentia na ocasião de estar junto com o marido: “À noite, não sabia como matar o tempo. Não tinhamos vontade de ficar no nosso quarto frio e desconfortável, e saímos todas as noites para cinema e teatro”.

Sua viagem subsequente à França não mudou em nada a situação. De fato, ficou claro que Lenine não havia mudado nem um pouco em qualquer área de sua vida. Um exemplo disso é que (embora naquele tempo ele ganhasse algum dinheiro escrevendo artigos), em dezembro de 1908 pediu novamente a sua mãe dinheiro para alugar uma casa em que ele se apaixonara em Paris. Mais despesas, apesar de ter, na altura, quase quatro décadas de vida.

Nos meses seguintes, além disso, ele recebeu muitos pacotes de sua mãe. Neles, Maria Aleksandrovna mandava lhe bacon, peixe fumado, presunto ou mostarda. «Guloseimas», como aponta Ducret, para que ao seu filho não falte nada.

O trio estranho

Como se isso fosse uma situação nada estranha para Nadia, a esposa de Lenine teve que ver como o marido exibia a sua amante em frente de seu nariz durante a estadia de ambos em Paris. A nova parceira do Lenine era Inessa Armand, uma mulher quatro anos mais nova que ele, que instantaneamente cativou o nosso protagonista. O mais preocupante é que a mulher que passou mais de três anos na Sibéria com Vladimir teve que conviver com a amante do marido.
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O historiador espanhol Iñigo Bolinaga afirma em sua “Breve Historia de la Revolucion Rusa” que Nadia conhecia perfeitamente a relação de seu marido com Inessa. “Armand era amante de Lenine, com o conhecimento de sua esposa. O mito do herói-líder da moralidade irrepreensível que o stalinismo queria alcançar é quebrado para dar lugar a um homem cheio de paixões e fraquezas”.

Desde que ele conheceu Inessa, Lenine começou um relacionamento com ambos. Nadia, na verdade, veio propor, várias vezes, para que este viva com a sua nova amante. No entanto, Lenine recusou, porque sempre considerou aquela que oficialmente era sua esposa como um pilar básico de sua vida. No final, parece que os três se acostumaram com essa estranha situação.
As personagens do ménage a trois revolucionário (de esquerda para direita): Krupskaya, Lenine e Armand
Ducret trata de chamar Lenine, Nadia e Inessa como um trio, cuja cola não era apenas o nosso protagonista, mas também a boa amizade que as duas milheres mantinham. Na verdade elas estavam unidos por seu caráter e sua paixão pelo feminismo. Este triângulo amoroso estranho está perfeitamente definido em uma carta escrita pelo próprio punho da Nadia: “Nós todos queríamos muito Inessa que sempre parecia estar de bom humor. Tudo parecia mais quente e mais vivo quando ela estava presente”.

«Cagadas sexuais!»

Já com essas duas mulheres nas mãos, e depois de centenas de discursos falando sobre revolução e injustiça, Lenine começou a ganhar uma legião de seguidores no início do século XX. O engraçado é que muitas delas eram mulheres atraídas, como diz Ducret, “de uma maneira hipnótica por ele”. Nosso protagonista, sabendo que ele era como um ímã para o sexo oposto, explorou esse aspecto fingindo ser um defensor do feminismo. “Não pode haver um verdadeiro movimento de massas sem mulheres”, costumava dizer. No entanto, a realidade é que ela só apoiava o levantamento de fêmeas no trabalho, e não na esfera sexual.
Lenine é derrubado na Índia
A autora chega a dizer que seu modo de agir sugere que ela não tinha empatia pelo sexo oposto. Isto é demonstrado por vários comentários que Lenine fez sobre a liberação sexual das mulheres: “Eu considero este superabundância de teorias sexuais, a maioria dos quais são hipóteses e suposições, muitas vezes arbitrárias, a partir de uma necessidade pessoal para justificar a moral burguesa da própria vida anormal ou hipertrofiada”.

Lenine não se deixou influenciar pelas teorias de Freud ou de seus seguidores, como ele mesmo assinalou: “O texto mais difundido neste momento é o panfleto de um jovem camarada de Viena sobre a questão sexual. Que cagada! A discussão da hipótese de Freud lhe dá um ar “culto” e até científico, mas no final é apenas uma escrita vulgar”.

Por sua vez, Lenin dedicou-se a atacar a ideia de liberdade sexual. E, para ele, essa era uma mera desculpa burguesa para satisfazer os instintos mais baixos. “Embora eu não seja um asceta, essa suposta “nova vida sexual” da juventude – e às vezes também da idade madura – parece-me puramente burguesa , como uma extensão do bordel burguês [...] sem dúvida você sabe que a famosa teoria segundo a qual a satisfação das necessidades sexuais será, na sociedade comunista, um simples copo de água enlouqueceu completamente a nossa juventude”.
Lenine se transforma em hidra revolucionária (Bucareste, Roménia)
O líder bolchevique chegou a apontar que as mulheres não podiam aspirar à liberação sexual porque não possuíam “conhecimentos profundos e variados sobre o assunto”. A Clara Zetkin, uma popular teórica de feminismo, ele espetou que nunca tinha conhecido uma mulher capaz de ler “A Capital”, consultar um horário de comboio/trem ou jogar xadrez. A frase é citada na obra «As mulheres dos ditadores».

No entanto, apesar de tudo isso, Lenine costumava estar sempre cercado de mulheres. Aparentemente, porque ele confiava nelas mais do que em homens. Isto é o que Danilkin disse numa entrevista sua: “Ele era um polemista. Dava grande importância às nuances, às pequenas diferenças. É por isso que o seu meio o detestava.  Ele era um companheiro não confiável. Por exemplo, quando era presidente do Conselho de Comissários do Povo, em uma sessão podia apoiar um ponto de vista, mas facilmente mudava de ideias logo depois. Pode-se dizer que ele não tinha amigos. No entanto, isso foi compensado por um grande número de amizades femininas”.

quarta-feira, março 21, 2018

Boris Yeltsin maravilhado no supermercado americano (10 fotos)

Em setembro de 1989, Boris Yeltsin, o popular líder reformista soviético/russo, recém-eleito ao novo parlamento soviético (Soviete Supremo), foi visitar um típico supermercado americano no estado de Texas.
Após a visita, Yeltsin, na altura com 58 anos, disse que se os seus concidadãos soviéticos/russos, que geralmente ficavam horas nas filas intermináveis para comprar os alimentos mais primitivos, vissem os supermercados americanos, “haveria uma revolução”.
No Randall's Supermarket os compradores e funcionários apertavam lhe as mãos e diziam olá. Em 1989, mesmo nos EUA pouca gente tinha algum telemóvel ou câmara no bolso, por essa razão não houve “selfies” com o futuro presidente russo.
Yeltsin perguntava os clientes sobre as suas compras e sobre os preços dos bens. Aos funcionários do supermercado perguntava se estes tinham que ter uma formação especial para gerir a loja. Nas fotos do jornal Houston Chronicle, é possível ver Yeltsin à admirar a seção de produção, peixaria ou balcão de pagamento. Ele parecia especialmente entusiasmado com os pudins congelados.

Mesmo o Politburo não tem essa escolha. Nem mesmo Gorbachev”, dizia ele.

O facto de que os supermercados como aquele existirem literalmente em cada esquina americana, o realmente maravilhou. A loja até lhe ofereceu as amostras de queijo grátis. De acordo com a repórter que o acompanhou na ocasião, Yeltsin não saiu de mãos vazias, pois recebeu uma pequena bolsa de guloseimas para aproveitar na sua viagem.
Após o líder russo deixar o seu cargo, o biógrafo de Yeltsin escreveu que já, no avião, viajando até o seu próximo destino em Miami, ele estava desanimado. Não conseguia parar de pensar em comida abundante disponível nos EUA, principalmente comparando com as misérias, em termos de oferta alimentar, acessível aos cidadãos soviéticos.

Na autobiografia autorizada de Yeltsin, ele escreveu sobre a sua experiência de Randall's, que essa destruiu a sua visão do comunismo. Dois anos depois, ele saiu do Partido Comunista e começou à fazer reformas económicas e sociais. Assim, os simples pudins americanos derrotaram a ideologia comunista.
Quanto vi aquelas prateleiras, preenchidas com centenas, milhares de latas, pacotes e bens de todos os tipos possíveis e imaginários, pela primeira vez na vida senti-me francamente bastante frustrado, pela diferença, comparando com a vida do cidadão soviético”, escreveu Boris Yeltsin. “Que um país potencialmente tão súper rico como o nosso foi levado a um estado de tal pobreza! É terrível pensar nisso”.
No mesmo dia no Centro Espacial Johnson
todas as fotos @Houston Chronicle
Boris Yeltsin morreu em 2007 aos 76 anos. O supermercado Randall, que ele visitou, situado na saída do cruzamento do Boulevard El Dorado e Auto-estrada 3, agora se mudou ao Food Town.

Ler mais:

terça-feira, março 20, 2018

Rússia, após 100 ou 200 anos do comunismo...

Na atual situação internacional, de retorno aos assassinatos e envenenamentos políticos, faz todo o sentido de recordar uma das vítimas dos serviços secretos soviéticos, general russo Yevgeny Miller, que se dedicou a causa anticomunista, caindo na luta desigual contra um inimigo implacável, sinistro e poderoso.

Passarão cem ou duzentos anos. Os bolcheviques cairão. Porque nenhum recurso natural é suficiente, mesmo num país como a nossa Rússia, para alimentar um rebanho louco.

E então virão as pessoas doentes, desfiguradas e tentarão – talvez até mesmo sinceramente – mudar alguma coisa. E nada vai funcionar, porque a carga da impotência secular é demasiadamente forte.

Mas isso, acreditem, não é o pior.

Aqueles descendentes da nobreza, dos cossacos, que, de uma maneira incompreensível, sobreviverão no sangrento moinho de carne do bolchevismo – por acaso, ao custo de traição dos antepassados ​​– quem sabe?

Então assim, eles criarão as “reuniões da nobresa”, as “reuniões de oficiais”, etc... Eles recriarão diplomas e genealogias, títulos e ordens, mas, na sua essência, continuarão sendo lavadeiras e cabeleireiros...

As exceções apenas irão sombreiar a triste regra universal. Infelizmente...”

Nota histórica: o general Yevgeny Miller, foi raptado pelo NKVD em Paris em 1937 e fuzilado em Moscovo em 1939. O companheiro que o traiu, entregando às mãos do NKVD, general Nikolai Skoblin, possivelmente, foi apunhalado, até a morte pelos agentes do NKVD. As circunstâncias da sua morte não foram esclarecidas até hoje. A sua esposa, cantora e também agente do NKVD, Nadezhda Plevitskaya, foi detida pelo Deuxième Bureau francês e morreu na cadeia francesa em 1940...  

segunda-feira, março 19, 2018

Ucrânia: uma fixer ucraniana na linha de frente

Numa série de três episódios que contam sobre o trabalho dos fixers (aranjadores), Al Jazeera falou com uma profissional que cobre a guerra russo-ucraniana no leste da Ucrânia.

por: Amira Abujbara, Aljazeera English

Para os fixers, as notícias são muitas vezes pessoais. Eles são residentes locais, às também vezes são jornalistas, que servem como guias para correspondentes estrangeiros.

Equipados com conhecimentos locais íntimos, encontram histórias, asseguram entrevistas e traduzem para correspondentes que podem ter pouca experiência do país do qual estão fazer as suas reportagens. Muito depois de os correspondentes terem ido embora, os fixers permanecem nas suas comunidades.

Se eles fossem associados à uma história controversa, as consequências podem ser severas – desde perseguição da opinião pública, prisão ou mesmo pior – independentemente, de o fixer tiver (ou não) alguma influência sobre como a história foi contada.

Em 2017, os 450 fixers e repórteres dos 70 países foram perguntados sobre o seu relacionamento com os jornalistas, no decorrer de uma pesquisa do Global Reporting Centre.

A maioria dos fixers disse que se sentiram que eles eram frequentemente ou sempre usados para obter orientação logística; muitos disseram acreditar que sua confiança tinha sido violada – alguns em termos de conteúdo editorial, para outros em assuntos financeiros. Muitos disseram que raramente receberam crédito por uma história e um pequeno número disse que eles – ou os seus parentes – foram colocados em posição prejudicial, no futuro.

Mas a possibilidade de ajudar a moldar a maneira como seus países estão representados na imprensa/mídia internacional pode ser uma atração poderosa, mesmo que isso signifique arriscar suas vidas.

Na primeira reportagem de uma série de três partes dedicada aos fixers, uma ucraniana fala sobre sua vida na linha da frente.

Desde a [Revolução de Dignidade / movimento Maydan] de 2014, Kateryna M., trabalhou com a BBC, Reuters, Al Jazeera e outros meios de comunicação social para cobrir [a guerra russo-ucraniana] no leste da Ucrânia.
Kateryna Malofeyeva (29) | foto @Roger Waleson
Não tenho medo de bombardeamentos, não tenho medo de balas. Tenho medo dos seres humanos, porque neste conflito você nunca sabe quem são seus amigos e quem são seus inimigos.

Foi muito fácil no início do conflito [ser um fixer] porque ambos os lados estavam normalmente interessados ​​em mostrar-lhe as coisas, eles queriam puxá-lo ao seu lado. Mas, mais tarde, uma vez que o conflito começou a se desenvolver, os serviços de segurança começaram a operar.

Os serviços de segurança podem considerar você como um espião, eles podem verificar seu telefone, verificar seus documentos, eles podem entrar na sua casa. Este é o ponto em que todas as organizações de mídia normalmente já estão ausentes, eles vêm cá por duas semanas, fazem as suas reportagens e você fica sozinha.

Os fixers são algumas das pessoas mais vulneráveis ​​neste conflito. Conheço muitas pessoas [de ambos os lados] ameaçadas ou detidas ou interrogadas. Emocionalmente é muito difícil.

Como fixer você sente uma responsabilidade para com seus jornalistas, porque você conhece a área melhor do que eles. Às vezes, eles não entendem a situação. Eu sempre confiei no meu sentido do perigo. Eu confio na minha intuição, então eu sabia quando era perigoso e quando não era, se devíamos ir ou se não deveríamos.

Tudo é feito na base da confiança pura. Você não possui nenhum seguro. Durante o meu primeiro ano, trabalhei sem um colete de prova de bala, sem equipamentos de segurança, sem kit médico, porque mesmo os meios de comunicação muito conhecidas não os forneciam.

A taxa diária normal para um fixer é entre 100 dólares e, ao máximo de 200-200 euros diários. Antes eu pensei que este era um dinheiro muito bom, mas agora já não [por causa de] aumento de custos e despesas de vida.

Conheço alguns jornalistas que começaram como fixers e acreditam em mim, 80% da história depende do fixer. O que é interessante é que você nunca é mencionado como contribuinte da matéria. Você ajuda os jornalistas a fazer grandes histórias, e você nunca obtém vantagens pelo seu trabalho. Talvez você não seja mencionado por razões de segurança. Mas as organizações de imprensa/mídia devem ajudar aos fixers com algum tipo de treino.
As dicas de segurança por Michelle Shephard (na foto)
foto @ijnet.org
Ser uma mulher na linha de frente é bastante fácil, porque [você pode] imaginar soldados que ficam na linha de frente por seis meses sem ver uma mulher. Eles sempre querem oferecer-lhe os [presentes], eles sempre querem mostrar-lhe coisas porque precisam de mulheres. Às vezes, nos pontos de controlo você não sabe o que esperar, pode haver um sujeito bêbado com uma arma, e ser uma mulher fixer ajuda porque basta apenas sorrir para eles e o nível de raiva diminui.

Eu não fui diretamente [sexualmente] assediada. Havia algumas coisas meio-nojentas, como quando um tipo começou a cheirar o meu cabelo e disse: “eu não cheirei uma mulher por seis meses, posso cheirar você?” Mas eu diria que aquilo não era um assédio.

Ontem falei com uma garota de 10 anos. Eu perguntei: “Como você estuda, você vai para a escola?
Ela me respondeu: “Eu estava sentada à mesa e fazendo a lição de casa e de repente houve uma explosão e as janelas tremeram e a porta foi aberta pela onda de explosão”.

Você pensa “oh, meu Deus, ela é um anjo completo”, e não sabe como ajudá-la. É uma situação irreal. E foi assim durante anos. E eles dizem que o conflito está congelado, mas não está congelado. Posso confirmar que não está congelado.

Esta entrevista foi editada [pela Aljazeera] para maior clareza e duração e traduzida ao português por @Ucrânia em África.