terça-feira, março 06, 2018

As memórias de Donetsk ucraniana (20 fotos, +14)

Quatro anos atrás, em 4 de março de 2014, na cidade de Donetsk decorreu um dos primeiros grandes comícios em apoio da Ucrânia. Milhares de pessoas de toda a região participaram nessa manif pró-Ucrânia e anti-guerra.
A situação na cidade e na região já estava muito alarmante, os separatistas (alguns com passado nazi), com ajuda do financiamento russo, mas principalmente com a “neutralidade” da polícia e SBU local, estavam cada vez mais agressivos, atacando os ativistas ucranianos.
Manif ucraniana de 5 de março de 2014
Fãs/torcida do FC Shaktar
As forças ucranianas começaram criar as primeiras unidades da autodefesa, compostos pelos membros e simpatizantes dos partidos “Svoboda”, “Udar” (do Vitaly Klitschko), “Batkivshyna” (da Yulia Tymoshenko), reforçados pelos fãs/torcida organizada do FC “Shakhtar”.
Os ativistas ucranianos atacados na noite de 13 de março de 2014
A manifestação ucraniana do dia 13 de março, organizada no centro da cidade na praça Lenine, foi atacada, com uso de armas brancas e tacos de beisebol. É de reconhecer que a polícia impediu o banho de sangue total. Mas em resultado da sua atuação muito aquém do desejável, um ativista ucraniano (o chefe do serviço de imprensa do partido VO Svoboda, o jovem Dmytro Cherniavsky, nascido em 1991) foi esfaqueado até a morte, vários ucranianos foram feridos com gravidade.
Dmytro Cherniavsky, para sempre 23...
Pela primeira vez na cidade de Donetsk apareceu uma grande quantidade dos terroristas russos, vindos da cidade de Rostov, a sua chegada era organizada e possivelmente co-financiada pelos deputados do Partido das Regiões, do presidente deposto Victor Yanukovych.
Autocarros em Donetsk com as matrículas russas
No dia 17 de abril em Donetsk decorreu um dos últimos comícios pró-Ucrânia, junto ao Instituto do Metal, na margem esquerda do rio Calmius. Único deputado do Parlamento ucraniano que teve a coragem vir para Donetsk e discursar no comício foi o realmente populista Oleh Liashko.

No dia 28 de abril decorreu a última manif ucraniana em Donetsl, no fim os ativistas ucranianos foram atacados com pás de sapador, tacos da madeira, barras de ferro, felizmente ninguém morreu, mas muitas pessoas foram feridas com gravidade.
Ativistas pró-Ucrânia
Terroristas russos e pró-russos armados com pás de sapador e tacos de madeira
Os ucranianos eram atacados por ostantar a sua própria bandeira
8 atacantes, 1 vítima ucraniana, 1 polícia apático e 2 fotógrafos

A cidade já estava cheia de terroristas russos, os forasteiros rasgavam as bandeiras e cachecóis do FC “Shakhtar” e diziam que são naturais de Dombass.
Bloqueio da estação dos caminhos-de-ferro com as bandeiras russas e exigência do "referendo"
Houve mais algumas tentativas de organizar as manif ucranianas na cidade, mas o poder nas ruas tinha caído nas mãos russos-terroristas, os separatistas e os seus comparsas russos já ostentavam pistolas e AK, com total ausência da polícia. A maioria dos ativistas ucranianos que vemos nas fotos, está viva, abandonando a região ocupada, devido ao constante perigo real. Depois disso, começou a guerra russo-ucraniana (censor.net.ua)...
Resultados do "referendo", sentidos em 2017: populaça de Donetsk uma fila para entrar na Ucrânia livre
para receber a pensão e comprar alguma comida ou remédio... 

segunda-feira, março 05, 2018

Terrorista Rafael Lusvarghi próximo ao novo julgamento na Ucrânia

O terrorista brasileiro Rafael Lusvarghi, será novamente julgado na Ucrânia. O seu amigo e comparsa nazi russo Alexey “Fritz” Milchakov, provavelmente foi abatido em Síria. Desde outubro de 2016 Ucrânia garante segurança e bem-estar do “nazi estalinista” brasileiro.

Como o nosso blogue escreveu em outubro de 2017, e apesar da forte crença dos fás do terrorista brasileiro de que o seu ídolo voltará ao Brasil “já-já muito em breve”, o caso do “nazi estalinista cossaco” será julgado de novo, desta vez fora de Kyiv, no tribunal distrital provincial de Pavlohrad (província de Dnipropetrovsk), com grandes probabilidades de réu ser novamente condenado à uma pena que poderá variar entre 12 à 15 anos da cadeia efetiva.
O novo julgamento ainda sem data marcada, mas já com a designação do coletivo de juízes
O Tribunal de Apelação de Kyiv, que anulou a condenação do Lusvarghi na 1ª instância, fez isso, considerando que não foram respeitados alguns direitos do réu e não porque a sua culpa não fosse comprovada.

Nomeadamente, como, na altura explicou o procurador Ihor Vovk: na [condenação do Lisvarghi] são mencionadas seis localidades, onde [este cometia os seus crimes], um dos locais é o aeroporto de Donetsk (DAP), situado no distrito de Kyiv(skiy) da província de Donetsk. Existe uma lei ucraniana especial que determina os tribunais na Ucrânia livre que são responsáveis de julgar os crimes cometidos nas áreas ocupadas. De acordo com apreciação do Tribunal de Apelação, os crimes cometidos na área do aeroporto de Donetsk e arredores, devem ser julgados no tribunal da cidade de Pavlohrad na província (oblast) de Dnipropetrovsk.
O "cavaleiro da novaróssia" e os seus comparsas brasileiros à pousar junto ao canhão "Rapira"
de 100 mm, colocado num pátio junto aos prédios residenciais, numa tática tipicamente terrorista
O tribunal da 1ª instância provou que Lusvarghi cometeu diversos crimes contra Ucrânia nas localidades de Verhulivka; Pervomayske; Horlivka; Starobesheve; Debaltseve e nos arredores do DAP. A lei determina que o julgamento deveria decorrer na jurisdição do último crime conhecido ou do crime mais grave. Caso não seja possível determinar este local com exatidão, o julgamento decorre na jurisdição da investigação – no Tribunal do Bairro Pechersk em Kyiv. O Tribunal de Apelação estabeleceu que o local de pelo menos um crime do Lusvarghi foi positivamente determinado: rua Elitna № 7, arredores do DAP.

Posição da acusação

Na opinião do Dr. Vovk, todas as manobras dilatórias são de autoria do advogado do Lusvarghi, Valentim Rybin. Desta maneira o “advogado dos terroristas” tenta garantir ao seu cliente a cela solitária na cadeia de Lukyanivska, onde, tudo indica, o terrorista brasileiro se sente bem, demonstrando uma boa aparência, cara barbeada, etc.

Na apreciação do procurador ucraniano, caso Lusvarghi não reconhecer a sua culpa, não haverá motivos para suavizar a sua pena. Como tal, ele deverá ser condenado à uma pena efetiva entre 12 à 15 anos, dependendo da decisão do tribunal. É importante frisar que caso o advogado do réu não aparecer ao julgamento, de uma forma deliberada, a sessão será adiada e o réu receberá um novo advogado oficioso.
A "caderneta militar" do Lusvarghi, emitida pelos terroristas e apreendida pelo SBU
Além dos diversos vídeos na rede YouTube, no decorrer da detenção do Lusvarghi, as autoridades ucranianas apreenderam a caderneta militar da dita “república popular de Donetsk”; as condecorações assinadas pelo terrorista russo Igor “Strelkov” Gurkin pela participação em combates do lado da dita “dnr”; um certificado do hospital “republicano”, segundo o qual Lusvarghi teve ferimentos de armas de fogo. Tudo isso confirma a sua participação nas hostilidades militares. São provas bastante suficientes para provar a sua culpa.

É de recordar que no dia 25 de janeiro de 2017 Rafael M. Lusvarghi foi condenado aos 13 da cadeia, com confisco dos seus bens, sob acusação de cometimento os crimes especialmente graves, previstos na 1ª parte do Art. 258-3 e na 2ª parte do Art. 260 do Código Penal da Ucrânia: “…participação num grupo ou organização terrorista” (crime sancionado com as penas entre 8 à 15 anos de cadeia) e “participação nas unidades militares não previstas na lei” (as penas entre 3 à 8 anos).

Será que Lusvarghi é um terrorista ou apenas “um soldado”?

A posição ucraniana, em considerar este cidadão de terrorista é absolutamente juridicamente blindada pela legislação brasileira, nomeadamente, pelo Decreto da Presidência da República do Brasil № 5.938, de 19 de outubro de 2006 que promulgou o Tratado de Extradição entre a República Federativa do Brasil e Ucrânia, celebrado em Brasília, em 21 de outubro de 2003, e que estabelece a seguinte definição do terrorismo: “o atentado contra pessoas ou bens cometidos mediante o emprego de bombas, granadas, foguetes, minas, armas de fogo, explosivos ou dispositivos similares” (artigo № 3, alínea 5, ponto c) III).

... e será que Lusvarghi poderá ser trocado?

Teoricamente esta possibilidade existe. Caso as forças russo-terroristas concordarem em libertar determinados militares ucranianos, em seu cativeiro desde 2015. No entanto, como atestou a última grande troca dos POW em dezembro de 2017, Ucrânia não pretende libertar cidadãos estrangeiros que participaram nas actividades terroristas no leste do país. Libertando apenas os seus próprios cidadãos (entre os separatistas), muitos dos quais, até se recusam à voltar às “repúblicas populares” (69 pessoas dos 306 na troca de 27/12/2017), pretendendo viver na Ucrânia livre.

Em relação aos terroristas estrangeiros, tudo indica, funcionará o princípio de reciprocidade (e de utilidade, claro). Ou seja, os POW ucranianos em poder dos terroristas em Donetsk, Luhansk ou das autoridades russas, serão habitualmente trocados pelos terroristas russos, capturados na Ucrânia. Dado que Brasil e Ucrânia são países amigos, e que Brasil não manifestou nenhum interesse especial em receber Lusvarghi de volta, este poderá ser libertado apenas após servir a sua pena na totalidade, ou em 2/3, dependendo do seu bom comportamento na cadeia ucraniana. O que não impossibilita, em teoria, a sua troca pelos POW ucranianos, caso Ucrânia considerar essa troca de oportuna e justa.

Caso do nazi e psicopata russo “Fritz” Milchakov
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O que, diga-se de passagem, não é uma opção particularmente má. Por exemplo, de dia ao dia, aumenta a probabilidade de que o amigo e comparsa do Lusvarghi na Donbas, o nazi e psicopata russo Alexey “Fritz” Milchakov (um daqueles que chamavam brasileiros do grupo Lusvarghi de macacos), possivelmente foi liquidado na Síria, juntamente com outros nazis russos, no decorrer de uma operação americana nos arredores da cidade Deir ez-Zor.
Na Donbas Rafael (primeiro à esquerda) e outros brasileiros do seu grupo eram
constantemente chamadom de "macacos"
Após dia 7 de fevereiro a sua página numa das redes sociais russas foi suspensa, no entanto no dia 1 de março nela surgiram supostamente novas fotos, alegadamente tiradas na cidade russa de Nizhni Novgorod, onde este alegadamente se encontra.

Nas fotos, Milhakov aparece numa jaqueta que ativamente usava em agosto-outubro de 2017, uma peça de roupa pouco própria para a cidade, que no mês de fevereiro de 2018 registava as temperaturas entre –15ºC à +1ºC.
Nazi russo Alexey "Fritz" Milchakov, alegadamente vivo muito bastante...
Seguramente, não é uma prova definitiva da morte do Milchakov, mas é uma indicação fortíssima de que o nazi russo não esta bem de saúde (morto ou gravemente ferido). Caso contrário, ele calmamente postava uma foto sua, com um jornal local e com a data posterior ao extermínio do seu grupo na Síria.


Então se pergunta, não saiu Lusvarghi à ganhar em ficar preso na Ucrânia? Alimentação 3 vezes ao dia, alojamento gracioso e segurança contra as suas próprias decisões menos refletidas. Caso contrário poderia se transformar numa “carga-200” algures no deserto síria, tal como Milchakov e os seus do “grupo Vagner”...

p.s.

Recordamos a foto e vídeo do Lusvarghi em que este contava que foi libertado aos cuidados da embaixada do Brasil em Kyiv e sob apreensão do seu passaporte. Tudo indica que após a última troca dos POW e não libertação dos militares do spetsnaz ucraniano, em poder dos terroristas, todos os terroristas visados voltaram às cadeias ucranianas, em primeiro lugar, pelo seu próprio bem e segurança...

domingo, março 04, 2018

Os cartazes de propaganda anticomunista sul-coreana (7 imagens)

Os cartazes norte-coreanos antiamericanos e de propaganda juche são bem conhecidos entre os interessados na matéria. Os cartazes psyop sul-coreanos, muito menos divulgados, tem como destino principal os seus irmãos coreanos do outro lado da fronteira, à sobreviver sob o regime comunista (fonte).
A legenda superior: "Pessoas da Coreia do Norte são enganadas".
Lobos representam vários impostos e pagamentos. Inscrição no saco: "Renda".
Da esquerda à direita: Mao, Estaline, Kim Il Sung. Legenda: "Proprietário, servo e vaca".
O alinhamento dos comunistas norte-coreanos com Estaline e especialmente com os chineses era um poderoso trunfo
contra o inimigo ideológico. A Coreia tem contas antigas com a China, ser um capacho chinês é um pecado mortal.
"A tirania comunista torna o povo da Coreia do Norte surdo". Megafone do lado esquerdo: "Sons de liberdade".
Abaixo: "Verdade, factos, sinceridade, boa vontade". Megafone do lado direito: "Propaganda do comunismo".
Legenda abaixo: "Hipocrisia, propaganda, mentiras, ódio".
Legenda em acima: "Três regras do Partido Comunista para as pessoas".
Texto em baixo: "Não ouvir a verdade, não ver a verdade, não dizer a verdade".
A inscrição na folha: "Liberdade das pessoas". Legenda: "A mão má do comunismo retira a liberdade".
"Camponeses da Coreia do Norte, escondam o seu arroz! Não passem fome por causa do partido comunista!"
"O exército chinês controla as ferrovias / os caminhos-de-ferro da Coreia do Norte".
A inscrição no comboio/trem: "Coreia do Norte".
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sábado, março 03, 2018

RIP Reshat Ametov, a primeira vítima ucraniana da ocupação russa da Crimeia

Quatro anos atrás, no dia 3 de março de 2014 na cidade de Simferopol foi raptado e depois assassinado o tártaro da Crimeia, cidadão ucraniano Reshat Ametov. O seu único “crime” era a participação pública num piquete singular com a bandeira da Ucrânia nas mãos.

No dia 3 de março, logo pela manha, às 7h30 Reshat Ametov saiu da sua casa e se dirigiu ao Comissariado militar local, par se alistar, segundo o Decreto da mobilização, nas Forças Armadas da Ucrânia (FAU). Reshat era pai de três filhos, tinha a família numerosa, mas ele fez aquilo que exigia a sua consciência e dignidade. O Comissariado militar estava fechado e Reasht foi ao centro da cidade, onde na praça central iniciou uma ação pública, o piquete singular, em apoio à Ucrânia. Reshat estava sozinho, com a bandeira da Ucrânia nas mãos.
Bases e militares ucranianas bloqueadas na Crimeia pelas forças terroristas sem sinais de identificação
Cerca das 12h00, na praça, ele foi raptado pelos desconhecidos, vestidos como se vestiam os bandos da “autodefesa” pró-russa, levado às montanhas, onde foi submetido às torturas e depois desfigurado. O seu assassino o matou disparando num dos seus olhos.

Reshat Ametov foi a primeira vítima da futura guerra russo-ucraniana, guerra pela Independência da Ucrânia. Reshat não sabia que Ucrânia irá combater, não sabia que o agressor levará o troco. Apesar das torturas, ele não quebrou e então, para amedrontar a população ucraniana da Crimeia, foi assassinado de forma demonstrativa. Foi o primeiro ucraniano que entrou na fileira dos defensores da Ucrânia e foi primeiro ucraniano, assassinado pelos terroristas russos.
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Quando Putin e outros canalhas falam sobre “anexação pacífica da Crimeia” e sobre o “referendo popular”, eles tentam esconder as memórias dos ucranianos que morreram no decorrer da anexação e ocupação, querem esconder a memória do terror russos e dos crimes das forças militares e paramilitares russas. Sem sangue, sem terror, sem ameaças e chantagens, Rússia não conseguiria efetuar a ocupação da Crimeia.

Reshat foi o primeiro. Ele sabia do perigo mas fez uma escolha. Não sabia se Ucrânia conseguiria defender a sua Independência, mas graças ao seu sacrifício, graças à bravura e coragem cívica de milhares, centenas de milhares de ucranianos, os cidadãos se uniram e defenderam o país apesar da fraqueza temporal do Estado. O Herói sacrificou-se pela Ucrânia.

Reshat Ametov ainda não foi condecorado com nenhuma distinção estatal, é detentor do título cívico “Herói Popular da Ucrânia” (fonte).

Memória eterna ao Cidadão...

É de recordar, que em 1939, durante a ocupação nazi da Checoslováquia não morreu nenhum checoslovaco. Em 1940, durante a operação de ocupação da Dinamarca morreu um dinamarquês. Durante a ocupação “pacífica” russa da Crimeia morreram ou foram raptados e desapareceram 10 cidadãos ucranianos. A sua única “culpa” estava no facto de se considerarem ucranianos e não se intimidarem perante ameaças e as armas dos ocupantes russos.

Bónus
O coronel Ihor Bedzay
No dia 3 de março de 2014, os pilotos ucranianos da 10ª Brigada de aviação naval da Marinha da Ucrânia, sob comando do coronel Ihor Bedzay, bloqueados por agressores russos e arriscando as suas próprias vidas e destinos das famílias – reféns dos ocupantes, efetuaram a retirada dos helicópteros e aviões ucranianos do aeroporto militar na aldeia de Novofedorivka na Crimeia para a cidade de Mykolaiv
A operação de reassentamento da aviação naval ucraniana foi concluída com sucesso em 6 de março de 2014, com a descolagem do último helicóptero ucraniano. Os heróis salvaram a aviação naval da Ucrânia, que até hoje está realizando missões de combate no Mar Negro (fonte: Navy.mil.gov.ua).
Coronel de aviação ucraniana Yuliy Mamchur (identificado e desarmado) ameaçado por três (!)
terroristas russos armados, março de 2014 na Crimeia

A guerra energética Naftogaz – Gazprom: a frente de 2018

No dia 28 de fevereiro o Tribunal Arbitral de Estocolmo acordou o valor de 2,56 biliões de dólares, que a russa Gazprom terá que pagar à Naftogas da Ucrânia. Gazprom respondeu anunciando a corte total de venda de gás à Ucrânia, baixando a pressão no sistema de gasodutos em 20%. Ucrânia assinou o contrato relâmpago com polacos de PGNiG e planeia aumentar as tarifas de transporte de gás russo pelo território ucraniano.

Em maio de 2017, o Tribunal Arbitral afeto ao Instituto de Arbitragem da Câmara de Comércio de Estocolmo (SCC) tomou a decisão favorável à Ucrânia na questão de arbitragem de vendas de gás entre “Naftogaz” e “Gazprom” sob Contrato de vendas de gás de 2009.

O tribunal rejeitou por completo a reivindicação take-or-pay (leve ou pague, que obrigava Naftogas comprar a quantidade máxima obrigatória do gás anualmente) da Gazprom (uma economia de 45 biliões de dólares) e satisfez o pedido da Naftogaz de colocar o preço do gás aos níveis praticados no mercado. Além disso, o tribunal levantou totalmente a proibição de reexportação de gás, que fazia parte do mesmo contrato.

Ao mesmo tempo, o tribunal decidiu que até o fim da vigência do contrato (até finais de 2019), assinado pelo governo da Yulia Tymoshenko em 2009, Naftogaz teria que comprar ao Gazprom a quantidade mínima obrigatória de 4-5 biliões de m³ anuais, embora ao preço unitário mais baixo do que Ucrânia pagava antes da decisão de arbitragem. É de notar que a dívida russa (decisão de 28/02/2018) é alvo de cobrança de juros – à razão de 526.000 dólares por cada dia em que Gazprom adiar o pagamento, a partir de 1 de março de 2018.

No dia 1 de março de 2018, Nagtogaz efetuou o pré-pagamento do gás, que teria que comprar sob o contrato de 2009 e que foi parcialmente validado pelo Estocolmo.

Apenas 15 minutos (!) antes do início de fornecimento do gás, Gazprom anunciou que irá rescindir o contrato com Ucrânia de forma unilateral, baixando a pressão no sistema de gasodutos em cerca de 20%.

Gazprom agiu assim, sabendo perfeitamente que na Ucrânia (e em toda a Europa) ocorrem os dias especialmente frios, a empresa russa pretende, mais uma vez, usar a sua dominante posição energética como uma arma de chantagem contra Ucrânia e contra a Europa.

Reação da Ucrânia

Ucrânia possui o gás suficiente (comprado na Polónia e Eslováquia), mas a sua capacidade de bombagem não é suficiente para garantir o trânsito do gás russo à Europa (devido aos frios, o consumo de gás cresceu no país e em todo o continente).

Para garantir o trânsito do gás russo, Ucrânia contava com o fornecimento do gás pela Gazprom, de acordo com o que foi contratado em 2009, aos preços e quantidades corrigidos pelo Tribunal Arbitral de Estocolmo em maio de 2017.

No decorrer de um único dia (!) a equipa da Naftogaz assinou o contrato de curta duração (até o fim do mês de março de 2018) com os polacos de PGNiG de fornecimento de mais de 60 milhões de m³ de gás. Os fornecimentos começaram às 6h00 do dia 2 de março de 2018, através da estação energética de Hermanowice, que une os sistemas de gasodutos entre Polónia e Ucrânia.

No fim de março, Ucrânia e toda a Europa entrarão no período da Primavera, quando os dias mais quentes garantirão a queda no consumo doméstico de gás e ajudarão ao país passar mais um momento complicado na atual guerra energética russo-ucraniana.

Na sua página de Facebook Naftogaz explica e pede ajuda aos ucranianos: “Precisamos de se aguentar apenas 3-4 dias até que os frios baixem. Quem têm caldeiras, reduzam a temperatura de aquecimento em apenas 1ºC de dia e até 2ºC à noite, o que reduzirá o consumo de gás no país em 8-9%, e isso será suficiente para que a chantagem russa não funcionaria”.

Por isso e por causa dos dias particularmente frios, Ucrânia fecha as escolas e jardins-de-infância, o Presidente Poroshenko lançou o pedido de #прикрути (#baixar ligeiramente o consumo de gás), dirigido à todos os ucranianos.
#прикрути
Com essa decisão unilateral e absolutamente não empresarial, Gazprom deu entender que o seu projeto “Nord Streem-2” não é nada mais do que um claro instumento de chantagem política.

Naftogaz, já classificou a recusa da Gazprom de fornecer gás de uma violação do contrato e do incumprimento da sentença arbitral. A quebra unilateral do contrato também poderá significar que Naftogaz não se sentirá mais vinculada à obrigação legal de comprar gás russo, mesmo a quantidade mínima obrigatória de 4-5 biliões de m³ anuais, decidia pela arbitragem sueca em maio de 2017.

A posição oficial da Naftogaz Ucrânia

Empresa informa que o trânsito do gás para Europa decorre de forma normal, Naftogaz não compra o gás [polaco] aos preços demasiadamente altos, no entanto faz lembrar: “Tudo o que pagaremos acima do preço estabelecido pela arbitragem [de Estocolmo], você sabem à onde iremos debitar”.

Além disso, o diretor comercial da Naftogaz, Yuriy Vitrenko, informou que a corporação ucraniana irá rever os preços de trânsito do gás russo pelo território ucraniano. Naftogaz também não comenta oficialmente as declarações do Gazprom e do seu PCA, Alexei Miler, dado que empresa não recebeu os documentos russos sobre a rescisão unilateral e não sabe o que neles está escrito.

No entanto, a corporação ucraniana cita algumas opiniões, publicadas na imprensa económica russa:

Uma fonte do jornal russo “Vedomosti” no Ministério da Energia alemão: “a situação atual e as intenções da Gazprom, infelizmente, são apenas prejudiciais ao projeto de construção do Nord Stream-2. A intenção da Gazprom de quebrar contratos com a Naftogaz pode novamente dar e, provavelmente, dará razão para falar sobre a falta de confiabilidade do fornecedor de gás russo, bem como das suas ambições de usar o gás como uma arma política”.

A Comissão [Europeia] exorta todas as partes interessadas, empresas e ministérios a encontrarem soluções imediatas de acordo com as decisões do Tribunal de Arbitragem de Estocolmo”, declarou ao “Vedomosti”, representante oficial da Comissão Europeia, comissária Anna-Kaisa Itkonen.

É de recordar que nos últimos 2 anos e 3 meses Ucrânia não compra nenhum gás russo.

Bónus
Donald Trump prorrogou por mais um ano a duração das sanções contra a federação russa, aplicadas pelo ex-presidente Barack Obama em 6 de março, 16 de março, 20 de março e 19 de dezembro de 2014, em resposta à agressão russa contra Ucrânia.

quinta-feira, março 01, 2018

Ultramoderno míssil “Sarmat”: Wunderwaffen do Putin

No decorrer do seu discurso à nação (1/03/2018) o presidente Putin se referiu ao novo e poderosíssimo míssil “Sarmat”, desenhado para facilmente atingir os alvos do inimigo estratégico. A imagem era dos vídeos de 2011-12, dedicados ao míssil soviético R-36M2 “Satan”, fabricado na Ucrânia.

O discurso do Putin em 1/03/2018:

O vídeo russo de 10/09/2011:

O video turco de 6/09/2012:

Parece que a gráfica original é de 2007, por isso entende-se porque é tão pobre. Prometemos aos estimados leitores que publicaremos o vídeo de 2007, quando e se o acharmos.

Bónus

Cazaquistão passa ao alfabeto latino até 2025

O presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev, alterou o seu decreto anterior sobre a passagem do alfabeto cazaque do cirílico ao latim. De acordo com o decreto do dia 27/02/2018, publicado na página do presidente, o alfabeto tem uma nova redacção, com menos apóstrofos (6 em vez dos 9 anteriores) e introdução dos dígrafos (sh, ch).

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