quinta-feira, fevereiro 08, 2018

Síria: exército americano mata entre 30 à 35 mercenários russos

O recente raide aéreo, efetuado pelo exército dos EUA na localidade de Khasham/Khusam e nos arredores do campo de gás de Conico, com auxílio de aviação (AC-130, F-15; F-22; helicópteros Apache e Raptors) e da artilharia do corpo da marinha dos EU), matou, no mínimo 30-35 mercenários russos, embora alguns dados apontam as baixas até três vezes maiores, entre mercenários mortos e feridos.
A posição oficial americana
Como escreve o blogueiro militarista russo el-murid, a “batalha” entre as forças governamentais sírias, reforçadas pelos blindados, artilharia, acompanhados pelo contingente de mercenários russos e possivelmente até as forças especiais russas, na realidade foi a sua completa e impiedosa aniquilação pelo exército americano.
O alegado spetsnaz russo em Deir ez-Zor, 2018
As diversas fontes abertas chegaram à escrever sobre o aparecimento dos militares russos na base aérea de Hmeimim e a sua concentração na cidade de Deir ez-Zor. Naturalmente a inteligência dos EUA possuía estes dados, o que permitiu alvejar a coluna atacante russo-síria, que tentou atacar uma base curda com a presença de conselheiros e instrutores americanos, de forma que poucos atacantes conseguiram escapar com a vida. Para já não se percebe muito bem o plano das forças russo-sírias, possivelmente estes pretendiam efetuar uma rápida operação para possibilitar ao regime de Damasco o controlo de mais um pedaço do território sírio, desta vez na margem esquerda do rio Eufrates, sob controlo efetivo das forças curdas da SDF/FDS.
Possivelmente, nos próximos dias e semanas vamos receber as fotos e vídeos do local da aniquilação da coluna russo-síria, contando que a imprensa regional russa poderá publicar os nomes dos mercenários e militares russos que foram aniquilados nessa operação (ler mais em inglêsfonte 2).

Bónus

As forças do Daesh/EI começaram usar em combates de rua as mulheres combatentes, possivelmente são membros da sua polícia militar, contingente feminino da qual, em 2014-16, perfazia mais de 2,5-3.000 efetivos.

quarta-feira, fevereiro 07, 2018

Os cães de Pripyat – a cidade fantasma de Chornobyl (7 fotos)

São, na maior parte, crias das centenas de cães que foram deixados para trás após o acidente nuclear de Chornobyl. Vivem na zona de exclusão, aguentam o frio ucraniano, e poucos passam dos seis anos.
O desastre nuclear de Chornobyl, em abril de 1986, deixou a cidade fantasma de Pripyat e as vilas circundantes desertas. Quando as populações residentes tiveram de abandonar a zona, devido à radiação, foram impedidos de levar consigo os animais de estimação. Segundo conta o jornal britânico The Guardian, na altura muitos foram os cães que ainda perseguiram os autocarros a ladrar, numa tentativa de fugirem também com os donos. Mas sem hipótese. Equipas de militares foram inclusive enviadas ao local para matar os animais: mas alguns sobreviveram e são os descendentes desses cães que ainda hoje habitam a floresta que circunda Pripyat.
São cerca de 300 cães numa zona de 2.600 quilómetros quadrados, entre a zona de exclusão de Chornobyl, que circunda o local do desastre nuclear, e a floresta envolvente, naquela cidade norte da Ucrânia, junto à fronteira com Belarus. Vivem no meio de linces, lebres, lobos e ursos, que entretanto se instalaram naquele habitat, mas são os cães os animais nativos. Segundo descreve o The Guardian, que visitou o local, vivem como uma comunidade quase autónoma, ajudando-se uns aos outros e tendo já aprendido que é junto ao café local, onde se reúnem os visitantes, que há mais pessoas, logo, mais comida.
Muitos não têm abrigo e têm de aguentar os invernos frios da floresta ucraniana, têm níveis elevados de radiação no pêlo e uma esperança média de vida muito reduzida: segundo aquele jornal, são poucos os que vivem mais do que seis anos. “A maior parte das vezes as pessoas, os visitantes, acham-nos queridos, mas muitas vezes acham que podem estar contaminados e por isso evitam tocar-lhes”, diz Nadia Starodub, uma das guias da [agência de turismo] Solo East Travel que organiza visitas guiadas à cidade fantasma, citada pelo The Guardian. Não há, na verdade, regras que proíbam os visitantes de tocar naqueles animais, sendo que o único conselho que os guias dão é para os visitantes usarem o mesmo “bom senso” que usam quando se aproximam de qualquer cão rafeiro.
Certo é que uma organização norte-americana sem fins lucrativos que se dedica a ajudar comunidades afetadas por acidentes industriais, a Clean Futures Fund, instalou três clínicas veterinárias, uma delas dentro da planta de Chornobyl. A ideia é apenas assistir os cães em caso de emergências, castrá-los e vaciná-los contra doenças como a raiva ou a hepatite. O objetivo é diminuir o mais possível a população de cães na zona de exclusão, mas o controlo é difícil de fazer. “Acho difícil que algum dia venhamos a conseguir acabar totalmente com os cães na zona de exclusão mas queremos reduzir a população a um ponto em que seja possível tratarmos deles, alimentá-los e providenciar-lhes uma vida longa e feliz”, diz um dos fundadores do Clean Futures Fund, citado pelo The Guardian.
Todas as fotos @Solo East Travel
Ler mais em português ou em inglês.

A petição francesa exigindo a libertação do cineasta Oleg Sentsov

Os artistas e fazedores da cultura franceses entregaram na embaixada da federação russa em Paris a petição com mais de 3.500 assinaturas, com exigência de libertar o cineasta ucraniano Oleg Sentsov, escreve o serviço russo da rádio DW.
A recolha de assinaturas foi iniciada em novembro de 2017, na página change.org, onde é possível ler e assinar a petição, publicada em francês, inglês, russo e ucraniano: ASSINAR A PETIÇÃO

“Com base nas evidências falsificadas e falsos testemunhos, [Oleg] Sentsov, o ativista da Maydan [da Crimeia], foi acusado de preparar os actos de terrorismo” – declara a petição. Após anexação da Crimeia, as autoridades de ocupação acusaram Sentsov de criar e liderar um grupo que pretendia explodir o monumento do Lenine (acusação nunca provada) e colocar o fogo posto no edifício do partido russo “Rússia Unida” (a mãe do Oleg Sentsov pagou, na totalidade, o prejuízo causado, uma porta de madeira parcialmente queimada). Sem esquecer, claro, que todas as ações atribuídas ao Oleg Sentsov decorreram na Crimeia sob a jurisdição da Ucrânia, antes de ocupação, de facto, e como tal nunca poderiam ser julgadas segundo a lei russa.

Os signatários pedem liberar Oleg Sentsov “nas vésperas da provável reeleição de Putin” e do Campeonato/ Copa do Mundo de Futebol, que terá lugar no verão de 2018.
Olexander “Tundra” Kolchenko (25)
Na mesma altura e no mesmo caso, as autoridades de ocupação russas julgaram outro morador da Crimeia, anarquista e antifascista Olexander “Tundra” Kolchenko (25), figurante do “caso Sentsov”. Ele foi condenado aos 10 anos de prisão por “participação numa organização terrorista e preparação de atos terroristas na cidade de Simferopol”. Ele não se deu como culpado e de momento, está na colónia penal da cidade de Kopeisk, na região russa de Chelyabinsk.

Blogueiro: é de recordar que as autoridades de ocupação atribuíram ao Oleg Sentsov, contra a sua vontade expressa, a nacionalidade russa, e neste momento usam este pretexto para não permitir que cidadão da Ucrânia receba a assistência consular ucraniana. Além disso, apesar de Oleg Sentsov, ser o residente na Crimeia ocupada, condenado às 20 anos de cadeia, ele foi transferido para uma colónia prisional na cidade de Labytnangi, situada além do círculo polar. Tal, como nos piores anos de estalinismo soviético, o estado russo, continua usar a questão de clima e da posição geográfica, mas impor maiores sofrimentos aos seus prisioneiros políticos. Crescido na Crimeia, num clima subtropical, naturalmente, Oleg Sentsov se sente muito desconfortável num clima muito frio. A longa distância, não permite que ele seja visitado, com frequência, pela família. Em soma, temos a situação do novo Arquipélago GULAG, em pleno século XXI...

segunda-feira, fevereiro 05, 2018

Cinema: cartoon The Breadwinner e filme Morte de Estaline

As ruas de Moscovo no fim de 2017: "Morreu aquele | e este morrerá"
O roteiro do desenho animado The Breadwinner, escrito pela ucraniana Anita Doron e produzido por Angelina Jolie, foi nomeado ao Óscar deste ano na categoria de melhor filme animado.
“A película The Breadwinner é nomeada ao Óscar. O roteiro foi escrito pela nossa filha Anita. Estamos muito orgulhosos”, – escreveu o pai de Anita, Yuri Doron, no Facebook.
O roteiro é baseado na trilogia “The Breadwinner” (A Outra Face) da escritora canadense Deborah Ellis. Os livros contam a história de vida de uma menina/garota chamada Parvana, que vive sob regime talibã no Afeganistão, e tem que apresentar-se como um rapaz para poder alimentar a sua família num momento da vida muito difícil.
Faça clck para ler o livro em português (PDF)
O cartoon vai competir pelo título do melhor filme animado na 90ª cerimónia de premiação do Óscar, que será realizada em 4 de março de 2018.

Belarus autoriza a exibição do filme “Morte de Estaline”
A comissão, encarregue de verificar o conteúdo da película considerou que o filme está conforme a legislação belarusa.


domingo, fevereiro 04, 2018

Como se fabrica o “genocídio” de Donbas (2)

Em 25 de janeiro de 2018 o mini-drone da missão da OSCE na Donbas detetou dois blindados T-64, pertencentes às forças russos-terroristas. É de notar a sua posição: um está posicionado na direção das forças ucranianas e outro na direção oposta, imitando, eventualmente, “os bombardeamentos ucranianos”.  

Os blindados russo-terroristas foram detetados no sul da localidade de Obozne (18 km ao norte de Luhansk) e à 2,7 km da linha da frente, em violação clara dos acordos de Minsk-2. Situação, alias, sinalizada na foto, disponibilizada pela OSCE e detetada na área sob controlo dos separatistas da dita “lnr”. 
Morteiro que circulava nas ruas de Donetsk é colocado dentro de um camião de lixo
É de recordar que em outono de 2014 e inverno de 2015, a cidade de Donetsk era atingida pelo fogo aleatório de um morteiro-fantasma, que visava, de forma absolutamente indiscriminada, os diversos bairros residenciais da cidade. A investigação OSINT do blogueiro ucraniano, Roman Miroiu, permitiu achou numa rede social russa o perfil de um dos terroristas que operavam o tal morteiro. O terrorista se chama(va) German Klimov (27), é cidadão russo, natural de Distrito Autónomo de Iamália. 
Morteiro que circulava nas ruas de Donetsk dentro de um camião de lixo
Da página do terrorista é possível saber que ele nasceu em 10.04.1988 na cidade de Salekhard, foi terrorista em Donetsk, membro de uma unidade especial separatista. Possivelmente morreu em dezembro de 2014, embora a sua página foi visitada/modificada pela última vez em 16 de março de 2016.

Mais. Um lançador múltiplo de mísseis Grad, pertencente às forças russo-terroristas, bombardeando as posições do exército ucraniano (FAU), e um outro disparando na direção oposta, contra civis de Donbas, para desacreditar o exército ucraniano.
Faça click para ver vídeo

sábado, fevereiro 03, 2018

Exercícios de Inverno da artilharia das Forças Armadas da Ucrânia

Exercícios de Inverno dos artilheiros da Infantaria das Forças Armadas da Ucrânia (FAU).
Canhão autopropulsado 2S7 "Pion"
Rebocador pesado de blindados BTS-4, desenhado em 1965 em Kyiv.
Usado no Exército Soviético desde 11/11/1967

Na Síria foi abatido Su-25 russo

Como informa BBC, no dia 3 de fevereiro na Síria, nos arredores da localidade de Maasaran, na área rural da província de Idlib, foi abatido Su-25SM russo, notícia avançada, em primeira mão, pela «Syrian Observatory for Human Rights».
Os restos do Su-25 abatido em 3/02/2018
O grupo OSINT russo, Conflict Intelligence Team (CIT) informa que piloto [major Roman Filipov pertencente ao 37º regimento misto, comandado pelo coronel Oleg Terebunsky] conseguiu se catapultar, mas foi morto em circunstâncias ainda não esclarecidas.
Major (em 2013 capitão) Roman Filipov desde sempre era um piloto militar russo
Faça click pare ver vídeo
O vídeo da queda do Su-25 foi colocado no canal do YouTube, pertencente à frente al-Nusra e no Twitter, pertencente ao Exército Livre da Síria (FSA).
É de notar que Su-25 é usado na Síria exclusivamente pela força aérea russa. A página russa RBC confirmou que o avião abatido pertencia à força aérea russa. 
Su-25 foto @Vadim Grishankin / MOD russo / TASS
Não se sabe ao certo os meios usados pela resistência síria no abate do Su-25, existe a informação contraditória sobre uso de míssil terra-ar, ou então, sobre uso de sistemas de fogo antiaéreo. 
Local da queda do Su-25
Arma pessoal AP Stechkin do piloto abatido.
Roman Filipov não era piloto ucraniano antes de 2014,
é fake e uma tentativa de desviar atenção para Ucrânia. 

sexta-feira, fevereiro 02, 2018

Vencer a “União Soviética interior”: como e para que?

27 anos após o fim da União Soviética as pessoas ainda são marcadas pelo seu “sistema especial de valores”, que na realidade não passa de simples regras de sobrevivência numa sociedade autoritária. Regras, mais prejudiciais do que benéficos.

Hoje abordaremos 10 temas, explicando como e para que temos que vencer a “União Soviética interior” e começar, realmente, viver no século XXI.

1. Se vestir bem e cuidar da sua aparência

Na URSS, as pessoas vestiam-se muito mal, o típico guarda-roupa de um homem soviético era composto por 1-2 fatos/tenros cor de cinza de rato e castanho/marrom, um par de camisolas esticadas nos cotovelos, várias camisas de tons indistintos, para o inverno – um casaco velho da pele de carneiro. Opcionalmente, poderia existir um gorro de pele caro (às vezes amarrado debaixo de queixo para não ser roubado) e um par de jeans “Montana”, que custavam um salário e meio e eram comprados através da fartsovka. Em casa, os cidadãos andavam com calças azuis de fato de treino, esticadas nos joelhos. Sobre a roupa interior é melhor não dizer nada – as meias eram remendadas até o fim da sua vida útil e, parece, nunca deitadas fora.
Modelos da casa Dior nas ruas de Moscovo, 1959
O mesmo se aplica à aparência – colocar em ordem os dentes e os cabelos hoje em dia não custa muito dinheiro, mas a aparência e a percepção do mundo se mudam drasticamente.

2. Tentar viver nos interiores bonitos

Os interiores bonitos e elegantes (tal como a aparência física) tem uma forte influência sobre atitudes da pessoa. Existem os camaradas que até hoje usam os sofás comprados em 1970, argumentando: “na União Soviética esse sofá era novo, quero a URSS de volta!”
Um bom interior não precisa ser muito caro. Primeiro, tirem para o lixo ou mercado de pulgas o tapete da parede, o velho sofá, aparador polido, cadeiras esfarrapadas. Também se livrem dos livros soviéticos, cristais e figurinhas de porcelana – estes nunca serão lhe úteis.

Pintem as paredes de cores pastel ou colem o papel de parede monofónico de alta qualidade. As paredes ficarão ótimas com as pinturas modernas ou fotos antigas de família, nas prateleiras – lembranças de viagens ou coisas familiares valiosas. Criando um interior moderno em casa – menos o cidadão irá querer “voltar para a URSS”.

3. O futuro começa hoje

O poder soviético prometia às pessoas: “vamos viver bem, mas amanhã” – um dia virá o comunismo, e hoje é necessário “sofrer um bocado”. Esta visão de mundo migrou para a vida quotidiana das pessoas comuns – para que reparar a entrada do seu prédio, se amanhã virá o comunismo, e todos se mudarão aos palácios? Para que poupar dinheiro para a velhice, se amanhã tudo será de graça? Como resultado, o futuro veio – mas pessoas que não pensaram nisso, não tiveram um lugar decente nesse mesmo futuro.
Precisamos pensar sobre o futuro aqui e agora – e não apenas pensar, mas também fazer algo para tornar a sua vida no futuro melhor do que hoje.

4. Pensar e falar sobre o dinheiro

Na URSS ensinavam às pessoas que o dinheiro é muito mau/ruim e dele provem todos os infortúnios. A tese que formou a percepção de diversas gerações de pessoas. De facto, o dinheiro em si não é bom nem mau/ruim, é apenas um recurso, usando qual uma pessoa pode resolver certos problemas, e somente dele depende o que ele fará com o seu dinheiro.
No mundo moderno, o dinheiro, em primeiro lugar, é a sua independência, a capacidade de não trabalhar para os “outros” e ser o dono da própria vida. Os pró-soviéticos de todos os tipos e nacionalidades não gostam disso, na sua opinião, as pessoas devem ser pobres, dependentes e pedir “borsas” ao poder político, comer nas suas mãos e permanecer em silêncio. Quem não quiser viver assim – deve pensar e falar sobre dinheiro e sobre como e onde o irá ganhar.

5. Educação é um processo constante

Na URSS, uma pessoa era formada no ensino superior e logo considerada um “trabalhador especializado”. Existia um registo especial de profissões em que não eram admitidas, por exemplo, as profissões do futuro – tudo estava estritamente predeterminado. Existiam ainda os “cursos de melhoria de qualificação”, mas mais frequentemente um especialista soviético típico, após a sua formação já não aprendia mais nada, fazendo o mesmo tipo de trabalho durante toda a sua vida profissional.
No mundo moderno, tudo funciona de forma diferente – quem quer vingar, terá que aprender algo novo toda a sua vida – um processo extremamente fascinante, que não tem o fim. Vivemos no século XXI, e agora, uma pessoa pode obter várias formações e mudar 2, 3 ou mesmo 4 profissões, atingindo certos patamares em cada uma delas, vivendo não uma, mas várias vidas, o que é muito bom/legal e interessante.

6. Viajam, conheçam outros países

A União Soviética era um país fechado – para viajar ao exterior, o cidadão soviético tinha que passar por muitas barreiras internas, como verificações familiares e conversas com o KGB. Por causa de seu isolamento, muitos soviéticos tinham a certeza de que eles viviam no país mais bonito, amável e honesto, e ainda o mais rico, para eles a visita ao qualquer país mais ou menos civilizado, muitas vezes se transformava em um verdadeiro choque cultural.
Agora, quando graças ao Deus a URSS já não existe mais, as fronteiras estão abertas, e todos podem ir aonde quiserem. Quanto mais pessoa viaja ao redor do mundo – mais plenamente pode imaginar o funcionamento da civilização moderna e o lugar em que nela ocupa o seu país. É claro, melhor é conhecer as novas cidades, e não apenas escolher o descanso vegetativo na praia – as impressões serão mais completas.

7. Respeitem outros e o seu espaço privado

Na URSS acreditava-se que todos os que viviam “não como soviéticos” eram, no mínimo pessoas indoutrinadas ou, no máximo, inimigas. Isso se deveu à natureza agressiva e expansionista do marxismo-leninismo soviético – a doutrina se declarava como “a única ordem mundial verdadeira”, todos os que discordaram eram declarados loucos ou inimigos – milhões de cidadãos da URSS foram mortos sob este pretexto.
Quem não quer parecer um soviético – não diga às pessoas de outros países como eles devem viver e não venha por cima dos estrangeiros com observações do tipo: “O meu professor de história me contou tudo sobre o seu país / eu li tudo sobre o seu país, eu sei melhor como deveria viver Ucrânia!” Não se intrometa com a sua opinião onde você não foi convidado – apenas ouça, é mais interessante. O mesmo se aplica ao respeito pelo espaço pessoal – respeite o direito de outras pessoas ao seu espaço pessoal e liberdade.

8. Cria os planos da velhice
Na URSS, aqueles que se aposentaram acabaram por ficar inúteis, que só podiam jogar dominó no parque, cuidar dos netos e, na melhor das hipóteses, falar sobre a sua “juventude revolucionária” no palácio local dos Pioneiros. No século XXI, o sistema de emprego mudou, surgiram muitas profissões novas, a esperança da vida ativa está aumentando constantemente – portanto, é preciso pensar já hoje, sobre o que você fará aos 60, 70, ou mesmo aos 80 anos.

9. Seja dono da sua via, não procure pelos inimigos

Muitas vezes, na URSS, acreditava-se que em todos os problemas são culpados os míticos sabotadores, inimigos do povo e espiões. Uma porca na máquina está desaparafusada? É obra dos sabotadores da NATO/OTAN! Na sopa tem apenas ossos, em vez de carne? Os kurkuls/kulaks comeram a comida do povo! Alguém cagou nas suas botas? Estaline está certo, os inimigos estão em todos os lugares! O governo soviético, de todas as formas possíveis, implantava a ideia de “influência externa” para desviar as suspeitas da sua próprias falência e disfarçar os seus próprios erros, de modo que, mesmo em pensamentos, os cidadãos não duvidassem de sua legitimidade. A imagem do mundo externo como algo hostil e maligno se estendeu à vida quotidiana – as suas próprias falhas os cidadãos começaram justificar pelas “intrigas dos inimigos”.
Para não sermos soviéticos, temos que olhar no espelho e dizer a si mesmo que em tudo o que temos na vida – temos que repreender ou agradecer apenas a si mesmos.

10. Considerem o mundo em redor como a casa comum
É um mundo que temos. E não podemos obter um novo e diferente.

Fotos: GettyImages | Texto: Maxim Mirovich e Ucrânia em África