sexta-feira, março 04, 2016

A arte da guerra da Inga Avro

Em memória dos ciborgues que 242 dias defenderam o aeroporto de Donetsk
A pintora ucraniana, conhecida pelo seu nome artístico de Inga Avro, dedica a maioria dos seus quadros aos pára-quedistas ucranianos e aos moradores de Donetsk, que sofrem da ocupação terrorista. Como diz ela própria: “não gostaria que pensem que aqui todos são separatistas, aqui há muita gente que ama Ucrânia”.
"Ucrânia, feliz dia de Independência!"
Dedicado aos ciborgues. "Donetsk é Ucrânia!"
"O dia das Forças Armadas da Ucrânia"

Tendo em conta que Inga continua à viver em Donetsk, no território ocupado pelos terroristas e tendo em conta o tratamento que estes deram à um outro pintor ucraniano, Serhiy Zakharov (ler A liberdade de consciência terrorista), pouca coisa pode ser dita sobre a jovem, sem o receio mais que justificável de colocar em risco a sua segurança pessoal.
"Donetsk sob ocupação"
"Um Donetsk: dois mundos"
Inga Avro nasceu e vive em Donetsk, é estudante, pintura é o seu hobbie, ela não cursou as belas artes e considera à si própria como amadora. Apesar de tudo, apesar de perigo real de ser descoberta e perseguida pelos terroristas, a artista ucraniana não deixa a esperança de um dia ver a sua cidade libertada pelas forças ucranianas. Como diz ela própria: “Donetsk seguramente testemunhará a chegada do verão ucraniano”.
"Através dos séculos"
"O verão ucraniano"
"Em memória dos moradores locais mortos"
"A chegada do raio solar de esperança"

“Aeroporto” do Sergei Loiko. Capítulo VIII: Mishka – Professor

A guarnição ucraniana, cercada no aeroporto, suporta baixas pesadas. Blindados, enviados pelas forças armadas para evacuar os mortos e feridos, com muitas dificuldades rompem a barreira do fogo pesado dos separatistas, e das unidades regulares do exército russo, enviadas pelo Moscovo ao seu reforço.

Enquanto isso, dois pára-quedistas do grupo que defende o aeroporto, se voluntariam para recolher os restos mortais do membro da tripulação do blindado ucraniano, destruído e queimado, para embalá-los numa caixa e enviá-los à base, e de lá ao enterro em casa, quando e se aparecer o transporte, que eles chamam no seu jargão militar de “gaivota”.

@Sergei Loiko Todos os direitos reservados
Tradução portuguesa @Ucrânia em África

Ainda são muitos os tolos que ficam felizes com o canto bravo dos soldados.
Bulat Okudzhava «Oh, a guerra, ainda se arrastará durante anos»

18 de janeiro de 2015. Aeroporto de Krasnokamyanka
Quando estão descarregar tudo que é necessário, e tentam acomodar os feridos dentro do blindado ligeiro MTLB, Tritão e Professor correm pela pista de aterragem, saltando por cima de obstáculos e, instintivamente, se esquivando das balas – eles não posseum tantas vidas extra como num jogo de computador.
– Pare! É por aqui! – grita Professor, e eles congelam, agachados atrás do esqueleto carbonizado do blindado T-64, recuperando o fôlego.
– Lá está ele, o gajo do tanque! Como se estivesse vivo! – Professor aponta na direção dos escuros pedaços carbonizados de carne humana, dos quais se destaca um espesso osso amarelo quebrado.
Tritão coloca no chão a caixa de madeira dos RPG-26[1], a abre. Professor, usando as luvas de pano pega a coxa do homem do blindado, a atira na caixa. Eles fecham a caixa, pegam as laterais alças de ferro e em “um-dois-três” correm de volta.
A bala atravessa o antebraço esquerdo do Professor. Ele deixa cair a caixa sobre o concreto da pista, gemendo e praguejando.
Tritão rasteja até ele.
– Mishka, como estás? Onde é que levaste?
– Na esquerda! Ah-a-a-a-a! Car.lho! Teremos que mudas as mãos.
Mykhaylo se levanta. Eles, se agachando, pegam a caixa, e agora mudam dos lados, e correm novamente. A manga esquerda do Mikhaylo é preta de sangue. Ele, como um radiador perfurado deixa na pista de aterragem a pontilhada pegada molhada e escura.
Chegando ao carro, deixam cair a caixa. Mishka cai por perto, de face para cima. Respire alto, gemendo. Tritão se agacha sobre ele.
Deixe me ver.
Depois, Tritão! Amarre o gajo do tanque, ou vou morrer em vão!
Tritão procura por um quadro livre, movendo em direções diversas as mãos e os pés dos mortos, encontra com dificuldade, levanta a caixa com muito esforço e a amarra com o arrame preparado antecipadamente.
Agora, o homem do blindado voltará para casa, para junto à sua mãe, ou à esposa, ou à quem mais deverá ir um pedaço de perna de um soldado morto.
Professor se levanta para ajudar, e leva com a bala perdida no templo, diretamente abaixo do capacete. Está morto.
Mishka! Mishka! – grita Tritão, tentando um feitiço impossível.
Chama pelo Sergeich.
Sergeich vem correndo, tira o capacete, abana a cabeça. Mishka-Professor morreu, salvando a perna do homem morto do blindado.
Neste momento Stepan-Bander percebe que todos os feridos já não cabem no MTLB. Percebe também que este pode ser o último “gaivota” ao “continente”.
Ele conta os que ficaram de fora. Mais seis! O tiroteio em ambos os lados não cessa.
– Então, homens! Esta é a vossa última chance de ficarem vivos. Vão na blindagem! Se deitem ordenadamente. Sashko, traz do armazém os coletes prova de bala dos que morreram! Coloquem um colete adicional nas pernas, desde a cintura! Segurem bem o quadro! Vão, como se fosse num carro funerário. Retirem os mortos dos sacos, para ser melhor visível o que estamos à levar.
Os soldados, feridos e sãos, desamarram os sacos do quadro, puxam os mortos e os novamente amarram, de qualquer maneira, ao quadro e uns aos outros. Tritão chora, amarrando Mishka. Sangue quente escorrega pelo rosto do Mishka, pelos seus olhos abertos congelados, até aos braços do Tritão.
Tritão cai de joelhos, arranca o seu capacete, com a força o atira no betão, arranca a espingarda automática, dá um fortíssimo trombo no capacete, vira a cabeça para trás e grita, rasgando a voz:
– A guerra f.dida!!! Odeio!!! Odeio, car.lho! Odeio!!!!
Ele está histérico. Na guerra pode acontecer à qualquer um à qualquer momento. O ciborgue possui apenas uma vida, e não tem uma cabeça extra.
Sergeich, com uma mão abraça Tritão, que continua histérico, com outra coloca nele o capacete e traz lhe aos lábios o cantil com álcool, depois, ele próprio, faz um gole rápido e enxuga os seus olhos molhados com o dorso da mão.
Mecan está ao seu lado, bebe ansiosamente o café quente da caneca metálica. É a água da ração de emergência do Bander, para não adormecer no caminho de volta (água não chegou, ficou no blindado BMP queimado). A face está preta. Olhos – até é difícil dizer de que tipo. Não humanos.
Cossaco, me chama o quinquagésimo dos russos na frequência deles. Vamos negociar a trégua. Não há outra saída.
Bander quer falar diretamente com o comandante da brigada de pára-quedistas russos de Prstov que se entrincheirou no perímetro, ataca o transporte e apoia com fogo os ataques esporádicos dos separatistas e chechenos.
Poucos minutos depois, o vice-comandante, um rapaz robusto com um topete e nome da guerra Cossaco, informa que não há ligação.
– Então... Entendi, já mudaram a frequência ... Aybolit, pare de disparar, dispa o casaco. Vamos fazer a ambulância.
Nas costas do casaco do doutor Sergeich está desenhado um grande circulo branco com uma cruz vermelha no meio. Bander corta o casaco do Sergeich, o amara com a fita-cola amarela (amigo–inimigo) ao torto, mas longo pedaço do caixilho de ferro da janela. Não é uma haste? Mete toda essa obra num buraco na torre de metralhadora. Um dos feridos, que está deitado na blindagem, terá que a segurar...
Todos conseguiram se acomodar. Os vivos, deitados na blindagem, se fingem serem mortos, entre os cadáveres de verdade.
A última instrução dada ao condutor-mecânico Semenych.
– Olhe, Semenych, sem nenhuns empurrões. Flutuas lentamente, na primeira velocidade. O dia já está claro. Eles devem conseguir ver o tipo de viatura que temos, isso é, se não repararem na bandeira. Se dás um salto, vão vós queimar! E à ti, juntamente com todos! Me percebeste, herói?
– Entendi. De trote leve, como se for numa parada.
Mecan desaparece na escotilha. A viatura dá um salto inicial, de modo que alguns dos feridos quase voam ao chão. Os restantes acompanham com olhares a maquina mais incrível que viram até agora.
O blindado MTLB, carregado com armadura movediça dos vivos e dos mortos, lentamente rasteja na direção de nevoeiro que desaparece rapidamente.
Em que pensa cada um dos feridos na blindagem, agarrados ao metal frio da máquina ou à carne fria de mortos? Assusta só de imaginar o que eles têm na sua mente, que orações sussurram os lábios.
O nevoeiro se dissipa completamente quando eles saem por detrás da segunda manga do embarque à pista de aterragem. A bandeira com a cruz vermelha está segurada do lado correto. O tiroteio cessa.
– Vigésimo, vigésimo! Que car.lho se passa? Por que o objeto não foi trabalhado? Me informaram do movimento! – O coronel Sivko, comandante da brigada aerotransportada de assalto de Prstov, nascido na cidade ucraniana de Kherson, chama o comandante do batalhão.
– Camarada quinquagésimo, veja você mesmo. O objeto já está na zona da vossa visibilidade. Eles ainda têm uns quinhentos metros para andar. Aguardo pela ordem, – viola o estatuto militar o comandante do batalhão, major Ikonnikov. A ordem foi lhe dada há muito. Uma ordem bastante clara. Alvejar tudo o que se move ou não, pela pista, na direção ao aeroporto e de volta.
O coronel sobe ao parapeito do posto de controlo, leva os binóculos ao observador, ajusta a nitidez, baixa os binóculos:
– Mas que f.da?
Nunca antes tinha encontrado o equipamento militar deste tipo.
– Vigésimo, vigésimo! Não trabalhar o alvo. Um ou dois tiros de advertência ao ar, para que saibam que estamos aqui. Executar! – Sivko baixa o rádio, sai fora, entra no “GAS-2330-Tigre” e diz ao motorista apenas três palavras: – Para a cidade, car.lho!
Enquanto o carro salta nos buracos da linha de frente, levantando as ondas de lama e rosnando, o coronel tira do bolso do assento à sua frente o cantil precioso e sem pestanejar, faz um par de goles.
A guerra f.dida. Maldita seja! Odeio!
* * *
Nikolai Sivko, herói da Rússia, não gostava da guerra. Aos seus 45 anos ele deixou atrás das costas várias guerras, uma pior e mais maldita que outra. Sem nenhum outro trabalho na manga, ele fazia este, de forma absolutamente profissional. Mas essa guerra, como aqui, ele não poderia imaginar. Sim, a artilharia trabalhava como sempre, os soldados e oficiais executavam as suas ordens, se entrincheiravam, saiam aos reconhecimentos, atacavam, matavam, morriam. E um copo de vodca, numa tenda húmida à noite, habitualmente não entrava na garganta. Mas aqui, nesta guerra má (o epíteto mais suave nas conversas de todos os oficiais que ele conhecia), tudo foi diferente, desde o início.
* * *
Numa tarde quente de julho, nos arredores de Saur-Mohyla, onde os pára-quedistas ucranianos, pelo quarto dia consecutivo conduziam os combates prolongados de infantaria, mal retendo as forças superiores das tropas russas que de repente cruzaram a fronteira, o coronel Savinykh, o comandante da brigada aerotransportada de assalto das Forças Armadas da Ucrânia se preparava para enviar um grupo das forças especiais, para encontrar e recolher à base um ferido e um morto – os seus homens, batedores que caíram naquela manha numa emboscada. Esperava quando artilharia russa cessar o seu trabalho. Eles, já por uma hora alvejavam a sua posição, directamente do território russo. Na sua maioria, sistemas “Grad” e canhões de longo alcance de 152 mm. Foi estritamente proibido responder à artilharia russa.
Você o que, Savinykh, ficou f.dido?! Assim será uma guerra! Guerra, f.da, não é c.ralho canino! Você entende isso, coronel, com a sua cabeça idiota? – gritava ao telefone, o general, de modo que a poeira caia do teto cimentado da blindagem. – Estamos na Operação Antiterrorista, Savinykh! Entende, OAT, que se f.da a sua mãezinha! Repito pela última vez, especialmente, para os mais inventivos, car.lho! OAT f.dida! E mais nada, car.lho! Como me percebeu, coronel?
O coronel percebeu que desta maneira da sua brigada ficará apenas um lugar vazio. Mas tinha que combater, OAT, ou p.ta que a pariu.
Assim que artilharia russa cessou o trabalho, tocou o seu telefone celular.
“Esposa! Consegui a ligação. Mas que gaja teimosa ...”

Ola, Sasha. Como estas? – a “gaja teimosa” falou com uma voz rouca, algo familiar, masculina, definitivamente de um fumador.
Quem é?
Não chore, não se preocupe! As lágrimas não verte em vão! Melhor me beija, quando voltarmos dos treinos... – uma voz baixa cantou em resposta um verso memorável da canção do seu pelotão de formação na escola militar de Ryazan.
Estou, sim! Quem é? Quem é você? – A voz do Sasha de repente cedeu.
Sasha, car.lho, é Kolyan, o teu irmão das armas! Esqueceste como nós, em Ryazan, fazíamos cenas na escola preparatória? Como no f.dido túnel de Salang, morríamos sufocados, cuspíamos sangue, car.lho, como você me tirou de lá? Sasha, sou eu, Kolya!
Kolka! Kolyan! Vivo! Como você está? Cem anos, car.lho! Como você me encontrou? P.rra, não posso acreditar! Kolya – irmão! Onde você está?
Sasha, me ouça atentamente agora. Eu estou aqui, Sasha, aqui. Na sua frente. Tenho os seus, morto e ferido! Temos que falar. A destruída estação de água, na zona neutra. Dezasseis zero-zero. Sozinho. Desarmado. Fim de emissão.
Sasha passou estas três horas, sentado, congelado, sem se levantar, sem dando as ordens. Na cabeça lhe passou toda a sua vida. Sabe-se lá porque, especialmente se lembrava como corriam, numa companhia inteira pela picada florestal de areia branca, perto de Konstantinovo, pátria do Yesenin; como se atiravam de cabeça da margem íngreme, se despindo e descalçando, jogando fora as botas, calças, matando toda a vida em seu redor com o fortíssimo fedor dos panos que substituíam as meias, as armas mais letais de destruição em massa no mundo. Como saltavam aos gritos, risos e palavrões ao rio fresco, absolutamente azul... Como todos nadavam juntos, mas logo voltaram atrás, e apenas Kolyan nadou até a outra margem e se deitou exausto, sobre a areia quente...

E agora eles novamente, são divididos por um rio. Só que agora não é Oka absolutamente azul, mas o rio da morte, onde estão eles nas suas margens... Um contra outro.

Continua...
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[1]     RPG – granada reativa anti-tanque.

quinta-feira, março 03, 2016

Nadiya Savchenko: vocês não me quebrarão!

No dia 2 de março de 2016 acusação russa pediu 23 anos de cadeia comum e uma multa de 100.000 rublos (1.358 USD) para a Nadia Savchenko, piloto militar das Forças Armadas da Ucrânia, raptada pelos separatistas no território ucraniano no verão de 2014 e levada ilegalmente ao julgamento na Rússia.

Acusação russa acusa Nadiya de “auxilio no assassinato” dos dois jornalistas russos que entraram ilegalmente na Ucrânia, misturaram-se, sem nenhuma identificação, com um bando de terroristas russos e separatistas locais, e morreram durante os bombardeamentos.

Os advogados da Nadiya, Mark Feygin e Ilya Novikov (que em 6 meses aprendeu ucraniano para poder falar livremente com Nadiya!), provaram, durante o julgamento que no momento da morte dos jornalistas russos Nadiya já estava, durante algumas horas, em cativeiro terrorista e não podia ser a corretora do fogo dos morteiros do seu batalhão “Aydar”. Além disso, a sua geolocalização real (comprovada pelo telefone celular) não estava compatível com a localização em que ela poderia vislumbrar os terroristas, que acabaram por serem atingidos pelo fogo dos morteiros.
O advogado da Nadiya, Ilya Novikov
Na sua última palavra dirigida ao tribunal, Nadiya foi firme, acusando a imprensa incendiária russa na morte dos seus trabalhadores, mandados ilegalmente à Ucrânia sem nenhuma proteção, apenas para conseguir as informações falsas que fomentavam o ódio desmesurado contra Ucrânia e contra os ucranianos. A oficial ucraniana falou em russo, “para poupar o dinheiro”, como explicou ela, pois o pagamento dos serviços de tradução, afinal é debitado à sua conta...

Neste tribunal ficou comprovado que a imprensa russa é culpada das mentiras sobre acontecimentos na Ucrânia e no mundo, e mesmo na Rússia... Os canais de televisão russos são culpados de enviarem as pessoas, pelas imagens coloridas, pela informação falsa, até à morte...

Foi provada a culpa dos militares russos – eles são culpados pela ocupação. Foi apresentada uma abundância de evidências de como os cidadãos russos, como Egor Russky [cidadão russo que interrogou Nadiya pela primeira vez], participou nos assassinatos e torturas. Foi provada a culpa do FSB e do Comité de Investigação. FSB sequestra as pessoas, como é o caso do [cineasta Oleg] Sentsov. Prova disso são delirantes e fabricados os 40 volumes do meu caso.

Neste tribunal foi provada a culpa das autoridades russas. Elas são culpadas em anexação dos territórios da Ucrânia e em guerra no Donbas. Eles se metem em todos os lugares e com o genocídio matam as populações na Chechénia, na Abecásia. Em todos os lugares os interesses estatais russos prevalecem sobre os interesses e sobre as vidas da população local...

Neste tribunal apenas não foi comprovada a minha culpa. Eu sou oficial das Forças Armadas da Ucrânia e tinha todo o direito de defender a minha terra. Eu cumpri o meu dever...
Nadiya Savchenko em 2016
Vocês não têm nenhum direito de me julgar. Falando sobre a minha elevada auto-estima... Quanto mais encontro as criaturas efeminados como o promotor  (procurador) Yunoshev e investigador Manshin, mais cresce a minha auto-estima, como mulher, como soldado e como a pessoa... Nestes dois anos fiquei convencida que nem as leis, nem a consciência têm estas pessoas (do Comité de Investigação). Eles possuem apenas a ordem do Kremlin, e eles o fazem cumprir...

Se o tribunal levará mais de duas semanas para decidir sobre a condenação, eu opto pela uma greve de fome seca à partir de amanhã e vocês vão me condenar após a minha morte, já sem mim.

Eu não acho necessário esperar pela qualquer troca [de presos]. Se vocês querem resolver o caso politicamente e levar os seus dois [militares] do GRU culpados por uma pessoa inocente, isso é demais. Deveriam trocar Sentsov e Kolchenko pelos [militares] do GRU. Eu não sou objeto de troca, sou pessoa inocente, a minha culpa não foi provada e nem pode ser provada. Portanto, nenhuma troca, não há comércio e nem há perca do tempo, eu não vou esperar.

Vocês já provaram como a Rússia pode ficar desonrada no exemplo de uma só pessoa. Vocês não me quebraram e nunca irão à quebrar...

Se passar de duas semanas, eu não vou esperar pelo veredicto (escutado pela Olga Len), ouvir o discurso da Nadia na totalidade no YouTube:


Bónus de boas leituras

“O vermelho sangrento Putin e outros contos zumbie” da autoria G. K. Murphy por apenas 1 dólar na edição Kindle!
“Blood Red Putin and Other Zombie Tales” (O  vermelho sangrento Putin e outros contos zumbi) é uma divertida viagem através da mente de autor dos contos de terror G. K. Murphy. Esta coleção vai gelar, divertir, assustar e surpreender, na medida igual, qualquer viciado em estórias do horror, de modo à espreitar por detrás da cortina de ferro e assistir a doença.

terça-feira, março 01, 2016

Shyrokyne: uma vila ucraniana após a visita do “mundo russo”

No último dia 26 de fevereiro, a vila balnear de Shyrokyne, situada no mar Azov, passou definitivamente ao controlo da Ucrânia. Em fevereiro – julho de 2015 a localidade foi o palco de intensos combates entre as forças ucranianas e os terroristas russos, em resultado, entre 60 à 80% das moradias locais ficaram no estado irreparável.
"Os russos não se rendem...", escreveram estes antes da sua fuga
O monumento ao militar soviético falecido em 1943, destruído pelos terroristas russos
e viatura em que morreu o voluntário do regimento "Azov", com nom de guerre "Akela"
A fotografa e voluntária ucraniana, Olena Bilozerska, visitou a localidade e fotografou o estado apocalíptico em que ficou a vila após a visita casual do “mundo russo”.
É tudo que restou de uma viatura...
A aldeia de Pusky [ponto de resistência ucraniana nos arredores de Donetsk] não ficou menos destruída, mas em Pusky vivem as pessoas. Aqui não há nenhuma viva alma, nem mesmo os gatos e cães, apenas cantam os passarinhos.
A escola local, usada como a base dos terroristas russos
O impacto do morteiro de 150 mm
Do asfalto brotam os traseiros das minas de 80 mm e 120 mm, há minas surpresas, não em cada casa, mas são bastantes. As blindagens e as trincheiras reforçadas, deixados pelo inimigo terrorista. Cheira o mar e cheira a guerra.
"Pare, está minado", o cachorrinho entende ucraniano
O cão que roubou a carne e foi perdoado
Numa extremidade da vila, onde estão aquartelados os militares ucranianos, aparecem as mantilhas dos cães vadios. Roubaram 10 kg de carne, mas foram perdoados.
"Se vendem os terrenos, do tamanho de 5x9 metros"
Nesta viatura, usada para o combate, também morreram os voluntários ucranianos...
Ao longo da praia morta estão os empreendimentos turísticos destruídos. As casas nada pobres dos moradores locais – apartamentos e as garagens. Eram. Hoje nem são ruínas, são montes do lixo de construção civil. Diversos brinquedos de crianças, inteiros e partidos, as loiças espalhadas, os livros nos charcos de chuva.   
O militar ucraniano que apanha o armamento espalhado pelos terroristas achou um espelho inteiro
"Morte ao/do (?) "yankee", delírio terrorista no profundo leste ucraniano...
As conservas fabricadas na Rússia...

A saída ao mar é arriscada, a arreia está cheia dos obuses “falhados” que não explodiram. Mesmo assim, arreia é marcada pelas pisadas humanas, as pessoas vagueiam por ai, à procura do algo que pode ser usado como lenha.
Rua da Paz Nr. 15
Rua da Paz Nr. 11
Um piano caro numa casa morta sem mobílias, toquei nele a marcha fúnebre. A destruída loja de roupa. Algumas saías até agora ficam penduradas nos cabides. Numa parede ao lado está escrito com as letras maiúsculas “novorossia”. Num dos murros, quando estavam escrever a palavra “c@ralho” fizeram logo cinco erros e saiu “dnr” ;-)  
Gente, não se deve esquecer, os pensamentos são materiais. Nunca mais implorem pela chegada do “mundo russo”, pois este é assim mesmo, bastante infernal.