O chefe da unidade dos
batedores da 81ª brigada das FAU, “ciborgue № 1”, Andriy Hrechanov “Rakhman” foi
libertado do cativeiro terrorista. Major Hrechanov participou na defesa do
Aeroporto de Donetsk (DAP) e saiu de lá um dos últimos, com múltiplos ferimentos.
Em dezembro de 2014 ele foi condecorado com a ordem militar “Bohdan Khmelnitsky”
do 3º grau.
No entanto, em 30 de
julho de 2015, caiu no cativeiro terrorista, foi torturado e libertado exatamente 4 meses depois, na
troca pelo militar russo, major Starkov, capturado na Ucrânia em 2015.
Depois da saída do
Aeroporto (DAP), “Rakhman” contou os pormenores dos últimos dias dos heróis
ucranianos que defendiam DAP, mesmo quando já não havia quase nada para
defender...
Andriy Hrechaniy é natural
da região de Dnipropetrovsk, foi graduado na escola militar, serviu no exército
e em 2009 passou à reforma com a patente do major. Quando começou a guerra
russo-ucraniana, foi voluntário, chamado aos vários batalhões voluntários escolheu
o exército regular, pois como disse: “amo exército nas coisas boas e nas coisas
más”.
Nas FAU foi lhe
oferecido o posto do comandante da companhia na 74ª Brigada, depois surgiu o posto superior e
assim ele se transferiu para a 81ª brigada, onde tinha amigos, incluindo o
comandante.
Sendo militar profissional,
estava moralmente preparado para a guerra, sabia o que lá o esperava, mas ficou
surpreendido com os jovens: na vida civil seriam uns adolescentes brincalhões,
mas revelaram-se os verdadeiros guerreiros.
Não esperava no
aeroporto a baixeza do inimigo, principalmente durante a evacuação de mortos e feridos.
Os ucranianos concediam aos terroristas os corredores e a possibilidade de
levar as suas baixas e estes não davam a mesma oportunidade aos ucranianos.
Eles não só não deixavam passar as viaturas ucranianas mas ainda destruíam as
que eram paradas e inoperacionais. Pelo princípio da raiva, havia, por exemplo um
blindado ucraniano já sem lagartas, todo quebrado, sem a tripulação, e eles
mesmo assim o continuavam à alvejar.
No total, no aeroporto,
major Andriy Hrechaniy passou 30 ou 31 dias.
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| "Rakhman" após a saída do DAP |
Pela 3ª vez veio ao DAP
com dois oficiais, no dia 15 de janeiro de 2015, eles ocuparam o edifício dos
bombeiros. “Rakhman” foi até o terminal, quando os ciborgues já defendiam
apenas a metade da ala nortenha. No primeiro piso decorria a batalha que
começou na madrugada e terminou às 2 ou às 3 de manha do dia seguinte, ou seja,
durou quase 24 horas. Os ucranianos estavam aos grupos de 2-3 e 4 pessoas, cada
um tinha o nome de código: “silêncio”, “portinhola”, “positivo”.
No dia 16 de janeiro até
o posto “portinhola” veio um soldado que informou que no fundo da sala ficou
apenas um combatente ucraniano. Major “Rakhman” foi com ele, levando as
granadas para o RPG. Disse ao soldado que mantinha o posto que deveriam sair,
pois seriam facilmente alvejados do 2º piso. Os separatistas avançavam de todas
as direções usando o fogo cerradíssimo dos RPG. Mas conseguiram sair.
No dia 17 de janeiro os
ucranianos ensaiaram a retirada em combate. No dia 19 os separatistas, pela
primeira vez, usaram os explosivos para demolir o edifício, com os ciborgues lá
dentro. A explosão foi fortíssima, mesmo assim os ucranianos, semi-abalados
montaram a defesa circular. A segunda explosão originou um terror: os ciborgues
foram soterrados, caíram na cave. “Rakhman” teve a contusão, ficou abalado,
esperava que os separatistas avançarão ou acabarão com eles lançando as
granadas. Estava semienterrado, imóvel, mas tinha à mão duas espingardas, sua e
de um companheiro, ainda pensou que mesmo assim conseguiria abrir o fogo.
O seu amigo, Ihor Bulya
desenterrou “Rakhman”, e muitos outros, dos escombros. Do aeroporto não ficou
quase nada, mesmo assim os ciborgues ficaram lá até as últimas.
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| Ciborgue Andriy "Sever" |
No dia 20 de janeiro com
o batedor Zenyk, eles conseguiram alcançar as posições ucranianas na aldeia de
Pisky. O pessoal do DUK “Setor da Direita” lhes deu a viatura e o seu pessoal e
major voltou ao DAP! Mas não conseguiu lá chegar devido aos fortíssimos
bombardeamentos terroristas. Estabeleceram a comunicação com militar Andriy “Sever”,
este tentava fazer-lhe os sinais com a lanterna, mas não o conseguiam ver. Os terroristas
abriram fogo com as metralhadoras pesadas. Depois queimaram uma viatura
ucraniana, era muito dificil de se orientar, mas conseguiram e chegaram até o
edifício dos bombeiros, de lá foram até a torre de controlo. Eram 10 ciborgues no total. Montaram a defesa, eram alvejados pelos
blindados e morteiros, “Rakhman”, ainda nas vésperas, tive um estilhaço no olho
e a mão ferida. As viaturas ucranianas já não conseguiam à passar, os
terroristas as queimavam. Então as forças ucranianas abriram o fogo protetor com
os morteiros e todos os 10 ciborgues foram à pé até a estação meteorológica. Major era único ferido, mas conseguia caminhar. Na estação já os esperavam os reforços.
Quando fica sozinho,
tenta não pensar sobre aqueles acontecimentos. Era muito difícil moralmente,
quando os terroristas lançavam os fumos, o gás. O cansaço era tremendo, as
pernas não obedeciam, apenas a vontade dizia: deves disparar!!!
O mais difícil são as
perdas. No DAP não se podiam usar as lanternas, nem telefones. Andando na
escuridão total, tocas algo, perguntas: “Irmão, estas à dormir?” Percebes que
ele adormeceu para sempre. Está num saco-cama, simplesmente foi lá encostado.
Pedes desculpa e continuas à caminhar. Era penoso carregar os camaradas mortos
aos blindados. Por vezes, eles serviam de escudos aos vivos que não cabiam
dentro. Os irmãos, mesmo mortos, eles ajudavam assim. Que nós perdoam por isso.
Logo depois do DAP,
major Andriy Hrechaniy sabia que iria voltar à guerra. Embora queria se casar
com Tatiana, a jovem que o esperava, como eles diz: “é a melhor parte da minha
vida agora”.
Recordamos, em 19 de
novembro de 2015 no cativeiro terrorista permanecem no mínimo 148 ucranianos.
RIP Volodymyr Rybak
No dia 30 de novembro
de 1971 nasceu Volodymyr Rybak, em 2015 ele completaria 44 anos. O deputado
municipal, ex-polícia, ele sobreviveu Maydan, dizendo aos amigos: “se sobrevivi
estes dias, vou viver durante muito tempo...” Viveu apenas dois meses, foi sequestrado
pelos russo-terroristas na cidade de Horlivka no dia 17 de abril de 2014 após a
manifestação pró-ucraniana “Pela Ucrânia Unida”. Nunca mais foi visto com a vida...
O SBU possui os dados que permitem apontar como os
mandantes e executantes da morte do Volodymyr Rybak dois cidadãos russos: os
líderes terroristas Igor Bezler (alcunha “Bes”, Demónio) e Igor Girkin “Strelkov”.