Em 1941, após o início
da guerra alemã-soviética, Estaline decretou a tática daterra queimada, que
consistia na destruição de toda e qualquer coisa que poderia ser útil aos nazis
enquanto estes avançavam na direção de Moscovo.
Em novembro de 1941 as
temperaturas baixaram até –22ºC, o general Heinz Guderian escrevia no seu
diário sobre combustível que congelava no interior dos blindados. Em dezembro, as
temperaturas baixaram mais. Assim, o “general Geada” e os grupos de caçadores
ajudavam a salvar o Moscovo.
Um dos seus alvos eram as
casas e estábulos,
onde viviam os camponeses russos. Muitas das vezes, as moradias eram
requisitadas, totalmente ou parcialmente, pelos oficiais alemães, e os
camponeses se mudavam aos estábulos. Em resultado do fogo posto, as mulheres
com os filhos pequenos e idosos ficavam aos braços com as queimadas, pois não tinham
nenhum lugar alternativo para viver. Era a verdade brutal da guerra.
A cópia da carta (na
imagem), da 8ª Divisão de infantaria da guarda do exército vermelho (RKKA),
datada de 8/12/1941, é endereçada ao Conselho Militar do 16º Exército do RKKA
da conta do seguinte:
Foram criados os
grupos dos caçadores de incineração das localidades.
Os grupos, seguindo
(a tática) de incêndio simples, usando a mistura incendiária queimaram as
seguintes localidades: 57 no total, mencionando que algumas foram queimadas parcialmente
(à lápis foi acrescentada a percentagem real da queima de algumas vilas e
aldeias).
O trabalho de
incineração prossegue.
A carta, em 3
exemplares, foi assinada pelo comandante, pelo comissário político e pelo chefe
do estado-maior da 8ª Divisão (fonte).
Blogueiro: em 1953, ou seja apenas 12 anos após estes
acontecimentos, os sobreviventes desta carnificina soviética, vão chorar, na
sua maioria, de forma totalmente honesta, após souberem da morte daquele que
ordenou a destruição das suas casas, Estaline...
Mais, 74 anos depois,
no território ocupado da Ucrânia, podemos ver os modernos “caçadores”
adolescentes, armados pelos descendentes daqueles que asseguravam as incinerações
das localidades no passado. Caso a menina de apenas 9 anos (!) na foto for morta, não importa por
quem, quando e como, pode-se prever a histeria massificada da imprensa
russo-terrorista que irá condenar “os crimes da junta sangrenta”. Poucos irão perguntar
como e porque, em primeiro ligar, essa criança recebeu uma arma, como se tornou o símbolo dos separatistas, usada na sua propaganda, disseminando ódio cego contra Ucrânia e os ucranianos...
Na capital polaca, Varsóvia, abriu-se a exposição de retratos dos militares ucranianos feridos no leste do
país. As fotografias foram feitas na Cirurgia do Hospital Militar Clínico de
Kyiv.
Todas as fotos possuem o
código QR que se for scanado, permite, usando fones e gravador MP3, ouvir a
história dos militares ucranianos feridos. A exposição em Varsóvia se situa ao lado da
embaixada do Canadá, informa Rádio Polónia.
O autor das fotos, fotógrafo
ucraniano Taras Polataiko,
conta que começou o seu projeto apenas como um meio para angariar os fundos
para ajudar aos militares feridos no decorrer da Operação Anti-terrorista
(OAT). Decidiu focar-se apenas nas faces dos combatentes, sem mostrar os seus
ferimentos, para evitar quaisquer possíveis especulações. Fotografava os na posição
real, deitados na cama, gravava aquilo que eles contavam... Olhando aos olhos
de jovens, sem pernas, é impossível tentar-lhes vasculhar a alma, por isso começava
com a questão simples: “O que hoje é o mais necessário na zona de OAT. O que
vós mais faz a falta?”
Um dos rapazes
respondeu com a cólera: “Devolves me os meus rapazes, ai falaremos!” Quando
fotógrafo explicou que quer ajudar ao OAT, praticamente todos concordaram: “Então,
vamos. Se é para OAT, vamos!” Assim nascia a confiança e os próximos contatos
eram mais fáceis.
No hospital estavam os voluntários, mobilizados e militares profissionais, desde 20 à 60 anos, os últimos eram os veteranos soviéticos de Afeganistão que foram para a guerra diretamente da Maydan. O artista fotografava todos, sem escolher a região que representavam ou a língua que
falavam, deixando o som direto, para preservar a atmosfera do hospital. Todos
eram iguais à si próprios naquele mesmo dia, eram 11 pessoas, sem nenhum
simbolismo no número.
Oleh
«Recordo mais é do Oleh,
cuja perna foi fraturada em cinco lugares. Não se sabe se ele conseguirá andar,
mas Oleh disse que uma vez curado voltará à linha da frente», - conta Taras
Polataiko.
Serhiy aka "Dinamite"
A exposição já foi
demonstrada em Toronto, Nova Iorque, Calgary, Otava, Odessa, Lviv. Chernivtsi,
Ivano-Frankivsk e Varsóvia. A ação irá durar até a vitória final da Ucrânia.
Taras Polataikonasceu
na Ucrânia em 1966 e desde 1989 vive e trabalha entre Canadá e Nova Iorque. Em 2002
representou Ucrânia no bienal de São Paulo. Participou no bienal de Coreia do
Sul (2009), Tel Aviv (2011) e Alberta Biеnnіal (Canadá, 2013).
As suas obras foram
exibidas na Bazel Art Fair (Suíça), Priska Juschka Fine Art (Nova Iorque), Fundació
Antoni Tàpies (Barcelona), The Power Plant (Toronto), nas galerias de Varsóvia,
Kyiv, Sidney, nos festivais de cinema «Images» (Toronto), Artspeak (Vancouver) e
Barbara Edwards Contemporary (Toronto). As obras do artista fazem parte das
coleções Priska Juschka Fine Art (Nova Iorque), Barbara Edwards Contemporary (Toronto)
e Douglas Udell Gallery (Edmonton).
"Em breve, muito em breve...."
A propaganda do Daesh, 2015
Em
termos da realização prática da sua ideologia, quer bolcheviques, quer Daesh
são idênticos, pois se baseiam nos dogmas disfuncionais. A URSS sobrevivia,
comprando as fábricas e roubando as tecnologias ocidentais (não militares),
explorando as suas próprias populações e recursos naturais. Daesh não produz
nada, usando as armas ocidentais capturados e AK produzidas na União Soviética.
Os
seus métodos são praticamente idênticos. Daesh usa jihad, os bolcheviques
usavam o terror vermelho,
decretado em 5 de setembro de 1918 pelo Conselho dos Comissários do Povo: “Sobre
o Terror Vermelho”. Daesh usa fiqh,
os bolcheviques – comunismo
de guerra. Diversos nomes, mesmo sentido.
Daesh
mata os “infiéis” ou os obriga à pagar jizya. Os bolcheviques matavam
os inimigos da classe: nobres, proprietários de terras, padres, policiais,
intelectuais, industriais, kulaks, cossacos, prostitutas e outros, nacionalizando
as suas posses. Karl Marx escreveu que o meio para “reduzir, simplificar e
concentrar a agonia dos assassinos da antiga sociedade e as dores do parto
sangrentas da nova, existe apenas um meio — o terrorismo revolucionário” (em “A
Vitória da Contra-revolução em Viena”, publicado em “Neue Rheinische Zeitung”, №
136, de 7 de novembro de 1848). Já o Jihadi John resume todo o programa no seu
nome.
Os
bolcheviques não escondiam, absolutamente, os seus planos e objetivos, eles exibiam
o terror, o incluíram na sua doutrina, o chamavam de coisa necessária, útil e
certa. Da mesma forma procede o Daesh, interpretando os versos do Alcorão sobre
a jihad, como uma especial maneira terrorista de chegar à um futuro (após a
morte) brilhante. Os bolcheviques criavam os gigantescos campos de
concentração, o Daesh possui diversas cadeias. Os bolcheviques consumiam o «cocktail
das trincheiras» (cocaína misturada com vodka), os militantes do Daesh, parece
que usam as anfetaminas.
Daesh
dinamitou o templo de Bel em Palmira, os bolcheviques dinamitaram e destruíram
milhares de igrejas. Daesh afogou algumas pessoas, filmando o processo em Full HD,
os bolcheviques afogavam as pessoas às centenas.
Templo cristão ortodoxo destruído pelos bolcheviques em Kyiv
Os
bolcheviques usavam os militares czaristas, no Daesh combatem os generais do
Saddam Hussein. Daesh toma os reféns, os bolcheviques tomavam os reféns aos
milhares, seguindo as dicas do Lenine:
“Eu
proponho não tomar os “reféns”, mas os nomear individualmente por cada província.
O propósito da nomeação – exatamente os ricos, pois eles são responsáveis pela
indemnização, respondem com a vida pela coleia imediata e entrega dos
excedentes de trigo em cada província” (As obras completas do Lenine, volume 18
(1931), pp. 145—146, citação D. Volkogonov, Le Vrailenine, Paris, R, Laffont,
1995: 248).
Alguma liderança militar do Daesh, de origem baathista, porventura estudou na URSS...
Os
camponeses na URSS não podiam mudar da residência sem uma permissão especial,
eles simplesmente não possuíam os documentos de identificação até a década de
1960, em alguns casos até 1974. Daesh também confisca os documentos e
passaportes dos cidadãos e lhes permite a viajar apenas munidos dos “guias de
marcha” espaciais. Daesh
queimou vivo um piloto jordano, os bolcheviques amarravam os oficiais monárquicos
às tábuas e os queimavam nos fornos. Daesh corta as gargantas aos cristãos; os
bolcheviques afogaram o bispo ortodoxo Teofan (Ilmienski)
na água gelada no inverno de 1918; fuzilaram dezenas de bispos, milhares de padres
e centenas de milhares de crentes.
Os
bolcheviques justificavam o terror vermelho com as lutas contra o terror branco
e contra a contra-revolução, o jihad é justificado pela intervenção ocidental
na vida dos países islâmicos.
Semanário do CheKa, 1ª edição, 22 de setembro de 1918
Daesh
criou Al Hayat Media Center que filma as torturas e execuções; o chefe da CheKa,
Dzerzhinski criou “Semanário do CheKa” (saíram 6 edições) e a revista “Terror
Vermelho” (em novembro de 1918 saiu a sua 1ª e única edição). Na sua 4ª edição o
semanário publicou a carta do chefe do CheKa da província Vyatka, intitulada “Por
que vocês são sentimentais?”, na qual este exigia o endurecimento do terror
vermelho. A carta foi debatida na reunião do Comité Central do PCUS (b) em
outubro de 1918 e considerada “errada”. Em resultado, o Conselho dos
Comissários Populares decidiu suspender definitivamente a publicação dos mujahideenschekistas.
Os
documentos atribuem ao terror vermelho de 1918-1922 cerca 50.000 vítimas, mas
uma parte das pessoas foi exterminada pelos bolcheviques sem nenhuma fixação
documental. Por exemplo, a morte de mulheres “burguesas”, em consequência das violações
brutais no decorrer das suas detenções eram registadas como “mortes naturais”.
Daesh
vs bolcheviques
Temos
que reconhecer, Daesh é um mero aprendiz (pelo menos para já), na escala, no
envolvimento, nas relações públicas, no derramamento de sangue, na engenhosidade
e na insanidade de aniquilação de pessoas, em comparação com o PCUS (b). Em
comparação com Lenine, Dzerzhinsky, Estaline, Petrovski, Khrushchev, Kamenev,
Zinoviev, Trotsky e outros, as figuras como Jihadi John, Abu Bakr
al-Baghdadi, Abu Zubair al-Rusi ou Abu Turab Al Mugaddasi são uns miúdos brincalhões,
embora as suas ações não se tornam menos sangrentos por causa disso.
NascidosnoDaeshsoviético
Diversas
pessoas consideram a vida no Daesh soviético (isso, é, na URSS) era normal por um único motivo,
na sua juventude e maturidade, os bolcheviques já não matavam as pessoas em
público e os milhões não morriam, secretamente, no GULAG. Mas isso não é uma razão
para considerar a União Soviética como um estado normal. Mesmo porque a URSS não
revogou a sua ideologia genocidária e expansionista pelo menos até 1985,
reprimindo qualquer resistência com a mesma brutalidade bolchevique. As execuções
e prisões em massa foram substituídas pelas cadeias e psiquiatria punitiva, mas
nos momentos em que a URSS recorria aos métodos antigos, no Afeganistão ardiam
as aldeias, juntamente com os seus habitantes.
Temos
que reconhecer honestamente, em diversas cidades (do espaço pós soviético) temos
até hoje os monumentos do al-Baghdadi e as ruas chamadas Jihadi John. Simplesmente
nós acostumamos à isso. E uns ainda os consideram heróis, não devemos ficar surpreendidos,
eles ou foram educados no Daesh vermelho ou foram criados pelos seus fãs.
E
se olhando à promoção da carnificina sangrenta do Daesh você sente a
necessidade urgente de delegar à alguém o direito sagrado de o bombardear preventivamente
(dentro ou fora da coligação internacional), primeiro deveria derrubar o
monumento ao Jihadi John na sua cidade. E, certamente, deve parar de repetir
que a “causa do al-Baghdadi está viva”, assim como parar de dizer que “al-Baghdadi
viveu, vive e viverá enquanto estão vivos os seus fiéis e seguidores do seu
caminho”. Caso contrário, alguém irá bombardear a porra da sua fábrica metalúrgica
“Jihad Vermelho” ou o seu kolkhoze “Lenin al-Rusi”; a sua rua dos “26 mujahideens da Raqqa” ou avenida “Quinqiénio da tomada do Mosul” poderão ser atingidos
por algum míssil de cruzeiro.
Um jovem pertencente ao Daesh em execução do refém
Concluímos
este texto com a canção da adaptação cinematográfica do romance juvenil comunista “Os
diabos vermelhos”. O livro, já agora, conta a história das tradições gloriosas
do uso de crianças e adolescentes para as necessidades dos regimes terroristas
totalitários.
Há
balas no revólver, se deve conseguir
Lutar
com inimigos e terminar a canção.
Não
temos sossego! Arder, mas viver!
A
perseguição, perseguição, perseguição, perseguição de sangue quente!
A
perseguição, perseguição, perseguição, perseguição de sangue quente!
Em
outubro de 2014, em Paris,
no Boulevard de Charonne, os artistas franceses, ucranianos e russos organizaram
uma ação artística em apoio à Ucrânia, contra a venda do armamento francês à
Rússia e em memória dos militares ucranianos que morreram no leste do país na
Operação Anti-Terrorista (OAT).
Paris, outubro de 2014
Na
altura, os artistas se deitaram no asfalto se cobrindo com as bandeiras da Ucrânia. Na altura, muitos franceses passavam indiferentemente,
fazendo o seu jogging habitual e ouvindo a música da preferência. Hoje, a
guerra, nas palavras do presidente Hollande, chegou até Paris, machucando o
coração da 5ª República. Hoje, mais do que nunca Ucrânia precisa do apoio da
Europa. Tal como nos séculos passados, na época dos cossacos, o país defende a
Europa face à nova barbárie impiedosa...
Paris, teatro Le Bataclan, 13/14 de novembro de 2015...
O
poder comunista soviético, chamando a fé religiosa de “ópio do povo” destruiu
diversos templos ortodoxos da Ucrânia, nomeadamente a maioria das igrejas da
época pré-mongol (1240) situadas em Kyiv.
*
Igreja da Assunção de Madredeus Pirogoscha (1136) — destruída em 1935; reconstruída
pela Ucrânia em 1997-1998;
*
Igreja de São Jorge (1115) — demolida definitivamente em 1934;
*
Catedral de São Miguel (1108-1113) — destruída desde 1934, dinamitada em 14/08/1937;
reconstruída pela Ucrânia em 1995-1998; em 2001-2004 Rússia devolveu 11 afrescos que foram levados ao
museu russo de Hermitage antes da destruição da catedral em 1937;
Um dos afrescos levados de Kyiv à Hermitage
*
Catedral da Dormição do Mosteiro Kyiv-Pechersk (1073-1089) — dinamitada em 1941,
a responsabilidade é atribuída pelos historiadores aos agentes do NKVD na tentativa
de assassinato do presidente da Eslováquia Jozef Tiso ou à uma decisão
secreta da alta liderança nazi, sancionada, provavelmente, pelo Himler.
A Catedral da Dormição dinamitada em 1941
*
Igreja dos
Dízimos (989-996) é única destruída pelos mongóis após a tomada de Kyiv em
1240; foi reconstruída em 1828-1842 e novamente destruída pelo poder soviético
em 1928;
A
arte de trollagem fraterna
A imagem digitalmente retocada
No
dia 12 de novembro, o gripo de ativistas, Ofensiva
ucraniana, colocou nas redes sociais russas a imagem do monumento da Mãe
– pátria de Kyiv, supostamente no processo de desmontagem, usando a foto digitalmente
retocada da sua construção em 1980.
A imagem real da construção do monumento em 1980
Em
resultado, os representantes do povo irmão verteram toneladas de postagem em linguagem
de ódio anti-ucraniano que continha insultos, ameaças e exortações, pedidos, propostas e apelos para
exterminar os ucranianos como uma nação independente.
Seguem
alguns exemplos deste amor fraterno e, já agora, completamente antifascista: “brincadeiras
de judeus”; “Kiev morreu”; “deverão ser exterminados”; “agora já poderão matar
as suas próprias mães”; “só sabem destruir”; “escravos ideais”; “ucranianos não
têm Pátria”; “agora podem demolir tudo que foi construído na URSS”; “é o fim da
Ucrânia”; “não conseguem fazer mais nada”; “não tem Pátria, nem a mãe”; “perderam
país em 2 anos”; “realmente fascistas”; “não é possível esperar nada de bom”; “vão
pagar por isso”; “os monumentos não podem responder”; “doentes”; “depois de enforcar
os fascistas apresentaremos as contas”; “está na hora de declarar a quarentena”;
“terão Fogo e a Espada; “o terror”; “apenas exterminar! queimar, matar!”; “para
eles não há o caminho de volta”; “as ações me lembram Daesh”; "Patrea
deles talvez não é mãe”; “vandalismo, animais”; “Ucrânia era bonita, simpática,
bem-humorada, hospitaleira... agora é um monstro”;
A
campanha global #IBelong (www.unhcr.org/ibelong),
promovida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) para
acabar com a apatridia no mundo, tem um novo aliado em defesa de sua causa.
Trata-se do documentário brasileiro “IVAN”, que será lançado na próxima semana
em diversas capitais brasileiras. Em São Paulo, a sessão para a imprensa
acontece na próxima 2ª feira (dia 16/11), às 10h30 no Espaço Itaú de Cinema
Frei Caneca.
O
documentário retrata de forma comovente o reencontro de Iván Bojko com seu país
de origem, Ucrânia, após 68 anos de exílio. Em 1942, Iván foi tirado à força de
seu país pelos nazis para fazer trabalhos forçados na Alemanha, onde permaneceu
até 1945. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, não pôde retornar à Ucrânia e
veio para Brasil em 1948 como refugiado. Por não ter documentos que comprovassem
sua origem, viveu como apátrida no país até 05.11.1990, quando adquiriu a
nacionalidade brasileira.
Para
retornar à Ucrânia, Iván viajou com um passaporte brasileiro. Em um dos seus
depoimentos no documentário, Iván reconhece o valor de ter uma nacionalidade.
“O Brasil é uma terra que me deu segurança para o resto de minha vida,
inclusive me deram a cidadania brasileira. Hoje sou cidadão brasileiro e espero
já naquela terra descansar definitivamente”.
Para
o diretor do filme, Guto Pasko, Iván é um exemplo de superação diante as
adversidades que marcam a trajetória dos apátridas pelo mundo. “Iván sofreu as
duras consequências dessa situação pelos quais passam atualmente milhares de
pessoas em todo o mundo. Mas Ivan nunca perdeu a esperança nahumanidade. Desejo que o filme Ivan
sirva de inspiração para cada cidadão ainda apátrida desse planeta”.
A
ONU estima que existam cerca de 10 milhões de apátridas no mundo, e a campanha
#IBelong do ACNUR pretende, nos próximos 10 anos, erradicar a apatridia – um
limbo jurídico para milhões de pessoas que não têm nacionalidade reconhecida
por nenhum país e vivem sem garantias de seus direitos humanos. A campanha
#IBelong foi lançada pelo ACNUR em novembro de 2014, no marco do 60º
aniversário da Convenção de 1954 das ONU sobre o Estatuto dos Apátridas. Com a
campanha, o ACNUR espera reunir 10 milhões de assinaturas na “carta aberta”,
utilizando-a para demonstrar o apoio popular ao fim da apatridia.
As
sessões exclusivas para a imprensa também reunirão formadores de opinião,
apoiadores da causa dos refugiados e representantes de instituições ligadas ao
tema. O diretor do filme, Guto Pasko, estará presente. Para participar da
sessão, jornalistas e pessoas interessadas devem confirmar presença pelo e-mail
rodrigojduarte@gmail.com.
https://www.youtube.com/watch?v=XBG6TKJ7_cY
No
dia 19 de novembro, o filme terá sua pré-estreia no Rio de Janeiro, no Cine
Odeon, com venda limitada de ingressos. A sessão contará com as presenças do
diretor Guto Pasko, da produtora Andréia Kaláboa e da chefe do escritório do
ACNUR em São Paulo, Isabela Mazão.
Pré-estreias:
19/11
– Rio de Janeiro (Cine Odeon)
23/11
– São Paulo (Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca)
24/11
– Curitiba (Espaço Itaú de Cinema – Shopping Crystal)
Estreias:
19/11 – 8/12 – Rio de Janeiro (Cine Odeon)
26/11 – 2/12 – São Paulo (Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca) 26/11 – 2/12 – Curitiba (Espaço Itaú de Cinema – Shopping Crystal) 26/11 – 2/12 –Brasília (Sala Itaú de Cinema Shopping Casa Park) 26/11 – 2/12 –Porto Alegre (Sala Itaú de Cinema Bourbon Shopping Country)
No dia 11 de novembro a
Letónia celebrou o Dia do Lāčplēsis ou o Dia do Defensor da Pátria, o dia em
que o exército letão defendeu heroicamente a sua capital, Riga, derrotando
os mercenários do “exército voluntário da Rússia ocidental” sob a liderança do aventureiro monarquista e germanófilo russoPavel Bermondt-Avalov,
salvaguardando assim a Independência da República da Letónia.
Também neste dia, em 11 de novembro de 1918, o ministro das
Relações Exteriores do Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda, Arthur James
Balfour, emitiu a nota sobre a concessão de reconhecimento provisório ao
Conselho Nacional da Letónia como um órgão independente de facto, até a decisão
definitiva da Conferência de Paz
de Paris de 1920-21.
Este foi um apoio de valor inestimável à proclamação da República da Letónia em
18 de novembro de 1918.
O Lāčplēsis (aquele
que rasga o urso) é o herói do poema épico e romântico do militar, estadista e poeta
letão Andrejs Pumpurs.
Diversos prisioneiros
da guerra (POW) e prisioneiros políticos ucranianos permanecem nas cadeias
russas. Uns foram raptados na Ucrânia e levados ilegalmente à Rússia, como o
caso da piloto militarNadiya
Savchenko. Outros foram presos na Crimeia e “convertidos”, contra a sua
vontade, nos cidadãos russos (casos do Sentsov, Kolchenko eAfanasyev).
Para apoia-los, não é
precisa muita coisa, basta imprimir as imagens que se seguem, cola-los à um
envelope e enviar para a Rússia com alguns palavras de apreço ou um desenho. A
imagem corresponde à imagem de um dos prisioneiros ucranianos, o resto é o seu
endereço atual, algum estabelecimento prisional numa qualquer região russa.
Um gesto simplíssimo e
barato para si, um enorme apoio para os prisioneiros ucranianos!
Hoje,
na Ópera de Odessa Mikheil Saakashvili irá entregar a medalha ao militar
ucraniano que voltou da guerra do Donbas. Dois anos Saakashvili deixou de ser presidente
da Geórgia (2003 – 2013), país que governou através das reformas radicais, vistas
no Ocidente como um modelo de sucesso.
por:
Benoit Vitkine, Le Monde, França (versão curta)
Desde
30 de maio de 2015 Saakashvili é governador da região de Odessa, sensivelmente
de tamanho da Bélgica. Ele foi colocado no cargo pelo presidente Petró
Poroshenko, recebendo a cidadania ucraniana.
De
Tbilissi à Odessa
Desde
o fim de 2013 Saakashvili aparece na Ucrânia. Na Geórgia, o novo poder começou a
vendeta política contra ele e contra o seu partido. Passando pelos EUA, ele
aparece em Kyiv, apoiando os revolucionários de Maydan, depois se tornou o
conselheiro do novo presidente.
«Maydan
salvou a minha vida!» – diz Saakashvili, recordando a sua passagem pela Nova
Iorque, onde tentou viver como a pessoa normal, escrevendo o livro de memórias.
Na Ucrânia, recebeu a proposta de ser o 1º vice-primeiro ministro, mas recusou,
pedindo o seu posto atual. «Ojogoultrapassaestacidadeeestaregião. Podemos
mostrar à Ucrânia e ao todo espaço pós-soviético que as mudanças são possíveis.
Odessa é acidadeconsideradapelosrussoscomosua. [...] Se vamos conseguir aqui, isso será
uma derrota do Putin».
Para
Saakashvili a luta contra Kremlin não está terminada. Na Geórgia ele propôs a
luta civilizacional contra o modelo soviético, o que levou às reformas profundas
do país, à sua modernização, à luta contra a corrupção. Na Ucrânia pós-revolução,
em confronto com a Rússia, Saakashvili possui os “diplomas” necessários: do
reformador e do lutador.
O
novo governador escolheu a Odessa pois é o seu campo, o «difícil». A cidade foi
fundada no século XVIII, algumas vezes foi dirigida pelos estrangeiros, duque Armand du Plessis
e conde Alexandre-Louis
de Langeron. Graças ao seu porto é o local mais cosmopolita da Ucrânia, com
as comunidades gregas, arménias e judaicas…
Na
primavera de 2014 uma parte da cidade aderiu às ideias separatistas. Os
confrontos levaram aos 50 mortes, na sua maioria entre os pró-russos. A geografia
da região, situada perto da Transnístria, zona separatista da Moldova, a
Crimeia anexada, colocam Odessa na posição estratégica. A objetivo do Saakashvili
é vencer a corrupção, o cancro da região.
«Aqui
é Europa com a verdadeira cultura europeia. Mas aqui temos também piores
estradas da Europa, piores redes de abastecimento de água da Europa, piores
funcionários públicos da Europa... Mesmo na URSS, o poder nunca sabia o que
fazer com essa cidade estrangeira, profundamente capitalista, onde os cidadãos
se acostumaram à manter uma vida paralela, onde se manifestar contra o Estado
era considerado um ato algo nobre...»
Alguns
dias depois, Saajashvili visitou a construção de uma estrada circular na cidade
de Renina fronteira com a Roménia. Nenhum
governador anterior visitou esta
zona depressiva nos últimos 8 anos. Os locais perguntam o governador sobre as
tarifas de água, sobre a recolha do lixo. Uma mulher queixa-se do funcionário
do conselho municipal que nunca está no seu local de trabalho. Saakashvili pega
o telemóvel e liga para Odessa: «Você me assegurou que o processo será
resolvido. O que se passa?»
“É
bom saber o que fazer e fazer muito daquilo que sabes”
É
um brand de Saakashvili: é bom saber o que fazer e fazer muito daquilo que
sabes. O seu poder do governador é muito limitado e por isso a comunicação
excessiva é o seu melhor trunfo. Ele o admite abertamente: «Cada vez, quando
recebemos algo, recebemos por usar a pressão da opinião pública. A ligação com a
sociedade é a minha única arma.»
A
região é gerida apenas através de emissão de permissões para a construção,
abertura das empresas, atribuição da terra, emissão de documentos, política
social e polícia. «Por outras palavras, é uma posição ideal para introduzir os
esquemas de corrupção, em vez de lutar contra estas», - explica o politólogo e professor
universitário Milhail Minakov.
«Na
Ucrânia, se a pessoa não sente o interesse pessoal, nada é possível, – diz
Saakashvili. – Todo o sistema é corrupto. Cada funcionário possui o poder
ilimitado, cada junta de freguesia possui mais poder do que o presidente. Desde
o nível mais baixo até ao nível governamental nada se move, é triste. Podemos
apanhar os funcionários públicos e deputados locais corruptos, mas o Código
Criminal funciona de maneira que eles sempre escapam. Em primeiro lugar tem que
mudar a lei!»
À
espera da grande revolução, Saakashvili entra nas pequenas batalhas e consegue
as pequenas vitórias. A sua última batalha é anular regras e taxas que
impossibilitam o acesso ao mercado aos pequenos produtores de vinho. Em 16 de
outubro,
ele abriu, sem a base legal, mas com apoio do presidente Poroshenko, o Centro de
serviços administrativos, que irá centralizar a prestação dos procedimentos
administrativos aos cidadãos e diminuir as possibilidades de corrupção.
Cortar
o que está à mais
Saakashvili
possui em Odessa um grupo de apoiantes, composto pelos companheiros georgianos,
empresários, ativistas do Maydan, entusiastas sem a experiência (administrativa).
O seu símbolo é Maria Gaydar (33), proveniente da oposição russa e filha do
liberal e reformador russo da década de 1990, Yegor Gaydar.
Além
disso, Saakashvili usa o método que domina melhor, cortar o que está à mais: 26
chefes das administrações distritais foram demitidos e os novos nomeados após
um concurso público; foram detidos 20 polícias e metade dos funcionários da
administração estatal regional, 400 pessoas. «E mesmo os que ficaram, – lamenta
Saakashvili, – apenas 40 trabalham de forma séria. É necessária uma nova geração,
a antiga não consegue mudar.» É preciso notar que os salários de 100 à 200 Euros
mensais não apresentam nenhum estímulo ao trabalho honesto e efetivo.
Porto
de Illichevsk
O
porto fica à 20 km de Odessa, é um dos mais importantes na Europa e primeiro na
Ucrânia. A taxa média, para que o contentor não seja atrasado sob os pretextos
falsos é de 4500 Euros. Milhões de Euros do contrabando são retirados do
orçamento do país mensalmente. Ultrapassando os seus poderes, Saakashvili
exigiu publicamente a cabeça do diretor do porto e do seu colega das
alfândegas. Depois, ele colocou nas alfândegas a sua vice, Yulia Marushevska
(25). Ela será responsável para que apenas 5-7% das cargas passem pelo controlo
apertado, os restantes contentores serão desalfandegados em apenas alguns
minutos. À troco, Saakashvili quer que metade dos lucros seja usada para
reconstruir a rede rodoviária da região.
Desapontado
com os bloqueios
A
recente discussão com o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk criou o terreno aos
rumores sobre o seu interesse naquela posição... Saakashvili confessa que está
desapontado como o bloqueio da vida social ucraniana. Aos 47 anos ele recorda sua
Geórgia natal com orgulho e nostalgia: «Lá fazíamos os milagres, tudo era
possível. Aqui... pouca coisa é possível.»
Ler
o artigo em francês apenas no suplemento do jornal “Le Monde”, ler a tradução integral russa: