quarta-feira, outubro 07, 2015

O projeto: “Vá à guerra, faça arte!”

O sargento dos fuzileiros navais do exército dos EUA, Kristopher Battles, pertence à raça incrível de pessoas criativas que são igualmente bons, quer no manejo das armas, quer com pincéis e lápis.
Ainda antes do ano abençoado em que Battles se juntou ao corpo dos fuzileiros navais, alguém do comando americano decidiram colocar a energia criativa dos subordinados numa direção construtiva. O ganho era óbvio – ao contrário de artistas civis, que viajavam com as diversas unidades do exército, inseridos no âmbito do Programa de Arte do Exército dos Estados Unidos (United States Army Art Program), os artistas militares não necessitavam de proteção e dos babás. E numa necessidade até poderiam combater o inimigo, nem que lhe espetando um pincel no canto do olho (especialmente se o inimigo duvidar de sua criatividade). Assim, nas profundezas do Corpo de Fuzileiros Navais nasceu o Programa do Arte de Combate do Corpo dos Fuzileiros Navais (Marine Corps Combat Art Program). Com o lema tão simples como a bota militar: “Vá à guerra, faça arte!” (Go to war, do art!) Com uma missão igualmente simples: pintar, em qualquer superfície, a vida cotidiana dos fuzileiros navais.
O sargento Battles, além de ser um fuzileiro naval, serviu também como um artista militar. Como parte integrante deste mesmo programa dos fuzileiros navais pintores (por Beata Kurkul).
Ver o blogue do artista: http://kjbattles.blogspot.com

segunda-feira, outubro 05, 2015

Os craques das guerras híbridas

As forças especiais russas durante a ocupação da Crimeia em 2014
O termo “guerra híbrida” entrou definitivamente no léxico político e militar atual após a ocupação e anexação da Crimeia ucraniana pelas forças da federação russa em março de 2014. Como as testas de ferro, eram usados os homens fortemente armados sem nenhuns sinais de identificação. Mas afinal, as tácticas semelhantes não começaram na agressão contra Ucrânia, e nem acabaram nela...

Síria 2015
Na atual guerra aérea russa contra a oposição síria, a aviação russa deliberadamente oculta as identidades dos seus aviões, apagando as estrelas vermelhas das caudas dos aparelhos.  
https://youtu.be/WxbpGOaki2U
Embora uma investigação da edição ucraniana InformNapalm revela as identidades dos pilotos que estão à bombardear as cidade e vilas sírias.

Angola 1988

A foto foi tirada na localidade de Longa na província angolana de Cuando-Cubango em 1988. Na imagem estão os 3 militares das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA) e o tenente-coronel soviético, Vadum Sagachko, o assessor do comandante da 10ª Brigada de Infantaria da FAPLA da Zona Militar Cuando-Cubango (6ª Circunscrição Militar).
A legenda da foto explica que “todas as armas capturadas ao inimigo eram limpas, levados ao “estado de combate” e, em seguida, usadas para treinar oficiais da brigada e o pessoal dos grupos de reconhecimento. Os grupos de reconhecimento saiam às missões com as armas da UNITA e em uniformes da UNITA”. Copyright © A União de Veteranos de Angola 2005.

Vietname 1966
A foto da Wikipédia mostra os “Militares e comandantes do exército da defesa antiaérea da URSS à escutar a missão de combate”. Vietname, cidade de Hanói, fevereiro de 1966.

Ucrânia Ocidental 1944 – 1952

Para combater a resistência ucraniana de OUN-UPA, NKVD criou na Ucrânia Ocidental os grupos especiais de extermínio, também conhecidos como “grupos de inteligência de combate”, companhias falsas do UPA, “NKVD travestidos”, etc.
A essência dos grupos era: passando-se pelos grupos genuínos de resistência ucraniana combater a guerrilha de OUN-UPA e a sua rede clandestina nas zonas urbanas; assassinar as lideranças de OUN-UPA; cometer diversos crimes, passando-se pelas forças ucranianas para comprometer o apoio da guerrilha ucraniana pelas populações locais (fonte). As tácticas semelhantes eram usadas pela URSS e pela NKVD na Ásia Central na década de 1920 e nos Países Bálticos em 1944 – 1950. 

Os bombardeamentos russos na Síria: resultados sangrentos (3)

Na Síria continuam os bombardeamentos da força aérea russa que atingiu vários alvos civis, desta vez na província de Idlib, onde foram visados os voluntários da Defesa Civil da Síria. A vítima mortal é Issam Al Saleh que deixou a viúva e um filho de 2 anos.
Voluntário morto: Issam Al Saleh
O seu filho de 2 anos
Issam Al Saleh é o 108º voluntário da DCS morto na linha do dever, tentando salvar as vidas dos seus compatriotas. A triste ironia suprema reside no facto de que antes do início a guerra, ele era um polícia de proteção diplomática, junto à embaixada russa em Damasco.
Sobre o ataque russo em Ibdlib se sabe que a aviação russa bombardeou vários alvos civis, afastando-se depois, mas logo, quando na zona do impacto apareceram os voluntários da Defesa Civil, o mesmo local foi novamente duramente atingido pela aviação russa. 

 
https://www.youtube.com/watch?v=vmpOqbhsNgg&sns=tw

O bem tempo para bombardear
A previsão do tempo, mostrada no canal televisivo russo “Rossija-24”, chamou  o tempo na Síria de “bem-sucedido” para os bombardeamentos do país. “De acordo com os especialistas, o tempo para a operação de forças militares aeroespaciais russas, de ponto de visto do tempo, foi muito bem escolhido”, – disse apresentadora e acrescentou que outubro é um mês favorável para os voos.
https://www.youtube.com/watch?v=dwcNgxYhKvg
E depois do al-Assad?

Por outro lado, o presidente sírio Bashar al-Assad disse na entrevista ao canal iraniano Khabar TV que pode se demitir do cargo do chefe do estado caso isso ajudará à resolver a crise no país (SANA):

Pergunta 36: Mais uma vez, vamos voltar aos assuntos internos da Síria. A oposição pede que você se demite. Se você acreditar que deixar o cargo irá restaurar a segurança e a estabilidade para a Síria, o que você faria?
Presidente Assad: [...] Quanto a mim, pessoalmente, eu digo novamente que, se minha partida é a solução, eu nunca hesitarei em fazer isso. 

Blogueiro
O helicóptero Mi-17 soviético abatido pela resistência afegã na década de 1980
Enquanto a imprensa russa noticia o emprego na Síria dos mísseis Kh-29, usados pela URSS em 1979-1989 no Afeganistão, pergunta-se cada vez mais, se a sua intervenção na Síria não será semelhante à intervenção desastrosa da URSS naquele país. A resposta é só uma: no Afeganistão, em 1979 ninguém sabia o que será o “Afeganistão”, acontecimento que marcou uma geração inteira e que contribuiu muito bastante para derrubar a União Soviética apenas uma década depois. Como tal, só o tempo dirá se a aventura na Síria ditará o fim da “nova URSS”. 

sábado, outubro 03, 2015

Os bombardeamentos russos na Síria: resultados sangrentos (2)

Na Síria continuam os bombardeamentos da força aérea russa, atingindo vários alvos, que em 95% não estão relacionados com os alvos legítimos, pertencentes ao grupo Estado Islâmico (EI).
Por exemplo, a Rádio Free Syria, reporta que no dia 2 de outubro a força aérea russa atacou e destruiu o hospital de campanha na província de Hama (foto em cima e vídeo em baixo).   
https://youtu.be/T9fG9yR4iC0
Além disso, sabe-se que Rússia já tem cerca de 50 aviões e helicópteros nas operações da Síria, que incluem Su-24, Su-25 e Su-34 de ataque e Su-30 de protecção dos bombardeiros. A presença dos Su-30 é significativa. Trata-se de um caça de defesa aérea, e a verdade é que os insurgentes anti-Assad não possuem aviação. O que pode indiciar a preocupação de Moscovo com outras forças aéreas à operar na região.

Não está provado que a força aérea russa esteja à atacar só as áreas do EI, alias, o Secretário da Defesa da Grã-Bretanha, Michael Fallon, disse na entrevista ao jornal The Sun que apenas 1 em 20 raides aéreos russos, ou seja apenas 5%, era dirigido contra os alvos relacionados com EI. Na verdade, há dezenas de grupos sírios e centenas de milícias regionais e/ou locais que combatem Assad e o EI. Para além de duas bases perto de Raqqah, o Observatório Sírio dos Direitos do Homem diz que o EI não foi atingido, mas sim as forças do Exército Sírio Livre (moderado) e do Al-Nusrah (jihadista, mas anti-EI).
Curiosamente, os aviões russos retiraram a estrela vermelha das suas caudas, dificultando a sua identificação visual (Fonte).

A página da Rádio Free Syria também mostra as fotos da população da cidade de Kafranbel que protestam contra a presença russa no seu país.
Os resultados dos bombardeamentos russos na Síria (a autenticidade das matérias, não aconselhadas às pessoas mais sensíveis, não pode ser comprovada pelo nosso blogue).
https://youtu.be/9lhR35mmfcs

https://youtu.be/kYVM5Z722UA

Os outros russos da Ucrânia

O jornalista Matthew Vickery do Al Jazeera English conta as histórias dos três cidadãos da Rússia que pegaram em armas para defender Ucrânia contra a invasão e ocupação russa.
Voluntário russo do "Azov" Arteyom Shirobokov
Natural da cidade de Samara, Arteyom Shirobokov (21), explica que tentou participar nas organizações anti-Putin na Rússia, mas não encontrou nenhuma. Então, ele veio para a Ucrânia à mais de um ano atrás, para lutar ao lado de voluntários ucranianos.

“Acho que nunca poderei voltar para casa. O regime russo sabe que estou aqui. Eles conhecem o meu nome. Vejo que esta guerra como uma agressão por parte da Rússia, e eu sou fortemente contra isso. Toda a minha vida adulta, eu sempre considerei o regime de Vladimir Putin como um regime anti-russo, um regime anti-pessoas”, explica Shirobokov no quartel do batalhão “Azov” em Mariupol, a sua casa durante o ano passado.

Ele se ri quando é perguntado o que sente em relação à luta contra os russos do outro lado. “Quaisquer russos que lutam pelos separatistas não são russos, eles são soviéticos, com uma mentalidade soviética. Eu não sinto que estou lutando contra o meu próprio povo”, explica Arteyom.
Voluntário russo do "Azov" Spuk
Outro cidadão russo que pertence ao batalhão “Azov” é Spuk (30). A sua família, residente em Stavropol, acredita que ele está à trabalhar em Moscovo. Para o voluntário russo a luta na Ucrânia é a única maneira de poder opor-se ao governo russo.

Spuk fala em rajadas curtas, mas com uma clara convicção: “Não há nada de estranho eu estar aqui. Eu sinto que justiça está deste lado. Putin transformou o povo da Rússia nos seus servos, e agora ele está tentando transformar em seus servos os ucranianos”. Como Shirobokov, Spuk teme pelo seu futuro. Ele não pode voltar à Rússia, caso a sua identidade seja descoberta. “Obter a [cidadania ucraniana], é a minha única opção, eu tenho que fazê-lo, mas o governo [ucraniano] complica a questão”.
Voluntário russo do "Azov" Anton
O voluntário do “Azov”, Anton (26) diz: “sinto que estou lutando pela Rússia, pelo povo da Rússia, contra um regime que está prejudicando o nosso país. Desejo que a Rússia seja uma república democrática livre, como um país europeu livre”.

Natural de ilha de Sakhalina, no extremo oriente russo, Anton fala animadamente sobre o seu país de origem. O seu conhecimento da história russa e ucraniana é impecável, o seu entusiasmo inabalável e contagiante. Ele tanto fala em profundidade sobre a Revolução Laranja na Ucrânia de 2004, quando, de repente, salta para discutir a revolução bolchevique de 1917. Com um corpo magro e bigode rijo, que parece fora do lugar, envolto em traje militar, juntamente com o seu fluxo constante de factos históricos e datas, Anton parece mais com uma figura do professor do que um soldado empunhando um AK. Mas, com a sua idade, ele não viveu uma vida tranquila, Anton estive seis anos na marinha russa.

Anton fugiu para a Ucrânia há 15 meses. A anexação da Crimeia pela Rússia, um território ucraniano internacionalmente reconhecido, que foi ocupado em março de 2014, foi o catalisador, iniciando a sua viagem de oficial da marinha russa até se tornar um voluntário à lutar pela Ucrânia. “Eu não podia acreditar no que aconteceu”, diz ele, com um olhar incrédulo no rosto. “A partir daí, eu comecei a criar os grupos nas redes sociais, postando a informação sobre o que estava acontecendo [na Crimeia], e em toda Ucrânia, dando informações diferentes do que a mídia generalista russa estava dizendo”. Esse ativismo do Anton nas redes sociais foi notado pelo Kremlin. O governo congelou a sua conta bancária e ele poderia ser julgado em tribunal como um extremista. Anton decidiu não esperar, fugindo de Sakhalin para Vladivostok, de lá para Moscovo e em seguida à Belarus. Da Belarus cruzou para a Ucrânia.

“Eu sempre fui contrário ao Putin. E sou um nacionalista russo. Mas o nacionalismo russo para mim é ver os ucranianos como os nossos irmãos, não roubar a terra de seu irmão”, explica ele os seus pontos de vista políticos. Como Shirobokov e Spuk, Anton teme retornar à Rússia, e agora está tentando obter a cidadania da Ucrânia. Ele admite que o processo é difícil e ele está preocupado com a falta de progresso. E ainda assim ele continua otimista sobre sua a decisão de lutar na Ucrânia.

Ler o texto original e completo “Ukraine's other Russians”:

Os contactos do regimento “Azov”
https://www.youtube.com/watch?v=nl3FOAVkS4Y
Mobilização: + 380 96 1148833 / + 380 96 1148800
Serviço de imprensa: + 380 67 4738674
Centro do treino: http://azov.org.ua
Web: http://azov.press / https://vk.com/batalion.azov

sexta-feira, outubro 02, 2015

O julgamento da Nadiya Savchenko em BD

Neste momento decorre na Rússia o julgamento da piloto, voluntária e deputada ucraniana Nadiya Savchenko, capturada pelos terroristas no verão de 2014 na região de Luhansk, raptada e mantida na prisão pelas autoridades russas desde então.

A página russa Openrussia.org produziu a banda desenhada, dedicada ao processo para ilustrar o decorrer do mesmo. Embora o advogado principal da Nadiya, Mark Feygin, já alertou que nem todas as informações publicadas pela página possuem o necessário rigor jurídico e factual.
Recentemente, o Ministério da Justiça da federação russa manifestou a disponibilidade para considerar o pedido da extradição da Nadiaya Savchenko à Ucrânia. As fontes próximas dos círculos jurídicos russos dizem que a extradição só será possível após o veredicto final e após pelo menos 6 meses de cumprimento da pena; além disso Ucrânia teria de assegurar que após a extradição Nadiya Savchenko cumpriria a pena; além de necessitar de acordo da própria Nadiya (que dificilmente irá colaborar com os seus raptores e ocupantes do seu país).

No entanto, na Ucrânia está prestes à começar o processo contra os militares do GRU russos, capturados em combate no leste na Ucrânia. O que abre a possibilidade de troca desigual, mas desejada entre Ucrânia e a federação russa. 

Morreram pela Ucrânia: os ultras que deram vida pelo país

Durante a Revolução de Dignidade (o movimento Maydan) e na guerra russo-ucraniana (OAT), morreram pelo menos 28 fãs, que pertenciam às torcidas organizadas de futebol, e que representavam todas as regiões de Ucrânia e diversos clubes da 1ª e 2ª ligas.

Tudo começou no dia 1 de dezembro de 2013, quando fãs dos diversos clubes de futebol se reuniram na rua Bankova em Kyiv (imediações da presidência da república da Ucrânia), onde participaram nos primeiros confrontos com a polícia (após duas semanas de protesto pacífico na praça de Independência, conhecida como Maydan, no centro de Kyiv).

Seguiram-se as tomadas e defesas do Conselho municipal de Kyiv e da “Casa da Ucrânia”, patrulhamentos noturnos da cidade, defesa da Maydan e confrontos com os bandidos titushki, mas principalmente, os confrontos com a polícia “Berkut” na rua Hrushevskoho, que à partir do dia 19 de janeiro de 2014 marcaram o início do fim do regime do Yanukovych.

Desde a queda do antigo regime e face a agressão russa na Crimeia, os fãs dos clubes ucranianos anunciaram o fim intemporal de quaisquer inimizades clubísticas. Foram as torcidas unidas que garantiram a manutenção da paz em Odessa e Kharkiv, não permitindo a tomada de poder pelos separatistas locais, apoiados pelos terroristas russos.

Neste momento, os representantes de quase todas as torcidas organizadas estão defender Ucrânia no leste de país, resistindo e combatendo as forças russo-terroristas. Inseridos nas FAU e nas unidades voluntárias, nem todos voltaram para as suas casas. A guerra, leva os mais bravos e mais corajosos. Eles deram as suas vidas pela Ucrânia e pela sua liberdade, mas eles viverão em memória daqueles que os recordam. Por isso, a página das torcidas organizadas da Ucrânia, ultras.org.ua, criou um mural para recordar todos os companheiros que morreram na defesa da Pátria. Glória eterna aos Heróis!

No total, a lista tem 28 nomes, 26 com a morte confirmada e dois desaparecidos, após, presumivelmente, serem capturados pelos terroristas. A maioria dos patriotas serviu e morreu ao serviço dos batalhões voluntários: “Aydar”, “Azov”, DUK PS. Vinte deles foram condecorados pelas medalhas e ordens militares ucranianos, à título póstumo. Apenas três dos heróis eram da Ucrânia Ocidental, cinco de Kyiv, um era cidadão da Rússia e os restantes eram naturais do centro e leste do país, incluindo da região de Donbas. O mais velho tenha 42 anos, o mais novo apenas 16... 

Shevchenko em Novosibirsk
"...Se abracem, meus irmãos, vós suplico, vos peço..."
Na terceira maior cidade russa, Novosibirsk, a diáspora ucraniana local abriu o monumento ao poeta mor da Ucrânia, Taras Shevchenko. O monumento se situa na esquina das ruas Kirov e Shevchenko. Taras Shevchenko nunca visitou a cidade (a urbe foi fundada já após a sua morte), mas durante a II G.M., na Opera local estava guardada a exposição do Museu de Shevchenko de Kyiv. A altura do monumento é de 3,8 metros, o seu custo é de cerca de 50.000 dólares que, em parte, foram doados por cerca de 250 personalidades, e em parte, contaram com o subsídio estatal.
Taras Shevchenko: "...Se abracem, meus irmãos, vós suplico, vos peço..."

quinta-feira, outubro 01, 2015

A nova doutrina militar da Ucrânia: os pontos principais

No último dia 2 de setembro, o Conselho Nacional da Defesa e Segurança da Ucrânia (RNBO) aprovou a nova doutrina militar da Ucrânia que no dia 24 de setembro foi endossada pelo presidente Petró Poroshenko em forma do Decreto presidencial №555/2015. A Doutrina entrou em vigor desde a data da sua assinatura presidencial.

A Doutrina Militar da Ucrânia é um sistema de pontos de vista sobre as causas, a natureza e o caráter de conflitos militares modernas. O documento é fundamental para a defesa do país das ameaças atuais. As disposições da doutrina ficam incluídas na elaboração de legislação, regulamentos, diretrizes e planos para o setor de defesa da Ucrânia.
O documento que irá determinar o rumo do desenvolvimento do sector da segurança nas próximas décadas, é composto por 69 pontos, cada um dos quais fornece as previsões para todas as esferas do funcionamento do Estado, a política nacional e externa, e identifica as maneiras de resolver todas as ameaças emergentes, o sistema determina a ação apropriada em todos os níveis de defesa do país. A página ucraniana LІGA.net aponta as principais disposições do documento, fundindo-os em 10 teses.

1. A doutrina enumera os conflitos existentes e potenciais em diferentes regiões do mundo, entre os diferentes países e forças. Mencionado a luta pelas matérias-primas e desafios da Ucrânia, neste contexto, os conflitos no Médio Oriente e em África, a crescente tensão entre os EUA e a Rússia, o enfraquecimento das instituições internacionais, a retomada à “linguagem da força” nas relações entre os estados, incluindo na sua forma híbrida.
2. Ameaças da Rússia. Operações especiais e provocações, a dramatização do separatismo artificial, um número crescente de tropas e a modernização do exército, a política destabilizadora do Moscovo em relação à Ucrânia, à União Europeia e à NATO, recusa da Rússia de honrar os seus compromissos e acordos internacionais, o reforço de espionagem contra Ucrânia, ataques informáticos e ameaças económicas, no campo energético e de informação. Em geral, o estado russo é a única e principal ameaça militar, na qualidade do país ocupante da Crimeia e do Donbas. Também entre as ameaças: constantes interferências russas nos assuntos internos da Ucrânia, principalmente, à fim de impedir a integração da Ucrânia na UE e na NATO.
3. Os cenários do Moscovo. As ameaças à segurança militar da Ucrânia podem ser implementadas nos seguintes cenários: a agressão armada em grande escala da Federação Russa, com a condução das operações terrestres, aeroespaciais e marítimas; as operações especiais, incluindo, sob a capa das “forças de paz” sem um mandato do Conselho de Segurança da ONU; bloqueio dos portos marítimos, a costa ou o espaço aéreo da Ucrânia; conflito armado no país, inspirado por Moscovo; conflitos armados na fronteira; atos de terrorismo e sabotagem; sequestros e assassinatos de figuras públicas e governamentais, dos diplomatas estrangeiros (com o objetivo de provocar uma guerra ou tensões internacionais).
4. Possíveis efeitos. A doutrina contém uma lista das possíveis consequências para a Ucrânia a partir de certas ameaças, caso estas se concretizem. Os cenários são diversos: desde a perda parcial de controlo sobre certos territórios até a perda completa da Independência (o propósito real da doutrina é identificar claramente estas ameaças, de modo à tomar as medidas para assegurar que os piores cenários nunca se irão concretizar).
5. Os aliados da Ucrânia. A doutrina diz que a Ucrânia pode contar, principalmente, com as suas próprias forças. Entre os parceiros e aliados: os Estados Unidos, a NATO e a União Europeia. A integração na União Europeia e na Aliança do Atlântico Norte são os principais objectivos da política externa da Ucrânia, de acordo com a doutrina. Em 2020, a Ucrânia deve cumprir plenamente os critérios para aderir à NATO. A doutrina da Ucrânia compromete-se directamente de conduzir as operações militares em conformidade com os padrões da NATO. Em geral, ao tema da NATO são dedicados cerca de 20 pontos da doutrina. A base da Segurança da Ucrânia – o reforço das instituições do Estado nesta área: serviços de segurança, o exército, inteligência e contra-espionagem, contra propaganda, o desenvolvimento do complexo militar-industrial e centros e instituições de treino especializados. Além disso, a cooperação com os aliados no desenvolvimento de tecnologia militar é a outra parte importante da doutrina.
6. As principais tarefas. Defesa contra ataque da Rússia; restauração da integridade territorial e a libertação da Crimeia; colocação do exército, do complexo militar - industrial, da gestão do exército e do pessoal segundo às normas da NATO; criação das forças de operações especiais segundo às normas da NATO; um sistema unificado de logística de defesa segundo às normas da NATO; um sistema unificado de treino segundo os padrões da NATO; criação de um sistema de inteligência unificada, que irá funcionar em regime do tempo real; preservação do tipo misto do serviço militar: SMO e contratos; participação ativa na segurança internacional em missões de manutenção da paz; aumento radical da qualidade da gestão e de apetrechamento do exército.
7. Novidades. Ucrânia reserva para si o direito de, por qualquer meio, combater o inimigo, incluindo dirigir os ataques contra o inimigo no território do adversário; Ucrânia autoriza a realização das operações especiais no território do inimigo; Ucrânia reserva para si o direito de usar a força – contra o agressor e ocupante – Rússia – para restaurar a sua integridade territorial; o principal centro situacional da Ucrânia irá tornar-se a base material e técnica para o controlo do setor da defesa e segurança.
8. Vulnerabilidades. São originadas à partir da lista de tarefas essenciais: é necessária a retomada do desenvolvimento económico, a luta contra a corrupção, o desenvolvimento do espaço político dentro da Ucrânia, da democracia e das liberdades, o reforço das instituições governamentais, melhoria do exército (defesa territorial, em particular), reforço e melhoramento da capacidade da Ucrânia para se defender da agressão de Moscovo na esfera de informação, económicas e políticas, etc.
9. As áreas das responsabilidades. A doutrina define as responsabilidades de cada estrutura no domínio da segurança da Ucrânia. Em resumo: FAU – a proteção contra o ataque direto do inimigo, a defesa territorial; o Ministério dos Negócios Estrangeiros – a defesa dos interesses nacionais ao nível diplomático; a Guarda Nacional da Ucrânia (NGU) – a luta contra o terrorismo, a participação na defesa territorial; o Serviço de Guarda Fronteira – a luta com os conflitos na fronteira, a protecção das fronteiras, a luta contra o terrorismo e contra o contrabando, etc. SBU – a luta contra o terrorismo, a contra-espionagem, contra-inteligência e combate às atividades subversivas de serviços de segurança estrangeiros. O Serviço de Inteligência Externa – a produção de inteligência, a implementação das ações e contra ações na luta contra as ameaças externas à segurança nacional em todas as esferas da vida pública. Ministério do Interior – a luta contra o crime, etc.
10. Financiamento e as obrigações. O sector da defesa deve receber pelo menos 3% do PIB. De acordo com a doutrina, o documento é a base para a preparação e adopção das soluções político-militares, de estratégia militar, militares – económicas e técnico-militares. Doutrina militar deve ser tida em conta no desenvolvimento dos conceitos e programas no domínio da defesa. Implementação da doutrina está à cargo do Presidente da Ucrânia; do Conselho da Defesa e Segurança da Ucrânia (RNBO); do Conselho de Ministros; do Parlamento e das outras autoridades – de acordo com as suas competências definidas pela Constituição e pela legislação. As disposições do documento serão ajustadas em função das mais recentes mudanças na Ucrânia e no mundo.

Ler o documento integral (em ucraniano):

Ler o resumo (em russo):

Os desafios de segurança da Ucrânia e a crise da ordem global

por: Oleksandr Turchynov, o secretário do Conselho Nacional da Defesa e Segurança da Ucrânia (RNBO)
Cartoon francês do século XIX
As patologias internas da Rússia estão à criar uma zona de instabilidade na sua periferia que pode facilmente se espalhar para o resto do mundo.

A guerra na Ucrânia está entrando numa nova etapa. Embora os bombardeamentos pararam no início deste mês (setembro), as tropas russas em nosso país estão tentar implementar a estratégia de Vladimir Putin de prejudicar a independência e liberdade da Ucrânia. Em resposta a esta agressão, Ucrânia mobilizou o seu povo, construiu a sua força militar e agora está segurando a linha entre Putin e Europa. Ao fazê-lo a Ucrânia tem demonstrado que o país pode ser um sujeito no palco mundial.

Ler o texto integral original “Ukraine’s Security Challenges and the Crisis of Global Order”:
http://www.the-american-interest.com/2015/09/22/ukraines-security-challenges-and-the-crisis-of-global-order